O furo da cratera
A cratera do metrô arrastou toneladas de terra, pedaços de asfalto, alguns carros, anos de dinheiro público. O prédio da Editora Abril foi esvaziado, parte da Marginal Pinheiros ficou interditada e, de acordo com fontes que não quiseram se identificar, há relatos de estragos nos alicerces das minhas convicções.
Repórteres passam a vida toda correndo contra o tempo em busca da melhor notícia. Descobri que, se somos velocistas por natureza, grandes coberturas de tragédias são nosso Rally dos Sertões: chegue antes, chegue vivo, se vire no caminho e faça tudo isso tentando deixar para trás o menor rastro possível de destruição.
O toque de bizarrice da profissão é que há duas vagas no degrau mais alto do pódium. Por isso, se você não chegou primeiro, chegue melhor, o que quase sempre costuma significar ter mais depoimentos de pessoas chorando, mais imagens da terra desabando e mais autoridades se acusando.
Em questão de minutos, começam a pipocar ligações de gente que viu um carro ser engolido pela cratera, não, uma van, ou melhor, um ônibus lotado de criancinhas em férias. Repórter e co-piloto vão para as ruas atrás de sangue – mesmo que os dados não passem de boatos, que não se consiga checar nada e que, bem, não haja um morto, sequer um ferido. Mas o que são cercas e vacas na pista quando a única coisa que parece importar é ser o primeiro? Enquanto eu fico na redação comendo poeira para checar as informações, tem repórter que parece propagar a máxima que ouvi da boca de uma colega: “Fofoca eu faço de graça, para mentir é que sou paga”. É, desabou de vez.

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Seguir em frente é um bom lema!
O problema é que jornalistas só pisam em consultórios se for para entrevistar o psicólogo.








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