Viagens no tempo
– Hoje é o amanhã de ontem?
– Isso.
Era a terceira vez que eu perguntava, só naquela semana. Minha mãe estava impaciente.
– E, amanhã, hoje vai ser ontem?
– Chega. Não agüento mais.
Eu estava boquiaberta. Descobrir as viagens no tempo aos dez anos é acachapante. Aos 15, surtei. Foi depois de assistir a Os 12 Macacos. Girafas e elefantes soltos por Nova York e eu pirada com o menino que se vê adulto. Comquipode?
Só se existissem várias cópias das pessoas e, quando pudermos viajar no tempo, minha versão de 6 anos verá a edição comemorativa de 30. E a única explicação é: tenho um backup particular sendo fabricado a cada milionésimo de segundo. Se Einstein não tivesse enchido a minha vida de ignorância e incertezas, acharia que uma cópia por segundo já estaria de bom tamanho, mas o cara fez o favor de dizer pro mundo que o tempo é relativo, então, devo ter backup a dar com pau.
Tenho certeza de que, neste exato segundo, tem uma cópia minha desembrulhando uma Cecizinha vermelha de cestinha branca. Ou dormindo de mãos dadas com a minha madrinha. Ou dizendo sim na frente de um poeta. Ou tomando banho de cachoeira. Que inveja de mim.

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Aposto como você também teve uma Cecizinha vermelha!
Irmãs mais velhas sofrem, viu?
Só quem viaja de ácido consegue imaginar umas viagens no tempo tão doidas quanto em Efeito Borboleta, né?
É sempre bom saber se os seus backups não estão comprometendo a sua reputação por aí, né?
Quer me deixar mais lesada ainda, é?
um grande abraço...
DD
Opa, rapaz, vai ser uma honra tê-lo por aqui!








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