Tuas unhas te condenam
"Carnívoros não passam de comedores de grama." "Você é um capim ambulante." É difícil levar Luis Antonio Martinelli a sério, mas o esforço vale a pena. Em seu laboratório, ele tem mais de mil amostras de unhas etiquetadas e organizadas em saquinhos.
"Já tentei com fios de cabelo, mas as pessoas achavam que era para macumba." Dá até para imaginar o cara chegando numa pessoa, na rua, e pedindo, na maior educação: "Por favor, você pode me dar um fio de cabelo?". A mulher fica assustada, segura a bolsa com força, acha que é assalto. Você implora, é só um fiozinho. Ela aperta o passo. "Tudo bem, pode ser a unha do mindinho?" É por isso que a pesquisa científica não avança neste país.
Os pedacinhos de unhas de Martinelli mostram segredos que podólogo nenhum conhece. Ele não entende de unhas encravadas, mas é capaz de dizer o que você comeu há quatro meses ou mais. Bife, salada, peixe, cereal, até mesmo aquele docinho fora de hora, nada escapa do olhar do cientista. "Já desmascarei muito vegetariano."
Depois de ficar estudando isso por quatro anos, o que você ganha é ser capaz de dizer coisas como "Meu cunhado tem os isótopos mais estranhos" ou "Santarém é uma aberração alimentar". E ainda dizem que a pesquisa científica não avança neste país.

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Nada como uma cratera em sua vida...
Ei, ele pesquisa a composição química da unha e não o que está debaixo dela!








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