O MITO DO TROLL
28/03/2010
O MITO DO TROLL

O Troll não existe, trata-se de uma desculpa, uma fuga para quando não se quer ou não se pode discutir com alguém (essa é a opção mais usada pelos que imputam tal pecha). Claro, a denominação internética é consagrada e há figuras a fazer jus etc. Mas falo aqui de um mito como essas "leis" elaboradas para não haver discussão, poupando o interlocutor de um vexame - em geral, uma surra argumentativa.
Não poderia ser outro, o primeiro exemplo, senão Izzynobre, conhecido por "kid". Trata-se de membro fundador de nossa gloriosa TROLLAGEM LTDA., organização sem fins lucrativos, mas com total finalidade jocosa, e aclamado aqui e alhures como um inequívoco troll. Pois bem: por quê? Pelo fato de iniciar bagunças - ataques? - e dar risada depois da polêmicas disso resultante. Ponto.
Em síntese: é pura galhofa.
O chamado "troll" é aquele que faz, por farra, o que o idiota efetivamente faz a sério. Sabe quando alguém diz "a carne do McDonald's é feita com minhoca"? Trata-se de um imbecil, por óbvio. É o tipo da bobagem que o kid inventa para começar uma discussão sem fim, da qual ele se retira para trabalhar ou fazer algo melhor da vida, enquanto alguma rede social (Orkut ou Twitter) pega fogo. E isso vale até para questões já surradas, como a grafia de "muçarela" ou o gênero da palavra "dó".
Mas o importante, aí, é a qualificação da pessoa, e isso interessa às outras partes. Ao carimbar fulano ou sicrano como "troll", imediatamente o interlocutor se vê livre de qualquer discussão e, assim, evita a humilhação de levar sopapos verbais diante do grande público.
Quem passa por isso vez por outra é Flavio Morgenstern, dono de texto excepcional, conhecedor de filosofia e grande debatedor. Mas quando começa uma discussão, não são poucos os que o qualificam como "troll", para fugir com o rabo entre as pernas evitando assim um espancamento - fora aqueles que respondem até robozinho de tuíter, mas na vez de rebater críticas do Flavio dizem que "não podem dar ouvidos a qualquer um". Ok, então.
Uma outra falácia engraçadíssima é aquela coisa de que "os trolls não constroem nada". Sério, o que qualquer pessoa da Internet já construiu na vida? Quem são esses empreendedores? Montaram um blog? Criaram perfis em redes sociais? Quais são suas obras? O que deixaram para a posteridade? A quem se referem quando falam sobre "construção"?
Certa vez, o chapa-master Morróida e eu falávamos sobre a gritaria quanto às hashtags que "emplacam" ou mesmo vão parar nos tais TrendingTopics - hoje em dia, comemoram quando, em plena madrugada, vão parar nos TTs do Brasil. Nossa risada foi por conta do #lingerieday, que ficou cerca de três horas, em pleno "horário de pico", nos Trendings mundiais, e nunca demos bola para isso (fora o fato de termos criado o #standupbr, usado até por quem nos odeia - e talvez agora parem de usar, já que cultivam aquele rancor típico dos adolescentes).
Mas, enfim, são essas as "glórias" dos inimigos dos denominados "trolls". Algo como "emplacar hashtag". Convenhamos, comemorar esse tipo de coisa é algo vergonhoso, algo próximo de se dizer "vice-campeão de pebolim no sub-16 de Arapiraca" - e digo isso com o maior respeito do mundo em relação à gloriosa cidade de Arapiraca (no pessoal e no profissional).
O fato é que "trolls" não existem. Aqueles que tomavam cuecão no colégio talvez vejam nos mais brincalhões uma sombra daqueles agressores, mas isso é caso para análise, não adianta inventar um nome genérico para fugir das discussões como faziam nos tempos em que tomavam bicuda na lancheira. Os tempos são outros.
E isso de "se não concordo, não sigo; se não concorda, não me siga" é postura de menino mimado, reflexo patente de quem levou pescotapa durante a fase de crescimento. Claro que é possível discordar, seguir, conversar ou mesmo discutir. É absolutamente saudável e isso faz parte da vida. Quer dizer, da vida das pessoas normais.
Com exceção daqueles que, incapazes de dialogar, inventam denominações a todos os demais, mantendo-se sempre num mundinho inviolável, muito parecido com aquele cantinho do pátio, bem próximo da sala de aula, onde ficavam sozinhos, amuados, traçando planos para quando chegasse o grande dia.
E tal dia não chegou.
(sem revisão, na raça e vamoquevamo)
Posts similares:
TRUQUE SIMPLES PARA PELO MENOS EMPATAR QUALQUER DEBATE ou A FRASE (APELATIVA) SALVADORA DA PÁTRIA DOS IGNORANTES
FLASH MOB: RETRATO DE UMA GERAÇÃO
TWITTESS, A PRIMEIRA (E TALVEZ ÚNICA) CELEBRIDADE DO TWITTER - MAS POR QUE A ATACAM TANTO?
transubstanciado por gravata às 28.03.10 | 20 comentários
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários:
A primeira vez que ouvi esse termo troll para esse tipo de gente foi em um canal de mIRC gringo. A doida tava argumentando umas paradas com a galera, aí chamei outra no PVT e perguntei: "Pô, essa mina é meio loca, né não?" aí ela disse: "Não esquenta, ela é um troll".
Sempre achei estranho, mas depois vi que o significado em geral era mais ou menos esse: "Gente que discorda comigo e consegue argumentar em mais de duas frases o que eu estou errado".
E por aí vai...
Tenho bons amigos lá!
(Gravz: Bom, você acabou de jogar problemas em mim. Se a carapuça do texto serviu, não adianta brigar comigo. Vá atrás de quem roubava seu lanche e procure conversar amigavelmente, agora que já passou um bom tempo)
Prefiro usar o critério chatisse.
Ou a pessoa é chata ou não é.
Quem chateia é chato e eu não gosto de chateação.
Talvez por isso eu não conheça nenhum troll, mas várias pessoas chatas que eu não sou obrigada a me relacionar.
Beijos, querido!
No fundo no fundo o troll pode até ser uma pessoa legal, alguns pelo menos...
Utilizam o recurso procativo para fazer um contato ou ligação com a outra pessoa. As pessoas mais maduras não guardam rancores e são capazes de iniciar outras discussões sem que o rótulo troll fique impregnado
, outras nem tanto, pegam uma conversa e guardam para sempre, transformam isto em rotulagens eternas e blocks...
O troll desperta inteligência, ao menos a inteligência de não levar ele tão a serio ou a começar tacar lenha na fogueira e rir junto...
.
E para ser troll, no geral, tem que ser minimamente inteligente, né?!, articulado, etc., mas isso não impede que as trollagens sejam quase sempre pentelhação, barbudo agindo como moleque buchudo, e isso independe de ser a sério, por galhofa, por cinismo, por esporte e por aí vai.
Abs!
Isso é realmente uma nova modalidade "argumentativa" na internet – aferrar-se às suas opiniões em forma de litanias nauseabundas sempre que estiver discutindo com azêmolas piores do que você (ou que você acredita serem piores), mas corajosamente picar a mula COINCIDENTEMENTE na exata hora em que alguém usa um único argumento que deite suas opiniões por terra.
Aí, vale qualquer modalidade de texto curto como desculpa (como geralmente a batida em retirada é feita via Twitter, o limite de 140 caracteres do microblogger torna-se precioso aliado): falta de tempo, má educação por parte de seu adversário que não deveria sequer lhe dar atenção (que dirá educação), jogar futebol de botão com seu avô, dor no cabelo, operar 4 pontes de safena de urgência...
Afinal, por que será que sempre usam tana erudição no ataque, mas apressam em fugir justamente do maior inimigo que conseguem por isso?
Esse povo deveria aprender sobre moral mais com o Lanterna Verde e o Surfista Prateado do que com inúteis como Foucault e Gramsci.
Quanto tempo, Kib!
O maior flooder (junto com Arquiteto, Zarzan, Leonardo2004, Whiskeyman, Neto.Galo...etc) do antigo fórum do cocadaboa, a praça é nossa e doentes.net.
O kib usa esse nome (Izzy Nobre) por causa de uma participante do antigo fórum, Izzy Jones. Funcionária da ONU na Suíça.
Bom ver que o hojebundinha ainda está no ar.
Um abraço.
(Gravz: O kid - com d - usa esse nome porque se chama Israel Nobre)
(Gravz: Eu acho que vc está confundindo, mas de todo modo posso falar com ele aqui no MSN e chamá-lo à discussão)
E esqueci do amigo dele, o Hrr.
Todo dia tinha um post do Kib pedindo para entrar no hjbundinha para clicar nos anúncios do Google.
Pergunta desse povo pro MrManson, acho que ele até chora.
(Gravz: Anúncios do Google? Eu agora acho que vc tá MESMO confundindo. O Wagner - MrManson - nem conhece o Kid)
Xeu adivinhar: sangue_bom? leonardo2004? Identifique-se, safado!

O Andropov e o Leboski tão no twitter, btw. E foi boa a lembrança da Izzy chiliquenta, por onde será que anda a véia?
E pentelhos existem.
E pentelhos existem. "
Pois é. E não dão "surra argumentativa" em ninguém, apenas contaminam os debates usando a mentira como método reiteradamente para desviar o foco do assunto ou simplesmente espalhá-la, insultar (protegidinhos por trás de um teclado, é claro...), enfim, impedir o debate de fato por algum motivo opinativo/ideológico que vai além de mera galhofa.
A desculpa de tachar bons argumentadores como supostos trolls existe, mas não exclui a exitência dos que são de fato.
