Para deixar de stand bike
Tenho uma amiga que é especialista em trocar palavras. Quando voltou da Argentina, disse que gastou os tubos em chocolates e perfumes no sex shop. Acho que devem ser afrodisíacos. Posso imaginá-la procurando um Carolina Herrena na prateleira de lubrificantes e pedindo ajuda para a balconista porque não acha aquele Toblerone de um quilo e meio. A mocinha, gentil, perguntaria se ela já procurou perto dos consolos. Será que a fatura vem em dólares?
É dela também outra troca célebre. Saímos para conversar e ela estava empolgada com um filme que pegou na locadora, “Good Bye, Hitler”. Eu fiquei pensando se ela estaria falando do “A Queda – As Últimas Horas de Hitler”. Vai ver, era algum documentário que só passou no circuito alternativo. Não, era “Adeus, Lênin!”. Eu não disse que ela era imbatível?
Ela é tão boa nessas trocas que acabou recebendo a autoria indevida de uma clássica, também para cinéfilos. É que a mãe de outra amiga achou uma pouca vergonha aquele filme premiado, “O Segredo de Mountain Bike”. Ganhou Oscar na categoria Engrenagem: conta a história de duas bicicletas de marcha que se apaixonaram quando estavam numa montanha. Engancharam o selim, trocaram buzinas, foi uma lou-cu-ra. Só que é um amor proibido. Uma delas é casada com uma Cecizinha. Só podia terminar em tragédia.

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Pelo menos eu tomei o cuidado de não citar o nome dela. Fui instruída pelos meus advogados.
Nossa, isso é que é um estômago continental...








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