Aos pedacinhos
Há dois dias, estou empenhada na tarefa de esquartejar a Barbie. Aliás, ela e o Blaine, seu novo namoradinho surfista. Nunca entendi como é que uma boneca de 30cm, perna fina, bunda murcha e sorriso de idiota se transformou em padrão de beleza feminina. Se eu fosse a família da modelo de 21 anos que morreu pesando 40kg em 1,74m, eu processava a Mattel por formação de quadrilha para aliciamento de jovens.
“Sou inocente!”, gritaria a Barbie, ao lado de Christie, Tia, Courtney, Teresa e Lea, todas trajando o lindo uniforme laranja da Penitenciária Feminina de Franco da Rocha. A delegada Raquelle, chiquérrima com seu distintivo dourado, é conhecida por tratar bonequinhas com linha dura. “Calem a boca, ou vão ficar sem a Galeria de Sapatos Fashion!” Elas se encolheriam, horrorizadas.
Quando a imprensa fosse investigar os motivos do motim que elas organizaram – colchões tingidos de cor-de-rosa, detentas com mechas de glitter, uniformes transformados em top e shorts –, elas reclamariam dos maus-tratos, pediriam maquiagem, acessórios e anfetaminas. Diriam que sentem saudades de Blaine, Ken e Steven. Terminariam reclamando que a comida de lá é nojenta e exigindo ponche antes do jantar.
Para evitar tudo isso, tive que agir com energia. Agora, a mocinha anoréxica vai ficar na porta do banheiro do Barão da Itararé, o bar de um amigo. Bem ao lado da cozinha. Para tirar seu ar imbelicizante, estou fazendo uns reparos nela. “Eu confesso!”, foram as últimas palavras de Barbie, antes de eu serrar seu pescoço.

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O país é que poderia desistir da Barbie, né?
Você tá por fora. A Barbie virou uma devassa e o Ken assumiu que é gay. O mundo é cruel, baby.
E a sua Barbie, que andava com as roupas mais bregas do mundo? Até o carro delas tinha babadinho!
Tá vendo como eles eram hard? Tinham até tatuagem! Eram pôneis punks!
Ok, trégua!
Você vai encontrar Barbie e Blaine remendados nas portas do banheiro do Barão, logo, logo...
Ok, ok, já inclui a propaganda.
O que, mais um inconformado defensor da Barbie?
Junte um pouco de nailon e plástico, deixe num canto da sala e... voilá, temos mais uma Barbie no mundo.
Oquei, nóis intendi.
Oba, já dá para montar uma ONG: Associação das Destruidoras de Barbies Anônimas!
pode crer
bjs!
Bem, Thais, creio que ela pode fazer coisas ainda mais terríveis que isso, mas quero que você tenha uma infância feliz.
vc tá é com inveja da barbie!
louco!
dane-se vc!
Morrendo, Thais. Não vejo a hora de ter dois centímetros de cintura e seis de peito. Não sei como pude suportar todos esses anos.
eu sou a única!
bjo
n leva mal tá?
eu tava zangada...
Tá desculpada, mocinha. Agora já pode ir brincar com seu Ken.
Só se for na sua Barbie, porque a minha já era, Betriz...








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