AS PUTAS NÃO SÃO PUTAS
05/10/2010
AS PUTAS NÃO SÃO PUTAS
Pois é, não são. Sim, são prostitutas e fazem programa, exigindo uma grana e havendo contraprestação de natureza sexual. Usei esse eufemismo porque, de fato, é tudo muito técnico. As prostitutas quase sempre não gostam de trepar. Daí, portanto, não serem "putas", naquele sentido meio safado e até mesmo gostoso. São profissionais.
Digo isso por causa de uma fantasia muito recorrente: as garotas que têm vontade de fazer strip, passear por um puteiro, não apenas conhecendo, mas talvez seduzindo e até mesmo - ok, vamos falar a verdade - fazendo um programa. Acreditem: não há glamour. Talvez saibam disso, mas o pior é que não há prazer na parte delas. Muitas estão sob efeito de drogas ou são até mesmo lésbicas. Profissionais, mesmo.
Trata-se, portanto, de um sexo burocrático, geralmente procurado (com freqüência) por moleques naquela fase de farra e descobertas ou os de meia-idade que não têm lá grandes opções - mesmo fora da li, se quiserem enfurnar o robalo numa gostosona, dificilmente não haverá certo liame financeiro na parada.
Mas, no fim das contas, claro que puteiro é um lugar legal, a começar pela hipocrisia. Afinal, TODOS sabem o que fazem e onde ficam, apesar de ilegais. É um retrato interessante do Brasil, somando-se a isso a obviedade do que ocorre por ali: fordunço. É a brasilidade, um pouco menos interessante exatamente por conta da burocracia em detrimento de um prazer sincero, o "suborno" subvertendo a autenticidade do gozo - ou talvez, por isso mesmo, algo ainda mais "brasileiro".
Volto à fantasia de algumas mulheres. Há um erro aí quando dizem querer ser "putas", ao fazer referência às prostitutas. O que desejam, seguramente, é uma coisa inexistente - como um menino desejar ser jogador de futebol pensando em levantar um troféu mundial, e não no banco de reservas de um time do interior. Mas fantasias, no fim, são isso. Busca-se o sonho e a delícia, não a verdade e a dor - e quase nunca são realizadas.
Talvez tudo isso fosse diferente se a prostituição fosse regulamentada não apenas como atividade "não ilegal" (isso ela já é), mas com a possibilidade de ser exercida da maneira já existente, apenas sem a hipocrisia das autoridades. Mais ainda: com a possibilidade de mulheres também freqüentarem ambientes sexualmente permissivos; hoje, no máximo, vão a casas de swing.
Arrisco dizer que, com isso, a burocracia sexual diminua consideravelmente, na mesma proporção em que diminuiriam as fantasias de "ser puta". Até mesmo acho que os puteiros, ao contrário das drogas, perderiam a graça com eventual legalização generalizada. Assim como as bebidas deixariam de ter aqueles preços fora do surrealismo (dose de uísque nacional a R$ 50, p.ex.).
Mas isso tudo são ilações; tergiverso. Reitero: putas não são putas como algumas talvez suponham. E, se querem saber, elas trepam mal pra caramba. Aposto que vocês, queridas leitoras (salvo exções), dariam aulas às "profissionais" - elas só têm esse título porque exigem dinheiro em troca do que fazem. Sim, é isso mesmo: putas (prostitutas) são geralmente uma merda no sexo.
Quem é bom no que faz é porque faz com prazer.
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transubstanciado por gravata às 05.10.10 | 4 comentários
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Comentários:
O bom sexo é quando todas as pessoas envolvidas realmente buscam o prazer.
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