"SOCIAL MEDIA" É MAIS SOBRE PESSOAS E MENOS SOBRE TECNOLOGIA

28/09/2010

"SOCIAL MEDIA" É MAIS SOBRE PESSOAS E MENOS SOBRE TECNOLOGIA


(*) - Legenda da imagem

Eu não entendo nada de "social media", o que me torna alguém apto para discutir o assunto, já que praticamente ninguém entende nada sobre o tema, mesmo boa parte dos que se proclamam (eles diriam "se autoproclamam": adoram esse pleonasmo reflexivo) especialistas.

Como também não domino o tema, deixo aqui minhas bobagens para rebater as demais vigentes. Vamos lá...

Aparentemente, há uma pressa no domínio de tecnologias, seus funcionamentos etc., e ao mesmo tempo, curiosamente, um interesse cada vez menor nas reações das pessoas, na psicologia ou mesmo comportamento coletivo. Se "rede social" é "rede coletiva", portanto, "rede de pessoas", não seria razoável estudar e entender como essas pessoas se comportam (individual e coletivamente)?

Muitas atitudes de especialistas, e várias campanhas, apontam em sentidos opostos. Exploram tecnologias, mas ignoram as pessoas; aderem a novidades, mas esquecem os indivíduos (ou grupos). Se tudo dá errado, há sempre aquela velha carta na manga: ninguém entendeu. O inferno são os outros, não é mesmo?

Mas não importa qual a modalidade ou meio pelo qual se faz uma propaganda, o objetivo é sempre vender ou tornar conhecido determinado produto ou marca. O publicitário (de novo: independentemente do meio) é um intermediário, é uma espécie de "vendedor". Alguns especialistas na tal "social media", porém, têm se transformado em uma mistura de mestres acadêmicos, estrelas disputadas e... TAMBÉM VEICULADORES. É claro que não existe a menor possibilidade disso ser levado a sério e, a longo prazo, dar certo.

Explico.

Mestres acadêmicos: cada qual, à sua maneira, tem teorias mirabolantes e professorais para coisas complexas como Tuíter, Orkut e afins;

Estrelas Disputadas: a depender do cargo ocupado nas agências, são bajulados e assediados em função dos prêmios bacaninhas e/ou verbas, além de ingressos e outros regalos. Claro que nem todos cedem a isso, mas alguns levam a sério e acreditam de fato em tais "poderes" do neo-estrelismo. Não sei se estou certo, mas parece que seria interessante destacar sempre O PRODUTO, não seu intermediário;

Veiculadores: aí entra aquela coisa do Brasil, em que traficante cheira, prostituta goza, goleiro é artilheiro e alguns publicitários de "social media", nas horas vagas, também trabalham como VEICULADORES DE CAMPANHA ALHEIA, sem que pareça conflitante - ganhando ou não brindes/cachê etc.

Mas esses são, por incrível que pareça, problemas menores. Sim, menores. A maior das enrascadas ainda se dá quando ignoram os fatores humanos e mantêm não apenas esses hábitos viciados, mas também a desatenção às pessoas e grupos.

Uma rede social, que é "rede de pessoas", funciona basicamente como uma grande turma totalmente interligada. O profissional, que DEPENDE dela profissionalmente, precisa ser discretíssimo com seus comentários, por mais que isso exija às vezes paciência de monge budista. Por quê? Simples: o destinatário de eventual ofensa cedo ou tarde as receberá. E, obviamente, não colaborará com alguma campanha.

Se um sujeito supostamente especialista não foi PROFISSIONAL o bastante e se deixou levar pela ira, a ponto de desferir ofensas, não faz o menor sentido exigir ponderação ou "profissionalismo" dos que estão numa rede social por puro lazer, farra etc. E essa é uma das grandes cagadas tuiterísticas. Se impera a brodagem nas campanhas, também existe o avesso disso nos deslizes cometidos pelos que trabalham na área.

Sejam sinceros: quem nunca ouviu um "é campanha de quem?" antes de responder a um pedido de RT ou coisa do tipo? Por quê? Porque "rede social" é rede de pessoas. E as pessoas são, sim, mesquinhas, vingativas, têm raiva - assim com são legais, bacanas, têm amigos (na hora de responder positivamente ao tal RT).

E por falar em tais pedidos (que esperam ser atendidos por camaradagem), cansei de ver e ouvir relatos engraçados. Pessoas dão unfollow e até block a torto e a direito (no Tuíter). Eu mesmo não ligo, acho normalíssimo; outros já ficam mais jururu. Mas é engraçado quando quem o faz são trabalhadores da tal "social media" que, semanas depois do "tô de mal", pedem algum tipo de ajuda em outra rede (geralmente Facebook). Depois do "block", pedem para "curtir" alguma marca da qual tomam conta. Piada, né? Mas acontece direto.

Enfim, não entendo disso. É provável que, no sentido técnico, só tenha falado besteira. Mas juro que a parte dos fatos é bem verdade. Também não sei até que ponto os produtos aumentaram ou deixaram de diminuir suas vendas depois de campanhas em tais "redes". Pode ser que tenham mesmo aumentado, sei lá, até hoje o cara da contabilidade não apareceu com esses números para corroborar ou contestar qualquer uma das teses.

Por isso, talvez, haja tantos especialistas. As métricas são todas intangíveis: número de cliques, visualizações, RTs e que tais. O topo dos Trending Topics mundiais do Twitter, hoje, é o Silas Malafaia. O vídeo mais visto do Tuíter de todos os tempos é um bebê que morde o dedo de um moleque. Mas, dizem, isso ainda está começando, é coisa pro futuro.

E o melhor de tudo é que essa ciência incipiente já tem até especialista. E sênior.

(*) - fiquei com vontade de colocar uma imagem, não sabia qual, aí pus essa da Monica Bellucci porque ela é muito linda.


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transubstanciado por gravata às 28.09.10 | 3 comentários



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Comentários:


Comentário de: André

Não posso opinar sobre o assunto social media. Não entendo um tostão.

Mas posso afirmar categoricamente: concordo totalmente com a escolha da foto para ilustrar o texto.

Linda.

PermalinkPermalink 28.09.10 @ 18:16



Comentário de: Dani

Tem muita, mais muita teoria acadêmica sobre redes sociais, e elas realmente são sobre pessoas, suas afinidades e relacionamentos. Os marketeiros ditos "mestres" estão a anos luz desse tipo de análise, eu vejo e me assusto com o amadorismo de certas coisas...

PermalinkPermalink 28.09.10 @ 19:14



Comentário de: Jezz

Quer se f* o tuiter e a "social media", eu quero uma Monica Bellucci para mim.

Já sou especialista e ignorar propagando, inclusive da "A fazenda" que aparece por aqui as vezes, com um pouco mais de treino vou conseguir ignorar por completo as do tuiter.

PermalinkPermalink 28.09.10 @ 20:54



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