FAÇA VOCÊ MESMO: EPISÓDIO DE SÉRIE POLICIAL
14/01/2012
FAÇA VOCÊ MESMO: EPISÓDIO DE SÉRIE POLICIAL

Começa aqui a série “Faça Você Mesmo”, um serviço de utilidade pública que busca demonstrar a facilidade de algumas atividades consideradas complexas. Aprendam hoje a fazer um episódio de “seriado de puliça”. É fácil e rápido:
Introdução: Ceninha de “Achar Defunto”
Esse é o GRANDE momento da criatividade, uma das raras ocasiões em que se pode brincar com qualquer elemento ou tema. Claro que geralmente são pessoas em seus passeios matinais, ou trabalhadores matutinos etc. Mas também há cachorros que escapam das coleiras, crianças na areia da praia. Geralmente é o fecho para a abertura da série; mas às vezes há...
Piadinhas na Cena do Crime
Pois é! Pode ser um cara partido em mil pedaços ou uma mulher decapitada. Tanto faz. Algumas séries – pode ser sua escolha manter tal estrutura – adotam o esquema piadinha e/ou frase de efeito (o e/ou é porque há a PIADINHA DE EFEITO!). O inteligentão que vai investigar chega todo onça-pintada e já solta um chiste ~de referência~, faz cara de sabido e aí sim toca o tema de abertura.
Vilões Aparentes x Bonzinhos Suspeitos
O programa precisa durar uma hora, então não faz sentido investigar alguém e tal pessoa já ser a culpada. Nunca. E o fator de complexidade que mais funciona nesse tipo de ~dramaturgia~ é a exposição da dualidade “vilão na cara dura x bonzinho até demais”. Será que é o óbvio culpado ou aquela figura da paz não seria a grande interessada? Jogue com isso. Mas exceto quando há....
A Variável “Coadjuvante Famoso”
Daí não tem como escapar: aparece um “famosinho” (aka gente de outras séries ou mesmo atores de cinema) e já sabemos que é o culpado. Não adianta correr, ele é o culpado e fim de papo. Dizem que em alguns estados nortemericanos cabe pena de morte para roteirista que coloca outro culpado quando há um “famoso” no episódio.
A Fugidinha Idiota
Isso é tão importante quanto a cena de achar defunto. TODO SANTO EPISÓDIO PRECISA TER. Nem tente tirar, pois seria uma corrupção do gênero, uma subversão do estilo, um vilipêndio completo. Funciona assim: algum dos investigados (e nem sempre é culpado, taí um dos charmes da coisa) simplesmente SAI CORRENDO A PÉ quando a polícia chega. É óbvio que será pego, pois são 250 policiais, mas ele corre mesmo assim. Uma saída comum é tal pessoa ser culpada de outro delito.
Do Jogo Duro à Confissão
O fato da série durar uma hora faz com que seja NECESSÁRIO (obviamente) não pegar o culpado logo de cara. Pelo mesmo motivo, entretanto, chega uma hora em que precisa acabar. Muito raramente há um flagrante e testemunhas geralmente são péssimas e suspeitas. Uma das saídas comuns (por incrível que pareça) é o bandido altamente psicopata e inteligentíssimo ceder ao jogo psicológico barato na sala de investigações e, de repente, depois de ANOS sendo frio e calculista, cai aos prantos e confessa tudo com a maior raivinha.
Importante: Submundos em Geral
Alguns episódios acontecem dentro de submundos. TUDO É SEMPRE UM SUBMUNDO. Já vi – é sério – um assassinato cometido numa convenção de anões e, no decorrer da coisa toda, descobre-se que é tudo uma verdadeira máfia perigosa. E assim acontece com o mundo dos colecionadores de selos, profissionais da bocha, sapateadores etc. Há sempre sexo, drogas, subversão, troca espúria de favores e assim por diante. Faça QUALQUER ambiente parecer a máfia russa.
***
Taí. Agora é só preencher os campos corretamente, inserindo diálogos e cenas aleatórias, e seu episódio está pronto.
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transubstanciado por gravata às 14.01.12 | 1 comentário
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