Eu contra mim
Consciência corporal é a capacidade de saber exatamente que músculos contrair para virar uma cambalhota ou o que fazer com seus pés ao plantar bananeira. Depois de levar centenas de boladas na cara, sofrer décadas para aprender a dançar e desistir de-fi-ni-ti-va-men-te de freqüentar academias, só posso deduzir que não peguei senha para a fila da consciência corporal.
Na maior parte do dia, sou uma ameaça a mim mesma. Tenho mais arranhões que veterinário especializado em felinos e quase tantos hematomas quanto um lutador de vale-tudo. Aliás, acho que vou me candidatar ao cinturão de ouro: ou mais alguém consegue bater três vezes o cotovelo no mesmo lugar ao passar pela mesma porta, todos os dias? Vou sugerir à Federação Brasileira de Luta Livre que crie uma categoria Contusão, para quem luta consigo mesmo.
Não bastasse essa ficha corrida, inventei de fazer aulas de circo. Minha ilusão de colocar nariz vermelho e jogar bolinhas coloridas para o ar se dissipou logo na primeira aula: o professor exige concentração de enxadrista em corpo de atleta. Palhaçada.
Depois de quatro meses sem conseguir subir mais que meio metro no tecido e atravessando a rua cada vez que um trapézio aparecesse na minha frente, enfim, estou aprendendo a dar mortais. E descobri que consciência corporal não é mesmo meu forte: em três segundos, o tempo que dura sair do mini-tramp, dar um mortal e aterrisar de bunda no colchão, o máximo que dá para pensar é “me impeçam, pelamordedeus!”.

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Gulp!
Ei, você que assuma seus próprios ossos! Não tenho nada a ver com fraturas alheias, hunft!
Você também quer disputar o cinturão de ouro, é?
E quem disse que precisa pagar para fazer terapia?
Pois é, ainda mais eu, que vim de uma família de atletas olímpicos: todos os recordes de sedentarismo foram batidos em casa.
Oba, sinal de que você já entregou a tese e vai retomar seu delicioso blog de plantinhas?
Preciso tanto... É pra inspiração porque gosto de tirar uma onda versejando (sou versejador, bem ruinzinho...) e cozinhando (sou especializado em queimar torradas e deixar panela no fogo até ficar em brasa). Acho que até toparia uma Medusa (ainda com a cabeça mesmo) para servir de musa. Mas o ideal mesmo é uma mula-sem-cabeça porque há de lhe faltar juízo desde o berço!
Estou querendo faturar algum a mais do que essa aposentadoria de titica. Aí faço um blog com anúncios e faturo uns dez ou vinte merreis a mais por mês, o que já é muita grana.
Não cultivamos mula sem cabeça por aqui, Sergio, já basta esta que vos fala, que pode até não ter a cabeça no lugar, mas tem alguma, hahahaha









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