Como fraudar sonhos
Comecei minha carreira de fraudadora de sonhos aos oito anos, depois de passar uma madrugada inteira fugindo de um homenzinho verde com tentáculos pegajosos. Quando minha mãe veio ver o que diabos era aquele escândalo que eu estava fazendo às quatro da manhã, ele correu para debaixo da minha cama, tremendo de medo, o coitadinho. Morta de sono, minha mãe só teve tempo de balbuciar “seu monstro é você mesma”, antes de voltar para o quarto, aos tropeções.
Durante as outras quatro horas que passei com os olhos grudados no teto, checando a cada dez minutos se tentáculos verdes não estariam por acaso nascendo debaixo dos meus braços, tive um vislumbre. Ok, o pesadelo era meu, o monstro era eu e, bem, eu era eu. Certo. Isso significava que só uma pessoa poderia mudar essa história: Freud. Na falta do tio do cachimbo, sobrou para mim, claro.
A solução foi fraudar meus sonhos. Juro, não tive outra escolha. Ou isso, ou nunca mais conseguiria dormir sem antes checar duas vezes embaixo da cama e das axilas. Se eu era a macabra diretora e roteirista dos meus próprios pesadelos, podia mudar o script como bem entendesse. Quando mafiosos tailandeses me perseguiram, eu voei por cima dos prédios. Outra vez, um grupo suspeitíssimo de morsas resolveu encrespar comigo e transformei todas elas em abridores de lata. Semana passada, foi a vez de um poltergeist me encher a paciência e mandei ele assistir a uma palestra inteira do Içami Tiba. Sem pausa para o café.
A próxima assombração que tiver a desfaçatez de se insurgir nos meus sonhos vai ter uma surpresa. Ficarei esperando ela chegar bem pertinho, com seus dentes afiados ou tentáculos gosmentos, e vou convidá-la para entrar no meu blog. Ah, se vou!

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Ou por meus dentes afiados, já pensou? Grrrrrrrrrraw!
Ei, não vai rindo assim dos meus monstros senão eu mando eles irem infernizar os seus sonhos, hein!
E o que o tio do cachimbo tem a dizer desses seus sonhos editados, hein? Os meus, ele não aprova nadinha...
Só posso imaginar que eu era um dos Caça-Fantasmas, não?
Num vai brigar, mas, BEM FEITO, quem mandou brincar de barbie...
hahahah
Por ouro lado, eu criança, tinha meus monstros e, acredite, apareciam mesmo1, hoje eu os vejo e me dou conta de como é bom rir deles; assim, afugento a todos.
abraços
Brincar de Barbie? Eu?!?
Correção:
Por outro lado...
apareciam mesmo!
Hehe, ok.
Aposto como funcionou, Danillo! Monstros não gostam de serem enfrentados. Temem que a gente perca o medo deles, veja só. Obrigada pela visita!








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