O dia do fico
– Por favor!
Era a segunda vez que eu pedia. Na primeira, não tinha chegado a implorar, mas, agora, minha dignidade já tinha ido para o brejo. Não tinha mais nada a perder.
– Vai, Fabinho, fica comigo... por favor?
Prefiro as versões suavizadas da palavra, algo como “obstinada” ou “determinada” – soam tão melhor! –, mas a verdade é que sou teimosa como uma mula. Quando coloco algo na cabeça, não entrego os pontos tão facilmente.
O algo na cabeça em questão era que eu estava seriamente apaixonada por um amigo escoteiro. Explicando melhor: aos 14 anos, eu estava seriamente apaixonada, e pela primeira vez na vida, pelo amigo mais tímido de todo o distrito escoteiro. Ele era lindo. E virgem. Absolutamente virgem: nunca tinha dado um beijinho sequer.
Desde que descobriu que eu estava loucamente apaixonada, o pobre rapaz suava frio sempre que tinha de ficar a sós comigo. E isso acontecia cada vez com mais freqüência, porque eu o perseguia e arranjava mil pretextos para conversar, “que dia bonito, né?” ou “acho que vai chover”.
Minha obsessão não tinha hora nem lugar. Aliás, não tinha limites também. No começo, tentei ser sutil, mas logo vi que não tinha nascido para isso. O negócio era causar. Fiz um retrato dele e entreguei pessoalmente. Não aconteceu nada. Achei melhor investir em estratégias mais efusivas, algo como uma bomba de efeito moral. A partir desse dia, em tudoquantoéfesta, eu pedia para ele ficar comigo. “Só uma ficadinha, vai? Nem vai doer.” Ele desconversava. Passei a ajoelhar e implorar. Ele queria sumir.
Ficamos nesse não-vai-não-vai por meses, até que ele deu um golpe de misericórdia na minha auto-estima em frangalhos: ficou com uma amiga minha. Carol, como eu. Ela era linda. Catei os cacos do que sobrou da minha dignidade e fiz um vaso de mosaico. Nenhuma planta vingou nele. Aquilo era um pote de mágoa.

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Não sabe mesmo: faz anos que não nos vemos.
Baba baby!
Oferecida?!? Eu fui é suplicante, isso sim...
Vai zoando, vai.
Duvido, mas o retrato falado dele é esse aí.
Ei, não vem chamando minha primeira paixonite de florzinha!
A maioria das pessoas tem senso de ridículo, só eu é que nasci sem.
Um vexame por post, pelamordedeus, senão, minha auto-estima não agüenta!
Pronto, me desmascararam!
td tem seu tempo !!!!!é caindo q se levanta...rsrs será q isso é isso mesmo ?
ainda bem q aconteceu, Cá, foi mais um texto e uma estória prá narrar...rsrs
beijo em seu coração.....curtido.....
Titia Tâ
Tia, pelo menos, você não precisou implorar de joelhos para ficarem com você. Esse é o tipo de mico reservado a adolescentes. Por sinal, ainda bem.
Parabéns!
Puxa, Daniela, mas que comentário bacana! Muito obrigada!
Tenho certeza que se vc desse um gelo nele, ele correria atras de vc como um cachorrinho....
Já passei por isso e sei como é ...
Bjins
Faz quinze anos que isso aconteceu, Ivana. Naquela época, a gente tenta de tudo. Hoje, sei que é roubada.








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