LOST X 24 HORAS
05/05/2010
LOST X 24 HORAS
(sei lá se tem spoiler, leia se quiser)
Neste ano, as duas séries do título do post chegam ao fim e ambas têm milhões de fãs, mas há uma diferença inescapável: LOST parece cada vez pior, cada vez mais risível e ridícula, enquanto o seriado de Jack Bauer provavelmente experimenta seu melhor ano. Vejamos.
Os perdidinhos da ilha surgiram como uma grande e genial novidade, e a primeira temporada foi de fato maravilhosa, seduziu uma legião de fãs, num encerramento de fazer pessoas ficarem plantadas esperando os episódios do ano seguinte. Àquela altura - e até hoje - JJ Abrams foi tão exaltado por essa geração que pode soltar duas bombas nucleares sem medo de ser feliz (ou infeliz): Cloverfield e o "reboot" em Star Trek. Deve ser computado como "acerto" a série Fringe, justiça seja feita.
Mas eis que LOST volta e... Pois é, e desce a ladeira. Porque a segunda temporada sai totalmente dos eixos, mas a essa altura a série já não tinha mais telespectadores. Todos eram fãs em busca de alguma explicação para ursos polares, um suposto dinossauro, outros habitantes na ilha, entre milhares de mistérios - como a escotilha descoberta no final da primeira etapa. Ao invés de explicar, complicavam, confundiam. Surgia gente nova e tudo ficava pior e pior e pior. Em qualidade, mesmo.
Em vez de redimir, a terceira e a quarta temporada só fizeram piorar, e isso vale para a quinta, de modo que coube aos roteiristas cortar um dobrado na feitura da sexta parte dessa saga sem pé nem cabeça. A essa altura, ficção científica e religião caminhavam juntas, como se fossem irmãs siamesas. Mitologia cristã e magnetismo, idem. A coisa já estava num nível de galhofagem que a queda do avião e respectiva sobrevivência de meio mundo deixou de ser algo incomum. TANTO QUE PROVOCARAM NOVA QUEDA.
Ah, sim, também descobrimos que viajar no tempo - mas não no espaço! - pode causar certo enjoo e um pouco de sangramento nasal. Em doses muito repetidas, leva à morte. Já a explosão de uma bomba de hidrogênio, assim bem de pertinho, não provoca danos muito graves e imediatos, dá tempo para uma despedida carinhosa - e é possível, a uns dez metros de distância, escapar apenas cobrindo o rosto com as mãos.
Notem que Jack Bauer, numa hora dessas, é a personagem mais verossímil de toda a história da televisão ocidental. Isso porque ainda não mencionei o fato de que todos os passageiros do fatídico voo da Oceanic estão milagrosamente interligados num universo paralelo em que... O AVIÃO NÃO CAI! E isso inclui personagens que só entrariam na trama a partir da quarta temporada. GENIAL, MALANDRO!
Claro que muitos, agora, só veem LOST para saber como acaba essa bagaça, quase todos apostando num final bem furreca - falo em nome dos não-semoventes. Vejam, agora, o caso de 24 Horas, uma série que experimentou altos e baixos de todo gênero, com direito a ressureições e peripécias de fazer inveja a gênios do escapismo mortal, como Rambo e John McClane. Valendo ressaltar, é claro, alguns elementos tradicionais: "o chapa do bem que sempre morre", "o agente infiltrado", "o suposto infiltrado que é do bem" e "a reviravoltinha no final". Em meio a tais elementos, Jack Bauer distribui socos, pontapés e muitos, mas muitos tiros.
E é legal. Mas, é claro, foi ficando maleta, a ponto de, na sétima temporada, a coisa ter ficado uma verdadeira bosta - e foi justamente aquela para a qual roteiristas tiveram mais tempo! Chegaram, p.ex., a fazer uma pré-estreia em forma de suposto longa-metragem, com o agente Bauer na África, tal e coisa, maior papagaiada. E dali em diante foi ladeira abaixo. Expectativas reduzidíssimas para a oitava parte (e final) de uma série casca-grossa. Mas fomos surpreendidos novamente!
Há uma cena, nesta última temporada, que talvez sirva para representar a contento a surpresa positiva: a MACHADADA do Jack Ternurinha em um caboclo que vinha subindo a escada de incêndio (espero que tenham visto). Sim, tem traidor. Sim, tem reviravolta na CTU. Sim, a administração da Casa Branca fica mais instável que a comissão técnica da CBF. Talvez, por ser a última temporada, baixa o CANGACEIRO no protagonista.
Mas, ao mesmo tempo, há uma dose maior de realismo. A presidente Taylor não é um poço de nobreza como Palmer, nem uma caricatura de maldade como Logan, e essa variação determina parte do rumo da trama. Bauer também não é um soldadinho obediente, nem 100% rebelde, nem imune a sentimentos nem totalmente submisso a eles. Claro que é difícil ou mesmo impossível injetar realismo total a essa série, mas essa é provavelmente a temporada que fez isso com mais eficiência quanto à caracterização das personagens; e, também, em relação à trama política.
Lá pelas tantas, Jack Bauer fica puto da cara e resolve tocar o "foda-se", mas um SENHOR FODA-SE, como se atendesse ao pedido secreto de seus fãs, ou provavelmente por ser a última parte do seriado. Os roteiristas têm tudo para concluir "24 Horas" de forma épica, no melhor estilo "prende-e-arrebenta", pois não se trata, convenhamos, de uma atração sobre filosofia alemã ou culinária francesa.
Pode ser que esse tenha sido o erro de LOST. A audiência foi (muuuito) maior que qualquer expectativa e esticaram mais do que devia. É evidente, sob qualquer ponto de vista, a enrolação ali praticada - e houve episódios e mais episódios dedicados a pessoas que já foram pro saco. Isso é aceitável em séries não-sequenciais, mas no caso em tela é retrato inequívoco da falta de um planejamento maior - e prova cabal da busca pela audiência às custas dos fãs bocós.
Agora, na pressa de explicar as milhares de perguntas sem resposta, acabam gastando menos tempo do que aquele despendido para mostrar o passado de gente como Libby ou desventuras de idiotas como Paulo. Na hora de dizer para Jack sobre as visões de seu falecido (?) pai, Locke/Fumaça Preta gasta DOIS SEGUNDOS. Legal, né? E a suposta imortalidade de Richard, depois de uma narrativa imensa, é explicada em três segundos - mas conhecemos boa parte do inútil passado de Ana Lucia.
Mas é isso aí. Abrams é gênio. Trouxa é quem vê LOST (como eu). Sorte que também vejo 24 Horas. Aliás, Jack Bauer deveria dar um pulo naquela ilha e mostrar como é que se faz. Aí sim...
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 05.05.10 | 6 comentários
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Comentários:
Um adendo: quando vc fala da sétima temporada, não estaria querendo falar da oitava? (e quando fala da sexta, não seria a sétima?)
Abs!
(Gravz: Sim, exatamente! Errei...- vou arrumar, valeu mesmo)
Uma verdade da era de aquarios,não confie em pessoas que assistam LOST.
(Gravz: AHHHH! Sem dúvida. Aquele "nothing" seguido do que se seguiu, convenhamos... Genial)
1ª - Você não assistiu Lost com atenção.
2ª - Abrams foi UM DOS caras que conceberam a idéia, tanto que ele nem está tão envolvido com série. Pesquise isso, ok?
3ª - Lembro de um post em que você falava um monte de asneiras sobre o fim de Lost. Ridículo
4ª - Você se utiliza de um argumento idiota para gerar comentários nos seus posts: Escolhe um ponto de vista contrário a "maré" só para "polemizar". Sinceramente, essa sua retórica de botequim é lamentável...
5ª Comparar 24horas com Lost é a mesma coisa que comparar o Los Angeles Lakers com o Barcelona.
e por fim...
6ª A revolução que Lost causou nas séries de TV e na divulgação de novas atrações é um fenômeno. Depois que Lost explodiu por todo o mundo, muita coisa mudou na cultura pop e ficará... E isso é um fato
(Gravz: Verdade, LOST é um tema acadêmico e foi mancada comentá-lo usando retórica de botequim. Na próxima, se houver, farei pela via adequada, que é a dissertação de Mestrado. Obrigado pelo toque, fagote de JJ)
