GRAVATA RESPONDE – A VOLTA
15/11/2011
GRAVATA RESPONDE – A VOLTA

Há tempos não publico essa coluna, confesso que tava de saco cheio, mas agora voltarei. Duas perguntinhas por semana eu dou conta (imagino). Vamos às de hoje:
“Olá, Tenho um amante a 2 anos, q um dia destes revelou q gostaria de me apresentar uma amiga e q eu não deveria ter ciúmes... Alguns dias depois, ele sugeriu uma festinha a 3 e mais do q depressa, sugeri uma festinha a 4 (afinal, eu tb tenho outro). Só p/me vingar contei em detalhes o qto o outro é animado, já q ele é devagar, quase parando... Porém, numa conversa no msn, ele chamou a sua amiga e fiquei sabendo q ele dá a maior assistência p/ela (preliminares). Já passei por todas as fases: ciúmes, raiva, vingança e finalmente desisti de fazer caridade p/alguém tão egoísta! Vale a pena citar o motivo (DR) ou é melhor sair a francesa?”
Vamos por partes... Você tem um AMANTE (ou seja, deve haver um oficial aí, presumo). Além dele, vc tem OUTRO – por sinal, “animado”. Aliás, o seu AMANTE é “devagar, quase parando” (por que diabos um amante assim???). Daí você descobre que o “devagar, quase parando” é na verdade atencioso e não exatamente lerdo com a OUTRA dele (que não deve ser a oficial, no caso dele a ter também).
Sua pergunta é se o melhor é uma DR ou “sair à francesa”... Se quer saber, o melhor mesmo é uma grande e despudorada SURUBA, já que vocês estão praticamente fazendo isso, mas por etapas e momentos distintos. Além de tudo, talvez seja chance do amante melhorar um pouco na atuação.
Por fim, DR só faz sentido quando o significado da letra “R” da sigla é contemplado de forma correta. Amante não é uma “R” suficiente para a chatice de uma conversa sem fim. Se realmente não tá legal, simplesmente sai. Outra dica: tente a fidelidade, em alguns casos dá certo. Forte abs.
***
“Gostaria que me ajudasse em meu dilema, tenho 28 anos sou formadar e trabalho, meu namorado tem 26 anos é estudante de medicina. Bom mais o pior de tudo é pq ele mora a 550km da cidade de onde moro, ou seja, namoramos a distancia, me liga todos os dias falamos no minimo tres vezes ao dia, conversamos sobre sexo no telefone e fazemos planos de quando nos encontrarmos novamente, porém nos vemos tipo um final de semana por mes e no maximo dois. Ele diz que me ama e tals, mais amigos me falam que namoro a distancia rola xifre e que namoro a distancia para homem não existe. Mas fico na duvida pq sempre q ligo me atende e sempre diz q é p eu ligar sempre que quiser, quando vai sair para balada me avisa e me manda msg de lá, e ainda me liga quando chega em casa. Então tenho medo desse namoro ser ilusão e eu está perdendo o meu tempo empenhando-me nesse relacionamento. O que vc acha, me ajude!!!!!”
Namoro à distância = não-namoro. Trata-se de uma enganação, na boa. Não duvido que vocês se gostem, mas não há relacionamento normal possível a uma distância dessas. Falar 3 vezes ao telefone é coisa para clientes, fornecedores, prestadores de serviço etc. Namoro exige presença física. Simples assim.
Acho que o principal aí nem é traição ou coisa do tipo, mas o fato de que NÃO É POSSÍVEL UM RELACIONAMENTO SER NORMAL COM ENCONTROS MENSAIS. Isso porque em 90% do tempo ambos estão separados e, nos outros 10, fica aquele GRUDE já que logo mais ficarão longe novamente.
Reitero: não tenho dúvidas quanto ao sentimento, mas há uma diferença abissal entre “pessoas que se gostam” e “pessoas que efetivamente namoram” quando o fator “550 km” está presente numa relação. Vocês não namoram, vocês se encontram (provavelmente com algum compromisso – tácito ou expresso – de fidelidade).
Mas, não, não é namoro.
***
Para Participar: envie sua dúvida para gravataresponde@gmail.com – mas preste atenção no seguinte: PERGUNTAS CURTAS E OBJETIVAS. Sua identidade será preservada, não citarei nomes etc. etc. etc.
ps. – pra quem não sabe, hoje é meu aniversário, faço 35 anos e trate de me dar algum presente. Grato.
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transubstanciado por gravata às 15.11.11 | 10 comentários
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Comentários:
Sabe que senti falta dessa coluna? Sempre me distraiu muito!
E, claro, não posso sair sem registrar os meus "Parabéns".
Abraços!
Saúde, felicidade e dinheiro.
Um abraço.
Mas sobre namoro a distância eu tenho muito o que dizer. E, conhecendo um pouco da sua história de vida, você também. Mas é melhor falar só de mim, né?
Eu vivi um relacionamento a distância por um ano e meio. Nós nos víamos somente a cada 15 dias. E foi namoro sim. Tanto foi namoro que ele se mudou para cá e nos casamos. Eu, que sou 50% desse casamento, sei bem que o que vivemos a distância não foi uma relação somente de "se gostam muito". Foi namoro, com amor, muito bem namorado e vivido.
Acho bastante complicado você falar com essa propriedade toda a respeito de algo tão delicado quanto um relacionamento. Cada relação é diferente. E, assim como muito relacionamento a distância está fadado ao fracasso, muito relacionamento de mesma cidade - mesmo apartamento - também está fadado ao fracasso.
O que posso dizer sobre relacionamento a distância é que, pra dar certo, ambos devem estar igualmente comprometidos. Tem que haver um sentimento mútuo declarado. E, obviamente, tem que haver planos de ficarem juntos na mesma cidade depois de sabe-se lá quando. Tendo tudo isso, por que não há de dar certo? Além da minha experiência, conto com mais uns 4 casais de amigos que deram certo - e, graças aos céus, dão (ui) até hoje. Desses 4, 3 são relacionamentos internacionais. Começaram com milhares e milhares de quilômetros separando e hoje em dia vivem super bem, juntos, casados.
Eu sou super contra julgar relacionamento assim, tipo carimbar com um visto de "vai dar certo" ou "fadado ao fracasso". Tudo depende dos dois que vivem a relação. Da fase da vida em que estão. Do quanto é amor ou não.
Se eu pudesse dizer algo à moça que te escreveu, seria: viva o que você acha que tem que viver, confie sempre no que você sente (seja o sentimento bom ou ruim) e seja feliz.
Vamos ser felizes, gente. É isso. Vão viver a vida em vez de ficar analisando cada ínfima coisinha no relacionamento.
Beijo, Gravz!
(Gravz: Não duvido do amor, não mesmo. Mas um RELACIONAMENTO, para ganhar o nome de namoro, precisa ao menos da presença física. Se não - sem prejuízo do sentimento, repito - fica mais parecendo uma "expectativa de namoro"; enfim, em alguns casos, consolidado e confirmado após a união efetiva de ambos. Ou seja, acredito na possibilidade de relacionamento à distância, mas não sei se considero isso um "namoro" na acepção da palavra - ainda mais nesses casos em que as pessoas se vêem uma vez por semestre, sei lá)
Abra esse seu coraçãozinho preto e peludo, Gravz! Que eu te conheço e sei que você é uma manteiguinha! Hahahahahahaha! Beijo!
Se é sua opinião, então deve esclarecê-la logo acima. Você fala como se não fosse namoro, como entendedor do caso e que é assim e pronto.Mas é só uma opinião sua, simplesmente. Provavelmente, a moça que escreveu para você querendo um conselho pode achar o que ela está fazendo não seja namoro e termina com o rapaz.
Uma idiotice sem tamanho e nem sem pé-nem-cabeça. Como psicologa digo isso para você e como pessoa, ressalto muito mais.
O importante que dá certo. Não pode dar para você(ou não deu, sei lá
Utilize de dados científicos para confirmar que isso não é namoro; o resto é balela.
Beijokas
(Gravz: "utilize dados científicos"... pelas barbas)
Gravz, o povo leva mesmo a sério as coisas que vc fala né....
Só deu sua opinião e virou um auê.
Eu adorei as respostas como sempre, tava com saudades dessa coluna.
Bjos e Parabéns atrasado.
Se ela está com tantas dúvidas, e acha tão difícil assim, então deve "cair fora". Acredito em relacionamentos à distância, embora seja difícil (meu marido está morando longe temporariamente e é uma barra de tanta saudade - mas não é impossível!). O rapaz parece bem comprometido com o relacionamento, muuuuuitos namorados "sem distância" não agem assim como ele, mas, novamente, ele parece se importar mais do que ela. Ou posso estar julgando, e ela gostar tanto dele quanto ele dela, mas simplesmente não se sentir preparada!
Se a moça tem medo de chifre, devia saber que a gente está sujeito a chifre mesmo morando sob o mesmo teto, e a distância em si não é um incentivo à pulada de cerca... vai do comprometimento das duas partes envolvidas.
Meu conselho a ela seria refletir: você QUER e consegue estar em um relacionamento a distância? O que você espera desse relacionamento? Quais os planos de vocês pro futuro (encurtar a distância? Casar?). Às vezes por mais que se goste do outro, tem gente que smplesmente não consegue ficar sem a presença física constante. Então ela deve se sentir confortável com a situação do relacionamento, se não não vale a pena ficar sofrendo!
Sinceramente? Namorado que mora na casa do lado tb pode chifrar, não é a distancia que faz o cara trair, mas a consciencia dele (ou a falta de).
E gravata, dizer que namoro a distancia nao é namoro, me desculpe: Ou vc nunca fez isso, ou nao deu certo e traumatizou kkkk
Eu namorei um ano e meio a 750 km de distancia, casei 5 anos atras e ta tudo bem ate hoje
Se a menina ta feliz, o cara ta dando a atencao que ela necessita, os dois se veem quando dá e é bom, porque nao continuar?
O cara me parece melhor namorado do que muitos ex que ja tive (da mesma cidade) e o povo ta envenenando a cabeca da coitada por pura dor de cotovelo. kkkk
Quanto ao primeiro email, nem merece comentário...
(Gravz: A lógica do "namorado que trabalha no cartório também pode chifrar, então namorado diretor de filme pornô tem a mesma chance". Sim, vai de cada um, mas às vezes as oportunidades aparecem mais a uns que a outros)
Ela começa falando que é 2 anos mais velha que o namorado, formada e trabalha, enquanto ele ainda é estudante. Poderia ser apenas uma informação inocente, mas ela continua com "o pior é a distância". Ou seja, o que ela menciona previamente já é bastante ruim para ela.
"Ele diz que me ama e tals" e ela, como se sente? A impressão que passa ao ler o email não é de que tem tanto medo assim de levar chifres. Parece não estar muito satisfeita com o relacionamento e, por algum motivo (talvez por achar que o cara gosta dela mesmo, por exemplo), não quer desistir sem ter certeza.
Adoro o "Gravata Responde". Parabéns, duas semanas depois.
