TELETRABALHO: LUCRO PRA EMPRESAS E SOLUÇÃO PRA VÁRIOS PROBLEMAS URBANOS
10/03/2011
TELETRABALHO: LUCRO PRA EMPRESAS E SOLUÇÃO PRA VÁRIOS PROBLEMAS URBANOS

O teletrabalho sempre foi tema restrito à faculdade de Direito, especialmente na pós (a minha, p.ex., foi em direito empresarial). Em suma: trabalho à distância (com ou sem obrigações quanto ao horário), mas ainda sim havendo subordinação e, portanto, vínculo empregatício. Em tese, parece algo ótimo - e eu acho algo fantástico -, mas no mundo real ele é pouco aplicado (razões geralmente de costume).
Empresariado: Resistência e Benefícios
A presença física, com a tecnologia atual, é desnecessária até mesmo em reuniões (para quem entende de coisas tecnológicas, isso está longe de ser uma novidade). Os empresários e gestores privados, porém, ainda não aceitam adotar o teletrabalho.
Isso porque há benefícios diretos evidentes, e um bom gestor, convenhamos, sabe fiscalizar a produtividade de sua empresa ou setor sem que seja preciso OLHAR PARA A CARA do subordinado. As tarefas desempenhadas nas empresas, hoje, são em sua maioria atreladas a demandas específicas, não ao "tempo de trabalho"; e também não exigem a presença do trabalhador (praticamente tudo é entregue por meios eletromagnéticos ou toda sorte de remessas).
A presença de empregados no prédio de uma empresa gera aumentos substanciais nos gastos. Dos mais óbvios como eletricidade e água, até outros nem sempre pensados, como custos em terceirização que seriam imediatamente reduzidos - tudo proporcional à redução do espaço físico de uma empresa (limpeza e segurança, p.ex., não precisarão de tanta gente).
Mas todos os empresários sabem disso, resistindo ainda ao teletrabalho por razões quase sempre culturais. Nesse caso, seria preciso haver estímulos governametais - tópico final deste texto -, que são justificados diante das vantagens que o próprio governo teria com essa migração de sistema laboral.
Benefícios ao Governo e à População
De toda a força de trabalho de uma metrópole, quantos não precisam necessariamente estar presentes, fisicamente, em seus respectivos postos. Quantos cargos e funções podem ser exercidos sem a presença física do trabalhador? O número é altíssimo.
A implementação desse sistema culminaria em redução brusca no tráfego de veículos, causando impacto positivo até mesmo (ou talvez principalmente) no meio-ambiente. Mas também, por matemática simples, diminuiria o número de acidentes de trânsito (inclusive os fatais), gastos com manutenção de vias públicas, gastos com fiscalização, resgate etc.
Os usuários de transportes públicos também seriam beneficiados, pois o grupo dos beneficiados pela possibilidade do teletrabalho não é composto apenas de motoristas de automóveis. Menos ônibus = menos subsídios. Menos gente no metrô = mais conforto, menos atrasos.
Os gastos com saúde pública também diminuiriam sobremaneira - tanto aqueles ligados diretamente a causas do trânsito, quanto problemas respiratórios colaterais (entre muitos e muitos outros).
Para governo e população, portanto, só haveria benefícios diante de uma adoção considerável do sistema de teletrabalho. Exatamente diante dessa constatação, portanto, tal mudança poderia ser iniciada pelos próprios governantes.
Estímulo às Empresas
Simplesmente "proibir" determinado grupo ou categoria de trabalhar no espaço físico da empresa é burrice. Isso porque a metodologia da 'proibição' nunca deu resultados satisfatórios, ao contrário das políticas de estímulo. E o poder público, em todas suas esferas, tem a melhor e mais poderosa 'arma' para estimular o empresário: impostos.
Suponhamos - e aqui inventei um método, mas há milhões - uma redução de alíquota a partir de um percentual dos empregados em sistema de teletrabalho (sei lá, chutando aqui), algo como uma redução de 2% de IPTU (ou qualquer outro tributo que recaia pesadamente sobre a empresa) a cada transferência de 10% dos empregados para o teletrabalho (com um teto matematicamente óbvio de 20% de redução tributária - hipótese em que TODOS os empregados estariam fora da empresa, quase uma impossibilidade - aliás, me avisem se errei na conta).
Economia
Primeiro, vale falar das contas públicas. Reduzir tributos muitas vezes é visto com muitas reservas por analistas de finanças estatais, mas a verdade é que não se trata de uma ISENÇÃO TOTAL, mas restrita a um grupo X de empresas e, também, PROPORCIONAL.
E também há proporção direta entre redução e diminuição de gastos públicos nas partes diretamente beneficiadas pela adoção maciça do teletrabalho (como já dito): manutenção de vias públicas, subsídio a transportes coletivos, gastos com pessoal de fiscalização e resgate, hospitais públicos etc. etc. etc.
Além disso, a empresa que paga menos impostos tem condições de empregar mais, investir mais e, nesse sentido, há como efeito colateral também um recolhimento tributário mais disperso (mais ISS, entre outros, quando há aumento de consumo e acesso a bens e serviços).
Ainda quanto ao aspecto econômico, podem alegar redução drástica em setores como o de restaurantes (menos gente nas empresas, menos clientes nos estabelecimentos das redondezas). Mas é conta burra. Isso porque haverá mais gente em casa, com tais gastos repassados a mercearias, supermercados e restaurantes próximos da residência - ou alguém supõe que o trabalhador DEIXARÁ de alimentar-se?
Enfim
Há alguns pontos negativos, também, quanto à idéia de depressão acerca de trabalhar em casa, mas esse argumento é facilmente anulável não apenas diante do sem-número de acidentes havidos nos espaços físicos das empresas, mas também pelo estresse que acomete os que realizam trabalho presencial.
Sempre haverá algum tipo de doença relacionada a qualquer atividade. Não existe fórmula mágica para ELIMINAR, mas talvez seja possível reduzir - lembrando também dos acidentes de trânsito e da melhoria no ar.
E é essa minha idéia. Não bem MINHA idéia, pois teletrabalho já existe, mas, digamos, análise de alguns outros aspectos e, mais ainda, uma torcida para sua adoção generalizada.
ps. - se alguém quiser estudar o teletrabalho de forma mais aprofundada, o TST (Tribunal Superior do Trabalho) dispõe em seu site uma bibliografia sobre o tema.
pps. - claro que isso não talvez não fizesse a MENOR diferença para algumas empresas, quais sejam: as que NÃO REGISTRAM empregados, mas mantêm aquela bobagem (ilegal) de "prestador de serviço", mesmo quando o sujeito está lá todo dia e tem chefe...
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transubstanciado por gravata às 10.03.11 | 17 comentários
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Comentários:
Principalmente na parte de criação de sites (layout)
Abraços
(Gravz: A melhor forma de combater o trânsito é, sim, diminuí-lo e, para tanto, é preciso que menos gente saia de carro. Isso jamais deve ser uma IMPOSIÇÃO, mas sim resultado de políticas diversas. Essa, do teletrabalho, é uma entre tantas. A quantidade de pessoas que fazem o trecho casa-trabalho diariamente e SOZINHAS num automóvel é absurda)
As brincadeiras acima, como visto, facilmente pode ser realizar em casa, até mesmo no banheiro.
(Gravz: Trabalhos de verdade vc diz algo como ESTIVADOR? Aí sim, de fato, nã dá. Motoristas também não conseguirão trabalhar de casa. Mas boa parte de uma grande empresa é composta de empregados que NÃO PRECISAM da presença física)
http://www.youtube.com/watch?v=r40bv-4sINA
De nada adianta a prefeitura incentivar se a legislaçao federal, CLT etc, ainda estão paradas na época de Getulio Vargas.
Não acho que seja jogar a toalha e não sair de casa como comentário, apenas um rebalanceamento natural. E um teletrabalhador não precisa morar perto do trabalho, muda preços relativos de imóveis, tudo. Morar em Jundiaí e trabalhar pra uma empresa em SP é totalmente viável.
Basicamente, o post é assim:
1- Existe determinado método que aumenta os lucros das empresas e é bom para todo mundo.
2- As empresas, infelizmente, são burras o suficiente para não adotá-lo (apesar de ser bastante óbvio, PARA QUEM NÃO TEM NENHUMA EMPRESA, que este método é maravilhoso e alavancaria absurdamente os lucros das empresas).
3- Assim, deve-se utilizar o leite de pata do governo (não é de ninguém, não é mesmo?) para incentivar as empresas a adotarem tal método.
Desculpem-me os advogados, mas se as empresas não adotam, elas devem ter seus motivos (e falar em cultura não vale. Deve-se explicitar muito bem o que isto significa). Daí também porque, se alguém quer conhecer mais de teoria organizacional, não deve ir à bibliografia do tribunal citado no post.
Saudações
Eu faço teletrabalho sempre que possível, acho ótimo, mas ainda temos dois problemas sérios:
1) Legislação - você já viu a nova regra de ponto? como isso funciona no mundo virtual?
2) cultural - gerenciar uma operação virtual exige que as pessoas sejam cobradas e avaliadas por desempenho, o que infelizmente é raro no Brasil. A virtualização do ambiente diminui o espaço para politicagem e aumenta a obrigação de entregáveis e tarefas concretas. Poucas organizações brasileiras hoje estão preparadas para isso - o chefe que cobra isso é um tirano e quase todos os seus funcionários estão hoje estudando para concurso.
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