OS SARNEYS DA FFLCH/USP
30/10/2011
OS SARNEYS DA FFLCH/USP

José Sarney se tornou um emblema das regalias de que gozam os parlamentares no Brasil. No auge do escândalo do ano passado, o então Presidente da República disse que o aliado acusado não poderia ser tratado como uma pessoa comum.
Os estudantes rebeldes da USP, a exemplo do que foi dito de Sarney meses atrás, também não se consideram pessoas comuns. Não são todos, claro, trata-se daquela velha minoria que enche o saco dos que querem apenas estudar.
O dado curioso é que justamente essa minoria se julga ou proletária ou ao menos representantes de praticamente todos os oprimidos. Ao mesmo tempo, porém, fazem a teratológica reivindicação de que, para si, a lei dos homens comuns não deve ser aplicada.
Fatos ocorridos: há certo tempo, estudantes pediam mais segurança no campus, por conta de crimes ocorridos. A PM, responsável por isso, sobretudo em espaços de propriedade do governo estadual, passou a fazer mais rondas na USP. Desse modo, ao flagrar alguns jovens usando maconha, prenderam-nos por conduta ilegal.
Parece algo simples, de fato é mesmo algo simples, mas a FFLCH tem aquela famosa minoria que não possui o raciocínio como algo forte – ou então, claro, torcem as conclusões para favorecer seus interesses.
E houve o que houve: protestos CONTRA a polícia no campus, não por qualquer arbitrariedade ou ato violento, mas sim porque… CUMPRIRAM A LEI. E mais: se o PM não efetua a prisão em flagrante, ele se torna cúmplice e, de cara, comete prevaricação.
Há vários anos, sob a ditadura militar, a polícia era vista como uma força dos governantes opressores e, desse modo, sua presença no campus tinha um outro caráter. Hoje, em plena democracia, não tem o menor cabimento cogitar a dispensa das rondas policiais num lugar como a cidade universitária – tanto mais após a incidência de crimes.
Então, o que quer essa minoriazinha? Queimar um fumo em espaço público sem o inconveniente de acabarem presos. Querem regalias, querem estar acima não apenas das leis, mas das pessoas comuns.
Querem o direito de fazer o que ninguém pode e curiosamente ostentam não apenas bandeiras de igualdade, mas também outras nas quais defendem toda sorte de categorias supostamente oprimidas, muitas vezes incluindo a si próprios dentre os hipossuficientes sociais.
O movimento estudantil brasileiro, infelizmente, vem caindo em descrédito e a queda é cada vez mais profunda – meio que abrindo alçapões sucessivos a cada suposto fundo do poço. A UNE, p.ex., teria empregado dinheiro público na aquisição de uísques, vodcas e outros materiais não exatamente didáticos.
A microturminha rebelde da FFLCH, por sua vez, começou invadindo e depredando o predio da reitoria, desobedecendo ordem judicial de reintegração de posse e, depois, ainda se metiam em greve de funcionários. Agora, finalmente, mostraram o que são de forma insofismavelmente clara.
Dizem ser/defender o povo, mas querem regalias que ninguém do povo tem (não que a prática de um crime seja "regalia" no sentido mais estrito, mas a analogia serve). E o lado bom disso tudo é que ninguém mais os apóia.
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Os presos não querem? E eu com isso?!
transubstanciado por gravata às 30.10.11 | 16 comentários
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Comentários:
(Sou a favor da legalização das drogas, aliás. Mas pra TODO mundo, não só os filhinhos-de-papai da FFLCH.)
O terreitório da USP se não me engano é federal, e a polícia sequer teria competência para agir, de acordo com a própria lei que diz cumprir.
Não sei, se administrativamente, foi concedida (ou se mesmo poderia ser) a autorização de policiamento comum, mas dada a imensidão do campus da USP, foi questão de ordem.
concordo que se quiser fumar um, fuma em casa; ao fumar na rua, estará sujeito à coerção policial.
entretanto, deve-se sopesar que tal "crime" tem potencial lesivo negativo (claro, nego vai falar, mas o trafico financia a violencia, immimimi ja ouvi isso por aí
faltou bom senso, tanto aos moleques quanto à polícia, e especialmente à legislação penal brasileira.
no mais, excelente texto!
abs
(Gravz: USP, estadual, "território estadual". E o que diabos seria um TERRITÓRIO FEDERAL? Há prédios e parques, mas a polícia atua, sim - ex.: praias, que são de titularidade federal)
Tais manifestantes, se é que podemos chamá-los assim, provavelmente usufruem de toda classe de "serviços" prestados pela PM, como defesa da propriedade privada (bens que ganharam dos pais), entre outros. Mas tem a cara de pau de pedir da PM um tratamento subjetivo para com eles... isso não beira o absurdo, já é um sinônimo. Tô aqui mais indignado que o Gil Brother e acho pouco; parafraseando o Morróida, que jamais o meu filho faça uma merda desta!
(Gravz: Sou a favor e não sou usuário. Sou favorável à legalização pq, sendo proibida, a droga cria um mercado criminoso que não apenas não é combatido, mas do qual muitas vezes o estado é cúmplice. E se pode álcool e afins, não há sentido em não liberar tudo)
Quanto aos "estudantes", eles se acham minorias, mas, para entrar na USP, eles estudaram a vida toda em escola particular e, na maioria dos casos, são filhinhos de papai que não tem limites e querem se fazer de coitadinhos quando são contrariados. Falta vergonha na cara.
(Gravz: Qual a tendência mundial de criminalizar o álcool?)
(Gravz: Raciocínio inválido. Exemplo simples, o álcool. Já é liberado. Então, se vc for assaltado por alguém que queira comprar uma pinga, vc pode matá-lo? Mas, se for crack, aí não? - creia, essa é sua lógica. Homicídio é outro tipo de crime, e se houver legítima defesa nem mesmo se caracteriza - isso independe da finalidade da "defesa" ou, melhor dizendo, a finalidade de quem tentou atacar contra sua vida em busca também de grana)
(Gravz: Há restrição na propaganda do álcool - aliás, muitas restrições. E menores, pela lei, não compram nem consomem. A gordura, porém, faz mais mal e mata mais. Todo mundo pode comprar e há propaganda em todos os lugares. Isso porque é opção do indivíduo ter ou não uma vida saudável, não cabe ao estado definir isso - como acontece com o cigarro, o álcool e, claro, gorduras etc)
Estudei somente em universidades estaduais de São Paulo, e concordo plenamente!
Se partirmos para os números, onde aponto o Brasil com 1 milhão e meio de usuários de crack e levarmos em conta que a legalização do crack (pela lógica) aumentaria esse prospecto, pergunto: Qual o sentido de legalizar a maconha ou outras drogas ilícitas se o consumo aumentaria?
Repito: Do ponto de vista filosófico, é injustiça fumar cigarro e não poder fumar maconha. Do ponto de vista social, legalizar a maconha é dar um passo para trás, uma vez que coibem cada vez mais os usuários de cigarro.
Bebida, Cigarro e drogas deveriam ser ilegais para o bem do cidadão.
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