BARBARA GANCIA E O HIP HOP

29/04/2010

BARBARA GANCIA E O HIP HOP

Há algum tempo, (16/03/2007), a colunista Barbara Gancia escreveu sobre o Hip-Hop, detonando o movimento e causando grande polêmica, com a discussão repercutindo na web recentemente, como sói. Não acho que ela deva ser censurada e é saudável que toda e qualquer opinião possa ser publicada. Mas também é saudável que possa ser debatida ou contestada.

Antes, trechos do que ela disse:

"CULTURA DE BACILOS - Se usamos verbas públicas para ensinar hip-hop, rap e funk, por que não incluir na lista axé ou dança da garrafa? (...) o governo está empregando o dinheiro do contribuinte para disseminar a "cultura hip-hop" entre jovens da periferia (...) que distribui doações de cerca de US$ 60 mil a grupos comunitários das periferias, a fim de desenvolver "novas formas de expressão da latente criatividade dos pobres do país" (...) distribuir dinheiro público para ensinar a jovens carentes as técnicas do grafite ou a aspirantes a rapper como operar pick-ups, pode até parecer coisa natural. Mas eu pergunto: a que ponto chegamos? Desde quando hip-hop, rap e funk são cultura? Se essas formas de expressão merecem ser divulgadas com o uso de dinheiro público, por que não incluir na lista o axé, a música sertaneja ou, quem sabe, até cursos para ensinar a dança da garrafa? O axé, ao menos, é criação nossa. Ao contrário do hip-hop, rap e funk, que nasceram nos guetos norte-americanos. Na última quarta-feira, em meu comentário diário na rádio BandNews FM, tomei a liberdade de dizer o que pensava sobre esse lixo musical que, entre outros atributos, é sexista, faz apologia à violência e dói no ouvido (...) Quer dizer que se eu afirmar que a música sertaneja é uma porcaria alienante, tudo bem. Mas se disser que usar boné de beisebol ao contrário na cabeça, calça abaixada na cintura com a cueca aparecendo e tênis de skatista é coisa de colonizado que nem mesmo sabe direito o que o termo hip-hop (um e-mail se referia à musica "rip-rop") significa, sou racista e fascista? No texto de Larry Rohter, o antropólogo Hermano Vianna afirma que Gilberto Gil olha para o hip-hop, o funk e o rap "não com preconceito, mas como se fossem oportunidades de negócios". Não entendo muito de comércio, mas será que produzir uma legião de grafiteiros e de DJs é "oportunidade de negócio"? Por anos, fiz com o mestre Silvio Luiz um programa de esportes chamado "Dois na Bola". Uma vez por semana, nós apresentávamos um grupo musical. Cansamos de receber artistas do hip-hop que hoje estão aí com música na trilha sonora da novela. E vira e mexe, depois de eles terem passado pelo programa, descobríamos, para nosso espanto, que os tais gênios musicais eram ligados ao tráfico de drogas. Alô, ministro Gil! Não seria mais produtivo ministrar nas favelas um curso de um único livro de Machado de Assis ou Guimarães Rosa, do que dar força para a molecada virar uma paródia de Snoop Doggy Dogg?"

São tantos os equívocos, mas tantos, que convém analisá-los por etapas. Vamos lá...

Verba Pública
Há casos em que, de fato, abusam de verbas públicas ou mecanismos de renúncia fiscal (quase a mesma coisa) para beneficiar setores privilegiados ou produtores efetivamente ricos. Um exemplo são aquelas famílias de cineastas ou produtoras com películas a cada seis meses na praça, sem qualquer preocupação em encher as salas ou dar lucro, e ainda por cima prejudicando todo e qualquer novo talento HÁ DÉCADAS.

Mas jovens da periferia? Será que eles realmente não precisam desse tipo de ajuda? Como é que se pode fomentar algum tipo de desenvolvimento cultural nas favelas ou bairros paupérrimos sem esse tipo de auxílio? É preciso, sem dúvida, fiscalizar eventuais desvios na hipótese de alguma ONG ser corrupta, mas não se pode ser pura e simplesmente contra o uso de verba pública para uma finalidade desse gênero.

E nem uso aqui qualquer arrogância ideológica estatizante ou esquerdista, mas é possível demonstrar resultados práticos insofismáveis: a juventude engajada na cultura - incluída a do hip-hop - é menos propensa à criminalidade, à violência etc. etc. etc. E, de mais a mais, é também lazer, diversão, prazer, alegria. Todos têm direito a isso.

Hip-Hop é Cultura
É meio chato, e também triste, entrar na discussão sobre o fato do hip-hop ser ou não "cultura", tamanha a obviedade do caso. Sim, é cultura. E não se fala aqui do significado mais popularesco, como quando dizem que fulano é "culto", mas sim na raiz alemã, "kultur", que significa basicamente a "produção de um povo" - contrapondo-se à idéia de "alta cultura" (ou a visão tida da arte como algo sempre exclusivamente erudito).

E o hip-hop não é composto exclusivamente de música, pois trata-se de um movimento abrangente, no qual estão incluídos o grafite, a dança, o visual, um engajamento social e, entre outras formas, TAMBÉM a música - tendo o 'rap' como expoente mais famoso, repleto de variantes, não apenas o 'gangsta', como ela cita na coluna.

Quem conhece a periferia das grandes metrópoles, e posso falar especificamente da cidade de São Paulo, sabe que o hip-hop tem uma certa tradição. O cantor Nazi, famoso pela banda "Ira!", já havia atentado para os meninos que expunham esse talento no início da década de 80, no Largo São Bento (in "Quem Tem Um Sonho Não Dança", Guilherme Bryan) - seu contato primeiro foi com DJ Hum, parceiro por anos de Thaíde.

Gerações e gerações cresceram e aperfeiçoaram esse movimento, em todas suas variantes, seja musical ou esteticamente. Temos aí, por exemplo, "Os Gêmeos", que expõem seus grafites pelo mundo, badalados gênios da MPB emprestando ritmos e letras dos rappers em canções e discos, ou até programas de televisão os usando em pleno horário nobre.

Sim, é cultura.

Rap e Sexismo
Evidentemente, há letras sexistas no rap, como há em qualquer gênero. Xote, coquinho, embolada, maxixe, samba, marcha-rancho, marchinha carnavalesca, bolero, enredo de ópera etc. Difícil, mesmo, é encontrar predominância, no rap, de músicas racistas, canções contra gays, pobres ou discriminatórias de um modo geral.

A colunista não erra quando aponta sexismo em algumas letras de rap, mas poderia ao menos dizer que é uma temática presente em praticamente todos os gêneros musicais. Da forma como está, parece que os rappers são TODOS sexistas e, pior ainda, eles e apenas eles o são, enquanto todos os demais compositores de todas as outras formas de música são feministas de carteirinha.

Rappers e Drogas
Aí o caldo entorna de verdade. O tráfico está na periferia, o uso está na cidade toda. Dizer que "rapper" é ligado ao tráfico é intelectualmente desonesto, pois todo e qualquer usuário está também ligado aos traficantes, pois não existe pedra filosofal de cocaína, mágica de fazer aparecer heroína, macumba que faça brotar ecstazy ou revenda autorizada de maconha.

O camarada nasce numa favela e, não raro, algum dos milhares de vizinhos acaba entrando pro tráfico. Claro que ele o conhece, mas não quer dizer, necessariamente, que seja "ligado ao tráfico". Nem mesmo que seja usuário, comprador ou revendedor. Mas, se você é usuário, aí sim, você é NECESSARIAMENTE ligado ao tráfico e, lamento dizer, também à violência. Não me culpem por isso, é lógica pura e simples.

Algumas grandes figuras da "playboyzada pacifista" adoram abraçar lagoas, árvores e fazer passeatas vestindo branco, protestando contra a violência, mas não abrem mão de dar seus tirinhos na farofa, seus pegas no baseado ou tomar seus aditivos não exatamente permitidos pela lei. Assim fica fácil, né?

Depois, é moleza dizer que um pobre coitado, nascido lá no meio do inferno, é "ligado a tal traficante", sem ao menos dizer o grau de ligação.

Axé e Sertanejo
Barbara Gancia faz uma acusação implícita em sua coluna, convém repetir o trecho para dar seguimento à análise:

"Quer dizer que se eu afirmar que a música sertaneja é uma porcaria alienante, tudo bem. Mas se disser que usar boné de beisebol ao contrário na cabeça, calça abaixada na cintura com a cueca aparecendo e tênis de skatista é coisa de colonizado que nem mesmo sabe direito o que o termo hip-hop (um e-mail se referia à musica "rip-rop") significa, sou racista e fascista?"

Não, não "quer dizer". Parece óbvio que jamais um rapper mandaria uma carta reclamando de eventual elogio à música sertaneja ou à chamada "axé music". O recurso retórico desse parágrafo serve para a colunista igualar gêneros igualmente ruins (em seu próprio gosto). Também acho exagero dizer que seja "racista" ou "fascista". É apenas muito, mas muito mal informada. Até porque os sertanejos de hoje são extremamente dados a estrangeirismos, com seus chapéus texanos, e trato sobre isso no tópico seguinte.

É importante, aqui, frisar um falso antagonismo proposto com o fim exclusivo de polemizar gratuitamente. Não há nem nunca houve qualquer oposição do rap às demais culturas - mais parecendo aquela rivalidade de décadas passadas entre metaleiros, carecas e punks.

Esse "quer dizer" é o chamado "sofisma da falsa conclusão", no qual se tenta desqualificar a premissa do interlocutor desvirtuando a real finalidade do raciocínio por ele empregado. Não caímos nessa.

Nacionalismo e Patriotada
A Tropicália e os roqueiros da década de 80, antecedentes dos rappers, já mostraram que "nacionalismo musical" é algo absurdamente ridículo. Mas, muito antes disso, os primeiros sambistas foram vítimas dessa patrulha. Sim, os sambistas, e tudo está documentado no "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", de Leandro Narloch ou, para quem quiser ir a fundo, nas teses de Hermano Vianna, que estudou a trajetória dos ritmos do Recôncavo Baiano até o Rio de Janeiro e, mais recentemente, até mesmo o chamado "Funk do Rio".

Os primórdios do samba remontam às reuniões na casa da Tia Ciata, uma negra baiana que promovia festas em sua residência com ninguém menos que Pixinguinha e Donga (autor de "Pelo Telefone", 1917, primeiro samba brasileiro gravado). Naquela época, o ritmo contava com instrumentos de sopro e toda uma melodia diferenciada.

Mas o que houve? Patrulha nacionalista.

No final da década de vinte e, principalmente, na de trinta, já sob Getúlio Vargas, o "samba" passou a ser constituído de instrumentos exclusivamente percussivos, sem sopros e melodias mais rebuscadas, e o som produzido pelos sambistas originais passou a ser classificado como "maxixe".

E sabem qual ritmo mais se aproxima, em termos 'evolutivos', daquela toada original? Pois bem: aquele hoje denominado "axé music". Quando Caetano Veloso defende o 'axé', não fala para polemizar, mas por conhecer profundamente a cultura do Recôncavo - onde nasceu.

Se a colunista acha válido patrocinar algo que seja "nosso", ela dá voz àquelas mesmas pessoas de décadas passadas e é tão atrasada quanto elas. Até porque nada é "nosso". Quem somos nós? Índios? Europeus? Negros? Somos um pouco de tudo, produzindo também um pouco de tudo, a partir do que recebemos de todas as culturas (sim, culturas) do mundo. África, Europa, América do Norte etc.

Enfim
Discordo dessa coluna da Barbara Gancia, mas não entro na onda de chamá-la de "racista" ou "fascista". É sua opinião e, ao que prece, faltou mesmo estar mais informada sobre os temas, apenas isso. Provavelmente, pretendia fazer polêmica barata, e a parte boa é que o assunto é rico.

No fim, ela propõe o ensino de Machado de Assis e Guimarães Rosa, mas isso jamais excluiria a música, no geral, e o hip-hop, em especial. Ou mesmo axé, sertanejo, rock, música clássica ou qualquer outra coisa. Por que não?


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transubstanciado por gravata às 29.04.10 | 10 comentários



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Comentários:


Comentário de: Carlos

O HIP HOP não precisa de verba pública mesmo. Se trata de uma manifestação espontânea de cultura popular e como tal não há porque o governo se envolver com ele, assim como não faz sentido nenhum investir em rock , choro, pagode, sertanejo, forró, etc. O hip hop nasceu e se difundiu naturalmente - por que razão enquadrá-lo agora sob uma estrutura oficial?
Deve-se deixar a coisa seguir seu rumo livremente e não privilegiá-lo em detrimento de outras formas de cultura popular. Se o governo quer ajudar jovens da periferia deveria se esforçar para dar algo que eles precisam mais que tudo isso, mas que não conseguem obter espontaneamente: educação formal. Todos os anos saem das escolas públicas, principalmente as localizadas nas periferias, exércitos de analfabetos funcionais com pouca perspectiva profissional. Infelizmente, a esmagadora maioria deles não vai conseguir viver de hip hop ou de grafite, por mais cursos que façam e por mais que governo, ongueiros, artistas oportunistas e pseudo-intelectuais tentem irresponsavelmente vender essa ilusão. É ridículo que o poder público se preocupe com o tipo de música que esses jovens escutam e/ou produzem enquanto dá inúmeras provas que é incapaz de ensiná-los a ler, escrever e contar.

PermalinkPermalink 29.04.10 @ 16:33



Comentário de: Afonso

Hip Hop é cultura sim, pessoal! Tem aquela uma música que fala sobre... Ah, vai pastar, meu. Com todo o respeito. Quem diz que 95% do hip hop não é sobre os "mano" catar mais "mina" e saí "furando" os "cana" nunca escutou hip hop, a música da escória.

Aliás, nem música é. Música de verdade CANTAM as canções, não falam as canções como nesse estilo que nem melodia tem. Estude música um pouco

PermalinkPermalink 29.04.10 @ 20:06



Comentário de: Guilherme Gropelo

Gravata... andava meio desanimado com você pelo seu outro blog, divergimos em algumas coisas. Mas com este post me conquistou novamente (como leitor, obviamente). De altíssimo nível.

PermalinkPermalink 30.04.10 @ 11:26



Comentário de: mariana

O fato de a música ser cultura não significa que é boa. Eu não acho que seja, por exemplo. mas isso não importa.

Também não importa se eu concordo ou não com uma ong que sobe o morro pra ensinar crianças carentes o hip hop, dança de rua, artesanato com garrafa pet, etc. O criança esperança adora fazer isso.

Agora, me reservo o direito de opinar sim: isso tudo é uma absurdo e completamente ineficaz. Além de altamente preconceituoso.

Pq os criança esperança da vida não vão lá e abrem uma turma de aula de reforço? Ou uma sala de cursinho pré-vestibular? Seria muito mais útil.

É claro que uma criança pode se dar bem e 'ser salva' se aprender hip hop. mas é impossível que a maioria seja, até porque não tem mercado (felizmente). Agora de enfermeiro, professor, engenheiro, a gente precisa. Tem mercado pra muito mais gente.

Mas os pobres não podem, né? tem que continuar pobre e ser massa de manobra como sempre foram? Esse tipo de coisa só serve pra perpetuar a situação injusta que o brasil vive há séculos.

Quer ensinar hip hop (ou axé, ou música classica)? Ensine. Mas não dê esperanças de que isso possa ser meio de vida pra todos, porque é impossível (se um se destacar, vá lá, bola pra frente. o resto tem que meter a cara no livro mesmo). Se vc não nasceu com cara de ator da globo e nem com o futebol do neymar, fih, a unica coisa que dá futuro é estudo.

PermalinkPermalink 30.04.10 @ 14:59



Comentário de: mariana

Cultura é um termo muito abrangente, e só por isso a gente é obrigado a incluir lixos como hip hop, axé, dança de rua, etc. E ainda por cima equipará-los a Chico Buarque e Legião Urbana, que são manifestações culturais também.

Ok. Viva a liberdade de expressão, sem ironias (mesmo).

Eu também não posso - e não quero - impedir ninguém (não se esse alguém o faz com o próprio dinheiro) de subir o morro e ensinar dança de rua, hip hop ou artesanato com garrafa pet às crianças carentes. O "criança esperança" adora fazer isso e a intenção é possivelmente boa, mas ineficaz, ou incrivelmente cruel, por iludir essas crianças/adolescentes.

Acontece que se eles ensinarem hip hop (ou axé, ou música clássica, ou surf, ou artesanato) a todas as crianças e enfiar na cabeça delas que aquilo pode ser um meio de vida, eles estão mentindo, porque felizmente não tem mercado pra sei lá quantas milhões de crianças fazerem isso no futuro.

Porque eles não abrem uma sala de aula de reforço no morro? Ou uma turma de cursinho pré-vestibular? Pq é obvio que não temos mercado pra tantos dançarinos, mas pra enfermeiro, professor, engenheiro, médico... Viche, precisamos de muitos!

Eu não sou adepta das teorias conspiratórias, mas essas coisas acontecem só pra perpetuar a pobreza dessas pessoas, só pra continuar a fazer delas massa de manobra... Ninguém ensina hip hop aos filhos de rico, ou pra crinças de escola particular.

Deviam ensinar às crianças pobres que se não nasceram com o futebol do neymar ou com cara de artista da globo, precisam meter a cara no livro. Só assim vão garantir um futuro um pouquinho melhor.



PermalinkPermalink 30.04.10 @ 15:10



Comentário de: Ligia

Num centro comunitário municipal perto de onde moro (Atibaia), há apresentações e aulas de axé aos Sábados. A molecada vai, dança, se diverte e volta pra casa.

Prefiro meus impostos botando a molecada pra dançar o que seja (mesmo que seja um estilo que eu odeio, como axé;), do que bancando a quentinha deles na cadeia...

PermalinkPermalink 30.04.10 @ 23:44



Comentário de: Malva Mauvais · http://malvamauvais.wordpress.com/

Gravz, irretocável. Muito lúcido. Nada tenho a acrescentar.

Mariana, não vejo porque aula de reforço, cursinho pré-vestibular, engenharia ou música clássica seriam os jeitos "certos" de encaminhar quem quer que seja. Considerar algumas manifestações culturais como melhores que outras e ter os conceitos de formação profissional e carreira da classe média como os "corretos" é desconsiderar alternativas que possam surgir das próprias comunidades excluídas. Eles não são uma horda a ser domada. Não são um saco vazio de cultura no qual as pessoas "bem intencionadas" vão socar conhecimento "superior".
Aliás, como dá pra ter certeza de que que empurrar a moçada pra engenharia, enfermagem, medicina e outras profissões "necessárias" são realmente um meio de vida viável numa sociedade em que as carreiras tradicionais estão entrando em extinção? Sobretudo se considerarmos as arapucas que são a grande maioria das instituições privadas de ensino superior.
Educar não necessariamente é sinônimo de encaminhar profissionalmente. Artesato, hip hop ou surf não concorrem com a educação formal e são outra coisa, menos pragmática, mas não menos importante.
Nem tudo que é pra pobre tem que ser pra formar mão-de-obra (barata, claro).

PermalinkPermalink 02.05.10 @ 05:08



Comentário de: Yan

Matéria triste e preconceituosa da Barbara. Generalizou perdeu.

PermalinkPermalink 03.05.10 @ 10:45



Comentário de: Carlos


É opinião quase unânime de economistas e outros estudiosos do desenvolvimento humano que o acesso à (boa) educação formal (formação básica + f. profissional) é uma condição fundamental para alcançá-lo. A idéia de decadência das profissões tradicionais pode se aplicar a algumas ocupações, mas para outras está muito longe de ser realidade, especialmente no caso brasileiro, onde a demanda por profissionais qualificados é dramaticamente alta (principalmente em áreas da engenharia, na medicina, na tecnologia da informação etc.). Por outro lado, mesmo em situações em que a demanda é menor, alguém com boa formação (básica e profissional)sempre terá maior plasticidade para se adaptar ao mercado de trabalho do que um semi-analfabeto - frequentemente aliás se encaixando em áreas adjacentes ao seu campo de atuação original. Em hipótese alguma a população da periferia seria uma massa apta a ocupar apenas profissões de baixa remuneração. O acesso deles à educação formal tem que significar a condição de disputar os melhores empregos e também a capacidade para que, em determinado momento,alguns deles possam gerir os próprios negócios. Justamente por essa população ter potencial (pelas suas características culturais específicas)é que o seu acesso ao ensino é apontado como etapa fundamental para que o Brasil alcance o desenvolvimento.

PermalinkPermalink 03.05.10 @ 11:01



Comentário de: Mi

É a opinião de uma classe média alta (apesar de jornalista) alienada. E que costuma ter uma visão estereotipada das coisas (por não vivenciar), principalmente no que tange à classe mais desfavorável.
Vi biografia no blog:http://blogs.band.com.br/barbaragancia/index.php/biografia/

PermalinkPermalink 04.05.10 @ 18:12



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