DA NECESSIDADE DO INIMIGO COMO PALIATIVO À SOLIDÃO
25/10/2011
DA NECESSIDADE DO INIMIGO COMO PALIATIVO À SOLIDÃO

Não sei se todos sabem, mas sou mestre em psicologia de boteco e pós-graduado em psicanálise de conversa-mole. Desse modo, estou autorizadíssimo a traçar um perfil que atualmente grassa (ui) nas redes sociais: o CRIADOR DE INIMIGOS.
Superficialmente, trata-se da pessoa de quem todos teríamos pena, dó, piedade etc. Tais sentimentos são péssimos (talvez o pior que se possa sentir por alguém) e, para evitar ser objeto de compaixão até mesmo dos desafetos, o sujeito (a sujeita também) agride todos de forma quase indiscriminada. Deixa de ser o coitado para que dele (e dela, hein?) tenham raiva.
Mas isso é o começo ou, de fato, apenas a superfície dessa personalidade. Esses ataques enfurecidos têm um efeito interessante: criam inimigos e estes passam a ser “companhia” às solitárias figuras. São moinhos de vento psicológicos que PRECISAM existir para que seus criadores não se consumam pela mais absoluta inexpressividade.
Não parece que tenham isso como objetivo, mas definitivamente percebem tal efeito, ainda que de forma inconsciente. Em suma, usam a agressividade para afastar a tristeza da piedade até mesmo do “inimigo”, e descobrem com isso mais uma coisa: o “inimigo” é quem lhes tira do ostracismo existencial. É quem lhes faz “companhia”.
É um ciclo ininterrupto, e vicioso.
Como todos somos humanos, temos aquela piedade inicial, depois nos deixamos levar pela tática da agressão e pegamos raiva, até que em dado momento escapa alguma “resposta”. É o bastante. Mesmo se ficarmos só nisso, já serve de paliativo à solidão extrema do coitado/raivoso (ou coitada/raivosa, é bom salientar).
Talvez o certo fosse permanecer na pena, e provavelmente o comum é ter raiva (como querem), mas depois de algum tempo o natural é achar engraçado. Passem a analisar esses casos malucos dessa forma e aguardem: vocês também vão rir.
Se por acaso você é justamente quem precisa criar inimigos, a dica é tentar fazer amigos. Acredite, é muito mais divertido e saudável. Inimigos imaginários não são exatamente a melhor forma de sair da solidão. Exatamente por isso, vale um alerta meio óbvio: amigo vem de amizade, e não de “inimizades em comum”.
Esse último caso, bem frequente, é mera agremiação de gente sozinha (e meio lelé). E sempre dá errado, porque um doido não deixa de ser maluco só porque outro doido disse que ele é são. É exatamente o contrário.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por Gravatai Merengue às 25.10.11 | 2 comentários
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