Visão além do alcance
Era sagrado: meu almoço tinha de esperar o Xou da Xuxa acabar, porque os Thundercats eram um dos últimos desenhos a passar. Eu não perdia um episódio. Só agüentava ouvir aquela loira chata de minissaia e botas brancas por causa da saga dos gatos de Thundera.
Meu thundercats preferido era a Cheetara, claro. Eu gostava tanto dela que atormentei minha mãe para comprar um colant laranja, mas tive que me contentar com um cor-de-rosa, mesmo, que eu usava no balé. Era uma heresia, mas, fazer o quê?
Depois que o desenho acabava, eu buscava minha caixa de hidrocor e, com a canetinha preta, fazia pintas pelo corpo todo. Caprichava no pescoço e nos braços, mas também rabiscava pernas, pés e bochechas. Estava proibida de usar papel crepom como tintura, então, virava a cabeça para baixo e bagunçava o cabelo. Quanto mais armado, melhor. O broche dos Thundercats eu desenhava na cartolina e pintava com o maior esmero. Aí, era só driblar a faxineira, pegar o cabo do rodo e disparar pelo corredor, não fugindo de Mumm-Ra, o ser de vida eterna, e sim da minha mãe, o ser eternamente furioso.

Posts similares:
Thundercats #25
Thundercats de volta?
Novo Thundercats: rumores desagradáveis
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Os sapatinhos virados para cima devem ser ainda mais difíceis de encontrar!
Hummm, eu lembrava que tinha a ver com o almoço... E tinha esquecido como a Xuxa era "xucrinha"...
E também antevia que ficaria toda vermelha. Agora, elas atacaram o cabelo, urrú!
Sem ressentimentos, hein?!?








RSS feed