BRASILEIROS E CBF: UM POVO QUE SÓ FALA BOBAGEM

05/07/2010

BRASILEIROS E CBF: UM POVO QUE SÓ FALA BOBAGEM

Ia colocar "merda" no título, mas achei forte. Ok, não seria tão forte, mas depois fica assim cadastrado no Google, sei lá, melhor não. Mas, verdade seja dita, brasileiro SÓ SABE FALAR MERDA quando se trata de CBF. É uma atrás da outra, outra depois da uma, e assim vai a maior sucessão de FEZES da história do pensamento nacional. E, olha, somos um país recordista em excrementos de raciocínio nos mais variados temas.

Mas, no futebol, superamo-nos. Em títulos e em cocô verbal.

Comecemos do começo. A CBF, por exemplo, é uma confederação PRIVADA e, por incrível que pareça, muito pouca gente sabe disso. A situação chega ao ridículo sem tamanho de já terem aberto uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar contrato havido entre EMPRESAS PRIVADAS (CBF/Nike). O subsídio: a Nike teria incentivado o time a entregar uma copa a outra seleção, PATROCINADA PELA ADIDAS (sério, há quem acredite nisso...).

Não, não gosto da CBF. Na verdade, atualmente nem ligo. Gosto muito de ver jogo de futebol e, por óbvio, também os da seleção. Mas não ligo para a CBF. Não ligo também para as confederações de judô, natação, hipismo, curling etc. O brasileiro, porém, muitas vezes tenta encontrar uma maneira do Estado se meter no futebol. Vamos supor que isso seja possível (não é, ainda bem). Pela eqüidade, também se meteria em outros esportes como judô, natação, hipismo, curling etc.

Já imaginaram? O Governo Federal já tem um bilhão de preocupações e, além de tudo, precisaria cuidar de coisas como A ESCALAÇÃO DO LATERAL ESQUERDO, pois colocaram um sujeito ali meio violento, ou então uma comissão técnica ao gosto da maioria do povo. Por favor, né? Fora, é claro, os judocas, nadadores, cavaleiros e... ok, não sei o nome de quem pratica curling.

Daí os mais revoltados culpam a CBF pelo fato de que se preocupa muito com os acordos empresariais. Merecem pescotapa. Isso porque - e basta pensar - são exatamente esses contratos que dão visibilidade e alastram o futebol ao grande público. Por mais que seus diretores fiquem ricos, e talvez fiquem mesmo, a repetição de propaganda, veiculação de produtos, linhas licenciadas e toda sorte de objetos vinculados tornam o futebol mais massificado. Se duvidam, basta ver o que acontece nos países em que não há tal investimento.

Obviamente, não gosto do Ricardo Teixeira, e digo "obviamente" porque ele parece fazer o possível para que ninguém vá com sua cara. Além disso, não compraria um carro usado tendo-o como intermediário. Ele preside a CBF há 21 anos, quando venceu Nabi Abi Chedid. Claro que é um absurdo um dirigente estar há tanto tempo na frente de uma confederação - alguns não concordam quando se trata de sindicatos (ESSES SIM recebem verbas públicas).

Mas a parte complexa são os títulos. Sob Ricardo Teixeira, de quem NÃO GOSTO, a seleção participou de sete Copas do Mundo. Foram dois títulos e um vice-campeonato. Se acham pouco, perguntem a argentinos ou italianos quanto ganharam no período. Além disso, foram quatro títulos na Copa América, e três na Copa das Confederações. Tentem saber como estava a mesma CBF em 1989 - quase VINTE ANOS sem uma Copa...

As vitórias são de Teixeira? Não, não mesmo. Mas ele também não é o "super mega diabo" que gostam de pintar toda vez que a seleção sai da Copa. Como é sabido, comprovado e fato dos fatos, a CBF é uma CONFEDERAÇÃO PRIVADA, e cabe a qualquer brasileiro, no máximo, evitar que dinheiro público seja jogado na mão dessa turma. De resto, eles que se virem.

O fato de gostarmos de um esporte não nos dá o direito de institucionalizá-lo, estatizá-lo ou achar que temos quaisquer direitos preferenciais sobre confederações. Guardadas algumas proporções, é como se fôssemos malucos por cotonetes e, por isso, quiséssemos o direito de palpitar sobre a diretoria da Johnson ou da York (aliás, os presidentes estão há quanto tempo nos cargos?).

Outra piada, aliás, é quando começam a atacar Ricardo Teixeira como se ele fosse o chefão-master. Não, não é. Ele "manda" na CBF até a página dois, pois precisa obedecer à FIFA e essa sim é a toda-poderosa do futebol mundial. Há quem ache errado culpar Dunga e isentar Teixeira, mas depois o mesmo idiota xinga Teixeira e desonera a FIFA - ridículo e ignorante.

Claro que Dunga teve culpa e responsabilidade e, como torcedores, acabamos mesmo reclamando com o técnico ou jogador que fez bobagem. Ricardo Teixeira é presidente confederativo; como tal, cumpre o papel de gerir uma empresa, sobre a qual, aliás, não temos nada a ver (a menos que haja dinheiro público e, nesse caso, devemos cobrar do governo, não dele). Como torcedores, dentro da irracionalidade de qualquer esporte, cobramos do técnico, quando perde; ou o saudamos como herói, quando ganha.

Leio muito, também, sobre a ligação CBF/Globo e, em geral, muita gente fala bobagem. Como sói, são duas empresas privadas e ninguém tem nada com isso. Se você, leitor, presidisse uma entidade esportiva, fecharia contrato exclusivo com qual emissora? A maior ou a menor? A melhor ou a pior? Valendo lembrar, claro, que em alguns casos É PRECISO HAVER EXCLUSIVIDADE. Como alguns revolucionários de sofá têm raivinha da Globo, aproveitam para brigar também contra isso.

No fim das contas, bem a sério, só não entendo uma única coisa. Acompanhem o raciocínio: alguém já tentou discutir qualquer assunto fútil, menor ou de diversão popular, enfim, qualquer coisa PRIVADA com um desses militantes? A resposta é sempre a mesma: VOCÊS DEVERIAM SE PREOCUPAR COM OS VERDADEIROS PROBLEMAS DO BRASIL, EM VEZ DE PERDER TEMPO COM OS ÓPIOS DO POVO. O discurso é surrado, mas, em certa medida, faz algum sentido.

Parece que não gostam de diversão e não querem que nos divirtamos, passando uma mensagem de grandiloqüência existencial e preocupação inequívoca com os grandes problemas nacionais. Maravilha, não é mesmo? Pois bem... Mas quando entramos na temática futebolística, a conversa muda. Um problema menor, verdadeira questiúncula de somenos importância, passa a ser QUESTÃO DE ESTADO.

Isso não tem como ser um país sério.


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transubstanciado por gravata às 05.07.10 | 7 comentários



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Comentários:


Comentário de: Klebinho Barroso

Esse texto pode ser usado de template pra um sobre a dupla FIA - F1. Onde eu sempre me perguntei "Alow, vcs não veem a verdade"...

[]s
Klebinho

PermalinkPermalink 05.07.10 @ 18:21



Comentário de: Vinicius Duarte · http://comfelelimao.wordpress.com

Bem, é notório que você fez este post baseado no do Flávio Gomes, mas, como sói (haha), você está se apegando num acessório do texto dele (a tal "intervenção estatal" na CBF) para desconstruir a idéia principal: a CBF (e a FIFA) só existe porque CLUBES existem. E a CBF CAGA E ANDA para os clubes. Por isso estão todos falidos, vendendo jogadores para o exterior com 17 anos pra fechar suas contas no fim do mês. E a CBF está cada vez mais rica. Afinal, tanto faz se o Robinho joga no Santos ou no Manchester City: basta a dona CBF pedir, que ele vem pra jogar "com a amarelinha".

Para perceber o grau de bagunça e sacanagem da CBF, bastaria ver a posição da UEFA ante as imposições da entidade máxima do futebol mundial: não há subserviência. Por exemplo, as chamadas "datas FIFA" (para amistosos) são resultado de reivindicação dos clubes europeus (que detêm os melhores jogadores), para acabar com as palhaçadas de outrora da dona CBF (e várias outras confederações), com seus "amistosos" semanais contra Tanzânias da vida, a troco de cachês milionários e que NUNCA os clubes viram um centavo sequer.

Para fazermos uma analogia, seria o mesmo que existir uma CBN (Confederação Brasileira de Novelas), que "convocaria" a Fernanda Montenegro no meio da "Passione" para uma "novela amistosa" no México, mediante polpudo cachê, pagando apenas os salários da atriz do período. Enquanto isso, a Globo colocaria uma atriz de "Malhação" no lugar dela, ou interromperia a exibição do folhetim.

Em suma, é isto: não existiria CBF se não houvesse clubes, mas os clubes não elegem o presidente da CBF, nem participam de qualquer decisão tomada pela entidade COMO PROTAGONISTAS QUE SÃO. De 1964 a 1985 teve um país sulamericano que era meio assim.

(Gravz: Desculpe, o texto dele não fala da FIFA. Nem, por exemplo, da TimeMania, aprovada por Lula mesmo após o Presidente ouvir sugestão de veto por parte de uma comissão formada por Kfouri, Sócrates e Soninha. O texto coloca Ricardo Teixeira no topo, mas é um topo que não existe no mundo real, pois quem manda no futebol do mundo é a FIFA. É como querer atingir a Globo, mas parar na retransmissora de Ribeirão Preto, talvez por raivinhas regionais. E olha que não é nem bem escrito, seu comentário é muito melhor. E, sim, é como se fosse sua "CBN". Aliás, isso já existe. Chama Hollywood. Caso chamem qualquer ator da Globo para qualquer superprodução, eles saem na hora. E ainda bem que é assim, se não seria escravidão. Ou se uma empresa o chamar para ganhar o triplo você não vai porque há quem "goste" do seu trabalho? Pense nisso. Aliás, eu gostaria de ver esses textos anti-fulano ou anti-sicrano ANTES da Copa. Ou ninguém sabia dos 21 anos de Ricardo Teixeira antes de ir para a África às custas de um jornal ou provedor? A indignação com esse tempo todo à frente da CBF só veio agora? A verve adolescente se dá melhor quando disposta a falar sobre "Crepúsculo" :))

PermalinkPermalink 05.07.10 @ 18:33



Comentário de: Fernando Spuri · http://www.ispure.blogspot.com

Gravata, bom texto, mas tenho uma questão: A quem a CBF responde e, consequentemente o seu presidente, Ricardo Teixeira?

Ser uma confederação privada não o isenta de responsabilidade e, como você mesmo falou no texto "a torcida tem direito de cobrar: (...) Se o futebol não fosse uma paixão, não haveria toda essa indústria, não haveria salário alto nem patrocinador disposto a investir fortunas em clubes ou jogadores. O fervor da torcida é o grande motivo do enriquecimento dos jogadores (...)" É realmente complicado colocar o lado passional x valor monetário na equação e ficar satisfeito.

O que deixa os IndigNaldos indignados é acreditar que o Ricardo Teixeira ou quem quer que esteja no comando da confederação possam se locupletar, de maneira individual, a partir de uma paixão e de um coletivo que representa o país em disputas internacionais(não tem nada a ver com o Estado, nem estatização), faça o que quiser com isso, e aí? O papel do torcedor é cobrar, sentar e ser conivente com qualquer decisão que seja tomada? E aí volta a questão de ser uma confederação privada, mas que tem seu lucro, além das parcerias, a partir dessa paixão.

É foda colocar número de títulos como um fator mandatário nessa equação. Assim como escolher um time pra torcer, quem nasce no Brasil quase que necessariamente torce pra seleção nacional, não cabe muita escolha, como manda a lógica capitalista de uma confederação privada, como a CBF.Ganhar ou não ganhar títulos não vai fazer com que os brasileiros deixem de torcer (claro que eles podem torcer mais ou menos). Não existe concorrência, nem qualquer outra possibilidade, que, torne o presidente desta gestão melhor ou pior. Parece que existe apenas uma pessoa no topo, que ninguém está lá simplesmente por ser bem relacionado, ganhando dinheiro a partir de uma paixão nacional.

É todo um raciocínio tortuoso e inconclusivo, mas acho que essa indignação se justifica em alguns pontos...mesmo pq o Parreira não virou Deus depois de 94 e duvido muito que o Dunga viraria, mesmo ganhando essa Copa.

(Gravz: Torcedor não tem "direito" de cobrar e, se houvesse coerência, a cobrança seria antes da Copa e não depois da eliminação. Teixeira está à frente da CBF, há vinte anos, antes da eliminação. Esperar por ela para espernear é coisa de criança chorona)

PermalinkPermalink 05.07.10 @ 18:37



Comentário de: Helio Miguel · http://twitter.com/heliomiguel

"Bela" mudança seria a saída do Ricardo Teixeira da CBF, com a entrada do Marcelo Campos Pinto, diretor da Globo Esportes, no lugar. Dizem que é o primeiro na linha sucessória...

(Gravz: Você prefere algum bispo da Record?)

PermalinkPermalink 05.07.10 @ 18:44



Comentário de: Marcel

Não é verdade que os clubes não participam de qualquer decisão tomada pela CBF,se não me engano os clubes filiados as federações estaduais elegem seus presidentes que por sua vez elegem o presidente da CBF.

Quanto ao texto muito bom, tem muito pseudo moralizador da imprensa que vê todos males do mundo no Ricardo Teixeira, que aliás é uma figura nada simpática.

PermalinkPermalink 05.07.10 @ 20:05



Comentário de: Gabriel Dread · http://irradiandoluz.blogspot.com

Muito bom, mais uma vez.

Só fiquei grilado com a referência ao meu artigo, que não tem relação alguma com as opiniões que você está criticando.

Abração
Gabriel Dread

(Gravz: Referência a seu artigo???)

PermalinkPermalink 05.07.10 @ 21:35



Comentário de: Picolo Daymio

Gravata, não discordo da tua opinião, só acho que cabe sempre lembrar que no Brasil os clubes de futebol são enquadrados tributariamente como "entidades sem fins lucrativos" (tem como??? entidade sem fins lucrativos pagando de 200 mil reais por mês pra jogador, técnico, etc...). Não acho que seja o caso de intervenção na CBF, na real acho que deveriam é acabar com PU*$RIA de entidade filantrópica...
Se o negócio dá lucro, como a gente sabe que dá, tributa como toda empresa, e aí sim ninguém tem nada a ver com isso, desde que não role nada ilícito...

Acho que é por aí! Abraços!

(Gravz: Nesse ponto, você está certíssimo. Tem que tributar corretamente, sim)

PermalinkPermalink 05.07.10 @ 22:00



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