"THE HANGOVER" (SE BEBER, NÃO CASE): UMA NOVA VISÃO DE FILME MASCULINO
13/04/2010
"THE HANGOVER" (SE BEBER, NÃO CASE): UMA NOVA VISÃO DE FILME MASCULINO

Sim, eu sei, o filme é velho. Tenho um problema mais ou menos grave em relação a isso, pois às vezes vejo alguma coisa antes mesmo do lançamento ou, como no caso desta película, simplesmente sou o último a assistir. Mas a análise, aqui, é sobre um gênero até então pouco ou nada explorado.
O conceito de "filme de homem" é genericamente atribuído a filmes de ação, repleto de explosões, pancadaria, troca de sopapos e que tais. Ou então, vá lá, tramas policiais com perseguições automobilísticas ou ainda filmes de guerra repletos de estratagemas militares. Há variações recentes, como aqueles filmes do Kevin Smith e sua pletora de referências pop, que atendem a um público tão legitimamente afeito ao universo masculino quanto uma anêmona. No máximo, são os "filmes de menino" - categoria em que se encaixam os de super-heróis (não vale espernear, é verdade, ué).
Não estou dizendo que são bons ou ruins, melhores ou piores, mas simplesmente não representam o universo dos homens, mais ou menos como uma comédia romântica faz com que as mulheres a ela se identifiquem. O julgamento, portanto, não é qualitativo. Faço aqui uma análise de IDENTIFICAÇÃO, aquilo de "já ter passado por situação similar" ou, se não for o caso, no mais das vezes - ao menos - "ter muita vontade" (e um mínimo acesso).
"The Hangover" não tem super-heróis nem um grupo de nerds que fazem uma aventura totalmente fora da realidade, tampouco traz moleques de 17 anos fora da realidade de qualquer adolescente "aprontando altas aventuras e se metendo em muita confusão". São quatro caras com faixa etária e poder aquisitivo adequados para se hospedar em Las Vegas e zoar o barraco na cidade. Ponto.
E é exatamente nisso que, para nós, homens, está a parte divertida. Assim como, para as mulheres, é legal ver uma historinha em que casais se encontram, depois brigam por uma hora e meia, mas depois dão certo no final (claro, óbvio, evidente: mulheres e homens podem muito bem gostar dos dois tipos de filme, fiz apenas uma generalização acerca do conceito de identidade, já explicado neste texto).
Ah, claro. É fútil? Sim, futilíssimo, absurdamente bobo e idiota. Como deve ser um fim de semana entre amigos que saem para beber, especialmente numa despedida de solteiro. Como se trata de um filme, há exageros e situações realmente potencializadas, a fim de justificar o entretenimento, mas a ideia central permanece a mesma: em maior ou menor medida, todo camarada (de vida relativamente normal e socialmente saudável) já passou por aquele tipo de presepada algumas tantas vezes.
É um filão que merece ser mais explorado. Algumas comédias de "homens em apuros", mesmo as mais recentes, fogem demais do universo masculino - e, mais uma vez, não falo aqui da qualidade dos filmes, mas da identificação do público. Três exemplos de coisas talvez boas, mas fora dessa regra: "Quem Vai Ficar com Mary?", "O Paizão" ou "Três Solteirões e Um Bebê". E há milhares como esses.
"The Hangover", ao contrário, mostra uma turma de amigos que vai para Vegas, enche a cara, joga, apronta com strippers e assim por diante. Toda a maluquice está adstrita a esse universo relativamente "normal", bem próximo de muitos camaradas de 30 e poucos anos. Talvez agora nós, homens, entendamos o porquê das garotas gostarem tanto das comédias românticas - e, nesse mesmo sentido, muitas delas podem não ter achado muita graça ao ver esse filme.
Mas eu recomendo a todos.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 13.04.10 | 5 comentários
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Comentários:
qualquer coisa de Uwe Boll
qualquer coisa de Michael Bay
qualquer coisa de James Cameron
qualquer coisa de Coleman Francis
qualquer coisa de Tom Malanowsky
ao menos garantem algumas risadas, dada a ruindade do material. Esse "Se Beber Não Case" o máximo que consegue provocar, além de embrulho estomacal, é tédio.
