Souvenir se traz na memória

“Quando vi que o guarda não estava reparando, estiquei a mão e arranquei uma muda!” O relato tinha todas as características de uma grande façanha: minha amiga voltava de uma viagem para Búzios, no Rio de Janeiro, e, numa trilha preservada, encontrou uma orquídea florida e arrancou um pedaço da planta.
A história parece ser o máximo, mas, na real, é uma vergonha para todo mundo. Primeiro porque área de proteção ambiental é protegida por lei, tornando crime tentar sair de lá com qualquer coisa que não sejam fotos e lembranças. Não é difícil entender o motivo: se todo turista resolver levar para casa um souvenir da Mata Atlântica, o pouco que ainda resta dela não durará mais que alguns meses. O mesmo se aplica a qualquer outra região de mata nativa ou de natureza protegida.
Além disso, mesmo grupos pequenos de turistas causam, sim, impacto na fauna e flora local. Num descuido, a gente pisa num ninho de passarinho, esmaga uma muda de árvore, polui a água, espanta os polinizadores. Tudo isso desequilibra o mundinho que tanto as plantas quanto os animais precisam para viver e se reproduzir. Essa é uma engrenagem tão perfeita quanto delicada, como um relógio suíço. Mexer em qualquer coisa dá zebra.
Niqui minha amiga, não feliz em desrespeitar as instruções do guia, ainda mete a mão na planta e se acha vitoriosa. Agora, pensa comigo o trampo que foi trazer essa muda na mala, pegar avião com as raízes desidratando a cada minuto. Sem falar na orquídea, que estava toda feliz com a umidade natural de Búzios, e agora será condenada a viver num vaso dentro de um apartamento em São Paulo, numa região de clima completamente diferente de seu habitat.
E, honestamente, planta extraída da natureza é toda torta. Tem um monte de bicho, vem com praga, formigas mil. Não tem ninguém para ficar paparicando a coitada, então, ela tem folhas comidas, raízes cheias de insetos, uma inhaca. Fica linda na natureza, mas bem feiosa na sua sala, naquele vaso vietnamita esmaltado que você comprou por uma nota na floricultura.
Agora vem a pior parte: a maioria morre. Não se adapta às novas condições de habitat e, depois de uns dias, vai parar no lixo. Ou seja, a bravata da minha amiga não serviu para nada, só para matar a gente de vergonha.
Como cuidar de orquídeas - O vaso que economiza espaço
E o primeiro vídeo de 2012 para a série Como Cuidar de Orquídeas não podia ser mais caseiro: deu pau na gravação, alguns trechos saíram mastigados, a tela muda sozinha, a borda some, a imagem estica, o close fica borrado. E, claro, não posso esquecer da participação especial da minha adorável máquina de lavar roupa.
Pense nesse vídeo como alguém que está subindo uma montanha. Não chega a ser o Kilimanjaro, nem a Cordilheira dos Andes, mas, ao fim desses percalços técnicos, quem sabe você poderá tirar algo útil do vídeo. Eu torço para que você ignore a "câmera girl" amadora aqui e, enfim, comece aquele orquidário que você sonha em ter, mas adia por achar que falta espaço. Se cabe ao menos UM vaso na parede, aí está todo o espaço de que você precisará! E vamos combinar que o transplante leva apenas alguns minutos, né?
Agora licença que eu vou estender roupa ali e já volto.
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Outros vídeos da série:
Como tirar muda de Dendrobium
Guia rápido do Dendrobium
Acabe com os pulgões
Quantas vezes regar sua orquídea
Como regar o vaso
Poda da haste floral
Transplante de vaso com excesso de raízes
Transplante de Cattleya
Tipos de crescimento
Transplante de Epidendrum
Making of
Garçom, a chave do 312!*

Restaurante em Amsterdã oferece pratos rápidos, cervejas a bons preços, atendimento camarada e, veja só, até hospedagem!
“Querem beber alguma coisa?”, perguntou o senhor, num inglês carregado de algo que soou árabe. Eis uma pergunta incomum quando se entra num restaurante arrastando atrás de si uma grande mala de rodinhas. “Acho que seria melhor se primeiro pudéssemos colocar as coisas no quarto”, respondi, com o sotaque mais escolar que consegui. Só faltou o tapinha na testa para pontuar o “ah, claro!” que o recepcionista devolveu, desculpando-se logo em seguida com um adorável “É que somos um restaurante também, sabe?”. Eu até sabia, mas não imaginava que seria daquele jeito tão, digamos, flex.
Quando fiz a reserva de um quarto para dois em Amsterdã, suspeitava que a palavra “Restaurant” no meio de “Hotel Larende” era charminho. Um “plus a mais”, para mostrar que você poderia pedir comidinhas fora de hora, almoçar um medalhão no ponto certo ou, quiçá, esperar um café da manhã com redução de balsâmico fazendo zigue-zague no prato de salada de fruta. Nada disso.
O pequeno hotel de apenas 14 quartos parece um restaurante com hospedagem confortável, nessa ordem. Da rua, é possível ver o exíguo salão que comporta umas seis mesas de quatro lugares. A decoração é simples, branca, sem frescura. Um pouquinho adiante, num misto de balcão de drinques e recepção, um atendente solícito recebe convivas e hóspedes com a mesma amabilidade babélica. Junte mímica, desenhos e meia dúzia de palavras em inglês e você terá conseguido dizer se quer se alojar no quarto ou no salão. Fiquei com a segunda opção, de tão incomum, mas nem deu tempo de alcançarmos uma das mesas e ele já surgiu com dois copos de cerveja. Minutos depois, se materializaram uns queijinhos locais que não constavam nem do cardápio nem da minha conta, quando, dias depois, fiz o check-out. Pensei em casar com o cara, mas meu marido me lançou o olhar não-seja-caipira-pelamor e eu só sorri.
De barriga cheia, finalmente levei as malas para o quarto, já esperando uma espelunca qualquer pelo preço convidativo que paguei nas diárias e na refeição. Qual nada! O quarto segue a mesma proposta Omo total do restaurante, tudo muito branco, claro, limpo e confortável. Uma potente calefação permite que você durma sem lençóis enquanto, na rua, o termômetro se aproxima de zero grau. O banheiro é pequeno, com alguns mimos de hotéis mais caros – além das “mini-coisas” de toucador, tem pantufas, secador de cabelo, espelho com lente de aumento e um chuveiro abundante. Além de um armário fechado, há outro, perto da porta, para dependurar os onipresentes casacos e cachecóis.
Passei a noite imaginando que, a qualquer momento, um garçom surgiria à porta para oferecer travesseiros e tremoços.
*Versão original do texto publicado este mês na revista Viagem e Turismo.
Eu mato orquídeas, mate você também

Aprendi a cozinhar com 7 anos e, aos 12, já era capaz de fazer um jantar simples para quatro pessoas. Arroz, que pra todo mundo é sinônimo de encrenca, nunca me tirou do sério, mas, mesmo assim, queimei muita panela tentando fazer um prosaico pudim. Já salguei demais, já salguei de menos, uma vez até "adocei" um café com sal e só percebi ao beber. Hoje, me aventuro por algumas receitas mais elaboradas, mas nunca me atrevi a preparar uma feijoada ou uma refeição para mais de seis pessoas.
Tenho muito menos tempo de experiência no cultivo de plantas e menos ainda com orquídeas. Comecei a cuidar dos meus feijõezinhos ainda criança, mas sem a responsabilidade por regá-los ou protegê-los de pragas. E, claro, feijão é planta anual, que tem um ciclo de vida curtinho.
Agora pensa comigo: comquipode você desistir de orquídeas só porque matou uma chuva-de-ouro afogada ou porque sua Phalaenopsis nunca dá flor? Sério mesmo que você pretendia aprender a cozinhar já preparando uma bacalhoada à Gomes de Sá para doze pessoas? Sério mesmo que se depois de anos de treino seus suflês não forem tão perfeitos quando os dos restaurantes franceses você vai abandonar as panelas e os ramequins?
Assim como acontece com o cozinheiro, um bom jardineiro se faz de suas próprias tentativas e erros. Os erros doem – que o diga quem já precisou jogar fora uma panela inteira de algo carbonizado ou uma orquídea presenteada por alguém especial –, mas são ótimos mestres. Cabe a nós, aprendizes, aceitar que eles fazem parte do processo.
Morreu sua plantinha? Fique triste, sim, mas insista. Compre ou adote uma nova orquídea. Persevere. Procure descobrir o que deu errado. Leia um pouco mais sobre a planta que você pretende adquirir para ver se poderá oferecer o que ela precisa para ser feliz. No próximo vaso, você estará um passo à frente das pragas e um pouquinho mais esperto. Quer aprendizado mais bacana que esse?
Flor do dia: Dendrobium kingianum semi-alba

Ok, o projeto Flor do Dia devia chamar Dendrobium do Dia. Mas, né? Tem como não amar esse gênero tão múltiplo? Tão generoso em floradas, tão barato e, principalmente, tão for dummies? Porque se tem uma orquídea que é paciente com iniciantes, é Dendrobium, minha gente.
Você esquece de regar, ele nem liga, afinal, tem lá algum estoque de nutrientes guardados em suas "caninhas". Você não tem paciência para esperar um ano até a próxima florada? O Dendrobium quebra seu galho – algumas espécies florescem até duas, três vezes por ano. Quer ter plantas totalmente diferentes? Compara um Dendrobium phlox, um Dendrobium nobile e esse Dendrobium kingianum semi-alba aí da foto para confirmar como eles mal se parecem entre si. Não tem figurinha repetida nunca!








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