GOSTO MUITO DE COPA DO MUNDO
10/06/2010
GOSTO MUITO DE COPA DO MUNDO
Em 1994, Copa dos EUA, estava fazendo 18 anos e cometi um pecado talvez relativamente comum em parte dos jovenzinhos alinhados à esquerda mais radical (e, sim, já fui desses): resolvi torcer contra a Seleção Brasileira. Não me contentava em ficar alheio à Copa, deixar pra lá e cuidar da vida, mas naquele momento era importantíssimo que o Brasil perdesse.
Lembro claramente do Brasil x Suécia, e essa ocasião, observada agora em retrospecto, mostra todo meu ridículo. Fomos para a casa da namorada de um amigo – então parceiro na "torcida contra" – fazer nossa militância comuno-futebolística contra o imperialismo alienante do esporte bretão (mal sabíamos, vejam a ironia!, que no ano seguinte nós dois passaríamos uma semana exatamente na mesma Suécia...).
Os caras fizeram o primeiro gol, meu chapa chegou a gritar com alguma euforia e eu apenas levantei os braços. Não éramos, como percebemos, subversivos dos mais fanáticos e, dali em diante, no decorrer da partida, definitivamente não mostramos muito talento para a linha dura quanto à guerrilha contra as forças canarinho. Fato é que Romário fez um gol e entregamos a rapadura. Traímos o movimento, mano.
Porra, eu gosto de Copa do Mundo!
Lembro com alguma clareza de 1982, do Zico correndo com a camisa rasgada, da tristeza que foi a derrota para a Itália. A de 86, no México, está totalmente viva em minha memória, com direito a Sócrates balançando a cabeça negativamente diante da execução do Hino da Bandeira em vez do Nacional na primeira partida, contra a Espanha – pra não dizer, é claro, da choradeira após a derrota para a França.
Quando tinha uns dez anos, por aí, ganhei de meu avô um livro chamado "O Globo de Todas as Copas", encadernação antiga do jornal O Globo trazendo capas de todas as Copas do Mundo, com fichas técnicas, dados, vencedores e tudo mais sobre os campeonatos de 1930 a 78. Desnecessário dizer que decorei tudo, sei quem ganhou qual, onde foram todas e assim por diante.
Não teria como dar certo a "torcida contra", tanto mais sob a desculpa esfarrapada de uma ideologia sem pé nem cabeça. Como não tinha 18 anos completos, presumo que esteja perdoado. Algumas bobagens são circunscritas a determinadas faixas etárias. Não entendo quem, nos dias de hoje, mantém a postura – ideológica ou apenas birrenta – de torcer CONTRA a Seleção Brasileira, em vez de apenas não dar trela. Mas cada um faz como quer.
A idiotice, em alguns casos, é optativa.
Futebol é um esporte tão maluco e irracional que muitas vezes um time ganha e não fica tão marcado positivamente na memória quanto uma equipe "perdedora". Vejam, por exemplo, o time de 1982, comparando-o ao de 1994. Tentem explicar esse tipo de coisa usando argumentos lógicos, ou argumentem tal fato a um norte-americano. Eu sei que não faz sentido, mas futebol é isso. É essa doideira, mesmo. Aliás, quem consegue explicar o porquê de gostarmos de um time? Mas (alguns de nós) gostamos. Sorrimos e choramos, comemoramos e brigamos, enfim, sem que haja qualquer explicação plausível. Na Copa, é igual.
E não sou nacionalista, tenho pavor de qualquer tipo de patriotada, acho até cafona a ideia de enaltecer uma determinada territorialidade pelo simples fato de ter nascido em tal região – comprometendo-se com cores, bandeiras, governos e afins. Mas gosto de futebol, adoro de verdade, e desde sempre torço para a Seleção Brasileira – assim como torço desde sempre para meu time de coração. Não há lógica aristotélica nesse tipo de coisa, eu sei, apenas torço, gosto e ponto final.
O fato de adorar as Copas do Mundo está no fato de que os MELHORES JOGADORES DO PLANETA se reúnem a cada quatro anos, disputando partidas épicas, o que anima qualquer admirador do esporte (isso é compreensível). O torneio se torna especialmente atraente quando há predileção por uma equipe e, claro, é bem melhor ganhar (isso também é simples de explicar). Difícil, reitero, é levar ao cético o MOTIVO da torcida. E eu não sei, confesso.
Não são poucas as "partes ruins", como aquelas propagandas aproveitando essa época, do tipo GOLEADA DE OFERTAS ou SELEÇÃO DE PREÇOS BAIXOS, ou então as correntes de e-mail (caso percamos), dizendo que houve conspiração, ou mesmo, como já falei, algumas pinturas de rua totalmente sem noção. Mas nada disso tem a ver com o importante: os jogos.
Por mim, ficaria deitado vendo todas as partidas, até aquelas mais mocorongas, entre times sem qualquer importância, mesmo com narradores chatos e estatísticas desnecessárias. Ainda mais quando surgem as tais "surpresas da Copa", aqueles times do nada ganhando tudo, ou os favoritos saindo logo de cara. É o máximo.
Mas, vá lá, preciso ser honesto: por mais que adore as Copas, não consigo ver as cerimônias chatérrimas de abertura. Elas são mais cafonas que baile de debutante, parece Teleton sem o detalhe da caridade. Aí já é demais.
Revisão: Hellen Guareschi
Posts similares:
MITOS QUE A COPA ENTERROU
A tragédia de Sarriá
SELEÇÃO E AS DIVINDADES DO FUTEBOL
transubstanciado por gravata às 10.06.10 | 11 comentários
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários:
Seu comentário me lembrou muito meus tempos de adolescente. Em 1986, aos 14 anos era uma ferrenha defensora do Socialismo. Briguei com uma sala de aula inteira, defendendo minha opinião, pois achava que era o melhor sistema de governo... KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK... Estava na 8ª série. Mas td muda e a minha opinião mudou totalmente, óbvio.
Qto aos jogos da seleção, nunca torci contra. Mas em alguns só fiz foi dormir... Acordava no meio de um gol e outro... mas tocer contra meu amado time do meu amado Brasil (sim, Gravz sou patriota), nunca...
Abraços
O futebol brasileiro de verdade é feito principalmente de criatividade, de toque de bola, de tabelas e de dribles.
E a seleção joga assim por opção de Dunga, não por falta de talentos para executar o futebol brasileiro de verdade. Por absurdo que possa paracer para a lógica e para os americanos, prefiro perder jogando como a seleção de 82 do que ganhar jogando como a de 94.
O Bascos por exemplo, dentro de tantos outros mundo afora.
Ser compatriota eu entendo que é um ato de cultura. É vc saber que o seu coleguinha do lado fala a mesma língua que vc, dança a mesma música que vc, leu os mesmo livros que vc, come das mesmas comidas que vc, e etc. E tudo isso transmitido de geração em geração através dos tempos, nascendo daí um povo unitário e compatriota.
Enfim, reduzir o patriotismo a estado e bandeira é muito "cruel", pois esse é um sentido de cultura compartilhada reciprocamente por um determinado povo através dos tempos.
Desculpas, mas não dá pra deixar isso de lado assim tão facilmente.
Adorei Argentina x Nigéria, nu!
Beijoo
Este post tem 1 comentário aguardando aprovação...
