A VIDA FÁCIL DOS ATEUS

14/11/2011

A VIDA FÁCIL DOS ATEUS

taxistas da idade media

Sou ateu, mas não faço disso uma bandeira – acho que temas íntimos (religião, sexualidade e afins) não deveriam ser bandeiras, exceto em caso de extrema perseguição ou hipossuficiência social. Não é o caso do ateísmo, embora já tenha sido. Houve uma época, todos sabemos, que era possível escolher entre ser cristão ou virar churrasco. Hoje, não há mais isso.

Eliane Brum, que conheci hoje e descobri escrever na revista Época, cometeu um texto um tanto peculiar. Segundo a autora, os ateus somos perseguidos e temos uma vida dura. O exemplo para chegar a essa conclusão é a conversa com um taxista (ela que puxou papo, vale lembrar). Bem “classe média sofre”, mesmo.

Ela – e não ele – tocou no assunto da religião. Ela quis saber até as denominações cristãs frequentadas pelo taxista. Ele respondeu ao que foi perguntado, apenas isso. Daí, ela diz que não partilhava de sua fé e se declarou “atéia”, com o motorista respondendo “deus me livre!”. É o relato da própria jornalista, usando uma terceira pessoa pelezística de tão “sutil”.

E ela diz que ele não respeitou sua (dela) escolha, mas ele disse “deus ME livre” e não “deus A livre” ou coisa que o valha. Para um cristão, o ateísmo é ruim; para um ateu, o exato contrário. A vida do ateu é dura? Não, não é, e muito raramente alguém nos incomoda, exceto quando NÓS ATEUS PUXAMOS PAPO RELIGIOSO COM UMA PESSOA “DE FÉ”!

A autora erra ao cravar o termo “neopentecostal”, já desmentido e até ridicularizado por um... ATEU! (*), e erra mais ainda ao atribuir somente a eles a contrariedade quanto ao ateísmo. Não, não é isso. Nenhum religioso aprova o ateísmo na mesma medida em que os ateus não aprovam os religiosos – alguns apenas no foro íntimo, outros fazendo piadas (e elas existem de todos os lados).

Mas PERSEGUIÇÃO? Não, não existe. Não mais. Usar uma conversa com um taxista para corroborar uma tese dessas é algo frágil – até porque taxistas às vezes falam bem do Maluf e não há exatamente uma perseguição pró-Maluf ou contra-antimalufistas. E, claro, FOI ELA QUE COMEÇOU COM O PAPO RELIGIOSO.

O cafuné nos católicos não funciona, porque: a) o “não praticante” não é católico na acepção doutrinária do termo, a doutrina católica exige uma série de ritos e comportamentos que formam um pacote fechado (se alguns não cumprem, não é pela religião ser flexível, mas pelo fato de não gostarem dessa religião); e b) tomar TODOS OS EVANGÉLICOS por um taxista é como tomar TODOS OS CATÓLICOS por pessoas do convívio, uma amostragem viciada e boba (para dizer o mínimo).

Por fim, o maior preconceito está num trecho que pode ter passado desapercebido para alguns, mas entrega a autora pelo uso da linguagem: ela diz “a passageira era ateia, mas parecia do bem”. Ué! E por que não seríamos do bem? Por que a conjunção adversativa – a aditiva já seria inquietante, mostrar “do bem” como adversidade já chega a ser esquisito.

Nós ateus somos do bem. Claro, os ateus que não provocamos assuntos religiosos para depois denunciar uma inexistente situação desconfortável, intitulando texto abordando suposta “vida dura”. Nossa vida, hoje, é moleza.

Essa bulevoadorização do ateísmo transformou ser ateu em algo cafona, mais um objeto de militância inócua, como aquela turma que grita “abaixo a repressão” sem que haja qualquer tipo de gente reprimindo. Esse ateísmo precisa sair da adolescência, porque ainda se situa naquele campo existencial da intenção de chocar a vovó.

(*) – O ateu Fabio Marton é autor de “Ímpio, o evangelho de um ateu”, e lá explica direitinho – de forma fácil para que qualquer um entenda – a impossibilidade do “neopentecostalismo”. Ou o se é pentescostal, ou não. Leiam lá.


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transubstanciado por gravata às 14.11.11 | 25 comentários



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Comentários:


Comentário de: Matheus · http://tolonacolina.blogspot.com

Belo texto, Gravz. Mas faltou um ponto, a meu ver: hoje em dia, o ateísmo "está na moda". É muito "legal" sair gritando aos quatro ventos que é ateu e ridicularizando religiões a troco de nada. Frequentemente vejo gente fazendo brincadeirinhas que chegam até a ME ofender (e olha que eu sou ateu!) de tão babacas e desnecessárias que são.

E olha que eu sou o tipo de gente que faz piada com tudo e com todos - raça, sexo, religião, opção sexual... Sem pender pra nenhum lado.

Creio esse problema se dê porque várias das "webcelebs" da atualidade são ateus e aí a criançada que paga pau pra eles simplesmente fecha o olho e diz "é isso ai, vou ser legal que nem ele! Religião não tá com nada!" e vai, sem nem chegar a essa conclusão sozinho.

PermalinkPermalink 14.11.11 @ 18:45



Comentário de: JV

Em compensação, o século 20 viu ateus perseguindo e matando cristãos a dar com pau. A guerra civil espanhola, como exemplo, teve mortes de crentes pelo simples fato de serem crentes. E o resto...

PermalinkPermalink 14.11.11 @ 21:09



Comentário de: Miriam Liuti

"O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem." Esse era um pensamento DELE, concorda?

PermalinkPermalink 14.11.11 @ 21:10



Comentário de: luiz

Claro que existe perseguição.
Uma vez levei um fora de uma garota porque disse que era ateu.

PermalinkPermalink 14.11.11 @ 22:35



Comentário de: Alice

Não posso dizer que concordo plenamente contigo, mas em alguns pontos fica bem difícil dizer que você está errado. O ateísmo foi banalizado sim, e muitos se julgam ateus simplesmente por acreditar que isso os tornam intelectuais e/ou superiores. Ledo engano. Pior são aqueles que insistem em "desconverter" todos à sua volta, achando que estão fazendo um bem para eles. Admito, eu já fiz uma amiga minha deixar de acreditar em deus, mas de maneira alguma isso foi intencional. Depois de tanto tempo de convivência, ela deve ter sido influenciada pelas minhas ideias, mas nós nos separamos e, eventualmente, ela se tornou uma pessoa religiosa novamente - muito mais do que era antes, diga-se de passagem - o que me levou a supor que ela na verdade só tinha uma mente frágil. Enfim, isso não vem muito ao caso, mas serve como exemplo de que além desses que se tornam ateus por considerar isso "cool", há aqueles que largam suas crenças por serem facilmente influenciados pelos outros. Não que os primeiros também não tenham sido influenciados, mas digamos que esses não são nem dignos de pena.
Agora, a questão da (não) perseguição já é outra história. Evidentemente que nos dias de hoje ninguém vai te queimar na fogueira por ser ateu. Não somos perseguidos, mas indiscutivelmente ainda somos vistos com maus olhos pela sociedade. Obviamente, isso nem de longe equivale ao terror que você sofreria até um tempo atrás, mas o preconceito ainda é muito forte e eu não diria que só porque não há perseguição a situação esteja ótima.
Aliás, conforme foi supracitado nos comentários, o trecho "O taxista estava confuso. A passageira era ateia, mas parecia do bem." era a perspectiva do taxista, não? Sei lá, da maneira que você colocou, ficou parecendo que você achou que essa era a forma de pensar dela. Se não quis dizer isso, desculpe, é erro de interpretação meu mesmo. Mas seguindo essa linha de pensamento... Não sou do tipo que gosta de impor constantemente a minha pessoa, muito menos o que acredito ou deixo de acreditar, porém, como sou estudante do ensino médio (grande coisa, eu sei), ocasionalmente surgem debates que envolvem religião na sala de aula, e um dia desses, fui questionada à respeito da minha. Disse que era atéia e não deu outra: a grande maioria começou a me julgar. Aqueles com quem eu não possuo nenhum tipo de relação resmungaram coisas mesquinhas como "Ah, mas você não vai pro céu, menina." E meus amigos e inclusive um professor falaram "Um dia ainda vai acontecer algo marcante em sua vida e você vai acreditar em deus" o que não deixa de ser um comentário detestável, pois indiretamente, eles estão alegando que eu não tenho convicção de minhas ideias, e que elas estão à mercê de mudanças. Outra coisa interessante é que desde que meus colegas (acho a palavra colega demasiadamente tosca, mas na falta de outra, vai essa mesma) descobriram que eu sou atéia, eles adoram anunciar isso para outros professores sempre que surge a oportunidade. A minha professora de português, certa vez, me perguntou se meus pais também eram ateus. Eu respondi que não, e ela retrucou: "Ah, então se os pais possuem valores, tá tudo bem." Juro que ela disse isso com exatamente essas palavras. O que também me faz lembrar do por quê eu não ter "saído do armário" para os meus pais. Mas não vou trazer isso à tona porque já fui cansativamente prolixa nesse comentário - aliás, peço desculpas por isso, mas ser precisa não é o meu forte. Eu não tendo a expressar esse meu tipo de visão com muita frequencia, então quando eu o faço, acaba soando como um patético desabafo. Mas analisando brevemente o que eu escrevi, não diria que me sinto perseguida, mas sim incomodada. Essa visão errada que muitos ainda têm não torna meu dia-a-dia um fardo, mas isso não é motivo para tolerarmos preconceito.
E antes de enviar o comentário e (cof cof) imediatamente me arrepender disso, só queria mencionar outra coisa que acho relevante (não que o que eu tenha dito anteriormente tenha sido): muito ateu por aí também enche o peito pra dizer que só porque não matamos ninguém que pensa diferentemente, em contraposto com as guerras religiosas (o que por si só, não posso dizer se é uma afirmação verdadeira) somos pessoas de caráter, bons cidadãos e o caralho a quatro. Ser ateu ou não, não determina os seus valores. Eu mesma não me consideraria uma pessoa de boa índole.

PermalinkPermalink 15.11.11 @ 04:30



Comentário de: Alice

Outra coisa interessante é que desde que meus colegas (acho a palavra colega demasiadamente tosca, mas na falta de outra, vai essa mesma) descobriram que eu sou atéia, eles adoram anunciar isso para outros professores sempre que surge a oportunidade. A minha professora de português, certa vez, me perguntou se meus pais também eram ateus. Eu respondi que não, e ela retrucou: "Ah, então se os pais possuem valores, tá tudo bem." Juro que ela disse isso com exatamente essas palavras. O que também me faz lembrar do por quê eu não ter "saído do armário" para os meus pais. Mas não vou trazer isso à tona porque já fui cansativamente prolixa nesse comentário - aliás, peço desculpas por isso, mas ser precisa não é o meu forte. Eu não tendo a expressar esse meu tipo de visão com muita frequencia, então quando eu o faço, acaba soando como um patético desabafo. Mas analisando brevemente o que eu escrevi, não diria que me sinto perseguida, mas sim incomodada. Essa visão errada que muitos ainda têm não torna meu dia-a-dia um fardo, mas isso não é motivo para tolerarmos preconceito.
E antes de enviar o comentário e (cof cof) imediatamente me arrepender disso, só queria mencionar outra coisa que acho relevante (não que o que eu tenha dito anteriormente tenha sido): muito ateu por aí também enche o peito pra dizer que só porque não matamos ninguém que pensa diferentemente, em contraposto com as guerras religiosas (o que por si só, não posso dizer se é uma afirmação verdadeira) somos pessoas de caráter, bons cidadãos e o caralho a quatro. Ser ateu ou não, não determina os seus valores. Eu mesma não me consideraria uma pessoa de boa índole.

PermalinkPermalink 15.11.11 @ 04:43



Comentário de: Alice

Acho que mandei o mesmo comentário duas vezes, caso isso tenha de fato acontecido, ignore. :)

PermalinkPermalink 15.11.11 @ 04:45



Comentário de: JV

Aí Luiz, acho que era você que perseguia a garota crente.. (rs)

PermalinkPermalink 15.11.11 @ 09:00



Comentário de: Ligia

Eu sempre digo pra quem quiser ouvir: meus amigos ateus / agnósticos são as pessoas mais respeitadoras em termos de religião com quem já convivi (sou evangélica). Enquanto todo mundo dizia "você não corta o cabelo por causa da igreja?" "ué, você pode usar calça comprida / ter TV em casa / falar palavrão??", esse pessoal me aceitava como eu sou, e ninguém falava de religião.

PermalinkPermalink 15.11.11 @ 13:57



Comentário de: Homer

Traidor do movimento ateu!!!
AAhuAhuAhua
Bom demais,cara. Não sou ateu, apesar de não ter uma religião específica.

PermalinkPermalink 15.11.11 @ 16:19



Comentário de: El-Buainin

Cara, você escreveu um texto parecidíssimo com o que eu teria escrito se tivesse um blog... As pessoas aqui têm comentado, com alguma discordância, um trecho que você citou:
"A passageira era ateia, mas parecia do bem." Mas há um que talvez seja mais interessante:
"Eu sou uma pessoa decente, honesta, trato as pessoas com respeito, trabalho duro e tento fazer a minha parte para o mundo ser um lugar melhor. Por que eu seria pior por não ter uma fé?"

Eu acho ridículo este tom professoral com que muitos ateus falam aos crentes. Além disso, para que esta (falsa) justificativa? Qual é a relação lógica? Ora, o fato de uma pessoa não ter consideração por outras, não trabalhar duro e não tentar cumprir o que seria sua própria parte “para fazer um mundo melhor” não significa que ela esteja incorreta no que se refere à crença ou à não-crença. Quanto ao preconceito, este é contra o ateu nesta frase, certo?: “a passageira era ateia, mas parecia do bem”. É semelhante ao trecho do funk em que se canta “ele era funkeiro, mas era pai-de-família”. Aqui, o preconceito, que é reproduzido por um funkeiro, é contra o próprio funkeiro. Lá, as palavras, produzidas por uma ateia, são contrárias ao próprio ateu. Mais: eu suspeito muito desse ateísmo cristianizado, cuja única diferença do cristianismo é a descrença em divindades, mas cujos comportamento e valores são muito próximos. É por isso que eu ouço crentes falarem, de vez em quando, que “vocês, os ateus, são uma piada; rejeitam nosso deus, mas vivem conforme os nossos princípios éticos”. E, neste ponto, dependendo do ateu com quem falam, estão corretos. Acho que a crítica ao cristianismo ou às demais religiões deva partir, se for feita, não do apontamento de seus mitos e fantasias, mas da desconstrução da ética de que partilham, pois esta torna as pessoas hipócritas e, aí, é que começa todo o prejuízo. Porém, este é outro assunto. Por fim, basta dizer que os seus comentários foram muito bem escritos e tocaram pontos-chave do texto-problema da “passageira ateia”.

PermalinkPermalink 15.11.11 @ 17:42



Comentário de: Elaine Prata

Gostei demais do texto..para que conversar e discutir algo em que não acredita..vale a pena?? Sou pentecostal .não posso nem imaginar a minha vida sem minha concepção religiosa..mas se vocês e outros não acreditam em Deus e daí???????Cada um escolhe seu caminho e sua vida. Vamos viver tudo que há para se viver sem tentar esfregar na cara de ninguém suas escolhas..Outro ponto em que concordo com você é a respeito de se surrar algumas religiões e afagar outras ou se é praticante ou não..religião tem que se viver..

PermalinkPermalink 15.11.11 @ 23:29



Comentário de: Bearclaus

Parabéns pelo texto (e pelos ótimos comentários que ele provocou).

É triste ver uma jornalista (que deveria ter bom domínio das palavras) confundir desaprovação com perseguição. Ora, se minhas crenças e meus valores são diferentes dos seus, haverá casos em que eu reprovo os seu valores, seus atos ou suas palavras. Mas isso é perseguição? Definitivamente, não. Nem preconceito. Parece que a jornalista esperava a concordância ou aprovação do taxista, que não veio. Insegurança quanto à sua "não-crença", ou tentativa de impô-la ao taxista? Vai saber, né?

Mas, não é só ela, não. Parece que o mundo ocidental está perdendo a capacidade de conviver com o confronto de idéias, com visões de mundo diferentes e que todos esperam ser aprovados por todos em tudo. Isto é imaturidade e tem se traduzido em intolerância, o que é surpreendente, em tempos de "politicamente correto".

PermalinkPermalink 16.11.11 @ 01:46



Comentário de: aline · http://twitter.com/tdbem

adorei seu texto, gravz =***

PermalinkPermalink 16.11.11 @ 13:34



Comentário de: Maximo

seu texto é bom... o dela uma bosta...
putz, quero meu tempo de volta...
por favor, não crie links no seu blog pra uma porcaria dessas nunca mais...

PermalinkPermalink 17.11.11 @ 11:07



Comentário de: rodrigo a

Somente acho engraçado que sempre quando julgam as religiões somente julgam o cristianismo. Dificilmente alguém fala contra outras e principalmente contra o islamismo, será que é medo?
Sou cristão, e todos tem o direito de viver cada qual a sua consciência, sem perseguição e/ou preconceito. Assim como a religiosos que praticam coisas ruins, assim também ateus tambem o fazem.

PermalinkPermalink 18.11.11 @ 20:38



Comentário de: marcos

Li o texto em referencia.

Não vi nada disso que você viu. Me parece que você esta mais para usar uma dialética socrática do que ser de fato sincero.

O taxista não fez nada de errado ou contra a autora. A autora apenas registrou sinais claros de que ele não admitia a opção dela.

Foi isso o que ela passou.

Aliás nada diferente do que vemos no dia a dia. Os neopentecostais são assim mesmo. Eles são o ovo da serpente na nossa sociedade.

(Gravz: Ovo da serpente...)

PermalinkPermalink 19.11.11 @ 20:30



Comentário de: Marcos

... aliás. seu texto é um lixo.

PermalinkPermalink 19.11.11 @ 20:31



Comentário de: Isa

eu, como atéia, concordo em partes com o texto.
Acho que alguns ateus conseguem ser tão fanáticos e chatonildos quanto os crentes. Outros só são ateus porque agora é cool e voce passa um ar mais intelectual se disse que é ateu.
Mas quanto a dizer que a vida do ateu é suave, me desculpe, não é. Talvez seja pra um paulistano com turminha descolada, mas eu tenho que esconder isso no trabalho, caso contrário terei problemas de convivencia.
Em um emprego passado tive uma chefe católica ultraconservadora que não aceitava sequer o uso de anticoncepcionais, e me demitiria na hora se conhcesse minha opção.
Muita gente, ao saber que sou atéia (só falo se for explicitamente perguntada), me pergunta porque tenho essa revolta com deus e porque nao me reconcilio com ele (ãh, pq ele nao existe?) e minha própria familia arrum briga comigo todo santo natal porque não quero acordar cedo pra ir na missa.
É superchato essa falta de respeito com a gente, e pode até não ser ruim como já foi, mas isso nao significa que está bom.

PermalinkPermalink 24.11.11 @ 01:04



Comentário de: Bia

Discordo do El-Buainin quanto à idéia de que o ateu deve desconstruir os princíprios éticos de uma religião (e ele só fala do cristianismo).Religião institucionalizada é antes de tudo dogma. Princípios são secundários. Pela lógica religiosa, você deve, por exemplo, amar ao próximo porque Jesus mandou, e não pelo valor intríseco dessa atitude, que é meramente decorrente da autoridade de Jesus. Ser ateu é não acreditar em deus ou deusa ou deuses, nem nos milagres que pressupõem a existência deles. Pergunta para qualquer cristão, vc pode seguir todos os princípios de Jesus, mas se vc não acreditar que ele morreu na cruz para te salvar vc vai pro inferno. (Vide o taxista do texto que diz que boas ações não salvam ninguém.) O contrário já não é verdadeiro.
Os princípios éticos de uma religião são um assunto à parte, independente do ateísmo de uma pessoa, que pode perfeitamente seguí-los segundo sua convicção pessoal, sem creditar-lhe base sobrenatural. Se fazendo isso a pessoa têm algo em comum com pessoas religiosas, que bom, não tem nada de errado com isso. Mas isso é improvável, porque como disse, os princípios são secundários. Generalizando, o amor ao próximo é só "pras nega dele".
E discordo do gravataí também. Também acho escroto ficar puxando assunto de religião do nada, mas não foi o que aconteceu com a jornalista. O taxista é que mencionou a Bíblia. Ela só continuou o curso normal da conversa. Daí eu faço coro com o pessoal dos comentários e digo taxativamente que existe perseguição sim! Vai um político admitir que é ateu, se ele vai ser eleito. Ou de que não pratica uma religião cristã qualquer. Isso já significa que todos os não-cristãos estão alijados de parcela do poder político e da liberdade de expressão. Os ateus, agnósticos (sou agnóstica) e os sem religião definida só sofrem menos porque têm poucas ocasiões de expressar essa preferência de forma pertinente e, quando têm fogem do assunto. Não se declarando "anormal", vc passa por "normal", porque se vc não roubou, matou, sei lá, não se mostrou promíscua (ênfase no A) vc deve ter jesus no coração. A autora do texto mencionado só tentou não ser uma atéia envergonhada e nem isso conseguiu, coitada, porque ninguém deveria ter de ficar se justificando, tanto quanto à (não)escolha ou à prerrogativa de fazer essa escolha "porque é uma boa pessoa" como me esclareceu alguém aí em cima (eu nunca tinha pensado nisso, coitada de mim). Quem sente mais os efeitos do preconceito são os praticantes de religião afro, mas isso é basicamente porque eles se expõem mais, se encontram em cultos e etc. Se os ateus participassem de encontros bem divulgados, certamente sofreriam as mesmas agressões que as pessoas nos terreiros sofrem. Os comentaristas já deram uma amostra disso.

PermalinkPermalink 25.11.11 @ 17:00



Comentário de: Ricardo

Parabéns por criticar o site Bule Voador no mesmo texto em que você usa como referência, para respaldar um argumento, o Fabio Marton, que é colunista do... site Bule Voador.

Simplesmente genial...

(Gravz: Há veículos que são uma merda, mas têm colunistas bons. Acontece sempre. Também com o Bule Voador, que é uma merda, mas tem gente boa por lá - minoria. Ah, sim, Fabio Marton explica a inexistência do neopentecostalismo, não dá respaldo ao centro do texto, é apenas uma observação. Os alfabetizados notaram)

PermalinkPermalink 29.11.11 @ 19:02



Comentário de: Juliano


Cara, brilhante. Seu texto expressa exatamente o que penso sobre o assunto. Detalhe: não sou ateu. :)

(Não tem jeito de colocar um dispositivo aqui no blog pra gente divulgar o texto nas redes sociais? Esse eu gostaria de divulgar para meus amigos.)

Abração.

PermalinkPermalink 29.11.11 @ 23:12



Comentário de: Ana

Meu o texto é muito bom,detalhe sou evangélica,nao querendo efender mas entenda meu ponto de vista a palavra ateu quer dizer aquele q nao acredita em nada porem ateus acreditam na ciencia tornando ela por vedade assim como creio no que está escrito na biblia.Mas uma coisa é certa o ser humano tem a necessidade da crença

PermalinkPermalink 30.11.11 @ 12:06



Comentário de: ana

mais um texto equivocado vindo de você. qual a surpresa?

afinal de contas, alguns religiosos podem esfregar na cara dos outros a sua religião e sem nenhum pudor até tentarem converter quem não partilha da sua fé, mas aos ateus o que resta?

- apenas não ousem abrir a boca dizendo o que vocês são e não terão nenhum problema. não sofrerão discriminação, nem ouvirão comentários ignorantes.

do que estamos reclamando mesmo, né?

e outra coisa, só por que VOCÊ nunca foi discriminado por ser ateu não quer dizer que ninguém tenha sido.

cresça.

ps.: parece-me meio óbvio que a frase “a passageira era ateia, mas parecia do bem” foi uma ironia. você não percebeu?

PermalinkPermalink 01.12.11 @ 12:21



Comentário de: Roberto Takata · http://neveraskedquestions.blogspot.com

Mesmo a se admitir que ou se é pentecostal ou não é, isso não torna o 'neopentecostalismo' impossível.

E o fato de o taxista não ter dito "deus a livre" não faz com que a expressão "deus me livre" não tenha a conotação de expressão negativa quanto à ateidade/ateísmo, ainda mais que vem seguida de: "Vai lá na Bola de Neve."

Esse "muito raramente alguém nos incomoda" pode valer como relato de experiência pessoal sua, mas não como descrição acurada da realidade geral dos ateus. Eu q não sou ateu pelo menos uma vez por ano (normalmente bem mais) sou abordado por alguém tentando me converter para esta ou aquela religião.

A autora também não atribui exclusivamente aos neopentecostais a restrição ao ateísmo.

Além disso a autora não usa em seu texto a palavra perseguição. Apenas que tenderá a haver mais situações de choque ideológico. Isso é corroborado por pesquisas de opinião: o brasileiro sente mais ódio/repulsa ou antipatia em relação aos ateus do que em relação a usuários de drogas, prostitutas, homossexuais ou ex-presidiários; há menor propensão do brasileiro a votar em um ateu do que em um homossexual).

http://neveraskedquestions.blogspot.com/2010/08/datena-ateus-e-discriminacao-religiosa.html
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A vantagem do ateu, como a do judeu, é que eles não são tão facilmente identificáveis como muitas outras minoriais sociais: negros, pobres, deficientes físicos e outros. (E o ateu tem a vantagem extra de seu sobrenome não carregar tto na origem como muitos judeus.)

[]s,

Roberto Takata

PermalinkPermalink 01.12.11 @ 20:37



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