A chegada à Lua
Você sabe que está em São Thomé das Letras quando o primeiro sinal de civilização são montanhas brancas escavadas pelas pedreiras. De longe, parece uma paisagem lunar, quase desértica. De perto, você tem certeza de que a população não é mesmo deste planeta.
A história que se conta é que os primeiros habitantes encontraram uma gruta onde havia uma estátua de São Thomé e inscrições na parede, mas ninguém se lembra muito bem do que estava escrito. Tenho minhas dúvidas se os tais dizeres eram “é nóis, gordo”, que li quando visitei a gruta.
Em São Thomé, o restaurante da praça central chama-se O Alquimista. Os bares têm pinturas de gnomos sentados em cogumelos e as pousadas recebem nomes como Luz Interior, dos Cristais, Mãe Lua ou Maha Mantra. Tudo decorado com mandalas e pingentes de vidro. Há um mirante, também, no que sobrou de uma casa de pedra construída por um dos primeiros moradores. Se a obra começou numa viagem de cogumelo, não há relatos, mas, se foi isso, devia ser um chá dos bons: o lugar parece um labirinto, construído na região mais alta e íngreme da cidade, onde qualquer pessoa em sã consciência não teria a brilhante idéia de fazer uma casa.
Bem na entrada da cidade, uma outra construção é a confirmação de que, sim, você está mesmo em São Thomé. Está lá a placa da prefeitura: “obras do Centro de Parto Normal”. Fico imaginando as grávidas saindo da consulta com o obstetra e passando na salinha da astróloga, para saber qual a posição da Lua no dia do nascimento do bebê. Tudo bem zen.

De dentro da casa-mirante, o céu de São Thomé das Letras
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Saudades também! Ano que vem tô de volta!
Fiquei só para o almoço, deve ter sido por isso.
Relva?!? OMG...








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