A BERRINI É MUITO CAFONA
13/09/2010
A BERRINI É MUITO CAFONA
Se você é paulistano na faixa dos trinta e/ou mora aqui há pelo menos uns quinze anos, sabe do que estou falando. Talvez não concorde, mas terá noção do tema. Trata-se da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, paralela à Marginal Pinheiros (uns preferem Nações Unidas, pra fazer de conta que não existe um rio poluído ali).
São Paulo é a cidade onde nasci, mas não a amo ou odeio apenas por isso. Há coisas aqui absolutamente adoráveis e outras inequivocamente odiosas. A Berrini, na minha opinião, faz parte desse segundo grupo. É cafona, feia, planejada e desenvolvida num urbanismo neomalufista.
É, afinal, São Paulo querendo ser Dubai, com aqueles prédios de alta tecnologia e, ao mesmo tempo, o povo apressado para pegar os trens da linha 9 da CPTM, se apertando nos ônibus ou engarrafado em seus carros para ir ou voltar. Visivelmente, deu tudo errado. Ou, vá lá, deu certíssimo para quem criou esse tipo de coisa, já que é disso que gostam, aparentemente.
A "solução Berrini" não é uma novidade, já que há muitas décadas o centro financeiro/comercial migrou da região da Sé para a Avenida Paulista. É possível que, naquela época, também tenham achado uma porcaria. Como sou desta época, só posso falar de agora, e os chamados centros "velho" e "novo" (Sé e Paulista, respectivamente) têm sua dose de charme e decadência, mas não são páreo à cafonice sem tamanho da Berrini.
Passear pela região da Paulista é agradável a qualquer pessoa de qualquer turma, seja skatista, hippie, rico tradicional, moderninho, playboy, gay, lésbica, velho advogado, novo-rico, geek, militante político etc. E todos estão mesmo por lá. Livrarias, restaurantes caros, lanchonetes da moda, botecos zoados (ou que se fazem de zoados), casas noturnas badaladinhas, enfim, há uma concentração de lugares díspares em uma mesma vizinhança.
Talvez a Berrini possa vir a ser algo parecido daqui a vinte ou trinta anos, mas é um tempo longo demais, quase uma pena longa demais a ser cumprida para que aquela inóspita miniatura dos Emirados Árabes seja incorporada à vida da cidade. Por enquanto - e provavelmente por alguns longos anos -, é somente uma região feia e explorada pelo baixo preço para a construção daqueles prédios.
Um dos lados ruins desta cidade.
São Paulo, em suas soluções urbanísticas, muitas vezes lembra aquelas senhoras velhas riquíssimas que, em vez de fazer cirurgias plásticas tão-somente para amenizar pequenas marcas da idade, resolvem colocar peitões cinematográficos ou fazer de conta que têm ainda 30 anos.
E o pior é que a cidade nem mesmo é riquíssima como as tais velhas, mas é idêntica no ridículo.
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transubstanciado por gravata às 13.09.10 | 2 comentários
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