A COPA E OS CRAQUES QUE "NÃO APARECERAM"

05/07/2010

A COPA E OS CRAQUES QUE "NÃO APARECERAM"

Esta Copa do Mundo ficará marcada pelo fato de que grandes seleções caíram logo na primeira fase, além das outras tradicionais tombadas de forma pouco louvável. Dessa forma capotaram Itália, Inglaterra, Brasil, Argentina etc. Além disso, grandes craques, verdadeiras "promessas", simplesmente desapareceram durante o torneio.

Todos, até agora, explicaram - ou tentaram explicar - sob o ponto de vista futebolístico e, claro, talvez isso seja o mais coerente. Mas me atrevo, aqui, a fazer uma análise meramente empresarial. Não acho que seja equivocada, porém. Acompanhem.

O futebol é, hoje, um dos negócios mais lucrativos do mundo e isso é algo indiscutível. Não se pode extrair o esporte do contexto empresarial, sobretudo quando ele todo não está apenas "inserido", mas já se transformou completamente num verdadeiro conglomerado. E a Copa do Mundo, tendo a FIFA como gerenciadora da marca e operadora de seus dividendos, é prova disso.

É aí que entram os jogadores.

Para alguns - a depender da fase de suas carreiras e/ou da equipe em que atuam -, a Copa do Mundo tem um significado X. Para outros, o significado é bem diferente. Quais foram os GRANDES CRAQUES que "não apareceram" na Copa? Vejamos: Cristiano Ronaldo, Rooney, Cannavaro, Drogba, Messi, Kaká e até mesmo Robben (classificado) "tira o pé" em qualquer dividida ou bola mais perigosa (vejam com atenção).

O que eles têm em comum? TODOS - sim, todos, sem exceção alguma - estão no auge FINANCEIRO de suas carreiras. Todos, todos mesmo, jogam em equipes de ponta, clubes do tipo AAA. Sim, claro, podem conseguir fechar um contrato "melhor" com alguma marca caso ganhem a Copa, mas a equação aí é muito mais empresarial e financeira. É preciso computar os riscos da atividade econômica. E eles, hoje, não são meramente atletas: são empresas.

Quais as chances de levar o caneco? Compensa dar tudo de si em prol de uma equipe que talvez não vença? Qual a vantagem financeira no caso de uma vitória? Agora, os contras: quais os prejuízos financeiros em não vencer a Copa? O que aconteceria na carreira no caso de uma fratura? Pois é isso, basicamente. Um cálculo simples "custo/benefício" mostra que NÃO COMPENSA "dar o sangue" - e, além disso, boa parte da verba publicitária é faturada ANTES do evento.

Vale esclarecer: ISSO NÃO É UMA TEORIA CONSPIRATÓRIA, e talvez seja pura coincidência. E, por óbvio, alguns jogadores de equipes AAA claro que deram o sangue, valendo citar, de orelhada, nomes como Lúcio e Higuaín, sem medo de cometer qualquer erro. Mas vale a regrinha de lógica: alguns (raros) dos times de ponta deram o sangue, mas TODOS que eram "promessas" e misteriosamente não apareceram - confiram aí - jogam nas equipes mais almejadas pelos jogadores - e que garantem os melhores contratos.

Em outra ponta, salvo raríssimas exceções, os que resolveram mostrar tudo e mais um pouco, sem medo de "colocar o pé" sob o risco de talvez rolar um pequeno machucadinho, são os que ainda não estão nas equipes AAA. Dois exemplos: Robinho, que atualmente está no Santos, prosseguia batendo na bola mesmo quando estava estirado no chão, já derrubado por adversários. Carlitos Tévez, do Manchester City (poderia ser um Real Madrid, né?) demonstrou uma raça como poucas vezes se viu.

São dois que já estiveram no topo e agora amargam. Fizeram tudo para mostrar que podem voltar. Muitos outros tentaram a mesmíssima coisa, algo definitivamente declinado por quem já está no auge.

O jogador, como dito, é uma espécie de empresa. Não faz sentido, portanto, arriscar TODO o "patrimônio" num "negócio" cujos riscos sejam altos e, mesmo em caso de êxito, a margem de lucro não valha tanto a pena. Obviamente, isso não significa que tenham "entregado" qualquer jogo, mas apenas não ofereceram suas pernas para que fossem alvo de massacre, pois vão precisar delas para continuar ganhando seus milhões.

Simples assim.


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transubstanciado por gravata às 05.07.10 | 3 comentários



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Comentários:


Comentário de: Dalila

Quando o Brasil perdeu para a Argentina nas oitavas de 1990, em um lance de não sei quem contra o atacante argentino, rolou essa história de que nosso defensor deixou de ir no argentino porque a) jogavam no mesmo time na Europa (ou no mesmo país) e b) o defensor não queria se machucar pelos motivos do seu texto. Nunca fui conferir para ver se procedia, mas faz todo sentido.

PermalinkPermalink 05.07.10 @ 00:54



Comentário de: Gabriel Dread · http://irradiandoluz.blogspot.com

Fala Gravz!

Achei boa a crítica. Mas ainda acho que a questão futebolística vai ainda mais longe. Sem teorias da conspiração, mas o futebol é o ópio do povo.

Mal o Brasil foi desclassificado, a mídia já especula quem são os candidatos a substituir o Dunga. Sem falar nos "craques" e "promessas" para a Copa de 2014, que já estão sendo propagandeados por seus agentes e empresários (ou seriam senhores de engenho?).

Enquanto isso, parlamentares votam por mais um auto-aumento, Aldo Rebelo (PCdoB) libera mais uma safra de transgênicos, diminui mais uma parcela da floresta amazônica e o Serra define seu vice na surdina.

Abre o olho Braziuziuziu!

Abração
Gabriel Dread
Obs: escrevi recentemente a respeito disso no Irradiando Luz:
http://irradiandoluz.blogspot.com/2010/06/futebol-opio-do-povo.html

PermalinkPermalink 05.07.10 @ 12:19



Comentário de: D.Filho

Desculpa mas não concordo com a teoria esplanada. Ganhar a copa não tem preço, eterniza o jogador, valoriza sobremaneira o seu "passe". Ademais, é exatamente por já serem multimilionários, que os tais jogadores AAA podem se dar o luxo de, por exemplo, se machucarem e ficar parado durante seis mese. Abraço!!!!!

(Gravz: Não leve como ofensa, ok? Mas você está pensando como "classe média" e não como milionário. Eles não são apenas pessoas, mas empresas e, não, não podem se dar ao luxo de parar por seis meses. Os contratos começam a minguar, os rendimentos caem e, quando voltam, raramente retornam à boa fase. Sim, sem dúvida, o título traz muita glória, mas o RISCO é grande demais. Por isso, repito, não "entregaram", mas o empenho foi reduzido. O futebol, como é esporte coletivo, permite essa possibilidade. Joga-se mais "na manha" - se ganhar, ganhou. Se não ganhar, ok, mas ao menos não perdeu as pernas e, com isso, quebrou a "empresa")

PermalinkPermalink 05.07.10 @ 16:52



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