Mais velha
– Ulha, pai, olha o cabelo daquela moça!
– Bia, não fala alto que é feio!
Deu cinco minutos para a cara da dona Bia – de Beatriz e não de Bianca, como ela fez questão de frisar – aparecer na minha frente. Estava de ponta cabeça, montada em cima do dragão de madeira da sessão infantil da livraria.
– Oi!
– Suponho que você seja a senhorita Bia, não?
– É de Beatriz.
– Ahhh, entendi. Minha mãe também é Bia.
– De Beatriz?
– É.
– Mas eu sou mais velha.
– Mais velha que a minha mãe? Du-vi-do.
– Não, mais velha que a Laura. Eu tenho cinco, ela tem três.
– Sua irmã?
– É. Mas eu sou mais velha. Vou fazer seis anos na semana que vem.
Estávamos aprofundando o relacionamento quando apareceu um funcionário da loja. Bia não podia se dependurar no dragão, teria que descer.
– Ahhhh... – choramingou ela.
– Ahhhh... – choraminguei eu, já achando divertido conversar com uma menininha de ponta cabeça enquanto folheava um livro infantil.
Apareceu o pai da Bia, depois, a mãe, a irmã.
– Bia, desce daí, filhinha, o moço falou que não pode.
– Eu já sabia. Vou ficar só mais um pouquinho. Tô falando com a moça do cabelo vermelho.
– Bia, o que nós já conversamos?
– Mas o cabelo dela é vermelho!
– Bia!
Achei melhor intervir antes que aquilo virasse uma pequena crise familiar.
– Pode deixar, eu não ligo. É vermelho, mesmo.
– Viu, pai?
– Chega, mocinha. Vamos embora.
Ela não se fez de rogada. Se deixou levar pelo braço, devagar, virou de longe e mandou um “tchau, moça vermelha!”.

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Você é que pensa...
Opa, eu é que fico fã de alguém que mantém os comentários tão atualizados!
Os pais dela vão fazer meu retrato falado!








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