Run, puzzle, run!
Eu adoro quebra-cabeças. Enquanto a maior parte das crianças aproveitava um dia chuvoso redecorando as paredes da casa ou morrendo de tédio na frente da TV, eu passava horas tentando encaixar as pecinhas do Recanto nos Alpes ou do Golfo de Salerno.
Como existem educadores para todos os gostos, há aqueles que condenam esse passatempo. Dizem que quebra-cabeças não estimulam a criatividade, geram psicopatias sociais e são os principais causadores das chuvas tropicais. Como diz um amigo meu, disconcordo. Várias vezes tive de inventar uma pecinha para colocar no lugar da original, que estava sendo diligentemente babada pela minha irmãzinha. Prova de que puzzles não só estimulam a criatividade como o crescimento dos dentes de leite. Quanto às análises metereológicas, acredito, até que se prove o contrário.
Quebra-cabeças só têm um problema: aquela maldita bisnaga de cola que vem junto na caixa. É uma tentação. Afinal, que melhor troféu do que ter um puzzle de 5.000 peças devidamente colado e emoldurado na sua sala de visitas? Por mim, advogados e médicos deveriam tirar todos os seus diplomas da parede e pendurar quebra-cabeças. Isso sim é que é atestado de procedência!
Eu, no entanto, resisto ao hábito de colar meus quebra-cabeças. Antigamente, eu os desmontava e guardava, para montá-los novamente anos depois. Mas isso foi antes de eu descobrir que eles têm uma alma incolável. Hoje, depois de terminar um puzzle, recolho suas pecinhas com cuidado, fecho a caixa solenemente e o deixo no metrô ou numa rua bem movimentada, com um bilhete: "Este quebra-cabeça merece ser feliz. Depois de montá-lo, guarde-o nesta caixa, escreva seu nome na tampa e o liberte!".

Nessa reportagem para a revista Vida Simples, conto a história do casal Eclipse. Onde está o texto?
Posts similares:
Engravidaram a Barbie
Imposto de Renda
Conan: o Cimério #9
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes e são publicados aqui automaticamente sem intermédio de um censor ou editor. O autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Você quer dizer que esse é um passatempo redundante?!? Mais um herege!
Ei, não pode comentar minha identidade circense secreta! Pelo menos não enquanto eu ainda estiver pelejando para dar um mortal...
Gulp... Passar no crivo dessa garotada é ainda mais difícil do que no da mãe, hein?
O clima por aqui anda fresquíssimo! Nas Ilhas Virgens, homens são sempre bem-vindos.
Xí, moço, quebra-cabeças de 10 mil peças, só importado...
Tá vendo, só? Fui um talento desperdiçado! Quantos Mirós e Picassos não morrem cada vez que as mães resolvem esfregar as paredes...
Ainda bem que você não colou nenhum deles! Quem sabe não se anima a libertar um coitadinho no metrô, hein?
Da próxima vez, coloque ele no carro e dê voltas no bairro, para despistá-lo. Assim, ele não vai achar o caminho de volta.
Como assim, ele tem direito à visita íntima, é isso?
Libertador!!!
Adorei a idéia de "libertar um QC".
Mas confesso, tenho um preso e estou com mais um a ponto de ser "enquadrado".
Quanto aos demais, pode deixar, vou libertá-los!
Um abraço,
Ruth, se você libertar só um, periga ele armar o resgate dos companheiros. Quebra-cabeças podem ser muito traiçoeiros.
Montei dois de 3 mil, acabei de montar um de 5 mil e estou partindo para outro de 2 mil com mais um de 3 mil em vista...
Não consigo libertá-los, mas consigo presentear com eles... porque paredes livres um dia terminam!!!
Bom, Germânio, pelo menos você presenteia!
Já tentou este aqui? Vi numa loja na Argentina e fiquei louca para comprar, pena que custava tão caro...
Parabéns pelo texto!
Felipe Deveza
Boa, Felipe! Não esquece de deixar dentro da caixa um bilhete para quem pegá-lo, viu?
Graaaaaande garota! Tá quase lá agora.








RSS feed