GENTE QUE É CONTRA PALMADINHA PEDAGÓGICA, MAS É A FAVOR DO ABORTO
20/07/2010
GENTE QUE É CONTRA PALMADINHA PEDAGÓGICA, MAS É A FAVOR DO ABORTO
O Brasil é aquele país em que a prostituta goza, o traficante cheira, há goleiro artilheiro, pobre diz que dinheiro não traz felicidade e liberais e conservadores batem cabeça em algumas questões lógicas. Farei justiça e serei equânime. Conservadores, em sua maioria, acreditam na autonomia do cidadão quanto ao direito de portar armas e beber uma garrafa inteira de pinga, mas não acreditam que sejam suficientemente maduros para cheirar cocaína. Parece estranho.
Mas vamos a alguns liberais, ou supostamente liberais ou teoricamente progressistas, os que são contra as "palmadas pedagógicas". Antes, porém, tratemos do óbvio: NINGUÉM É FAVORÁVEL AO ESPANCAMENTO. Ninguém defende surra, ninguém defende chicotada, ninguém defende pontapé, soco, bicuda, tapa na orelha ou qualquer castigo físico de natureza grave ou mesmo média. Trata-se aqui de tapinha no bumbum ou na mão, mesmo, aquela tradicionalíssima. Ok? Sigamos, pois.
As pessoas contrárias a isso posicionam-se como liberais e progressistas, sabe-se lá por quê, e, também por algum motivo estranho muitos deles defendem a legalização do aborto. É uma maneira curiosa de zelar pelas crianças, para dizer o mínimo. Os fetos, antes da formação do córtex cerebral ou aqueles anencéfalos, seguramente não são equiparáveis a "crianças", sem dúvida alguma, mas há os que defendem a legalização para casos de gravidez adiantada - e se mantêm contrários a tapinhas na mão, usando argumentos das mais sofisticadas escolas pedagógicas, sempre lutando para o bem-estar da petizada.
Complexo, não?
Meu amigo Doni, que NÃO FAZ PARTE do grupo incongruente, alega que ao aderir à palmada o pai fracassou no processo de educação. Ainda que seja verdade, ou mesmo que a análise sirva apenas para aquele momento específico de explosão, façamos a análise inversa, devolvendo a seguinte pergunta: o que seria "vencer"? Quais os casos em que os pais se saem "vitoriosos" na educação/criação de seus filhos?
Recentemente, foi aprovada uma lei que proíbe todos os pais de encostar um único dedo em seus rebentos. Mas eles estão liberados para insultá-los verbalmente. Qualquer psicanalista sabe que os grandes traumas de infância, em sua maioria, não se devem a castigos físicos, mas sim a problemas psicológicos decorrentes de ofensas, apelidos e demais agressões de outra natureza. A violência física reprimida pela lei - no caso de ser obedecida - talvez crie o "bullying caseiro", substituindo a violência física doméstica.
Nosso sistema legal possui mecanismos suficientes para punir pais que exageram, e esse tipo de conduta definitivamente não pode ser permitida. Mas até que ponto o Estado pode se enfiar na vida dos indivíduos? A lei recém-aprovada, vale ressaltar, proíbe TUDO. Exatamente tudo.
Há longos textos dizendo que a palmada "não resolve" (muitos perversamente a chamam de "violência" ou "agressão", quando e isso é desonesto, pois ninguém defende isso). Mas quais são os dados científicos? Qual a amostragem? Quem são as crianças estudadas? E que seria "resolver"?
A prova de "solução" seria uma vida adulta feliz? Uma vida adulta financeira ou materialmente próspera? Ou é puro achismo? Vamos falar bem a verdade: não há qualquer dado concreto. Fulano acha isso, sicrano acha aquilo e, de certa forma, é mais "bonito, atual e moderno" achar ora isso ou aquilo.
Mas ninguém traz uma única pesquisa efetivamente científica com resultados aferíveis. Em diversos casos, a opinião não parte de quem não tem filhos, e acreditam ser bobo supor ilegimidade de parte. Não, não é. Quem não tem filho NÃO PODE falar sobre isso. Quem não tem filho, desculpe, NÃO SABE o que é criar um filho.
E aqueles cujos petizes ainda não atingiram idade bastante para que possam dizer "meu método deu certo" também não podem bater no peito para falar das glórias de sua metodologia. Se não, os que dão palmadas farão exatamente o mesmo e teremos aí a "amostragem de um só" - que, para eles, só vale para os casos da "conversa madura", praticada entre pais conscientes e seus filhos de quatro anos dados a colóquios.
Daí o filho de um vira viciado, o filho de outro não dá para nada na vida e como é que fica? Foi culpa do tapa na bunda ou da conversa franca aos seis anos de idade, quando o menino bateu no outro irmão? Por outra: caso todos progridem em todos os campos e se tornem felizes, foi vitória dos tapinhas nas mãos ou do debate em torno da mesa? Não há dados, é tudo chute, achismo puro.
Mas, para finalizar, volto ao aborto: faz sentido uma pessoa exigir que a mulher tenha "escolha sobre seu próprio corpo", mas, ao mesmo tempo, achar normal uma família deixar de ter direito de escolher a forma pela qual educará/criará seus filhos (sem exagero na violência, por óbvio)? Pois é... Eis a "lógica" de uma parcela dessa turma, ou melhor, a falta dela.
Legenda pra quem tem dois dígitos de QI - sou a favor tanto da palmada pedagógica quanto da legalização do aborto - só apontei a contradição do pessoal (é uma merda ter que explicar tudo, mas é o jeito)
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transubstanciado por gravata às 20.07.10 | 30 comentários
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Comentários:
e por aí vai. a galera tá achando que com a proibição do "beslicãozinho" tambem foi proibida a disciplina, a "punição" ou "castigo" os quais as crianças, assim como nós, precisam.
e,olha, sobre colocar no mesmo patamar "palmadinha pedagogica" e "legalização do aborto" eu nem penso em falar nada. sério. mesmo vc tendo explicado direitinho, ainda acho absurdo.
(Gravz: Ah, então você entende a "palmada" como método corretivo?)
Muito bom seu texto... Acredito que há muito mais questões a serem analisadas do que os autores da lei se propõe. Se é que eles analisam qualquer questão.
No dia em que vi a notícia, postei algo no meu blog falando exatamente sobre esse assunto e como eu me revoltei.
Caso se interesse: http://butecofeminino.wordpress.com/2010/07/14/a-modificacao-no-estatuto-da-crianca-e-do-adolescente-e-as-palmadinhas-prevenir-ou-remediar/
Adorei a comparação entre ser contra as palmadinhas e a favor do aborto... realmente, algumas pessoas conseguem encarnar o pensamento ilógico, submisso e passam a ser somente bandeiras...
Abraço
Sofia Amorim
O governo dizer que "deve ser assim" ou "deve ser assado" nos faz lembrar que a maioria dos governantes tem problemas dentro de sua própria casa, não podendo assim dar pitacos na família alheia.
Um grupo facilmente influenciável vai lá e faz um puta estardalhaço por uma besteira dessas, a mídia faz pressão no assunto, todo mundo fica abismado e tá feita a opinião pública pra aprovação ou veto das coisas, sejam boas ou ruins.
(Claro que tem o mimimi dos "líderes de opinião" e a facilidade que eles tem de ignorar bons argumentos, mas anyway.)
Primeiro polanski, depois palmadas...
Se voce acompanhasse melhor, veria que a Lola tbm não é a favor do aborto em estado avançado de gravidez. Enfim... Apesar de discordar muitas vezes dela (tanto qto concordo), acho isso meio chato.
(Gravz: Eu não persigo ninguém e esse tipo de acusação é pesada demais. Esse tipo de comentário eu apagaria não por me ofender, mas porque faz VOCÊ passar vergonha. Explico... O texto foi originado por conta de um debate no tuíter com @doni, @viniciusduarte, @arthur_bio_br e @elianamara. Veja as timelines e termine de passar vergonha. Não leio o blog da tal Lola, apesar dela já ter me xingado mais de meia dúzia de vezes. A única vez em que realmente precisei ler de forma atenta foi quando ela, dizendo-se feminista, DEFENDEU UM ESTUPRADOR. E foi o caso Polanski. E por que falei recentemente deste caso? Porque ele foi SOLTO PELA SUÍÇA. Não há qualquer tipo de perseguição nem nada do tipo. Tenho mais o que ler, há outras leituras que preciso atualizar antes de passar por tal blog, como os gibis do Tio Patinhas. E, para não parecer leviano, aí vai um simples tweet do Vinicius que comprova o papo de ontem e o quanto você está equivocada nessa sua (sim) perseguiçãozinha a mim: http://twitter.com/viniciusduarte/status/19020783195 - nem vou esperar pedido de desculpas porque seria um luxo incabível. Só seja mais inteligente, não custa)
dar palmada em alguem pra ensinar que ela não deve dar palmada em alguem (irmão menor, coleguinhas, professoras, babas, cachorros, gatos)é simplesmente uma contradição em termos.
o que podemos esperar de um povo que estuda um bando de teóricos que nunca teve filhos nem nunca entrou em uma sala de aula e ainda assim acha que pode falar como se educa uma criança?
Porque os pais de agora irão precisar que o governo lhes diga como educar seus rebentos? Não afirmo que bater é a melhor forma de educar, mas isso em alguns momentos acaba se tornando inevitável. O melhor é saber dosar as coisas para que não acabe passando dos limites.
O Estado já tem tanta coisa pra cuidar, e notoriamente é pouco eficiente em tudo que atua, agora querem saber melhor que os pais como devem guiar seus filhos. Só quem se sente demiurgo para achar que isto é possível.
Essa lei parece mais uma fanfarronice eleitoral. Não para brasileiro, mas para inglês ver.
"Pais que imponham hoje um castigo cruel aos filhos já são punidos. Se, a despeito das punições previstas, o espancamento ou maltrato acontecem, estamos diante da evidência de que a lei não os intimida. É uma questão de lógica: se o sujeito não teme a lei que proíbe o mais, não vai temer a lei que proíbe o menos."
Tá, é do Reinaldo Azevedo, Veja, e isso por si só já desconsidera bastante a crítica, que é completamente ódio-por-ti-Lula, mas focando na mensagem é basicamente o que eu penso. Não que isso será fiscalizado, pouca coisa nesse país é, mas a molecada vai ficar ainda mais mimada.
Proibir a palmada implica em aceitar a tese de que a palmada prejudica a formação da criança, ou que incentiva uma cultura de violência. Mas e aí... a tese por si mesma não diz muita coisa. Criar uma lei sem fundamentação... se bem que nossos legisladores não tem muito fundamento.
Ainda. Se a agressão é crime por si mesma, seja contra quem for, pq criar mais uma lei?
Outro problema. O que separa a "palmada" de uma agressão? Ainda. Quem dá palmada nunca agride? Será possível ficar só na palmada e não fazer uso de uma cinta etc.? Só pode uma palmada leve ou a força não importa, sendo uma PALMAda é o que importa?
Enfim. Vai ser difícil punir/corrigir os pais, assim como o é com os filhos.
Primeiro, como Gravata falou, NINGUÉM É A FAVOR DE PAULADA, PANCADA, VOADEIRA, TAPAÇO NA ORELHA, CHICOTADA, ETC. Quem acha que uma palmadinha nos filhos (em raras ocasiões) não vai lhes causar danos permanentes, claro que não pensa em dar de relho no filhote! Temos um bom exemplo do "pró-tapinha" aqui: http://recreiodade.blogspot.com/2009/05/passando-dos-limites.html e um ótimo exemplo do "contra-tapinha" aqui: http://www.verbeat.org/blogs/donizetti/2009/05/tapinha-de-amor-no-seu-filho-doi-sim.html
Ambos têm suas razões e posso concordar com os dois em vários pontos. A @DeiseDuarte tem sua experiência de mãe e o @Doni possui argumentos bem fundamentados no ramo da psicologia. Dá pra dizer que um está mais certo que o outro? Na minha opinião não dá! Além do mais, quando a criança estiver a poucos centímetros de enfiar o dedo no buraco da tomada você vai apenas gritar NÃO ou vai dar um tapa na mão dela? Isso é violência ou proteção? Se eu estiver cuidando de um sobrinho meu e ele fizer isso, acho que seus pais iriam preferir que eu impedisse fisicamente a criança de se ferir (mesmo que com um tapinha) do que eu gritasse um NÃO e esperasse que ela me obedecesse (até porque muitas vezes a criança faz questão de não entender ou obedecer). Antes um tapa na mão do que ser jogado na parede por um choque elétrico! "Ah, mas tem que conversar e ensinar desde o começo." Ei, crianças não nascem com entendimento e senso crítico prontos para entender lições e ensinamentos e, muito menos, para entender que tais lições são para o bem dela!
Quanto a lei, acho válida, e acho que vai beneficiar aqueles menores que sofrem espancamentos mesmo.
Quanto ao aborto, sou totalmente a favor da legalização "ampla, geral e irrestrita". O aborto só é contra a lei por causa da pressão da igreja, da moralidade religiosa, e uma lei não pode ser baseada em moralidade religiosa. Estado laico?
Quanto a questão @Gravz X Lola que foi levantada... Bem, eu gosto mto de algumas opiniões e textos da Lola, são instigantes, fazem pensar por outros ângulos, assim como os do Gravata. É sempre bom ler gente que pensa "out of the box". E os dois geralmente fazem isso, apesar de discordarem em vários aspectos.
(Gravz: Qual a maior "violência", dar um tapinha na mão de um filho - que amamos -, ou deixar esse mesmo filho crescer sem que se lhe imponha limites? O debate é esse, mas já começam chamando um mero tapinha de "violência", e aí tudo fica distorcido e parece que um lado defende a paz na Terra e o outro deseja espancar crianças)
(Gravz: Achei que fosse falar "tapinha não dói", que é outra frase-clichê sempre usada nesses textos e/ou libelos do gênero. Quando você ensina algo ao seu filho, também é errado, porque ele deve aprender com alguém do mesmo tamanho? Ou você procura ensinar sempre a pessoas do seu tamanho? Estou apenas usando sua lógica. Ah, sim, ninguém está falando em "bater", no sentido de violência física. Mas de educar, daquela palmadinha na mão, no bumbum, não de ESPANCAMENTO. É essa distorção que transforma o debate numa dicotomia idiota. Não caio nessa)
(Gravz: Vai ser interessante acompanhar essa geração. Se um entrar no crack ou se tornar homicida, já pensou?)
Sou a favor da palmada pedagógica, quando criança apanhei algumas vezes que mereci e não cresci traumatizada, pelo contrario aprendi as lições e não voltei a fazer novamente , eu era uma criança muito agitada e minha mãe falava um milhão de vezes antes de tomar uma atitude drástica por isso sei que mereci todas as palmadas que levei.
Acho que a lei contra a palmadinha é mais uma que não vai adiantar em nada, no inicio alguns pais vão ser punidos, mas depois será esquecida e os verdadeiros criminosos, os que espancam as crianças não vão parar de fazer isso e também ficarão impunes, porque é assim que acontece no Brasil.
Não sou contra a palmada pedagógica, pq acho que tudo depende de como um pai cria o seu filho, o tipo de educação que recebi dos meus pais fez com que eles não precisassem me bater para que eu os obedecesse.
O que as pessoas precisam aprender é diferenciar uma palmada pedagógica de uma surra, um espancamento... pois são coisas bem diferentes.
Quanto aos que defendem à nova lei pq acham que isso vai impedir que crianças sejam espancadas e tudo o mais, deviam prestar mais atenção nas leis já existentes, já temos lei que fala sobre a violência doméstica, mas nem por isso algumas pessoas deixaram de bater em seus filhos.
Gravz adoro seu blog, acompanho todos os dias.
Beijo
Como filho, apanhei algumas vezes por ter cometido erros graves e fui reprimido por situações de mal comportamento.
O inverso também ocorreu, apanhei por nada e fui advertido quando errei feio.
Sou o primogênito e notei grandes diferenças no tratamento que recebemos eu, e minhas 3 irmãs menores.
Minha mãe errou nisso? Não creio.
Nasceram 4 pessoas completamente diferentes.
Foram criadas e tratadas de forma completamente diferente.
Hoje possuem um comportamento semelhante diante de certas situações, mas divergente em outras ocasiões.
Cabe a cada pai decidir o que é melhor ao seu filho, uma vez que ele e somente ele é responsável por esta criatura, desde que, não haja transgressão dos direitos e a integridade física do menor.
Como pai nunca precisei dar um tapinha na minha filha. Não darei se não precisar. Mas não pensarei duas vezes se for necessário.
Ocasionalmente, minha pequena parece ter uma boa compreensão das coisas que lhe explicamos e unicamente por este motivo nunca lhe corrigi fisicamente. Mas repito. Faria se necessário, pois por experiência, sei que isso não traumatiza. Ensina. Desde que respeitados os limites.
Cada pessoa irá reagir de forma diferente ante uma agressão ou uma "mijada" verbal. Generalizar, massificar a educação como se fôssemos todos iguais é no mínimo algo retrógrado. Já reclamo muito disso na educação escolar, se rolar em casa aí já é o fim.
É necessária uma individualização maior, atenção à cada ser humano como um ser único, e principalmente mais atenção dos pais à este filho.
Desculpe pela delonga amigo. Mas foi necessário para compreensão.
Eram de uma falta de limites absurda e exasperante e bati neles mais de uma vez (não espanquei, mas cheguei a passar da palmada). Apesar disso, eles gostam de mim porque tentei lhes dar os limites que os próprios pais não davam. Mas... também vou lembrar disso por toda a vida com tristeza, e daria qualquer coisa pro tempo voltar e eu ter achado outra solução. Mesmo porque controlei uma situação momentânea, mas não solucionei nada.
Só muitos anos - e muitos alunos - depois fui entender o quanto minhas ordens e expectativas eram abstratas para eles, e principalmente... o quanto trabalhei PARA ELES e não COM ELES!!!
E atenção a um detalhe, minha gente: palmadinhas e palmadonas eventuais podem ser inofensivas (e na minha opinião são); mas como método, como substitutas sistemáticas da interação e da conversa constantes... Podem não configurar uma agressão séria nem um trauma, mas não estão educando NINGUÉM, que ninguém se iluda quanto a isso.
"A conversa resolve" também é muito vago. E mais de uma pessoa bem intencionada teve que apelar para a palmada, ou até um pouco mais.
Mas uma coisa a experiência me mostrou: quanto mais conversa, participação e convivência, menos palmada. E vice-versa. São inversamente proporcionais.
O caso é que muita gente entende por conversa o monólogo moralista ou um placebo insosso. Aprender a conversar de verdade, para quem não teve modelo em casa, é uma aventura muitas vezes dolorosa.
Ainda, um ps: cuidado com o "faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço". Muitos pais ainda se dão a esse luxo, e não sabem por que se veem na situação de bater nos filhos.
Boa sorte para os papais e mamães. E especialmente para os filhos.
Se eu fui grosseira, desculpe, mas convenhamos que você também foi.
Não estou aqui pra defender a Lola, concordo com ela tanto quanto discordo, e isso se aplica aos seus blogs também. Também não acho adequado - mesmo que aqui seja o seu espaço - você falar com tanto desdém do blog dela, sendo que ela nem veio até aqui pra se defender.
No twitter mesmo, onde se originou essa polêmica, se eu quissesse te ofender, nem teria te mencionado porque acho ridícula essa onda de indiretas que rola por lá. Te mencionei na conversa com a JuDacoregio (inclusive elogiei seu blog, que leio há tempos e gosto de verdade) porque sinceramente, não achei nada demais no que eu falei. Mas se eu te ofendi, peço sinceramente desculpa. Definitivamente, não foi a intenção.
O seu blog e o da Lola não poderiam ser mais opostos. Vocês pensam diferente em... tudo. É natural que críticas surjam. Mas se for pra debater, que seja feito de forma direta, digna. Mas ok - sem ironias - pode ter sido mesmo só coincidência. =)
PS: voltarei aqui - e espero ser bem vinda - pra comentar sobre o conteúdo do texto.
(Gravz: Sempre foi e sempre será bem vinda. Note que VOCÊ chegou agredindo e o que fiz foi responder à agressão. A ordem dos fatores foi essa. Não houve indireta, houve direta. E respondi diretamente. Aqui E no twitter. Não atuo de outra maneira. Expliquei muito claramente o que aconteceu. Se me excedi, peço desculpas, mas obviamente a agressão partiu de você, que me acusou de algo inexistente. Se você não achou "nada de mais" no que disse, mas considerou "desnecessária" minha resposta, aí então parece que algo não faz sentido. Mas tudo bem. Esse é seu juízo de valor sobre o ocorrido e não vamos levar adiante essa questão menor)
Sou também muito mais do que isso: acredito no amor, na liberdade, na sustentabilidade, na agricultura orgânica, na gestão coletiva por consenso e na administração verdadeiramente emancipatória. Respeito as autoridades, minha família e procuro ampliar meu respeito e minha compaixão a todos os seres humanos e outras espécies também.
Nunca apanhei na vida (mas já tomei alguns sustos da vida e aprendi com isso mesmo sem dar porrada) e aprendi tudo isso sem violência nem agressão.
Considero a lei anti-palmada um grande avanço. Alguém que só consegue ensinar algo na base da porrada não merece respeito. Merece cadeia.
Ensinar através do amor e assim conquistar o respeito de quem quer que seja é o caminho para o aprendizado, é a verdadeira educação.
Fiquei com vontade de dar umas palmadas verbais em vários comentaristas.
Mas para não polemizar e ainda aproveitar para promover meu blog (por que não?), convido a todos para conferirem minha visão sobre o tema no artigo "Lei da palmada: um tapinha não dói?".
http://irradiandoluz.blogspot.com/2010/07/lei-da-palmada-um-tapinha-nao-doi.html
Abração
Gabriel Dread
Obs: adoro clichês quando são usados em seu contexto. ;-D
Primeiro: também considero importante distinção feita entre espancamento e palmadas educativas. O espancamento é punível desde antes da lei e reprovável por qualquer um que tenha bom senso. A palmada da foi banida agora, e eu não tenho opinião formada sobre isso.
Segundo: eu li o texto da lei, pelo menos o início, você leu? Depois de ler seu texto, fiquei com a impressão de que não, porque a lei sabiamente também proíbe agressões verbais, ao contrário do que você disse no texto. Olha só esse trecho:
“Art. 17: A criança e o adolescente tem o direito de serem educados e cuidados pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar, tratar, educar ou vigiar, sem o uso de castigo corporal ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação, ou qualquer outro pretexto.
Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, considera-se:
I - castigo corporal: ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso da força física que resulte em dor ou lesão à criança ou adolescente.
II - tratamento cruel ou degradante: conduta que humilhe, ameace gravemente ou
ridicularize a criança ou o adolescente."
Então, isso que você chamou de 'bullying caseiro' também foi proibido pela lei, justamente pela quantidade de traumas que pode causar à criança, como você mesmo disse.
Terceiro: uma das coisas mais legais dessa lei (que eu ainda não sei se concordo ou discordo) foi levantar o debate. Então vamos fazer isso.
O argumento mais usado pelos que são à favor das palmadas educativas (e consequentemente contra a lei), é que – com a proibição – estamos fadados a criar delinquentes, crianças e adolescentes sem limite algum, verdadeiros projetos de marginais.
Como eu disse, não sei se concordo ou não com a lei, mas definitivamente não seria esse argumento que me convenceria de ser contra. Acho ele completamente inválido.
Não sei se vocês já ouviram falar em castigos. Castigos que não envolvem agressão física, mas sim proíbem algo que a criança goste, como forma de punição. A eliminação das palmadas não significa criar um filho sem regras, sem limites. Existem alternativas, ao meu ver, melhores do que as palmadas.
A minha lógica, para pensar assim, foi a seguinte: a palmada é uma punição momentânea. O castigo (um mês sem vídeo-game, sem baladinha, sem passeio, sem viagem com a turma) dura muito mais. Consequentemente, a criança vai se lembrar do porquê está passando pela privação, e vai acabar aprendendo.
Eu não gosto de tirar conclusões me baseando apenas na minha esfera pessoal, mas não vejo outra alternativa. Eu levei palmadas educativas. Aliás, não só palmadas. Chineladas, puxões de orelha também estão inclusos. E bem, não é só porque a palmada é educativa que não dói. Dói sim (e é essa a sua razão de ser, ou não? Educar, sim, mas punir também), até porque a força de um adulto é muito maior do que a da criança.
Mas não posso dizer que tenho traumas por isso. Sempre fui a melhor aluna da sala, passei no primeiro vestibular de uma faculdade concorrida, estudo, faço estágio e pouts, queria ter uma filha como eu.
Minha prima tem a mesma idade que eu e nunca apanhou. Ela também sempre foi a melhor aluna, passou no primeiro vestibular, estuda, estuda, estuda.. Enfim. É motivo de orgulho para a pessoa responsável por ela (meus tios).
Então, não dá pra dizer que a palmada foi determinante pra eu me tornar uma 'cidadã de bem', e não uma marginal. O que foi determinante foi o limite que nós duas tivemos. Ela também foi castigada: ficou sem computador, sem sair, sem isso, sem aquilo. Não foi criada sem limites porque, se fosse, certamente ela não teria tido tantos bons resultados na vida, em tantos aspectos.
O fim da palmada, não significa o fim do limite (aliás, talvez essas duas coisas não tenham qualquer relação: não faltam exemplos de pais que dão palmada no filho mas não dão educação ou limite). Os pais, acho, às vezes recorrem a palmada porque é o único jeito de se fazer obedecer. Os filhos não dão a mínima para eles, quando eles pedem ou mandam. Só obedecem na base da chinelada. Respeito zero. Fora as ocasiões (pelas quais eu mesma passei) de quando o filho faz uma coisa só um pouco errada, e a reação do responsável é desproporcional. Vem a palmada, quando uma conversa bastava. Isso porque o adulto estava passando por crise no serviço, na vida financeira, na vida pessoal, etc. Aí desconta no mais fraco, como é feitio do ser humano. Se não tivesse acostumado a bater, a resolver as coisas dessa maneira, talvez tivesse dado só um castigo (que poderia ser 'revogado' antes mesmo da criança se sentir injustiçada).
Enfim, eu acho que, quando tiver meus próprios filhos, não vou usar a palmada educativa. Tenho outras alternativas melhores e mais eficazes (e menos traumáticas pra mim e pra eles) pra educá-los em todos os aspectos que uma criança/adolescente precisa ser educado, ou orientado. Claro que é tudo mais difícil na prática, mas eu vou tentar.
(Gravz: Sim, eu li. Mas a parte "verbal" é subjetivíssima, enquanto a física é o exato inverso. Encostar o dedo é objetivo, algo de simples comprovação. Como provar o teor de uma "ofensa verbal" a um filho? Um tapinha na mão, vale lembrar, já está proibido. Chamar de "sapeca" é ofensivo? Pode ser. Ou não pode. Quem vai determinar?)
E quanto ao aborto (que eu não notei você e seus amigos mencionando no twitter mas que apareceu aqui – e também nos comentários do blog da Lola, mas você não deve ter visto), bem... É um tema muito mais espinhoso. Primeiro, temos que diferenciar o 'ser a favor do aborto' e 'ser a favor da legalização do aborto', porque na primeira frase até parece que eu faria. Já aprendi que é ruim dizer 'nunca', mas taí uma coisa que acho que não faria mesmo, mas não quero que todos sejam obrigados a pensar com eu. Enfim, essa parte a gente já sabe.
O que eu não entendi muito bem é a ponte entre a palmada e o aborto. Porque se você fosse CONTRA o aborto, o argumento teria razão de ser, já que desse modo você consideraria o feto um ser independente da mãe, que merece viver mesmo sem que a mãe queira. Mas você sendo à favor do aborto, você está dizendo que a palavra final é da mãe, já que é no seu corpo que aquele feto está e, nos primeiros meses, não tem a menor chance de sobreviver fora dele. Então, é como se o feto fizesse parte da mãe e, sendo assim, se ela quiser cortar um dedo, ela pode. Logo, se ela quiser abortar, ela pode também. Então, serião, não entendi o paralelo.
PS: agora falar em legalizar, eu já acho muito mais utópico. Naquela época em que o STF discutia sobre o aborto de fetos anencéfalos, o entendimento de vários ministros foi no sentido de que, ampliando a possibilidade de abortos permitidos, estaríamos restringido o direito a vida, previsto no art. 5º da CF e bem, não há previsão de excluir ou restringir um direito fundamental.
Então, a não ser que façam outra constituição... A gente não precisa perder tempo debatendo isso. E isso é uma pena, porque o aborto ilegal vai continuar acontecendo, e é muito ruim quando o ordenamento jurídico simplesmente ignora coisas que estão acontecendo e que já fazem parte do nosso dia a dia (como o casamento gay, a internet, etc.).
Enfim. É isso.
(Gravz: A ponte é a liberdade individual. Ao defender a legalização do aborto, fala-se na liberdade do indivíduo. Ao defender essa nova lei, defende-se a tutela do Estado sobre abusos dos indivíduos. Há milhares de outros casos, posso citar as drogas. Uns são a favor da legalização da maconha por supor que os indivíduos sejam capazes de ter discernimento do que podem ou não usar para seu entorpecimento, para uso recreativo dentro de sua maturidade como seres adultos. Mas acham que o Estado precisa tutelá-los na hora de educar seus filhos. Nova ponte. Mesmo tipo de relação)
Eu sou a favor do aborto até o limite de tempo em que o feto nao sente dor. Ou seja, antes da formação do sistema nervoso. Pelo que eu sei (mas não confie muito), isso se dá lá pela oitava semana. Tempo suficiente pra qualquer pessoa se dar conta que está grávida e tomar as providências necessárias. Mas com eu disse, esse debate é desnecessário. =/
Eu trabalho como monitora de informática em uma grande escola particular, onde os pais pagam R$800,00 de mensalidade. O que vejo são crianças e adolescentes mal-criados, mal-educados, que falam muito palavrão (esses dias uma menina de 4 ANOS, que está no 2º período me falou uns palavrões mais cabeludos dentro da sala de aula...) Crianças de 6 anos que fazem arte (quebram as coisas do laboratório, xingam e batem uns nos outros) quando são repreendidas viram e falam "eu faço o que eu quiser", "vc não manda em mim", "posso fazer o uqe quero, pois nunca sou punido". Numa hora dessa eu pergunto, como essa garotada trata os pais e se são castigados... Na minha época (tenho 22 anos) se eu respondesse a minha mãe, ela lascava o chinelo na minha bunda e isso fazia eu pensar 5 vezes antes de fazer algo errado...
Se algum dia em tiver filhos (pq no momento só de pensar em ter um demoniozinho desse, já me embrulha o estômago) ou ele me respeita ou vai ser castigado, nada de espancamento, mas tapinhas na bunda, poibição de algumas regalias... os jovens inconsequentes e e sem um pingo de respeito estão assim é pela forma que os pais os tratam quando fazem algo errado.
Se vc é contra as palmadas, te desafio a passar um mês trabalhando em escolas, principalmente as particulares... e vejam do que os anjinhos são capazes...
Mas normal e necessária a palmadinha "pedagógica", que não é dada com raiva ou irritação, é só pra demonstrar que aquela atitude ali é errada. Acho super válido para crianças novinhas, que não entendem o diálogo ainda e tal. Mas parece que tá faltando mais autoridade e firmeza dos pais. Putz, lembro que bastava minha mãe me olhar feio que eu já obedecia, e nunca apanhei nem de leve. E não sou usuária de crack (haha).
Mesmo assim, não pressuponho que as crianças do exemplo que citei vão ser uma perdidas na vida, só pq apanhavam dos pais. Pq tb há muito amor e carinho nessa mesma família. Por isso acho uma grandissíssima babaquice o governo agora querer dar pitaco na educação que é dada dentro de casa. E a qualidade das escolas públicas, cadê?
Desculpe o coment gigante. Um abç!
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