ELEIÇÕES: FAMOSOS, INFAMES E VOTO DE OPINIÃO
16/08/2010
ELEIÇÕES: FAMOSOS, INFAMES E VOTO DE OPINIÃO
Hoje chegou email com o registro da candidatura de Tiririca, mas não precisaria da mensagem porque há tempos alguns de seus bordões circulam pela web. Não sou entusiasta desse tipo de candidatura, embalada na fama e que confunde platéia e eleitorado. Mas cabe uma reflexão não exatamente complexa: e quem mete o pau nessa turma para, em seguida, votar no Maluf ou num corrupto notório?
Sim, eu sei, não há apenas essas duas opções. Os partidos tomam cuidado nas candidaturas para o Poder Executivo, deixando a "festança" para os cargos legislativos. Ainda assim, até mesmo diante da fartura de candidatos, é possível escolher com cautela e sem essa de "cruz ou caldeirinha". O que não pode, evidentemente, é condenar um palhaço declarado para colocar no Congresso um safardana velho de guerra.
Apóio parte da gritaria contra a profusão de "famosos", mas não consigo entender a tolerância, nesse silêncio complacente, diante das vitórias sucessivas dos "infames". Concordo que o eleitorado não deva ser tratado como fã-clube, mas também não deve ser feito de curral eterno. E há, sim, opção a isso. Sempre houve, na verdade, e é tal Voto de Opinião, desmoralizado há um tempo diante de tantos escândalos, mas que não pode ser abandonado, sob pena de, assim, entregarmos os pontos aos que pretendem vencer essa parada - e os derrotados aí seremos todos nós.
Uma das bases do negócio é a informação equivocada. Candidatos ao Legislativo, por óbvio, vão legislar, além e fiscalizar o Executivo. Não vão, por exemplo, estabelecer políticas públicas, de modo que são imbecis as promessas em favor de "saúde, saneamento básico, moradia" e quejandos. Isso compete à Administração Pública que tem em mãos orçamento para investir em tais áreas.
No mesmo sentido, os candidatos ao Executivo até dão suas opiniões sobre questões estritamente legislativas como legalização do aborto, casamento gay e que tais, e isso é interessante do ponto de vista ideológico, mas são matérias para o Congresso - e nos interessa saber o que pensam os candidatos aos governos ou Presidência apenas para, no máximo, ter idéia de como orientariam suas bancadas.
Mas vocês sabem o que pensam ou pretendem seus candidatos ao legislativo sobre isso tudo? Que tipo de LEI vocês gostariam de ver aprovada? Quais legislações vocês gostariam de ver modificadas? A única forma de resolver isso é escolhendo um candidato cujas idéias sejam parecidas com as suas - e fiscalizando sua atuação depois de eleito.
Claro que, sozinho, ele não fará coisa alguma, mas seu voto assim não seria desperdiçado. E, sim, também sei que a grande maioria do eleitorado acaba votando sem qualquer noção de poderes, funções, atribuições, direitos ou deveres.
É imperdoável, porém, que os mais informados e mais bem formados não tenham esse tipo de cuidado antes de escolher em quem depositar seu voto. Depois não adianta correr abaixo-assinado ou tentar emplacar alguma hashtag rebelde.
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transubstanciado por gravata às 16.08.10 | 3 comentários
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Comentários:
Concordo com seu argumento, mas acho que no final das contas as pessoas que votam nesses "famosos" só estão deixando de votar nulo.
(Gravz: Sim, sim. O Orçamento é uma lei a ser votada, como qualquer outra lei - nesse caso, apresentada pelo governo. Mas isso das emendas e 'remendos', como sabemos, é questão atrelada às alianças e capacidade de um governo de ceder ou não às pressões dos parlamentares e/ou ao fisiologismo. Reitero, portanto, a preponderância do Executivo nesse tema, mesmo e sobretudo quando vai para votação no Congresso)
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