BRASILEIRO NÃO GOSTA DE ESPORTE: GOSTA É DE GANHAR
25/07/2010
BRASILEIRO NÃO GOSTA DE ESPORTE: GOSTA É DE GANHAR
Sobre a "deixadinha" do Massa
Nossa brava gente odeia esporte. Odeia com todas as forças. O brasileiro tem notória repulsa pelas atividades esportivas e é muito fácil demonstrar esse axioma de nossos compatriotas. Porque gostamos, mesmo, é de ganhar. As atividades, por aqui, são modismos - e o tempo de duração corresponde ao período em que estamos ganhando.
Começam as derrotas, tudo perde a graça.
Corria o ano de 1992 e os 'meninos do vôlei', liderados por Marcelo Negrão, deram um show em Barcelona. Aquilo virou uma febre, mas uma febre tão grande que não apenas muita gente começou a praticar o esporte, mas curiosamente virou moda usar uma CAMISETA DO BANCO DO BRASIL, aquela amarelinha - no ano seguinte rolou um mundial aqui em São Paulo, e ganhamos novamente. Depois, claro, tudo passou.
Com Guga e o tênis foi a mesma coisa. E podem pegar aí qualquer esporte: o entusiasmo vai e vem à medida que vitórias vêm e vão. O povo não gosta de acompanhar esportes, mas sim de comemorar êxitos dos outros usando o velho subterfúgio da "pátria". Já que são atletas brasileiros, então o Brasil ganhou, então "eu ganhei também". Vai saber, talvez seja uma forma de diminuir alguns sofrimentos.
A única coisa de que gostamos é o futebol. Somos um país continental e temos verdadeira 'monocultura esportiva'. Então, não gostamos de 'esporte', mas de futebol. Países com um décimo de nossa população voltam das Olimpíadas com o triplo de medalhas. Mas somos pentacampeões mundiais no esporte bretão. O que acho disso? Acho bom. Não gosto de esporte, não tenho paciência para coisa alguma. Gosto de futebol - ao menos assumo isso. Ah, sim, também gosto de F1.
E assim chegamos ao tema, sobre o qual já começa aquele debate sem fim sobre ser ou não um 'esporte'. Mas vamos adiante ao que importa: o povo não gosta, não entende, não quer nem saber da corrida em si. Querem é "ganhar" (no caso, querem que algum brasileiro ganhe, como se houvesse algum tipo de compromisso entre as partes).
Entre tantas características bem particulares, a F1 tem uma que sempre incomoda os "torcedores": trata-se de uma competição DE EQUIPES, não de 'pessoas'. Algumas equipes, bem raramente, contratam pilotos paritários, mas o normal é uma escuderia ter "A" e "B" - o primeiro e o segundo. Durante alguns anos, o Brasil contou com pilotos "A", como Piquet e Senna. Mas, recentemente, tivemos nossos "B", como Rubens Barrichello e Felipe Massa.
Não pensem que ser piloto "B" é uma desonra ou fracasso. Bem ao contrário. As escuderias têm milhares de opções e, ao chamar um Massa, já estão escolhendo entre centenas. Numa leitura mais honesta, ele não é o "segundo", mas o primeiro entre muitos que dariam a vida para estar ali. Mas, claro, não é o preferencial em sua equipe. E é assim que funciona.
Quando Senna corria pela McLaren e Berger era seu companheiro, por várias vezes o austríaco lhe deu passagem e/ou preferência (além de não ter um carro tão bom). Hoje, quando Massa fez o mesmo a Alonso, o povo ameaçou sair às ruas para protestar. Naquela época, pelo visto, havia uma maior compreensão acerca dos princípios de equipe. Deve ser isso, né?
Fórmula 1 é assim. Sempre foi assim. É uma competição de equipes, e não há nada de vergonhoso quando um companheiro concede passagem a outro - em melhor posição ou maior chance de conquistar o campeonato.
Claro que a Ferrari errou na sua estratégia principal. Não deveria ter tanta preocupação em ganhar o título mundial. O correto, como todos sabemos, é agradar aos tuiteiros ou blogueiros de automobilismo.
Ética Seletiva
Hoje foi uma gritaria desgraçada por causa de episódio perfeitamente normal dentro da estratégia de uma equipe. Mas, ora, são os BALUARTES DA ÉTICA, o exército de salvaguarda dos princípios e, vale dizer, com eles não se brinca. Mas onde eles estavam quando Luis Fabiano fez aquele gol carregando a bola com as duas mãos, agora na Copa? Suponho que salvavam baleias dos caçadores ou lutavam contra a lavagem de dinheiro. Seguramente, NÃO COMEMORARAM.
Muitos disseram que é preciso saber dizer "não", aludindo ao fato de que Felipe Massa deveria se rebelar e fazer de conta que a Ferrari não é uma equipe (nem sua empregadora), mas apenas um carro que alugou pouco antes de começar a corrida - salvando assim sua honra, moral, hombridade etc. Interessante, né?
Presumo que esses inequívocos bastiões da moralidade trabalhem de acordo com TODOS OS REQUISITOS FORMAIS. Ninguém ganha nada por fora, todos estão sob regime legal corretíssimo (nada de ser empregado regular, mas sem CLT) e, claro, JAMAIS ACEITARIAM TRABALHAR EM EMPRESA QUE SONEGA IMPOSTO OU FAZ QUALQUER MUTRETA. Porque, como gritam de forma macha no tuíter: "é preciso saber dizer não".
Tenho orgulho dessa nova geração altamente preocupada com os valores republicanos, interessadíssima nos rumos do país e tão atenta para as grandes causas da humanidade como, por exemplo, uma ultrapassagem em estratégia de escuderia.
Mas Ê POVINHO BUNDA!
ps.: OBVIAMENTE, sei que além do campeonato de marcas/equipes, há também a competição de pilotos. Quando digo que se trata de uma 'competição de equipes' é pelo fato claro de que as equipes contratam pilotos e, no fim das contas, são elas que mandam, são elas que querem ganhar, são elas que 'decidem' quem, dentro de suas fileiras, serão os preferenciais. Nesse sentido, portanto, são elas que 'disputam' - POR MEIO de seus pilotos. Esclarecido, galerinha do deixa-que-eu-chuto?)
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transubstanciado por gravata às 25.07.10 | 11 comentários
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Comentários:
Quantos de nós são capazes de ostentar desempenho similar ou menlhor que ele em nossos campos de atuação?
(Gravz: O morroida fala EXATAMENTE a mesma coisa. É isso aí. Ele foi o segundo? Foi. E quem era o primeiro? O MITO)
Sem contar que parece que vocês, que se consideram os intelectuais da internet, sempre criticam qualquer coisa que o povo reclama. Seja pelo Massa, Sylvester Stallone.
(Gravz: Intelectuais da internet?)
Não vou mentir que a corrida meio que perdeu a graça pra mim, mas eu apenas mudei de canal e continuei a vida normalmente. É chato, mas faz parte do jogo.
Não por mandarem um piloto brasileiro ceder a posição para outro. Ou mesmo que fosse o inverso (mesmo que não na mesma proporção já que ainda possuo algum "patriotismo"), mas não entendo por ser algo que fere o regulamento atual da F1.
Ao meu ver uma equipe que desrespeita o regulamento dessa forma se mostra no mesmo patamar que uma equipe que espiona outra, manda um piloto bater de propósito e outros casos considerados "mais graves".
Fico feliz pela vitória da EQUIPE Ferrari, mas com um gosto amargo na boca por um claro desrespeito ao regulamento.
Adorei o "monocultura esportiva".
(Gravz: Paga a multa e o piloto A tem mais chance de ser campeão. Vale a pena)
E outra, se é normalzim do jeito que você diz "dar passagem", então porque diabos é proibido e pode ser punido?
Velhinho, acorda cara, vai tomar um café, fazer qualquer outra coisa, porque esse seu ímpeto de 'ser do contra' é ridículo e expõe milhões de fragilidades, você forja usar de lógica mas destrói ela constantemente, me responda as duas perguntas, pois só com elas todo esse texto gigante e completamente bobo cai pelo ralo.
(Gravz: Vamos lá. Da série "para esse, é preciso desenhar"... Há dua competições, a de equipes/marcas e a de pilotos. Para o título de marcas, tanto faz a ordem, mas para o de pilotos não é bem assim. Melhor deixar na frente quem tem mais chance. Foi o que fizeram - acho que isso não é TÃO difícil entender, mas QI não é algo distribuído de forma igualitária. Sigamos. Pode ser punida? Pode. E provavelmente a Ferrari o será. São cerca de 100 dólares, uma ninharia. Vale a pena. Refaçamos as contas, portanto. Para o título de marcas, dá na mesma. Para o de pilotos, é vantajoso. Há risco de punição? Sim, mas é irrisória. A Ferrari é uma EQUIPE e, como tal, pensa no quadro grande, não nos interesses de um ou outro. Qual exatamente é a falha lógica? Ser "do contra" é achar que uma escuderia deveria agradar a meia dúzia no tuíter. Já que é para perguntar, vamos lá: POR QUE, ENTÃO, A FERRARI FEZ ISSO? Por burrice? Pirraça? Queria prejudicar um dos pilotos a troco de nada? Queria ajudar um outro também a troco de nada? Não tinha mais o que fazer e achou que seria interessante levar uma multa? Acorda, pô! Em tempo: pare de brigar com os pronomes como fez aí no seu comentário. Na próxima tentativa de bronca, evite esse tipo de vexame)
Mas devo discordar quando você diz que é uma competição de equipes, já que na mesma categoria existe o mundial de pilotos, também.
Quanto a só gostar de um determinado esporte quando se está ganhando, em quase todos os países isso acontece. Nos EUA, por exemplo, o futebol só ganhou um pouco de popularidade agora que a seleção nacional deles é razoavelmente competitiva.
Claro que os brasileiros não estariam tão revoltados se fosse com um piloto de outra nacionalidade, mas que a Ferrari fez hoje, foi errado, sim. Vai de encontro ao regulamento da F1, que diz claramente que "team orders which interfere with a race result are prohibited". Eu gosto do esporte e espero realmente que haja uma punição exemplar, mesmo que o Massa seja punido também.
No mais, já estou até vendo o surgimentoo campanhas de boicote à Ferrari no twitter, na qual os brasileiros se comprometerão a não comprar carros fabricados pela Ferrari.
Abraço.
(Gravz: É uma competição de equipes porque... EQUIPES COMPETEM - e elas contratam pilotos. Mas, sim, OBVIAMENTE há o título dos pilotos. É CLARO que sei disso, e já expliquei em dois comentários. Tô quase fazendo o ps lá no texto)
(Gravz: É um risco. O Massa, por sua vez, já "assumiu" que foi por livre e espontânea vontade. Mentira, claro, mas está disposto agir dessa forma porque entende o jogo de equipe. Não quer dizer que eu ou você faríamos o mesmo, mas é mesmo assim que funciona. No 'conselhão' os depoimentos serão colhidos e Massa assume a bronca. Quer valer?)
Se futebol é um esporte de equipes pq tem premiação pra artilheiro e melhor jogador na copa?
(Gravz: Piquet era piloto "A". Não faziam porque ele era bom. Com o filho, fizeram - lembra da batida?)
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