Sereias - 3

Há outra coisa terrível para dizer sobre as sereias: elas não se parecem em nada com a história da Disney. Não há um felizes para sempre. Não há sequer um final mais ou menos feliz. Quando os autores do conto são os irmãos Grimm, o final é sempre trágico e inclui abandonar criancinhas na floresta escura e entupi-las de doces para comê-las no jantar. Estranha que essas histórias sejam consideradas literatura infantil, quando estariam bem melhor na prateleira de livros técnicos, ao lado de "Métodos Simples para Atormentar seu Filho".
Tudo isso para dizer que, no conto original dos irmãos Grimm, a sereia também é injustiçada. Ela precisa apunhalar a noiva do príncipe – é, o panaca se casou com a mulher errada – antes do nascer do dia. Não consegue, é claro. Mal amanhece, ela é transformada em espuma do mar. Bruno Bettelheim, o maior especialista na análise de contos de fadas, diria, anos mais tarde, que a espuma é o esperma do príncipe. Era só o que faltava. Quando não é Freud, é outro tiozinho que vem para detonar as sereias. Bem fazem elas de aparecer nesse blog só por três dias. Agora, elas vão voltar para as profundezas dos meus cadernos de desenho.
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Sofrem, as coitadinhas...
Bem lembrado: esta é de 1998 também, provavelmente desenhada nos cadernos da Cásper.
E têm algas nos cabelos, éca.
Você manda!
Freud e Bettelheim acabaram com a graça dos contos de fada...








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