LIMITES PARA A TROLLAGEM?
11/08/2010
LIMITES PARA A TROLLAGEM?
O termo "troll" muitas vezes é um coringa para escapar de maiores embaraços ou mesmo para fugir da realidade (como falei aqui), mas não é totalmente inadequado em qualquer ocasião. Qualquer um pode muito bem dar uma 'trollada', que é o nome dado genericamente às brincadeiras e gozações feitas via web. Não sei quem inventou isso, mas é assim que chamam o negócio. E o nome pegou.
É preciso haver limite nisso? Creio que sim. E dificilmente alguém discordaria, porque tudo na vida, num mundo civilizado, é norteado por alguns limites razoáveis. O problema está em estabelecê-los, principalmente nas ocasiões em que a grita sobre eventual ruptura parte de quem já os rompeu há tempos.
E isso é fácil demonstrar, mas convém narrar os fatos para ilustrar de forma mais razoável.
No dia da tal #trollagemdobem (que obviamente NÃO foi uma trollagem, embora meia dúzia de pangarés resolvessem fazer análise semântica), uma boa turma xingou pesadamente a noiva do Izzynobre. Antes disso, o vídeo do casamento do Marcel (bqeg) foi objeto de escárnio. Ontem, foi a vez da minha mãe. A falecida mãe do Morroida também já entrou na dança dos xingamentos (1º lingerieday).
Não pára por aí.
Um problogger tem como emprego e empresa seu próprio blog e, diuturnamente, esse mesmo blog pode ser detonado no tuíter sem que haja qualquer reclamação de que estejam "apelando". O Felipe Neto - posso citar seu nome tranquilamente, pois é meu amigo - tem como principal fonte de renda seu 'vlog' e, da mesma maneira, pode ter seu ganha-pão massacrado pela turminha, sem que digam ser 'apelativo' tal ataque.
É do jogo? Ok, ora, é do jogo! Então vamoquevamo, pô!
Ontem, falei da possibilidade de 'trollar' qualquer campanha promovida pela agência na qual trabalha um dos que estavam atacando e, curiosamente, fui rechaçado porque, nesse caso, seria "apelar". Na hora até fiquei mesmo meio preocupado, mas depois pensei melhor. Como assim "apelar"?
Vale xingar família, noiva, mãe, casamento e o cacete a quatro. Quando não se respeita a atividade realizada por um adversário, vale detonar o emprego do caboclo - sob o risco óbvio de lhe provocar prejuízos. Mas NÃO PODE bagunçar o coreto de uma campanha online, dessas evidentemente públicas? Qual é a desculpa? O cara é "amigo"?
Já pensaram se o Felipe Neto, com seus quase 500 mil seguidores, resolve colocar um "CALA BOCA XXXX" (marca cliente) a cada nova campanha online dos social-media que ficam detonando o cara? Ou se os blogueiros sempre zoados começam a fazer o mesmo? Sim, JÁ pensaram. E foi ontem. Daí, acharam ruim e disseram que isso seria "apelar". Até então, valia tudo.
Para todos os efeitos, deixo a reflexão a vocês e, agora, conto uma história um pouco mais complicada.
Trollagem x Crime
Marcel, do Byte Que eu Gosto, fez uma consulta jurídica comigo, há uma semana e também ontem, sobre comentários recebidos em seu blog. Na primeira, era um IP identificando-se como alguém da Rede Globo e, ontem, revelou que o mesmo IP se identificava como de um Delegado de Polícia.
É crime.
No caso da Rede Globo, a parte criminal é de fato menor e mais complexa, pois poderiam alegar apenas uma brincadeira, embora ele teria todos os subsídios para um processo civil, já que havia inequívoca tentativa de ludibriá-lo. Mas, ao passar-se por Delegado de Polícia, o comentarista realmente passou de todos os limites, pois não apenas tentou novamente aplicar tal golpe, como incorreu agora nos crimes correlatos.
O caso, por óbvio, será levado adiante e até agora sabemos apenas que o IP é de São Paulo. Se for residencial, será talvez menos problemático, mas já imaginaram se for de uma empresa?
No fim das contas, nunca existiu nem existirá troll "do bem" x "do mal". Há o inteligente e o burro. Como em tudo na vida.
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transubstanciado por gravata às 11.08.10 | 10 comentários
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Comentários:
Ai a gente revida e zoa o trabalho de estagiário dos caras: AI É SACANAGEM!
(Gravz: Ótimo. Não sei você, mas seu sou advogado. Hoje o sujeito IMPLOROU para o Marcel tentar deixar isso de lado, e agora vem você fazer esse "desafio"? Isso, de certa forma, prova que o caso não era de tão boa-fé assim. Vamos ver se o juiz vai rir, mesmo. Não aceitamos acordo algum, é ação judicial, penal e civil. Não existe "trollada" se passando por Delegado, e quem acha que sim, desculpe, deveria rasgar o diploma. Vá sim para a audiência, será um prazer conhecê-lo. Por enquanto, só o conheço de apelido e IP)
Ah, e meu, para com esse negocio de IP, IP, IP, você parece um protagonista de filme de "h4cK3Rz" dos anos 80/90.
(Gravz: Nada, entendeu errado. Sou consultor jurídico, trabalho com empresas, não tenho nada a ver com isso. O Marcel, por ser meu amigo, fez uma consulta rápida e passei as idéias principais. Agora, como é normal, será encaminhado a ótimos advogados criminalistas, já com algumas orientações para como atuar. E também, na outra ponta, também ótimos advogados cíveis, cada qual em sua competência para gerir os procesos respectivos. Uns fazem piada, outros ganham dinheiro nas suas carreiras. Abração, amg)
Um detalhe no texto: você está mesmo comparando o trabalho de um blogueiro ou vlogueiro, que é seu próprio patrão e cliente, além de viver de opinião pessoal (tanto a sua quanto a dos leitores) com o trabalho feito por um EMPREGADO, em uma EMPRESA para UM CLIENTE?
Repare que no primeiro caso, você está lidando direto com o responsável e que depende de suas atitudes para continuar desenvolvendo seu produto que vive desse BUZZ na internet.
Já no segundo caso, você está falando com o terceiro grau na escala, que fala por si próprio, não em nome de sua empresa, muito menos do cliente para o qual a empresa está prestando um serviço.
Vamos colocar na esfera da advocacia pra ficar mais inteligível:
Se você fosse um advogado criminalista e eu tivesse algo contra você, minha solução seria juntar uns amigos meus, ser juri de um caso seu e condenar o réu?
(Gravz: Não, não é o próprio "patrão e cliente". Não sou nenhum defensor dessas carreiras, mas a verdade precisa ser dita e não distorcida, né? Eles DEPENDEM de outros clientes, de anunciantes, de empresas que invistam etc. Se rola uma onda de ridicularização no Twitter, p.ex., algumas empresas podem se afastar. E, acredite, elas se afastam. Então é sofismático o discurso de que sejam "clientes e patrões". Não, não são. Os "social media" usam ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE as... REDES SOCIAIS para divulgar marcas, mas ao mesmo tempo usam as tais redes para sacanear uns e outros. Qual seria o impedimento dos sacaneados, vez por outra, bagunçar essas campanhas? É a questão proposta pelo texto. Responda a ela, e prosseguimos no debate. Abração, meu caro - a vc respondi sem sacanagem, pq é um cara que respeito, apesar das piadas feitas contra mim ontem ou anteontem, mas sei que é gente boa)
Quanto à comparação, que fiz entre um ser patrão e cliente, foi no sentido de prejudicar terceiros. Como eu disse, um blogueiro responde completamente por seus atos. Se fez alguma coisa que mereça revide, fez sabendo que sua imagem na internet É linkada ao seu ganha-pão (blogueiro/blog).
Agora, se de repente, um estagiário que faz seeding para uma campanha (seria o menor cargo em SM) arruma briga e o "adversário" sacaneia a campanha, rodam mais ou menos na sequência: Planejador, redator, agência e cliente. E convenhamos, prejuizo de uns 20 a 30 mil é maior que um post pago de 500 reais.
Agora, abandonando a comparação e voltando ao alvo da discussão. Um "Social Media" usa sim as Redes Sociais pra divulgar marcas e produtos, mas nunca com o próprio perfil, sempre com o do cliente(aliás, nem se rersume só a isso). Então, acredito que não caiba misturar as coisas.
Obrigado pela consideração.
Você sabe que vim aqui falar sobre a situação, porque também te respeito. Caso contrário, nem perderia meu tempo aqui esclarecendo nada.
Abraço.
(Gravz: Opa, estamos aqui para, além de tudo, refrescar memórias:
http://twitter.com/renatocamargo/status/20921688578
Voltando... De fato, há estragos maiores e menores e, quanto a isso, quem entra numa treta por livre e espontânea vontade precisa ter em mente o tamanho do seu telhado antes de fazer isso, né? Ninguém vai atrás de ninguém, a pessoa é que vai procurar porrada para, depois, sair de fina ou chegar a turma do deixa-disso dizendo que o cabra é café-com-leite. Desceu pro play? Agora segura a bronca)
(Gravz: Talvez mais gente, pois os leigos costumam achar que advocacia é algo grave. Não é. A menos que tenham o hábito de contratar advogados ruins para causas supostamente menores. Bobagem. Deve-se SEMPRE contratar advogados bons para qualquer coisa. E, nesse caso, não foi "brincadeira". Fingir-se DELEGADO DE POLÍCIA é crime, não "brincadeira". A intenção era "brincar"? Que isso seja explicado nos processos criminal e cível. Boa sorte)
Por exemplo, eu jamais confundiria os tweets do perfil @policiasurpresa com algo real. É obviamente uma brincadeira.
(Gravz: Os comentários não foram publicados por orientação jurídica. E, não, não são obviamente uma brincadeira. A conclusão de que isso é "obviamente brincadeira" é sua, e vocÊ é leigo no direito. Quando eu, advogado, emito opiniões sobre física quântica, geralmente falo coisas também equivocadas. Reitero a necessidade do tema ser discutido no foro adequado)
"Ai, o Bebeto tacou um ovo podre naquela velhinha que ia pra igreja, mas foi só uma brincadeira! Ele não fez por mal"
E depois Bebeto vira (como virou aliás, o caso é real) um fumeirinho safado e ninguém entende o porquê.
Fez merda? RESPONDA POR ISSO,Ó MEU GRANDE CARALHO!
(Gravz: Quando a "brincadeira" é prevista pelo Código Penal, ela não é mais 'brinks', é crime, mesmo)
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