MICHEL TELÓ REPRESENTA, SIM, NOSSA CULTURA
03/01/2012
MICHEL TELÓ REPRESENTA, SIM, NOSSA CULTURA
Adendo, no final, sobre "representar cultura"

Nunca tinha ouvido a música “Ai, Se eu Te Pego”, do autor em epígrafe, e aproveito para fazer um lembrete: sim, é possível escolher o que se ouve. “Ah, mas toca no ambiente...” – então escolha seus ambientes, ora. Mas sigamos.
Há uma polêmica hoje no tuíter sobre a revista Época ter dito que Michel Teló representa a “cultura brasileira”. Não entendi qual a grita, porque ele OBVIAMENTE REPRESENTA SIM A CULTURA BRASILEIRA. Fui atrás dos fatos.
Textos superficiais, bobagens inócuas, gente que tradicionalmente fala sobre temas bobos agora bancando os baluartes das belas artes. E assim por diante; o de sempre, afinal.
Cultura, para boa parte da população ignorante do Brasil, tem significado de “erudito”. Errado, claro. Cultura é produção, basicamente; e, no plano das artes, é aquilo que se faz – seja na esfera clássica ou popular. Quem tem polegar opositor sabe que se trata de uma dualidade “natural x cultural”, sendo este último conceito tudo aquilo produzido pela humanidade (gostemos ou não). Simples assim.
Michel Teló faz música popular EXATAMENTE NOS MOLDES em que ela é feita na tradição cultural brasileira. Não se trata aqui de gostar ou não, mas de constatar um fato pra lá de óbvio. E fica ainda mais idiota quando dizem coisas como “a letra é ruim” ou afins.
Vejamos um pouco de nossa cultura (e MUITOS que xingam Teló consideram isso válido - mostrando que ignorância e incoerência geralmente caminham pela mesma estrada de raciocínio):
"...alalaô ôôô que calôôô... tava andando no deserto do saara, o sol estava quente e queimou a minha cara” / “olha a cabeleira do Zezé, será que ele é? Será que ele é?...” / “...acuma é o nome dele? É Mané com Floriano...” / “...mas como a cor não pega mulata, mulata eu quero seu amor”..."
Acho que entenderam o ponto, né? Perto de vários ÍCONES DA CULTURA MUSICAL POPULAR BRASILEIRA (aceita), é seguro afirmar que Michel Teló poderia concorrer ao Nobel de Literatura. Isso é ruim: NÃO. A música popular é isso mesmo, entretenimento. É muito mais um acerto divertir que ~fazer pensar~. Ademais, a diversão por meio da música alheia aos padrões clássicos é bem mais arraigada em nossa cultura que o inverso.
A cultura de música popular brasileira é composta por, entre muitos outros, Amado Batista, Tião Carreiro e Pardinho, Odair José, Roberto Carlos, Reginaldo Rossi, Ivete Sangalo, Gonzagão, Waldick Soriano, Banda Calypso e muitos, muitos outros. Nenhum deles – nenhum! – com pendores cabecistas ou algo do tipo. Essa é a verdadeira e inequívoca tradição de nossa música popular.
Chega a ser engraçado quando os contestadores da “música do povão” têm como ídolos outros IGUALMENTE POPULARES, ainda muito distantes de qualquer músico efetivamente erudito, mas apenas aparentemente mais letrados (ou menos iletrados) que os ídolos da maioria da patuléia.
Esse olhar que vocês dirigem aos fãs de Michel Teló é o mesmo (ou deveria ser) o dirigido a vocês pelos conhecedores de música clássica. Com uma diferença: vocês estão mais distantes destes que aqueles de vocês.
Michel Teló, enfim e de fato, representa a cultura brasileira, a cultura e a história da música (realmente) popular feita no Brasil. Há os que negam isso simplesmente por ignorância, daí não há o que fazer a não ser ter um pouco de pena e segurar o riso constrangido.
Mas ter raiva e até expor agressividade, convenhamos, é divulgar aos quatro ventos a falta de conhecimento básico sobre que realmente configura a cultura de um povo; especialmente do nosso povo.
E, de mais a mais, daqui a cinco anos boa parte dos que agora xingam o cantor estarão dançando e gritando ao som de sua música, em alguma dessas festinhas de revival. Como fazem hoje com P.O.Box, Molejo e tantos outros.
ps.: Ao discutir “cultura”, é de bom-tom conhecer ao menos o SIGNIFICADO da palavra, que deriva do alemão “kultur” e não tem exatamente QUALQUER vínculo com algo clássico ou erudito. A “cultura” de um povo, num exemplo rápido, consiste em seus hábitos, crenças, produções artísticas, festas etc. Parece picuinha, mas é realmente estarrecedor como às vezes as pessoas têm opiniões fortes sobre um conceito que desconhecem.
pps.: não revisei, podem zoar, mas a revisão não faz parte da minha ~cultura~ :D
Sobre REPRESENTAR A CULTURA
Assim como o próprio termo "cultura", parece que a palavra "representação" não tem sido devidamente aplicada na hora de sua leitura. Vamos lá: representar significa simbolizar, substituir, exercer mandato etc. Mas aí entra o raciocínio sobre a aplicabilidade do termo: NÃO EXISTEM APENAS REPRESENTAÇÕES INDIVIDUAIS. Há também as coletivas.
Você não gosta do Tiririca? Pois ele o REPRESENTA na Câmara, assim como outros QUINHENTOS E TANTOS. Não há um único deputado que - sozinho - REPRESENTA O POVO, mas sim uma pletora de parlamentares, muitos deles pra lá de lamentáveis, que exercem essa função. E é lícito dizer, por óbvio, que tanto todos quanto apenas um representam/representa a vontade eleitoral do povo. É isso.
Na música, mesmo raciocínio, com a diferença de que não exercem mandato nem são eleitos pelo sufrágio direto de toda a população por meio de urnas, tanto menos seriam escolhidos por um colégio eleitoral indireto formado por gente que "entende de música". Cultura não é erudição assim como representar não é algo necessariamente isolado e individual.
Então, onde se lê "representa a música popular" não se deve entender "é o único que a sintetiza na própria imagem e obra", mas sim "faz parte do grande grupo dos que representam". Vamos lá, não é tão difícil.
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transubstanciado por gravata às 03.01.12 | 51 comentários
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Comentários:
Pagode, Axé, Pornochachada, Humor de bordão. Por mais que essas coisas não sejam "boas", são parte da nossa cultura sim.
(Gravz: Vou precisar colocar um adendo ao texto, realmente tá foda isso de "representar" e ninguém entende, como também não entendem o significado de cultura)
Mas só para manter a tradição discordarei de uma coisa: da etimologia que você descreveu.
(Gravz: Mas é, cara... Pode fuçar aí. Cultura, no NOSSO valor semântico, decorre de Kultur. Esta, sim, decorre de Colere, mas apenas pegou parte da semântica para agregar novo significado. Daí, claro, o NOSSO decorre do alemão, o alemão tem origem no latim etc. Como palavras que emprestamos da língua espanhola ou da francesa, com significados similares ou mesmo idênticos, mas que decorrem de latim ou grego com significados ainda primários. NOSSA origem tá nessa mudança, a origem da mudança é que está na raiz primária e assim por diante)
Beijo, beijo.
O que tem de ser criticado SIM na capa da época é colocar o Michel Teló como representante da cultura popular brasileira levando em consideração o aspecto de seu produto cultural (Discordo de você, a cultura não é centrada na produção - criação de um produto, como você diz, mas sim na criação).
O erro está em considerar a síntese da cultura popular brasileira a partir de uma ótica da indústria cultural. Ninguém está dizendo que Teló não tem alcance massivo, que não agrada ao público e que inexiste - mas essa situação deve sim ser pensada e criticada.
O Michel Teló pode até representar o momento atual da musicalidade popular. Isso não significa que ele seja cultura - porque pra ser perpetuado como tal, precisa estabelecer raízes, e convenhamos que 3 ou 4 meses sendo zoado não é exatamente raiz - e menos ainda que represente todas as classes. É a generalização e a banalização do significado de cultura (que você mesmo está aí, propagando tudo errado) que irritam, não o Michel Teló em si. Muita gente nem sabe quem é isso.
(Gravz: Cultura está no título do texto e, desse modo, vc não passou dele. Deveria, assim não passaria agora vexame nos comentários. O texto explica muito claramente a TRADIÇÃO cultural da qual ele faz parte, sim. E cultura deriva de kultur, que consiste no grupo de produções/hábitos/tradições de um povo. MIchel Teló faz parte disso e representa - sim, REPRESENTA - nossa cultura popular musical. Dica: evite comentar sobre o que vc pára de ler logo no início. Embora, de certa forma, isso também seja cultura brasileira...)
(Só esclarecendo a idiotice do primeiro parágrafo)
(Gravz: Sim, tem como escolher. Escolher não é apenas optar num dado momento, mas sim fazer escolhas para a vida e algumas delas envolvem dedicação, esforço etc. Meu conselho: batalhe mais e aí você pode finalmente ~escolher~ no sentido mais imediato. A primeira escolha, e mais difícil, é enfrentar a vida em vez de reclamar do som do ônibus)
Mas você se equivocou ao afirmar no post script que a palavra 'cultura' vem do alemão 'Kultur'. A origem etimológica de ambas, na verdade, é do latim 'cultura,ae', designada assim pelo Houaiss: 'ação de cuidar, tratar, venerar (no sentido físico e moral)'.
Ou seja, "é de bom-tom" pesquisar a origem da palavra antes de se arriscar falar bobagem.
A maior parte das palavras alemãs que se parecem com as nossas em português tem origem no latim, após a unificação da língua por Martin Luther na época da reforma protestante. As que absorvemos do alemão raramente são aportuguesadas (zeitgeist, blitzkrieg, kindergarten, etc).
(Gravz: Não, vc tá errado. O valor semântico brasileiro decorre do alemão Kultur, pois passou a abranger a TODA produção humana o que o latim restringia inicialmente à agricultura e quejandos, com "colere" - algo como cultivo/cultivar. Foram OS ALEMÃES que fizeram a mudança semântica para dar sentido ao termo hojeempregado no Brasil. Convém pesquisar corretamente antes de ~corrigir para o errado~)
(Gravz: Você acha que o cara começou a cantar Cabeleira do Zezé assim do nada? ERA INDUSTRIAL E COMERCIAL! Apresentavam-se no rádio e vendiam compactos! Sempre foi industrial - com exceção de canções folclóricas etc. È o mesmo raciocínio errado de quem supõe que antigamente se jogava "Por amor à camisa". Não, isso nunca aconteceu. Apenas não havia mercado como hoje. Na música popular, ao contrário e mais expressamente, sempre houve mercado. Sempre foi industrial)
Abraço
http://dremaciel.blogspot.com/2010/07/bota-mao-na-cabeca-que-vai-comecar.html
http://dremaciel.blogspot.com/2011/03/rap-groovado.html
"Cultura (do latim colere, que significa cultivar) é um conceito de várias acepções, sendo a mais corrente a definição genérica formulada por Edward B. Tylor, segundo a qual cultura é “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade".
Mas fora a origem da palavra não ser alemã, até que o conceito no P.S está correto. Mas o mesmo não se pode dizer do resto do texto, acho que até você percebeu que essa música pode fazer parte da nossa cultura, mas não a representa, isso seria até metalinguagem, um aspecto cultural falando de cultura, seria uma música que falasse dos hábitos dos brasileiros, que não é ir sábado para uma balada e xavecar a menina mais linda, pode até fazer parte da cultura do meio que você está inserido, é a do meu meio, mas o Brasil vai muito além dos seus, ou meus amigos. Esse "ai, se eu te pego, ai, ai, se eu te pego" é ouvido em festas universitárias desde, no mínimo, 6 anos atrás, só que em outro ritmo.
Ao dizer "Michel Teló, enfim e de fato, representa a cultura brasileira, a cultura e a história da música (realmente) popular feita no Brasil." Você mostra desconhecer o significado da palavra história também. Além de desconhecer músicas, o meu conhecimento é ínfimo, mas já tem uma gama suficiente pra saber que dependendo da trilha que você tomar "não os das marchinhas que você usou como exemplo" mas o de chico buarque, caetano, gil, milton, chico cesar até os mais novos zeca baleiro, adriana calcanhotto, tiê. Não tem uma linha óbvia direcionando ao michel teló, nem mesmo pegando uma linha que passa pelo sertanejo.
Não me fere ouvir michel teló, não me fere saber que essa foi a música mais executada esse ano, mas a cultura de um povo é mais que isso, mesmo que não tenha erudição nenhuma.
P.S. Quando você diz "Mas ter raiva e até expor agressividade, convenhamos, é divulgar aos quatro ventos a falta de conhecimento básico sobre que realmente configura a cultura de um povo; especialmente do nosso povo." Isso acaba desmerecendo seu texto, enfocando o tom de provocação, transparece agressividade.
(Gravz: Sim, a ORIGEM é essa. Mas não usamos nesse sentido de cultivar - exceto quando se trata de "cultura da cana-de-açúcar" ou afins. Usamos como produção humana, também artístico-intelectual, que foi burilado pelos alemães em Kultur. Claro, se for até a origem, vai chegar a uga-buga, usado pelos homens das cavernas para designar uma pintura. Mas não é por aí, né? A decorrência semântica é do alemão, mas há outras origens etc.)
Essa música dele surgiu a partir de uma brincadeira em uma festa em Porto Seguro, não era nem bem uma música, era só o refrão. Após isso, uma banda do interior da Bahia (Cangaia de Jegue) desenvolveu toda a letra que se popularizou nas mãos do Trio da Huanna (banda de swingueira e arrocha). Quando entrou no repertório de Garota Safada (banda de forró do Ceará
Quando Teló (sertenejo, do sul) a gravou, ela já era sucesso no nordeste.
Agora me digam, criticos, há movimento popular maior do que esse? Essa música atravessou vários ritmo e regiões antes de conquistar o mundo.
Não sou nem um "povão", porém gosto de saber a respeito sobre tudo o que eu ouço para poder fazer minhas críticas.
Eruditos, estudem não só aquilo que todos não tem acesso para poderem se sentirem superiores, mas também o mundo a sua volta. Aquele mundo ao lado do seu muro.
Quando Michel
Ps: Qualquer semelhança com nossos representantes e seu povo é mera coincidência.
A Kultur, diferentemente do conceito francês de civilização
(noção determinada pela ideia de progresso material), é circunscrita pelo domínio
do espírito; ela engloba as realizações artísticas, intelectuais e mesmo religiosas de
um povo e demarca, por assim dizer, um espaço de autonomia diante da esfera
dos negócios políticos. Como horizonte de afi rmação de um segmento intelectual
incipiente, a cultura aglutina um conjunto de anseios e valores em plena ebulição,
valores que, não ao acaso, encontrarão na literatura fl orescente alemã o seu veículo
de expressão por excelência.
Fonte: http://www.revistafilosofia.unisinos.br/pdf/150.pdf (pág 165)
(Gravz: Veja link e citação do comentário anterior.)
Agora o lance é,aquilo que a mídia "empurra" guela a baixo do povo,influencia ,demais nas atitudes das pessoas,o povo é alienado á aquilo que a mídia impõe ,isso é fato !
Então o que queremos no nosso país ? gente futil que só pensa no " ai assim vc me mata " ? é isso que esse tipo de cultura nos passa... o problema não é ser cultura ou não ,o problema é o caminho que o nosso povo segue,influenciados por esse tipo de coisa...e o salário ó.
ESSA MUSICA NÃO É DO tal MICHEL TELO ! Nem a musica nem a coreografia é de outra banda, tem o clipe original no Youtube postado no inicio de 2010.
Desde Cícero, pelo menos, o termo já era usado em sentido abstrato - significando coisas como educação do espírito, refinamento intelectual. O que os alemães fizeram foi expandir o horizonte dessa abstração. Essa expansão, sim, pegamos deles.
Persiste até hoje a noção romana de que "cultura" é coisa fina, reservada a um grupo de intelectuais.
(Gravz: Danilo, veja isso - tá em PDF - http://www.revistafilosofia.unisinos.br/pdf/150.pdf
Quanto à noção romana, é preciso lembrar que de 1000 pessoas por ali, apenas 10 eram CIDADÃS. Há teses ótimas dizendo que a escravidão em demasia derrubou o império, fazendo-o ruir economicamente e, depois, por rebeliões e invasões. A multidão de escravos não era nem considerada gente, de modo que, para senadores como Cícero, obviamente o 'colere' só poderia fazer sentido, em seu uso quase poético, aplicando-o à nobreza e à arte considera de maior sofisticação. Os alemães deram abrangência ao termo e chupinhamos deles já como sentido de "produção e costumes de um povo". Sim, há quem diga "fulano é culto", mas acaba sendo uma expressão de semântica sofrível. Ele foi cultivado? Plantaram o cara? Mas "cultura baiana" a gente sabe que são produções e costumes da Bahia e não a erudição da primeira capital do país)
Digo ainda que o exemplo foi infeliz, citar marchinhas de carnaval como exemplo que caracterize dizer que a cultura popular é sim o que ele produz, até porquê marchas carnavalescas traduzem sim o que é a cultura popular brasileira, visto o histórico e a perpetuação dessas produções ao longo do século. Em um ano Michel Teló é mais uma hashtag esquecida num microblog qualquer.
Considerando que este gênero musical não só não traduz a cultura popular brasileira como, além de tudo, é um novo ritmo sendo popularizado; sendo assim não poderia traduzir a cultura popular de um país de cultura secular.
Embora compreenda o posicionamento, acredito que houve um equívoco na interpretação da matéria que pautou esse post, considerando que não, não traduz a cultura popular plural, o cantor de ritmo em ascenção recente.
Acredito que se a redação tivesse sido: aquele que traduz a cultura sertaneja para todas as classes brasileiras, seria OK. Mas não se pode jogar todos os ritmos e formas de arte brasileiras em uma música que traduz, sim, PARTE da cultura brasileira, o sertanejo, mas não traduz a cultura popular brasileira, como um todo.
E não falo aqui de conceitos de cultura erudita, digo por não representar a totalidade da cultura plural popular brasileira. Admito como sertanejo, ótimo difusor do ritmo pelo Brasil, mas não pela cultura brasileira como um todo, é ignorar diversas expressões regionais e populares.
Entendo que você seja super fã dos alemães, mas deveria saber que a base tupiniquim é outra. Logo, nossos parâmetros de desenvolvimento da noção de cultura - e da tal tradição cultural - são outros, bem distantes desse que você tenta estabelecer.
O funk carioca pode representar uma parcela da cultura brasileira - ele se propagou, massificou e fincou raízes. Michel Teló, não. Tradição leva tempo, ma chère. O cara estou há... Meses? E ainda é desconhecido de grande parte da população. Faltam ainda MUITOS elementos pra isso.
E leia este comentário bem lidinho, se quiser responder. Assim você não passa vexame nos seus comments também. =D
(Gravz: Cultura aparece no título. Com essa sua correção, significa que parou de ler no QUARTO parágrafo - é quando há essa designação; a correta, aliás. Não sou fã dos alemães, apenas procuro informação adequada. Leia isso e daí traga o SEU estudo que contraria tal análise http://www.revistafilosofia.unisinos.br/pdf/150.pdf Boa sorte. Ah, sim! Não adianta "parar" quando você discordar porque difere do que aprendeu nos gibis. Isso é sério. É uma dissertação e tal. Se achar difícil, leia de pouquinho, mas informação é sempre algo bom)
Erísticas à parte, ma chère. O artigo que você citou define cultura como experiência vivida. Adquirida. Passada. Consolidada em processos sociais.
Em outros termos: a mera produção de qualquer coisa não qualifica cultura.
O que foi... Oras, exatamente o que eu disse.
Você leu direitinho o texto que repassou? Deve ter lido como leu meus comentários...
Que coisa tacanha. Cansei. o/
(Gravz: Não, nada de minha vida inteira. Apenas mostrei o que realmente significa cultura. Você "parou de ler" numa parte que não está errada, nem mesmo é de minha autoria. Trouxe uma dissertação que esmiuça tudo. VocÊ veio aqui para contestar - e de forma agressiva. Cultura não é experiência, apenas, é PRODUÇÃO. Por isso vem do latim aplicado ao plantio etc. Mas vai além, hoje, derivando do alemão, e atende semanticamente a toda produção de arte popular - ou mesmo de hábitos sociais, religiosos, sexuais etc. Quanto ao mais, é claro, li com muito mais atenção a dissertação passada. Seus comentários, confesso, li bem por cima. Questão de profundidade e respeito ao estilo)
Como disse no twitter, respeito mais a banda Calypso, para melhorar o Chimbinha tem claras influências de Beach Boys.
IA PARA VENDER ALGUMA COISA FÚTIL À MASSA COM PRAZO DE VALIDADE DE 1 ANO. Comece a contar aí em quantos comerciais esse traste irá aparecer EM 2012 para promover a venda de alguma merda (cerveja gelada para gente 'pegadora', cigarro 'delícia', cosméticos infalíveis 'nossa'!!!) Cara nos poupe deste artigo inútil! Desde quando "olha a cabeleira do zezé" foi criado para vender gororóba!?!? E te digo mais "olha a cabeleira do zezé" tem muito mais identidade que o traste da capa da Época... basta ver que até hoje é lembrada, coisa que o "se eu te pego" não vai além de 1 ano... CULTURA É IDENTIDADE MEU CARO! E NÃO MODA FEITA PARA VENDER!(Gravz: Quem mandou link deste texto para a REITORIA OCUPADA?)
(Gravz: Mas desde quando escrever num blog é "impor" uma visão? Tô aqui no MEU espaço falando o que EU penso. Vem aqui quem quer. Comenta, também, quem quer. Daí a EXIGIR que eu concorde com eles, poxa... Acho que vou "descordar")
um povo e demarca, por assim dizer, um espaço de autonomia diante da esfera
dos negócios políticos. você não entendeu?
Vamos às pequenas críticas.
Começando pelos leitores e por dar ênfase ao que eu já disse: "denfendeste muito bem O TEU PONTO DE VISTA"; então, colegas comentadores, o DELE, não o do mundo inteiro. Apesar de escrever bem, o autor do texto não tem a razão no bolso.
Outro ponto: alguém acima disse "tirou as palavras da minha boca". Aí forçou, né amigo?
Enfim, o problema todo, na minha opinião não está nem na cultura (e, admito, obrigado por me lembrar de algumas coisas com relação a ela), mas no trecho que diz "os brasileiros de todas as classes". Neste ponto, sou obrigado a discordar completamente da Época e, por conseguinte, de parte do seu argumento.
O sentido dado pelos brasileiros (quase sem exceção) à palavra cultura (como sendo algo erudito) não faz parte de nossa cultura e, portanto, as críticas à esta revista veiculada para pessoas que não entendem o real (segundo você
Mas eu devo expandir o que você disse. As mesmas pessoas que atacam hoje o artista e suas músicas, e que amanhã acharão o máximo que ele toque num "revival" em alguma festa, daqui a 10 anos farão questão de ir àquele barzinho da Vila Madalena onde poderão ouvir estas, entre outras músicas ditas "cult". Exatamente como já aconteceu com tantas outras músicas e artistas. E, se alguém tem dúvidas ou discorda do que eu estou dizendo, que nunca mais cante junto ao ouvir Sidney Magal.
Então se eu vender ACARAJÉ no shopping, vestido de chef, vou ser representante da cultura baiana afrobrasileira?
Porque pra mim não passa disso. Se você falar que o Michel Teló está cantando uma música que possui ALGUMAS RAÍZES brasileiras, principalmente na parte rítmica e na versificação, tudo bem, legal, mas falar que ELE está DIFUNDINDO E REPRESENTANDO A CULTURA POPULAR do Brasil é forçar demais, não acha?
Quanto aos cantores de rádio, eles representavam uma ELITE que fazia música para ELITE. Os sertanejos que iam para as rádios (aí sim) bancados, sem essa de vestir a camisa, principalmente na época de ouro da rádio Nacional por exemplo, eram REAIS difusores de SUA PRÓPRIA CULTURA.
Isso pra mim é uma capa PATROCINADA. E não passa disso. Aliás, com uma reportagem vazia e mal escrita.
Colocar COCO, FREVO, REIS, BOIS, LUNDU, ou mesmo TECHNOBREGA no mainstream ou em capas de revistas ninguém quer né? Sabe por quê? Porque possuem raízes demais para serem maquiadas, penteadas, laqueadas, vestidas e empacotadas para fast-food.
A tradução dos "VALORES DA CULTURA POPULAR" são muito mais complexos que os seus exemplos. Não é ser pró-eruditismo discordar dessa manchete, pois podemos contra-argumentar dando dar valor às versificações geniais dos nosso baiões, nossos xaxados, nossas histórias de reis e nosso cordel, por exemplo, que não tinham nada de erudito. Mesmo o VANERÃO (ritmo que o Michel Teló tocava muito antigamente) está longe de aparecer na mídia.
Em suma, havia um milhão de manchetes pra escrever debaixo dessa foto... Escolheram a mais imprópria.
A polêmica gira em torno do significado de "cultura". O pessoal que deixa pedradas nos comentários só conhece o sentido de "erudição" da palavra. O escritor do blog se refere ao outro significado.
E daí quem se refere a "cultura/erudição" não consegue entender que dizer que "Michel Teló representa a cultura brasileira" não enaltece a música do rapaz, mas apenas constata algo óbvio e inegável, partindo-se dos conceitos estabelecidos para cultura e representação.
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