O abraço partido
Ele estava de camisa xadrez e boina bege e tinha imensos olhos azuis. A calça, de tergal, passava do umbigo e cobria quase a barriga inteira – nem sabia que ainda faziam calças com o cós tão grande. No alto da cabeça, trazia a típica boina virada para a frente. Mas eu me apaixonei quando ele pegou na minha mão, os dedos tremelicando: a camisa tinha cotoveleiras. Camisa xadrez com cotoveleiras de couro! Os marmanjos que me desculpem, mas mulher nenhuma resiste a um vovô devidamente paramentado.
Seu Ettore estava na reunião de vítimas da cratera, ao lado de 55 famílias de moradores que foram desalojadas de suas casas. Em questão de horas, teve de deixar todos os seus pertences – fotos dos filhos, o jogo de porcelana da família, seu travesseiro preferido – e zarpar correndo de um lar subitamente hostil, após décadas de acolhimento e história.
Quando cheguei à reunião, ele estava sentado logo na primeira fileira, estranhamente alheio ao circo que havia se instalado entre autoridades assustadas e moradores perplexos. Seu Ettore era um homem abandonado. A lucidez o havia deixado há muito tempo. Apenas lembranças lhe faziam companhia, num ribombar cândido e sedutor que o mantinha em outra dimensão.
Depois de meia hora ouvindo acusações de moradores assustados e desculpas de autoridades perplexas, ele desabou numa cadeira. Me estendeu um papel com anotações numa caligrafia trêmula: queria que eu anotasse o telefone da assistente social colocada, 24 horas, à disposição.
Quando entreguei o papel, ele segurou minha mão entre as suas: “Você viu meus inquilinos?”. “Não, seu Ettore. Eu não conheço seus inquilinos.” Ele pareceu despertar de um longo torpor. “Como você sabe meu nome?” Pensei em dizer que tinha uma lista de vítimas da cratera, pensei em falar do horror, da casa demolida, dos bens perdidos. Mas isso seria lembrá-lo, e lembranças ele tinha aos montes. Respirei fundo e brinquei, “sou jornalista, seu Ettore, jornalistas sabem tudo; leio até pensamento”. Ele me fitou mais uma vez, seus olhos de um azul imenso, abissal. Esboçou um abraço. Desistiu. “Ah, minha filha, se você pudesse ler meus pensamentos...”

Conhecer pessoalmente outros blogueiros nem sempre é tarefa fácil. Mas, dessa vez, foi moleza, nem precisei da ajuda do Google. Onde está esse post?
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Ele merece.
Obrigada pela visita!
Ele nem vai ligar de saber que você é desmiolada...
Pena, não consigo abrir seu blog... O endereço está certinho?
É... hummm... acho que sim...
Omblogsmans dão boas sugestões, né?
Bj
Ai que delícia saber que já tem gente procurando, Andréia! Ainda mais em se tratando de uma mãe tão atarefada quanto você! Ganhei meu domingo!
E vamo que vamo!








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