De parar avião
Trânsito eu nunca parei, mas eu já fui mulher de parar avião. Isso foi antes dessa confusão toda com os controladores de vôo, claro. Ia para Brasília receber um prêmio – dá licença que eu sou chique, tá? Cheguei no aeroporto com a pontualidade de quem não sabe o que é cartão de milhagem. O vôo atrasou uns vinte minutos – uma piada para quem chegou a esperar até dois dias para embarcar no último feriado. Comecei a ficar afoita.
“Já está taxiando”, avisou a moça da TAM. Fiquei imaginando um avião pintado de amarelo, com um luminoso escrito “táxi”, pegando passageiros na pista. Estranho. Ia demorar mais uns cinco minutos, tempo ideal para eu voar para o banheiro, que minha bexiga já estava no overbooking. Três minutos depois, quando voltei para a sala de embarque vazia, disseram que deveria me apresentar novamente no check-in para pegar outro avião. O embarque do meu vôo já tinha acabado. Minha paciência foi às alturas. “Mas e aquela história de taxiando?” Todos já estavam a bordo. Todos menos eu! Como é que eu ia chegar atrasada na entrega de um prêmio para mim mesma? Vexame.
Empurrei a mocinha da TAM e disparei pela pista. Deu para ouvir ela gritando no rádio: “Tem uma louca na pista!”. O avião manobrava e já estava quase pronto para a decolagem. Olhei na janelinha do comandante e coloquei todos os dedos na boca. O piloto respondeu com aquela cara de “eu não ganho para isso”, fez um meneio com a cabeça e chamou a escadinha. Subi a jato e fui me enfiar no fundo da aeronave, balbuciando um “sorry” a cada duas poltronas. Gringo é mesmo tudo folgado.

Posts similares:
O buraco
Não voe por Congonhas
As imagens do pouso do avião da TAM
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Nada como ter uma testemunha ocular...
Calúnia! Infâmia!
Enfim, alguém acredita em mim!
Cortazar enlouquece, se prepare.
E brasileiro se passando por gringo é o quê?
Ah, ficaria o máximo: eu, cabelos vermelhos ao vento, na rabeira do avião... As pessoas iriam confundir com foguete, já pensou?
É que agora você tem uma dívida de sangue comigo.
abraço!
Opa, Elisandro, estamos às ordens!








RSS feed