A “GERAÇÃO INTERNET” E OS TRABALHOS ESCOLARES: EVOLUÍMOS
11/01/2012
A “GERAÇÃO INTERNET” E OS TRABALHOS ESCOLARES: EVOLUÍMOS

Tenho ouvido/lido uma ladainha há anos, eis um resumo: a geração de agora, com a internet, não aprende como antes, isso porque eles copiam tudo da internet, muitas vezes no copy/paste, sem qualquer critério. Os choramingos de protesto variam em torno desse raciocínio, enfim.
O que acho: bobagem.
As crianças, hoje, têm condições de aprender mil vezes mais que todos nós, estudantes do primário/ginásio nos anos 80s e até mesmo início dos 90s. É preciso parar com esse bairrismo de gerações que se manifesta ora por meio daquela confusão entre memória afetiva e qualidade artística, ora (como neste caso) na base do famoso (e errado) “no meu tempo é que era bom”.
Não, não era. Era ruim. Péssimo, na verdade.
A professora nos pedia um trabalho, sei lá, sobre Tiradentes. Não havia como fazer uma pesquisa decente e dávamos esse nome o ato de procurar o verbete no índice de alguma enciclopédia (Barsa, Mirador, Conhecer etc.) e depois COPIAR exatamente o que estivesse escrito.
Em alguns casos – e fiz muito isso –, íamos à papelaria comprar uma gravura para colocar na capa do trabalho, devidamente manuscrito em papel almaço. Esse era nosso trabalho de “pesquisa”, algo muito mais físico e braçal que intelectual.
Hoje, há o Google e a criançada digita o nome do que quer, aparecendo um monte de resultados. SOMENTE O ATO DE ESCOLHER O MELHORZINHO já é uma “pesquisa” maior que a nossa d’antanho – afinal, não buscávamos mais que UMA fonte, que era exatamente uma enciclopédia – e esses compêndios sobre tudo são famosos não apenas pela falta do chamado rigor científico como também pelas sínteses exageradas (afinal, se escrevesse a fundo sobre tudo os verbetes reunidos exigiriam milhões de volumes).
Qual exatamente a justificativa, portanto, nessa idéia tacanha de considerar “pior” o que se faz hoje em relação àquilo que fazíamos em nosso tempo? Hoje é bem melhor! Sim, claro que nenhum estudante agora faz uma efetiva pesquisa minuciosa, mas a nossa era tão ruim, mas tão ruim, que buscar no Google é algo mais proveitoso intelectualmente.
E aí entra a parte braçal, curiosamente martelada pelos professores, que em tese deveriam ter uma preocupação maior com o intelecto. Explico. Se um aluno pratica o tal copy/paste, é automaticamente desclassificado. Tira zero. Mas, antes, o que fazíamos? Copiávamos ipsis-litteris o textos da Barsa ou correlatas. A diferença, portanto, era o trabalho braçal de mini monge copista - fora a caminhada à papelaria.
No fim das contas, ninguém aprende de fato nada na escola. Antes, o trabalho “dava trabalho”, hoje é fácil de fazer; mas, antes, não aprendíamos coisa alguma e, hoje, é possível ter ao menos uma noção do tema “pesquisado”.
Claro que ainda está ruim, mas evoluímos. Reconheçam.
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transubstanciado por gravata às 11.01.12 | 6 comentários
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Comentários:
Mas eu concordo que os trabalhos melhoraram muito. E, se o aluno tiver interesse no trabalho (como eu tive quando tive que montar um insetário e fui no departamento de biologia da Universidade Federal pedir ajuda), ele tem muito mais facilidade de fazer contatos e acessar material de pesquisa.
(Gravz: Nada, nem lembro disso! Pqp)
Uma vez passei um trabalho para uma turma de PROFESSORES já formados. Quando eu tava lendo, reparei que em um texto tava escrito "Arquitectura". Não deu outra, copiei uma frase, meti no google, e vi o trabalho lá todo pronto, em uma universidade de Portugal.
Se tivesse feito manuscrito tinha ao menos lido (e chegado perto de aprender) algo.
E é isso que os professores defendem, que no ctrl+c Ctrl+v não há sequer a leitura do que se está colocando no trabalho.
Mas educação sempre depende do interesse e vontade de quem precisa aprender, isso nos dois casos: outrora e agora.
bjo
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