Receita anti-boss
Quem nunca teve chefe burro que atire o primeiro holerite. Tive um que era uma porta. E temperamental, também. Do tipo que acha que esporro é o melhor modelo de gestão empresarial. Nas primeiras reuniões, saía gente aos prantos da sala dele. Vaselina não dava pro cheiro. Cada vez que eu tinha de enfrentar uma hora de sermão interminável com Você-Sabe-Quem, os dedos dos meus pés encolhiam e eu começava a suar frio.
Passados alguns meses de convívio, percebi que as broncas eram inevitáveis, não importava quão competente o profissional fosse. Acabei traçando uma estratégia de abordagem. Primeiro, parei de tentar me explicar. Mesmo que tivesse razão. O que ele precisava era de alguém em quem descarregar seu desprazer com o mundo. Por que lhe negar um gosto tão simples? Então, eu entrava na sala de cabeça baixa, como se estivesse indo para um velório. O meu velório. Ouvia o descarrego com cara de paisagem. A cada sete minutos, murmurava um vocêtemtodarazão, que saía assim, meio rapidinho, do tamanho da deixa que ele me dava.
Depois de ouvir por trinta minutos tudo que é tipo de impropério sem poder me defender, era hora da grande virada. Porque se ele tinha lá os superpoderes de boss, eu tinha cá minha imaginação de raio-x. Exigia concentração, mas sempre funcionava. O terno dele ia sumindo, até ficar transparente. Aí, imaginava algo bem ridículo por baixo. Uma calcinha com babadinhos era minha escolha número um, mas gravata do Mickey também funciona. Receber bronca de um chefe que usa calcinha cor-de-rosa debaixo do terno é outra coisa.
Com o tempo, fui aperfeiçoando a técnica. Na maleta, junto com o laptop e os contratos, dá para colocar figurinhas dos Power Rangers com glitter. As abotoaduras, eu transformo em laços com olhinhos que balançam. Sapatos italianos viram ótimas botas de palhaço – e você ainda tem uma grande variedade de cores para pintá-las. Se nada disso funcionar, ponha um dente de ouro. Ele vai encerrar a reunião em dois minutos e ainda te dar um tapinha nas costas.

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Pode deixar que o departamento tipográfico digital já foi avisado. A gente vamos estar providenciando essa alteração em breve. Por favor, aguarde enquanto estamos transferindo para um de nossos analistas...
07/10/2006 23:09
Bem, estou mesmo pensando em escrever um livro a respeito. Só preciso descobrir como desdobrar esse post em 250 páginas e incluir o teste "descubra se você é um boss ou um bossta". Fonte 25 sem serifa deve chegar a umas 100 páginas, não?
Nesse caso, melhor é imaginá-la uma perfeita perua: batom pink, blusa de oncinha, saia de zebrinha e bolsa de girafa. Tudo com muito dourado, anéis e colares. Para arrematar, chapéu e óculos e-nor-mes. Glamourosa!
Esse merece meu exorcismo delivery. Vou escrever a respeito, aí, você pode encomendar o pacote que mais te interessar. Recomendo um com bastante incenso, pra ver se ele se toca e vai fazer fumaça pra outro canto.
Humm, cadê minha extensa equipe técnica quando eu preciso dela, hein?
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