RESPOSTA AO COMENTÁRIO DE LOLA

03/06/2011

RESPOSTA AO COMENTÁRIO DE LOLA

A blogueira Lola cobrou, pelo tuíter, que eu publicasse sua “resposta” ao texto em que tratei da possibilidade dela ser processada. Tantos apelos, devo confessar, me obrigaram a trazer suas palavras para um debate mais amplo, não admitindo que ficassem escondidas na caixinha de comentários.

As palavras de Lola estão destacadas pelo ITÁLICO DA IGUALDADE, as minhas pelo NEGRITO DO PATRIARCADO:

“Comentário de: lola - Ué, pensei que vc disse que não iria falar sobre o caso? Não sei porque me dou ao luxo de te responder. Não concordamos em absolutamente nada.”

Falei mesmo, não ia escrever sobre o tema. Mas escrevi. E quanto a responder às pessoas de quem discordamos das idéias, acredite, é isso a base da democracia. Acho engraçado esse povo que faz “DEBATE” entre quatro ou cinco e todos concordam entre si. Não sou dessa turma.

“A diferença é que eu assumo minhas opiniões, não faço rodeios hipócritas.”

Assumir opinião significa NÃO RECLAMAR DE EVENTUAL PROCESSO. Temos liberdade para escrever, e o eventual ofendido tem também direito de procurar o judiciário para analisar a suposta ofensa. É assim que funciona, tudo de forma harmoniosa.

Eu já fui processado – na época você não ficou triste, né? – e ganhei. Isso é assumir opiniões: ter coragem para mantê-las em juízo, sem coitadismo oportunista, sem dizer que processo é censura etc.

Quem assume o que diz não reclama de levar processo por conta disso. O resto é “rodeio hipócrita”.

“Tem uma ameaça nada velada aí de que vc vai processar todo mundo que não te defendeu no caso Nassif, é isso? Vc já fez essa ameaça várias vezes. Então, se quiser me processar, entre na fila.”

Não é ameaça. Eu vou MESMO notificar – repare bem: ‘notificar’ – aqueles que entraram na onda e praticaram agressões passíveis de debate judicial. Na oportunidade, pretendo fazer pelas vias adequadas. Se houver uma fila, é claro, serei civilizado e tomarei meu lugar no final.

“Eu nunca tinha ouvido falar de vc antes do post (já tirado do ar) do Idelber sobre o caso Nassif. Isso foi poucos dias antes do Lingerie Day. Minha postura ao ouvir falar no caso foi a mesma que teria em qualquer caso em que alguém cria um blog anônimo (porque vc não usava o pseudônimo de Gravataí Merengue, ou seu nome verdadeiro, usava?) pra falar mal de outra pessoa.”

Er... Lola, Lola... A constituição veda o anonimato, mas A LEI GARANTE O USO DE PSEUDÔNIMO. Você REITERA a velha falácia: blog “anônimo”. Bobagem. Não era. A justiça já julgou isso aí. Não insista num erro desse naipe.

E OBVIAMENTE não foi para “falar mal” de ninguém. Era farta e irrecorrível documentação sobre um processo judicial. Falar mal é chamar de “babaca” etc. Não o fiz (nem faria). Analisei um processo de execução e um acordo entre as partes.

“Eu escrevi naquele post sobre o LD “difamar, caluniar, injuriar”, como sinônimos de “falar mal”. Mas óbvio que alguém que teima que as pessoas usem “seio” ao invés de “seios”, só porque vc aprendeu que essa era a forma correta, ao contrário do que 99% das pessoas usam, não vai querer saber de sinônimos (livro do MEC feelings, né?, blogueiro recordista em querer desvalorizar as pessoas por algum erro cometido, apesar de escrever mal pacas).”

Não é “ao invés”, mas “em vez”. Arruma aí na próxima oportunidade. Difamar, caluniar e injuriar são PRÁTICAS CRIMINOSAS. Quem falou isso de alguém que NÃO cometeu tais atos, acredite, incorre em acusação caluniosa, passível de ressarcimento na esfera cível e punição na penal.

Sem dúvida, escrevo “mal pacas”. Mas quando começo um raciocínio sintático usando “alguém”, não mudo para “vc” na outra frase, pois até silepse de pessoa tem limite. Isso seria escrever “pior que mal pacas”.

“Então: imagine se eu tivesse criado um blog anônimo pra falar mal do Marcelo Tas ou do CQC. Imagine se o Marcelo Tas, sentindo-se atingido, tivesse que apelar a alguma instância maior para descobrir quem era o autor do blog, e aí poder processá-lo? Eu não criei blog anônimo pra falar mal do Tas. Eu falei mal do CQC e da postura dos três integrantes em um post (ou dois). Assino meus posts. Tenho orgulho de vários deles. Assino o meu blog com meu nome. Não me escondo. Essa é uma das principais diferenças entre eu e vc.”

É “entre mim”, não “entre eu”. E, reiterando, não criei blog anônimo. Tudo foi feito dentro da lei, como decidiu o Poder Judiciário.

Na última vez em que pesquisei pela gloriosa internet, notei que 100% dos blogs pessoais não tinham RG, CPF e Endereço em lugar visível. Desse modo, O ÚNICO JEITO DE PROCESSAR QUEM QUER QUE SEJA seria por meio de um procedimento inicial de identificação.

Não adianta chegar ao juiz dizendo “ei, é o fulano, conhecido da turma”, porque isso não prova a legitimidade passiva. É preciso documentar e, para isso, QUALQUER UM recorre a procedimento de identificação.

E acho bonitinho você ter orgulho de alguns posts seus. Mas por que somente alguns? TODOS deveriam ser objeto de orgulho, ora pois!

“Nunca apoiei o Nassif, nunca sequer li o Nassif, não tenho nada a ver com ele. O que eu critiquei foi vc ter criado um blog anônimo pra falar mal dele. O que não quer dizer que apoiei o processo que ele moveu contra vc.”

Pela terceira vez: NÃO ERA BLOG ANÔNIMO.

“Ao contrário de vc, que fica ameaçando todos com processo, eu sou totalmente a favor da liberdade de expressão. Nunca processei nem ameacei processar ninguém. Os comentários no meu blog não tem nem moderação.”

Ler a Constituição não fará mal a você. Recomendo. Isso porque ela garante, sim, a liberdade de expressão. Em seguida, garante o direito de ação a eventual ofendido. É a forma harmoniosa e democrática de fazer valer direitos fundamentais. E não é tão difícil assim entender, vai.

“Processar” não é um ato de censura, mas um DIREITO de todo e qualquer cidadão. Tratar o exercício desse direito como uma “ameaça” é, para dizer o mínimo, não ter compreensão exata do Estado Democrático de Direito.

“Quanto a defender sei lá quem, imagino que vc esteja falando do Túlio. Outro que eu nunca nem tinha ouvido falar antes do Lingerie Day... E com quem tive pouquíssimo contato depois. Portanto, desconheço sei lá que cargas d'água de concurso que ele promoveu sei lá quando.”

É você quem diz.

“Mas vc é o campeão das causas “Se vc não condenar ___ (insira aqui o que quiser: Irã, por exemplo), não pode falar de ___”, o que é um raciocínio tosco, pra dizer o mínimo.”

Hum. Não lembra aquele pessoal dizendo “fulano tem um programa de TV, defende a liberdade de expressão, então não pode processar (usar uma outra garantia constitucional)?

A diferença é que defender, ao mesmo tempo, o Irã e o direito das mulheres CONSTITUI contradição efetiva. Defender o estuprador de menores Roman Polanski (ou relativizar o que ele fez) e ao mesmo tempo dizer-se feminista É UMA CONTRADIÇÃO DOS DIABOS!

Mas não permitir que o Estado exerça censura e processar quem nos ofende NÃO É contraditório. É exatamente a determinação constitucional. Como disse: leia, vai ser bom para você.

“E, conhecendo o seu histórico de eternamente atribuir aos seus desafetos características distorcidas (por exemplo, quase sempre que vc me cita, fala que eu defendi o Sean Penn ter batido na Madonna — e que o defendi por causa da luta dele pelos direitos humanos! Eu nunca disse isso. Aquele meu post fala de perdão às celebridades, de quanto tempo dura alguma coisa errada que alguém famoso fez errado antes do público perdoá-lo, se é que o perdoa. É uma discussão. E eu pergunto se devemos boicotar Sean Penn 25 anos depois de ter batido na Madonna).”

Não, Lola. Eu falei do cara que estuprou uma menina de 13 anos, o cineasta Roman Polanski. Antes de você dizer – agora – que também nunca o defendeu, vale a leitura deste texto. Afinal, “há todo um contexto”.

Não diga que atribuí características distorcidas, ok? O texto está aí, há outros tantos. Ele ESTUPROU UMA GAROTA DE TREZE ANOS. Parece mais grave que fazer piada com amamentação. Mas não mereceu de você a mesma reprimenda.

Feminismo seletivo?

Em tempo: você me chamou de difamador (eu obviamente não sou nem nunca fui); você atribuiu a mim ofensas ao Lula que nunca falei. E diz que eu distorço características. Você é fera!

“Além disso, vc criou uns quadrinhos horrorosos só pra falar mal de mim e de outros desafetos. Eu sou ou era a feminazi, certo? Pelo menos ultimamente vc ficou com vergonha de usar feminazi, e passou a usar um absurdo femineuza, como se isso fosse menos ofensivo, como se vc fosse menos machista por causa disso.”

Eu sempre achei que “feminazi” fosse um termo do meu amigo Kid. Daí descobri que é coisa de um cara dos EUA. Acho o termo engraçado, e muitas feministas que não vêem o gênero masculino como inimigo riem disso. As outras, não.

E obrigado por acompanhar tão assiduamente meu trabalho nas mais diversas mídias. Tenho sido relaxado quanto à recíproca, já que só leio seu blog quando acontecem essas papagaiadas.

Ah, os quadrinhos! Não, não era vc. Embora exista subsídio para material quadrinístico de humor, ainda assim não a usaria como musa. Juro.

“Enfim. É ridícula a sua obsessão por mim, Gravataí. Vc tem a sua turminha. Fique com ela”

“Minha” obsessão? Vixi...

Mas, ok. Ficarei aqui com minha turminha. E, se houver mesmo o processo e você precisar de umas dicas, estou à disposição para ajudá-la (a menos que ele me contrate primeiro, aí é antiético). Boa sorte!

***

ps: nem revisei, agora é a vez de vocês acharem aqueles errinhos pra gente fazer piada depois :D

pps: deixo a vocês esta bela canção:


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transubstanciado por gravata às 03.06.11 | 4 comentários



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Comentários:


Comentário de: Alex

Pô cara, Depois de ler isso, me pergunto: Como é que ela tem um blog? Ou melhor, ela realmente deveria escrever alguma coisa que não fosse a assinatura no boleto do cartão?

Tenho medo de pessoas assim! Pra partir para as vias de fato é só questão de tempo.

btw, graaaande texto!

PermalinkPermalink 03.06.11 @ 20:06



Comentário de: Srta.T

Ai gente, eu tô rindo tanto, mas rindo com culpa, sabe? Como se tivesse achado graça de um tombo de algum maratonista das paraolimpíadas. Por Javé, como a Lola é burra!

PermalinkPermalink 03.06.11 @ 23:20



Comentário de: Letícia Coelho · http://twitter.com/Leticia_LCoelho

É... Eu também não sabia que processar ou mesmo dizer que vai processar uma pessoa por se sentir ofendido, era censura ou feria a liberdade de expressão. Bá, alguém precisa criar um tutorial pq alguns se atrapalham.
Se for levar ao pé da letra esse lance de que é possível falar o que se quer ou mesmo escrever sem se preocupar com processo, o Ministério Público está errado em processar Mayara Petruso...Daí eu não entendo o conceito de liberdade de expressão que a Lola se refere.
Enfim, gostei do teu primeiro texto sobre o assunto e das respostas ao comentário.
Abraço




PermalinkPermalink 04.06.11 @ 00:02



Comentário de: Igor

Acho que grande parte das discussões idiotas poderiam ser evitadas se as pessoas estivessem dispostas a aceitar a possibilidade de que, talvez, elas errem de vez em quando.

Errar, todos erramos. Insistir em defender a cagada a qualquer custo, aí sim é burrice.

Será que não dava pra ela aproveitar a oportunidade de ficar calada? Tinha que se sair com os argumentos mais pífios? Tinha que sempre que possível partir pro ataque pessoal?

Porra, tem mais "vc, vc, vc" no comentário dela do que na música da mulher melão.

PermalinkPermalink 04.06.11 @ 00:28



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