101 Dálmatas
A perna direita fraquejou com o súbito deslize do pé esquerdo. Para manter o equilíbrio, fiquei abanado os braços que nem galinha em fuga. O sabonete descreveu o que os matemáticos chamam de parábola: passou da minha mão esquerda para a direita, desenhando um arco sobre a minha cabeça. Em poucos minutos, meu flanco superior esquerdo já apresentava nuances esverdeadas, passando pelo azul irisado. Licenças poéticas à parte: escorreguei na banheira.
Foi um tombaço, mesmo. Durou uns três segundos, mas hoje, quase uma semana depois, tenho um roxo de um palmo na bunda. Pior: está numa área que só um maiô dos anos 20 cobriria. Somado aos outros dois roxos anteriores – um na perna direita, feito na aula de acrobacia, e outro na coxa esquerda, fruto de uma topada na mesa da sala –, estou um perfeito dálmata. Se minha vida virar desenho da Disney, meus pais vão ter que chamar Tombo e Perdida.

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Bem, por enquanto, tenho uma tatuagem de mancha de petróleo. Super moderna.
Oba, mais uma para o Clube dos Contundidos! Já dá para fazer um campeonato, hein? Valeu pela revelação!
Mudou: agora chama tombo na banheira.








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