PATETICE MASCULINA: O BANDO DE BALADEIRO

16/11/2010

PATETICE MASCULINA: O BANDO DE BALADEIRO

Neste último sábado, comemorei meu aniversário e o fiz numa casa de shows, o Comitê Club. A festa foi memorável, divertimo-nos sobremodo, tive a chance de conhecer a maravilhosa banda Seu Chico e de fato não tenho do que reclamar. Ou melhor: tenho. Os rapazes da nova geração estão fazendo uma coisa errada, mas muito errada.

Não se deve sair de turma. E falo aqui, é claro, das TURMAS DE HOMENS. Muito embora as razões sejam óbvias demais para que as explique, os bandos são inúmeros a ponto de me ver obrigado a explicá-las. Adiante.

O objetivo do homem heterossexual numa festa (ou 'balada', como queiram) é o sexo, a cópula, a ENFURNAÇÃO DO ROBALO. Todo o mais é meramente acessório - como, vá lá, divertir-se, beber, conversar ou até mesmo ver alguns amigos. Se você não abrigou o colibri, você falhou miseravelmente em sua noite. E, se você saiu em uma turma de dez machos (sabe-se lá como conseguem tal façanha num único veículo automotor), a chance de chafurdar a manjuba é praticamente nula.

Muitos, triste e lamentavelmente, fazem isso.

A coisa já começa na matemática. Ao chegar em cinco ou dez caboclos, vocês todos prejudicam a relação candidato/vaga, detonando todo um ECOSSISTEMA. Estão ali, vamos supor, cinqüenta garotas e quarenta rapazes. Com a chegada de mais dez palermas a até então supremacia feminina passa para um empate técnico. Mas não é só isso, como sabemos. Logo chegam mais dez, e dez, e dez e assim até a mais inaceitável baranga se transforma em verdadeira PEDRA PRECIOSA (entramos nas regras de mercado e economia).

O ambiente se torna desfavorável para qualquer tipo de negociação. A feia se torna disputada, a bonitinha passa a ser uma beldade e a quase-linda não quer papo com ninguém, exceto se um galã de telenovela sugerir casamento. E nem é só isso: VOCÊS VIERAM TODOS NO MESMO CARRO, SUAS ANTAS! Como será a logística para depois levá-las para qualquer outro lugar? Já foi quase impossível apertar todo mundo no Monza Classic, imagine colocar OUTRAS oito (claro que só os dois bonitinhos pegarão alguém, isso é apenas uma suposição teórica).

Um outro pormenor desagradabilíssimo são as brigas, geradas quase sempre pelos que percebem a hostilidade do ambiente e resolvem afogar as mágoas da rejeição na cajibrina, voltando para a pista já calibrados e pouco afeitos a ouvir "não" como resposta - e também não exatamente dando bola para detalhes como "garotas acompanhadas". É aí que o couro come, como estamos cansados de saber.

Sim, sei como são as coisas, alguns amigos ficam chateados quando não vão para esses lugares. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Vai jogar bola? O esporte precisa de um determinado número de pessoas. Vai sair para tentar futucar a taturana? O contingente é sempre mais reduzido. E eles SEGURAMENTE VÃO ENTENDER - se não entendem, o problema é deles, não seu. Quer sair para bater papo? Vá para um bar no domingo à tarde, pronto. Chegar em vinte numa casa noturna é simplesmente IMPLORAR PARA NÃO COMER NINGUÉM.

Sabe o que é MAIS INEXPLICAVELMENTE FODA? Vocês vão ao trabalho todo dia cada um num único carro, poluindo a cidade, mas para a noite, na hora da diversão e de tentar assinalar o tento, colocam trinta marmanjos num único carro. NÃO DEVERIA SER O CONTRÁRIO?

Pensem nisso. Sejam solidários no dia-a-dia, pegando caronas para trabalhar, quando ninguém precisa fazer fordunço, mesmo. Mas, na hora do reco-reco, saia com no máximo mais um amigo. É uma troca justa para seu lazer e, veja só!, também para o meio-ambiente.

Transmita esse ensinamento para toda a nova geração.


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transubstanciado por gravata às 16.11.10 | 14 comentários



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Comentários:


Comentário de: @arashida

É isso, porra!

PermalinkPermalink 16.11.10 @ 18:34



Comentário de: Vinicius Duarte · http://comfelelimao.wordpress.com

Há um aspecto a ser considerado neste caso: em geral, homem que sai de bando pra balada é daquele tipo que já perdeu antes do jogo começar, ou seja, tem absoluta certeza de que não enfurnará o robalo nem que seja o último homem vivo na festa.

PermalinkPermalink 16.11.10 @ 18:55



Comentário de: @Angel_Azevedo

É por isso que eu sempre saio com MEU carro...ultimamente a macharada vive a pé, Deus me livre!!!!
Ótimo texto, parabéns!!!

PermalinkPermalink 16.11.10 @ 19:41



Comentário de: Marília Amaral

"enfurnação do robalo"
"abrigar o colibri"
"chafurdar a manjuba"
"futucar a taturana"

E mais algumas noções de ecossistema e Economia... Tive uma crise de riso aqui!!!

Beijos, ó Merengue! =) Ah, e meus parabéns pelo seu aniversário! Te desejo muita saúde e felicidades! Atrasada, mas vá lá...

PermalinkPermalink 16.11.10 @ 19:49



Comentário de: rayssa gon · http://presencadapeste.blogspot.com

eu realmente admiro caras como vc.

vc entende os principios basicos de funcionamento das dinamicas sociais mais simples e mediocres. sabe exatamente como responder a eles de modo a conseguir o que quer.

e não se importa, at all, por ser uma pessoa tão comum e ordinaria. e não faz questão nenhum de esconder isso mas, pelo contrario, tenta sinceramente divulgar essas leis gerais.

pode parecer ironico, e não deixa de ser apenas um pouco, porem eu te dou meus parabens. vc tem o q eu chamo de integridade, e isso, cara, é q é artigo raro.

PermalinkPermalink 16.11.10 @ 23:00



Comentário de: Cianaly (@cianaly)

Para embasar ainda mais seus argumentos, aí vai a visão feminina sobre os caras que saem em bando:

1º O concorda-se em ir pra outro lugar com o cara (um dos bonitinhos!)
2º O cara pede um minuto
3º Vai lá e cochicha algo com o amigo
4º Saem
5º Quando tá lá no rala-e-rola, o cara vira e diz: "a gente precisa voltar, porque estou no carro do meu amigo, que ficou me esperando, junto com os outros".
6º A garota, com cara de paisagem: "claro!"

É isso que acontece na maioria esmagadora das vezes!

PermalinkPermalink 17.11.10 @ 14:53



Comentário de: Luisa Maria

O lance de ir a "macharada" toda num carro só, é pra poder encher a cara na balada. Quer dizer, não podem beber e dirigir, certo? Então pegam um pra cristo, ops, pra motorista e é isso. Se, por um grande lance de sorte, algum se der bem, pega um táxi.

Pelo menos, acho que a idéia é essa aí. Mas pode ser só falta de sagacidade mesmo (hehe). Ou de carro.

Ah, e feliz aniversário atrasado!
Abçs!

PermalinkPermalink 17.11.10 @ 17:16



Comentário de: Chesterton

Mais didático que isso, não tem.

PermalinkPermalink 17.11.10 @ 17:52



Comentário de: Leandro sartori

Esqueceu de mencionar aqueles amigos que são zerados por natureza e que ao sairem em bando são os primeiros a queimar a largada.

PermalinkPermalink 17.11.10 @ 18:12



Comentário de: BragaMatta · http://www.twitter.com/BragaMatta

Devia ficar calado... tá aumentando minha concorrência agora!


Rá!

PermalinkPermalink 17.11.10 @ 19:51



Comentário de: Vitor

Eu não tenho carro, então já começo perdendo o jogo. Mas nunca saio "de galera", que um fura o olho do outro e acaba todo mundo sem nada.

Mas o macete é arranjar uma gata com carro, ou então, vamos de táxi!

Isso quando a caçada dá certo, o que confesso, tá longe de ser 100% das vezes!

PermalinkPermalink 18.11.10 @ 09:29



Comentário de: Flávia

Perfeito o texto. Didática excelente! rs. Dei muita risada lembrando do meu tempo de baladeira e vendo o que acontece ainda hoje! rsrs
Ah sim, parabéns e felicidades pelo aniversário! Beijos!

PermalinkPermalink 22.11.10 @ 17:12



Comentário de: Luiz

É, não existe lei seca no brasil mesmo. Cada um sai com seu carro.

PermalinkPermalink 25.11.10 @ 10:24



Comentário de: Ane Bason · http://gatth3.wordpress.com/

Generoso de sua parte ensinar a concorrência.
#achodigno
Saudades de ti...

PermalinkPermalink 01.12.10 @ 15:31



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