Recuperação
Comecei a virar uma vampira quando o médico disse que teria de passar cinco dias sem ver a cara do dia. Para mostrar que não estava para gracinhas, o doutor ainda fez questão de grifar “computador” entre as minhas proibições. Me cocei de desgosto.
Se você está proibida até de atualizar seu próprio blog, pouca coisa passa a ter graça. Já estava esperando escurecer para me jogar da janela com a anuência da medicina moderna quando resolvi chantagear a santa que puseram para cuidar de mim. Um pouquinho de TV e eu desço do parapeito!
Quinze minutos diários de leilão de cavalos deveriam ser a receita para quem sofre de depressão e alergias alimentares. “Olha que ventre! Que potranca!” Nem mestre-de-obra é tão inspirado. Era o locutor anunciando a Campeira da Carovy. Em seguida, entrou Desconfiada do Itapororó, “prenhez garantida”. Ela estava indo bem até inventar de comer as bromélias do paisagismo da arena. Aquela era das minhas! Depois, vieram Festa 360 do Barulho, “égua linda, estruturada, volumosa”, e Âncora do Elebê, “se é que se pode chamar de égua um ventre novinho que nem esse”. Aquilo sim é que era tratamento.
Já estava alucinando quando começaram a leiloar o lote dos potrinhos. Custavam bem mais que um pônei de plástico, é verdade, mas tinham frete grátis. Enquanto ele fosse pequeno, dava para criá-lo tranquilo no apartamento: era só deixá-lo na área de serviço e colocar feltro nas patas, os vizinhos debaixo nem iriam perceber. Estava com o telefone na mão quando fui impedida a tempo. Não era um pet de R$ 500 e sim um cavalinho de qua-ren-ta-par-ce-las-de-qui-nhen-tos-re-ais. Passei os outros dias longe da TV, para a saúde do meu bolso.

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É que pôneis são tão fofos!
A quatro metros do chão?!? Servem quarenta centímetros?
Mas aceito doações de ração e feno para alimentar a mini-vaca que está na minha área de serviço!
Eu não sei do que você está falando...
Na verdade e a ignorancia das pessoas que fazem elas sofrerem.
Não, foi vírus, mesmo.








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