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21/12/2010
DESENCONTRO2011: ALGUMAS MUSAS QUE VÃO PRA FORTALEZA

O Desencontro 2001 nasceu quase por farra e, bom..., a idéia é mesmo fazer uma farra lá em Fortaleza. Meu amigo Emerson Damasceno (@EmersonAnomia), num de nossos papos de bar, levantou a hipótese de um evento em sua cidade natal, a magnífica capital cearense. Gostamos e seguimos com isso.
Começava ali uma lista de participantes os mais variados (e nossa torcida pelas respectivas confirmações, todas a seguir sacramentadas): @Inagaki, @NaoSalvo, Fabio Rex, @NerdPai, @Morroida, @Izzynobre, @Pablo_Peixoto, @rafa_coimbra, Boni entre outros. Basta conhecer essa rapaziada para saber que talvez o único critério foi exatamente a falta dele no que diz respeito a uma temática exclusiva.
Porque esse encontro, DEFINITIVAMENTE, não foi feito para os padrões normais - tendo por base os (merecidamente) consagrados "camps" e afins.
Mas aí, é claro, fui incumbido de convidar as representantes do gênero feminino para que representassem a inteligência, a força e (não sejamos ingênuos ou falsos) também a graça e a beleza - considerando especialmente a feiúra dos homens convocados.
Eis a lista das Musas convidadas e confirmadas (em ordem alfabética):
Ana Paula

Trata-se da @anacheiadegraca, famosa no tuíter e também uma das Musas do #lingerieday - ela saiu na Revista VIP, por exemplo. E agora nos brindará com sua presença lá em Fortaleza.
Anne Becker

Ela sabe tudo de moda, dá aulas de inglês, manja de cultura pop e é fã de Marilyn Monroe. Essa é nossa amiga @annebecker, que participa do evento mesmo odiando praia (assim como eu! - e a foto aí é do Walicek).
Carol Rocha

A querida @tchulimtchulim é Miss Lingerie Day 2010, título conferido após votação popular + júri no último Youpix. E, é claro, estará conosco no melhor evento de 2011.
Caroline

Caroline Schimmelpfeng é encontrada no Twitter como @carol e, bom, não é equivocado considerá-la uma das presenças mais ilustres do "Desencontro". O motivo? Saibam aqui. Resumindo: O TUÍTER em pessoa (ou "numa de suas pessoas") vai pra lá!
Jaqueline Arashida

A @arashida é publicitária recém-formada. Entre outras atividades, talvez alguns a conheçam também por contribuições à websfera como partícipe do genial (e finado) Pagodados.
Juliana Dacoregio

Escritora de verdade (tem livro publicado e também talento, ora pois!), @judacoregio vai da Santa e Bela Catarina ao Ceará levar o prazer de sua companhia.
Lia

No tuíter é a @kittykills, e na blogosfera é famosa por um dos espaços mais referenciados pelo público feminino: JustLia (e escrevo lá semanalmente, vejam só!). Depois de passar pela redação de duas grandes revistas, ela se dedica exclusivamente ao blog.
Luciana Sabbag

Mais uma escritora (e também jornalista, social media, agitadora da web, sei-lá-mais-o-quê - sério, é muita coisa). É a querida @lucianasabbag, presença essencial em qualquer evento ou festa desse tipo. Ela vai, é óbvio.
Marina

Marina Mello é a @corramary, titular no blog homônimo que recentemente virou livro depois de votação realizada por uma editora.
Mirian Bottan

Nossa gloriosa @mbottan é sem dúvida a musa inconteste da web, até mesmo no já citado Miss Lingerieday ela participou como "jurada" e, pra quem não sabe, foi também capa da revista TRIP (a foto do post tirei de lá).
Renata Arcoverde

É a @rebiscoito, publicitária que trabalha com as tais redes sociais - e aquela cuja alegria é medida por bolinhas que ela pinta ao lado do olho (não estou brincando).
Thais Pontes

A @thaispontes, que é jornalista e roteirista, já passou por grandes portais e editora; atualmente, trabalha numa agência de publicidade. Ela também cuida de seu blog.
* * *
Em tempo: alguns outros nomes surgirão (é claro!). E, para saber mais sobre o "Desencontro 2011", vale a leitura destes textos.
Vamoquevamo!
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16/12/2010
FILHOS DE GANDHI: GIL E CAETANO, TROPICALIA DUO
Dedicado a Guilherme Machado, grande parceirão do som!
"Tropicalia Duo" era o show do "Tropicalia Dois", mas só voz e violão, e apenas Caetano Veloso e Gilberto Gil. Há várias outras músicas excelentes - e todas elas o são, né? - no Youtube. Essa, acho, é uma das que mais gosto (mas gosto muito também de "O Estrangeiro", de como ficou na versão do show como bolaram para os dois cantando apenas acompanhado de violão).
Divirtam-se.
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15/12/2010
#NISSANFAIL - QUESTÕES NÃO EXPLICADAS E INEXPLICÁVEIS
Já escrevi um longo texto explicando o GRANDE FAIL da Nissan, seja lá por culpa da diretoria de marketing da montadora ou tremenda imperícia da agência responsável por uma das mais desastrosas campanhas dos últimos tempos.
Ainda assim, há questões e tópicos importantes simplesmente sem resposta, não explicados e talvez inexplicáveis. Até quem foi pago para defender essa patacoada não sabe por onde começar quando elas surgem no papo. Vejam:
1) Se o Regulamento PROIBIA EXPRESSAMENTE O USO DE SCRIPT (item 4.8), por que premiaram quem o usou?;
2) Na hipótese da concessão do prêmio ter rolado por "medo de uma ação judicial", por que ainda assim o fizeram, já que TODOS OS DEMAIS PREJUDICADOS TAMBÉM PODEM ENTRAR COM UMA AÇÃO? (e coletiva, causando ainda mais embaraço e prejuízo para a imagem da montadora);
3) E mais: já que premiaram alguém que usou "script", que argumento jurídico usariam para NÃO premiar quem eventualmente usar tal técnica para ganhar o outro automóvel? - repito: argumento JURÍDICO e não ridiculices birrentas do tipo "agora a gente é que manda", porque a empresa SEMPRE teve como interferir, mas quando entendeu ser possível tal prática, juridicamente passa a valer o PRINCÍPIO DA EQÜIDADE;
4) Todos falam em um "novo regulamento", mas CADÊ ESSE DIABO DE NOVO REGULAMENTO, QUE NÃO FOI PUBLICADO EM LUGAR ALGUM? - sobretudo quando a própria montadora e alguns defensores alegam ser tudo muito "transparente"...;5) Surgiu a tal comissão com suposta soberania, mas ela é OBRIGADA a "seguir o regulamento". Mas... QUAL REGULAMENTO? Porque o único publicado é o antigo, mas, ao mesmo tempo, falam em "regras novas" (sem que ninguém tenha acesso a elas até agora). Dá para levar isso a sério?;
6) SUPONHAMOS que alguém seja desclassificado SEM QUE SE ANULE O ATO DE DAR O CARRO AO OUTRO VENCEDOR... E se a pessoa prejudicada entrar na justiça, vá lá..., alegando que TODOS OS RTs foram legítimos e/ou sugerindo que não houve uso de "script", mas sim de qualquer mecanismo PERMITIDO pelo regulamento (e o comprovar pela via judicial)? Como fica a reputação dos envolvidos nisso tudo? Um laudo técnico, POR MAIS "TÉCNICO" QUE SEJA, deve sempre ser escorado em REGRAS - como nos casos periciais. Quais são as REGRAS nas quais os TÉCNICOS contratados estão se embasando? Por que nós, os participantes, não temos acesso a elas?
Sei lá se haverá resposta ou, mais ainda, se há como responder. Essa confusão toda chegou a um ponto em que a cada resposta surgem mais duas ou três perguntas. Um amigo - que recusou fazer parte disso - confessou estar triste não por este ou aquele caso, mas porque no fim das contas o prejuízo recai sobre toda a credibilidade do mercado.
Ele tem toda razão.
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10/12/2010
NISSAN: CARRÃO E "FAIL" DO ANO

Há poucos dias, escrevi sobre uma promoção da montadora Nissan denominada "Quero Meu Carrão", tentando naquela oportunidade ajudar a ONG "Família Santa Clara". Resumindo os acontecimentos: a promoção "acabou, mas continua". Isso porque houve uma vencedora, mas ao mesmo tempo disponibilizaram outro automóvel para quem conseguir uma espécie de "segunda colocação".
Se já parece complicado, leiam antes das considerações jurídicas deste post todos os pormenores técnicos observados pelo amigo Fabio Morroida. Viram? Pois é... Houve uso do chamado "script", por meio do qual os RTs (objeto da promoção) seriam (e foram) dados de forma artificial, sem a participação efetiva dos donos dos perfis - e os titulares das contas ACUSARAM a artimanha.
Nada foi feito. Ou melhor, foi sim: DERAM O CARRO para quem fez isso. Consagraram o uso do mecanismo e, para "passar panos quentes", montaram uma espécie de Comissão estabelecida por meio de um comunicado que já entra como uma das peças cômicas mais interessantes do mundo da publicidade ocidental.
Trechos comentados a seguir:
"Comunicado - Como a ação realizada pela Nissan do Brasil “Quero Meu Carrão” é uma ação inovadora, que distribui prêmios atrelados às redes sociais, e diante de alguns questionamentos levantados no twitter, a Nissan, após a auditagem realizada pela Aly Consulting, contratada para acompanhar todo o processo da ação esclarece que:"
Sim, de fato é INOVADOR dar prêmios pelo tuíter. Ninguém tentou isso antes, não é mesmo? Mas ainda bem que fizeram uma "auditagem" - para maiores esclarecimentos, blog do auditor.
"a) De acordo com o regulamento da ação promocional, o perfil @tca_oficial no Twitter foi o primeiro a atingir os 44.500 RT . Dessa forma, a participante conquistou o Nissan Tiida Hatch."
Falarei sobre o "regulamento" adiante. O "de acordo", nessa alínea, poderia ser substituído por "CONTRARIANDO COMPLETAMENTE" ou "POR OMISSÃO TOTAL DA EMPRESA". Mas sigamos. Ah, sim: tal perfil primeiro bloqueou a si próprio no tuíter, depois foi EXCLUÍDO da rede social. Mas prossigamos.
"b) O regulamento foi complementado com a inclusão de um Comitê Auditor, formado por especialistas da internet e representantes da Nissan e das empresas organizadoras da promoção."
Pois bem: o regulamento PODIA (sim, "ia", explicarei adiante, como disse) ser modificado. Usar script JÁ CONSISTE, POR SI, UMA FRAUDE NAS REGRAS DA PROMOÇÃO. Se não fosse, poderiam acrescentar algum tipo de critério eliminatório, pois a empresa seria soberana para mudar o regramento. O que fizeram? OPTARAM POR MUDÁ-LO CONTRATANDO QUATRO PESSOAS SEM CONHECIMENTO TECNOLÓGICO PARA JULGAR POSSÍVEIS FRAUDES TECNOLÓGICAS.
Gênios.
"O Comitê Auditor avaliará todos os casos e dúvidas que eventualmente venham a ocorrer nas redes sociais e tem decisão soberana para decidir dentro do regulamento proposto. Membros do Comitê Auditor...:"
É mole? "Decisão soberana para decidir"? Não seria AUTONOMIA ou algo assim? Bom, sei lá. E acho que nem eles sabem. Mas guardem a parte do "DECIDIR DENTRO DO REGULAMENTO", porque é fundamental (falarei disso adiante).
"c) Reafirmando seu compromisso com a transparência e a sua crença na importância das mídias sociais, a Nissan colocará um segundo carro na promoção para o 2º participante que atingir 44.500 RT no Twitter ou tiver o maior número de retweets ao final da ação, que será no dia 22 de dezembro de 2010..."
Impressionante o compromisso com a transparência.
Regulamento e Script
As regras do concurso são o bastante para CONDENAR o uso do script e NÃO PREMIAR quem lança mão de tal artimanha.
Vejamos alguns de seus termos (comentados):
"4.7. A NISSAN SE RESERVA O DIREITO DE CANCELAR E/OU BLOQUEAR O ACESSO DOS PARTICIPANTES, A QUALQUER MOMENTO E SEM PRÉVIO AVISO, CASO SEJA CONSTATADO QUE ESTE PRATIQUE OU VENHA A PRATICAR ALGUM ATO OU MANTENHA OU VENHA A MANTER CONDUTA QUE (I) VIOLE AS LEIS E REGULAMENTOS FEDERAIS, ESTADUAIS E/OU MUNICIPAIS, (II) CONTRARIE ESTE TERMO DE USO, E (III) VIOLE OS PRINCÍPIOS DA MORAL E DOS BONS COSTUMES."
No caso em tela, "bons costumes" não são atos de nudez ou sexo explícito, mas sim aqueles referentes ao bom uso da rede social e atividades correlatas - em caso contrário, simplesmente não adotariam essa expressão. O uso de script, embora em alguns casos possa não infringir legislação federal, estadual ou municipal, DEFINITIVAMENTE rompe com todo e qualquer "bom costume" e, por óbvio, é imoral. Mas vamos adiante (sim, a coisa piora bem e fica irrefutável mais pra frente).
"4.7.1. Caso seja detectada qualquer fraude no concurso, inclusive relativa ao uso das redes sociais, internet ou qualquer programação da empresa promovente de forma indevida, o participante responsável será automaticamente desclassificado e excluído do concurso, sem a necessidade de prévia comunicação, ficando ainda, sujeito à responsabilização cível e penal."
E a corda aperta, não é mesmo? Foi detectada fraude, nos termos comprovados pelo Fabio no post já linkado, mas não houve desclassificação automática.
"4.7.2. SERÃO AUTOMATICAMENTE EXCLUÍDOS OS PARTICIPANTES QUE TENTAREM FRAUDAR OU BURLAR AS REGRAS ESTABELECIDAS NESTE REGULAMENTO, OU QUE SE RECUSEM A ASSINAR OS RECIBOS DE ENTREGA DOS PRÊMIOS."
Meio redundante, mas ainda assim colocaram isso. E AINDA ASSIM NÃO HOUVE EXCLUSÃO AUTOMÁTICA.
"4.8. Serão automaticamente excluídos os participantes que tentarem fraudar ou burlar as regras estabelecidas neste regulamento e/ou sistemas de segurança do twitter e facebook, ou que se recusem a assinar os recibos de entrega dos prêmios."
Ah, esse é meu favorito. "fraudar ou burlar (...) SISTEMAS DE SEGURANÇA DO TWITTER" é motivo bastante para exclusão automática. Sim, é. Comprovamos? Sim, comprovamos ter havido isso. Houve exclusão? Não, ao contrário, ganharam um carro. Passem a régua e/ou consultem um advogado. Vão precisar.
A empresa, portanto, ESTÁ ESCORADA NO PRÓPRIO REGULAMENTO DA PROMOÇÃO PARA NÃO PREMIAR QUEM FAZ USO DE SCRIPT. Fim de papo. Estão aí as provas jurídicas pra lá de irrefutáveis - e desenhadas.
Precedente ou "Apagando Incêndio com Gasolina"
A tal comissão é um colegiado inócuo, sem poder algum, cuja existência consiste num grande faz-de-conta. Explico, e meu trecho "favorito" é esse:
"O Comitê Auditor avaliará todos os casos e dúvidas que eventualmente venham a ocorrer nas redes sociais e tem decisão soberana para decidir dentro do regulamento proposto..:"
Se é para decidir "dentro do regulamento", convenhamos, por que cargas d'água convocar uma comissão? Talvez pelo mesmo motivo de não chamar ninguém da área tecnológica para cuidar de uma polêmica envolvendo fraude em tecnologia. A Nissan me desculpe, mas ficou parecendo jogo de cena e, no fim, jogaram um balde de gasolina para tentar apagar um incêndio.
Isso porque, se MANTIVEREM a premiação de quem usou script, está SACRAMENTADO que isso PODE. Não adianta agora a "comissão soberana" (risos - parece preâmbulo de samba-enredo, né?) achar que pode alguma coisa. Não pode. Quem tiver os RTs entra com uma açãozinha e ganha. Simples.
A MENOS, QUE... Sim, a menos que NÃO DÊEM O PRÊMIO PARA QUEM USOU SCRIPT ANTERIORMENTE. Eis o dilema da agência (porque, no fim das contas, a montadora/cliente se tornou refém dessa esculhambação).
O regulamento PROÍBE o uso de script por N razões (bons costumes, fraude, VIOLAÇÃO DE SISTEMA DE SEGURANÇA DO TWITTER etc.). NÃO É PARA GANHAR QUEM O USA. Ganhou? Então pode. Se pode, está decidido que vale e a "comissão" (que entende de tecnologia tanto quanto eu sei preparar lagostas) não pode fazer nada, sob pena de levar um excomungo judicial logo em seguida.
É isso.
Ação Coletiva
Sou um dos participantes da promoção e, por me considerar lesado, sinto-me compelido a tomar as medidas judiciais cabíveis a respeito desse caso. Outros tantos também farão isso e, juntos (coletivamente), provavelmente acionaremos o Poder Judiciário utilizando em grande parte os argumentos ora expostos.
Mas, antes e acima de tudo, além de todo mundo "saber o que está rolando", é importante que a Nissan reveja isso. É FUNDAMENTAL rever a decisão de premiar quem usou script. É contra o regulamento, cria um precedente contra o qual ela própria (Nissan) não vai poder brigar depois e, no fim das contas, é basicamente algo injusto, incompreensível e inaceitável.
Dá tempo de consertar tudo isso, Nissan!
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transubstanciado por gravata às 10.12.10 | 17 comentários
09/12/2010
BACON: QUANDO COMIDA VIRA "MODINHA"

Não sei quando começou e também não sei se é importante saber o começo de tudo: fato é que hoje em dia há verdadeira VENERAÇÃO pelo toucinho defumado, a ponto de haver aquela máxima bobinha do "bacon é vida" (sexo seria o quê? Transcendência para um novo plano existencial?). Claro que gosto é gosto, cada um tem o seu, alguns meramente não têm e vamoquevamo.
Para quem tem noções rudimentares de gastronomia - ou ao menos já acompanhou dois ou três programas da finada Ofélia ou da Palmirinha Onofre -, é sabido o seguinte: BACON ESTRAGA PRATICAMENTE QUALQUER PRATO. São raras as exceções, como Caldo Verde, Massa à Carbonara ou - meu favoritíssimo - caldo de feijão (feijoada, variantes etc.).
No hambúrger (para ficar num exemplo bem "pop"), o bacon geralmente ANULA o sabor da carne. Tanto faz se é bovina, felina, de preá ou pura soja. Só se sentirá gosto do toucinho defumado e nada além. Isso é vida? Temo em perguntar o que seria a morte para essas pessoas.
Salvo exceções cada vez mais raras, é fato que brasileiro não sabe fazer churrasco. Já começa nos péssimos hábitos de fatiar toda a peça de carne, praticamente a depredando, ou então PERFURANDO-A com espetos. Ainda assim, mesmo o maior vândalo da grelha não permitiria que alguém se aproximasse com fatias de bacon para emporcalhar picanhas, fraldinhas ou afins.
Entendem o ponto?
E a culpa não é do coitado do toucinho, que está lá quieto e de repente é alçado à condição de "representante da vida" por parte de quem sofreu agressões e "bullying" na pré-adolescência. Como em qualquer outro caso de modinha inexplicável, o que mais irrita é o comportamento dos fãs.
Isso se explica menos pelo caminho fácil (e errado) do "esta geração gosta de tudo muito gorduroso" e mais pela sedimentação do paladar infantil ao longo dos anos. Até porque, convenhamos, as comidas estão mais saudáveis atualmente (sim, estão...). Simplesmente temos uma galera que, em sua maioria, ainda não "cresceu" no sentido gastronômico (e sabe-se lá se pretende um dia amadurecer nesse aspecto).
Até aí, cada um é cada um e eu quero mais é que se foda. Duro é quando começam com essas campanhas e slogans para venerar algo como o bacon e, pior ainda, os que não entram nisso são às vezes tratados como párias. Mais ou menos como quem não gosta de JORNADA NAS ESTRELAS, e quase sempre são os mesmos - isso diz muito sobre quem era mão e quem era pescoço na época do pescotapa colegial.
Seria o caso de trocar o bacon por psicanálise, ou então aprender a comê-lo como se deve: no feijão, com carne-seca, paio, couve, farofa (na farofa também vale...), arroz, calabresa, mais farofa... Dizem que tudo isso vai bem com cerveja ou caipirinha.
Não sei se é "vida", mas é bom.
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transubstanciado por gravata às 09.12.10 | 13 comentários
05/12/2010
CORINTHIANS: O GRANDE CAMPEÃO NO ANO DO CENTENÁRIO
Sim! É Isso Mesmo!
Não houve Brasileirão nem Libertadores, mas só por isso muitos pensam que o Centenário do XV da Marginal passaria em branco. Ora...
LEDO ENGANO!
Na comemoração de seus CEM ANOS, o Clube da Orla Tietezística assambarcou o maior número de conquistas possíveis a um clube de desporto. É claro que falamos aqui de QUANTIDADE. Sobre a qualidade, tratamos nos tópicos correspondentes. Mas vejam que ÊXITOS NOTÁVEIS:
Pedalinho

O tradicionalíssimo Torneio Interestadual do Circuito das Águas, que já está na sua terceira edição bianual, foi em 2010 vencido pela primeira vez pelo escrete pedalador alvinegro. A competição durou três horas e meia e o objetivo seria atravessar o laguinho de Águas de Lindóia. Os vencedores, que levaram esse tempo para ganhar o ouro, fizeram tudo isso em aproximadamente vinte e sete milhões de pedaladinhas. Quase um recorde.
Sepaktakraw

Ainda pouco difundido no Brasil, o Sepaktakraw é aquele vôlei de areia jogado com os pés, relativamente parecido com arte marcial, e comum nos países do sudeste asiático. Mas eis que os representantes do Brasil no torneio sub-11 - ninguém menos que o time ora abordado neste texto - levaram o caneco vencendo o time do Camboja, no mundialito realizado na Planície do Laos.
Elephant Polo

Nem o aquático, nem aquele realizado sobre cavalos, mas sim a modalidade em que atletas sobem em paquidermes para vencer seus oponentes: o PÓLO SOBRE ELEFANTES. Causou certa surpresa o convite feito ao time da região do Parque Novo Mundo, mas os organizadores imaginaram que certo atleta de renome internacional poderia jogar na condição de montaria. De todo modo, acabaram ganhando em uma das chaves e, com isso, levaram o disputadíssimo TROFÉU SIMPATIA.
Pelota Basca

Comum na Península Ibérica e também em Miami, a Pelota Basca é praticada por atletas destemidos - e também aqueles que foram recusados em praticamente todos os esportes de que se tem notícia. Para alegria infinita da nação brasileira, os representantes do país foram vencedores da TAÇA DA AMIZADE DA IMIGRAÇÃO ILEGAL, famosa competição dos guetos da Florida e na ocasião cantaram "...viaja comigo pro céu, sou gavião, levanto a taça, com muito orgulho..." - o que só pode ser interpretado como mais uma vitória da equipe já detentora do maior número de títulos internacionais deste ano - E QUE NÃO PARAM POR AÍ.
Bocha

Os (bem) velhinhos do desporto também trazem alegrias para a nação da equipe ora homenageada neste post. Isso aconteceu, por exemplo, na TAÇA MERCOSUL DE BOCHA SUPER-MEGA-ULTRA-E-BOTA-SÊNIOR-NISSO, ocorrida no "Lar Tchau e Bênção", na cidade de Valinhos/SP. A equipe vencedora foi responsável pela façanha de chegar ao ponto de LANÇAR TRÊS BOLAS. Algo impressionante para a idade dos participantes.
Malha

Depois de alguns protestos, já que a equipe da Mooca desejava que o Torneio fosse realizado na rua, como era comum nos idos de 1954, acabaram decidindo por uma partidinha no Parque do Piqueri. E para lá foram a "Turma da Barra Funda", "Brás Masters", "Malha Tigers of Belém" e muitos outros. A vitória, porém, ficou mesmo com os anfitriões e vizinhos daquela bonita região arborizada. Mais um título para comemorar os cem anos de existência.
Lacrosse

O feminino sub-14 participou do 1º Campeonato Maranhão-Guianas-Suriname de Lacrosse e surpreendeu todas as adversidades vencendo as outras duas equipes. Foram partidas disputadíssimas, mas ainda assim trouxeram para casa não apenas a medalha de ouro, mas também vários mimos e, sem dúvida, muita alegria. Go Lacrosse!
Frisbee

Já em sua quinta edição, o "JOGO BENEFICENTE BOLIVARIANO DE FRISBEE" foi mais uma vez a grande atração do "Parque do Carmo Sports Arena" (na verdade, a partida rolou no gramadão, mas tá valendo). Trata-se de um jogo misto, com não apenas homens e mulheres, mas também brasileiros, venezuelanos, equatorianos, bolivianos, argentinos, imigrantes ilegais e cidadãos legalizados, apenas havendo divisão entre equipes. O dado curioso é que NÃO HÁ PONTUAÇÃO, de modo que sempre empatam - pois "vitória" é um conceito capitalista. Todos são sempre campeões e, desse modo, o centenário leva para casa mais esse TÍTULO INTERNACIONAL. Viva o Frisbee Bolivariano!
Taco

Uns dizem "bets", ou algo do tipo, mas o nome correto, bem sabemos, é Taco ou Jogo de Taco. Realizado no Gonzaga (Santos/SP), o cinqüentenário torneio reuniu equipes de todo o eixo Bertioga-Biquinha de São Vicente, havendo ainda convidados de Mongaguá e, claro, o time cuja sede encontra-se às márgens das águas límpidas daquele rio. E o vencedor, depois de muita discussão sobre quem gritou "tudo" ou "nada" ou "três pra trás", entre outros contratempos, foi mesmo o CAMPEÃO DO CENTENÁRIO. Parabéns!
Trilha, Ludo e Xadrez Chinês

Enfim, provando que o INTELECTO também se faz presente no secular centro desportivo alvinegro paulistano-ribeirinho, seus atletas (?) levaram o troféu dourado numa disputadíssima competição do TORNEIO TRÍPLICE DE TABULEIRO. Não foram muito bem no Ludo Real, é verdade, mas venceram com folga no Jogo da Trilha e o dificílimo Xadrez Chinês, garantindo assim o caneco e deixando a ver navios representantes de Osasco, Ferraz de Vasconcelos, Poá, Arujá, Mogi Mirim e Itaquaquecetuba.
* * *
Como vocês viram, a Agremiação sediada na Av. Condessa Elizabeth de Robiano S/N (conhecida pelos populares pouco informados como Marginal do Rio Tietê, sentido Lapa/Penha - já praticamente na Penha), galgou vitórias impressionantes no mundo dos esportes.
E é lamentável que nosso país resista à cruel e desigual DITADURA DO FUTEBOL. Triste e inaceitável que isso ainda prevaleça. Mais lastimável ainda é a postura do COI por não permitir que tais variantes desportivas participem das olimpídas.
De mais a mais, VIVA O CENTENAD... NÁRIO!
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transubstanciado por gravata às 05.12.10 | 8 comentários
02/12/2010
THE EVENT E O ESTIGMA DE LOST

(não contém nenhum spoiler significativo; se você é REALMENTE mocorongo para esse tipo de coisa, basta ignorar o texto - mas, na boa, pode ler que não entrego a rapadura)
A maior prova de que o final de "LOST" foi uma merda é o fato de que, depois dele, muito pouca gente se arrisca a ver novos seriados com temáticas reunindo ficção e mistério. Qualquer produção de SUCESSO faria com que proliferassem cópias ou adaptações, e estas ganhariam legiões de fãs (é assim em qualquer segmento da chamada "art pop").
Vejam o caso dos roteiristas: nem sonham em repetir aquela bobagem de enrolar o espectador por muito tempo para, no final, dizer que uma miríade de mistérios eram na verdade puro "pano de fundo" para dramas pessoais (e todos estariam mortos, ou no limbo, ou tudo seria um sonho - como nas redações de estudantes primários). Desse modo, quando algumas novas séries aparecem e alguns tentam dizer que são "novas LOST", os produtores fogem desse estigma como o diabo da cruz.
Quem não se lembra de "Flash Forward"? Definitivamente não foi ruim e por acaso teve um desfecho excepcional, mas cancelaram-na pelo motivo de sempre: baixa audiência (não pela média ponderada nem comparada a atrações em geral, mas pela grana investida no que seria a produção CABEÇA DE CHAVE da emissora). Foi pro saco, já era. E contava com ótimo elenco, trama bem amarradinha, tal e coisa. Seu grande azar foi mesmo a pecha de "nova LOST".
Agora, temos "The Event", cuja trama já tratou de botar "LOST" no chinelo e vem dando um show de criatividade mesmo usando alguns elementos pra lá de clássicos no gênero. O primeiro episódio (e, não, não entregarei nada fundamental) é quase uma homenagem-referência às avessas à maldita série que estragou toda uma geração de telespectadores. Vejam que curioso.
Vários passageiros milagrosamente sobrevivem a um "incidente" envolvendo um avião, mas pelo fato de que ele NÃO caiu - e é assim que somos levados ao segundo episódio (ao contrário de "LOST", são dadas respostas às questões paralelas e também a algumas centrais).
E aí, é claro, há toda galeria manjada de qualquer série: presidente idealista, vilão de caráter ambíguo, "mocinho e mocinha", inocentes úteis que aparecem e somem, capangas de todo gênero, forças ocultas que podem ou não aparecer lá pelas tantas.
A dica é simples: vejam. Não é um substituto de "LOST", até porque disseram muito bem aquela obviedade de cada seriado é um e nenhum toma o lugar do outro. Sem dúvida. Esse, por exemplo, é muito melhor. Talvez tenha menos fãs, assim como sua banda favorita provavelmente deva ter menos fãs que algum grupo de pagode ou dupla sertaneja.
E olha que letras de pagode e sertanejo fazem sentido, coisa que faltou ao roteiro de "LOST", mas não falta ao de "The Event".
Repetindo: VEJAM!
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transubstanciado por gravata às 02.12.10 | 8 comentários
02/12/2010
UM CARRO PARA QUEM REALMENTE PRECISA

A Nissan lançou uma campanha utilizando duas redes sociais, Twitter e Facabook, oferecendo um automóvel para cada vencedor dessas competições. A idéia, por óbvio, não é meramente estimular o espírito competitivo de um ambiente de teórica (ou suposta) sociabilidade, mas divulgar a marca.
Alguns amigos tiveram outra idéia: dar o carro a quem realmente precisa. Muitos precisam, é verdade, e depois de alguma pesquisa escolhemos a ONG "Família Santa Clara", do Rio de Janeiro, que há 23 anos ajuda crianças e adolescentes carentes (saiba mais por aqui ou aqui).
Seguramente, a marca Nissan será divulgada de forma absurdamente positiva, não é mesmo? E teremos grande prazer em participar dessa divulgação, colaborando para que esse prêmio chegue às mãos de quem de fato esteja precisando.
Mas concurso não permite a inscrição de pessoa jurídica, de modo que nossa amiga Ana Carolina (@anarina) se inscreveu ela própria, com seu CPF e obedecendo TODAS as regras, para concorrer - obviamente, assinando TERMO DE COMPROMISSO para entrega posterior do prêmio à entidade que queremos beneficiar e acreditamos ser realmente necessitada.
Trata-se, portanto, de uma coisa aparentemente simples do ponto de vista prático e funcional (dar um RT automático - aquele "oficial" do Twitter, neste tweet da @anarina), mas que depende da conscientização de todos e, claro, também da anuência. Porque é obviamente lícito e justo que qualquer pessoa participe e queira também ganhar um carro.
Um "scripteiro" pode usar sua artimanha para tentar convencer os "seguidores". Alguém de "bom trânsito no meio web", mesmo DEFINITIVAMENTE NÃO PRECISANDO DE UM CARRO, também pode aproveitar a ocasião para tentar descolar a caranga. Tudo isso é válido, ninguém pode reclamar.
Nossa mobilização, porém, é outra: queremos que isso seja revertido em favor da "Família Santa Clara". Um presente de natal que eles precisam e merecem. E para nós, que estamos aqui de fora, o único trabalho é apertar o botãozinho de "RT", nada mais.
Acho que dá para colaborar, né? Dê seu RT neste tweet. Muito obrigado, de verdade.
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transubstanciado por gravata às 02.12.10 | 4 comentários
30/11/2010
A TRANSFORMAÇÃO DAS PORNSTARS
Há dois fatores essenciais na análise dessa equação: a passagem do tempo e o fato de que 90% dos filmes pornôs são temáticos (novinhas, mais velhas, magras, gordinhas etc.). Desse modo, as atrizes não apenas são NECESSARIAMENTE rotuladas quanto ao tipo físico, mas também esse rótulo invariavelmente muda em função do tempo - quase sempre no sentido de que passam de "novas" para "mais velhas".
Mas NEM SEMPRE é isso que acontece, e aí é esse tipo de pesquisa (ui) que resolvi fazer. Muitas estrelas do mundo da filmografia fornicatória mudam de prateleira lasciva por razões diversas; e, quando falo "mudam", é porque em vários casos há mudanças REALMENTE significativas.
Começo por um caso trivial e sigo dando exemplos. Acompanhem que o negócio é bão! (imagens sempre na base do ANTES e DEPOIS)
Aurora Snow - De Teen a MILF

Ela tem um tipo físico propício para as produções no estilo "teen", o que sempre facilitou sua vida para figurar na categoria que o pornô denomina "Barely Legal". Mas o tempo passou também para Aurorinha e, nos dias de hoje, a dita-cuja se vê escalada para interpretar a parte que lhe cabe nesse latifúndio de enfurnações de robalo: a MILF (mamães nas quais adoraríamos chacoalhar o cação-martelo). As fotos estão aí, e o mais incrível é que de uma para outra se passaram apenas cerca de cinco anos.
Aria Giovanni - De Bombshell a Curvy

Primórdios da internê, tradição das tradições, TODO CAMARADA (não mintam, ok?) vai lembrar dessa maravilha. Trata-se de uma verdadeira musa para toda uma geração. Aparecia em fotos e, para quem tinha boa conexão, também em pequenos filmes. Depois veio a banda larga e Aria Giovanni surgia em filmes ainda maiores, e assim por diante. Até descobrirmos, claro, que aquele material era bem antigo, já que a moça, na verdade, já não era exatamente a Bombshell d'antanho, mas a Curvy de agora.
Sarah Vandella - De Curvy a Bombshell

Mais ou menos o percurso inverso - até mudou o nome para Sarah Sloane (deve ser por mudança de contrato/selo/editora/sei lá). Ela fazia muito aqueles filmes com semi-gordinhas cheias de óleo no corpo, nos quais figuram inevitavelmente estrelas como Gianna Michaels, Alexis Texas, entre outras representantes de um gênero efetivamente maravilhoso. Daí, de uma hora para outra, resolveu mudar de time e partiu para um lance mais "quero ser a Monique Alexander" e ficou um híbrido desta e Amy Reid (ou seria Ried - sério, os dois sobrenomes são encontrados em TODAS as enciclopédias pornôs!). Taí, amiguinhos, pornstars também malham e fazem dieta. Não tá fácil para ninguém essa cruel ditadura da magreza.
Audrey Hollander - De Amadora a Topa Tudo

Ela começou como muitas começam, fazendo aquelas cenas em que a atriz finge ser amadora, mas obviamente é uma principiante devidamente contratada. O primeiro deles, salvo engano, era numa das séries de casais com o TRADICIONALÍSSIMO véio careca. E assim foi até que... Pois é. Até que Audrey Hollander simplesmente se transformou num ícone da falta de noção no que diz respeito ao sexo diante das câmeras. TRIPLA PENETRAÇÃO, p.ex., é o que ela faz de mais singelo. Se um dia já foi "girl next door", muitos desejariam ser de sua vizinhança.
Janet Mason - De Caseira a Profissional

Essa, sim, iniciou a carreira como REALMENTE caseira. Assim como várias, criou um site na base do "sou casada e aqui estão minhas fotos e filmes retratando a vida liberal com vários homens". Mas fez tanto sucesso que passou a aparecer numa cena aqui, outra ali, até surgir em FILMES, mesmo. E foi somente agora, depois de anos com o site "amador" no ar. Porn-Probbloger, é o que posso dizer.
Annette Schwarz - De Topa Tudo (mesmo) a Default

Não que Annette seja hoje uma atriz COMPORTADA, mas é preciso compreender sua vida pregressa: ela começou no selo GGG (German Goo Girls), de John Thompson, simplesmente o selo MAIS PIRADO DA HISTÓRIA DA PORNOGRAFIA DO MUNDO MUNDIAL PLANETÁRIO TERRÁQUEO - tirando aqueles que colocam cachorro na parada, é claro. Uma breve busca no Google por "GGG", amigos, e vocês encontram coisas que farão o tal Gérson da novela ficar constrangido. Eis que nossa gloriosa alemãzinha (sim, ela é de lá) resolve ir pros EUA e passa a fazer filminhos APENAS com múltiplas penetrações e afins (dica: ela continua cheia das peraltices em seu site particular...).
Belladonna - De Promissora a Conceitual

É contemporânea de Aurora Snow, Gauge e outras tantas que fizeram parte de uma verdadeira geração de ouro pós-Sylvia Saint. Belladonna é tão casca-grossa que chegou a ter (não sei se ainda tem, confesso) umas quatro linhas de filmes, cada qual com uma temática. Mas, DO NADA, resolve fazer CINEMA DE CONTEÚDO no meio de filmes que eram para conter única e tão-somente putaria. Sério. Tomadas estranhas, cenas estrambóticas, filmes praticamente INTEIROS em PB ou "sépia" e assim por diante. Ela começou até BEM hardcore, chegando ao ponto de gravar em São Paulo (sim, aqui...) com seu então namorado Nacho Vidal e algumas garotas que são também garotos. Agora, vejam só!, tornou-se uma CINEASTA IRANIANA do mundo porn. Torçamos para que volte à boa fase (entre o trash e o pseudo-cult).
Flower Tucci - De Repente, Squirter

Quando se fala em "squirter", surgem os nomes de Cytherea e Tianna Lynn. A moda "pegou" e começaram a aparecer várias, obviamente muitas fazendo o "fake squirt" (na base da água ou mijadinha disfarçada). Até que a querida Flower Tucci, até então pornstar tradicional, começa a EJACULAR (ela não fazia isso no início da carreira, consultem os filmes). Não é toda hora que uma mulher desenvolve tal habilidade, tanto mais uma atriz. Em tempo: nem todos sabem, mas Miss Tucci participou da segunda edição do #lingerieday (é sério).
Enfim
Devo ter esquecido várias e, se lembrar e rolar, mando um VOLUME II dessa compilação. Caso vocês tenham algo a acrescentar, por favor, não se acanhem e MANDEM BRASA nos comentários.
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transubstanciado por gravata às 30.11.10 | 9 comentários
27/11/2010
OS DRINKS PERFEITOS DE FABIOREX
O grande amigo FabioRex é conhecido pelo talento como ilustrador, já que seus desenhos circulam pela web e também fora dela. Nesta semana, porém, depois de um papo sobre bebida, ele resolve acabar com a discussão ILUSTRANDO o que seria um "mojito perfeito" - e fez tanto sucesso que gerou uma série com vários outros drinques.
Vejam que bacana (ele criou uma página no Facebook só para isso, e o tamanho das imagens lá é maior, já que o blog restringe as dimensões):









Enfim, SE EU SOU DONO DE BAR FAMOSINHO/MODERNINHO/BADALADO, ficaria de olho e contrataria FabioRex para fazer algo no cardápio ou coisa do gênero.
Ah, claro: pro meu gosto, o mojito do Rex é muito forte, eu tiraria um pouco de limão também, e aumentaria de leve a dose de Club Soda. Mas cada um tem seu conceito de "perfeição", não é? :D
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transubstanciado por gravata às 27.11.10 | 6 comentários
26/11/2010
QUANTO VOCÊ DOOU PARA O COMANDO VERMELHO?
Não entendo muito de facções - nem de quem vende o quê - e, desse modo, é possível que algum leitor tenha financiado a ADA (Amigos dos Amigos) ou qualquer outra facção (ou "partido", como se denominam). Espero que não tenha havido ajuda alguma. Mas a teoria na prática é outra, como dizem os que praticam a teoria de forma diversa e, depois, teorizam de forma contrária.
Adiante.
Sou a favor da legalização das drogas. Sou também a favor da diminuição da carga tributária. Não sonego impostos, pois a lei AINDA não o permite e, também, não consumo drogas pelo mesmo motivo. Tenho certeza que muita gente condena empresários sonegadores, pois eles SE ANTECIPAM à eventual lei de alívio tributário, que causa males sociais diversos, da mesma forma que é condenável quem solapa a legislação antidrogas pelo fato de que INEQUIVOCAMENTE FINANCIA um aparato criminoso.
O discurso é "reacionário"? Não, não é. Trata-se de lógica simples. O usuário necessariamente compra de um traficante, a menos que tenha verdadeiros latifúndios de maconha ou cocaína à sua disposição. O traficante, nessa guerra entre facções e contra a polícia, compra armas com o dinheiro da venda das drogas. De novo: lógica simples. Chamar de "discurso reacionário" é a forma de tirar o cu dessa reta inevitável. Sim, meu caro, é VOCÊ que paga fuzil, munição, granada e a porra toda. É você que tá indireta ou não tão indiretamente assim matando essa gente toda.
Trago aqui trechos de texto publicado num Tumblr atualmente inativo que eu tocava chamado Socialismo & Classe média (*), infelizmente MUITO atual:
"DÓRGAS - ABRACEM A LAGOA E CORRAM DA LÓGICA
...Eles acham que, legalizando, os traficantes ficarão sem dinheiro e, assim, passarão a seqüestrar, roubar etc. Ok. Mas, também, para manter o discurso moralista e fazer média com eleitores, leitores e, vá lá, a parte ativa da relação, seguram esse sofisma. Se ninguém compra - como eles defendem - pela lógica os traficantes DESDE JÁ também ficam sem dinheiro. E, desse modo, começariam desde já a seqüestrar, roubar etc. Assim, na prática, eles não são a favor nem contra nada, apenas não querem discutir o assunto para evitar indisposições com eleitores, leitores ou a parte ativa da relação. E o empurram com a barriga e/ou a bunda.Os que são a favor e desde já consomem não gostam de ser vistos como criminosos. Os ladrões também não gostam de ser vistos como criminosos. Nem os sonegadores. Há um sujeito em Pernambuco, preso por três homicídios e réu confesso, que também odeia ser chamado de criminoso. É de fato intrigante a mente humana no que tange ao "ódio". Mas, vamos à realidade: não se pode descumprir uma lei pelo simples fato de que há o desejo de vê-la modificada. Vamos, por exemplo, à CLT. É visivelmente atrasada. Mas quem não cumpre é criminoso. O mesmo vale para quem não recolhe impostos. Nos dois casos, inclusive, o que se tem é uma bagunça de todo o mercado de trabalho.
Assim, comprar uma substância ilícita é a forma mais eficiente de fortalecer o comércio dessa substância ilícita. É importantíssimo lutar pela mudança das leis e a ninguém pode ser negado esse direito, mas é ridículo também negar que comprar cocaína não sirva como a base mais clara de fortalecimento do traficante de cocaína. Se não é por meio do consumidor, como ele consegue dinheiro para aterrorizar a cidade do Rio de Janeiro? Jogando no bingo? Depois não adianta abraçar a Lagoa Rodrigo de Freitas clamando pela paz, nem reclamar da capa da Veja.
E então chegamos aos que se consideram “moderados”, mas são apenas idiotas. Sob o pretexto de conseguir o que querem, usam um discurso mais ameno. Em termos lógicos, porém, são imbecis. A maconha é tão natural quanto a cocaína: ambas vêm de plantas. A heroína, aliás, também vem de uma planta, a papoula. Muitas das drogas atualmente liberadas, inclusive, são totalmente sintéticas (podem ser compradas nas farmácias com receitinha médica, sem grande burocracia).
Mas como a maconha é mais "fraca", acham que não há problema em liberá-la. É um ponto? Sim, claro. Mas um ponto interessante em eventual “Encontro Anual dos Débeis Mentais”. Ou defende-se que não cabe ao Estado interferir no direito ao entorpecimento, ou fechem a matraca e fim de papo. Estipular uma graduação é como aceitar “meia ditadura”, “meio autoritarismo”. Um “só a cabecinha” na interferência do governo sobre o indivíduo.
Em suma: coisa de classe média. Uma classe média que, adivinhem?, odeia a classe média. Porque eles supõem que os outros são a classe média, mas pelo menos - ainda que idiotas (e o são) - têm opiniões claras. São contra e pronto.
Eles, fingindo-se relativamente favoráveis ou às vezes idiotamente contrários por motivos meio bestas, caem nas mais estapafúrdias contradições. E estão lá, abraçando a Lagoa, com roupinha branca, segurando flores, no maior papelão. Grande concentração de classe média que odeia a classe média.
Duro mesmo é quando começa a infelizmente infalível “Caminhando e Cantando”. Eis uma boa hora para entrar em discussão a Eutanásia."
(*) A idéia do Tumblr era sacanear essas pessoas que tiram sarro da classe média, mas são elas próprias são EXATAMENTE a classe média, composta de gente travestida de rebelde. Seu ódio é provavelmente uma de se rebelar contra aquilo que são. Enfim, explico tudo lá na bagaça, é só dar uma lidinha para entender. No mais, claro, CLARO, a classe média tem coisas chatas, mas seus "odiadores sistemáticos" são ainda mais patéticos.
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transubstanciado por gravata às 26.11.10 | 5 comentários
18/11/2010
BRASIL x EUA: TV x CINEMA
O Brasil tem fama de fazer uma das melhores dramaturgias televisivas do mundo. Essa fama, claro, é restrita ao próprio país, pois nossa televisão é uma porcaria - talvez apenas a da Itália seria pior (dentre os países de cultura ocidental). Esse tipo de avaliação ufanista é normal. Também falamos bem de nossa música popular, como se fosse a melhor do planeta, mesmo não o sendo. O mesmo vale para nossa culinária. É boa? Sim. Mas se alcançar a vigésima colocação num torneio mundial seria uma façanha - com provável ajuda simpática dos jurados.
Mas voltemos à TV, e à comparação que pretendo fazer ao cinema, sobretudo em analogia ao que acontece nos EUA. O caso é espantoso, para dizer o mínimo.
Aqui, a grande audiência acompanha a programação televisiva enquanto apenas um percentual exíguo se presta a ver filmes de produção nacional. Talvez por isso - é um palpite -, há extremo conservadorismo na dramaturgia televisiva enquanto nas películas cinematográficas é possível inovar (não que as inovações resultem em boa qualidade, vale dizer).
Nos EUA, há o contrário: o cinema é muito mais conservador enquanto a TV permite todo tipo de inovação temática, formal etc. É muito difícil e improvável (exceto de forma independente) emplacar um filme sem seguir fórmulas manjadas de sucesso, mas a televisão aceita programas dramatúrgicos com temáticas envolvendo sexo, drogas, conspirações governamentais e absolutamente todas as cenas mais improváveis e inimagináveis para os padrões brasileiros (aqui, p.ex., nem mesmo palavrões são aceitos - e beijos gays, masculinos ou femininos, são tabu até hoje; nas séries norteamericanas, são corriqueiros desde o início da década de 90).
Há mais diferenças, é claro. Quando produzido nos EUA, até mesmo o mais independente dos filmes não está vinculado ao governo, por meio de mecanismos de renúncia fiscal e outras peripécias congêneres. A expectativa de baixa bilheteria significa menor investimento, menores cachês etc. No Brasil, os mesmos grupos de cineastas, ano após ano, fazem filmes que quase ninguém vê às custas do dinheiro dos impostos sem qualquer preocupação. É o "negócio" menos arriscado do mundo. Ninguém precisa ver, ninguém precisa gostar, o dinheiro da produção está garantido - nós pagamos. E, caso queiramos ver o filme, pagamos novamente.
Os roteiristas e diretores norteamericanos, quando se lançam numa produção independente, geralmente investem sua ousadia na criatividade, no desenvolvimento das personagens, entre outros fatores que costumam constituir a chamada "obra". No Brasil, o cinema-arte é quase sempre a velha criança-com-ranho-escorrendo, no melhor estilo "o filme é uma merda, mas o diretor é um gênio" (a frase, smj, é de Paulo Francis). Há um alento: já fazem filmes legais (sim, isso existe!), como Tropa de Elite, O Bem Amado, entre outros.
Quanto à TV, é importante registrar o esforço da Rede Globo em investir nas séries, uma iniciativa que começou timidamente e agora parece ter ganhado força pra valer. Quase todo dia tem alguma coisa, com roteiristas que fazem cursos e mais cursos lá dentro (sim, eu sei disso, tenho amigos lá) e atores ótimos capitaneando as produções (Latorraca, Nanini, Marília Pêra...). É fase incipiente e talvez o caminho seja natural: a "loucura criativa" superará qualquer patamar das telenovelas, as temáticas evoluirão mais e mais e, assim, teremos mais espaço para coisas boas e bacanas. Por ora, temos um começo. Mas é um bom começo.
E sim, eu sei, mesmo os seriados criativíssimos dos EUA estão sujeitos à audiência, pois muitas vezes são cortados na falta dela. Isso é ruim? Para o fã, sim; para o mercado em geral, não. Quem se presta a fazer um produto para a MASSA, tem que ter em mente algo que AGRADE À MASSA. E em favor disso está o fato de que muitas e muitas e muitas séries, mesmo "doidas" e "subversivas" permaneceram no ar por anos e anos (em horário nobre). A razão? DAVAM AUDIÊNCIA.
Deveriam aplicar essa regra ao cinema nacional, guardadas algumas óbvias proporções. Produtores de cinema teriam direito a uma ou duas oportunidades de usar renúncia fiscal e mecanismos de isenção. Depois disso, É POR CONTA PRÓPRIA. Que mania é essa de impor as coisas ao povo? Que "entendedores do povo" são esses? E nem venham com lenga-lenga em defesa da arte. Os mesmos que reclamam das "oito famílias que controlam a mídia" às vezes têm a pachorra de defender as "oito produtoras" que recebem toda hora uma nota preta de dinheiro dos nossos impostos para fazer filme que ninguém vê.
Já que é Pão e Circo, deveriam fazer espetáculos ao gosto do povo, em vez de somente levar uma grana sem agradar à patuléia. Que tal?
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transubstanciado por gravata às 18.11.10 | 6 comentários
16/11/2010
PATETICE MASCULINA: O BANDO DE BALADEIRO
Neste último sábado, comemorei meu aniversário e o fiz numa casa de shows, o Comitê Club. A festa foi memorável, divertimo-nos sobremodo, tive a chance de conhecer a maravilhosa banda Seu Chico e de fato não tenho do que reclamar. Ou melhor: tenho. Os rapazes da nova geração estão fazendo uma coisa errada, mas muito errada.
Não se deve sair de turma. E falo aqui, é claro, das TURMAS DE HOMENS. Muito embora as razões sejam óbvias demais para que as explique, os bandos são inúmeros a ponto de me ver obrigado a explicá-las. Adiante.
O objetivo do homem heterossexual numa festa (ou 'balada', como queiram) é o sexo, a cópula, a ENFURNAÇÃO DO ROBALO. Todo o mais é meramente acessório - como, vá lá, divertir-se, beber, conversar ou até mesmo ver alguns amigos. Se você não abrigou o colibri, você falhou miseravelmente em sua noite. E, se você saiu em uma turma de dez machos (sabe-se lá como conseguem tal façanha num único veículo automotor), a chance de chafurdar a manjuba é praticamente nula.
Muitos, triste e lamentavelmente, fazem isso.
A coisa já começa na matemática. Ao chegar em cinco ou dez caboclos, vocês todos prejudicam a relação candidato/vaga, detonando todo um ECOSSISTEMA. Estão ali, vamos supor, cinqüenta garotas e quarenta rapazes. Com a chegada de mais dez palermas a até então supremacia feminina passa para um empate técnico. Mas não é só isso, como sabemos. Logo chegam mais dez, e dez, e dez e assim até a mais inaceitável baranga se transforma em verdadeira PEDRA PRECIOSA (entramos nas regras de mercado e economia).
O ambiente se torna desfavorável para qualquer tipo de negociação. A feia se torna disputada, a bonitinha passa a ser uma beldade e a quase-linda não quer papo com ninguém, exceto se um galã de telenovela sugerir casamento. E nem é só isso: VOCÊS VIERAM TODOS NO MESMO CARRO, SUAS ANTAS! Como será a logística para depois levá-las para qualquer outro lugar? Já foi quase impossível apertar todo mundo no Monza Classic, imagine colocar OUTRAS oito (claro que só os dois bonitinhos pegarão alguém, isso é apenas uma suposição teórica).
Um outro pormenor desagradabilíssimo são as brigas, geradas quase sempre pelos que percebem a hostilidade do ambiente e resolvem afogar as mágoas da rejeição na cajibrina, voltando para a pista já calibrados e pouco afeitos a ouvir "não" como resposta - e também não exatamente dando bola para detalhes como "garotas acompanhadas". É aí que o couro come, como estamos cansados de saber.
Sim, sei como são as coisas, alguns amigos ficam chateados quando não vão para esses lugares. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Vai jogar bola? O esporte precisa de um determinado número de pessoas. Vai sair para tentar futucar a taturana? O contingente é sempre mais reduzido. E eles SEGURAMENTE VÃO ENTENDER - se não entendem, o problema é deles, não seu. Quer sair para bater papo? Vá para um bar no domingo à tarde, pronto. Chegar em vinte numa casa noturna é simplesmente IMPLORAR PARA NÃO COMER NINGUÉM.
Sabe o que é MAIS INEXPLICAVELMENTE FODA? Vocês vão ao trabalho todo dia cada um num único carro, poluindo a cidade, mas para a noite, na hora da diversão e de tentar assinalar o tento, colocam trinta marmanjos num único carro. NÃO DEVERIA SER O CONTRÁRIO?
Pensem nisso. Sejam solidários no dia-a-dia, pegando caronas para trabalhar, quando ninguém precisa fazer fordunço, mesmo. Mas, na hora do reco-reco, saia com no máximo mais um amigo. É uma troca justa para seu lazer e, veja só!, também para o meio-ambiente.
Transmita esse ensinamento para toda a nova geração.
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transubstanciado por gravata às 16.11.10 | 14 comentários
09/11/2010
DEVEMOS PUNIR AS PIADAS OU OS EXCESSOS?
Voltemos (rapidamente, juro) ao "Caso Mayara": ela não fez piada alguma, não foi meramente uma transgressora e é no mínimo imbecil recorrer aos protestos contra o politicamente correto para socorrê-la quanto ao crime cometido (sim, foi crime; sim, merece processo e, se for o caso, haverá punição). Ela disse, com todas as letras e de forma inequivocamente expressa que deveriam MATAR nordestinos (afogados!). Talvez esteja arrependida, espero que sim. Mas disse.
Sigamos.
Hoje, chegou a hora e a vez de Giannechini (espero ter acertado a grafia de seu nome) ganhar suas anedotas porque fez uma propaganda para uma loja de nome "PINTOS". Qualquer pessoa receberia piada porque, em que pese a existência desse sobrenome ou o filho da Dona Galinha receber tal nomenclatura, tal denominação é popularmente empregada à genitália masculina. Assim como "pau" também pode ser um pedaço de madeira, vamos dizer.
E então começaram as piadas (muitas ruins) e os excessos (quase todos inaceitáveis). Na minha opinião, é preciso diferenciar essas duas coisas, porque são mesmo distintas e é aí que está a raiz de um problema fundamental na aplicabilidade da regra básica do chamado "politicamente correto". Não é a "piada" que faz mal (mesmo quando ruim), mas o EXCESSO. Toda e qualquer circunstância do nosso cotidiano pode ser alvo de anedota, bem como também pode dar subsídio para crimes contra a honra, ser objeto de preconceito ou discriminação.
O que se faz no Brasil, porém, remete à história do sofá: pega-se alguém traindo em referido móvel e, para evitar futuras traições, ele é jogado no lixo. Desse modo, proíbem TODA E QUALQUER PIADA sobre determinadas regiões, pessoas, tipos e assim por diante. Até as mais inocentes - e, sim, EXISTEM AS INOCENTES (e até as boas, pois sim!). Cria-se um ambiente de patrulha, uma coisa meio policialesca, e é esse o lado negro (opa!) da correção política.
Vetar completamente toda e qualquer referência jocosa a determinado grupo é, antes e acima de tudo, pressupor sua inferioridade (e, claro, de forma equivocada). Quem faz isso já parte do pressuposto que essas pessoas são menores e não podem nem ser objeto de piada - tudo por culpa dos excessos, vale insistir. E não há sociedade democrática livre que sobreviva sem humor livre. Elas sobrevivem, isso sim, sem passar das "linhas vermelhas" do bom-senso.
Se um estabelecimento comercial ironicamente possui nome usado pelo povo para apelidar um órgão sexual, desculpem, não há problema em fazer chacota de quem aparece num vídeo dizendo algo ambíguo a respeito da loja. Esse, a meu ver, é o campo permitido pelo humor saudável (bom ou ruim, mas razoável do ponto de vista civilizado). Daí a mandar matar, esfolar ou acabar com a existência de todo um grupo vai longe - e não há sentido em ACABAR com todas as referências jocosas e humorísticas.
Mandar matar determinado grupo é o excesso que deve ser evitado, julgado e, se for o caso, punido de acordo com a lei. Tudo isso para que a sociedade sobreviva de forma democrática e, entre outras coisas, consiga exercer seus direitos em plenitude, entre eles o da liberdade de expressão - permitindo piadas sobre todo e qualquer grupo.
Até porque, quando TODOS os grupos são objeto de piada, não há discriminação expressa. Mas à medida em que se determina a PROIBIÇÃO de se produzir anedotas contra esta ou aquela categoria, cria-se subgrupos protegidos de forma um tanto teratológica (quando a proteção deveria recair apenas em razão de quem extrapolasse a razoabilidade).
Proibições desse tipo, no fim das contas, não evitam nada. Tudo prossegue, mas apenas de forma escamoteada, e as agressões também. Quando se tenta evitar APENAS o que é agressivo, permitindo que toda categoria ou grupo possa ser alvo de brincadeiras sem qualquer teor mais acentuado, talvez consigamos dar um passo menos equivocado na patrulha coletiva e, ao mesmo tempo, isolar aqueles que "não sabem brincar" de sociedade democrática - sem que tudo pareça uma ditadura.
"Ah, mas como saber o que é excesso?" - o Poder Judiciário está aí para isso, as leis são feitas também para isso e, acreditem, essas instituições são melhores que os linchadores de ocasião, esses que atualmente povoam algumas redes sociais em busca de justiçamento na base de tumblr, hashtag e afins. Chega de queimar sofá, né?
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transubstanciado por gravata às 09.11.10 | 1 comentário
05/11/2010
CHICO ANYSIO: AZAMBUJA E BAIANO & OS NOVOS CAETANOS
E, claro, Baiano & Novos Caetanos
Participação especialíssima de Arnaud Rodrigues (o "Paulinho"), que além de escrever com Chico praticamente todos os quadros de todos os programas, era também compositor e chegou a lançar um disco EXCELENTE.
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transubstanciado por gravata às 05.11.10 | Alguém?
04/11/2010
XENOFOBIA E AS REAÇÕES SELETIVAS
Sob qualquer ponto de vista razoável e minimamente humano, é indefensável a atitude da garota no tuíter, que não apenas ofendeu os nordestinos, mas cometeu crime previsto na Lei Anti-Racismo, incidindo especificamente na "ofensa à origem". E, para tristeza geral, muitos idiotas seguiram esse pensamento estúpido, dando repercussão à ofensa de forma quase generalizada - quase sempre tendo como "desculpa" a eleição de Dilma.
Quando ocorre esse tipo de babaquice, sobretudo ofensas contra uma coletividade e comportamentos "de ódio", é natural haver reações exageradas (e foi o que houve). O tuíter se transformou numa verdadeira praça de guerra de opiniões e, exageros à parte, considero positivo o fato de que a grande maioria tenha reagido CONTRA as posições discriminatórias e preconceituosas.
Sim, é claro, em alguns momentos ficou parecendo que a Vila Madalena havia se transformado numa embaixada de Caruaru e o Baixo Augusta se tornara um pedaço paulistano de Juazeiro do Norte, haja vista a mistura de ufanismo às avessas, oportunismo discursivo e outros que tais. Mas o saldo é positivo, não se pode negar. São jovens, ora, e tendem ao exagero - fazem isso combatendo opiniões discriminatórias de outros jovens que tristemente exageram no sentido oposto.
Mas é chato, porém, quando aparentemente quase todos silenciam diante de casos talvez mais sérios (e, sim, é possível dizer que alguns são "mais" ou "menos" graves). Vejamos, por exemplo, o amado e idolatrado Morrisey, da banda The Smiths, e seu racismo e xenofobia explícitos. Em 2007, soltou declarações espantosas e merecedoras de pelo menos 20 tumblrs anti-xenofobia (não ganhou nenhum, curiosamente... - e olha que já tinha armado presepada xenófoba na década de 1990).
Disse que a Grã-Bretanha havia "perdido sua identidade" por causa do "elevado nível de imigrantes". Alegou que não poderia viver em uma Inglaterra "perdida para uma explosão de imigrantes" que seria "só uma lembrança agora" (na ocasião, morava em Roma). Prosseguiu: "Outros países mantiveram sua identidade básica, mas me parece que a Inglaterra jogou a dela fora".
E disse mais: "A mudança na Inglaterra é tão rápida, comparada com as mudanças de qualquer outro país. Se você andar por Knightsbridge em qualquer hora e dia da semana, você não vai ouvir um sotaque inglês. Você vai ouvir todos os sotaques que existem sob o sol, exceto o sotaque britãnico. A identidade britânica é muito atraente. Eu cresci dentro dela e acho-a rara e divertida".
Neste ano, talvez para dissipar quaisquer dúvidas, o líder da célebre banda d'antanho alegou que os chineses seriam uma subespécie, em razão do fato de que maltratam animais (ele gosta dos bichos, não tanto quanto de indianos e nativos do extremo-oriente, como se vê).
Vila Madalena não vestiu a camisa de Mumbai. Baixo Augusta deu de ombros para Beijing. Nem toda xenofobia será castigada.
Essa proteção aos ídolos lembra um pouco aquele caso do Polanski, quando chegou a ser defendido - sim, DEFENDIDO - pelo fato de ter toda uma obra e de haver "todo um contexto" (sei lá o que é isso, mas foi o que disseram). E alguns desses blogs, por sinal, desceram a marreta na menina que xingou os nordestinos (talvez porque, para tais escribas, o crime de opinião seja mais grave que estuprar uma garota de 13 anos). Morrisey também passou batido.
Se a menina tivesse gravado discos ou feito filmes, eu e alguns outros seguramente não a perdoaríamos, mas toda uma multidão provavelmente teria silenciado ou até mesmo saído em sua defesa. Nesses casos, como dizem, HÁ TODO UM CONTEXTO.
É mole?
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03/11/2010
"RACISMO" CONTRA NORDESTINOS?
Pois é. Dizem "racismo" e não são poucos. A odiosa discriminação ou estapafúrdio preconceito (são distintos, espero que todos saibam), no caso em comento, não diz respeito a raças ou etnias, mas à ORIGEM dos nossos amigos oriundos da referida região. E há, além de tudo, os que "corrigem" esse pormenor alegando que nós todos, humanos, formamos uma grande e única raça. Na verdade, somos uma ESPÉCIE.
Não sei vocês, mas vejo RACISMO quando imputam aos nordestinos uma "raça". Por que seriam? Ao tratar os nordestinos como uma "raça" - sobretudo supondo que os humanos possam ser assim divididos -, o sujeito acaba reconhecendo de "nítida diferença" (especialmente imputando à vítima certa hipossuficiência), ainda que o faça para repreender quem pratica discriminação ou age de forma preconceituosa.
E, agora, alguém na Abril Online confundiu "Lei Anti-Racismo" e o artigo da legislação talvez obviamente empregado pela OAB/PE para enquadrar a moça infratora. Leiam isso. Viram? É o seguinte: o artigo na Lei 7716 que pune racismo também impõe sanção ao "preconceito de descendência" (o legislador seguramente quis dizer e/ou enquadrar também os de "ascendência"...).
E vejam aqui e aqui o que está na boca do povo.
Enfim, os seres humanos, ao contrário de cães, não têm raças. No máximo, temos algumas divisões culturais e étnicas. E não somos todos uma única "raça", mas sim uma "espécie". Discriminação ou preconceito contra nordestinos, portanto, não configura e nem poderia ser RACISMO, mas crime contra a ORIGEM.
Peguei leve com meio mundo dessa vez, mas chamar quem é burro de burro não é crime, belezura?
1 forte abç.
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transubstanciado por gravata às 03.11.10 | 6 comentários
29/10/2010
"NOME", ARNALDO ANTUNES
Em 1993, recém-saído dos Titãs, Arnaldo Antunes lançou seu projeto "Nome", livro-vídeo-CD, com poemas musicados, músicas-poéticas ou videopoemas, ninguém tinha muita idéia - ou até hoje se tem - do que seria/é aquilo tudo. Eu, com dezessete anos incompletos, achei o máximo, gostei de verdade (ainda gosto). Acho que é seu melhor trabalho (faça-se justiça, o projeto é assinado também por Kiko Mistrorigo, Célia Catunda e Zaba Moreau).
As "coisas do Arnaldo", nos Titãs, eram sempre as mais diferentes, isso desde "Cabeça Dinossauro", como a canção "O Que", passando por "O Pulso" e evidências autorais mais explícitas no último álbum enquanto integrava o grupo, "Tudo ao Mesmo Tempo Agora". Havia, é claro, certo suspense sobre sua carreira-solo, mas ninguém duvidava de certo experimentalismo.
Se não me engano, a MTV lançou com exclusividade um especial de uma semana com os vídeos, além de entrevistas e outras curiosidades e, em seguida, livro-vídeo-CD estavam disponíveis para a rapaziada. Os de sempre elogiaram (de Caetano Veloso, Gilberto Gil a Washington Olivetto e Tuffi Duek - que estampou algumas frases em camisetas da Forum) e também os de sempre caíram matando (críticos em geral, jornalistas etc.).
E eu, novinho e sem entender nada, apenas gostei muito e ainda gosto. Não sei se entendo nada ou se é para que "entendamos" algo. Acho legal e bonito, não tenho vergonha de dizer isso, nem tenho vergonha de dizer que algumas coisas não entendo. Eu gosto, e minha relação com a arte em geral e a música em especial é essa: eu gosto e pronto (ou não gosto, e pronto também).
Aí vão algumas de minhas favoritas, com alguns comentários:
Nome
Faixa-título e também poema do livro, acho divertida pela forma com que converte poesia em rock, provavelmente fazendo caricatura de si próprio já que é/seria um poeta-roqueiro - e a melodia é bacana.
Entre
Gosto da idéia e dos dois poemas fundidos em duas melodias, além da participação de Péricles Cavalcanti.
Pessoa
É o "grande momento da poesia concreta", vamos dizer. Enquanto um poema aparece na tela, o próprio Arnaldo lê outra coisa, na verdade uma análise ora sintática ora morfológica do texto.
Imagem
Gosto do poema, da forma como foi 'musicado' e, novamente, ótima participação de Péricles Cavalcanti.
Pouco
Um verso, apenas, convertido de forma simples e cantado de maneira a sempre suprimir uma das palavras - que é completada pelo vídeo.
Diferente
Melodia difícil (ou "diferente", ou "chata", mesmo). Eu gosto porque fala de super-heróis e figuras extraordinárias do mundo da ficção. No vídeo, eles aparecem na tela; no CD, Arnaldo entoa cada nome, são eles: Jaspion, Spock, Cyborg, She-ra, Chewbacca, Wolverine, Mun-ra, ET, He-man, Jor-el, Mentor, Ewok, Thor, Condor, Namor, Arkon, Jyraia, Darth vader, Thanos, Yoda, Ajax, Urko, Lex luthor, Wizz-ra, Alien, Frankenstein, Gremlin, Ciclope, Warlock, Batrok, Fênix, Cheetara, Skywalker, O coisa, Changeman, Elektra, Erchamion.
Acordo
Seria uma espécie de HaiKai, mas não no sentido mais clássico e rigoroso (o legítimo teria as dezessete sílabas, temas da natureza etc.). Mas, enfim, são três versos e conexão entre eles, com uma montagem interessante no vídeo e melodia divertida.
Cultura
Esse poema é do livro anterior, "As Coisas", com definições lúdicas sobre alguns bichos e Marisa Monte participa da música - ela participa de outras duas: "Alta Noite" (gravada também em seu disco "Cor de Rosa") e "Direitinho". Essa, "Cultura", acho o máximo.
E é isso. Sei que muitos detestam, mas eu gosto demais de Arnaldo Antunes, principalmente de "Nome", seu primeiro disco, lançado como CD-vídeo-livro. Não sei se todos conheciam, mas vale dar uma olhada, sobretudo pelo fato de, já em 1993 ser algo "novo" mesmo comparando aos padrões atuais.
Gostando ou não de determinados músicos, poetas e afins, a arte precisa de quem cria e inventa, e não apenas de quem repete e adota alguns esquemas. De lá pra cá, infelizmente, muito pouco se criou. Fora que Arnaldo Antunes vinha da confortável posição de popstar de banda consagrada.
E as "novas gerações", infelizmente, hoje em dia são "novas" apenas na idade, não pelo que criam ou desenvolvem. Isso é triste.
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29/10/2010
#PORTUNHOLDAY: PETERSON FOCA NO CHILE
Hoy és el #portunholday, un dia cómo otro qualquier, non fuesse la oportunidád de escrebir neste idióma pruêprio de las personas que viven el en cuene sur: la mistura perfecta del portugués del brasil y el espanhól de la arrentina y arredôres. Hay ún sitio en que si puede comprender un poco mas acerca de la efemeride.
Yo trago para ustedes un poco de diberción con Petercito Fueca - conocido en Brasil cómo "Peterson Foca: Animal". Este fué un quadro en el programete radiofónico llamado "Sobriños del Athaíde", compuesto por Pablo Bonfá, Marquito Bianchi e Felipe Rabiêr - los dos premeros, hoy, hacen el programa "Roque & Guelo en la Musica Telebisión".
Afinal, Dibirtan-se com Petercito en la Cordillera:
Furte Abrazo, hermanitos!
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22/10/2010
AMIGOS: AME-OS E DEIXE-OS TERMINAR A RELAÇÃO
Pessoas são felizes quando se juntam e, quando a relação perde a razão de ser, voltam à felicidade quando se separam. A regra parece simples, na verdade é muito simples, mas muitas vezes a tornamos por demais complexa com nossa mania de meter o bedelho - seja por pura e simples intromissão ou atendendo ao pedido dos amigos quanto a dar conselhos.
Nosso instinto é sempre o mesmo, salvo raras exceções: FIQUEM JUNTOS! É isso que sempre dizemos, não adianta negar. Queremos que casais amigos não se separem, e amigos não querem que nos separemos, para que assim os "grupos de casais amigos" permaneçam como estão. É uma idéia coletiva de felicidade muito mais fincada no teatro público de suposta alegria que na realidade da tristeza legítima das relações íntimas.
Por que tão poucos, ou quase ninguém, os aconselha a separar? Por que essa "dica" é tão rara, mesmo diante da felicidade nítida percebida depois de tantas e tantas separações? - a partir das quais, aliás, é possível começar outros casos, romances, paixões e amores... Insisto nesse chute de que seja um "instinto", provavelmente algo covarde ou conformista, mas também pode ser a idéia errada que fazemos por ver o quadro "do lado de fora", mesmo conhecendo nossas relações por dentro, intimamente, e sabendo que há motivos bastantes - e bem reais - para dar fim a tudo.
Mas a idéia que temos de "conselho de amigo", quase sempre, é a de que é preciso "dar mais uma chance", muitas vezes subsidiando a opinião em premissas como "ainda há amor" ou "é possível reconstruir as coisas". São bobagens genéricas e inúteis, exatamente aquilo que se quer ouvir, e tudo que se pode dizer para não soltar o óbvio: "termina logo essa bagaça porque aparentemente a vaca já foi pro brejo faz tempo".
Há um problema aí, é verdade. O casal pode terminar a relação e, se um dos dois estiver menos inclinado a isso, o "conselheiro separatista" poderá ser visto como semeador de discórdia (pessoas são mesquinhas e covardes, escondem o fracasso da vida a dois e facilmente culpam algum outro). Também por isso, arrisco dizer, é melhor simplesmente usar alguma platitude discursiva quando nos perguntam o que fazer diante de crise amorosa terminal.
Afora tudo isso, já que cabe a cada casal decidi por si (ou a cada pessoa, dentro do casal), não deixa de ser curioso que tenhamos um instinto ou mania de sempre protestar pela continuidade, quando ousamos tomar algum partido em vez da neutralidade - raramente alguém, de forma clara, fala em favor da separação (exceto quando alguém trai ou comete falta gravíssima).
Daí, depois que finalmente resolvem separar e nota-se muita felicidade nos olhos da pessoa aconselhada a manter-se na relação, quem deu o conselho anterior não faz 'mea culpa', mas comemora a nova fase e muitas vezes a aplaude, até mesmo esquecendo que torceu muito em favor do contrário.
A atitude padrão, conosco ou com os outros, parece ser sempre a inércia. Ainda bem que a coragem vez por outra é aplaudida. E não adianta sofismar dizendo que 'coragem' é lutar por uma relação falida, pois seria puro exercício retórico. Difícil mesmo é continuá-la, quando é o caso, enfrentando de verdade os problemas reais. Em geral, toca-se de lado e empurra-se as coisas para debaixo do tapete, quase sempre adiando o problema. E nós, de fora, aconselhando a "dar mais uma chance" e "não terminar".
Como naquela analogia da água gelada, usada para os casamentos e relações, valendo agora no sentido de segurar os demais para que não saiam da piscina enquanto tentam com pequeno esforço fazer isso.
Talvez isso seja bom, no fim das contas.
Não sei até que ponto o mundo seria mais feliz sendo menos hipócrita. As pessoas são todas mentirosas, e a mentira coletiva talvez reflita uma necessidade existencial de toda a sociedade. Muitas verdades, e todas de uma vez, provavelmente não faria bem. Fiquemos assim, com nossa preguiça, inércia e pedidos de conselhos que são, na verdade, pessoas implorando para que ninguém lhes fale com sinceridade.
Ah, sim. Eu sou falso quando me perguntam sobre suas relações. Quem sabe disso é o próprio casal e não sou trouxa para bancar o "pivô" de separação alheia. Aconselho a todos que façam o mesmo. Cada um que cuide da sua vida. Conselho é bom e é muito bem pago quando se trata de consultoria. Conselho amoroso na vida sentimental das pessoas, acreditem, não presta. Soltem no máximo qualquer abstração neutra e mudem logo de assunto.
Sejam falsos. O mundo gosta assim e, quando alguém pergunta, é porque quer ouvir exatamente isso.
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transubstanciado por gravata às 22.10.10 | 9 comentários
12/10/2010
SWU, BLOGOSFERA E A HIPOCRISIA DOS VIPS
Não fui para o SWU e jamais iria porque não gosto de eventos muito lotados. Mas não entro nessa onda de meter o pau pelo simples fato de meter o pau e, além disso, acho muito bacana que possamos fazer shows legais aqui no Brasil, com bandas de ponta e assim por diante. Ah, claro, há problemas. Sempre há.
Uma coisa engraçada, porém, é o pessoal reclamando de "área VIP", justamente pessoas da blogosfera, tuitosfera e outras "feras" que PRATICAMENTE VIVEM de eventinhos Vips, brindes e outros regalos. Mas que onda de "igualdade", "fraternidade" e - surpresa das surpresas! - "liberdade" assolou esse povo? Estou realmente espantado.
Suponho que, amanhã, caso ganhem um aparelho celular, imediatamente dirão: "NÃO QUERO, POIS O CORRETO É COMPRAR NA LOJA, NÃO VENHAM COM ISSO, POR FAVOR! EU VOU PAGAR COMO TODO MUNDO E, ASSIM, SE FOR O CASO, EMITIREI MEU JUÍZO DE VALOR".
E o mesmo vale para aquelas festas furadíssimas de vodka ou rum ou qualquer outra bebida de vinte contos a garrafa, para as quais alguns vão e voltam dizendo na interna que foi uma merda, mas publicam maravilhas. É claro que NÃO ACEITRÃO, sob o argumento de que "NÃO É JUSTO BENEFICIAR UMA PEQUENA PARCELA DA POPULAÇÃO EM DETRIMENTO DOS DEMAIS QUE PRECISAM DESEMBOLSAR UMA GRANA PARA ADQUIRIR TAIS GARRAFAS".
Desse modo, e nesse sentido, obviamente a opinião dos novos paladinos anti-VIP jamais será restrita a um festival de música, pois ali UMA GALERA PAGOU por esse espaço, e nos eventinhos para o qual alguns vão a coisa é DIGRÁTIS (há uma diferença abissal aí, pois não?).
Mas eu caso cinqüentinha no chão que uma coisa é uma coisa, outra coisa continuará sendo outra coisa. Isso diz muito não apenas sobre a qualidade de algumas opiniões, mas também sobre o próprio SWU. Se tantos não foram e disseram abertamente que foi uma merda, acho que, mesmo não tendo ido, posso também dizer que deve ter sido ótimo.
E nem fui pago para isso. Acho que sou trouxa.
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transubstanciado por gravata às 12.10.10 | 8 comentários
05/10/2010
AS PUTAS NÃO SÃO PUTAS
Pois é, não são. Sim, são prostitutas e fazem programa, exigindo uma grana e havendo contraprestação de natureza sexual. Usei esse eufemismo porque, de fato, é tudo muito técnico. As prostitutas quase sempre não gostam de trepar. Daí, portanto, não serem "putas", naquele sentido meio safado e até mesmo gostoso. São profissionais.
Digo isso por causa de uma fantasia muito recorrente: as garotas que têm vontade de fazer strip, passear por um puteiro, não apenas conhecendo, mas talvez seduzindo e até mesmo - ok, vamos falar a verdade - fazendo um programa. Acreditem: não há glamour. Talvez saibam disso, mas o pior é que não há prazer na parte delas. Muitas estão sob efeito de drogas ou são até mesmo lésbicas. Profissionais, mesmo.
Trata-se, portanto, de um sexo burocrático, geralmente procurado (com freqüência) por moleques naquela fase de farra e descobertas ou os de meia-idade que não têm lá grandes opções - mesmo fora da li, se quiserem enfurnar o robalo numa gostosona, dificilmente não haverá certo liame financeiro na parada.
Mas, no fim das contas, claro que puteiro é um lugar legal, a começar pela hipocrisia. Afinal, TODOS sabem o que fazem e onde ficam, apesar de ilegais. É um retrato interessante do Brasil, somando-se a isso a obviedade do que ocorre por ali: fordunço. É a brasilidade, um pouco menos interessante exatamente por conta da burocracia em detrimento de um prazer sincero, o "suborno" subvertendo a autenticidade do gozo - ou talvez, por isso mesmo, algo ainda mais "brasileiro".
Volto à fantasia de algumas mulheres. Há um erro aí quando dizem querer ser "putas", ao fazer referência às prostitutas. O que desejam, seguramente, é uma coisa inexistente - como um menino desejar ser jogador de futebol pensando em levantar um troféu mundial, e não no banco de reservas de um time do interior. Mas fantasias, no fim, são isso. Busca-se o sonho e a delícia, não a verdade e a dor - e quase nunca são realizadas.
Talvez tudo isso fosse diferente se a prostituição fosse regulamentada não apenas como atividade "não ilegal" (isso ela já é), mas com a possibilidade de ser exercida da maneira já existente, apenas sem a hipocrisia das autoridades. Mais ainda: com a possibilidade de mulheres também freqüentarem ambientes sexualmente permissivos; hoje, no máximo, vão a casas de swing.
Arrisco dizer que, com isso, a burocracia sexual diminua consideravelmente, na mesma proporção em que diminuiriam as fantasias de "ser puta". Até mesmo acho que os puteiros, ao contrário das drogas, perderiam a graça com eventual legalização generalizada. Assim como as bebidas deixariam de ter aqueles preços fora do surrealismo (dose de uísque nacional a R$ 50, p.ex.).
Mas isso tudo são ilações; tergiverso. Reitero: putas não são putas como algumas talvez suponham. E, se querem saber, elas trepam mal pra caramba. Aposto que vocês, queridas leitoras (salvo exções), dariam aulas às "profissionais" - elas só têm esse título porque exigem dinheiro em troca do que fazem. Sim, é isso mesmo: putas (prostitutas) são geralmente uma merda no sexo.
Quem é bom no que faz é porque faz com prazer.
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01/10/2010
ESTE BLOG VOTA EM...
Não, blog não vota. Eu voto. É um direito (*) de cidadão e, como tal, exercido pela pessoa. Mas é bonitinho e também cafona quando falam "este blog", fazendo parecer que o espaço de publicação é um grande veículo ou coisa assim. Bobagem. Vamos aos escolhidos e às justificativas:
Deputado Estadual
Anderson de Jesus/PPS - N. 23121
Conheço pessoalmente, pois trabalhou comigo no Gabinete da Soninha quando ela era vereadora, era motorista e uma espécie de faz-tudo. Não o vejo desde 2008, embora até hoje digam que "trabalho com ela". Anderson é honestíssimo, trabalhador, tem uma história de vida muito bacana e sei que o voto não será jogado no lixo, ou entregue a bancadas disso ou daquilo.Deputado Federal
Alexandre Youssef/PV - N. 4340
Amigo da faculdade, conheço desde 1996, é um cara que transcende preferências partidárias e ideológicas. A política estudantil, o executivo federal e o municipal, passando pelo legislativo e, mais recentemente, sua experiência como empresário na iniciativa privada, enfim, o levaram a ter grande noção das complexidades de diversos temas, especialmente aqueles da nossa geração. Alguns suporiam que fosse portador de bandeiras da moda, isso até debater ou conversar a sério, invariavelmente saindo do papo satisfeitos não apenas com seu engajamento sério e evidente, mas seu repertório de quem sabe o que fala. Um "jovem" com essa noção do Poder Legislativo, e com esses compromissos, precisa demais chegar ao Congresso.Senador 1
Aloysio Nunes/PSDB - N. 451
A trajetória de Aloysio Nunes o coloca como uma escolha fácil para o Senado por São Paulo. Militou contra a Ditadura Militar, foi exilado, participou da reconstrução democrática posterior e, mais adiante, integrou o Governo FHC, sendo Ministro Chefe da Secretaria Geral e Ministro da Justiça. Na Prefeitura de São Paulo, sob Serra, foi Secretário de Governo e, no Governo de SP, também sob Serra, foi Secretário da Casa Civil. Antes disso, foi Deputado Federal por diversos Mandatos. Não tem QUALQUER histórico de corrupção, trambique ou qualquer tipo de coisa congênere. Pra mim, isso tem peso muito importante na hora do voto. Pro Senado, então...Senador 2
Nulo.
Sim, tá feia a coisa aqui.Governador
Geraldo Alckmin/PSDB - N. 45
Há candidatos que poderiam suscitar discussão, como Paulo Skaf ou Fabio Feldman. Eu me recuso, por exemplo, MENCIONAR Mercadante como hipótese, haja vista o episódio da campanha de 2006 até hoje não esclarecido. Skaf, infelizmente, fez uma campanha que não justifica as expectativas. Feldman, por sua vez, não mostrou pujança governamental - é sem dúvida honesto e competente, mas parece ainda um excepcional Secretário de Meio-Ambiente. Alckmin, ao contrário, e agora mais maduro mais bem preparado, é minha opção para governar São Paulo. Já morei em outro estado e já viajei até que muito pelo Brasil. Alguns adversários de Alckmin deveriam olhar com mais atenção para os estados geridos por seus partidos antes de falar alguma coisa, sério (mesmo com verbas jorradas pelo governo federal).Presidente
José Serra/PSDB - N. 45
Votei em Lula, em 2002 e houve o Mensalão. Eu sempre votava no PT e, como qualquer um que "sempre votava no PT", claro que defendi o partido. Achava que era um exagero, que não era por aí, que tinha uma explicação (embora até hoje nunca tenha surgido nada para explicar e, bem ao contrário, surgiram documentos e até confissões). O tempo passou e vieram mais e mais lambanças, escândalos etc. Quando finalmente me pus a questionar o partido que tanto apoiei PUBLICAMENTE, chegando a ponto de arrumar briga por ele, os partidários que então pareciam amigos me puseram como INIMIGO pelo exercício desse questionamento. Aí, meus caros, também não sou sangue de barata: fui pro pau contra eles. Em 2006, mesmo, votei em José Serra para Governador, isso depois de acompanhá-lo como Prefeito e ter visto uma gestão muito boa, exatamente contrária às péssimas expectativas pintadas pelos petistas.Não, não acredito em perfeição. Sabemos que isso não existe. Todos têm acertos, erros etc. O PT tem acertado em muita coisa, mas todas elas derivam daquilo que o partido xingava em seu adversário (leia-se: economia, estabilidade etc.). E tem errado naquilo que se arvorava a ser o único infalível (leia-se: ética, honestidade, meritocracia nos cargos públicos). Tenho plena convicção que José Serra, como Presidente, terá condições de manter as coisas boas (economia, programas sociais) e melhorar muito o que anda mal das pernas (ética, fisiologismo etc.). Há riscos? Sempre. Mas os vejo maiores do outro lado. Não faço alarmismo, não faço terrorismo nem nada. Acho isso bobagem. Apenas prefiro Serra. Para mim, ele é o melhor. Sim, também gosto da Marina, acho que futuramente ela se posiciona como uma liderança fadada a algum cargo altíssimo. Por ora, meu voto é de José Serra.
Enfim, é isso aí. Votem em quem vocês quiserem e, é claro, escolham com sabedoria (essa "sabedoria" é a de vocês, não a de ninguém). Mas não aceitem hostilidade em decorrência de suas escolhas, nem é para que alguém se sinta obrigado a revelar o voto. Isso aqui ainda é livre. Boa sorte a todos nós.
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Dá-lhe Marta!!
transubstanciado por gravata às 01.10.10 | 4 comentários
28/09/2010
"SOCIAL MEDIA" É MAIS SOBRE PESSOAS E MENOS SOBRE TECNOLOGIA

(*) - Legenda da imagem
Eu não entendo nada de "social media", o que me torna alguém apto para discutir o assunto, já que praticamente ninguém entende nada sobre o tema, mesmo boa parte dos que se proclamam (eles diriam "se autoproclamam": adoram esse pleonasmo reflexivo) especialistas.
Como também não domino o tema, deixo aqui minhas bobagens para rebater as demais vigentes. Vamos lá...
Aparentemente, há uma pressa no domínio de tecnologias, seus funcionamentos etc., e ao mesmo tempo, curiosamente, um interesse cada vez menor nas reações das pessoas, na psicologia ou mesmo comportamento coletivo. Se "rede social" é "rede coletiva", portanto, "rede de pessoas", não seria razoável estudar e entender como essas pessoas se comportam (individual e coletivamente)?
Muitas atitudes de especialistas, e várias campanhas, apontam em sentidos opostos. Exploram tecnologias, mas ignoram as pessoas; aderem a novidades, mas esquecem os indivíduos (ou grupos). Se tudo dá errado, há sempre aquela velha carta na manga: ninguém entendeu. O inferno são os outros, não é mesmo?
Mas não importa qual a modalidade ou meio pelo qual se faz uma propaganda, o objetivo é sempre vender ou tornar conhecido determinado produto ou marca. O publicitário (de novo: independentemente do meio) é um intermediário, é uma espécie de "vendedor". Alguns especialistas na tal "social media", porém, têm se transformado em uma mistura de mestres acadêmicos, estrelas disputadas e... TAMBÉM VEICULADORES. É claro que não existe a menor possibilidade disso ser levado a sério e, a longo prazo, dar certo.
Explico.
Mestres acadêmicos: cada qual, à sua maneira, tem teorias mirabolantes e professorais para coisas complexas como Tuíter, Orkut e afins;
Estrelas Disputadas: a depender do cargo ocupado nas agências, são bajulados e assediados em função dos prêmios bacaninhas e/ou verbas, além de ingressos e outros regalos. Claro que nem todos cedem a isso, mas alguns levam a sério e acreditam de fato em tais "poderes" do neo-estrelismo. Não sei se estou certo, mas parece que seria interessante destacar sempre O PRODUTO, não seu intermediário;
Veiculadores: aí entra aquela coisa do Brasil, em que traficante cheira, prostituta goza, goleiro é artilheiro e alguns publicitários de "social media", nas horas vagas, também trabalham como VEICULADORES DE CAMPANHA ALHEIA, sem que pareça conflitante - ganhando ou não brindes/cachê etc.
Mas esses são, por incrível que pareça, problemas menores. Sim, menores. A maior das enrascadas ainda se dá quando ignoram os fatores humanos e mantêm não apenas esses hábitos viciados, mas também a desatenção às pessoas e grupos.
Uma rede social, que é "rede de pessoas", funciona basicamente como uma grande turma totalmente interligada. O profissional, que DEPENDE dela profissionalmente, precisa ser discretíssimo com seus comentários, por mais que isso exija às vezes paciência de monge budista. Por quê? Simples: o destinatário de eventual ofensa cedo ou tarde as receberá. E, obviamente, não colaborará com alguma campanha.
Se um sujeito supostamente especialista não foi PROFISSIONAL o bastante e se deixou levar pela ira, a ponto de desferir ofensas, não faz o menor sentido exigir ponderação ou "profissionalismo" dos que estão numa rede social por puro lazer, farra etc. E essa é uma das grandes cagadas tuiterísticas. Se impera a brodagem nas campanhas, também existe o avesso disso nos deslizes cometidos pelos que trabalham na área.
Sejam sinceros: quem nunca ouviu um "é campanha de quem?" antes de responder a um pedido de RT ou coisa do tipo? Por quê? Porque "rede social" é rede de pessoas. E as pessoas são, sim, mesquinhas, vingativas, têm raiva - assim com são legais, bacanas, têm amigos (na hora de responder positivamente ao tal RT).
E por falar em tais pedidos (que esperam ser atendidos por camaradagem), cansei de ver e ouvir relatos engraçados. Pessoas dão unfollow e até block a torto e a direito (no Tuíter). Eu mesmo não ligo, acho normalíssimo; outros já ficam mais jururu. Mas é engraçado quando quem o faz são trabalhadores da tal "social media" que, semanas depois do "tô de mal", pedem algum tipo de ajuda em outra rede (geralmente Facebook). Depois do "block", pedem para "curtir" alguma marca da qual tomam conta. Piada, né? Mas acontece direto.
Enfim, não entendo disso. É provável que, no sentido técnico, só tenha falado besteira. Mas juro que a parte dos fatos é bem verdade. Também não sei até que ponto os produtos aumentaram ou deixaram de diminuir suas vendas depois de campanhas em tais "redes". Pode ser que tenham mesmo aumentado, sei lá, até hoje o cara da contabilidade não apareceu com esses números para corroborar ou contestar qualquer uma das teses.
Por isso, talvez, haja tantos especialistas. As métricas são todas intangíveis: número de cliques, visualizações, RTs e que tais. O topo dos Trending Topics mundiais do Twitter, hoje, é o Silas Malafaia. O vídeo mais visto do Tuíter de todos os tempos é um bebê que morde o dedo de um moleque. Mas, dizem, isso ainda está começando, é coisa pro futuro.
E o melhor de tudo é que essa ciência incipiente já tem até especialista. E sênior.
(*) - fiquei com vontade de colocar uma imagem, não sabia qual, aí pus essa da Monica Bellucci porque ela é muito linda.
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A TWITTERIZAÇÃO DO ORKUT
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transubstanciado por gravata às 28.09.10 | 3 comentários
27/09/2010
O TUITEIRO MÉDIO BRASILEIRO
Durante o ano:
Votem na minha foto! Quem vai pra festa da BALAÚSTRE SUPOSITÓRIOS? Ridícula a roupa do Faustão! CARACA, COLOCA AGORA NO BBB! Atoron a Luciana Gimenez! Amanhã tem encontrinho antes da palestra "Impacto da Social Media no Sistema Digestivo"? Comprem CHOCADEIRAS ELÉTRICAS PARANHOS #ad! Gente, favoritem isso aqui no Facebook? RT please! Ah, o Parsonire parece que lê meu pensamento! Gente que... Que chuva. Que sol. Que calor. Que frio.
Julho a Outubro, de 2 em 2 anos:
Isso fica insuportável nessa época! Não vejo a hora de passar essa chatice de eleições pra voltar aquele papo legal de antes!
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NOTÍCULAS DE SEXTA
transubstanciado por gravata às 27.09.10 | 4 comentários
21/09/2010
MAURICIO STYCER, O CRIADOR DA TAG #SONINHAFACTS
Até hoje, não conhecia Maurício Stycer, o que evidentemente configura erro meu, pois se trata de um ícone do jornalismo brasileiro. Falha minha, mea culpa, assumo. E o descobri por acaso, em reply do Vinicius Duarte, por ocasião da confusão do dia sobre a pane no metrô de São Paulo.
Maurício publicou o seguinte, ANTES DE QUALQUER OUTRA PESSOA DO TUÍTER SUGERIR OU MESMO AVENTAR "SONINHA FACTS" (e retuitado por 6 pessoas, no automático, fora as que deram RT 'old school'):

Em seguida, sem comentar, publicou mais isso (uns dizem que é endosso, há essa tese, vocês que discutam), um RT de Vinícius, a quem sigo:

Por fim, quando sua idéia foi finalmente seguida, tratou de divulgá-la por meio de outro RT (retuitado automaticamente por 4 pessoas e, novamente, não dá para saber quantos o fizeram de forma manual):

Mas, provavelmente por humildade, o jornalista abdicou da autoria. Enquanto muitos se engalfinham disputando a titularidade de hashtags que chegam aos Trending Topics mundiais, Stycer preferiu dizer que não foi o criador.
MENTIRA! BLASFÊMIA!
Não, Maurício! Não deixaremos isso acontecer! É uma injustiça histórica contra seu gênio criador! Por mais que tudo isso possa ser uma construção coletiva e uma criação no ambiente anarco-participativo da rede social, jamais deixaremos que o verdadeiro e inequívoco criador seja esquecido (os fatos estão aí...).
Em seu blog, tratando-me como "ex-assessor" (nem para perguntar meu nome, poxavida!) falou que postei no tuíter que ele seria o responsável sobre a hashtag. Não é bem assim.
"Responsabilidade" é conceito subjetivíssimo e passível de infinitas discussões. Maurício Stycer, em vez disso, é INCONTESTAVELMENTE O CRIADOR, no sentido de que foi o primeiro no Twitter a grafar o exato termo, aquele que ganhou a rede social no dia de hoje, tratando também de divulgá-lo quando outro usuário seguiu seu conselho.
Mentira, poxa? As "provas" (que chique) estão aí. Não precisava ter escrito um texto longo contando aquela história sobre o Viola (?), o "Lance" e tudo. Era só mostrar a timeline. Até os parabéns ele recebeu:

E recebe de novo: PARABÉNS, MAURICIO! Tanto pela criação quanto pela humildade, mas, claro, jamais esqueceremos sua genialidade! Ah, sim, parabéns também pelas análises sobre "Passione". Não tenho visto a novela, confesso, mas agora passarei a acompanhar seu trabalho. Abração, velho!
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transubstanciado por gravata às 21.09.10 | 6 comentários
20/09/2010
RESTART E BAIRRISMO DE GERAÇÕES
Faço uma confusão que, acredito, seja algo comum para muitas pessoas: qualidade x memória afetiva. Algumas coisas das quais gostava quando era mais novo e, por isso, trazem lembranças contextuais emocionantes, são apreciadas hoje como se fossem, elas próprias, coisas boas. Numa análise rigorosa, são na verdade ruins, mas não importa: eu as entendo como ótimas e nada tira da minha cabeça que são excelentes. Ponto final.
Isso acontece muito com filmes, desenhos-animados, séries de TV e, claro, música. Tenho 33 anos (faço 34 em quase dois meses...) e, portanto, é possível calcular a época na qual me divertia com as bobagens deliciosas feitas para agradar a molecada. São melhores que as de hoje? Bobagem. Muitos dizem isso, mas me recuso a fazer parte dessa turma, é ridículo (e errado).
A análise qualitativa é sempre equivocada, pois bobagens sempre são bobagens e, para os que as estão vivendo com idade para apreciar, são maravilhosas - já os mais velhos, fazendo o papel que lhes cabe, reprovam evocando as belezas de seu tempo, aproveitando o embalo para também censurar roupas, atitudes, posturas etc.
No tuíter, uma conversa entre Roger (Ultraje) e Paulo Ricardo (RPM), dois grandes astros de minha adolescência, fez pensar sobre isso. O primeiro disse já ter tocado no "Restart", aparentemente provocando os que agora detonam a moda "colorida" sem saber da existência do "new wave" e, como resposta, o segundo informou ESTAR PRESENTE no referido show.
Lembro MUITO bem do tal New Wave. Meus amigos, meus caros amigos, esqueçam os "coloridos" de hoje, sério. A melhor imagem que encontrei foi essa:

E, juro, não faz jus ao que foi a época, porque não descreve metade da coisa. Apesar de serem bonecos, não trazem, por exemplo, CALÇAS QUADRICULADAS, combinações de laranja com verde limão ou até mesmo óculos espelhados - indumentárias com as quais pessoas circulavam livremente pelas ruas. O Fiuk, naqueles tempos, seria considerado um conservador.
Mas paro por aqui na parte estética, se não fica um bairrismo de geração às avessas, algo como "no meu tempo, tudo era PIOR". Também não era. Apenas digo o óbvio: TODOS têm seus exageros em roupas e atitudes, uns mais outros menos, e sempre os mais novos adotam a moda enquanto os mais velhos (ou de gerações imediata ou remotamente anteriores) dizem que é um absurdo. Foi o que houve, é o que há e sempre haverá.
Vamos, portanto, à análise qualitativa e seus equívocos. Os adolescentes não estão interessados em qualidade, mas sim em fazer bagunça, tocar o puteiro, contrariar tudo e todos e, quando possível, fazer exatamente o que acontece hoje e sempre ocorreu: "agredir" o gosto dos mais velhos. Ainda assim, muitos esquecem esse detalhe e insistem numa reprovação coletiva, como se o mundo estivesse perdido (e essa expressão é usada quase sempre).
Mas quem são eles? Vários, provavelmente a maioria, gostavam de verdadeiros lixos quando tinham a idade dos atuais fãs do objeto de seus xingamentos. E isso é absolutamente normal, porque é uma delícia gostar de lixo quando temos idade para isso - ou, ao longo da vida, guardar espaço para apreciar um pouco de lixo vez por outra, ora.
Meninas de 30 anos agredindo fãs de Restart? Saibam que gostavam de Dominó ou Menudo - em qualquer ponto de vista qualitativo, sejamos francos, os coloridos de hoje estão numa bela dianteira. Também gostavam de Xuxa (não apenas durante a infância, mas já na adolescência) ou Spice Girls e, novamente, acho que nossos policromáticos da atualidade definitivamente não ficam atrás.
Isso tudo, claro, é café pequeno, é bobagem. Os verdadeiros paus no cu são aqueles que detonam a molecada de hoje, mas faziam exatamente a mesma coisa. Será que não se dão conta do ridículo? Um outro lá escreve que fulano "não sabe tocar" (referindo-se a uma banda de hoje). Porra! Na década de 80, no Brasil, uns cinco músicos sabiam tocar! E vários dos que não tinham excelência instrumental produziram verdadeiros HINOS da época.
Os caras da Legião já confessaram mais de dez vezes que não sabiam tocar - não é força de expressão, eles REALMENTE não sabiam. E a banda escreveu seu nome na história do rock nacional, goste-se ou não. Os Titãs, em seu primeiro disco, precisavam fazer rodízio (Nando Reis, quando cantava, deixava o baixo para Miklos). Muita raça e pouca técnica. Ou, talvez, nem tanta raça assim, mas uma bagunça excelente.
A bem da verdade, esse pessoal que já está velho aos 25 ou 30 não quer saber de qualidade. Se quisesse, apreciaria música clássica e leria partitura. Quem gostava de Legião, Menudo, Spice Girls ou algo assim, convenhamos, não pode falar da garotada de quinze que curte Restart. Eles apenas têm raiva da nova geração porque é natural ter raiva das novas gerações - isso acontece ao longo do tempo, historicamente. Pouca gente escapa disso, a maioria cai na vala grande. Eles caíram; paciência.
Foi assim com a molecada que começou a gostar de Beatles ou ta Tropicália ou dos punks ou de new wave ou do rock nacional oitentista e assim por diante. "Ai, você está comparando as bandas?" - não, não estou. Como disse, a análise qualitativa é arapuca. Comparo, aqui, as épocas e as pessoas. Isso nunca muda.
Mas às vezes tenho a impressão de que, hoje, os jovens estão ficando velhos mais cedo. E, curiosamente, quem nos salva são alguns mais velhos que ainda resistem em sua juventude.
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18/09/2010
UMA BELA CANTIGA
Como era gostoso o nosso cinema, né?
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transubstanciado por gravata às 18.09.10 | Alguém?
14/09/2010
CRISTÃOS SÃO SACOS DE PANCADAS
Como qualquer leitor mais antigo sabe - desse modo, informo aos mais novos -, não acredito em deus, não tenho religião e, quando posso, faço piadinhas com todas elas. Isso mesmo: todas elas. Em geral, rebato alguma bobagem cometida ou provoco por provocar, mas não escolho esta e aquela ou deixo de lado tantas outras por qualquer motivo.
É possível notar, entretanto, uma predileção geral no achincalhe aos cristãos. É como houvesse um ridículo maior em acreditar em Jesus Cristo em vez de depositar sua fé em Mohamed ou, vá lá, supor a possibilidade de almas desencarnadas descerem para um dedo de prosa numa mesa branca. Tirar um sarro do Papa ou ridicularizar um pastor em transe é moleza, mas experimentem falar mal de um ritual de candomblé: talvez haja acusação de racismo (e, não, isso não é um exagero).
Durante várias conversas sobre isso, evidentemente com pessoas portadoras dos dígitos requeridos de QI, aos poucos um fator comum surgia na maioria dos colóquios: os cristãos não revidam. Vejam bem, antes de tudo: não sugiro aqui uma Guerra Santa! É uma constatação simples, muito provavelmente oriunda de ensinamentos religiosos (aquilo da "outra face"). Mas são os fatos, podem notar.
Muçulmanos, por exemplo, têm uma maneira muito peculiar no trato com os autores de piadas e sarros dirigidos à sua fé. Imaginem se alguém tiraria sarro de uma xiita fazendo "twitcam", mesmo em país de maioria sunita - a parte curiosa é quando boa parte dessas piadas, dirigidas a evangélica em país de maioria católica, venha de quem apóia ou faz vista-grossa a países muçulmanos que matam mulheres por apedrejamento por conta de leis fundadas na religião. Mas sigamos.
Muitos outros também não aceitam avacalhação. Os judeus sionistas não brincam em serviço nesse pormenor, religiosos de crenças originalmente africanas não costumam levar desaforo para casa e, nesse ponto, estão mais do que certos - desde que não partam para a violência, agressão etc.
E há, é claro, subtextos e/ou explicações paralelas: judeus (dos quais tenho ancestralidade) têm explicações históricas para afugentar piadas mais pesadas, enquanto das melhores anedotas triviais eles próprios se encarregam. E as religiões de origem africana estão sempre naquela linha tênue em que toda brincadeira pode resvalar para o racismo - partindo do pressuposto brasileiro de que ele só pode existir contra o alegado hipossuficiente histórico.
Por fim, a Constituição Brasileira assegura a liberdade religiosa e, mais ainda, garante seu exercício protegendo igrejas e afins de chistes e quejandos. Há o debate acerca da liberdade de expressão e começa um litígio sobre qual garantia superaria outra. Deixemos isso de lado, mas vale para mostrar outra forma de querela.
Enquanto isso, cristãos são as vítimas preferenciais, isso é inegável. Um dos motivos, talvez, seria a falta total de reação - seja por obediência legítima à doutrina, culpa histórica ou simples cuidado para não atrapalhar os negócios.
Novamente, reitero, não estou aqui pregando violência, mas é interessante imaginar a turma que ofende diretamente os cristãos tentar fazer isso com aquela rapaziada simpática do IRA ou, vá lá, com os afáveis sulistas norte-americanos, todos eles sempre prontos para debates satíricos sobre suas crenças no Evangelho.
Eles estão longe, então sem problemas, né? No Brasil, aqui pertinho, já temos muitos religiosos de várias crenças que não reagem aos aplausos quando sacaneadas. Vai ver, não são detonadas por pura coincidência.
Afinal, somente a doutrina cristã possui momentos dignos de riso. Rezar virado pra Meca e apedrejar mulheres é super bacana, arriar despacho e oferecer farofa para uma "entidade" é algo mega racional, receber carta de gente morta por meio de portadores no "facepalm" é firmeza e assim por diante...
Inaceitável é a transubstanciação ou gritar "Aleluia". Então tá.
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transubstanciado por gravata às 14.09.10 | 15 comentários
13/09/2010
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transubstanciado por gravata às 13.09.10 | Alguém?
13/09/2010
A BERRINI É MUITO CAFONA
Se você é paulistano na faixa dos trinta e/ou mora aqui há pelo menos uns quinze anos, sabe do que estou falando. Talvez não concorde, mas terá noção do tema. Trata-se da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, paralela à Marginal Pinheiros (uns preferem Nações Unidas, pra fazer de conta que não existe um rio poluído ali).
São Paulo é a cidade onde nasci, mas não a amo ou odeio apenas por isso. Há coisas aqui absolutamente adoráveis e outras inequivocamente odiosas. A Berrini, na minha opinião, faz parte desse segundo grupo. É cafona, feia, planejada e desenvolvida num urbanismo neomalufista.
É, afinal, São Paulo querendo ser Dubai, com aqueles prédios de alta tecnologia e, ao mesmo tempo, o povo apressado para pegar os trens da linha 9 da CPTM, se apertando nos ônibus ou engarrafado em seus carros para ir ou voltar. Visivelmente, deu tudo errado. Ou, vá lá, deu certíssimo para quem criou esse tipo de coisa, já que é disso que gostam, aparentemente.
A "solução Berrini" não é uma novidade, já que há muitas décadas o centro financeiro/comercial migrou da região da Sé para a Avenida Paulista. É possível que, naquela época, também tenham achado uma porcaria. Como sou desta época, só posso falar de agora, e os chamados centros "velho" e "novo" (Sé e Paulista, respectivamente) têm sua dose de charme e decadência, mas não são páreo à cafonice sem tamanho da Berrini.
Passear pela região da Paulista é agradável a qualquer pessoa de qualquer turma, seja skatista, hippie, rico tradicional, moderninho, playboy, gay, lésbica, velho advogado, novo-rico, geek, militante político etc. E todos estão mesmo por lá. Livrarias, restaurantes caros, lanchonetes da moda, botecos zoados (ou que se fazem de zoados), casas noturnas badaladinhas, enfim, há uma concentração de lugares díspares em uma mesma vizinhança.
Talvez a Berrini possa vir a ser algo parecido daqui a vinte ou trinta anos, mas é um tempo longo demais, quase uma pena longa demais a ser cumprida para que aquela inóspita miniatura dos Emirados Árabes seja incorporada à vida da cidade. Por enquanto - e provavelmente por alguns longos anos -, é somente uma região feia e explorada pelo baixo preço para a construção daqueles prédios.
Um dos lados ruins desta cidade.
São Paulo, em suas soluções urbanísticas, muitas vezes lembra aquelas senhoras velhas riquíssimas que, em vez de fazer cirurgias plásticas tão-somente para amenizar pequenas marcas da idade, resolvem colocar peitões cinematográficos ou fazer de conta que têm ainda 30 anos.
E o pior é que a cidade nem mesmo é riquíssima como as tais velhas, mas é idêntica no ridículo.
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transubstanciado por gravata às 13.09.10 | 2 comentários
13/09/2010
ATRASOS E DESCULPAS
Estou em débito com vocês, né? Muito trabalho, blog abandonado e, para piorar, falta de cuidado nos raros momentos em que tenho algumas poucas boas idéias - simplesmente, esqueço de anotá-las. Antes eu o fazia, agora deixo de lado. Melhor: deixava. Voltei a fazer isso, tenho aqui umas anotações, vamos ver o que dá.
Gosto daqui, não vou parar. Beijo a todos.
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transubstanciado por gravata às 13.09.10 | 1 comentário
01/09/2010
EU ODEIO O CORINTHIANS, MAS... PARABÉNS, CORINTHIANS!
Sim, odeio. Tenho raiva, torço contra, tiro sarro e, é óbvio, quero mais é que se exploda (o verbo seria outro, vocês sabem). Mas o que é a rivalidade senão essa coisa ambígua que deixa transparecer vez por outra uma admiração relativamente infantil? Não se trata da inimizade oriunda do desprezo, mas de um sentimento próprio, único, havido única e tão-somente nas arquibancadas.
Seria muito ridículo não reconhecer os méritos do Corinthians, fingir que não se trata do clube com a torcida mais inacreditavelmente absurda, fiel e "louca". Além de ser, sem dúvida alguma, a maior do Brasil - um número honesto quando consideramos o fato de que seus torcedores não foram beneficiados pelo alcance de rádios e TVs Nordeste adentro, e sim pela paixão por uma equipe que muitas vezes ficava anos e anos SEM ganhar e ainda assim CRESCIA no número de "fiéis" (!!!).
Nós rivais, e somente nós, sabemos o que é essa sarna. E uma sarninha que hoje comemora cem longos anos de existência, de uma história feita dos mais variados episódios, mas boa parte deles interessantíssimos, a começar, por óbvio, de seu nascimento. Também lembro com admiração e relativa inveja a época da "democracia corintiana", foi na minha infância e acho que qualquer moleque gostaria daquilo no seu time - não tenho problema em confessar esse tipo de coisa, como também confesso tranquilamente minha inveja do Flamengo que conquistou a Copa União e, assim, venceu legitimamente um Campeonato Brasileiro que eu gostaria muito de ostentar.
Acho que paro por aqui, porque se não, provavelmente, começarei a fazer piadas e a idéia é dar os parabéns, mesmo. Não se faz cem anos toda hora, não é mesmo? E, claro, parabéns também ao Norusca (Noroeste de Bauru), também centenário e já dono de um estádio - o Corinthians terá o seu, providenciado num esquema com CBF e entidades ilibadíssimas.
Tá, parei. Parabéns e pronto. Voltemos à programação normal que isso aqui já ficou piegas demais.
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transubstanciado por gravata às 01.09.10 | 4 comentários
26/08/2010
#GRAVZFACTS: SOU TÃO CHATO QUE...
A revista Superinteressante listou 180 perfis relevantes do tuíter, em comemoração à marca de 180 mil seguidores atingidos pela própria publicação. O rol é dividido em subgrupos e muita gente reclamou: uns porque não viram seus favoritos, outros porque não apareceram e, claro, alguns até mesmo porque lá estavam.
No meu caso, até poderia chiar, pois apareço como "quem paga de chato". Mentira, não é meu caso: EU SOU CHATO. Tanto que aqui estou reclamando porque erraram. Não pago, ora. Eu SOU mesmo uma maleta. Meu amigo Edney também está nessa categoria, mas rapidamente explicou os motivos:
"O @gravz é tão chato que só de hospedar os blogs dele eu ganhei o título de chato tb! :)"
"Aliás o @cardoso só entrou numa lista de chatos do twitter q uma revista fez pq deu RT no @gravz #gravzfacts"
Nasciam assim os #gravzfacts, e passamos um tempão ontem à noite brincando disso. Publico a seguir uma pequena coletânea.
Afinal, SOU TÃO CHATO QUE...
...um filme paquistanês já dormiu me vendo;
...empato com Legendários no IBOPE;
...o Galvão Bueno já me mandou calar a boca
... o Suplicy já pediu pra eu ir direto ao ponto e parar de enrolar
...até mesmo na União Soviética você me acha mala. Nem a reversal russa escapa da chatice
...um cineasta iraniano não consegue acompanhar cinco minutos do meu dia
...chego ao ponto de ter conta no tuíter e... SOU O MAIS CHATO ENTRE ELES!
...uma vez liguei pro CVV e A ATENDENTE SE MATOU!
...quando apareço na rodinha dos médicos todos começam a falar de eutanásia
...pedi uma chance ao Chuck Norris antes dele me bater. Eu me expliquei e ele dormiu
...uso compasso e transferidor para cortar igualmente a pizza aqui em casa
...já deixei o @inagaki nervoso
...atendente de telemarketing tira no palitinho e QUEM PERDER liga pra mim
Obviamente, os GALEROSOS também colaboraram, como vocês podem ver (não pus link porque dá uma preguiça desgraçada):
@vinnysacramento
O @gravz é tão chato que o Muricy Ramalho desistiu de discutir com ele.@tatato
O @gravz é tão chato que o Fidel Castro dormindo fazendo um discurso pra ele.@valleyasskicker
O @gravz é tão chato que as crianças cabulam ele indo pra escola.@afagundes
O @gravz é tão chato que foi recusado no clube dos virginianos com TOC.@Paulo_Flores
O @gravz é tão chato que quando ele fica ON no MSN aparece uma janela "Gravz acabou de entrar. Você deseja ficar invisível?"@gusfune
O @gravz é tão chato que ele se intitula blogueiro só pra lembrar que tem gente mais chata por aí. #gravzfacts about 14 hours ago via Twitter for iPhone@FilhoDoOCriador
Se você pesquisar @Gravz no Google aparece: Você quis dizer: Chato.@novasvisoes
@gravz é tão chato, que será compositor do próximo disco do KennyG@catupiry
O @gravz é tão chato que os Testemunhas de Jeová o chamam de mestre@martorelli
O @gravz é tão chato que os carneirinhos contam gravzes pra pegar no sono@lolhehehe
o @gravz é tão chato que quando a parede faz bagunça ela tem que ficar de frente pra ele@bobagento
O @gravz é tão chato que a brincadeira preferida dele quando criança era ficar de pé no canto, olhando pra parede.@anebason
O @gravz é tão chato que eu já dei um beijo na boca dele. Só pra fazer ele se calar ;)
Se alguém tiver mais idéias para os #gravzfacts, é só mandar brasa. Evamoquevamo!
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23/08/2010
CURTIA GAMES NA INFÂNCIA? ENTÃO VOCÊ...
...curvava todo o corpo nos jogos de corrida, quando o carrinho fazia a curva.
...narrava as partidas de futebol nos jogos respectivos, com direito às expressões do mestre SÍLVIO LUIZ e tudo mais.
...já quis tirar foto (e nem havia máquina digital!) de algum recorde em qualquer jogo - e, se bobear, REALMENTE tirou essa foto pra mostrar pra turma, PROVANDO sua superioridade.
...sentou na graxa naquela última e fatídica tela de Alex Kid in Miracle World, por causa da MALDITA SENHA (sim, não havia Internet, o conhecimento era transmitido de-camarada-para-camarada e, enfim, não dava para deixar a TV pausada por meses).
...quebrou uns 5 controles jogando Decathlon no Atari (e/ou tinha alguma técnica para o jogo nos fliperamas como, por exemplo, usar palito de sorvete).
...tinha raiva daquele amigo que era bom em algum jogo chato e, por isso, demorava horas enquanto você perdia rapidinho (nos esquemas de jogar em casa de camarada era assim, cada hora era um jogo...).
...pelo menos em algum momento, já achou que a máquina estava "roubando" (o normal é achar isso em VÁRIOS momentos).
...ouviu pelo menos umas 10 histórias diferentes sobre O FINAL DE RIVER RAID (uma variante gamística sobre o final de A CAVERNA DO DRAGÃO).
...sabe que X-MAN pode significar algo diferente de fazer parte da equipe do Wolverine.
...falava TIGER ROBOCOP no Street Fighter II.
Mandei 10 na pressa. Agora, é com vocês. Vamoquevamo! E eu sei que muitos ainda fazem coisas assim até hoje :D
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transubstanciado por gravata às 23.08.10 | 13 comentários
23/08/2010
A TWITTERIZAÇÃO DO ORKUT
Tenho perfil no Tuíter e no Orkut, mas não sigo exatamente os protocolos estabelecidos para essas redes sociais. No primeiro, por exemplo, meu negócio é fazer bagunça e, no segundo, participo ativamente de apenas uma comunidade - por causa dos seriados (em tempo: também tenho conta no Facebook, usada exclusivamente para jogar Mafia Wars e afins).
Há algum tempo, porém, percebi muito receio por parte dos tuiteiros quanto à ameaça das pessoas que poderiam migrar do Orkut para a então nova rede social. Chamavam o possível e provável fenômeno de "orkutização do tuíter". Trocando em miúdos, haveria uma queda na qualidade das discussões e, pulando eufemismos, também um tombo no poder aquisitivo.
Mas, se é para prosseguir jogando limpo, o Tuíter nunca foi exatamente uma Ágora dos debates mais profundos, nem uma bolsa destinada a negócios milionários. Ainda assim, fazia bem aos mais antigos cultivar esse "localismo" diante da hipótese dos "orkutianos". Babaquice extremada, eu sei.
Como quando um sujeito burro e pobre, daqueles que confundem "por que" e "porquê" e não têm um gato para puxar pelo rabo, diz: "maldita inclusão digital" (notem: ninguém realmente rico e inteligente diz isso).
Vida que segue. E seguiu.
Apesar de ser um sujeito atualmente inativo nas bandas orkutísticas, já participei de forma mais assídua daquela coisa (entre 2004 e 2005, p.ex.) e, confesso, nunca vi o que hoje se vislumbra pelo Twitter. Sorteios DISPUTADOS de comida servem como exemplo e, sim, há pessoas brigando por gêneros alimentícios, coisa nunca havida no Orkut.
Peças básicas de roupa - como camisetas - também são objeto de peleja entre partícipes do Twitter, a rede social das discussões de alto nível e integrantes socialmente mais bem posicionados. Durante meu pouco tempo de Orkut, entretanto, nunca vi nada parecido com "pedido de RT em scrap para ganhar peça de roupa".
Desta feita, é provável que os orkuteiros já estejam com medo do pessoal do tuíter, talvez até mesmo criando expressão "twitterização do Orkut". Já imaginaram aquilo ali repleto de brigas por comida, inimizades em busca de vencer concursos e o equivalente ao unfollow em caso de não adesão ou maldizer alguma campanha?
E cumpre destacar as promoções para ganhar vestimentas básicas, lembrando que, em época de eleição, candidatos distribuem isso tudo às centenas.
No fim, talvez seja esse o curso natural das coisas e, mais dia menos dia, um "RT em scrap" poderá garantir uma camiseta, um par de ingressos ou ticket para o almoço (mais suco). Quem viver verá a twitterização do Orkut.
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21/08/2010
DOUTORES E DOUTORES
Uma das coisas mais cafonas de ser advogado - e coisas cafonas não faltam na carreira jurídica - é essa coisa de chamar de doutor. Não gosto, acho chato, é risível. Mas não tem jeito: mesmo durante a faculdade há quem se trate dessa forma, uns a sério e outros por pirraça.
Daí, como sempre, surgem os soldados do Batalhão da Obviedade, sacando da manga aquela observação manjadíssima segundo a qual "doutor são os detentores de doutorado". Não, não são. Por mais que seja ridículo (e é) chamar advogado e médico dessa forma, o valor semântico originário remete à sabedoria e, no plano acadêmico, à capacidade de passar um ensinamento.
A palavra "doutor" deriva de "douto" e, nesse sentido de ensinar, é datada do séc. XIV. Nessa época, como se pode presumir, não havia a graduação acadêmica, mas já se tinha noção do significado de "sabedoria" e "ensinamento" - nesse caso, algo próximo de um preceptor, talvez, como Aristóteles ou Gamaliel, para ficar em dois exemplos históricos tradicionais (que não tinham 'doutorado' e eram pra lá de 'doutos').
Essa bobagem de chamar qualquer advogado e médico de doutor, aqui no Brasil, vem do fato de que as faculdades de direito e medicina foram as primeiras do país. Os jovens 'doutos' d'antanho eram assim chamados e, bom, o resto é história. Qualquer Zé Ruela vira doutor com um desses dois canudos nas mãos.
E somos mesmo um país mocorongo na adoção desses tratamentos, como deixa claro a palavra "senhor", usada no lugar de "você". A palavra usada como mais 'educada' é, na verdade, uma forma de tratar a pessoa em função de suas posses. "Senhor" é dono, proprietário. "Você", ao contrário, deriva de "Vossa Mercê" (vossemecê, vosmecê etc.), que seria a pessoa pelo que ela é.
Para completar o caldeirão imbecil, além de consagrarmos o sinal de respeito pelo "proprietário" em vez da pessoa por sua própria integridade, ainda por cima inventamos de trocar a segunda pela terceira conjugação verbal no uso do "você". Lambança máxima e quase inexplicável.
Por fim, nos dias de hoje é moleza ser doutor (direito/medicina) ou doutor (graduação acadêmica). Há faculdades em todas as esquinas, dessas que dando duas voltas no quarteirão já se passa no vestibular e, também, mestrados e doutorados a rodo. Se antes era ridículo brigar por isso, agora o motivo já se tornou folclórico.
Virou tema para blog, mesmo.
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16/08/2010
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Hoje chegou email com o registro da candidatura de Tiririca, mas não precisaria da mensagem porque há tempos alguns de seus bordões circulam pela web. Não sou entusiasta desse tipo de candidatura, embalada na fama e que confunde platéia e eleitorado. Mas cabe uma reflexão não exatamente complexa: e quem mete o pau nessa turma para, em seguida, votar no Maluf ou num corrupto notório?
Sim, eu sei, não há apenas essas duas opções. Os partidos tomam cuidado nas candidaturas para o Poder Executivo, deixando a "festança" para os cargos legislativos. Ainda assim, até mesmo diante da fartura de candidatos, é possível escolher com cautela e sem essa de "cruz ou caldeirinha". O que não pode, evidentemente, é condenar um palhaço declarado para colocar no Congresso um safardana velho de guerra.
Apóio parte da gritaria contra a profusão de "famosos", mas não consigo entender a tolerância, nesse silêncio complacente, diante das vitórias sucessivas dos "infames". Concordo que o eleitorado não deva ser tratado como fã-clube, mas também não deve ser feito de curral eterno. E há, sim, opção a isso. Sempre houve, na verdade, e é tal Voto de Opinião, desmoralizado há um tempo diante de tantos escândalos, mas que não pode ser abandonado, sob pena de, assim, entregarmos os pontos aos que pretendem vencer essa parada - e os derrotados aí seremos todos nós.
Uma das bases do negócio é a informação equivocada. Candidatos ao Legislativo, por óbvio, vão legislar, além e fiscalizar o Executivo. Não vão, por exemplo, estabelecer políticas públicas, de modo que são imbecis as promessas em favor de "saúde, saneamento básico, moradia" e quejandos. Isso compete à Administração Pública que tem em mãos orçamento para investir em tais áreas.
No mesmo sentido, os candidatos ao Executivo até dão suas opiniões sobre questões estritamente legislativas como legalização do aborto, casamento gay e que tais, e isso é interessante do ponto de vista ideológico, mas são matérias para o Congresso - e nos interessa saber o que pensam os candidatos aos governos ou Presidência apenas para, no máximo, ter idéia de como orientariam suas bancadas.
Mas vocês sabem o que pensam ou pretendem seus candidatos ao legislativo sobre isso tudo? Que tipo de LEI vocês gostariam de ver aprovada? Quais legislações vocês gostariam de ver modificadas? A única forma de resolver isso é escolhendo um candidato cujas idéias sejam parecidas com as suas - e fiscalizando sua atuação depois de eleito.
Claro que, sozinho, ele não fará coisa alguma, mas seu voto assim não seria desperdiçado. E, sim, também sei que a grande maioria do eleitorado acaba votando sem qualquer noção de poderes, funções, atribuições, direitos ou deveres.
É imperdoável, porém, que os mais informados e mais bem formados não tenham esse tipo de cuidado antes de escolher em quem depositar seu voto. Depois não adianta correr abaixo-assinado ou tentar emplacar alguma hashtag rebelde.
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transubstanciado por gravata às 16.08.10 | 3 comentários
11/08/2010
LIMITES PARA A TROLLAGEM?
O termo "troll" muitas vezes é um coringa para escapar de maiores embaraços ou mesmo para fugir da realidade (como falei aqui), mas não é totalmente inadequado em qualquer ocasião. Qualquer um pode muito bem dar uma 'trollada', que é o nome dado genericamente às brincadeiras e gozações feitas via web. Não sei quem inventou isso, mas é assim que chamam o negócio. E o nome pegou.
É preciso haver limite nisso? Creio que sim. E dificilmente alguém discordaria, porque tudo na vida, num mundo civilizado, é norteado por alguns limites razoáveis. O problema está em estabelecê-los, principalmente nas ocasiões em que a grita sobre eventual ruptura parte de quem já os rompeu há tempos.
E isso é fácil demonstrar, mas convém narrar os fatos para ilustrar de forma mais razoável.
No dia da tal #trollagemdobem (que obviamente NÃO foi uma trollagem, embora meia dúzia de pangarés resolvessem fazer análise semântica), uma boa turma xingou pesadamente a noiva do Izzynobre. Antes disso, o vídeo do casamento do Marcel (bqeg) foi objeto de escárnio. Ontem, foi a vez da minha mãe. A falecida mãe do Morroida também já entrou na dança dos xingamentos (1º lingerieday).
Não pára por aí.
Um problogger tem como emprego e empresa seu próprio blog e, diuturnamente, esse mesmo blog pode ser detonado no tuíter sem que haja qualquer reclamação de que estejam "apelando". O Felipe Neto - posso citar seu nome tranquilamente, pois é meu amigo - tem como principal fonte de renda seu 'vlog' e, da mesma maneira, pode ter seu ganha-pão massacrado pela turminha, sem que digam ser 'apelativo' tal ataque.
É do jogo? Ok, ora, é do jogo! Então vamoquevamo, pô!
Ontem, falei da possibilidade de 'trollar' qualquer campanha promovida pela agência na qual trabalha um dos que estavam atacando e, curiosamente, fui rechaçado porque, nesse caso, seria "apelar". Na hora até fiquei mesmo meio preocupado, mas depois pensei melhor. Como assim "apelar"?
Vale xingar família, noiva, mãe, casamento e o cacete a quatro. Quando não se respeita a atividade realizada por um adversário, vale detonar o emprego do caboclo - sob o risco óbvio de lhe provocar prejuízos. Mas NÃO PODE bagunçar o coreto de uma campanha online, dessas evidentemente públicas? Qual é a desculpa? O cara é "amigo"?
Já pensaram se o Felipe Neto, com seus quase 500 mil seguidores, resolve colocar um "CALA BOCA XXXX" (marca cliente) a cada nova campanha online dos social-media que ficam detonando o cara? Ou se os blogueiros sempre zoados começam a fazer o mesmo? Sim, JÁ pensaram. E foi ontem. Daí, acharam ruim e disseram que isso seria "apelar". Até então, valia tudo.
Para todos os efeitos, deixo a reflexão a vocês e, agora, conto uma história um pouco mais complicada.
Trollagem x Crime
Marcel, do Byte Que eu Gosto, fez uma consulta jurídica comigo, há uma semana e também ontem, sobre comentários recebidos em seu blog. Na primeira, era um IP identificando-se como alguém da Rede Globo e, ontem, revelou que o mesmo IP se identificava como de um Delegado de Polícia.
É crime.
No caso da Rede Globo, a parte criminal é de fato menor e mais complexa, pois poderiam alegar apenas uma brincadeira, embora ele teria todos os subsídios para um processo civil, já que havia inequívoca tentativa de ludibriá-lo. Mas, ao passar-se por Delegado de Polícia, o comentarista realmente passou de todos os limites, pois não apenas tentou novamente aplicar tal golpe, como incorreu agora nos crimes correlatos.
O caso, por óbvio, será levado adiante e até agora sabemos apenas que o IP é de São Paulo. Se for residencial, será talvez menos problemático, mas já imaginaram se for de uma empresa?
No fim das contas, nunca existiu nem existirá troll "do bem" x "do mal". Há o inteligente e o burro. Como em tudo na vida.
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transubstanciado por gravata às 11.08.10 | 10 comentários
09/08/2010
UMA CASA PARA LUCAS BRITO E FAMA PARA LUCAS CELEBRIDADE!
Lucas Brito é um rapaz de 25 anos, nascido em Fortaleza, que mora em uma cidade no interior do Piauí e leciona no ensino primário. Lucas Celebridade é um fenômeno da Internet, para o bem e para o mal, conhecido por seus posts grandiloqüentes, tuítes definitivos e, não menos importantes, ensaios sensuais.
Há uma pessoa e uma personagem.
Na websfera internética, porém, tudo é uma coisa só e, claro, prevalece a caricatura. As pessoas soterram a história humana e gargalham do palhaço que existe na casca dessa figura. Muitos, aliás, não têm motivo algum para rir ou escarnecer - mas talvez o façam esconder sua própria miséria, seja de espírito ou material.
Isso tudo é bobagem. Para agora, o importante é trazer à baila Lucas Brito, o Lucas por trás da CELEBRIDADE, o Lucas que sustenta sozinho uma família e dorme numa rede para que três crianças ocupem a única cama de seu quarto. Sim, aquele cara de quem todos tiram sarro - porque ele próprio dá motivo, eu sei -, mora nessa casa:

Seu sonho de ser famoso é aparentemente tragicômico, mas nasce num contexto lúdico. É quase uma aspiração pueril, pois, como se sabe, trata-se de alguém que mora nos confins do Brasil, sustenta sozinho toda uma família e abre mão do conforto de uma cama! Não persegue o "sucesso" como um capricho, mas faz disso uma brincadeira, enquanto toca sua vida honesta e arduamente.
Lucas Brito merece ao menos uma casa, e é por isso que hoje muita gente falará sobre isso nos blogs e no tuíter. LUCAS CELEBRIDADE merece e é provável que terá talvez alguma fama, nossa parte é fazer o possível para que LUCAS CELEBRIDADE apareça nos TTs do Brasil e do Mundo, mas o que queremos, na verdade, é melhorar a vida do rapaz que sustenta sua família em Luzilândia.
Ele agora tem um videolog (é "vlog", né?), e provavelmente terá tudo que inventarem, porque ele é o LUCAS CELEBRIDADE e, como diz, está aí para "sensualizar". E nós, a começar de hoje, faremos tudo para ajudá-lo em uma empreitada um pouco mais complexa.
Porque sensualidade e fama ele já tem e seguramente conseguirá, mas a casa e um mínimo de conforto, aí é outra coisa, e acho que todos podemos colaborar fazendo uma pequena parte, bem pouca coisa. Talvez você não goste da "sensualização" do LUCAS CELEBRIDADE, mas pense com carinho na casa do Lucas Brito. Tenho certeza de que concordará que ele merece, ou melhor, ele precisa.
Até porque, como sabemos, todos os demais grandes mestres da blogosfera já estão ricos e milionários e não precisam mais da ajuda de ninguém. Vamos então ajudar LUCAS CELEBRIDADE, que não tem vergonha de dizer quem é e de onde veio.
Vamos ajudá-lo! Uma casa para Lucas Brito e LUCAS CELEBRIDADE nos Trending Topics mundiais!
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transubstanciado por gravata às 09.08.10 | 4 comentários
08/08/2010
A CAPA PERFEITA PRA PLAYBOY
Obviamente, essa é MINHA opinião até porque - reparem só... - este é meu blog. E assim como debatemos escalações da seleção e outras questiúnculas de importância superestimada, muitas vezes alçamos a "capa da Playboy" ao status de "Instituição Brasileira". Nesse caso, falarei sobre o que seria minha "capa perfeita", especialmente diante do que tenho visto:
Gordelícia
A revista SEMPRE publica fotos de magrelas, ou então daquelas "bombadas do Axé", variando entre dois perfis absolutamente fora de qualquer padrão natural de beleza feminina. SEGURAMENTE, uma gordelícia não faria feio nas páginas da Playboy, mostrando suas coxas, bunda e peitos deliciosamente reais.
Claro que a idéia da revista, entre outras tantas, é trazer ao povão mulheres maravilhosas, mas o engano também está aí: HÁ MUITAS GORDELÍCIAS MARAVILHOSAS E MUITAS VEZES FORA DO ALCANCE DOS POBRES MORTAIS. A própria Cleo Pires, anos atrás, era bem gordelicinha, mas aí entrou nessa paranóia de ficar magrela. Mas vê se estava "fácil" para alguém naquela época. E vê se era feia. Pois é...
Depilação
Todo mundo já sabe, com exceções raras (tipo Sabrina Sato), que quando posam para a Playboy uma parte do corpo NÃO SERÁ VISTA. Veremos peito, veremos bunda, mas... enfim, não veremos tudo. Prova disso é que a Roberta Close POSOU COM PINTO E TUDO! Era só mostrar um chumacinho que, digamos, "estava no padrão editorial" - e, vale dizer, no padrão estético dos amantes do matagal.
Não estou aqui defendendo o aquecimento global nem propagando a fúria contra feminazis, mas REALMENTE é melhor quando tudo está lisinho, não apenas pela beleza da coisa mas também, se querem saber, até por questões práticas no campo sexual (superfície de contato para o sexo oral, p.ex.). E, claro, é bem melhor ver fotos de mulher pelada quando PODEMOS VER TUDO, né?
Fama
Sim, tem que ser famosa. Uma "capa ideal" sem mulher famosa não teria a menor graça. E, por famosa, entendam: da Globo. Ah, sim, ser do BBB não significa "ser da Globo". Nada contra outras emissoras, mas a única exceção seria novamente a Sabrina Sato, e olhe lá. Depois da Internet, ninguém iria até as bancas para comprar uma revista com fotos de alguém de uma retransmissora da TV Zé Ruela de sei lá onde.
Ok, ok. Depois da Internet, enfim, sei lá quem ainda compra esse negócio. Mas acho que entenderam o que quis dizer com este tópico.
Loira, Morena? Nada disso!
Prefiro ruiva. Há quem prefira oriental, negra ou qualquer outra coisa. E é foda isso de "loira ou morena?", desconsiderando outros tipos de mulher. Mas como eu mando no blog, fiquemos com RUIVA. Não há muitas, é verdade, o que talvez nos obrigue a improvisar com algumas tingidas, desde que não escapem do padrão básico da ruivice aceitável (uma japonesa de cabelo vermelho não ficaria bem, né?).
E assim chegamos a...
CAROLINIE FIGUEIREDO!


Vinte e um aninhos de pura beleza, magia e sedução, atualmente na novela das sete da Rede Globo, preenchendo exatamente todos os requisitos deste blog. A mulher mais linda da história da República Federativa do Brasil de todos os tempos da existência do planeta.
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transubstanciado por gravata às 08.08.10 | 19 comentários
03/08/2010
GRANDES AMEAÇAS DA INTERNÊ: OS PERIGOSOS SPAMS
Ontem falei dos "trolls", que são uma ameaça à sociedade e às estruturas do mundo ocidental. Chegou a hora e a vez do SPAM, esse grande problema que desafia a Nova Ordem Mundial, haja vista a quantidade de protestos e toda a gritaria contra tamanha poluição praticada por facínoras inescrupulosos.
Evidentemente, o povo exagera. O povinho online, claro.
Sim, SPAM é uma merda. Sim, não dá para tolerar. Sim, é preciso fazer o possível e o impossível para tentar acabar com isso. Mas, também sim, há uma galerinha exagerando na bronca quanto a isso e praticamente deixando de lado algumas práticas muito mais poluentes. Exemplo clássico: folhetos distribuídos nas ruas.
Já viram, por exemplo, quando um político OUSA enviar mensagens por email? A gritaria é avassaladora, como se tivessem invadido a casa da rapaziada. Ok, de fato, não é mesmo elegante. Mas, já era, muitos declaram: "NÃO VOTO NESSE AÍ". Ok, tá certo. Mas e aqueles que distribuem papel? Email, até outro dia, não entupia bueiro, nem provocava enchentes, tanto menos aumentava casos de leptospirose. A tchurminha online, entretanto, não se vê compelida a deixar de votar em quem polui as ruas com toneladas de papel - desde que não lhes mande email.
No tuíter, então, nem se fala. Muitos autores, diretores e produtores do curta-metragem "SPAMMER DE MERDA" costumam colocar em cartaz o "RT NESTA MENSAGEM PARA GANHAR UM BRINDE", nada menos que um glorioso spamzão de primeira. Venha a nós, e ao vosso reino nada, uma coisa é uma coisa/outra coisa é outra coisa e vamoquevamo.
Isso de "spammer de merda", aliás, é um caso à parte. Salvo raras exceções, obviamente não são os donos das empresas que enviam as mensagens, mas muitos se sentem aliviados xingando os pobres coitados e mal pagos que cuidam dessas contas de email. Pode ser uma forma de aliviar a raiva, mas quero ver se têm a mesma coragem de xingar quem distribui papel na rua. Aí complica, né?
Talvez essa preocupação exacerbada em salvaguardar o universo virtual seja também um reflexo da fuga do mundo de verdade e, vale reiterar, não estou aqui defendendo o SPAM. Apenas acho razoável colocar as coisas no patamar lógico de incômodo efetivo à sociedade. E, mesmo sendo egoísta, o "leitor de email", no fim das contas, vai sempre se foder mais com uma enchente, não adianta sofismar em contrário.
Mas voltemos aos políticos. Claro que algumas campanhas, sobretudo nacionais e executivas, são de impossível realização sem papéis e afins. Mas hoje em dia, ao menos os candidatos ao legislativo conseguem levar o máximo de suas propostas ao universo virtual, sem faixas, pichações, santinhos e afins. Melhor dois ou três meses com alguns emails (que podem ser cancelados!), em vez de anos com bueiros entupidos, enchentes, doenças e assim por diante, não?
Poderíamos até manter nossa chatice com essas coisas, mas vetando quem polui de verdade, não quem nos aborrece dessa forma menor. Seria um pequeno começo, mas algo já bem razoável.
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transubstanciado por gravata às 03.08.10 | 4 comentários
02/08/2010
CUIDADO COM OS PERIGOSOS TROLLS!

Eles ameaçam a sociedade
Há várias maneiras de não passar vergonha numa discussão, e a melhor delas e não se meter em discussões. Mas há quem goste de manter a pose de bom debatedor sem a necessidade de participar de debates. Isso mesmo: alegam ter boa retórica sem precisar colocá-la à prova. Quando surge qualquer interlocutor minimamente articulado, fogem com o rabo entre as pernas.
Isso é algo antigo, e as formas apelativas são inúmeras. Na interwebs, o truque mais recente é qualificar o adversário como "troll", conseguindo assim uma espécie de salvo-conduto para não precisar respondê-lo, e escapando de provável surra verbal. É assim que alguns mantêm suas famas de "bons de briga" sem que fossem vistos em qualquer peleja.
"Os trolls apelam", vão dizer. Bobagem. Todo mundo "apela", se for para ser caxias. Fazer piada de mau gosto com o "III Reich" pode ser considerado um exagero apelativo, mas nem por isso seria honesto fugir do debate com o autor da anedota imputando-lhe o título de "troll". O que mais entraria aí? Palavrão? Machismo? Podem procurar na obra dos "caçadores de trolls" e encontrarão farto material.
Mas, ok, então os "trolls não constroem nada". Mas que diabo seria "construir"? Vale apenas para a internê ou para a vida real? Se TODOS os êxitos de uma pessoa estão circunscritos ao universo virtual, isso é muito mais um problema dela que uma desculpa para medir os outros com a mesma régua. Às vezes - acreditem - os outros podem produzir fora da web. Juro. E, de mais a mais, o que tanto os "trollbusters" andam "construindo"? Tweets? Posts? Miniaturas de nave espacial?
Há quem use essa ladainha de "troll" para fugir do interlocutor, seja por esperteza ou por qualquer trauma adolescente. Mas também há os que fazem verdadeiras CAMPANHAS contra isso, alçando a coisa a um patamar mais grave. Misturam "ameaça" obviamente inócua e ódios encalacrados no inconsciente, expondo aos demais uma paranóia meio tragicômica.
Isso se torna mais evidente quando aplaudem reprimendas a toda e qualquer gozação, molecagem etc. É como uma vingança terceirizada contra o carinha que colava a folha com inscrição "chute-me", ou outra dessas figuras perturbadoras de tempos idos - agora talvez renascidas no até então aparentemente "sossegado" espaço virtual.
Sim, é CLARO que há absurdos por aí, é CLARO que uns e outros passam de qualquer limite. São casos muito específicos, quando as coisas deixam de ser piadas inocentes, tweets brincalhões, posts irônicos ou algo do gênero. Um exemplo seria, vá lá, esses stalkers que perseguem pessoalmente suas vítimas. Claro que aí, sim, a coisa é gravíssima. O texto, por óbvio, não trata disso, mas sim de pessoas normais - coincidentemente, elas 'ousaram' discordar de um caça-troll.
Os trolls, para os que os vêem em tudo, são os outros (ou "é o outro"), e naquele sentido mais genérico, sei lá se psicanalítico (estaria levianamente arriscando algo). Mas são, portanto, a alteridade, o contraditório, algo de que aparentemente se pretende fugir. E como alteridade e contraditório são peças fundamentais da existência em sociedade, o comportamento paranóico padrão é fugir de tudo isso, se preciso aplicando a tais atributos a qualificação de um inimigo (talvez até personalizando).
Trolls, portanto, não são um problema social, mas psicológico. Não são um fenômeno coletivo, mas individual - de quem os vê em tudo e todos. E, podem apostar, isso não é ofensa a ninguém, mas constatação bem simplória e relativamente óbvia.
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transubstanciado por gravata às 02.08.10 | 5 comentários
01/08/2010
ESCRITOR NÃO PRECISA SABER ESCREVER
O título pode parecer sensacionalista, mas é a pura verdade. Quem a defende, aliás, são os próprios escritores, não todos, mas muitos deles - especialmente os da nova geração, e a "nova geração" tem representantes com mais de 40 anos de idade.
Enfim: escritor não precisa saber escrever. É uma situação triste e engraçada ao mesmo tempo.
Antes, sem dúvida, precisamos definir isso de "saber escrever". Não há somente um significado para a expressão. Explicarei os dois mais corriqueiros, mas já vale assinalar: escritores não precisam "saber escrever" tanto no sentido lingüístico quanto no de conseguir narrar uma história. E isso é sério. Mas vamos lá...
Embora pareça estranho, "saber escrever", no sentido de aplicar corretamente o idioma, nem entra em questão. A desnecessidade é ponto pacífico. Assim como se um pintor precisasse de alguém para corrigir o uso das cores, o escritor tem quem lhe revise sua obra coloque nos termos do idioma.
Em alguns casos, o trabalho consiste em acertar crases e colocação pronominal, aquelas coisas complexas que aprendemos no primário (se o "escritor" tiver blog ou tuíter, sinta o drama...).
Mas isso é bobagem, vão dizer, talvez com alguma razão. Dos dois sentidos analisados, esse é seguramente o mais pobre e pedestre - embora não seja exatamente um demérito conhecer os rudimentos da língua.
Há também os que "não sabem escrever" porque simplesmente lhes falta a capacidade de contar uma história, mas muitos dirão que não é preciso contar uma história para escrever um livro, mesmo esses livros que teoricamente deveriam conter uma história miseravelmente plausível.
E não falo aqui de maior ou menor capacidade de narrar ou engendrar um enredo, pois seria discussão qualitativa. É coisa simples, mesmo, bastaria ter começo, meio ou fim. Não gostou? Ninguém gostou? Pois bem: a culpa é dos leitores que não estão preparados para tanta genialidade. Afinal, fulano gostou (fulano é amigo do gênio, geralmente).
Assim, descobrimos que ser escritor é quase um estado de espírito. Caso não exista boa relação com o idioma, não há problema, o texto será vertido para a língua desejada. Se a história não contiver uma história, por sua vez, não há nada de mais e isso não é problema seu: a culpa é do leitor. Porque esse negócio de boa trama é muito antiquado, como dizem aqueles que não sabem elaborar uma boa trama.
No fim, pouco importa se o escritor sabe ou não escrever. Ninguém lê nada, mesmo. Então, dane-se.
ps - escritores, não sejam rigorosos comigo por este post, ok? vocês exercem a carreira atualmente menos cobrada da história da humanidade, então não sejam chatos com os outros (isso é engraçado, o tanto que escritor cobra dos demais aquilo que não deixam que se cobre deles - até blogueiro entra na dança...)
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transubstanciado por gravata às 01.08.10 | 3 comentários
29/07/2010
POR QUE TANTAS GOSTOSAS PARTICIPAM DO #LINGERIEDAY?
por Bel (*)
Vou começar falando de uma gostosa específica: eu. Nada mais justo, visto que sou eu quem tô escrevendo essa merda. Eu, Belisa, participo do #lingerieday porque já fui gorda. Antes de entrar mais profundamente no tópico da lingerie, sensualidade e exibicionismos, exploremos o conceito de “gorda”. Se você acha, por exemplo, a Preta Gil gorda... eu acho que você tem sérios problemas mentais ou, pra ser mais justa, vou achar que você é só meio cabeça-oca e comprou o padrão estético de “beleza” que te é enfiado goela abaixo todos os santos dias. “Magra” virou sinônimo de “esquelética”, “gostosa” virou sinônimo de “bombada” e “robusta” virou “gorda”. Não, meus amigos... A Preta não é gorda, ela é robusta. Vê-se pelo típico físico que ela nunca foi e nunca será uma Debora Seca Secco da vida, e acho absolutamente ridículo a quantidade exacerbada de deboche que há em cima da robustez de Preta Gil. Aquilo não é ser gorda.
Caros colegas, eu sei bem o que é ser gorda. Não entrarei em detalhes numéricos por pura vergonha, constrangimento, e pra proteger a minha fama (caham) de gostosona-pegadora-devoradora-de-pintos, mas pode botar aí uma vida passada na qual eu pesava bem uns três dígitos. Pra mais. Quando a balança apontava 90 kg, eu me sentia feliz porque estava magra.
"Tô delícia."
Processos, médicos e dietas, perdi várias arrobas; mas eu não estou aqui para falar sobre ou dar fórmulas sobre emagrecimento, estou aqui para dizer que, tendo eu já sido uma versão gótica do Moby Dick, hoje em dia poder tirar uma foto de lingerie e ter vários caras me falando “ô, gostosa” é ÉPICO. E não estou falando só dos pedreiros, taxistas e vendedores ambulantes, não. Tô falando de bancários, advogados, publicitários, biólogos, empresários, tô falando que meus dias como Musa Apenas Nos Limites Da Periferia acabaram. Tô falando de se achar gostosa, e estar satisfeita com isso.
Como eu sempre digo, mulher é um bicho vaidoso. Não é a toa que gostamos de sapato, bolsa, maquiagem, perfume, progressiva, chapinha, esmalte fosco, rendinha, lacinho, decote etc etc etc. Sendo vaidosas, nada mais justo que apreciemos quando nossa beleza é reconhecida. Como boas gatinhas, é natural ronronar quando as pessoas afagam nosso ego. Toda vaidosa tem um quê de exibicionista, diria até que é um comportamento incrustado no nosso DNA. Queremos mostrar pro macho-alfa que seremos boas parteiras, e que tem vários outros alfas correndo atrás da gente, e que se ele não quiser, tem vááários outros querendo. Dá mole pr’ocê ver, preibói. Talvez as mulheres sejam primas distantes do pavão ou da galinha. E aí, cabrones, chegamos perto de entender porque foi tão fácil ter uma enxurrada de mulheres postando foto da bunda, peito, coxas e tudo mais que você gosta de ver na rede, pra todo mundo ver.
É simples como dois e dois são quatro: a gente se gosta e tem feedback positivo. A gente posta foto sensual, vocês elogiam, e todo mundo fica feliz. Corrigindo, QUASE todo mundo fica feliz. Nunca, mas NUNCA MESMO, eu vi um homem reclamar de ver a foto de uma gostosa de lingerie, nem mesmo um gay. As reclamações pertinentes ao #lingerieday vêm de algumas poucas garotas que desaprovam o exibicionismo e defendem o recato e... a... hum... sensatez e... a... virgindade antes do casamento e... os bons costumes e... ahm... acho que a imagem... da, hum... decência. Acho. De qualquer forma, elas não sabem o que estão perdendo, em matéria de diversão. Não que eu precise de uma cambada de macho babão atrás de mim, querendo me comer o tempo todo. A questão não é essa. Com licença poética para assassinar a gramática, em prol de ser mais clara e coesa: a questão não é eu agradar eles, e sim eles agradarem eu. E elas agradarem eu também. Apesar da intrínseca competitividade feminina, no #lingerieday parece que tal característica é ofuscada por uma torrente interminável de calcinhas, cintas-liga, sutiã e corpetes... e acaba uma elogiando a outra. Merecidamente, diga-se de passagem. E toda essa celebração virtual à sensualidade feminina “real”, e não apenas aquelas das revistas e filmes pornôs, agora tem uma data marcada. Delícia.
Se os homens respondessem às fotos com comentários do tipo “nossa, sua puta” ou “que horrível você, sai daí”, com certeza as mulheres não iriam continuar se exibindo e...
Peraí, peraí. Será que ALGUM HOMEM reclamaria disso?

@annebecker
* * *

@julie_x
* * *

@thaifernandes
* * *

@anacheiadegraca
* * *

@lemonndrop (também conhecida como eu)
Vês, lazarento? É aquele cenário em que todo mundo sai ganhando. Você admira, a gente se sente admirada e voilá!, todos são felizes. Não há putaria nisso, todas as mulheres que participam do #lingerieday trabalham, estudam, twittam bobagens, têm TPM, uma estria aqui, uma celulite acolá e são seres humanos normais. Mulheres normais que, às vezes, cê nem tinha reparado que eram gostosas. Essa é a maior graça do lance todo.
Então, minha cara colega peitudinha... no próximo #lingerieday, pare de levar tudo tão a sério, pare de achar que tudo necessita de um julgamento moral, um motivo filosófico, um comprovante científico e simplesmente relaxe. Eu sei que você fica olhando aí de longe, morrendo de vontade de ver como seria a reação dos seus seguidores caso você colocasse uma foto sexy. Garanto-te: se você se utilizar do bom gosto e das suas curvas mais bonitas, a reação será positiva. Meu apoio já é garantido. Então, desfaz esse bico emburrado, coloca sua calcinha preferida e vem fazer pose sexy com a gente :)
* * *
(*) Bel, como a própria já disse, é @lemonndrop do Twitter, e hoje escreve neste blog para falar do #lingerieday, a nossa festinha que rolou ontem. Depois volto ao tema, mas achei legal que uma mulher desse início ao "debate" por aqui :)
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transubstanciado por gravata às 29.07.10 | 20 comentários
27/07/2010
LINGERIEDAY: É AMANHÃ!

É isso aí, cambada! É AMANHÃ a nova edição do #lingerieday. Lá no tumblr tem tudo sobre o evento e, além disso, várias promoções (várias MESMO). Abaixo, uma recapitulação das "regrinhas" (na verdade, nem tem regra, mas é só pra que entendam como funciona a festança):
Quem Participa?
Homens e mulheres, não há sexismo.Como Participar?
No dia 28/07, próxima quarta, ponha uma foto sua, no avatar do Twitter, usando lingerie. Calcinha, sutiã, meia 7/8, cinta-liga e, se for o caso, cueca.Quer Participar “Secretamente”?
Também dá! Muita gente não quer queimar o filme no trabalho ou, por qualquer outro motivo, não pretende se expor mas, ao mesmo tempo, quer participar. Isso é possível. Basta mandar sua foto para lingerieday@gmail.com - ela será publicada no tumblr, sem qualquer identificação, e sua privacidade será obviamente preservada.Lingerieday é um Concurso?
Não, é uma festa, uma brincadeira, uma palhaçada coletiva. Há vários brindes e, claro, adoramos porque ajuda a divulgar a coisa toda. Mas a essência é a de uma festança, mesmo, sem qualquer outra finalidade. Aproveitem!
Evamoquevamo!
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25/07/2010
BRASILEIRO NÃO GOSTA DE ESPORTE: GOSTA É DE GANHAR
Sobre a "deixadinha" do Massa
Nossa brava gente odeia esporte. Odeia com todas as forças. O brasileiro tem notória repulsa pelas atividades esportivas e é muito fácil demonstrar esse axioma de nossos compatriotas. Porque gostamos, mesmo, é de ganhar. As atividades, por aqui, são modismos - e o tempo de duração corresponde ao período em que estamos ganhando.
Começam as derrotas, tudo perde a graça.
Corria o ano de 1992 e os 'meninos do vôlei', liderados por Marcelo Negrão, deram um show em Barcelona. Aquilo virou uma febre, mas uma febre tão grande que não apenas muita gente começou a praticar o esporte, mas curiosamente virou moda usar uma CAMISETA DO BANCO DO BRASIL, aquela amarelinha - no ano seguinte rolou um mundial aqui em São Paulo, e ganhamos novamente. Depois, claro, tudo passou.
Com Guga e o tênis foi a mesma coisa. E podem pegar aí qualquer esporte: o entusiasmo vai e vem à medida que vitórias vêm e vão. O povo não gosta de acompanhar esportes, mas sim de comemorar êxitos dos outros usando o velho subterfúgio da "pátria". Já que são atletas brasileiros, então o Brasil ganhou, então "eu ganhei também". Vai saber, talvez seja uma forma de diminuir alguns sofrimentos.
A única coisa de que gostamos é o futebol. Somos um país continental e temos verdadeira 'monocultura esportiva'. Então, não gostamos de 'esporte', mas de futebol. Países com um décimo de nossa população voltam das Olimpíadas com o triplo de medalhas. Mas somos pentacampeões mundiais no esporte bretão. O que acho disso? Acho bom. Não gosto de esporte, não tenho paciência para coisa alguma. Gosto de futebol - ao menos assumo isso. Ah, sim, também gosto de F1.
E assim chegamos ao tema, sobre o qual já começa aquele debate sem fim sobre ser ou não um 'esporte'. Mas vamos adiante ao que importa: o povo não gosta, não entende, não quer nem saber da corrida em si. Querem é "ganhar" (no caso, querem que algum brasileiro ganhe, como se houvesse algum tipo de compromisso entre as partes).
Entre tantas características bem particulares, a F1 tem uma que sempre incomoda os "torcedores": trata-se de uma competição DE EQUIPES, não de 'pessoas'. Algumas equipes, bem raramente, contratam pilotos paritários, mas o normal é uma escuderia ter "A" e "B" - o primeiro e o segundo. Durante alguns anos, o Brasil contou com pilotos "A", como Piquet e Senna. Mas, recentemente, tivemos nossos "B", como Rubens Barrichello e Felipe Massa.
Não pensem que ser piloto "B" é uma desonra ou fracasso. Bem ao contrário. As escuderias têm milhares de opções e, ao chamar um Massa, já estão escolhendo entre centenas. Numa leitura mais honesta, ele não é o "segundo", mas o primeiro entre muitos que dariam a vida para estar ali. Mas, claro, não é o preferencial em sua equipe. E é assim que funciona.
Quando Senna corria pela McLaren e Berger era seu companheiro, por várias vezes o austríaco lhe deu passagem e/ou preferência (além de não ter um carro tão bom). Hoje, quando Massa fez o mesmo a Alonso, o povo ameaçou sair às ruas para protestar. Naquela época, pelo visto, havia uma maior compreensão acerca dos princípios de equipe. Deve ser isso, né?
Fórmula 1 é assim. Sempre foi assim. É uma competição de equipes, e não há nada de vergonhoso quando um companheiro concede passagem a outro - em melhor posição ou maior chance de conquistar o campeonato.
Claro que a Ferrari errou na sua estratégia principal. Não deveria ter tanta preocupação em ganhar o título mundial. O correto, como todos sabemos, é agradar aos tuiteiros ou blogueiros de automobilismo.
Ética Seletiva
Hoje foi uma gritaria desgraçada por causa de episódio perfeitamente normal dentro da estratégia de uma equipe. Mas, ora, são os BALUARTES DA ÉTICA, o exército de salvaguarda dos princípios e, vale dizer, com eles não se brinca. Mas onde eles estavam quando Luis Fabiano fez aquele gol carregando a bola com as duas mãos, agora na Copa? Suponho que salvavam baleias dos caçadores ou lutavam contra a lavagem de dinheiro. Seguramente, NÃO COMEMORARAM.
Muitos disseram que é preciso saber dizer "não", aludindo ao fato de que Felipe Massa deveria se rebelar e fazer de conta que a Ferrari não é uma equipe (nem sua empregadora), mas apenas um carro que alugou pouco antes de começar a corrida - salvando assim sua honra, moral, hombridade etc. Interessante, né?
Presumo que esses inequívocos bastiões da moralidade trabalhem de acordo com TODOS OS REQUISITOS FORMAIS. Ninguém ganha nada por fora, todos estão sob regime legal corretíssimo (nada de ser empregado regular, mas sem CLT) e, claro, JAMAIS ACEITARIAM TRABALHAR EM EMPRESA QUE SONEGA IMPOSTO OU FAZ QUALQUER MUTRETA. Porque, como gritam de forma macha no tuíter: "é preciso saber dizer não".
Tenho orgulho dessa nova geração altamente preocupada com os valores republicanos, interessadíssima nos rumos do país e tão atenta para as grandes causas da humanidade como, por exemplo, uma ultrapassagem em estratégia de escuderia.
Mas Ê POVINHO BUNDA!
ps.: OBVIAMENTE, sei que além do campeonato de marcas/equipes, há também a competição de pilotos. Quando digo que se trata de uma 'competição de equipes' é pelo fato claro de que as equipes contratam pilotos e, no fim das contas, são elas que mandam, são elas que querem ganhar, são elas que 'decidem' quem, dentro de suas fileiras, serão os preferenciais. Nesse sentido, portanto, são elas que 'disputam' - POR MEIO de seus pilotos. Esclarecido, galerinha do deixa-que-eu-chuto?)
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transubstanciado por gravata às 25.07.10 | 11 comentários
20/07/2010
GENTE QUE É CONTRA PALMADINHA PEDAGÓGICA, MAS É A FAVOR DO ABORTO
O Brasil é aquele país em que a prostituta goza, o traficante cheira, há goleiro artilheiro, pobre diz que dinheiro não traz felicidade e liberais e conservadores batem cabeça em algumas questões lógicas. Farei justiça e serei equânime. Conservadores, em sua maioria, acreditam na autonomia do cidadão quanto ao direito de portar armas e beber uma garrafa inteira de pinga, mas não acreditam que sejam suficientemente maduros para cheirar cocaína. Parece estranho.
Mas vamos a alguns liberais, ou supostamente liberais ou teoricamente progressistas, os que são contra as "palmadas pedagógicas". Antes, porém, tratemos do óbvio: NINGUÉM É FAVORÁVEL AO ESPANCAMENTO. Ninguém defende surra, ninguém defende chicotada, ninguém defende pontapé, soco, bicuda, tapa na orelha ou qualquer castigo físico de natureza grave ou mesmo média. Trata-se aqui de tapinha no bumbum ou na mão, mesmo, aquela tradicionalíssima. Ok? Sigamos, pois.
As pessoas contrárias a isso posicionam-se como liberais e progressistas, sabe-se lá por quê, e, também por algum motivo estranho muitos deles defendem a legalização do aborto. É uma maneira curiosa de zelar pelas crianças, para dizer o mínimo. Os fetos, antes da formação do córtex cerebral ou aqueles anencéfalos, seguramente não são equiparáveis a "crianças", sem dúvida alguma, mas há os que defendem a legalização para casos de gravidez adiantada - e se mantêm contrários a tapinhas na mão, usando argumentos das mais sofisticadas escolas pedagógicas, sempre lutando para o bem-estar da petizada.
Complexo, não?
Meu amigo Doni, que NÃO FAZ PARTE do grupo incongruente, alega que ao aderir à palmada o pai fracassou no processo de educação. Ainda que seja verdade, ou mesmo que a análise sirva apenas para aquele momento específico de explosão, façamos a análise inversa, devolvendo a seguinte pergunta: o que seria "vencer"? Quais os casos em que os pais se saem "vitoriosos" na educação/criação de seus filhos?
Recentemente, foi aprovada uma lei que proíbe todos os pais de encostar um único dedo em seus rebentos. Mas eles estão liberados para insultá-los verbalmente. Qualquer psicanalista sabe que os grandes traumas de infância, em sua maioria, não se devem a castigos físicos, mas sim a problemas psicológicos decorrentes de ofensas, apelidos e demais agressões de outra natureza. A violência física reprimida pela lei - no caso de ser obedecida - talvez crie o "bullying caseiro", substituindo a violência física doméstica.
Nosso sistema legal possui mecanismos suficientes para punir pais que exageram, e esse tipo de conduta definitivamente não pode ser permitida. Mas até que ponto o Estado pode se enfiar na vida dos indivíduos? A lei recém-aprovada, vale ressaltar, proíbe TUDO. Exatamente tudo.
Há longos textos dizendo que a palmada "não resolve" (muitos perversamente a chamam de "violência" ou "agressão", quando e isso é desonesto, pois ninguém defende isso). Mas quais são os dados científicos? Qual a amostragem? Quem são as crianças estudadas? E que seria "resolver"?
A prova de "solução" seria uma vida adulta feliz? Uma vida adulta financeira ou materialmente próspera? Ou é puro achismo? Vamos falar bem a verdade: não há qualquer dado concreto. Fulano acha isso, sicrano acha aquilo e, de certa forma, é mais "bonito, atual e moderno" achar ora isso ou aquilo.
Mas ninguém traz uma única pesquisa efetivamente científica com resultados aferíveis. Em diversos casos, a opinião não parte de quem não tem filhos, e acreditam ser bobo supor ilegimidade de parte. Não, não é. Quem não tem filho NÃO PODE falar sobre isso. Quem não tem filho, desculpe, NÃO SABE o que é criar um filho.
E aqueles cujos petizes ainda não atingiram idade bastante para que possam dizer "meu método deu certo" também não podem bater no peito para falar das glórias de sua metodologia. Se não, os que dão palmadas farão exatamente o mesmo e teremos aí a "amostragem de um só" - que, para eles, só vale para os casos da "conversa madura", praticada entre pais conscientes e seus filhos de quatro anos dados a colóquios.
Daí o filho de um vira viciado, o filho de outro não dá para nada na vida e como é que fica? Foi culpa do tapa na bunda ou da conversa franca aos seis anos de idade, quando o menino bateu no outro irmão? Por outra: caso todos progridem em todos os campos e se tornem felizes, foi vitória dos tapinhas nas mãos ou do debate em torno da mesa? Não há dados, é tudo chute, achismo puro.
Mas, para finalizar, volto ao aborto: faz sentido uma pessoa exigir que a mulher tenha "escolha sobre seu próprio corpo", mas, ao mesmo tempo, achar normal uma família deixar de ter direito de escolher a forma pela qual educará/criará seus filhos (sem exagero na violência, por óbvio)? Pois é... Eis a "lógica" de uma parcela dessa turma, ou melhor, a falta dela.
Legenda pra quem tem dois dígitos de QI - sou a favor tanto da palmada pedagógica quanto da legalização do aborto - só apontei a contradição do pessoal (é uma merda ter que explicar tudo, mas é o jeito)
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transubstanciado por gravata às 20.07.10 | 30 comentários
20/07/2010
IDIOTICE EM DEBATE: ATEÍSMO RELATIVISTA
Comecei a ver todos os episódios de Arquivo X e, num da terceira temporada, um garoto desenvolve os "estigmas de Cristo". Aparentemente, a idéia dos roteiristas é confrontar fiéis cristãos, mostrando que em todas as crenças há pormenores incríveis. Nesse capítulo, aliás, o sempre crédulo agente Mulder passa ser cético e a permanentemente inabalável Scully resolve acreditar piamente. É o truque usado.
Mas essa não é a única leitura. Há uma porção de ateus por aí questionando todas as crenças cristãs, não apenas os milagres mais inacreditáveis, e ao mesmo tempo acreditando num sem-número de baboseiras místicas, esotéricas e extraterrestres. Há mais evidências físicas sobre Jesus Cristo que qualquer prova material sobre muitas das crendices desses "ateus relativistas".
A ver:
Extraterrestres
Claro que não é moleza acreditar num Messias que caminha sobre as águas, mas não fica bem quando tal "cético" resolve apostar todas suas fichas de credulidade na existência de homenzinhos verdes. Ou cinzas. E eles vêm para cá sem roupa, todos têm a mesma cara e são governados por um mesmo líder - brigas, como sabemos, são coisas dos humanos. Fazem "experiências" desde os anos 50 e, apesar de terem tecnologia para viajar galáxias, não chegaram a conclusão alguma (enquanto nossos cientistas atrasadíssimos já curaram umas cem doenças).
Paranormalidade em Geral
Sem dúvida alguma, é complicado explicar como o Criador fecundou espiritualmente uma virgem e o fruto desse milagre não foi outro senão ele próprio - sacrificado, vejam só!, por sua própria ira contra a humanidade que o teria desobedecido, salvando assim todos os seres humanos do chamado Pecado Original. Mas fazer chacota dessa mitologia e acreditar em telecinésia, pirocinésia, telepatia e quejandos, convenhamos, não garante a tal pensador grandes marcas no quesito "coerência intelectual". Até hoje, somando todos os fenômenos paranormais científica e irrefutavelmente registrados, temos um total assustador de... ZERO.
Astrologia
Reza a lenda que o Salvador teria subido aos céus em carne e osso, não em espírito, luz ou qualquer alegoria - e os fiéis legítimos ou acreditam nisso ou não são fiéis legítimos (não culpem a mim pelo fato de uma religião ser pacote fechado, ok?). Há quem gargalhe disso e, em seguida, consulte seu horóscopo com relativa seriedade - e não como se consultasse uma anedota do Costinha (a quem devemos muito mais respeito, diga-se). A astrologia é tão risível que não há nem por onde começar, mas basta dizer que é uma daquelas "ciências" subjetivas, pois uma mesma pessoa pode fazer mapa-astral com 200 astrólogos e ter 200 resultados diferentes. Gêmeos perfeitos também podem ter características diferentes, mesmo nascendo ao mesmo tempo, no mesmo lugar e, por óbvio, sob os mesmos signos e ascendentes. Astrólogos desprezam a refração atmosférica ao fazer mapas e consultas - muitos, aliás, nem sabem o que é refração atmosférica. É mais fácil um ser humano subir aos céus em carne e osso que um planeta batizado pelo nome do deus da guerra ou do amor interferir beligerantemente ou amorosamente sobre alguém, pelo simples fato de uma civilização ter batizado assim tais astros. Sempre que alguém diz "horóscopo dá sempre certo comigo" ou é alguém infeliz, ou pobre, ou ambos. E ainda assim há quem acredite nisso tudo e se diga "ateu" ou, de forma seletiva, ridicularize o cristianismo.
Conspirações Diversas
Por fim, há a turma das conspirações. Não acreditam em nada da Bíblia, são extremamente céticos, são pessoas voltadas para a racionalidade, mas... Bom, mas são doidos varridos, porque tudo é culpa de alguém infiltrado, agentes secretos, empresas manipuladoras e assim por diante. Chegam a divulgar aquelas correntes segundo as quais uma multinacional esportiva "entrega" Copa do Mundo para que A CONCORRENTE ganhe. E os governos, que não conseguem guardar segredo algum, vazando um escândalo atrás do outro, milagrosamente encontram tempo para manter ETs em abrigos protegidíssimos.
Enfim...
Ser "ateu", "cético", "agnóstico" ou qualquer que seja o termo não significa meramente ser anti-cristão. É moleza sair dando pedrada em uma ou outra crença, ostentando rótulos de ceticismo, mas mantendo dogmatismo e fé-cega em várias outros temas extremamente estapafúrdios.
Se você é do tipo que considera os crentes ludibriados, mas consulta todo dia seu horóscopo (às vezes pagando por isso), está na hora de, pelo menos, ser um pouco mais tolerante. É o caso de ver melhor isso aí, né?
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transubstanciado por gravata às 20.07.10 | 16 comentários
15/07/2010
DROGAS: OS BRASILEIROS E SEU PROBLEMA COM AS LEIS
Temos um problema grave em nosso sistema normativo e isso faz com que as pessoas não se sintam muito "obrigadas" no que diz respeito às leis (usei aqui o verbo "obrigar" no sentido jurídico, mesmo). As pessoas estão distanciadas do processo legislativo, muito embora todas votem - obrigatoriamente (!!!) - naqueles que as representam para que elaborem e/ou permitam que sejam aprovadas ou vetadas as leis.
Mas não há qualquer participação no sentido de fiscalizar a maneira como atuam esses parlamentares. Por preguiça, é normal culpar a Democracia Representativa, suscitando todo tipo de referendo ou plebiscito, em vez de meramente verificar a atuação daqueles que foram postos para fazer o trabalho constitucional que lhes competia. Esse, enfim, é o brasileiro. Esses somos nós.
Daí que, distantes do procedimento das casas parlamentares, muitas vezes simplesmente não nos sujeitamos às leis - e nisso de certa forma contribui parcela considerável da classe política, aquela sempre envolvida nos mais variados escândalos e quase nunca condenada pelo que diuturnamente comete contra nossos cofres. Essa circunstância faz gerar um "nós x eles".
Drogas
É proibido o comércio de determinados narcóticos, embora muitos outros sejam liberados. Cocaína e maconha, por exemplo, não podem ser vendidos ou consumidos. Álcool e cigarro estão liberados. Em termos puramente teóricos, é complicado falar sobre o tema do ponto de vista da tutela estatal, pois não faz mesmo muito sentido. Por que o Estado permite isso e libera aquilo? Quem ele pensa que é?
Façamos os debates. Eles são legítimos.
Mas ilegítimo é o descumprimento legal. E isso não por qualquer veneração sagrada aos sistemas jurídicos, mas por pura e simples regra básica do convívio em sociedade. Quando não gostamos de determinada legislação, é totalmente admissível fomentar discussão e fazer o possível para que seja mudada. Mas não se pode DESCUMPRI-LA antes dessas mudanças.
Alguns empresários, nesse sentido, às vezes metem os pés pelas mãos e não esperam as sonhadas modificações na CLT ou tributárias, e acham razoável deixar de recolher tributos ou tratar como autônomos empregados efetivos. O que fazem? Descumprem a lei antes de haver a efetiva modificação e, com isso, até mesmo enfraquecem os possíveis debates.
Com as drogas, há algo parecido, com maiores ou menores efeitos, cada qual repercutindo em suas áreas.
Não é preciso ser um gênio para saber que a única forma efetiva de acabar com um setor econômico é cortar sua grana. Desse modo, NÃO comprar droga poderia eventualmente causar alguns transtornos no tráfico, como por exemplo ACABAR COM O DINHEIRO. Daí surge o já citado gênio dizendo "ah, mas aí eles começam a seqüestrar", como se a compra da cocaína fosse uma forma de evitar seqüestros e mitigar um problema maior (afinal, ninguém morre na guerra de quadrilhas e a taxa de criminalidade é baixíssima).
Mas esse raciocínio também é torto. Não se pode, por óbvio, simplesmente ceder ao fato de que há um grupo predisposto a cometer QUALQUER crime e, nesse sentido, é preciso fazer alguma coisa já que, se não fizer "X", eles praticam "Y". É argumento falho, burro e, pra dizer o mínimo, covarde.
Legalização
A essa altura vão pensar que sou contra toda e qualquer forma de legalização, mas a verdade é bem outra: sou A FAVOR da liberação de TODAS as drogas. Exatamente todas. Nem entro na hipocrisia das "fracas" ou "fortes". Deveriam liberar tudo, mesmo.
Sou contra o fato de desrespeitar a lei antes da efetiva liberação, dando esse "migué" bem brasileirinho. É uma forma estranha de tapar o sol com a peneira, um jeitinho estranho de adiar eternamente o problema e, no fim das contas, fazer o que fazem com todas as questões: não cobrar de quem pode resolvê-las.
Estamos em ano de eleição. Já que ninguém vai parar de fumar ou cheirar, o pessoal poderia ao menos saber quais candidatos têm projetos para a legalização das drogas.
ps - se vc acha "reaça" quem é a favor de esperar pela aprovação de uma lei, então, por coerência, também deve defender os empresários que sonegam impostos e não registram funcionários nem cumprem com as obrigações trabalhistas, ok?
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transubstanciado por gravata às 15.07.10 | 7 comentários
12/07/2010
O CASO POLANSKI E UMA "SAÍDA" PARA O GOLEIRO BRUNO
Há uma overdose de Goleiro Bruno e não dá para meramente culpar o povo ou a mídia. Trata-se de um caso é absurdo, insólito, de crueldade raramente vista e, claro, envolve uma figura relativamente famosa. Algumas pessoas costumam fazer aquele ar "blasé" na base do "vamos mudar de assunto", mas não é todo dia que uma mulher é esquartejada, tendo partes de seu corpo jogadas a cães ferozes e com futebolista de grande equipe sendo acusado de participar dessa atrocidade.
Daí que surgem teses as mais variadas, uns pedindo a adoção imediata da Pena Capital, outros imputando a culpa a toda a sociedade, como é comum quando ocorrem os crimes graves, esses de grande comoção. Para uns, a culpa é do invidíduo; para outros, é do "meio" e/ou da omissão do Estado. Segue-se, assim, um debate mais ou menos enfadonho.
Mas nosso sistema penal ainda tem o hábito de punir os indivíduos, supondo-os responsáveis por seus atos, e não os "meios" ou "circunstâncias contextuais". Talvez faça mais sentido, já que há milhões de pessoas em condições iguais ou piores que as dos acusados desse crime terrível que simplesmente jamais fizeram qualquer coisa minimamente parecida.
Sigamos.
A Suíça, hoje, resolveu liberar o cineasta Roman Polanski, que há décadas estuprou uma garota menor de idade e fugiu dos EUA (e da cadeia). Curiosa e espantosamente, ele passou a ser defendido por alguns atributos desatrelados do fato em si, tais como "ser um bom cineasta" ou, na maioria dos casos, "ser uma pessoa engajada".
Quando Polanski foi detido, descobrimos a existência do "contexto" para casos de estupro - mesmo quando a vítima é uma garotinha. Houve quem culpasse a mãe, por exemplo, pois "onde já se viu permitir que a filha andasse com aquele tipo de gente?" - entre outras teses. Mas, para boa parte dos defensores do cineasta-estuprador, prevaleceu uma certa simpatia quanto a seus ideais ao longo da carreira, já depois do crime.
Os militantes aceitam crimes, isso é fato. Quando uma ditadura empunha determinada bandeira, ela pode cometer qualquer matança que tudo é defendido. E, se perdoam atrocidades no atacado, também o fazem no varejo, como houve no caso de Polanski. Bastou ao indivíduo acenar como simpatizante dessas mesmas causas. "Ah, ele é dos nossos", eles pensam, e se desdobram em mil argumentos para fazer de conta que o estupro não precisa ser punido.
Eis que voltamos ao Goleiro Bruno, ingenuamente evocando Jesus. Bobagem. Inócuo. Deveria fazer como Polanski e passar a defender as mesmas bandeiras ideológicas que garantem inocência automática para toda essa militância acéfala. Para eles, como já está comprovado ao longo da história, não há crime que não mereça perdão quando seu autor adota determinadas cores ideológicas.
Bruno nem precisa perder tempo se fazendo de vítima, como propõem as teorias mais complexas, como a de que foi "vítima do meio". Basta, a partir de agora, vestir algumas camisas, empunhar certas bandeiras e bradar em favor de certos "heróis históricos". Se ele o fizer, aguardem as inevitáveis teses mirabolantes em favor do goleiro.
Às vezes leva tempo, mas a tática é infalível. Se funciona com quem matou milhões e deu certíssimo com o estuprador de uma garotinha, por que falharia desta vez?
ps - se acham que estou exagerando, saibam que há textos e textos de supostas "feministas" DEFENDENDO Polanski e, sim, obviamente são pessoas ligadas a certos partidos...
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transubstanciado por gravata às 12.07.10 | 9 comentários
12/07/2010
CASILLAS É ROMÂNTICO, TEM PEGADA, É ISSO E AQUILO! HUM...
Mulheres gostam de Copa do Mundo, em sua maioria, porque há homens bonitos, de corpos definidos, pernas grossas e a coisa toda. Normal. Nós gostamos porque somos fanáticos e não sei até que ponto, honestamente, nosso motivo é mais louvável.
Depois da vitória de ontem, uma cena comoveu praticamente todo o mundo feminino. Vejam:
Depois disso, uma chuva de comentários femininos a respeito da atitude do goleiro - como se nós, homens, não concordássemos. Mas vale repeti-los:
- Isso que é homem!
- Assim que se faz!
- Aprendam com ele!
- Só isso merece troféu!
- O meu não faz desse jeito!
- Queria esse namorado!
E assim por diante, enfim, todos devem ter ouvido ou lido afirmações congêneres. E todos ficamos quietos em relação ao dado mais óbvio dessa imagem, que está muito longe de ser um mero detalhe. Desse modo, cumpre manter o silêncio e mostrar alguns motivos para tamanho romantismo, empolgação e quebra de protocolo:








Tudo bem que ninguém aqui é um Casillas, mas vocês, que reclamam e exigem tanto, são exatamente uma Sara Carbonero?
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Urso
transubstanciado por gravata às 12.07.10 | 12 comentários
05/07/2010
BRASILEIROS E CBF: UM POVO QUE SÓ FALA BOBAGEM
Ia colocar "merda" no título, mas achei forte. Ok, não seria tão forte, mas depois fica assim cadastrado no Google, sei lá, melhor não. Mas, verdade seja dita, brasileiro SÓ SABE FALAR MERDA quando se trata de CBF. É uma atrás da outra, outra depois da uma, e assim vai a maior sucessão de FEZES da história do pensamento nacional. E, olha, somos um país recordista em excrementos de raciocínio nos mais variados temas.
Mas, no futebol, superamo-nos. Em títulos e em cocô verbal.
Comecemos do começo. A CBF, por exemplo, é uma confederação PRIVADA e, por incrível que pareça, muito pouca gente sabe disso. A situação chega ao ridículo sem tamanho de já terem aberto uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar contrato havido entre EMPRESAS PRIVADAS (CBF/Nike). O subsídio: a Nike teria incentivado o time a entregar uma copa a outra seleção, PATROCINADA PELA ADIDAS (sério, há quem acredite nisso...).
Não, não gosto da CBF. Na verdade, atualmente nem ligo. Gosto muito de ver jogo de futebol e, por óbvio, também os da seleção. Mas não ligo para a CBF. Não ligo também para as confederações de judô, natação, hipismo, curling etc. O brasileiro, porém, muitas vezes tenta encontrar uma maneira do Estado se meter no futebol. Vamos supor que isso seja possível (não é, ainda bem). Pela eqüidade, também se meteria em outros esportes como judô, natação, hipismo, curling etc.
Já imaginaram? O Governo Federal já tem um bilhão de preocupações e, além de tudo, precisaria cuidar de coisas como A ESCALAÇÃO DO LATERAL ESQUERDO, pois colocaram um sujeito ali meio violento, ou então uma comissão técnica ao gosto da maioria do povo. Por favor, né? Fora, é claro, os judocas, nadadores, cavaleiros e... ok, não sei o nome de quem pratica curling.
Daí os mais revoltados culpam a CBF pelo fato de que se preocupa muito com os acordos empresariais. Merecem pescotapa. Isso porque - e basta pensar - são exatamente esses contratos que dão visibilidade e alastram o futebol ao grande público. Por mais que seus diretores fiquem ricos, e talvez fiquem mesmo, a repetição de propaganda, veiculação de produtos, linhas licenciadas e toda sorte de objetos vinculados tornam o futebol mais massificado. Se duvidam, basta ver o que acontece nos países em que não há tal investimento.
Obviamente, não gosto do Ricardo Teixeira, e digo "obviamente" porque ele parece fazer o possível para que ninguém vá com sua cara. Além disso, não compraria um carro usado tendo-o como intermediário. Ele preside a CBF há 21 anos, quando venceu Nabi Abi Chedid. Claro que é um absurdo um dirigente estar há tanto tempo na frente de uma confederação - alguns não concordam quando se trata de sindicatos (ESSES SIM recebem verbas públicas).
Mas a parte complexa são os títulos. Sob Ricardo Teixeira, de quem NÃO GOSTO, a seleção participou de sete Copas do Mundo. Foram dois títulos e um vice-campeonato. Se acham pouco, perguntem a argentinos ou italianos quanto ganharam no período. Além disso, foram quatro títulos na Copa América, e três na Copa das Confederações. Tentem saber como estava a mesma CBF em 1989 - quase VINTE ANOS sem uma Copa...
As vitórias são de Teixeira? Não, não mesmo. Mas ele também não é o "super mega diabo" que gostam de pintar toda vez que a seleção sai da Copa. Como é sabido, comprovado e fato dos fatos, a CBF é uma CONFEDERAÇÃO PRIVADA, e cabe a qualquer brasileiro, no máximo, evitar que dinheiro público seja jogado na mão dessa turma. De resto, eles que se virem.
O fato de gostarmos de um esporte não nos dá o direito de institucionalizá-lo, estatizá-lo ou achar que temos quaisquer direitos preferenciais sobre confederações. Guardadas algumas proporções, é como se fôssemos malucos por cotonetes e, por isso, quiséssemos o direito de palpitar sobre a diretoria da Johnson ou da York (aliás, os presidentes estão há quanto tempo nos cargos?).
Outra piada, aliás, é quando começam a atacar Ricardo Teixeira como se ele fosse o chefão-master. Não, não é. Ele "manda" na CBF até a página dois, pois precisa obedecer à FIFA e essa sim é a toda-poderosa do futebol mundial. Há quem ache errado culpar Dunga e isentar Teixeira, mas depois o mesmo idiota xinga Teixeira e desonera a FIFA - ridículo e ignorante.
Claro que Dunga teve culpa e responsabilidade e, como torcedores, acabamos mesmo reclamando com o técnico ou jogador que fez bobagem. Ricardo Teixeira é presidente confederativo; como tal, cumpre o papel de gerir uma empresa, sobre a qual, aliás, não temos nada a ver (a menos que haja dinheiro público e, nesse caso, devemos cobrar do governo, não dele). Como torcedores, dentro da irracionalidade de qualquer esporte, cobramos do técnico, quando perde; ou o saudamos como herói, quando ganha.
Leio muito, também, sobre a ligação CBF/Globo e, em geral, muita gente fala bobagem. Como sói, são duas empresas privadas e ninguém tem nada com isso. Se você, leitor, presidisse uma entidade esportiva, fecharia contrato exclusivo com qual emissora? A maior ou a menor? A melhor ou a pior? Valendo lembrar, claro, que em alguns casos É PRECISO HAVER EXCLUSIVIDADE. Como alguns revolucionários de sofá têm raivinha da Globo, aproveitam para brigar também contra isso.
No fim das contas, bem a sério, só não entendo uma única coisa. Acompanhem o raciocínio: alguém já tentou discutir qualquer assunto fútil, menor ou de diversão popular, enfim, qualquer coisa PRIVADA com um desses militantes? A resposta é sempre a mesma: VOCÊS DEVERIAM SE PREOCUPAR COM OS VERDADEIROS PROBLEMAS DO BRASIL, EM VEZ DE PERDER TEMPO COM OS ÓPIOS DO POVO. O discurso é surrado, mas, em certa medida, faz algum sentido.
Parece que não gostam de diversão e não querem que nos divirtamos, passando uma mensagem de grandiloqüência existencial e preocupação inequívoca com os grandes problemas nacionais. Maravilha, não é mesmo? Pois bem... Mas quando entramos na temática futebolística, a conversa muda. Um problema menor, verdadeira questiúncula de somenos importância, passa a ser QUESTÃO DE ESTADO.
Isso não tem como ser um país sério.
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transubstanciado por gravata às 05.07.10 | 7 comentários
05/07/2010
A COPA E OS CRAQUES QUE "NÃO APARECERAM"
Esta Copa do Mundo ficará marcada pelo fato de que grandes seleções caíram logo na primeira fase, além das outras tradicionais tombadas de forma pouco louvável. Dessa forma capotaram Itália, Inglaterra, Brasil, Argentina etc. Além disso, grandes craques, verdadeiras "promessas", simplesmente desapareceram durante o torneio.
Todos, até agora, explicaram - ou tentaram explicar - sob o ponto de vista futebolístico e, claro, talvez isso seja o mais coerente. Mas me atrevo, aqui, a fazer uma análise meramente empresarial. Não acho que seja equivocada, porém. Acompanhem.
O futebol é, hoje, um dos negócios mais lucrativos do mundo e isso é algo indiscutível. Não se pode extrair o esporte do contexto empresarial, sobretudo quando ele todo não está apenas "inserido", mas já se transformou completamente num verdadeiro conglomerado. E a Copa do Mundo, tendo a FIFA como gerenciadora da marca e operadora de seus dividendos, é prova disso.
É aí que entram os jogadores.
Para alguns - a depender da fase de suas carreiras e/ou da equipe em que atuam -, a Copa do Mundo tem um significado X. Para outros, o significado é bem diferente. Quais foram os GRANDES CRAQUES que "não apareceram" na Copa? Vejamos: Cristiano Ronaldo, Rooney, Cannavaro, Drogba, Messi, Kaká e até mesmo Robben (classificado) "tira o pé" em qualquer dividida ou bola mais perigosa (vejam com atenção).
O que eles têm em comum? TODOS - sim, todos, sem exceção alguma - estão no auge FINANCEIRO de suas carreiras. Todos, todos mesmo, jogam em equipes de ponta, clubes do tipo AAA. Sim, claro, podem conseguir fechar um contrato "melhor" com alguma marca caso ganhem a Copa, mas a equação aí é muito mais empresarial e financeira. É preciso computar os riscos da atividade econômica. E eles, hoje, não são meramente atletas: são empresas.
Quais as chances de levar o caneco? Compensa dar tudo de si em prol de uma equipe que talvez não vença? Qual a vantagem financeira no caso de uma vitória? Agora, os contras: quais os prejuízos financeiros em não vencer a Copa? O que aconteceria na carreira no caso de uma fratura? Pois é isso, basicamente. Um cálculo simples "custo/benefício" mostra que NÃO COMPENSA "dar o sangue" - e, além disso, boa parte da verba publicitária é faturada ANTES do evento.
Vale esclarecer: ISSO NÃO É UMA TEORIA CONSPIRATÓRIA, e talvez seja pura coincidência. E, por óbvio, alguns jogadores de equipes AAA claro que deram o sangue, valendo citar, de orelhada, nomes como Lúcio e Higuaín, sem medo de cometer qualquer erro. Mas vale a regrinha de lógica: alguns (raros) dos times de ponta deram o sangue, mas TODOS que eram "promessas" e misteriosamente não apareceram - confiram aí - jogam nas equipes mais almejadas pelos jogadores - e que garantem os melhores contratos.
Em outra ponta, salvo raríssimas exceções, os que resolveram mostrar tudo e mais um pouco, sem medo de "colocar o pé" sob o risco de talvez rolar um pequeno machucadinho, são os que ainda não estão nas equipes AAA. Dois exemplos: Robinho, que atualmente está no Santos, prosseguia batendo na bola mesmo quando estava estirado no chão, já derrubado por adversários. Carlitos Tévez, do Manchester City (poderia ser um Real Madrid, né?) demonstrou uma raça como poucas vezes se viu.
São dois que já estiveram no topo e agora amargam. Fizeram tudo para mostrar que podem voltar. Muitos outros tentaram a mesmíssima coisa, algo definitivamente declinado por quem já está no auge.
O jogador, como dito, é uma espécie de empresa. Não faz sentido, portanto, arriscar TODO o "patrimônio" num "negócio" cujos riscos sejam altos e, mesmo em caso de êxito, a margem de lucro não valha tanto a pena. Obviamente, isso não significa que tenham "entregado" qualquer jogo, mas apenas não ofereceram suas pernas para que fossem alvo de massacre, pois vão precisar delas para continuar ganhando seus milhões.
Simples assim.
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transubstanciado por gravata às 05.07.10 | 3 comentários
03/07/2010
LONDON LONDON, POR FALCÃO
Sim, amigos, FALCÃO. O mestre, não o pássaro ou o comentarista de futebol que jogava bola. Se liga nessa versão PRA LÁ DE INUSITADA de "London London" (o nome, 'vertido', é "Venha de Londres Vier"):
CABADAMULÉSTIA!
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Obrigado, Falcão!
transubstanciado por gravata às 03.07.10 | 6 comentários
01/07/2010
GRAVATA RESPONDE - OUTRA LEVA DE PERGUNTINHAS

Mantenho os clássicos dois pedidos: a) ENVIEM PERGUNTAS RESUMIDAS! e b) NÃO FAÇAM PERGUNTAS NOS COMENTÁRIOS, MANDEM PARA O EMAIL gravataresponde@gmail.com - certo? Vamos lá:
"sou uma delícia e tenho certeza que transo razoavelmente bem, apesar de não fazer sexo oral (não curto, sei que respeita essa vertente). Bem, eis que sou casada com um "bonzinho". Nunca me dá motivos para suspeitar de nada, não existe nenhuma janela de tempo para que algo ocorra, juro, não estou a pirar. Ele é pacato, calmo, fala meio baixo (demais, às vezes), é meio devagar... vai imaginando. No começo parecia boa essa contraposição ao meu lado incendiário. Atualmente, me dá calafrios tamanha passividade. Em tempo, ele parece ser realmente uma boa pessoa. Esse mesmo cidadão, ótimo pai por sinal, fica mais de 3 meses sem transar comigo e acha "normal". Ouço justificativas como "queria, mas não rolou", "não acho essa situção legal, mas não rolou". Motivos: cansaço, sono, trampo, o fato de ficarmos conversando ou vendo tv... peraí. Algo não está normal. É verdade, poderia eu ter tomado a atitude e evitado esse hiato de 3 meses. Mas eu já havia tomado iniciativa algumas vezes consecutivas, e vá lá, sou amiga, legal, mas não sou moleque, quero ser desejada, atraída. Vai se foder né? Bem, não entendo o motivo. Pela bíblia escrita, acho que consegui dar uma idéia geral da situação. Não é a primeira vez que essas secas acontecem durante nosso relacionamento, que aliás, começou pegando fogo. Nesse momento, a única coisa que pega fogo é minha abeça, de raiva, e minha buceta, de tesão reprimido. Ah, mas me masturbo todo dia... não posso esfriar! Nem perguntei nada, mas acho que seria: o que tem a dizer sobre os "bonzinhos"?"
Acho que você está confundindo alguns conceitos. Há o homem de perfil "bonzinho", geralmente visto como um Zé Mané no mundo sexual (com boa dose de razão, claro), e há situações em que o sexo esfria numa relação. Se você não é afeita ao sexo oral, convenhamos, não é correta a contraposição do "bonzinho" e a "ninfomaníaca", não é mesmo?
Sim, é verdade, mulheres geralmente tendem a não fantasiar ou ter desejos sexuais com "bonzinhos" - tanto quanto homens muito raramente se masturbam pensando em beatas. Mas, na hora de construir uma relação, sejam os instintos ou pressões sociais, enfim, o que constatamos são fatos contrários, não é mesmo?
Mulheres com bonzinhos, homens com "boazinhas". E os "Unidos da Bagunça Irrestrita" - vejam só - ficamos abandonados ao relento, de quando em vez jogando culpa "na tal sociedade". Como não sou de culpar terceiros por minhas escolhas e festanças, e acredito sempre no indivíduo, não ligo muito para isso. Mas voltemos ao seu caso.
Talvez ele TAMBÉM tenha desejo reprimido, mas não queira COM VOCÊ. Isso acontece e, creia, não é algo assim muito raro. Por isso que se diz "a relação esfriou", mas não exatamente "as pessoas". A essa altura, embora vocês não transem, pode ser que o camarada também fantasie com alguma outra garota e até se masturbe pensando nela - embora não haja qualquer traição.
Nesse sentido, como não posso arriscar qualquer palpite, o melhor a fazer é buscar a raiz mais profunda para eventual problema que tenham por aí, em vez de achar que se trata de algo com os "bonzinhos" - ou que você seja uma tarada incorrigível. Sejamos honestos: nenhuma das hipóteses seria correta. Boa sorte aí.
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"Olá! seguinte eu nao namoro ha + ou - um ano,e tb nao tenho nenhum rolo com quem eu possa dar umazinha de vez em qdo. Entao eu estou esse tempo todo sem sexo(e devo te confessar q é bastante dificil!)E estou ficando estressada por causa disso. Entao descobri alguns sites de videos pornôs e agora vejo quase todo dia. Sera q é normal?Sera q nao tem ninguem nem q queira apenas me comer? Sera q eu tenho problema? bjos"
Situação complicada, né? Claro que não é para sair por aí e dar guarida para o primeiro robalo que aparecer na sua frente, mas estamos falando aqui de UM ANO, ou seja, TREZENTOS E SESSENTA E CINCO DIAS (além daquelas seis horas, que são úteis nesse cálculo). Até quem faz voto de castidade acaba dando algum vacilo nesse tempo todo, imagina quem REALMENTE QUER BAGUNÇAR O CORETO!
Suas perguntas, porém, foram sobre ver filme pornô. Pois bem: sim, é normal, perfeitamente normal. Sobre se ninguém quer praticar a cópula com vossa excelência: não dá para saber, provavelmente sim, mas aí seria o caso de saber se você tem ido aos lugares certos.
De todo modo, mantenha um mínimo controle de qualidade, mesmo estando nessa seca dos diabos.
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"olá, tenho uma dúvida, namoro a 4 anos e fiz voto de castidade pra depois do casamento, só que não resisti os amassos e a pressão dele, resolvi ceder, só que na hora H, ele broxou, pq vc acha que isso aconteceu?"
Será que ele leu alguma cartinha sua antes do telecoteco? Ok, brincadeira. As razões são quase infinitas, vão do nervosismo, do extremo entusiasmo, até as opções menos louváveis como as que remetem à higiene e outros que tais - ou, claro, pura e simplesmente disfunção erétil.
Vamos supor que você esteve nesses quatro anos sem fazer nada e, vá lá, também resolveu não realizar qualquer tipo de poda ou tosa. O camarada finalmente consegue chegar lá, mas bate o olho num tufo de ERVA CIDREIRA. Pode ter sido uma emoção forte demais para o coraçãozinho do garoto. É uma opção dentre as milhares possíveis, enfim.
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"Namorei três anos com um cara e, durante uma briga me descontrolei e dei um soco na cara dele. Já se passaram três meses e eu estou louca para voltar. No dia dos namorados mandei um presente e uma carta expressando tudo que sinto e que penso e depois de 2 dias liguei para ele que disse que ia vir conversar comigo e trazer minhas coisas que estão na casa dele. E agora Gravata o que eu faço corro atrás, desisto ou sento e espero?"
Vejam vocês! Existe a LEI MARIA DA PENHA, protegendo as mulheres das agressões masculinas, mas nesse caso os homens estão desamparados. Há algum tempo, eu e o bróder Tozzini pensamos num instrumento normativo a proteger os homens que passam por agruras como essa relatada, que seria a...
LEI JOÃOZINHO DA LAPA!
O namorado da simpática, aí, teria uma lei para chamar de sua e estaria abrigado pelo sistema legal brasileiro. Mas, não! Infelizmente ainda não estamos evoluídos a esse ponto. Cabe a mim, portanto, única e tão-somente responder à pergunta.
Veja bem, amiga, você DEU UM SOCO NA CARA DO CABOCLO. Ele, dotado da maior gentileza do mundo - e provavelmente com o maxilar deslocado -, simplesmente baixou a guarda e foi embora. O melhor a fazer é esquecer o episódio e ponto final.
Vamos supor um mundo em que as pessoas sejam iguais. Pense nisso. Ok. Agora imagine ELE te dando um soco na cara. Imaginou? Pois bem: e agora, como ficam as coisas? É esse o espírito do raciocínio. Quanto ao mais, se houver coisa sua na casa dele, peça para alguém buscar.
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"Qual dos dois foras é o pior para um homem receber? O da SIMPÁTICA sorridente (que até fornece o telefone mas nunca atende as ligações/não responde aos e-mails/Qdo atende o telefone e marca encontros acaba desmarcando na ultima hora) ou da TOSCA sincera que olha nos olhos do rapaz e diz logo de primeira que não vai rolar."
Simpática, sempre. A mentira confortável é indiscutivelmente a melhor opção, sem dúvida alguma. E isso serve para homens e mulheres. Ninguém gosta de ouvir a verdade, sobretudo nesses casos em que nunca mais vamos ver a pessoa.
Já pensou, por exemplo, um cara te dizendo "ah, não vou ficar com você porque é feia e ridícula, além de fedida, prefiro aquela outra linda e cheirosa"? Melhor o famoso "não estou bem agora, preciso dar um foco na minha vida" - mesmo você vendo o cara em seguida com outra.
As mulheres VIVEM reclamando dessas desculpas esfarrapadas que os homens dão, mas todas são prova cabal de que o mundo masculino não é bronco e tosco. No fundo, queremos evitar mágoas e depressões - e vocês, quase sempre, também. São mentiras boas, mentirinhas saudáveis. Algumas vezes proferidas até por covardia, é verdade, mas no fim das contas fazem mais bem do que mal.
Vocês adoram dizer que o cara é um "falso" por mentir, dizer "o problema é comigo". Mas duvido que dissessem "que bacana, ele foi sincero, pois disse que estou muito acima do peso e tenho mau hálito". Duvido. Então, claro, FAÇAM A MESMA COISA E SEJAM BEM MENTIROSAS. O mundo precisa desse teatro. Vamos evitar suicídios, depressões e consumo exagerado de Prozac.
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"1) Me explique o que quer dizer o comportamento de homens que sempre que encontram uma mulher ficam ali alisando o braço, dando umas pegadas na cintura, um tal de mão pra cá pra lá. Sempre provocando contato, chegando ao cúmulo de pegar na mão andar de mão dada e tal. Partindo da perspectiva que são homens enteressados em mulheres o que faz os homens ficarem nesse lesco lesco e não chegar junto? 2) Outra que vai nesse estilo é o jeito carinhoso de sempre se referir como meu amor, meu anjo, minha linda... somos tudo menos dele! :("
Alisar braço e, também, aquela passadinha de mão no cabelo, convenhamos, é coisa de ***** - preencha aqui com a profissão braçal de sua escolha, isentando-me assim de qualquer processo de categoria profissional. Mas esse negócio de "minha", vou te contar... Já aconteceu comigo e com amigos, e depois fui ver e é uma REGRA! Elogiamos a garota, e elogio sincero mesmo, não na sacanagem.
O que ela diz? Responde com um "sua" - como que pedindo para o elogio seguinte vir acompanhado do pronome possessivo. Isso, claro, quando já há uma relação. Cabe a discussão filosófica do "ninguém é dono de ninguém", claro, mas isso do "minha/sua", de fato, acontece. Pode pesquisar por aí.
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"E aew Gravata..blz?!Seguinte, namoro a exatamente um ano, meu namorado é super querido, etc.. Mais ontem no jogo do brasil que assitiu com os amigo pq eu não estava na cidade(compromisso de trabalho) ele foi pra rua comemorar e não me avisou nada, qdo cheguei a noite, ele foi me busca na hora certa e tal´s, porem sem um tustão no bolso, e me disse na maior cara de paú: amor paga a janta hoje? eu gastei tudo em cervejinha meu dinheio e meu cartão do banco esta quebrado.. Eu disse que não ia pagar porra nenhuma, na hora de gasta ele não me pergunto nada..enfim ele fico bravo, foi durmir sem fala comigo.. fiz burrada?"
Eu ia tirar uma onda disso de "janta", em vez de "jantar", mas uma relida em sua mensagem fez com que eu deixasse "de barato" o negócio. Mas, enfim, à pergunta... Não, moça, você não fez burrada. Está certa em mostrar quem manda. Onde já se viu torrar as economias em bebedeira de jogo do Brasil e depois querer que você gaste seu dinheiro, não é mesmo?
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"Gravata! Outro dia vi um post falando de umas dicas que você deu para a mulherada para a hora do sexo oral! Você pode em falar em que data mais ou menos você postou essas dicas?? Dei uma procurada pelo blog (não muito, confesso) e não achei! Pode me falar, o ano, o mês, sei lá, em que essas dicas se encontram??"
Olha, lembro de ter publicado o Guia do Sexo Oral, mas para homens (mulheres, no caso, apenas receberiam...), é este. E, respondendo a uma leitora, publiquei isso aqui. Não sei a qual dos dois você se refere...
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"Meus pais tinham um casamento "modelo". Todo mundo (parentes, amigos...) elogiava eles, até que.. ele arranjou uma amante.Ela tem 35 anos, ele 60, ele é bem sucedido e ela é recpcionista de clinica médica. Ele se revoltou contra a família INTEIRA, disse q a culpa é nossa pela traição e quer morar com a amante. Sei que o sexo conta muito, mas o q leva um homen a jogar tudo pro alto e abandonar não só a esposa como a familia inteira? Valeu e muitos bjos."
É difícil emitir juízo de valor. Pode ter sido uma loucura, doideira, ato impensado, ou pode ser um verdadeiro amor que conquistou o coração do seu pai. Como posso saber, vendo aqui de fora e de longe? Objetivamente, claro que não "aprovo" esse tipo de comportamento, mas seria ridículo simplesmente condenar, sem ver as coisas como elas são, em todos seus detalhes.
Em princípio, claro, sou contra. Você quer saber o que leva um homem a fazer isso, bom, aí a coisa engrossa, porque geralmente é uma paixão avassaladora ou mesmo o amor. E, se for o segundo caso, a coisa começa a complicar e já fica mais difícil ter opiniões absolutas sobre o caso - ainda mais, repito, estando de fora.
Nem sei por que perguntam isso pra mim, aliás...
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"Desde que conheci o cara, ele me cantou, me convidando prum forró. Resolvi aceitar e, nesse dia, rolou muito beijo na boca mas, transamos no nosso terceiro encontro e, mais duas vezes. Não quero mais sexo com ele, pra não me machucar. Ele já me viu com outro ; sabe que saio com outros. Mas, ele insiste em querer me beijar na boca , me apertar e, quer transar! Só de chegar perto, fica com o "robalo" esperto! Ele é galinha e eu, dou minhas pernadas. Às vezes não resisto e topo beijar, e só! Qual é a do cara? Ele tem 51a. e, eu 48a."
Eita forró lascado! Só no rastapé, batecoxa e ralabucho! E isso de não querer sexo pra não "machucar" é figurativo ou literal? Ok, sem infâmias a essa altura. Mas é isso aí. O amor não tem idade, nem mesmo a fornicação, não é mesmo? O que um xote e uma embolada não fazem em prol do reco-reco generalizado!
Ah, sim... Você perguntou "qual é a do cara". Bom, aparentemente ele quer mesmo azeitar a vergalha, refogar o escalope, envergar o inhame, enfim...
- ELE QUER APENAS TE COMER, MINHA TIA!
Mas isso está suficientemente claro, né? Ele só quer, só pensa em namorar. Ele só quer...
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Se quiser enviar a sua, mande para gravataresponde@gmail.com - obviamente, sua identidade será preservada, nenhum nome será mencionado e você jamais será cantada, convidada para sair ou algo do tipo. E nem adianta insistir. Humpf! :)
(sem revisão)
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transubstanciado por gravata às 01.07.10 | 3 comentários
30/06/2010
FÁTIMA BERNARDES E ATUALIZAÇÃO
"Fátima Bernardes" passou a ser o termo mais comentado do tuíter nesta noite, e a explicação oficial seria a de que teria usado uma touca durante reportagem feita para o Jornal Nacional, diratamente da África do Sul. Normal. Os Trending Topics sempre trouxeram esse tipo de bobagem e são reflexo do que se comenta naquela rede social. Em suma: bobeira. E ainda bem que as coisas são assim, se não tudo fica bem chato.
Por falar em Fátima, desejo-lhes...
Época de Copa do Mundo sobra pouco tempo - do pouco tempo livre - para escrever no blog. Fora que os jogos ocorrem em horários normais, o que prejudica meu 'relógio biológico anormal'. Mas amanhã já tiro um pouco do atraso e, se tudo correr bem, publico um Gravata Responde.
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transubstanciado por gravata às 30.06.10 | Alguém?
24/06/2010
KEEP WALKING CLUB: O CLUBE DO JOHNNIE WALKER
Como vocês sabem, sou consumidor de produtos do mais alto nível e sofisticação e, claro, sou procurado por marcas desse gabarito para divulgar seus produtos (as outras eu ignoro). Foi o caso de uma das minhas preferidas, Johnnie Walker, que divulga seu Keep Walking Club.
A idéia é reunir apreciadores num clube de relacionamento da marca, reformulado para beneficiar seus associados. Para se tornar sócio do "Keep Walking Club, basta acessar o www.johnniewalker.com (cadastro gratuito). E há vários benefícios:
Label personalizado
Você pode personalizar seu rótulo de Johnnie Walker Black Label com uma mensagem, tornando a garrafa algo único e autêntico, como os membros do clube. Ou seja, nada daqueles esparadrapos de botequim.Movimento Piloto da Vez
Durante as noites de sábado, todos os sócios do Keep Walking Club podem usufruir de quilômetros grátis na corrida de táxi. Das 19h do sábado às 05h do domingo, os sócios devem ligar para a Central Rádio Táxi e dizer a senha: “Sou do Keep Walking Club e quero o Piloto da Vez", valendo para os 10 primeiros quilômetros de cada corrida, pagos por Johnnie Walker, podendo ser utilizados tanto na ida quanto na volta de onde você consumir sua iguaria líquida escocesa.Delicatessen
O Keep Walking Club oferece descontos de até 10% em produtos Johnnie Walker nas melhores lojas especializadas de São Paulo. O site do clube traz uma lista das lojas parceiras, vale mesmo a visita.
* * *
Não sei vocês, mas eu tenho 3 (sim, três) garrafas do nosso querido Johnnie - uma em cada bar, é claro - e ainda não sabia do clube. Agora, conhecendo a novidade e suas vantagens, as coisas serão diferentes.
Conheçam o Keep Walking Club.

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transubstanciado por gravata às 24.06.10 | 5 comentários
23/06/2010
GOL ROUBADO, FALTA DE EDUCAÇÃO, "DIA SEM GLOBO" E OUTRAS COISAS
Dunga é mal educado e deselegante. Muitos não gostam da Rede Globo. A Seleção Brasileira ganhou da Costa do Marfim. Dunga, que até então desafiava a Globo, recebeu uma espécie de perdão provisório. E a Globo, diante do resultado do jogo, passou a ser hostilizada depois da agressão de Dunga a um repórter da emissora.
Bem vindos ao mundo da lógica brasileira. Ou melhor, vocês fazem parte dessa variante não exatamente aristotélica do universo da razão e conhecem muito bem seu funcionamento. O preâmbulo serve apenas para ressaltar o que houve e todos já sabem; meros prolegômenos para fazer gracinha. Sigamos.
Seria realmente falso dizer que sabia de todos os movimentos da turba, mas quando o árbitro validou o gol irregular de Luís Fabiano, depois não dando muita bola para a pancadaria dos jogadores da Costa do Marfim, logo imaginei a bronca seletiva. E foi o que houve: torcedores brasileiros repreenderam o "juiz ladrão". Todos gritavam - garantindo ter total razão - acerca da falta de boa-fé do sujeito. Sobre o gol irregular, nada foi dito. Ou quase nada. Quem levantava tal lebre era prontamente repreendido, era "antipatriota" (?) e assim por diante.
Daí veio o incidente entre Dunga e Rede Globo.
A emissora combinou uma entrevista com jogadores e, como é natural, o acerto foi firmado entre os superiores. Dunga manda nos jogadores. Ricardo Teixeira manda em Dunga. A CBF é uma empresa privada, ao contrário do que pensam alguns brasileiros ainda acostumados a institucionalizar, estatizar ou tornar coletivo/afetivo isso ou aquilo. Repita-se: A CBF É UMA EMPRESA PRIVADA E FOI FEITO UM ACORDO ENTRE DUAS COMPANHIAS.
Dunga, antes de tudo insubordinado, não acatou a ordem e resolveu dar chilique. Mais ainda: não foi corajoso o bastante para agredir os superiores, verdadeiros responsáveis pelo acordo, mas atacou um pobre-coitado tão pau-mandado quanto ele (ambos, afinal, são empregados das empresas que firmaram o acordo para as entrevistas). E assim começa uma briga entre empregados de empresas - para o povo, é uma guerra entre interesses patrióticos.
O técnico da Seleção Brasileira, de fato, não parece rivalizar com Einstein quanto aos índices de QI e, além disso, visivelmente faz da Copa do Mundo uma cruzada pessoal, talvez tentando mostrar seu mérito como treinador. Suas vitórias não são comemoradas com festas, mas esbravejadas com fúria. Cabe uma análise mais profunda sobre esse comportamento - isso é com os profissionais especializados.
Como tudo que é ruim pode ficar ainda pior, surge um movimento desses que só podem nascer na Internet: "DIASEMGLOBO". A idéia seria ver o próximo jogo do Brasil em outra emissora, provavelmente a BAND, cuja verba de transmissão é REPASSADA PARA A GLOBO. Uma iniciativa realmente genial. Identifiquei alguns expoentes da coisa e, claro, vários são ligados a legendas políticas e coisas do tipo. São aqueles que não perdem uma oportunidade de perder uma oportunidade.
Fica a impressão de que muitos brasileiros gostam de chefes autoritários, desde que haja algum "resultado" (e, vale dizer, ainda NÃO houve resultado algum...). Quando o mini-déspota elege um inimigo, valendo-se de sua posição privilegiada de "defensor da pátria" (ainda que a "de chuteiras"), a massa bovina o acompanha e dá início ao linchamento simbólico. E, na seqüência, os oportunistas políticos de sempre aproveitam para criar algum movimento maluco para tirar uma casquinha.
Chega a dar vergonha.
No fim, teremos aquilo de sempre: caso perca, Dunga é que será linchado simbolicamente, ninguém deixará de ver a TV Globo e os urubus da politicagem, como sói, mais uma vez passarão vexame por usar essas ocasiões para fazer movimentos estapafúrdios. Mas, claro, a Seleção Brasileira também pode ganhar e, nesse caso, adivinhem qual emissora fará TODAS as entrevistas exclusivas com os jogadores?
Mas o Dunga pode manter sua birra e não abrir a boca, falando apenas com outros canais de televisão. Enquanto praticamente todos os brasileiros vêem os jogadores falando com Galvão Bueno e Tadeu Schmidt, os rebeldes de sofá mais empedernidos mantêm o "movimento" e ficam naqueles debates das outras emissoras - talvez tendo a sorte de acompanhar algum chilique do provavelmente ex-técnico. Isso, claro, se ganhar.
Porque, se perder, todos voltarão às telenovelas. Da Globo, claro.
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transubstanciado por gravata às 23.06.10 | 35 comentários
21/06/2010
MINHAS PREVISÕES PARA AS COPAS: O MITO DA ARTE DIVINATÓRIA
Eu entendo muito de futebol, sério. Joguei bola durante toda minha infância e adolescência, e não foi em clubinho ou essas coisas de bunda-mole, mas com molecada de prédio, da rua, da praia, da escola etc. Jogava em times, também e, acreditem ou não, eu era muito bom nesse negócio.
Mas vale dizer o seguinte: futebol é algo de fácil compreensão. Não há qualquer ciência mirabolante por trás do esporte bretão. São onze caboclos, uma bola, gols valendo um ponto cada e ganha quem fizer mais. E os esquemas táticos são invariavelmente simplórios, bem bobos, tanto que quem os executa não são exatamente criaturas famosas pelo alto QI - digo isso sem qualquer preconceito ou discriminação, apenas ilustro aos leitores a facilidade intelectual de um esporte predominantemente rústico.
Mas vamos às previsões.
O grande problema da bola é que não há muita lógica no decorrer das partidas. Na verdade, não há lógica alguma, e daí surgem aquelas bobagens de "caixinha de surpresa" e outras mandingas. Em 1982, eu ainda era muito novo para fazer qualquer tipo de previsão, mas de 86 pra cá, confesso, só errei. Sério, errei TODOS OS MEUS PROGNÓSTICOS. E não pensem que foram chutes mocorongos, mas sim verdadeiras análises. Tudo errado. Tudo.
Não foi ufanismo nem nada do tipo, mas tinha certeza de que ganharíamos a Copa do México, em 1986 (depois do show de 82, era uma aposta até meio óbvia). Isso, claro, porque jamais tinha visto aquela Argentina bater bola - as coisas não eram tão simples como hoje, com jogos internacionais passando o tempo todo nas emissoras e, em 82, Maradona estava bem apagado (contra o Brasil, mesmo). Alemanha também não estava nada ruim e, pra colaborar, Telê Santana barrou Renato Gaúcho, com o lateral Leandro prestando solidariedade ao amigo. Tomamos um fumo e meu "favorito" foi pro vinagre.
Na Itália, em 1990, uma Copa bem chatinha, comecei torcendo pela Argentina, que levou uma espécie de "réplica" daquele time vencedor - e um time dos bons. Perdeu para CAMARÕES NA ESTRÉIA. Isso dá certa noção do meu pé-quente como adivinho. Tanto que resolvi dividir as apostas e passei a achar que poderia dar Itália. Todo mundo falava em Brasil ou Holanda, respectivamente vencedores da Copa América e UEFA, mas não dava pra acreditar na seleção do Lazaroni e nem naquela lengalenga de Van Basten. Enfim: deu Alemanha.
Em 1994, nos EUA, a situação estava difícil, sobretudo para o Brasil, pois o técnico era ninguém menos que CARLOS ALBERTO PARREIRA, conhecido como o "estrategista dos dois volantes". Na verdade, não havia uma GRANDE equipe, com exceção da Holanda de Rijkaard e Bergkamp. De resto, Itália, Argentina e Brasil estavam num esqueminha medíocre. E o que houve? Maradona sentou no quibe com efedrina, Brasil eliminou a Holanda e, diz a lenda, um dos gols não foi dos mais válidos quanto à legalidade e, na final, empate em zero a zero. Baggio erra um pênalti e rola a gritaria do "É TETRA!" - eu apostava na Holanda, perdi como sempre.
A Copa da França começou com um grande e absoluto favorito, o Brasil. Qualquer um sabia que ganharíamos, e eu estava nesse grupo, formado por todos os habitantes do planeta. Simplesmente não havia como não ganhar, mesmo com aquele corte do Romário por problemas médicos (dois dias depois, ele estava jogando futevôlei). Jogamos mal pra diabo, perdemos para a NORUEGA, só fomos bater uma bola legalzinha no segundo tempo da prorrogação contra a Holanda. Na final, como é sabido, levamos uma TROLHA SARRACENA da França e até hoje quem não entende de futebol diz que "entregamos". Perdi mais uma aposta.
Em 2002, com "sede mista" (Japão e Coréia do Sul), mais uma vez o favoritismo caía sobre o Brasil, mas eu já estava vacinado e não fiquei nessa de que iríamos ganhar - ainda mais quando, NOVAMENTE, vetaram o Romário. Para mim, a coisa seria disputada entre Argentina e França, a primeira pelos craques dos diabos, a segunda pela equipe campeã amadurecida. Pois bem: Argentina saiu NA PRIMEIRA FASE e a França simplesmente NÃO FEZ UM MÍSERO GOL. Pra completar, o Brasil foi campeão, confirmando meu talento ímpar em fazer previsões.
Desse modo, quando chegou o ano da graça de 2006, na Copa disputada em solo germânico, DESISTI de fazer previsões. Parei com isso. Dane-se quem vai ganhar, não quero saber. O Brasil está bom? Sei lá. A França está boa? Dane-se. A Argentina? Não quero nem saber. Fiz apenas uma única ressalva e, àquela altura, cheguei a publicar no blog (é sério). Escrevi, com todas as letras, minha previsão até então meio óbvia, dentro do que parecia claro e lógico: A ITÁLIA SEGURAMENTE NÃO GANHARÁ A COPA. Deu no que deu.
Então é isso. Já sabem pra quem não perguntar quando o assunto for previsão de vencedores numa Copa, ok?
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transubstanciado por gravata às 21.06.10 | 11 comentários
16/06/2010
SWU: FESTIVAL ÓTIMO, MAS BOBAGEM ECOCHATA
Ficamos sabendo pelo Twitter, hoje, que haverá um negócio chamado SWU (Starts With You). O website, como é comum nesse tipo de coisa, tenta definir o movimento. Mas, e isso já não é tão corriqueiro, não consegue (quem quiser arriscar, fique à vontade). Há uma outra página, talvez diante da impossibilidade de compreensão, buscando passar o sentido da coisa.
Trechos a seguir:
"O movimento SWU - O mundo nunca foi perfeito. Mas verdade seja dita: nos últimos tempos ele tem piorado bastante. Só restam 7% da Mata Atlântica. Dois milhões de pessoas morrem por ano por efeitos da poluição. Nosso lixo lota 53 Maracanãs por ano. Hoje estamos preocupados com o futuro da nossa espécie. Já entendemos que repensar nossa forma de viver, consumir e nos relacionar com o planeta vai determinar as condições da nossa sobrevivência. E sabemos que a situação é grave, urgente. Queremos mudar, mas não sabemos como. Os debates sobre os rumos da nossa economia, da nossa sociedade, do nosso planeta acontecem longe da gente. O SWU chega para unir as pessoas que se sentem assim, impotentes, indicando um caminho. Uma resposta individual para um problema coletivo. Um começo. Um passo. Uma direção. Um movimento para aproximar pessoas que têm ao menos uma preocupação em comum e sentimentos parecidos. Um movimento para juntar pessoas que querem começar a agir..." (grifos nossos)
Bobagem. Cascata. Lorota.
Todos vão ouvir música e, como festival, provavelmente será um PUTA EVENTO FODA. Verdade seja dita e justiça seja feita, provavelmente será um dos maiores eventos musicais dos últimos tempos. Mas daí a dizer que se trata de "preocupação ecológica", "um movimento para aproximar pessoas que têm ao menos uma preocupação em comum e sentimentos parecidos"? Menas, menas...
Segundo os organizadores, serão cerca de 300 mil pessoas em Itu, numa FAZENDA, sob o patrocínio de Heineken e Nestlé, com bandas (confirmadas): Dave Matthews, Pixies, Incubus e Linkin Park. Ou seja, como disse, um TREMENDO FESTIVAL FODA. Convenhamos, amigos, não são 300 mil ecologistas discutindo o futuro do planeta, mas sim uma multidão curtindo um som, tomando a ótima cerveja disponível e aproveitando deliciosos produtos da Nestlé. É isso, e isso é bom!
E vamos parar com a MENTIRA DESLAVADA de que o mundo está pior. Porra, não está! Há alguns anos a poluição era, sim, bem pior! Os poluentes emanados pela bosta do cavalo, por exemplo, eram há poucos séculos mais prejudiciais à camada de ozônio que a emissão dos automóveis (*) (e isso NÃO É MENTIRA, leiam "Superfreakonomics"). Sem falar nos veículos fabricados sem catalizadores e demais mecanismos feitos para reduzir as emissões.
E acham mesmo que hoje tudo está pior? Então voltem no tempo e morram de tuberculose aos 20 anos, de varíola ao 22, de bexiga aos 30 ou de qualquer peste a qualquer idade. A expectativa de vida - com qualidade, diga-se - mais do que dobrou, sem falar na miríade de direitos civis conquistados por categorias da sociedade que eram tratadas como escória.
Atualmente, o mundo é um lugar maravilhoso, isso quando comparado a qualquer outra época. Todas - todas! - as liberdades são mais amplas, sejam políticas, sexuais, individuais, civis etc. E se houve algum retrocesso ecológico, hoje há intensas campanhas de conscientização, dentro das quais não sei se podemos encaixar um festival para 300 mil pessoas que vão ver bandas internacionais em Itu, enquanto se enchem de breja.
Como festa musical, claro, acho o MÁXIMO e apóio fortemente. As pessoas adoram e o Brasil precisa cada vez mais de eventos assim. Mas é tremendo um pé no saco dizer que isso é coisa ecológica, movimento em busca da conscientização ou algo "sustentável". Pára, né?
E vamos ver onde vão parar latinhas, copinhos, garrafinhas...
(*) - Não a emissão dos automóveis da época, pois nem os havia, e sim os DE HOJE. Cocô de cavalo libera metano diretamente para a camada de ozônio, era uma desgraceira dos diabos, leiam o livro e vejam as provas todas lá, é sério (em NY, p.ex., a coisa chegou a vários estados calamitosos)
ps - Cris Dias presenciou o lançamento do evento, e informa que haverá usinas de tratamento de lixo no local.
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15/06/2010
ENTENDENDO FELIPE NETO II
Meu colega de Interney Blogs, Fred Fagundes, escreveu sobre Felipe Neto. Ouso discordar e uso este espaço para falar a respeito do dito-cujo. Espero que tenham paciência para ler este texto.
No início, eu não gostava do Felipe. Quando Ronald Rios escreveu zoando o Controle Remoto (não publicarei links por pura preguiça), achei até legal. Mas, na verdade, EU JÁ GOSTAVA. Por quê? Simples: EU NÃO SABIA QUE ELE ERA O CARA DO SITE ISFREETV. Ué. Não sabia.
E o que fazíamos por lá? Ele usando determinado nick, e eu usando outro e, juntos, mais alguns comparsas, detonávamos seriados não exatamente louváveis como SMALVILLE. Falei disso com ele, via MSN, e foi engraçadíssimo. Mas o papo aqui é outro.
O colega Fred, do QMATG, que falou do Felipe, não foi exatamente coerente na realidade dos fatos. Porra, O FELIPE FALOU COMIGO QUANDO ABRIU O CANAL DE VÍDEO! Não, NUNCA FOMOS AMIGOS! Nunca. Em toda a minha vida nunca encontrei o botafoguense pessoalmente. Mas ele veio trocar idéia sobre o vídeo. Falamos de texto, de postura, disso e daquilo. Até de CHULÉ DE MULHER (juro, isso foi idéia minha).
Asseguro a todos vocês: ele nunca buscou sucesso.
Ninguém que fala em CHULÉ DE MULHER BUSCA SUCESSO, CARALHO. Por isso assustei quando li o texto do Fred. Sei lá, porra, o Felipe fez sucesso. Acho que deve ter feito pelo fato dele ser bonitão, já que os tais "vloggers" são todos meio zoados, ou sabe-se lá o motivo. Eu apostaria, sejamos honestos, no conteúdo. Mas é o tal negócio - já que nego não faz melhor, o negócio é reclamar do sucesso alheio.
E isso me faz lembrar uma outra oportunidade, em que o glorioso FN me chama no MSN para pedir algo dificílimo: PRECISO DE UM VÍDEO SEM PALAVRAS, APENAS SONS PARA PASSAR UMA IMAGEM, NO MÁXIMO UM TEXTO EM VÍDEO. E lá vou eu usar recursos de "roteirista" (ui) para fazer tentar resolver a treta. Passo idéia, música e o caralho a quatro. Créditos? Pau no cu. O cara é bróder.
Sempre achei que tudo isso é uma piada. A Internet é uma piada. Tudo é uma piada. Pra falar a verdade, sinto saudade de tirar sarro de Smallvile com meu bróder Felipe Neto. De resto, tamosaí. Mas falar que ele queria sucesso? Se soubessem a TROLLADA que dei no email do Morróida...
Um tira sarro do outro, usando o email alheio sacaneando com ofertas de ingresso de show, iPad, iPhone ou coisa do tipo. Resolvi oferecer o MSN do FN e o Morróida teve o email abarrotado. Durma com um barulho desses.
Espero que ele fique rico. Sucesso, eu sei, ele nunca quis ter. Grana, aí falo em meu nome e no do Morróida, queremos MUITO que tenha. Porque merece. Vai que vai, botafoguense do cão!
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14/06/2010
JORGE BEN E MANO BROWN: REGRAVAÇÃO DE "UMBABARAUMA, O PONTA-DE-LANÇA AFRICANO"
E coralzinho de luxo, com Thalma de Freitas e Céu. Firmeza, né? A seguir, release que recebi por email da Tratore:
"É a primeira vez que Jorge Ben Jor e Mano Brown se encontram em estúdio, apesar da admiração mútua já declarada diversas vezes em público. Este encontro resultou numa nova versão que tem toques de modernidade, como beats eletrônicos, um andamento um pouco mais acelerado que a gravação original e uma seção inteira nova com Mano Brown, atualizando Umbabarauma para um lance do seu time do coração. Mas, ao mesmo tempo, reverencia a versão original, mantém e amplifica o clima insuperável de um hino da cultura brasileira. A regravação terá toda a renda de sua comercialização revertida para um projeto social batizado de Capão Redondo Futebol Clube. Este projeto busca a inclusão social através do esporte e da cultura, é apoiado pela Nike e mantido pela ONG Periferia Ativa - do músico Mano Brown – em parceria com APEAS/Centro Esportivo Educacional Joerg Bruder e Eletrocooperativa. A venda será realizada nas lojas virtuais listadas acima (Sonora Terra, UOL Megastore, Radio UOL). Breve nos canais internacionais iTunes, eMusic e Amazon além de versão exclusiva em CD nas lojas da Nike."
Evamoquevamo!
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13/06/2010
GUIA POLITICAMENTE INCORRETO DA HISTÓRIA DO BRASIL...
...e Meritocracia da Vida Real

No final do ano passado, li o "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", de Leandro Narloch, uma das melhores publicações brasileiras de não-ficção dos últimos tempos, talvez a melhor (há mais de 5 meses na lista dos mais vendidos, atualmente ocupa a 3ª posição).
Escrevi neste blog uma resenha da obra, logo quando foi lançada e, além disso, enchi o saco de amigos e conhecidos para que a comprassem. Fiz a mesma campanha chata no Twitter.
Reitero o óbvio: livro indispensável, maravilhoso, fundamental. Mas a grande surpresa foi receber tweet de Roger Moreira, do Ultraje, dizendo que comprou o "Guia..." e leu texto meu na contracapa do livro. Fui saber o que houve.
Seguinte... Como ocorre nas obras em geral, há uma coletânea de opiniões favoráveis. E lá estão seis delas para cumprir tal papel, incluindo Pondé, Nelson Motta, Mantovani (roteirista de Cidade de Deus e Tropa de Elite), Galindo (Gazeta do Povo) e até a resenha da Livraria da Folha. Em suma: NÃO PRECISARIAM DE MIM. Mas tá lá (vejam imagem ampliada).
Claro, fiquei feliz pra caralho! Qualquer leitor sabe que não levo este blog muito a sério e raramente escrevo alguma coisa com maior afinco, geralmente fazendo piadas. Também não tenho nem nunca tive objetivos financeiros, profissionais etc.
Foi, portanto, uma surpresa das melhores.
Muitos, como eu, que levam a blogosfera de forma mais leve e menos pedante, são chamados por aí de "trolls", e vez por outra são (somos) acusados de "não construir nada", em geral por parte daqueles supostamente "construtores" (ninguém sabe o que já edificaram...). Este caso, para eles, deve causar um incômodo particularmente indesejável.
Isso porque vivem em função de seus blogs, passam dias, semanas e anos tentando ser vistos como pessoas sérias, como "profissionais", bradando que são dotados de tal "relevância", mas no fim das contas quem ganha a atenção e o respeito são exatamente os supostos "trolls" (ou seja: quem por eles são assim denominados).
Mas, pra ser sincero, eles que se fodam. Livro é livro, manual de HTML é manual de HTML, não é mesmo?
Escrevi sobre o livro porque gostei da obra e é assim que as coisas funcionam por aqui. Reitero cada palavra do trecho destacado na contracapa e, obviamente, também de toda aquela resenha. Quanto ao mais, façam um favor a si próprios: comprem o "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil".
Dica de "troll" ;)
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10/06/2010
GOSTO MUITO DE COPA DO MUNDO
Em 1994, Copa dos EUA, estava fazendo 18 anos e cometi um pecado talvez relativamente comum em parte dos jovenzinhos alinhados à esquerda mais radical (e, sim, já fui desses): resolvi torcer contra a Seleção Brasileira. Não me contentava em ficar alheio à Copa, deixar pra lá e cuidar da vida, mas naquele momento era importantíssimo que o Brasil perdesse.
Lembro claramente do Brasil x Suécia, e essa ocasião, observada agora em retrospecto, mostra todo meu ridículo. Fomos para a casa da namorada de um amigo – então parceiro na "torcida contra" – fazer nossa militância comuno-futebolística contra o imperialismo alienante do esporte bretão (mal sabíamos, vejam a ironia!, que no ano seguinte nós dois passaríamos uma semana exatamente na mesma Suécia...).
Os caras fizeram o primeiro gol, meu chapa chegou a gritar com alguma euforia e eu apenas levantei os braços. Não éramos, como percebemos, subversivos dos mais fanáticos e, dali em diante, no decorrer da partida, definitivamente não mostramos muito talento para a linha dura quanto à guerrilha contra as forças canarinho. Fato é que Romário fez um gol e entregamos a rapadura. Traímos o movimento, mano.
Porra, eu gosto de Copa do Mundo!
Lembro com alguma clareza de 1982, do Zico correndo com a camisa rasgada, da tristeza que foi a derrota para a Itália. A de 86, no México, está totalmente viva em minha memória, com direito a Sócrates balançando a cabeça negativamente diante da execução do Hino da Bandeira em vez do Nacional na primeira partida, contra a Espanha – pra não dizer, é claro, da choradeira após a derrota para a França.
Quando tinha uns dez anos, por aí, ganhei de meu avô um livro chamado "O Globo de Todas as Copas", encadernação antiga do jornal O Globo trazendo capas de todas as Copas do Mundo, com fichas técnicas, dados, vencedores e tudo mais sobre os campeonatos de 1930 a 78. Desnecessário dizer que decorei tudo, sei quem ganhou qual, onde foram todas e assim por diante.
Não teria como dar certo a "torcida contra", tanto mais sob a desculpa esfarrapada de uma ideologia sem pé nem cabeça. Como não tinha 18 anos completos, presumo que esteja perdoado. Algumas bobagens são circunscritas a determinadas faixas etárias. Não entendo quem, nos dias de hoje, mantém a postura – ideológica ou apenas birrenta – de torcer CONTRA a Seleção Brasileira, em vez de apenas não dar trela. Mas cada um faz como quer.
A idiotice, em alguns casos, é optativa.
Futebol é um esporte tão maluco e irracional que muitas vezes um time ganha e não fica tão marcado positivamente na memória quanto uma equipe "perdedora". Vejam, por exemplo, o time de 1982, comparando-o ao de 1994. Tentem explicar esse tipo de coisa usando argumentos lógicos, ou argumentem tal fato a um norte-americano. Eu sei que não faz sentido, mas futebol é isso. É essa doideira, mesmo. Aliás, quem consegue explicar o porquê de gostarmos de um time? Mas (alguns de nós) gostamos. Sorrimos e choramos, comemoramos e brigamos, enfim, sem que haja qualquer explicação plausível. Na Copa, é igual.
E não sou nacionalista, tenho pavor de qualquer tipo de patriotada, acho até cafona a ideia de enaltecer uma determinada territorialidade pelo simples fato de ter nascido em tal região – comprometendo-se com cores, bandeiras, governos e afins. Mas gosto de futebol, adoro de verdade, e desde sempre torço para a Seleção Brasileira – assim como torço desde sempre para meu time de coração. Não há lógica aristotélica nesse tipo de coisa, eu sei, apenas torço, gosto e ponto final.
O fato de adorar as Copas do Mundo está no fato de que os MELHORES JOGADORES DO PLANETA se reúnem a cada quatro anos, disputando partidas épicas, o que anima qualquer admirador do esporte (isso é compreensível). O torneio se torna especialmente atraente quando há predileção por uma equipe e, claro, é bem melhor ganhar (isso também é simples de explicar). Difícil, reitero, é levar ao cético o MOTIVO da torcida. E eu não sei, confesso.
Não são poucas as "partes ruins", como aquelas propagandas aproveitando essa época, do tipo GOLEADA DE OFERTAS ou SELEÇÃO DE PREÇOS BAIXOS, ou então as correntes de e-mail (caso percamos), dizendo que houve conspiração, ou mesmo, como já falei, algumas pinturas de rua totalmente sem noção. Mas nada disso tem a ver com o importante: os jogos.
Por mim, ficaria deitado vendo todas as partidas, até aquelas mais mocorongas, entre times sem qualquer importância, mesmo com narradores chatos e estatísticas desnecessárias. Ainda mais quando surgem as tais "surpresas da Copa", aqueles times do nada ganhando tudo, ou os favoritos saindo logo de cara. É o máximo.
Mas, vá lá, preciso ser honesto: por mais que adore as Copas, não consigo ver as cerimônias chatérrimas de abertura. Elas são mais cafonas que baile de debutante, parece Teleton sem o detalhe da caridade. Aí já é demais.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 10.06.10 | 11 comentários
08/06/2010
SEXO E SENTIMENTO: DIFERENÇAS ENTRE HOMENS E MULHERES AO SAIR DAS RELAÇÕES
Antes de tudo, por favor, não comecem com aquela ladainha de "generalização", ok? Eu sei que há exceções para toda regra, que alguém pode ser diferente e assim por diante. Mas é tecnicamente impossível escrever sobre homens e mulheres sem usar as regras gerais. Estamos combinados? Ok. Sigamos.
Quando está namorando ou casada, uma garota sabe muito bem que há pelo menos mil homens em seu pé. Ela não é besta e tem total noção desse fato. Mais ainda: esses fulanos muitas vezes fazem declarações apaixonadas. Os homens, por sua vez, também são assediados, mas, não vamos negar, a escala é menor.
POR QUE CARGAS D'ÁGUA, PORÉM, SÃO ELES QUE GERALMENTE DESISTEM DE TUDO ENQUANTO AS MULHERES QUASE SEMPRE PREFEREM APOSTAR NA RELAÇÃO? COVARDIA/CORAGEM? VÍCIO/VIRTUDE? PREDISPOSIÇÃO GENÉTICA?
Nada disso, amigos. Talvez puro e simples oportunismo em razão dos fatos. A teoria a seguir, baseada em exemplos bem reais, é toda fundamentada em casos pra lá de concretos.
Esses "mil", da mulher do exemplo, são na verdade novecentos e noventa e nove querendo enfurnar o robalo, ou algo assim, E ELA SABE DISSO. A mulher, portanto, não quer trocar o certo pelo duvidoso e, no máximo, pula a cerca, dá uminha, mas não larga o namorado ou marido. Para largá-lo por "aquele um" (mesmo se são dois ou três, enfim), é preciso MUITA, MUITA, MUITA certeza, segurança, confiança, sentimento etc. E é raro, muito raro.
Os homens já estão numa situação mais confortável. Mulheres, quando cobiçam "o homem da próxima", nem sempre desejam apenas flambar o linguado. Em geral, sonham também com uma vida a dois, fazem planos para uma relação e, como depois descobrimos, é isso que acontece. Ele termina o namoro, fica com a outra e... COMEÇA UMA NOVA RELAÇÃO.
Ao longo dos anos, consciente ou inconscientemente percebendo isso, homens e mulheres sacam a malandragem. Mulheres não pulam fora porque depois ficam sem; homens acham que estão no melhor dos mundos porque, afinal de contas, a maré lhes parece extremamente favorável já que tem sempre um chinelo véio para um pé cansado.
Mas não é sempre assim. Entendam esse raciocínio como o encerramento da primeira parte da teoria. Há mais por aí. Porque os homens são bundões, as mulheres são muito, mas muito mais corajosas.
Como disse, é raro a garota sair de uma relação. Há casos, é claro, em que terminam por incompatibilidades ou porque o sujeito deu alguma mancada (traição, p.ex.). Mas logo voltam, perdoam, aceitam tentar novamente. Homens também perdoam (o importante é ninguém ficar sabendo, para preservar a fama "durona"). Falo aqui, entendam, de ENCONTRAR OUTRO AMOR.
Quando a mulher REALMENTE ENCONTRA OUTRO CARA DE QUE GOSTA E SAI DA RELAÇÃO, salvo em casos mais raros do que nevasca no Piauí, ela evidentemente não volta. E fim de papo. Já era. Perdeu. Foi-se. Aquele abraço! Ela fica com o outro e já era. Porque não se trata de uma "traição". Ela está realmente envolvida, apaixonada, amando. Não foi, vamos dizer, uma "safadeza", mas puro sentimento.
E o homem? Hm... Esse aí às vezes confunde as coisas. Isso porque está na zona de conforto, muitas vezes uma "zona de desconforto", puto da vida com a rotina da relação e atento àquelas duas ou três que dão moleza (sua mulher tem mil caindo matando, mas ele nem se liga), e aí resolve TERMINAR. Cai na gandaia, sai com uma, com outra, inicia um namorico, depois outro e... VOLTA CHORANDINHO COM SAUDADE.
Isso porque o homem é homem e, assim como 999 dos 1000 que dão em cima de sua namorada querem apenas chacoalhar a manjuba, ele também quer somente espanar o parafuso com as então pretendentes. Só isso. Depois de passado o desejo de libertação, sente falta do amor verdadeiro e corre pros braços da amada.
Muitas vezes, é claro, a (agora) ex o aceita de volta, mas em outras circunstâncias já é tarde demais, e aí o malandrão sentou na graxa - são as hipóteses em que ela, abandonada, descobriu o amor com outro e, também por cautela ou por amor realmente sincero, não quer mais largar outra relação verdadeira.
Taí, é isso. Só falei obviedades, embora tenha gente achando que isso seja algo polêmico. No fundo, todo mundo é interesseiro, quer sexo do mesmo jeito e só pensa em si próprio, mas cada qual à sua maneira.
E, também, todo mundo quer amar e ser amado.
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transubstanciado por gravata às 08.06.10 | 20 comentários
08/06/2010
NO BICO DE PENA E NO BLOG DA LIA
Sei que preciso atualizar este blog, mas isso não quer dizer que sumi. Além de falar bobeiras constantes no tuíter, publiquei um contículo no quase abandonado Bico de Pena (juro!) e, hoje, tem participação minha no blog da minha querida amiga Lia! É um texto sobre chapéus femininos e teci alguns comentários sobre esse acessório.
Quanto ao mais, vamoquevamo! Jajá atualizo o blog como a coisa deve ser feita :D
ps - e se você estiver de bobeira na madrugada, apareça qualquer dia para falar bobagem conosco, no glorioso CHAT DOS MANO!
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PIN-UPS
transubstanciado por gravata às 08.06.10 | 5 comentários
31/05/2010
LOST: A GRANDE CAGADA DO ÚLTIMO CAPÍTULO
O texto sobre o último capítulo de LOST, e todo o encerramento da série, gerou uma porção de comentários, alguns deles negativos, o que merece debate mais pormenorizado. O tema sem dúvida é bobo, mas estamos aqui exatamente num blog de temática mocoronga e, portanto, foro adequado. Sigamos.
Mundo dos Mortos x Mundo Real
No último capítulo, e SOMENTE NELE, foi-nos apresentada a hipótese do limbo, ou seja, todos estariam mortos no universo em que o avião não caiu. Alguns falam em "purgatório", mas é preciso perdoar a ignorância alheia, pois tal circunstância presume "purgar" pecados e, como sabemos, alguns dos perdidos chegaram a cometer homicídios em tal universo.
É importante salientar que a narrativa, em LOST, mesmo se tratando de um seriado, é "linear". Em suma: o último capítulo deve obedecer àquilo estipulado pelo primeiro, ao menos quanto ao proposto pela última temporada. Seria um "limbo"? Ok, então recapitulemos uma cena importante do primeiro episódio dessa última etapa:
Agora, detalhe da mesma cena:
Não se trata de uma visão de fulano ou cicrano, mas de plano seqüencial mostrado exclusivamente ao telespectador. A função ÚNICA desse tipo de recurso narrativo é transmitir informações concretas, algo similar ao "off", fazendo com que "saibamos" mais do que as personagens. Ninguém ali, portanto, teria essa informação: "o avião de vocês não caiu e, mais ainda, existe uma ilha com estas e aquelas propriedades, e há tubarões gravados com a logomarca de uma tal Iniciativa Dharma blablabla".
NADA DISSO SERIA PLAUSÍVEL NUM MUNDO ONÍRICO, NUM LIMBO OU UNIVERSO CRIADO PELA COLETIVIDADE DOS SONHOS APÓS A MORTE DE TODOS ELES. Naquele momento, todos os roteiristas não tinham planejado coisa alguma nesse sentido. É mais do que óbvio. Estão aí os fatos.
Ao longo da temporada - e vale reiterar que são poucos dias numa narrativa LINEAR -, vários fatos acontecem CONTRARIANDO A DINÂMICA PROPOSTA NO CAPÍTULO FINAL. Uma série deles, por sinal. Vamos pela ordem, retrocedendo um pouco.
Como surgiu o "universo paralelo"? Por meio de uma teoria de Daniel Faraday, segundo a qual a explosão de uma Bomba H afundaria a ilha e não permitiria a queda do avião - e o que vemos é exatamente o avião sobrevoando o oceano, com a ilha submersa (ninguém mais vê isso, é um dado concreto - "real" na trama). Mas cria-se "duas" realidades.
Na outra, a "verdadeira", pasmem!, ELES SOBREVIVEM À EXPLOSÃO DE UMA BOMBA DE HIDROGÊNIO. A outra, depois vamos saber, é aquela em que todos estariam mortos (!!!). Mas tudo bem, estamos falando de uma série em que uma ilha sofre tremores se não for mantida determinada "rolha de pedra" no final de um "poço de luz" - que, por sua vez, gera uma queda d'água de origem inexplicável.
A questão aqui é apenas uma: demonstrar claramente que o último capítulo não condiz com a narrativa proposta ao longo da temporada. Não apenas "proposta", aliás, mas EFETIVAMENTE ESCRITA. Charlie e Claire estão no mesmo vôo, mas ele só tem o "piripaque da visão" num show, milagrosamente a avistando na platéia.
No início da temporada, atores sem contrato com a ABC ou envolvidos em outros projetos também não estavam no "avião que não caiu". Outros não estavam simplesmente porque os roteiristas não tinham a menor idéia de acabar como de fato acabaram (p.ex.: Libby). E mesmo quem NÃO estava no avião, vejam que graça!, na realidade paralela deu o ar da graça no aeroplano, como é o caso de Desmond Hume.
Mas, novamente, isso é bobagem.
Caso intrigante, mesmo, é o de Sayid Jarrah. Antes de inventarem a baboseira de "limbo" ou "terra dos mortos" ele conseguiu subverter talvez a mais complexa das "leis do céu" (e isso é uma façanha para um seriado que, até então, apenas passava por cima das leis da física): MATOU MORTOS! Quem não se lembra do episódio em que distribuiu pipocos e salvou a pele de Jim?
E as curiosidades quanto ao iraquiano não param por aí. No "mundo supostamente real" ele LITERALMENTE VENDEU A ALMA AO DIABO em troca da mulher de sua vida. Ela sempre foi a coisa mais importante de toda sua existência. Naquele que seria o "mundo inteligível" (platônico, hein?), o que acontece? Ele a vê e nem tchuns. Se fodeu, não era o último capítulo! Tiveram que buscar a Shannon (que não estava no vôo) na "Austrália do limbo" para que o habib passasse pela "epifania lostiana".
Há gente, alegando ter determinadas ligações sinápticas e polegares opositores, dizendo que chorou em cenas como essa. Patético. Comparar esse tipo de ridiculice narrativa com telenovelas é exagero, e uma ofensa aos novelistas, pois nenhuma trama televisiva é tão mal escrita em termos de lógica. O cara passa SEIS ANOS (sim, seis, pois a outra realidade prosseguia) chorando por uma mulher, mas tem epifania por outra de quem nem gostou direito e deu três beijinhos só no migué.
Os exemplos são infinitos e é até cansativo demonstrá-los um a um. É óbvio que, ao começar a sexta temporada, ninguém ali pensava em dar o fim que foi dado. Fizeram aquilo, agora está feito, paciência. Alguns gostaram, muitos detestaram, e uma multidão diz que gostou talvez porque adorariam ter gostado. Mais ou menos como quem torce para um time e, depois de um empate, alega que sua equipe "jogou melhor". Vai entender...
Enfim: o último capítulo não é uma obra isolada. Ele depende, obrigatoriamente, de todos os demais. Eles, juntos, compõem uma única narrativa e, nesse sentido, o texto integral é capenga, desconexo, bagunçado, estropiado. Sem os trilhões de furos desse roteiro furreca, poderia ser um final interessante, mas infelizmente foi uma decepção.
Fomos surpreendidos? Talvez. Mas da mesma forma que se pode surpreender a professora da quarta-série terminando uma redação com aquela coisa de "e, no fim, Joãozinho acordou e viu que tudo não passou de um sonho". Só que nas redações do primário não há clarões.
Sobre as Perguntas Sem Respostas
Houve quem comparasse LOST às obras que deixam algumas dúvidas no ar, como "Dom Casmurro". Nessas horas, o melhor é largar a argumentação e partir para a luta franca, o combate corpo-a-corpo ou meramente dar um pescotapa no interlocutor. Mas, tudo bem, não custa explicar a ABISSAL diferença entre casos tão díspares.
Em algumas obras, há o chamado FINAL EM ABERTO, quando muitas vezes o fascínio consiste exatamente num determinado ponto não esclarecido, SEM PREJUÍZO da grandeza de toda a narrativa. Em outras, há PEQUENAS PONTAS SOLTAS, que ficam a cargo da imaginação do leitor, espectador, telespectador etc. Mas, não custa nada lembrar, estamos aqui falando de um SERIADO DE TELEVISÃO, BASEADO EM MISTÉRIOS CRIADOS POR ELE PRÓPRIO.
Toda a narrativa de LOST sempre foi fundada em perguntas criadas pelos próprios roteiristas, toda a história da série foi edificada em teorias, questionamentos e todo tipo de dúvida que raramente ganhava alguma resposta. Levantar milhões de mistérios e responder apenas dez não é uma virtude do roteiro, mas um fracasso sem tamanho. Não é como conduzir um romance maravilhoso sem que saibamos se Capitu traiu ou não. É um fiasco, mesmo.
Prova disso, aliás, é quando resolvem explicar! Como Richard ganhou a imortalidade? Simples: Jacob deu um tapa em seu ombro, dizendo: "ah, isso eu posso conceder" - depois ganhando um cabelinho branco. Como alguém se torna protetor da ilha? Simples: toma um gole de água que se torna abençoada depois de um cafuné no recipiente (qualquer que seja).
Todas as demais 999 mil questões, porém, ficaram abertas. E, não, isso NÃO É uma virtude do seriado. Isso é falha gritante, é erro, é incompetência.
"Ah, mas na vida as coisas são assim..." - dizem alguns. Pois é, são mesmo. Porque a vida é a vida, e os seriados de mistério são os seriados de mistério. Na vida, por exemplo, não há manivelas que levam as pessoas para anos no passado e pro meio do deserto. E comparar LOST à vida, convenhamos, é até mais risível que fazer as analogias com grandes obras de arte.
No fim das contas, gostei mesmo do final de FlashForward. A série não ia tão bem assim, mas já que acabariam com o show, os roteiristas meteram a mão na massa e deram o encerramento mais casca-grossa dos últimos tempos, quase dizendo: "olhaí o que conseguimos fazer". Em LOST, o recado foi praticamente outro: "isso é o resultado do que NÃO conseguimos fazer".
E nem venham dizer que faço polêmica. Porque fazer polêmica e ser do contra, a bem da verdade, é dizer de cara limpa que o final da série foi "bom". Basta uma passada rápida pelos episódios da sexta temporada para perceber o óbvio: perderam a mão e improvisaram, fizeram cagada e saiu aquela lambança. Para piorar - e muito - não fecharam nem um décimo do roteiro.
Eu que não vou ficar batendo palma pra isso.
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transubstanciado por gravata às 31.05.10 | 14 comentários
31/05/2010
RUAS PINTADAS PARA A COPA: NOÇÕES GERAIS

A época da Copa do Mundo carrega uma tradição nem sempre aplaudida por todos os habitantes de uma grande urbe. Assim como no Natal, prédios residenciais, comerciais, condomínios e até sobradinhos geminados ganham todo tipo de luzes coloridas, em tempos de jogos futebolísticos internacionais as ruas ficam verdes e amarelas de forma exacerbada.
Vale comentar algumas características desse hábito intrigante. Vamoquevamo:
A "Festa" da Pintura
Participei disso apenas uma vez, em 1986, tinha 10 anos e, não vou mentir, foi divertido. Na Copa de 90 já estava bagunçando o coreto e fomos expulsos, eu e minha turma, pois soltávamos morteiro enquanto os caxias queriam pintar. Pra quem não sabe, o procedimento leva a madrugada toda.
Mas a parte REALMENTE CHATA é quando você está voltando pra casa e... FECHAM A RUA, aí é preciso refazer o caminho. Não raro, várias ruas de um mesmo bairro acham razoável fazer a bagaça no mesmo dia. Triste.
Qualidade da Tinta
Até hoje, é possível passar por algumas ruas e ver pinturas com o "Laranjito" (Espanha, 1982), isso porque capricharam na tinta empregada. Mas, às vezes, passa-se um mês e tudo já está borrado, ou mesmo apagado. O motivo é simples: mãodevaquice do comprador. Uns investem na qualidade, outros usam aquelas merdas sem qualquer noção.
Pra ser sincero, não sei o que é pior ou melhor. Qualidade boa é sempre um negócio a ser elogiado, mas pra que uma "decoração de Copa do Mundo" precisa resistir por dez ou vinte anos?
Desenhos
A cena é famosa. Dias antes da festança, ou às vezes no meio da bagunça, alguém grita: "CHAMA O FULANO, ELE SABE DESENHAR". Em alguns casos, de fato, trata-se de exímio desenhista, com relativa habilidade em grafite - e tudo fica bonitinho. Mas, não raro, o negócio fica muito parecido com aquelas pinturas "colaborativas" de muro de colégio público, quando cada sala de aula pinta um pedacinho (já viram?).
Já sofri com isso, pelo fato de "saber desenhar". Mas a verdade é que NÃO SEI DESENHAR, exceto pelo fato de ter alguma competência em retratar rostos humanos, apenas isso. Mas não consigo fazer mascotinho de copa - além de não ter a MENOR paciência quanto a esse tipo de chatice.
Proporções e Proporções
Desta feita, como nem sempre verdadeiros mestres da pintura assumem a "direção de arte", passar por essas ruas decoradas é muitas vezes um espetáculo à parte. Ronaldinhos com a mão maior que a cabeça, Mascotes totalmente desfigurados, bolas ovais ou quase quadradas, entre tantas bizarrices.
Quando se mora em prédio, nos andares mais altos, a gargalhada é ainda maior. No carro, passando rapidamente, não se vê com muita atenção as barbeiragens dos "desenhistas", mas lá do alto tudo fica bem nítido. Isso para não falar nos erros de grafia em nome de jogador, cidades-sede, estádios etc.
A Piroca
Sim, o pinto, o bisgüi, o robalo, a estrovenga, a piromba. SEMPRE TEM ALGUM ENGRAÇADINHO QUE ACHA UMA MANEIRA DE ESCAMOTEAR UM DESENHO DE PAU NO MEIO DA DECORAÇÃO DA COPA DO MUNDO. Não adianta patrulhar, proteger, ficar de butuca, não tem jeito. Alguém vai desenhar a chapeletinha com o respectivo risco, o tronquinho e as duas bolas. Seja com spray, pincel atômico, ou qualquer instrumento que tiverem à mão.
Decoração de Copa do Mundo sem desenhinho de pica no meio das coisas, na boa, não é decoração de Copa do Mundo. Faz parte da esculhambação nacional, está na nossa cultura, é nossa dose de subversão.
É o "caralhinho da copa", mascote eterno.
Tipo assim.
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Não fosse esta mania de colônia...
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transubstanciado por gravata às 31.05.10 | 1 comentário
28/05/2010
GRAVATA RESPONDE - MAIS DO MESMO

Mantenho os clássicos dois pedidos: a) ENVIEM PERGUNTAS RESUMIDAS! e b) NÃO FAÇAM PERGUNTAS NOS COMENTÁRIOS, MANDEM PARA O EMAIL gravataresponde@gmail.com - certo? Vamos lá:
"Quando a grande maioria homens que chegam em uma mulher são feios significa que ela é feia também? Os homens tem receio de chegar numa mulher muito bonita e levar um fora? Homens lindos só ficam com mulheres maravilhosas também?"
Sua pergunta esconde outra dúvida, na verdade uma questão relativamente engraçada. Não se trata de "homens lindos" que "só ficam com mulheres maravilhosas", mas sim de mulheres "feias" que EXIGEM os caras "lindos", usando como pretexto o fato de que ELES - e apenas eles - devem apreciar a chamada "beleza interior".
Vocês, nunca.
Devo dizer - e sempre o digo - que sou contra os padrões de beleza. Sou mesmo. Acho ridículo essa coisa de determinada forma física ser a "bonita" e as demais serem feias. Mas isso não redime a postura imbecil de algumas mulheres, sobretudo as "feias" (ou que assim se acham) quando querem seu "pedaço do bolo" quanto aos bonitões.
Elas - vocês? - não fazem parte do padrão, brigam contra o padrão, querem ser vistas como pessoas especiais, mas... VÃO ATRÁS DOS BONITÕES PADRONIZADOS E QUEREM QUE ELES SE COMPORTEM COMO CRIATURAS MADURAS, TOTALMENTE ALHEIOS A QUALQUER MODISMO ESTÉTICO. É risível.
Reflita melhor, mocinha. Veja se você não faz um papel meio ridículo nessa exigência.
* * * * * * * * * *
"Bom eu fiz uma brincadeira com o meu marido se passando por uma admiradora dele da faculdade, mandando e-mail, pedindo o nº de tel dele e essas coisas dando de cima mesmo, propondo a ele para marcarmos um encontro e mandar fotos minhas, resumindo ele disse que era muito bem casado e mandou eu ir ......fiquei semanas mandando e-mail e nada.Não dizem que homens e mulheres so não traem por falta de oportunidade, ele teve e não quis, te pergunto sera que ele e fiel mesmo ao ponto de não me trair?"
Poderia dizer que você só não é mais idiota por falta de espaço, mas na verdade não sei qual espaço você ocupa em nosso Planeta, e arriscaria aqui uma boa circunferência e/ou massa corporal. E isso não é brincadeira a se fazer com a pessoa amada. Se estou sabendo da coisa, torço para que ele caia na peça só para você ficar com cara de cu.
Daí, MILAGROSAMENTE, ele joga limpo e é honesto. O que você faz? PERMANECE EM DÚVIDA! O negócio durou SEMANAS (!!!) e você CONTINUA ACHANDO QUE AÍ TEM TRUTA. Sabe o que você precisa fazer? Terminar, arrumar um cara bem safado, pois você merece isso.
Sério, é o que você quer. Talvez seja uma tara inconsciente. Não é gozação, deve ser isso mesmo. Afinal, você está insatisfeita com um cara honesto.
* * * * * * * * * *
"Oi Gravata. To solteira e um instrutor gostosão da minha academia, que tem namorada (não a conheço), vive me dando indiretas e confesso que gostei das investidas dele, pois, desde então não paro de pensar sacanagens com ele. To doida para dar umazinha com ele. Devo ou não? Beijos!"
E eu que decido? Acorda pra cuspir, pô!
* * * * * * * * * *
"Olá! essa me deixou sem reação... conheci na internet, e em um dia ele mudou no perfil do orkut de solteiro p/ namorando, tirou o nome dele de la e colocou o meu dizendo q me ama... mais ele nunka me viu!!! to afim dele mais... sei la... o que eu faço? além dele ta só querendo me comer, o que pode levar um cara a ser zuado por todos os amigos apenas p/ leva na labia uma mulher?"
TROCOU O PRÓPRIO NOME NO ORKUT... Olha o naipe dos questionamentos que chegam até mim! Também, quem manda abrir esse tipo de seção nas internês, não é mesmo? Olha, quase pus sua pergunta lá no final, para o "ele só quer enfurnar o robalo", mas talvez ele goste, sim.
O cara é cafona, mas parece gente boa.
* * * * * * * * * *
"Homens pedem mulheres companheiras, e quando nos comportamos assim viramos amigas e não namoradas. O que acontece? Qual o limite entre companheirismo e amizade? Eu sempre passo por isso. Tudo bem que eu gosto de certos programas mais "masculinos", mas isso não significa necessariamente que eu sou um projeto de homem e consequentemente seu "melhor amigo sem p**** ". Digo programas "masculinos" como bar, estádio...e apesar desse gosto eu não deixo de ser feminina, de sair toda arrumada, fazer maquiagem, gostar que abram a porta do carro. Tenho mais amigos homens do que mulheres, mas não deixo de ser menininha, oras!"
Ah, o plural majestático! Como assim "viramos"? VOCÊ vira! Esse pluralzinho é para tirar o seu da reta, né? Homens gostam de mulheres companheiras, mulheres gostam de homens companheiros. Ponto. Essa é UMA (uma...) das virtudes legais para uma relação dar certo.
Mas apenas uma.
É preciso um sem-número de afinidades, e aí entram as sexuais, estéticas, e assim por diante. Se você é APENAS companheira, obviamente o laço entre ambos tenderá para uma amizade, mesmo. E não faz sentido a pergunta sobre diferença entre "companheirismo e amizade", já que não são excludentes.
Imagine o contrário: um sujeito totalmente fora de seus padrões de atração, tesão, química etc. Ok? Mas, ao mesmo tempo, é MUITO companheiro, gosta de tudo que você adora e assim por diante.
Um companheirão, não é mesmo? Mas passará disso? Pois é... Agora, uma segunda hipótese: alguém com os mesmos gostos, mas por quem você tenha muito tesão, atração sem fim, carinho etc. etc. etc. É esse o ponto.
O companheirismo é bacana e importante, mas é apenas UM dos tantos pontos positivos que fazem uma relação vingar. Não adianta ter apenas isso e exigir que todo o resto dê certo.
* * * * * * * * * *
"Bem tenho 33 anos e estou saindo com um rapaz mais jovem (28 anos) e ele me pareceu um pouco (quase q totalmente) inexperiente sexualmente. Como faço pra mostrar a ele o caminho da felicidade sem magoa-lo? A pegada dele é meio q fraca, muito afoito em tudo...você bem q poderia dar umas dicas de como tratar a "dita cuja" sem esfolar...desculpa falar assim...já ví vc dando dicas de sexo oral para as moçoilas, para termos cuidado com os dentes, salivação entre outras coisas, seria a hora de ensinar os moços...não só no oral, mas em como mecher com os dedos mesmo...beijos"
(deixo barato o "mecher"; sigamos...)
Você tem razão na sua dúvida, porque homem acha que sabe tudo desde os 14 anos, só porque fez e refez a historinha mil vezes na punheta. Mas, claro, homem é tudo bagre e aprende é com vocês. Então o jeito é ENSINAR - sim, dar aulinha, mesmo.
Mas o truque consiste nos termos em que o negócio acontece. Em vez de dizer "olha, vou mostrar como se faz" ou "presta atenção, assim que é o certo", diga algo como "vou mostrar como eu gosto" ou "faça desse jeito que me agrada mais". Não vai parecer que ele é um Zé Mané, mas sim que você tem predileções específicas (na verdade, você o está ensinando, claro, mas não se cria um teatrinho necessário, evitando-se mágoas).
Boa sorte.
* * * * * * * * * *
"Minha dúvida é sobre, pasme, cabelos: porque diabos homem tem tara com cabelo liso e grande? Sim, eu sei que não são todos, mas uma grande maioria tem essa preferência. Pergunto porque eu tinha cabelo liso e longo, e agora que cortei parece que perdi um pouco a graça!"
Que coisa mais ridícula! Cada um gosta do cabelo de um jeito! Haja insegurança, meu Deus! Você está preocupada com o comprimento do seu cabelo? É sério isso? Pára, né? Uma dica, então: deixe-o crescer. Beijo.
* * * * * * * * * *
"Gravata, como dizer ao parceiro que não consigo mais gozar, sem que isso soe absurdamente ofensivo?"
Sem que soe absurdamente ofensivo? Ok, anota a dica: escreva (em papel e à mão, ok?) o seguinte para seu amado:
"MEU AMOR, SIRVO-ME DA PRESENTE MISSIVA PARA INFORMAR-LHE QUE NOSSAS FORNICAÇÕES NÃO TÊM SIDO EXITOSAS QUANTO À OBTENÇÃO DE ORGASMOS DE MINHA PARTE, RAZÃO PELA QUAL CONSIDERO DE RAZOÁVEL IMPORTÂNCIA A NECESSIDADE DE MODIFICAÇÕES NAS MODALIDADES PRATICADAS, CUMPRINDO SALIENTAR QUE NADA DISSO ABALA O CARINHO QUE SINTO POR SUA PESSOA".
Sucesso.
* * * * * * * * * *
"Em primeiro lugar, adoro seu blog...conheci um rapaz há 11 meses...começamos a namorar e depois de 4 meses estávamos morando juntos...ele dizia que me amava muito, mas há duas semanas disse q não tinha mais certeza do q sentia e resolvemos terminar...acontece q continuamos nos vendo todos os dias, saímos juntos, almoço de domingo com a família e ele diz que estamos namorando...qual eh a dele afinal? Será q ficou com medo de um relacionamento muito sério? Ou será q só quer bisguizar?"
Vocês se encontram TODO DIA... Saem juntos, almoçam com a família, ele diz que estão namorando... Chegaram a morar juntos! Já terminaram, mas agora a coisa não é oficial, fica só no lero-lero. Bom... Pode ser, realmente, que haja aí uma possibilidade de renascimento da relação, e é bobagem restringir tudo ao rótulo.
Mas também é possível que ele apenas queira untar o sabugo, temperar o talo do aipo, recrear a sucuri, enfim...
- ELE QUER APENAS TE COMER, MINHA FILHA!
Ou, repito, pode ser que role algo mais forte. As duas hipóteses são prováveis e, na boa?, aproveite - qualquer que seja a situação. Evamoquevamo!
* * * * * * * * * *
Se quiser enviar a sua, mande para gravataresponde@gmail.com - obviamente, sua identidade será preservada, nenhum nome será mencionado e você jamais será cantada, convidada para sair ou algo do tipo. E nem adianta insistir. Humpf! :)
(sem revisão)
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transubstanciado por gravata às 28.05.10 | 6 comentários
24/05/2010
LOST: O PIOR FINAL DE TODOS OS TEMPOS DO UNIVERSO TAL COMO O CONHECEMOS

(CLARO que contém spoilers...)
Antes de qualquer fã da série me encher o saco, devo dizer algo um tanto óbvio: eu também era espectador de LOST. Em caso contrário, não teria visto seis temporadas da referida série, não é mesmo? Mas isso não significa que seja cego ou mongolóide e, nesse sentido, não dá para dizer que o encerramento do seriado tenha sido bom. Não, não foi. Na verdade, todos sabemos, foi uma merda.
Parecia o capítulo final de uma novela das sete, com direito àquelas reuniõezinhas com todo mundo dando abraços e beijos, tudo sem pé nem cabeça ou qualquer preocupação com a trama e a lógica, buscando emocionar donas-de-casa ou o equivalente intelectual de faixa etária menos avançada. Se faltou o "casamento do finalzinho", não se esqueceram nem da igreja com todos juntos. E, não duvidem, é provável que tenha dado certo.
Porque, dentre os espectadores de LOST, há os fãs alucinados, sempre prontos para defender as mais variadas mancadas, os mais inequívocos derrapões, as mais escalafobéticas e inexplicáveis falhas no roteiro. Mesmo quando tudo parece inexplicavelmente ridículo e indesculpável, apelam para a máxima dos que não têm para onde correr: "é a ficção, é a magia da liberdade criativa". Ou algo assim.
A premissa do seriado, de fato, é excelente, e a primeira temporada foi também excepcional. Mas dali em diante, sejamos todos bem honestos, a coisa ficou cada vez pior, com no máximo alguns solavancos com pequenas promessas de melhora - sem o devido cumprimento, vale salientar. É talvez infinita a lista de circunstâncias e personagens absolutamente inúteis para o curso dos acontecimentos efetivamente relevantes.
Os "outros", por exemplo, ficamos sabendo que eram... dispensáveis. A "Fundação Dharma", por sua vez, idem (serviram para fornecer comida, cerveja, figurantes e lero-lero para algumas temporadas). E RICHARD ALPERT, o "imortal de rímel e lápis"? Pois bem: INÚTIL. Com ou sem ele, tudo seria a mesma merda. Justiça seja feita, há Charles Widmore, em princípio apresentado como poderoso antípoda do também supostamente poderoso Linus e, bom, ambos eram dois bundões totalmente inócuos.
Poderíamos dizer que nos divertimos por seis anos, tendo a série cumprido essa função de entretenimento, mas seria desonesto. Diversão, mesmo, foi a primeira temporada. Da segunda em diante, a bem da verdade, queríamos mesmo saber como tudo aquilo acabaria, e assim foi até que descobrimos tudo, para espanto ou confirmação das piores expectativas: o segredo da ilha é uma cachoeira meio estranha, com uma pedra-rolha que não pode ser retirada e precisa ser protegida. Sério, é isso.
Por algum motivo há fenômenos magnéticos inexplicáveis, viagens no tempo igualmente sem explicação e embarcações e aeroplanos que caem na bagaça também sem essa nem aquela. Mortos voltam à vida, aleijados voltam a andar, uma fumaça preta faz barulho de dinossauro (ou o barulho que o cinema diz ser do dinossauro) e até ursos polares sobrevivem por anos no calor dos trópicos se alimentando de javalis misteriosamente nascidos por aquelas bandas. Mas o segredo, mesmo, é uma rolha de pedra mantida por uma velha surgida sabe-se lá de onde, que cultuava uma estátua de quatro dedos esculpida por sabe-se lá quem.
Sim, ninguém respondeu nada, coisa alguma, necas, nadica. O tal Jacob era filho de uma náufraga e recebeu seu "dom" bebendo um goró, depois passando-o para Jack, que o transmitiu para Hugo. Qual o dom? Ninguém sabe. De certo, não é imortalidade, pois Jack morreu com uma espetadinha de canivete dada por um ex-aleijado (isso porque explodir uma BOMBA DE HIDROGÊNIO, na Ilha, permite a quem o fez despedir-se da pessoa amada sem maiores problemas). Ah, sim! Um adendo: viagens no tempo podem ser fatais, mas só morrem personagens secundárias. Ufa!
Mas tiraram um coelho da cartola após a tal explosão, criando uma REALIDADE ALTERNATIVA. Todo mundo passou a existir também na outra temporada, ou melhor, apenas aqueles que mantinham contrato com a emissora (já é um começo, convenhamos). O núcleo afro, por exemplo, não estava presente na confraternização da igreja - se houver acusação de preconceito, podem alegar que seria inverossímil o crescimento exacerbado do menino, já que todos deveriam estar com a mesma idade do dia do capítulo 1.
Opa! Essa minha memória só me coloca em apuros! Mais uma falha - tô parecendo roteirista de LOST! Lá vai: SOMENTE NO ÚLTIMO CAPÍTULO é que eles todos ganham o DOM DO TOQUE! Desde o primeiro capítulo da sexta temporada, todo mundo se esbarra no universo paralelo, todos eles, mas não acontece nada.
No último capítulo, porém, TODOS DESENVOLVEM O DOM DO TOQUE e basta relar a mão ou, em alguns casos, OLHAR NOS OLHOS, para desencadear um processo de memória do universo paralelo. Supimpa, né? Tudo para dar tempo da série acabar em tempo hábil e não precisar mandar um "adendo por escrito".
Enfim, é isso. E há quem diga que foi legal. Não, não foi. Todos nós fomos feitos de idiotas. Eu assumo isso, fazer o quê? Acho que, assumindo, sinto-me menos imbecil e, ao menos, consigo rir de minha própria desgraça. Tentem fazer o mesmo, prezados fãs malucos.
Não custa nada, bróda.
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transubstanciado por gravata às 24.05.10 | 52 comentários
22/05/2010
CAETANO: RARAS E INÉDITAS (MESMO)
Ontem, postei um vídeo do Youtube com Caetano Veloso mandando brasa em "Olhar 43" do RPM. É uma raridade do programa "Chico & Caetano". Há muitas dessas coisas na internê e, graças à web, consegui garimpar várias preciosidades. Compartilho-as, portanto. Divirtam-se:
Baby
Gravada em 1992 no Programa Ensaio (TV Cultura), acompanhado por Jacques Morelembaum. Detalhe: tem o "baiana" no finalzinho, reparem...
* * *
Alguém Cantando
Essa gravação foi ao ar no Fantástico, em 1978. Originalmente, saiu no álbum "Bicho", e quem cantava era sua irmã Nicinha. Agora, ele e Gal Costa:
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Tigresa
Não sei de quando é essa versão, que foi ao ar na Globo. Como a música é de 1977, obviamente saiu depois, mas não faço a menor idéia do ano, ou se foi no Fantástico, em algum especial ou coisa assim. Só não peço desculpas porque, convenhamos, a beleza do negócio justifica a lacuna:
* * *
Vai Levando
Uma das raras parcerias de Chico e Caetano, cantada por ambos, ao vivo, num show das antigas. Também não sei a data, quem souber dá o toque:
* * *
Você Não Entende Nada
Qualidade bem ruim, todos vão notar. É da TV Record, uma exibição de 1973, eu acho - a mesma roupa usada no Phono 73 (daí o cálculo aproximado). Mas é bem bacana:
* * *
O Estrangeiro
É uma de minhas músicas favoritas, e a versão acústica, feita para os shows, supera em muito aquela do estúdio. Essa, do show com Gilberto Gil para o "Jazz Madrid" (2002), é especialmente interessante, pois são apenas os dois, Caetano cantando e tocando e, bom, GILBERTO GIL TOCANDO, o que definitivamente torna inócuo o uso daquele "apenas":
* * *
As Curvas das Estradas de Santos
Essa deu um pouco de trabalho, porque editei trechos do especial de 1992, que saiu em VHS e, pelo visto, não sairá em DVD (é uma pena...). No começo, Caetano lê uma das "Cartas ao Pasquim" - nessa, ele fala da visita que Roberto Carlos fez à casa em que vivia em Londres, tocando para todos a música em questão. Depois, relata o evento e, claro, manda a referida bala:
* * *
Alguns vão pensar que não tenho o que fazer, mas tenho. Enrolei trabalho e postei isso. Achei que seria legal, espero que gostem :)
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QUARENTA ANOS CAETANOS
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22/05/2010
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21/05/2010
SORTEIO DA CAMISA DO FLAMENGO: A VENCEDORA
Há algum tempo, resolvi sortear uma camisa do Flamengo. A vencedora (foto a seguir) é Tatacore!

Como determinavam as regras, ela entupiu a caixa do Morróida e, todos podem ver, mandou a foto corretamente. Assim, a camisa será enviada para sua casa.
Evamoquevamo!
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20/05/2010
GRAVATA RESPONDE - AQUILO DE SEMPRE

Mantenho os clássicos dois pedidos: a) ENVIEM PERGUNTAS RESUMIDAS! e b) NÃO FAÇAM PERGUNTAS NOS COMENTÁRIOS, MANDEM PARA O EMAIL gravataresponde@gmail.com - certo? Vamos lá:
"Oi Gravata! Estava namorando há 2 anos, conheci um rapaz no meu trabalho e comecei a me encantar com ele, para não trair meu namorado terminei com ele e depois comecei a namorar o rapaz que trabalha comigo, porém sinto meu sentimento dividido, você acredita que possa gostar de 2 homens ao mesmo tempo?"
Sim, acredito que seja possível gostar de duas pessoas ao mesmo tempo e, conseqüentemente, a coisa fica complicadíssima. Você agiu de forma honesta, terminou uma relação que invariavelmente acabaria mal, mas no fim das contas acabou percebendo sentimentos por ambos (ex e atual).
Ainda bem que não perguntou sobre "o que fazer", pois obviamente eu não teria a resposta. Sua dúvida foi apenas sobre gostar de dois. A resposta já foi dada. Sim, é possível. O que fazer agora? Se vira! :D
* * * * * * * * * *
"Outro dia, no meio da transa com o pau duro e dentro de mim, meu namorado (q tem mais de 45) pediu para darmos um cochilinho pois tinha trabalhado muito e estava meio cansado... Depois do cochilo demos uma mto gostosa, mas eu tô encafifada isso é normal?? Me senti meio rejeitada..."
Olha, antes de tudo, uma salva de palmas à virilidade do camarada no alto de seus quarenta e cinco anos, não é mesmo? Não apenas deu de ombros a uma ereção, como ainda por cima continuou depois do cochilo COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO. É o Rocky Balboa da fornicação alternada com sonecas!
Você pergunta se é "normal". Sei lá, talvez seja. EU NUNCA FIZ, mas pode ser que esteja aí o segredo do cara, não é mesmo? De todo modo, parar no meio não me parece uma atitude de bom-tom, sugere falta de etiqueta e indica pouca preocupação com o prazer alheio - denotando maior importância dada à dormidinha.
Ok, confesso. Tô rindo aqui.
* * * * * * * * * *
"Poxa estou numa situação dificil, conheci um rapaz no carnaval, ficamos e talz ,ele pegou meu telefone mais não me ligou, como temos amigos em comum consegui o telefone dele aí eu liguei só que ele não me pareceu muito interessado, nao liguei mais. agora no reencontramos em uma festa ficamos denovo novamente ele pegou meu numero mais ate agora nao me ligou, ele é do tipo galinha e estou gostando dele só não sei o que fazer para conquista-lo. Se você puder me ajudar fico agradecida."
Pelas barbas, hein? Ele pegou seu telefone, obviamente bêbado, mas depois ficou arrependido e não quis nada com nada. Em vez de ignorar o episódio carnavalesco, você PEGA O TELEFONE DO CARA E LIGA! Ave! Pára com isso, né?
Claro que ele não pareceu "muito interessado". Óbvio! Numa festa, vocês tornam a ficar - e presumo que nosso amigo, o álcool, foi também convidado. O que isso significa? Nada. É um casinho pra lá de esporádico, nem meso chega a ser um "casinho". Não é nada. Não invente romance! Sério. Você só vai sofrer com isso.
Não faça nada para conquistá-lo, simplesmente porque ele não está a fim. Parta para outra, e aceite o fato de que vocês apenas vão ficar nessas festinhas (e quando muito).
* * * * * * * * * *
"Gravz, (posso chamar assim?) Como percebi que responde várias perguntas sobre relacionamentos, de certo deva entender e talvez possa me ajudar. Tenho 18 anos e estou namorando há dois meses. Aliás, meu primeiro namoro, que conste. Sempre fui cricamente seletiva em relação a relacionamentos. Mas, por bobeira acabei agindo impulsivamente (se fosse gostar, chamaria de paixão), e acabei aceitando um pedido de namoro de um cara que conheci, que em tese achei que daria certo comigo. Amigo de uma amiga, você sabe. Mas começaram a surgir muitas incompatibilidades. Por exemplo, o cara é deveras chiclete e emotivo (o contrário de mim, que até passo por ríspida). Se magoa por besteiras, e afins. São ridículas as mini-discussões que acontecem. Mas em resumo, ele é uma boa pessoa, faz as coisas por mim, se dedica. sim, é aquela velha de "o problema sou eu". Problema 1: Ele já está MUITO envolvido (pra ter uma ideia, as famílias já se conhecem e ele já mencionou planos de casar. Tudo bem, ele tem 24 anos, é normal. Mas WTF?) Problema 2: Eu JÁ decidi terminar. E posso estar pesando as coisas erradas, mas acho que vai ser a decisão mais assertiva. Enfim, de qual maneira me sentirei menos MONSTRA? Em outras palavras, como terminar o namoro sem estraçalhar o rapaz?"
Não, não pode me chamar de "gravz". Na próxima carta escrita em gótico, sugiro que me chame de VOSSA EXCELÊNCIA.
Aliás, não se diz "decisão mais assertiva", no valor semântico pretendido pela frase. Nesse caso, seria "decisão mais acertada". Você, ao contrário, não pretende ser "assertiva", tanto que pede no email sugestão de término sem "estraçalhar" o rapaz.
Quer uma dica? Escreva com essas palavras. Ele ficará triste, mas também confuso e, por que não?, talvez dará umas risadas diante da tentativa de escrita rebuscada. Boa sorte para ambos.
* * * * * * * * * *
"Olá! Tenho 18 anos. Sou virgem, nunca namorei na minha vida e estou acima do peso, ou seja "gorda" eu costumo julgar o fato de ser virgem e nunca ter namorado, a minha aparência, todos dizem que sou linda de rosto e tudo mais, só que na verdade, sem hipocrisia são poucos os homens que gostam de "fartura". Além de ter medo da 1° vez, morro de vergonha do meu corpo, já tive oportunidades mas infelizmente amarelei. Já li um post no blog falando de gordinhas, que por sinal eu adorei. Sei que você vai me esculaxar, mas me diga ai o que acha. Existe outra explicação para o fato de eu nunca ter namorado? Às vezes me bate uma solidão enorme e perco todas as esperanças de que um dia vou ter alguém do meu lado! Desde já, muito obrigada!"
Peraí. Você "teve oportunidades", então alguns caras ficaram ou estão a fim de você. A "vergonha" é algo seu, apenas seu, não é? Trate disso, moça. Não é justo que você sofra provavelmente sem motivo.
Se o excesso de peso é um problema REAL, há meios de perdê-lo. Mas se for uma encanação sua, a única saída é trabalhar psicologicamente esse negócio. No mais, você tem APENAS 18 ANOS, definitivamente não é um absurdo você nunca ter namorado.
* * * * * * * * * *
"Sou casada tenho dois filhos porém não me sinto totalmente feliz em meu casamento. Outro dia comecei a sair com um cara que tbm é casado e igual a mim não pretende se separar, mais sinto que estou começando a me apaixonar, penso no cara o tempo todo e espero ansiosa por sua ligações. Em relação as coisas cotidiana que acontece com nossas vidas se comentamos um com o outro ele sempre diz algo do tipo ESSES NOSSOS CASAMENTOS HEN, e isso mexe ainda mais comigo. O fd mesmo é que já tentei não atender as ligações porem já estou na fase do "não consigo". Será que já é amor? E como saber o que ele sente por mim? Rsss"
Quem sabe se é ou não amor é você, não eu. Você está vivendo uma relação, eu recebo um email. Só faltava, mesmo, eu dar uma resposta. Mas é isso que você quer, ok, vamos lá: não é amor, é carência afetiva, já que seu marido não dá muita bola, então apareceu um bocoió e você recebe um pouco de atenção. Pronto.
No mais, não seja tão panaca, né? Qual era o trato? Sair, trepar e pronto. Você anda tão carente que já mistura as bolas e agora quer uma vida a dois com O OUTRO! E ele, claro, só pensa em enfurnar o robalo, pois era esse o combinado. Não vale culpá-lo depois.
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"Aí vai minha pergunta: tenho 20 anos e ano passado conheci um rapaz super legal na faculdade. Ele tem 21, é inteligente, conversamos bastante... enfim. Eu dou o maior mole pra ele desde então mas o garoto parece ser tímido demais pra me tomar qualquer iniciativa. Ou então, não gosta de mim o suficiente. O que piora tudo é o fato do cara, nessa idade, NUNCA ter ao menos beijado uma garota. Responda-me, o que levaria alguém a se "guardar" por tanto tempo? Tá na cara que é roubada? Parto pra outra?"
Eu diria que ele não gosta de você, mas li o resto de sua dúvida e percebi que ele é tímido ou muito bocó. Vamos para a timidez, que é a opção menos drástica. 21 anos e NUNCA BEIJOU? Hm. Torçamos para que pelo menos ele monte na lambreta...
Quanto ao mais, seja sutil para não espantá-lo e continue investindo. Se realmente não der certo, talvez haja uma soma de fatores: timidez/acanhamento + o fato de não ir muito com a sua cara. Sei, é triste, mas acontece. Abraços a todos.
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"Bem, aí vai a minha dúvida: bissexualismo é a capacidade de sentir tesão (apenas) por pessoas de ambos os sexos ou é a capacidade de amar pessoas de ambos os sexos?"
Como assim "APENAS" por pessoas de ambos os sexos? Há algum outro sexo além dos "ambos", de homem e mulher? Hétero tem tesão no sexo oposto; homo, no mesmo sexo; bi, em ambos. Não entendi o "apenas" de sua frase, já que NÃO EXISTE QUALQUER OUTRO SEXO NA HUMANIDADE ALÉM DE HOMENS E MULHERES (dispenso piadas sobre hermafroditas).
Quanto a amar, a questã é outra, já que falamos de SEXO, não é mesmo? Sexualidade = sexo = tesão. Amor é outro departamento.
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"Oi Gravata minhas perguntas são as seguintes: É possível um homem passar a amar uma mulher pela qual ele sente muito tesão? A possibilidade é boa ou remota? e diante de algum sentimento ele realmente pode se assustar e fugir? ou isso é coisa que inventaram para consolar a gente mesmo? beijos e tudo de bom pra você."
Esse negócio de "homem tem medo da relação" é mentira. Se o homem gosta, realmente gosta, é CLARO que ele se relaciona. A historinha do medo é papo-mole para diminuir o sofrimento da mulher rejeitada. Tem que ser muito mocoronga para cair nessa conversa.
É possível amar uma mulher por quem sentimos tesão? ÓBVIO. Difícil é amar quando não há tesão (e, sim, acontece...). Que negócio é esse de "assustar e fugir" porque... SENTE TESÃO? Meu Deus! Mulher que acredita nisso precisa MESMO de uma boa desculpa para não ficar deprimida, hein?
Beijos, e tudo de bom para você, também.
* * * * * * * * * *
"namorei um cara 7 anos, ia casar e ele me deu um pé na bunda. um mês depois já estava com outra (com quem ele me traiu durante o namoro). sofri, superei, estou numa boa e agora, quase um ano depois, ele me manda um e-mail querendo ser meu amigo. fala que quer trocar e-mails, ligar, saber como anda minha vida e fazer contatos sem ter medo que eu faça uma "DR". bom, eu estava quieta no meu canto e não acredito em amizade com ex-namorado. o que esse cara quer? limpar a barra dele apenas?"
Vejamos. Vocês estavam quase casando e ele deu uma bicuda em sua nádega. UM MÊS DEPOIS, JÁ ESTAVA COM OUTRA GAROTA. Detalhe: ele saía com ela enquanto vocês estavam juntos. Agora, ele volta (está namorando com a dita-cuja?), faz o CONTATINHO. Você quer saber o que ele quer? Hum...
Vamos eliminar opções como "buscar oportunidades no mercado imobiliário", "investir na agricultura" e "promover a paz entre os povos da Europa Central". Restam-no algumas outras, como: lambuzar o torresmo, guardar o vasilhame, divertir a jararaca, enfim...
- ELE QUER APENAS TE COMER, MINHA FILHA!
Não deixe de pensar nessa opção como a mais provável, diante de todo o histórico da relação. É isso: vamoquevamo.
* * * * * * * * * *
Se quiser enviar a sua, mande para gravataresponde@gmail.com - obviamente, sua identidade será preservada, nenhum nome será mencionado e você jamais será cantada, convidada para sair ou algo do tipo. E nem adianta insistir. Humpf! :)
(sem revisão)
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transubstanciado por gravata às 20.05.10 | 11 comentários
19/05/2010
RITUAL MANJADO: TRAIR, PEDIR PERDÃO, TRAIR NOVAMENTE...
Em primeiro lugar, sejamos aqui todos honestos (homens e mulheres), o truque acontece e é repetido o tempo todo simplesmente porque dá certo. Mas, independentemente disso, é muito ridículo. E acho sofrível por duas razões: a desculpa é quase sempre mentirosa e trata-se de um ritual de humilhação para ambos. Mas vamos aos fatos.
O camarada trai, sai com outra ou outras, é pego com a boca na botija, seja num flagrante ou cagüetagem, e aí começa a papagaiada... PROMETE QUE ISSO JAMAIS ACONTECERÁ. É mentira. Ele sabe que é cascata, ela sabe que é lorota. Mas ambos fingem que acreditam, tudo fica como dantes na relação de Abrantes. E o que significa esse "dantes"? Simples: traições voltarão a ocorrer, mas "escondidinhas".
Nesse ponto, as mulheres são diferentes - talvez mais evoluídas, não sei, mas são diferentes. Quase sempre traem com algum componente romântico, algum envolvimento, não apenas na base da busca sexual. E isso é muito mais desesperador, pois a essa altura a vaca da relação já está no brejo há tempos. E se houver condições por parte do "outro", nem existe hipótese do joguinho "pedir desculpas / voltar tudo ao normal / trair de novo". Ela vai de uma vez e o traído já era.
O homem, não. Ele "gosta da titular", mas é um sentimento relativamente complexo e controverso, pois às vezes isso não abarca de forma muito ampla os sentimentos da garota, enquanto sai com as outras. Mas, enfim, acredita piamente que "gosta da titular". E, de fato, volta para ela supondo-se apaixonado, presenteando-a, e verdadeiramente arrependido a cada aventurinha encerrada - o que não impede, é verdade, o início de outras tantas depois de algum tempo.
Claro que generalizar é um erro, e há casos de quem se arrependeu e mudou definitivamente o comportamento. E há casos de mulheres que traem sem qualquer vínculo sentimental, apenas pelo prazer do momento, sem nunca mais querer saber do sacripanta. Falo aqui - vocês entendem - das situações mais comuns. E praticamente todos já viram algo assim, ou talvez viveram circunstâncias similares. Não é?
Cabe questionar, portanto, a razão pela qual passamos por isso. Por que motivo continuamos nessa lengalenga? Por que os homens propensos a trair não terminam de uma vez e vivem como solteiros? Por que as mulheres conscientes dessa situação não fazem o mesmo? E mais: por que homens e mulheres se acomodam em relações infelizes, mesmo quando ainda são muito jovens?
Talvez sejam instintos primitivos (ui), talvez sejam necessidades sociais, talvez pura e simples imbecilidade. Tudo isso é medo de ficar sozinho na velhice?
De fato, não é "machismo de conveniência" quando o camarada diz para sua garota que saiu com outra sem deixar de amá-la. Isso realmente acontece, e mesmo quando bizarramente faz isso algumas vezes. O problema, claro, é quando o mesmo malandrão não aceita a desculpa do lado oposto - aí, sim, temos o um machismo muito conveniente.
Muitas garotas, às vezes, acabam se expondo a situações vergonhosas, como quando montam verdadeiros clubinhos de ódio contra determinados rapazes. Juntam-se a outras também "vítimas" do sujeito e destilam todo seu ódio contra o mulherengo em questão. Na verdade - como a história não se cansa de provar -, na primeira oportunidade qualquer uma passa namorá-lo. E o "clubinho" que se dane!
Depois - é óbvio -, o cara faz as mesmas merdas e, de duas uma: ou a garota volta a odiar e repete o mesmo rosário de ofensas, talvez no mesmo "grupo de apoio à vítima do cafajeste", ou então enfia de vez a viola no saco e simplesmente aceita. Nos dois casos, convenhamos, não há mais vítima ou algoz. Todos já aceitaram claramente o 'contrato', que por sinal nem é exatamente tácito.
"Ah, os homens são assim". Muitos e muitas dizem isso. E pode ser verdade, apesar da generalização. Mas e as mulheres, em que pese outra generalização, também não "são assim"? Assume-se que as pessoas "são como elas são", mas apesar disso a grande maioria não ousa propor um relacionamento em que as coisas sejam mais claras, obedecendo-se aquilo que todo esse povo considera "natural".
Fico em dúvida se esse "medo de passar a velhice na solidão" é um temor legítimo ou somente hipocrisia ou burrice. No fim das contas, se todo mundo fosse honesto, além de passar uma vida menos infeliz e hipócrita, já imaginaram como os asilos seriam animadíssimos?
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transubstanciado por gravata às 19.05.10 | 6 comentários
17/05/2010
DAVID BYRNE & FATBOY SLIM: HERE LIES LOVE

Apesar de amar música - além de cantar, compor e (porcamente) tocar -, sou péssimo no acompanhamento das novidades fonográficas. Ainda assim, vez por outra consigo abrir exceções e essa é uma delas. Trata-se de "Here Lies Love", projeto de David Byrne e Fatboy Slim, com participações absurdamente especiais (Tori Amos, Cindy Cyndi Lauper, Kate Pierson...).
Parece cafona chamar um disco de "projeto", mas é difícil qualificar de forma diferente as vinte e duas faixas de "HLL". Cada canção é uma coisa totalmente diferente da outra, em estilo e graça. Ouçam minha favorita, "A Perfect Hand", com Steve Earle:
Gostei de mais algumas, desgostei de outras tantas, mas "HLL" é inequivocamente música, boa música. E é um lançamento interessante, sobretudo nestes tempos em que velharias recicladas surgem modernidades sonoras. No fim das contas, são alguns velhinhos os grandes mestres da criação. "Novidade" é isso: criar.
E música é música, não tem muito o que inventar moda.
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transubstanciado por gravata às 17.05.10 | 4 comentários
17/05/2010
VOCÊS VENCERAM! EU ACREDITO NA BÍBLIA!
Muitas vezes manifestei descrença diante do LIVRO SAGRADO e fui agredido por leitores fiéis. Eles tinham razão. Por mais que eu estudasse as escrituras, faltava-me a luz da compreensão. Fui iluminado! E nem preciso transcrever todos os Testamentos.
Basta apenas o Gênesis, o início do Livro Sagrado. Comentarei alguns trechos para vocês, espero que também percebam a luz que me invadiu:
"1 ¶ No princípio criou Deus os céus e a terra. / 2 E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. / 3 ¶ E disse Deus: Haja luz; e houve luz. / 4 E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. / 5 E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. / 6 ¶ E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. / 7 E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. / 8 E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo. / 9 ¶ E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. / 10 E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom. / 11 E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi. / 12 E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. / 13 E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro. / 14 ¶ E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. / 15 E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. / 16 E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. / 17 E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra, / 18 E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom. / 19 E foi a tarde e a manhã, o dia quarto."
Deus, em sua infinita sabedoria, primeiro fez o planeta Terra e, só depois, no quarto dia, é que fez o Sol. Ah, sim, e também a Lua. Como Ele ainda não tinha inventado a professora de ciências da quarta série, evidentemente não sabia que a Lua seria apenas um satélite da Terra, então a considerou um "luminar".
Outro detalhe que devemos deixar de lado é o fato de que, no primeiro dia, o Altíssimo criou Dia e Noite, ao criar a Luz. Mas só no quarto dia é que criou o Sol e a Lua. Evidentemente, não devemos especular sobre como foram esses três primeiros dias, pois não é assunto de nossa alçada.
Gramíneas, vegetais de todo gênero e até árvores frutíferas também foram criadas ANTES do Sol, de modo que já é de se pensar numa certa rusga de Deus em relação ao astro-rei - mas, novamente, não havia ainda criado a professora de biologia, que ensinaria sobre a fotossíntese, para a qual a luz solar é fundamental. Mas sigamos.
"20 ¶ E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. / 21 E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. / 22 E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra. / 23 E foi a tarde e a manhã, o dia quinto. / 24 ¶ E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi. / 25 E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom."
Répteis nas águas (de alma vivente?) e aves nos céus. Ok, não é de bom alvitre contrariar o Criador. Mas peixes não são répteis, e baleia não é peixe. De fato, fez falta a tal professora de biologia - tanto que, mais adiante, o mesmíssimo Velho Testamento diz que morcego é ave (na parte em que trata de culinária, versando sobre o que podemos ou não comer; graças a Deus - literalmente - somos proibidos de traçar morcegos!).
Quanto à alma vivente dos répteis aquáticos (só eles as têm, notem...), sendo ou não os peixes, cabe refletir se vão ou não ao céu e, mais ainda, se cabe juízo de suas boas-ações. Os tubarões, por exemplo, sobem ou descem?
"26 ¶ E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. / 27 E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. / 28 E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. / 29 ¶ E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. 30 E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi. 31 ¶ E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto."
Prestem atenção. Deus fez homem e mulher, certo? Deus OS abençoou. E "foi a tarde e a manhã, o dia sexto". Vamos agora ao segundo capítulo do Gênesis, já DEPOIS DO DIA SÉTIMO. Vejam o que acontece:
"18 ¶ E disse o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. 19 Havendo, pois, o SENHOR Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome. 20 E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea. 21 ¶ Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; 22 E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. 23 E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. 24 Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. 25 E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam."
Sim, Adão estava sozinho e a primeira providência foi trazer animais de estimação. Só depois é que pensaram numa mulher. Mas... JÁ HAVIA ANIMAIS E ATÉ MESMO UMA MULHER! Ok, já sei, não se deve discutir com o Criador e, bom, estou ILUMINADO, como disse.
Foi aí que arrancaram a costela para fazer... Bom, não dá para negar a essa altura do campeonato, né? Para fazer OUTRA mulher. Clonagem humana! Enquanto a ciência fica cheia de mimimi, Deus já manjava do negócio desde a Criação - embora chamasse Baleia de "réptil do mar" e fizesse o Sol depois da Terra, além de criar dias e noites sem o próprio Sol, mas isso é bobagem quando se é o CASCA-GROSSA, ok?
Por isso, como humilde cordeiro do Senhor, pergunto a todos vocês: dá para NÃO acreditar num livro desses?
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transubstanciado por gravata às 17.05.10 | 27 comentários
13/05/2010
GRAVATA RESPONDE - MAIS PERGUNTAS, MAIS RESPOSTAS

Mantenho os clássicos dois pedidos: a) ENVIEM PERGUNTAS RESUMIDAS! e b) NÃO FAÇAM PERGUNTAS NOS COMENTÁRIOS, MANDEM PARA O EMAIL gravataresponde@gmail.com - certo? Vamos lá:
"Olá! Envio pela segunda vez essa pergunta! acho qui não foi respondida rs. Gostaria apenas de comentários sobre mulheres com estrias...homens reparam muito nisso na hora H...ou pra comer não faz diferença rs? Obrigada!"
Às vezes não dá para responder todas, desculpa. Mas vamos lá: ESTRIAS, CELULITES, GORDURINHAS etc. Resumida e sinteticamente: homem heterossexual não repara nisso, a menos que seja uma situação de excesso absurdo. Quem repara demais e acaba vetando, acredite, não gosta de mulher. É muito simples.
Se em vez de celulites você tem infinitas crateras lunares espalhadas pelo corpo, é claro que não dá para fingir desconhecimento. Mas um pouquinho aqui e ali? Foda-se. Toda mulher tem! E homem que liga pra isso, repito, NÃO GOSTA DE MULHER. O mesmo vale para um pouco de estrias, tal e coisa.
E nem falo aqui da "hora de comer", como se fosse um ato de heroísmo ou uma missão de guerra. Essas garotas extremamente preocupadas com o corpo, zelando para ter sempre um físico espartano, não inspiram qualquer tipo de erotismo, ao menos na minha opinião (falei disso aqui).
Uma coisa é gostar de sexo e dos prazeres, outra coisa - muito diferente - é "cultuar/venerar o corpo". É preciso fazer essa distinção.
* * * * * * * * * *
"Estou namorando um cara há 10 anos e o nosso namoro posso dizer que é "quase perfeito" só que ele é 20 anos mais velho que eu (tenho 28) e não quero mais ficar com ele, só que tenho medo de não me adaptar mais aos caras da minha idade.O que eu faço?"
Vamos aos fatos. Você alega estar numa relação "quase perfeita" e, ao mesmo tempo, parece que ela está relativamente longe do que qualquer pessoa razoável chamaria de 'perfeição'. Além disso, pretende viver em eterno conformismo pelo fato de já ter a avantajada idade de... VINTE E OITO ANOS?
O certo seria mandá-la plantar batatas, diante de tamanha falta de amor próprio ou senso de ridículo, mas o melhor é dar um sacode: ACORDA, SACRIPANTA! Você é nova, talvez seja bonita (provavelmente não é, mas não custa ser otimista...) e tem toda a vida pela frente. Sai dessa merda de relação e pronto. Vai logo.
* * * * * * * * * *
"Estou com um dilema em minha vida,o meu marido se descontrola com facilidade e quando isso acontece ele quebra os moveis em casa. A 1º vez foi a porta do guarda-roupa e um tapa no meu rosto, me separei e fui morar com minha mae, ele ficou uma semana atras de mim no serv. Pedindo para voltar que não ia acontecer mais, acabei voltando depois de uma semana, depois de um ano teve o descontrole de novo e puxou o meu cabelo e quebrou a porta do banheiro. Detalhe na frente do nosso filho de dois anos, estou na minha mãe novamente, e agora ele vem no meu serv. Todo dia pedindo para voltar que ele promete que vai muda que deus tocou no coração dele e bla..bla..bla.. Minha pergunta e gravata gostaria muito da sua opinião em relaçao a minha historia."
Seja menos imbecil e não mande email para um blog. Procure a DELEGACIA DA MULHER. Não tinha pensado nisso ainda? Sério, o que EU posso fazer por você? Dar conselho? Fazer piada? Soltar algum chiste jocoso sobre sua cabeça batendo no Dormitório Bergamo comprado em 40 prestações?
Procure a polícia. Grato.
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"To louca pra transar com um cara com quem converso no MSN há algum tempo. Pela sua experiência, isso tem chance de ser legal? É que, apesar dos 32 anos, NUNCA fiz isso. Era pra ser hoje, inclusive. Porém um contratempo profissional me impediu. Minha intuição me diz que vai ser bom demais. O que me diz?"
Contratempo profissional? Sei. Tô achando que você amarelou, isso sim. Não que estivesse esperando minha resposta, pois obviamente qualquer um sabe que sou a favor da bagunça generalizada, então é óbvio que falarei para você dar guarida para o colibri do rapazola. Mas você quer, mesmo? Esse "contratempo profissional" tem cheiro de hesitação.
Se quer, de verdade, manda brasa. E nem precisa ficar nessa lengalenga de intuição. Sexo é desejo, vontade, tesão. Não precisa usar eufemismos. Mas, claro, se a amizade é restrita ao MSN, já vá sabendo que ele é feio, ridículo e provavelmente ruim de cama. Mas tá valendo, né?
* * * * * * * * * *
"Dá pra salvar um casamento que o marido manda a esposa procurar outro e eu acabo de fazer o mesmo com ele: mandei procurar outra... Só uma opinião. Ainda mais pq sei q já foi casado... Beijo."
Estamos falando de 'relação aberta' ou de uma variante do "vai procurar sua turma"? Na primeira hipótese, já vi dar certo, sim. Na segunda, ambos procurando e encontrando respectivas turmas, confesso que seria uma novidade. A parte boa - sendo a segunda opção - é que depois os ânimos esfriam e tudo fica bem.
Mas, voltando à relação aberta, muita gente tem esse tipo de curiosidade e acaba nem fazendo nada, porque na hora H um dos dois - ou ambos - fica(m) com ciúme e não rola nada. Confesso que não entendi corretamente a pergunta, então foi como pude responder.
* * * * * * * * * *
"Adoro seu blog e vou tentar resumir a questão :) Reencontrei um ex rolo do tempo da faculdade... Nunca fomos namorados, hj ele é casado... Enfim, nos damos bem na cama mas o cara reclama de tudo (tipo baixo astral pq estava na reunião e não almoçou - odeio isto!!!) No nosso último encontro ele deu uma rapidinha pq a matriz ligou e ele teve q sair correndo... Eu falei umas poucas e boas (ficar na mão fez eu me sentir usada). Ele teve receio de me procurar e disse q ele não é o tipo de cara q tem p/me oferecer o q eu realmente mereço... Kcete! Quem disse q eu quero casar ? Ainda mais c/alguém q trai - hehehehehe Disse c/todas as letras p/ele não pegar esta bagagem p/ele (minha carências e neuras) mas tá difícil dele entender q só quero transar, não tenho o menor interesse na família dele, não ligo p/ele pq não quero e não tenho vontade... Enfim, sou o homem da relação?"
Sempre que alguém "TENTA RESUMIR A QUESTÃO" é como quando um sujeito começa um assunto dizendo "não é que eu tenha preconceito, mas..." - e em seguida solta o maior dos preconceitos do planeta. No caso do GRAVATA RESPONDE, as tentativas de resumo resultam em perguntas imensas. Jesus! Mas vamos lá...
Você é uma amante imbecil. E idiota. E paspalha. Sejamos honestos: você é muito bocó. Veja bem... Seu papel é fornicar, bagunçar o coreto, aproveitar a parte boa, mas está ouvindo resmungos, broncas, segurando buchas e pelo visto o sexo nem é lá essas coisas. Qual a vantagem? Ridículo!
Ainda passa esse carão de chamar a mulher do cabra de "matriz"! Você é o quê? Filial? Sucursal? Postinho de troca? Que vergonha, moça! Pára com isso, tenha um pouco de carinho por si própria! E o cara ainda foi gente boa ao dizer que "não é o tipo de cara que tem para oferecer o que você realmente merece".
Quer saber? Acho que ele é, sim.
Porque você, ao contrário do que diz, não quer apenas transar. Se quisesse, não ficaria APENAS COM ELE, teria vários, muitos, sairia por aí etc. Mas insiste NUM ÚNICO HOMEM, com quem tem um certo passado e que está casado. Ele tenta sair dessa enrascada, despacha tudo que é problema, mas você insiste.
Você não quer sexo. Você quer esse cara. Mesmo nessas circunstâncias, mesmo aceitando ser "a filial" - e denominando-se assim. É muito vexame pra uma pessoa só. Sério. E ainda tenta dizer que é "o homem da relação". Cadê a hombridade nisso?
* * * * * * * * * *
"Voltei recentemente com o namorado, e começamos a brincar sobre menage. Acabou que eu topei, o q de fato ainda não realizamos por falta de oportunidade, ou seja, a menina para ficar comigo. Combinamos dele nem tocá-la, ficar como expectador, podendo só me tocar. Mas agora ele quer mais, do tipo que duas façam sexo oral nele. Pergunto, ele só quer farra? Quer realmente pegar duas de uma vez? Ele não tá nem aí para o q eu venha a sentir? Obrigada e bjo"
Não, você não topou. Ele não pode tocá-la, então você não topou. Você aceitou que ele participasse de uma espécie de ENCENAÇÃO, mas não de um ménage, não é mesmo? (e serei bonzinho com o "expectador"...)
Quanto a estar preocupado com o que você "venha a sentir", a questão é outra. A proposta era de um ménage feminino, e isso não implica em menor prazer para você! Até porque, pelo relato, ambos transariam com a garota. Cabe indagar: POR QUE VOCÊ SERIA PREJUDICADA (já que topou)?
Sua preocupação, portanto, é com o fato dele cair matando em cima da outra e, nesse sentido, ficar com ciuminho. É simples, óbvio, lógico e normal. Assuma isso e não inventa esse tipo de bobagem do tipo "ele não está preocupado com meu prazer", porque você poderá ser o "centro das atenções" em alguns momentos dessa bagunça - mas não em todos (e é isso que incomoda).
* * * * * * * * * *
"Eu to namorando um cara, detalhe: ele tem 1,87 de altura...gosto dele, mas comecei a me relacionar com um menino da faculdade mais novo do que eu, e eu to me sentindo atraida por ele. Detalhe: Ele tem 21 anos e tem 1,60, eu 25 anos e 1,67 e meu namorado (oficial) tem 27 anos. Minha pergunta: Tamanho é documento? E quando eu for calçar um sapato de salto alto? Sou desajeitada com baixinhos!!! Me ajuda!!Estou com o couro negociado!!!!"
Você decide se "é documento", caramba! Só faltava essa, agora. Eu, pelo blog, respondo "sim" ou "não" para o fato de você ficar com OUTRO cara de acordo com a altura do caboclo. E o mais foda é que você JÁ NAMORA.
Por que não mandam perguntas do tipo "ei, devo ou não depositar um milhão na sua conta?". Seria moleza responder. E que porra é essa de estar com "o couro negociado"?
* * * * * * * * * *
"Namoro com um cara muito legal que conheço há anos, mas estamos em momentos de vida muito diferentes: eu sou recem separada, ele mora com os pais. Minha vida profissional está ótima, a dele nem perto disso. Além disso, ganho bem mais do que ele. Até agora, está tudo bem, mas às vezes tenho medo que isso possa ser um problema, O que você acha? Beijos"
Momento de vida ou condição financeira? Pelo visto você tem grana e ele é o maior durango... "Momento de vida" é um eufemismo bonito para "eu pago as contas e ele fica com cara de cu".
Pois é, isso é um problema. Muitas relações acabam se enveredando para o caminho do nosso velho conhecido VINAGRE quando acontece esse tipo de coisa. Não deixa de ser um reflexo do machismo da sociedade, mas não estou aqui para enganar ninguém. Acontece, mesmo. O cara fica inseguro, começa a imaginá-la sendo cantada por algum colega com grana, rola briga etc.
Sua pergunta foi um "o que eu acho", e eu acho isso. Claro que pode dar certo, mas vocês precisam estar preparados para essas tretas. Caso isso o incomode, é preciso que ele faça alguma coisa para reverter o quadro. Não adianta se irritar com a situação, mas ao mesmo tempo ficar na mesma.
* * * * * * * * * *
"Tenho um ex de quem ainda gosto e que continua me rodeando. Se me aproximo ele foge, se converso com amigos, fica olhando com cara feia, parece ter ciúmes. Nunca fizemos sexo. Ele é louco ou os homens são assim mesmo?"
Vejamos: você chega e ele "foge". Ele faz "cara feia" (na sua opinião) e "parece" ter ciúme. Sexo? NUNCA FIZERAM. Você diz que ainda gosta dele. Quanto a ele gostar de você, bom, não há nada de concreto, são apenas suposições, impressões. Mais parecem desejos seus.
Meu palpite: ele não quer nada. Nem te comer. Acorda pra cuspir e siga adiante. Sério.
* * * * * * * * * *
"ola! gostaria de saber a sua opinião, tenho um amigo que namora a 4 anos e as vezes saimos juntos..... Enfim, nada serio apenas uma amizade colorida sem nenhum compromisso, e a um tempo atraz ele me pediu em namoro, cogitou a possibilidade de ficar com as duas.... ou largar de atual e ficar comigo.... sinceramente não entendi o pq.... o que você acha q ele pode estar querendo com isso?"
Pode ser que ele tenha desenvolvido sentimentos e isso talvez seja o início de algo mais sério. Mas também pode ser que ele queira mesmo é ensanduichar o bastonete, engatar o pincel atômico, lambuzar a alavanca, enfim...
- ELE QUER APENAS TE COMER, MINHA FILHA!
É sempre saudável considerar essa hipótese, amiguinha. Sempre. E, como diz o profeta: vamoquevamo.
* * * * * * * * * *
Se quiser enviar a sua, mande para gravataresponde@gmail.com - obviamente, sua identidade será preservada, nenhum nome será mencionado e você jamais será cantada, convidada para sair ou algo do tipo. E nem adianta insistir. Humpf! :)
(sem revisão)
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transubstanciado por gravata às 13.05.10 | 16 comentários
11/05/2010
SIMULAÇÃO DA VIDA: GEEKS, BICHOS-GRILOS ETC.
A Internet é uma grande vilã quanto à realidade da vida, quase seu avesso, a ponto das coisas internéticas serem chamadas de "virtuais", palavra cujo valor semântico corresponde a algo hipotético, inexistente, ou existente apenas em potência.
E os maiores inimigos dos avanços tecnológicos, e também dos interneteiros, são os defensores da vida natureba, vez que apregoam um modo de vida baseado na realidade, aproveitando ao máximo cada momento. No todo, o quadro parece interessante, mas já pararam para os detalhes? Pois é, o diabo mora aí.
Tudo é simulado. Tudo é "virtual", no sentido clássico. Nada existe, ou mesmo existe apenas em potência, em possibilidade, em uma sucessão de "quases". Explico.
Comecemos pela alimentação, e nem falo aqui de opções como vegetarianismo, comida macrobiótica ou coisa do tipo. Respeito, ok. Trato mesmo daqueles itens desprovidos de alguns ingredientes básicos, tais como leite desnatado, café descafeinado, cerveja sem álcool etc.
Há também refeições modificadas ou mesmo pratos substituindo outros. A "feijoada light" entra no lugar da antiga, sem alguns pertences clássicos porque atrapalham a longevidade. O missô, por exemplo, substitui a canja, também gorda, e garante uma vida mais saudável - pois é, era mentira aquilo de que "não faz mal a ninguém".
No sexo, a turma da realidade também vive uma vida estranha. Muitos inimigos da tecnologia são adeptos do chamado "sexo tântrico", que consiste basicamente em não trepar - e nem venham usar subterfúgios retóricos. Aperta aqui, ali, flexiona acolá, dobra, redobra, procuro, mas não vejo etc. NÃO EJACULA e vamo que vamo. Ou não vamo, porque é isso aí. Horas e horas de interminável cafuné. É como eles "fodem".
Curiosamente, o distanciamento tecnológico traz uma maior proximidade religiosa, e isso é mais um ponto negativo para rapaziada da Nova Era. Todo esse apego a misticismo e esoterismo, convenhamos, é uma inequívoca dissociação do mundo real. Uma negação, uma fuga, uma necessidade de buscar alívio em refúgios inexistentes - exatamente aquilo de que acusam os que fogem para a Internê.
Algo parecido acontece na ocorrência do uso das drogas, não importa se os ripongas dizem ser "naturais", pois também são meios de fuga da realidade, também são meios de largar a "vida como ela é" - e seus dissabores reais -, para mergulhar num mundo de fantasia que é exatamente uma simulação. Seja por cânhamo, ayuasca, peyote etc.
Mas, é claro, falo aqui de um extremo, o outro lado da moeda, o oposto de quem está no mundo da internerd. E, por ser o extremo oposto, esse riponga meio doidão que acredita viver no mais real dos mundos e na verdade experimenta e vive simulações não difere tanto assim do interneteiro mais radical. E não adianta negar.
Guardemos proporções aqui e ali, e teremos muitas similaridades entre ambos quanto ao distanciamento do mundo real. E nem adianta partir para bobagens sub-filosóficas do tipo "o que é mundo real?", pois isso é exatamente passar o maior recibo de maluco. É o mesmo que conviver exclusivamente entre geeks para fingir possuir vida social (se é assim, mais honesto assumir a própria reclusão).
A questão principal é saber se determinada forma de levar a vida é "certa" ou "errada". É difícil saber. Há quem passe noites e noites na frente da TV, em silêncio e durante décadas. Os ripongas foram contra isso, há anos, e resolveram passar noites e noites também sem fazer nada, contemplando o céu esperando a Era de Aquário - vez por outra chapados de qualquer coisa.
E, mais recentemente, surgimos nós, os viciados em web, que ficamos online sem fazer muita coisa útil, embora sempre usemos desculpas ótimas para essas horas e horas de ócio internético (eu, por exemplo, trabalho - e não é mentira [e não trampo com blog, já que preciso pagar contas de verdade e não exatamente de valor baixo] -, mas durante muito tempo não foi fácil arrumar explicações para o vício).
Talvez o melhor seja culpar a humanidade. Sério! Ninguém faz nada de útil. Cada tribo se refugia em seus hábitos e vícios, todos se fecham entre iguais e fim de papo. É sempre assim, e sempre foi desse jeito, podem reparar. E os de fora apontam pros grupos distintos considerando-os equivocados em seu jeito de ser.
Bobagem, sem dúvida. Cada um faz o que quer. Mas ainda acho bem ridículo o tal café descafeinado. A feijoada light até curto, já que não vem com aquelas nojeiras de porco, só uma carne seca mais sossegada, paio... Aí é jóia.
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transubstanciado por gravata às 11.05.10 | 3 comentários
10/05/2010
SORTEIO: CAMISA OFICIAL DO FLAMENGO (DO HEXA)
Vocês são testemunhas de que eu sou o mais sincero possível em relação a este blog no que diz respeito às propagandas e publicidade (vejam, por exemplo, meu midia kit). Ainda assim, a Petrobras mandou pra cá uma caixa contendo uma CAMISA OFICIAL DO TRICOLAÇO DE AÇO, MANGA COMPRIDA, DE JOGO; uma bandeira do Brasil; e... pois é... e uma camisa do Flamengo, também oficial e de jogo (a nova, do hexa).
Claro que não vou atear fogo, nem fazer qualquer sacanagem, pois respeito os mantos sagrados, mesmo que não sejam sacrossantos para mim. Desse modo, sortearei entre leitores e leitoras (embora esteja inclinado a sortear apenas entre leitoras). Ok, vocês venceram, ou melhor, eu venci: LEITORAS.
SORTEAREI APENAS ENTRE LEITORAS.
Para participar é muito simples e são necessárias as seguintes etapas:
a) MANDE
30DEZ EMAILS PARA O ENDEREÇO fabio@morroida.com.br - CADA UM COM UM SUBJECT DIFERENTE E FAÇA UM PRINTSCREEN COMPROVANDO QUE AS MENSAGENS FORAM ENVIADAS! - NÃO PRECISA ESCREVER NADA, É SÓ PARA ENCHER A CAIXA POSTAL DO FABIÃO E ELE FICAR PUTO - (IMPORTANTE: ETAPA ELIMINATÓRIA, QUEM NÃO CUMPRE NÃO PARTICIPA E FIM DE PAPO)b) COMPROVE QUE VOCÊ É MULHER - ISSO DEVE SER FEITO POR MEIO DE FOTOS E, BOM, SEJA CRIATIVA NA HORA DE PROVAR, ESCREVENDO EM ALGUM LUGAR DO CORPO: @GRAVZ (NA BOA, É BEM SIMPLES, SEM CHIADEIRA)
c) MANDE APENAS UM EMAIL, COM O SUBJECT "PROMOÇÃO CAMISA", E A TAL FOTO PARA gravata@gmail.com - ELE DEVE CONTER SEU NOME E ENDEREÇO. A FOTO DA VENCEDORA SERÁ PUBLICADA NO BLOG, ENTÃO, POR FAVOR, TAMBÉM ESCREVA ASSIM: "AUTORIZO A PUBLICAÇÃO DESTA FOTO NO BLOG DO GRAVATAÍ MERENGUE". MAS MANDE APENAS UM EMAIL, OK?
IMPORTANTÍSSIMO: Claro que, NA HORA DE POSTAR NO SITE, NÃO PRECISO EXIBIR SEU ROSTO! Sua privacidade pode muito bem ser preservada, basta pedir. O mesmo vale para seu nome, se for o caso, na base do "ei, gravata, não publica aí meu nome inteiro, põe algum apelido, porque se não o pessoal do trampo vai chiar". TENHO CERTEZA que os leitores entenderão. Apenas avisarei a cidade para não parecer que é fake, blz? Então é isso. DEMAIS DÚVIDAS tiro pelos comentários.
Enfim, quem seguir à risca de "a" a "c", e vencer o sorteio, ganha a camisa da direita (pois a da esquerda já é minha):

TUDO OK? SÓ MULHERES, É PRECISO ENCHER A CAIXA POSTAL DO MORRÓIDA, PROVAR QUE É MULHER E MANDAR UMA FOTO COM @GRAVZ ESCRITO NO CORPO. MOLEZA, CARAMBA! E aí faço o sorteio usando alguma dessas bagaças online, depois envio para a casa da sortuda.
Ah, sim! Se você for casada, noiva, namorada etc., POR FAVOR, não mande foto comprometedora porque não quero encheção de saco. E isso NÃO É UMA PROMOÇÃO DA PETROBRAS NEM DE TIME ALGUM. Sou eu que tô fazendo graça porque gosto de fazer graça.
A Promoção da Petrobras
O que a Petrobras está fazendo, a título de esclarecimento, é essa campanha. E tem também o vídeo abaixo, bem bacana, trazendo de volta o legendário ARAKEN (eu lembro porque já jogava bola na copa de 86, mas não espalha).
Evamoquevamo!
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transubstanciado por gravata às 10.05.10 | 11 comentários
05/05/2010
PIADAS POLITICAMENTE CORRETAS
Para muita gente, hoje o mundo está "chato", pois não se pode fazer mais piadas de negros e gays, entre tantos outros tipos clássicos do anedotário d'antanho. Verdade. A depender do enredo do chiste, pode haver discriminação ou preconceito (não, não são a mesma coisa). Mas isso não significa que o mundo seja necessariamente um lugar mais chato.
Geralmente, quando é sobre piadas gays, a queixa é de héteros a respeito da proibição do sarro. E o mesmo vale sobre a bronca diante dos novos tempos, em que não se pode usar os negros como alvo de sátira: geralmente é um branco reclamando. Sim, claro, excepcionalmente algum integrante do "grupo-vítima" resolve apontar exageros. E, claro, HÁ exageros no patrulhamento.
Mas não custa ver as coisas por outro lado. E há muitos "outros lados". O mundo das piadas sempre foi restrito a meia dúzia de alvos, aqueles de sempre, criando alguns estereótipos curiosamente restritos ao mundo das anedotas, como "preto pinguço", "português burro" etc. Há uma série de categorias clássicas sobre as quais até se faz piadas, mas ninguém aceita quando são a elas identificadas.
Vejam o caso do corno. Há anedotas à mancheia, mas tentem fazer uma piada de corno IDENTIFICANDO-O NA RODA. Obviamente, sai briga. E há cornos a rodo nesse mundão, não é mesmo? Muitos, inclusive, querem ter o direito de fazer piada sobre "preto pinguço", mas, compreensivelmente, não toleram a idéia de virar alvo de chacota para todo um boteco caso todos saibam que a patroa sambou na vigota talvez de um negão.
O brocha (alguns escrevem "broxa"...) é outro caso sério. Ele quer a volta dos velhos tempos em que podia soltar um preconceitozinho sem ninguém olhar de lado ou receber reprimendas mais severas, mas não acha de bom-tom ver seus detalhes íntimos revelados. Mas, opa! Fazer piada de quem gosta de dar o cu e de quem não faz a piromba subir nem com reza brava, na boa, não é exatamente a mesma coisa? Não é zombar da intimidade alheia? Na verdade, no caso dos gays, não há defeito algum. O brocha, por sua vez, é um incompetente.
Num mundo REALMENTE LIBERADO PARA PIADAS, o corno seria zoado até a morte no boteco, o brocha teria sua intimidade revelada e ambos passariam pelas mais ridículas humilhações. Mas, claro, isso eles não querem - e não aceitam. Falam de "pretos pinguços" e "gays afetados" como se fosse algo impessoal, mas não é. Isso fere absurdamente todo e qualquer negro e, também, a intimidade dos gays.
Quando algum caboclo levanta muito bravamente a bandeira do humor ilimitado, dou um conselho: converse com a ex-mulher ou ex-namorada - com alguma sorte, ela estará num dia de mau humor. Veja a quantidade - óbvia - de hábitos ridículos, falhas esquisitas, manias nojentas e toda sorte de absurdos. Em seguida, caso não seja uma pessoa reclusa ou muito chata, pergunte se o dito-cujo aceita alternar "piada de preto" com revelações sobre sua intimidade mais secreta.
Tirando os excessos óbvios, muitas vezes o chamado "politicamente correto" não é bem uma patrulha que busca tolher o sagrado direito ao humor, a ser exercido por gênios censurados. É mais uma forma de assegurar mínimos direitos, como aquele à intimidade, além de alguns outros valores bem razoáveis.
Aliás, vocês já viram como "humoristas" são sempre os primeiros a perder a paciência em qualquer discussão mais séria? Imagine quando viram alvo de gozação pesada - para uma verdade bem inconveniente...
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transubstanciado por gravata às 05.05.10 | 4 comentários
05/05/2010
LOST X 24 HORAS
(sei lá se tem spoiler, leia se quiser)
Neste ano, as duas séries do título do post chegam ao fim e ambas têm milhões de fãs, mas há uma diferença inescapável: LOST parece cada vez pior, cada vez mais risível e ridícula, enquanto o seriado de Jack Bauer provavelmente experimenta seu melhor ano. Vejamos.
Os perdidinhos da ilha surgiram como uma grande e genial novidade, e a primeira temporada foi de fato maravilhosa, seduziu uma legião de fãs, num encerramento de fazer pessoas ficarem plantadas esperando os episódios do ano seguinte. Àquela altura - e até hoje - JJ Abrams foi tão exaltado por essa geração que pode soltar duas bombas nucleares sem medo de ser feliz (ou infeliz): Cloverfield e o "reboot" em Star Trek. Deve ser computado como "acerto" a série Fringe, justiça seja feita.
Mas eis que LOST volta e... Pois é, e desce a ladeira. Porque a segunda temporada sai totalmente dos eixos, mas a essa altura a série já não tinha mais telespectadores. Todos eram fãs em busca de alguma explicação para ursos polares, um suposto dinossauro, outros habitantes na ilha, entre milhares de mistérios - como a escotilha descoberta no final da primeira etapa. Ao invés de explicar, complicavam, confundiam. Surgia gente nova e tudo ficava pior e pior e pior. Em qualidade, mesmo.
Em vez de redimir, a terceira e a quarta temporada só fizeram piorar, e isso vale para a quinta, de modo que coube aos roteiristas cortar um dobrado na feitura da sexta parte dessa saga sem pé nem cabeça. A essa altura, ficção científica e religião caminhavam juntas, como se fossem irmãs siamesas. Mitologia cristã e magnetismo, idem. A coisa já estava num nível de galhofagem que a queda do avião e respectiva sobrevivência de meio mundo deixou de ser algo incomum. TANTO QUE PROVOCARAM NOVA QUEDA.
Ah, sim, também descobrimos que viajar no tempo - mas não no espaço! - pode causar certo enjoo e um pouco de sangramento nasal. Em doses muito repetidas, leva à morte. Já a explosão de uma bomba de hidrogênio, assim bem de pertinho, não provoca danos muito graves e imediatos, dá tempo para uma despedida carinhosa - e é possível, a uns dez metros de distância, escapar apenas cobrindo o rosto com as mãos.
Notem que Jack Bauer, numa hora dessas, é a personagem mais verossímil de toda a história da televisão ocidental. Isso porque ainda não mencionei o fato de que todos os passageiros do fatídico voo da Oceanic estão milagrosamente interligados num universo paralelo em que... O AVIÃO NÃO CAI! E isso inclui personagens que só entrariam na trama a partir da quarta temporada. GENIAL, MALANDRO!
Claro que muitos, agora, só veem LOST para saber como acaba essa bagaça, quase todos apostando num final bem furreca - falo em nome dos não-semoventes. Vejam, agora, o caso de 24 Horas, uma série que experimentou altos e baixos de todo gênero, com direito a ressureições e peripécias de fazer inveja a gênios do escapismo mortal, como Rambo e John McClane. Valendo ressaltar, é claro, alguns elementos tradicionais: "o chapa do bem que sempre morre", "o agente infiltrado", "o suposto infiltrado que é do bem" e "a reviravoltinha no final". Em meio a tais elementos, Jack Bauer distribui socos, pontapés e muitos, mas muitos tiros.
E é legal. Mas, é claro, foi ficando maleta, a ponto de, na sétima temporada, a coisa ter ficado uma verdadeira bosta - e foi justamente aquela para a qual roteiristas tiveram mais tempo! Chegaram, p.ex., a fazer uma pré-estreia em forma de suposto longa-metragem, com o agente Bauer na África, tal e coisa, maior papagaiada. E dali em diante foi ladeira abaixo. Expectativas reduzidíssimas para a oitava parte (e final) de uma série casca-grossa. Mas fomos surpreendidos novamente!
Há uma cena, nesta última temporada, que talvez sirva para representar a contento a surpresa positiva: a MACHADADA do Jack Ternurinha em um caboclo que vinha subindo a escada de incêndio (espero que tenham visto). Sim, tem traidor. Sim, tem reviravolta na CTU. Sim, a administração da Casa Branca fica mais instável que a comissão técnica da CBF. Talvez, por ser a última temporada, baixa o CANGACEIRO no protagonista.
Mas, ao mesmo tempo, há uma dose maior de realismo. A presidente Taylor não é um poço de nobreza como Palmer, nem uma caricatura de maldade como Logan, e essa variação determina parte do rumo da trama. Bauer também não é um soldadinho obediente, nem 100% rebelde, nem imune a sentimentos nem totalmente submisso a eles. Claro que é difícil ou mesmo impossível injetar realismo total a essa série, mas essa é provavelmente a temporada que fez isso com mais eficiência quanto à caracterização das personagens; e, também, em relação à trama política.
Lá pelas tantas, Jack Bauer fica puto da cara e resolve tocar o "foda-se", mas um SENHOR FODA-SE, como se atendesse ao pedido secreto de seus fãs, ou provavelmente por ser a última parte do seriado. Os roteiristas têm tudo para concluir "24 Horas" de forma épica, no melhor estilo "prende-e-arrebenta", pois não se trata, convenhamos, de uma atração sobre filosofia alemã ou culinária francesa.
Pode ser que esse tenha sido o erro de LOST. A audiência foi (muuuito) maior que qualquer expectativa e esticaram mais do que devia. É evidente, sob qualquer ponto de vista, a enrolação ali praticada - e houve episódios e mais episódios dedicados a pessoas que já foram pro saco. Isso é aceitável em séries não-sequenciais, mas no caso em tela é retrato inequívoco da falta de um planejamento maior - e prova cabal da busca pela audiência às custas dos fãs bocós.
Agora, na pressa de explicar as milhares de perguntas sem resposta, acabam gastando menos tempo do que aquele despendido para mostrar o passado de gente como Libby ou desventuras de idiotas como Paulo. Na hora de dizer para Jack sobre as visões de seu falecido (?) pai, Locke/Fumaça Preta gasta DOIS SEGUNDOS. Legal, né? E a suposta imortalidade de Richard, depois de uma narrativa imensa, é explicada em três segundos - mas conhecemos boa parte do inútil passado de Ana Lucia.
Mas é isso aí. Abrams é gênio. Trouxa é quem vê LOST (como eu). Sorte que também vejo 24 Horas. Aliás, Jack Bauer deveria dar um pulo naquela ilha e mostrar como é que se faz. Aí sim...
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 05.05.10 | 6 comentários
03/05/2010
"MELHOR IDADE": UMA IMBECILIDADE MENTIROSA
Antes de tudo, é preciso deixar clara a diferença entre coisas "politicamente corretas" e imbecilidades inapeláveis. Deixar de chamar uma pessoa de forma pejorativa para discutir novas modalidades, ok, é um debate válido, e apenas os exageros e eventuais patrulhas precisam de maior atenção para que não caiamos em paranoia. O grande problema é quando simplesmente uma coisa muda de nome de forma inócua ou, quase 'novilinguisticamente', para significar seu exato oposto.
É esse o caso da "Melhor Idade".
Trata-se de uma bobagem sem tamanho usar tal nome para qualificar os idosos, infalivelmente mais propensos às mais severas doenças degenerativas e, não vamos negar, muito mais próximos da morte por causas naturais. Além disso, os (muito) mais velhos não têm a mesma vitalidade para boa parte das atividades do dia a dia. Então vale perguntar: o que há de "melhor" nessa idade?
Sim, eu sei, não se deve ser pessimista e jogar a toalha, empurrando-os do barranco a partir de determinada faixa etária. E há todo um estímulo psicológico nesse tipo de termo, sem dúvida. Mas será mesmo que não há outro nome? Aliás, é mesmo PRECISO adotar um nome, uma marca publicitária, um "slogan", para mascarar a velhice?
Afinal, aqueles velhinhos com andadores nos bailes da saudade ou com fraldas geriátricas nas aulas de hidroginástica, convenhamos, recebem insulto grave quando brindados com faixas imensas com os dizeres "REUNIÃO DA MELHOR IDADE". É piada de mau gosto.
Desde quando é politicamente incorreto dizer que um velho é velho? Sério, de verdade, qual o insulto nisso? CLARO que há formas de dizer isso pejorativamente, há entonações ofensivas e assim por diante. Mas digo específica e friamente sobre o termo "velho", ou até mesmo "idoso" e demais variantes. Como quando usamos "novo", "jovem", "criança", "adolescente" etc.
Mas não pode, ninguém usa, é feio etc. Fulano não é velho, fulana não é idosa: eles estão na "melhor idade". Sei. Então pergunta se não gostariam de voltar para os terríveis vinte anos, os desprezíveis trinta ou até mesmo os deploráveis quarentinha. Pois é...
Ah, sim, preciso esclarecer. Não faço parte da turma que condena os velhos metidos a mais novos, homens ou mulheres, enfim. Acho isso muito legal, não devem cair nessa bobagem de fazer papel decorativo de "vovô" ou "vovó", a menos que QUEIRAM. Ninguém deve ocupar papéis pré-determinados pela sociedade. Cada um faz o que quer.
Meu problema é mesmo com essa porra de "melhor idade", porque não é a melhor das idades, cacete. É, sem dúvida alguma (para a própria pessoa), a pior.
Uma criança às vezes parece (ou é) mais madura por força dos novos tempos, de sua criação ou atributos próprios; o mesmo pode acontecer com um adolescente. Há adultos infantilizados ou demonstrando sinais claros de velhice precoce - psicológica ou física. E quase todos esses fenômenos são comentados negativamente.
Isso inclui os velhos quando resolvem esconder a idade. Mulheres mais velhas são detonadas pela imprensa por não assumir a própria idade, ou porque se transformaram em criaturas horrorosas e assim por diante. Há um viés politicamente correto em patrulhar as cirurgias plásticas das celebridades, e até mesmo seus comportamentos em público. Os velhos, para eles, precisam ser velhos no jeito de ser.
Mas não na linguagem. A velhice, nesse particular, recebe outro tratamento. É a "melhor idade", mas aproveitada de forma ridícula. Eles são contra os velhotes malhados com carros potentes ou as tiazonas plastificadas desfilando na praia, preferindo aqueles idosos dançando valsa nos bailes ou nadando cachorrinho com ajuda da professora.
Os criadores e defensores do termo "melhor idade" fingem que os velhos não estão na pior idade. E tapam o sol com a peneira, proibindo que aproveitem esse resto de vida da forma como os próprios idosos preferem, ou seja, da melhor forma possível: ignorando a pior idade, tentando viver como se estivessem em outra.
Revisão: Hellen Guareschi
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29/04/2010
BARBARA GANCIA E O HIP HOP
Há algum tempo, (16/03/2007), a colunista Barbara Gancia escreveu sobre o Hip-Hop, detonando o movimento e causando grande polêmica, com a discussão repercutindo na web recentemente, como sói. Não acho que ela deva ser censurada e é saudável que toda e qualquer opinião possa ser publicada. Mas também é saudável que possa ser debatida ou contestada.
Antes, trechos do que ela disse:
"CULTURA DE BACILOS - Se usamos verbas públicas para ensinar hip-hop, rap e funk, por que não incluir na lista axé ou dança da garrafa? (...) o governo está empregando o dinheiro do contribuinte para disseminar a "cultura hip-hop" entre jovens da periferia (...) que distribui doações de cerca de US$ 60 mil a grupos comunitários das periferias, a fim de desenvolver "novas formas de expressão da latente criatividade dos pobres do país" (...) distribuir dinheiro público para ensinar a jovens carentes as técnicas do grafite ou a aspirantes a rapper como operar pick-ups, pode até parecer coisa natural. Mas eu pergunto: a que ponto chegamos? Desde quando hip-hop, rap e funk são cultura? Se essas formas de expressão merecem ser divulgadas com o uso de dinheiro público, por que não incluir na lista o axé, a música sertaneja ou, quem sabe, até cursos para ensinar a dança da garrafa? O axé, ao menos, é criação nossa. Ao contrário do hip-hop, rap e funk, que nasceram nos guetos norte-americanos. Na última quarta-feira, em meu comentário diário na rádio BandNews FM, tomei a liberdade de dizer o que pensava sobre esse lixo musical que, entre outros atributos, é sexista, faz apologia à violência e dói no ouvido (...) Quer dizer que se eu afirmar que a música sertaneja é uma porcaria alienante, tudo bem. Mas se disser que usar boné de beisebol ao contrário na cabeça, calça abaixada na cintura com a cueca aparecendo e tênis de skatista é coisa de colonizado que nem mesmo sabe direito o que o termo hip-hop (um e-mail se referia à musica "rip-rop") significa, sou racista e fascista? No texto de Larry Rohter, o antropólogo Hermano Vianna afirma que Gilberto Gil olha para o hip-hop, o funk e o rap "não com preconceito, mas como se fossem oportunidades de negócios". Não entendo muito de comércio, mas será que produzir uma legião de grafiteiros e de DJs é "oportunidade de negócio"? Por anos, fiz com o mestre Silvio Luiz um programa de esportes chamado "Dois na Bola". Uma vez por semana, nós apresentávamos um grupo musical. Cansamos de receber artistas do hip-hop que hoje estão aí com música na trilha sonora da novela. E vira e mexe, depois de eles terem passado pelo programa, descobríamos, para nosso espanto, que os tais gênios musicais eram ligados ao tráfico de drogas. Alô, ministro Gil! Não seria mais produtivo ministrar nas favelas um curso de um único livro de Machado de Assis ou Guimarães Rosa, do que dar força para a molecada virar uma paródia de Snoop Doggy Dogg?"
São tantos os equívocos, mas tantos, que convém analisá-los por etapas. Vamos lá...
Verba Pública
Há casos em que, de fato, abusam de verbas públicas ou mecanismos de renúncia fiscal (quase a mesma coisa) para beneficiar setores privilegiados ou produtores efetivamente ricos. Um exemplo são aquelas famílias de cineastas ou produtoras com películas a cada seis meses na praça, sem qualquer preocupação em encher as salas ou dar lucro, e ainda por cima prejudicando todo e qualquer novo talento HÁ DÉCADAS.
Mas jovens da periferia? Será que eles realmente não precisam desse tipo de ajuda? Como é que se pode fomentar algum tipo de desenvolvimento cultural nas favelas ou bairros paupérrimos sem esse tipo de auxílio? É preciso, sem dúvida, fiscalizar eventuais desvios na hipótese de alguma ONG ser corrupta, mas não se pode ser pura e simplesmente contra o uso de verba pública para uma finalidade desse gênero.
E nem uso aqui qualquer arrogância ideológica estatizante ou esquerdista, mas é possível demonstrar resultados práticos insofismáveis: a juventude engajada na cultura - incluída a do hip-hop - é menos propensa à criminalidade, à violência etc. etc. etc. E, de mais a mais, é também lazer, diversão, prazer, alegria. Todos têm direito a isso.
Hip-Hop é Cultura
É meio chato, e também triste, entrar na discussão sobre o fato do hip-hop ser ou não "cultura", tamanha a obviedade do caso. Sim, é cultura. E não se fala aqui do significado mais popularesco, como quando dizem que fulano é "culto", mas sim na raiz alemã, "kultur", que significa basicamente a "produção de um povo" - contrapondo-se à idéia de "alta cultura" (ou a visão tida da arte como algo sempre exclusivamente erudito).
E o hip-hop não é composto exclusivamente de música, pois trata-se de um movimento abrangente, no qual estão incluídos o grafite, a dança, o visual, um engajamento social e, entre outras formas, TAMBÉM a música - tendo o 'rap' como expoente mais famoso, repleto de variantes, não apenas o 'gangsta', como ela cita na coluna.
Quem conhece a periferia das grandes metrópoles, e posso falar especificamente da cidade de São Paulo, sabe que o hip-hop tem uma certa tradição. O cantor Nazi, famoso pela banda "Ira!", já havia atentado para os meninos que expunham esse talento no início da década de 80, no Largo São Bento (in "Quem Tem Um Sonho Não Dança", Guilherme Bryan) - seu contato primeiro foi com DJ Hum, parceiro por anos de Thaíde.
Gerações e gerações cresceram e aperfeiçoaram esse movimento, em todas suas variantes, seja musical ou esteticamente. Temos aí, por exemplo, "Os Gêmeos", que expõem seus grafites pelo mundo, badalados gênios da MPB emprestando ritmos e letras dos rappers em canções e discos, ou até programas de televisão os usando em pleno horário nobre.
Sim, é cultura.
Rap e Sexismo
Evidentemente, há letras sexistas no rap, como há em qualquer gênero. Xote, coquinho, embolada, maxixe, samba, marcha-rancho, marchinha carnavalesca, bolero, enredo de ópera etc. Difícil, mesmo, é encontrar predominância, no rap, de músicas racistas, canções contra gays, pobres ou discriminatórias de um modo geral.
A colunista não erra quando aponta sexismo em algumas letras de rap, mas poderia ao menos dizer que é uma temática presente em praticamente todos os gêneros musicais. Da forma como está, parece que os rappers são TODOS sexistas e, pior ainda, eles e apenas eles o são, enquanto todos os demais compositores de todas as outras formas de música são feministas de carteirinha.
Rappers e Drogas
Aí o caldo entorna de verdade. O tráfico está na periferia, o uso está na cidade toda. Dizer que "rapper" é ligado ao tráfico é intelectualmente desonesto, pois todo e qualquer usuário está também ligado aos traficantes, pois não existe pedra filosofal de cocaína, mágica de fazer aparecer heroína, macumba que faça brotar ecstazy ou revenda autorizada de maconha.
O camarada nasce numa favela e, não raro, algum dos milhares de vizinhos acaba entrando pro tráfico. Claro que ele o conhece, mas não quer dizer, necessariamente, que seja "ligado ao tráfico". Nem mesmo que seja usuário, comprador ou revendedor. Mas, se você é usuário, aí sim, você é NECESSARIAMENTE ligado ao tráfico e, lamento dizer, também à violência. Não me culpem por isso, é lógica pura e simples.
Algumas grandes figuras da "playboyzada pacifista" adoram abraçar lagoas, árvores e fazer passeatas vestindo branco, protestando contra a violência, mas não abrem mão de dar seus tirinhos na farofa, seus pegas no baseado ou tomar seus aditivos não exatamente permitidos pela lei. Assim fica fácil, né?
Depois, é moleza dizer que um pobre coitado, nascido lá no meio do inferno, é "ligado a tal traficante", sem ao menos dizer o grau de ligação.
Axé e Sertanejo
Barbara Gancia faz uma acusação implícita em sua coluna, convém repetir o trecho para dar seguimento à análise:
"Quer dizer que se eu afirmar que a música sertaneja é uma porcaria alienante, tudo bem. Mas se disser que usar boné de beisebol ao contrário na cabeça, calça abaixada na cintura com a cueca aparecendo e tênis de skatista é coisa de colonizado que nem mesmo sabe direito o que o termo hip-hop (um e-mail se referia à musica "rip-rop") significa, sou racista e fascista?"
Não, não "quer dizer". Parece óbvio que jamais um rapper mandaria uma carta reclamando de eventual elogio à música sertaneja ou à chamada "axé music". O recurso retórico desse parágrafo serve para a colunista igualar gêneros igualmente ruins (em seu próprio gosto). Também acho exagero dizer que seja "racista" ou "fascista". É apenas muito, mas muito mal informada. Até porque os sertanejos de hoje são extremamente dados a estrangeirismos, com seus chapéus texanos, e trato sobre isso no tópico seguinte.
É importante, aqui, frisar um falso antagonismo proposto com o fim exclusivo de polemizar gratuitamente. Não há nem nunca houve qualquer oposição do rap às demais culturas - mais parecendo aquela rivalidade de décadas passadas entre metaleiros, carecas e punks.
Esse "quer dizer" é o chamado "sofisma da falsa conclusão", no qual se tenta desqualificar a premissa do interlocutor desvirtuando a real finalidade do raciocínio por ele empregado. Não caímos nessa.
Nacionalismo e Patriotada
A Tropicália e os roqueiros da década de 80, antecedentes dos rappers, já mostraram que "nacionalismo musical" é algo absurdamente ridículo. Mas, muito antes disso, os primeiros sambistas foram vítimas dessa patrulha. Sim, os sambistas, e tudo está documentado no "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", de Leandro Narloch ou, para quem quiser ir a fundo, nas teses de Hermano Vianna, que estudou a trajetória dos ritmos do Recôncavo Baiano até o Rio de Janeiro e, mais recentemente, até mesmo o chamado "Funk do Rio".
Os primórdios do samba remontam às reuniões na casa da Tia Ciata, uma negra baiana que promovia festas em sua residência com ninguém menos que Pixinguinha e Donga (autor de "Pelo Telefone", 1917, primeiro samba brasileiro gravado). Naquela época, o ritmo contava com instrumentos de sopro e toda uma melodia diferenciada.
Mas o que houve? Patrulha nacionalista.
No final da década de vinte e, principalmente, na de trinta, já sob Getúlio Vargas, o "samba" passou a ser constituído de instrumentos exclusivamente percussivos, sem sopros e melodias mais rebuscadas, e o som produzido pelos sambistas originais passou a ser classificado como "maxixe".
E sabem qual ritmo mais se aproxima, em termos 'evolutivos', daquela toada original? Pois bem: aquele hoje denominado "axé music". Quando Caetano Veloso defende o 'axé', não fala para polemizar, mas por conhecer profundamente a cultura do Recôncavo - onde nasceu.
Se a colunista acha válido patrocinar algo que seja "nosso", ela dá voz àquelas mesmas pessoas de décadas passadas e é tão atrasada quanto elas. Até porque nada é "nosso". Quem somos nós? Índios? Europeus? Negros? Somos um pouco de tudo, produzindo também um pouco de tudo, a partir do que recebemos de todas as culturas (sim, culturas) do mundo. África, Europa, América do Norte etc.
Enfim
Discordo dessa coluna da Barbara Gancia, mas não entro na onda de chamá-la de "racista" ou "fascista". É sua opinião e, ao que prece, faltou mesmo estar mais informada sobre os temas, apenas isso. Provavelmente, pretendia fazer polêmica barata, e a parte boa é que o assunto é rico.
No fim, ela propõe o ensino de Machado de Assis e Guimarães Rosa, mas isso jamais excluiria a música, no geral, e o hip-hop, em especial. Ou mesmo axé, sertanejo, rock, música clássica ou qualquer outra coisa. Por que não?
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transubstanciado por gravata às 29.04.10 | 10 comentários
28/04/2010
GRAVATA RESPONDE - O RETORNO

Mantenho os clássicos dois pedidos: a) ENVIEM PERGUNTAS RESUMIDAS! e b) NÃO FAÇAM PERGUNTAS NOS COMENTÁRIOS, MANDEM PARA O EMAIL gravataresponde@gmail.com - certo? Vamos lá:
"Ola, estou a fim de namorar um homem, que já tem namorada? Relato breve:quando o mesmo chegou em minha cidade eu estava de luto pela perda de um grande amor,havia seis meses. E , fiquei na minha. Agora, gosto do cara, e não sei o que, e como dizer que quero ele."
Puta mania ridícula essa coisa afirmar com ponto de interrogação, né? Se você está a fim, não precisa "perguntar", basta dizer e pronto. Mas vamos ao caso: você tava enlutada e apareceu um novo amor, mas por azar o dito-cujo já tinha namorada. Você "ficou na sua" e agora pretende ficar "na dele".
Há milhares de maneiras de dizer isso, umas mais diretas, outras menos incisivas, mas o mais importante é não fazer merda, já que você está se metendo numa outra relação e, presumo, talvez não gostasse que fizessem isso com você. Mas se REALMENTE existe um amor, então a decisão é sua.
De todo modo, é curioso o mundo dos sentimentos... A mesma pessoa que guarda luto por seis meses é capaz de atropelar os bons costumes e atravancar a relação alheia, tudo em nome dos sentimentos ou, quem sabe?, atendendo ao furor uterino. Espero que o resultado seja o melhor possível para todos os envolvidos.
* * * * * * * * * *
"Tenho um namoro fantástico há 5 anos com um cara da minha idade. Fantástico. Sem defeito, nem vou me alongar. Dou pra ele bons presentes em datas especiais, mesmo ganhando míseros 400 reais por mes na faculdade( presentes de 80 a 200 reais, em média) . Ele ganha dez vezes mais do que eu. Recentemente fiz 22 anos. Distraídamente fui na loja que ele tinha me comprado meu presente de aniversário. Descobri que o presente que ele me deu custa 14 reais. Nao sou materialista, nao me importo com riqueza, acredito em trabalhar pra caramba pra ter o que se quer. Sei que nao deveria me importar com isso mas nao sai da minha cabeça. É embaraçosa essa falta de disposiçao dele de me comprar algo bacana. É fato que mereça uma conversa com ele ou devo deixar pra lá?"
Você disse "nem vou me alongar" e isso me deu certo medo para quando você eventualmente disser "agora vou me estender", já que escreveu um verdadeiro e-Bíblia. Pelas barbas, né? Daria para resumir em duas linhas, cacete! Mania de falar, parece que tá no salão de beleza, putamerda!
Confessa: você não foi distraidamente e nem descobriu por acaso o valor do presente. Foi fuçar para saber o preço. E descobriu que ele não comprou nada caro, está puta da vida (com certa razão). Realmente, ele é um muquirana e você, por conseqüência, é uma trouxa. A vida tem disso.
Não se trata, porém, de falta de disposição. Ele é mão-de-vaca, mesmo. Sugiro, para as próximas datas comemorativas, que você dê algum presente de valor sentimental, como "beijo", "abraço", ou algo artesanal "feito com carinho", como cinzeiro de argila, latinha de leite condensado decorada com lantejoula ou qualquer outra coisa dessas que fazíamos no jardim da infância no dia dos pais, das mães ou festas juninas.
* * * * * * * * * *
"Oi Gravata!! Gostei muito dos seus textos... principalmente do que falamda amizade entre homem e mulher... Mas fiquei na dúvida pra saber como as pessoas começam a namorar... se o namoro não nasce de uma amizade que virou transa, como é que começa então? só sei que me apaixonei por dois amigos meus e nenhum deles quis nada comigo, nem continuar amigo e nem só transar... enfim, cada caso é um caso... mas acho que, na maioria das vezes, vc acerta no julgamento. Vc tem muito bom senso. Boa sorte!"
Quando o namoro nasce da "amizade" entre homem e mulher é porque... NÃO ERA AMIZADE! Era apenas um 'pretexto amigável' para começar uma relação. Amigo não tem ciúme. Amigo vai pra esbórnia junto. Amigo confidencia putanhági. Amizade é amizade, pintar climinha é pintar climinha.
Há relações amigáveis e supostas amizades entre homens e mulheres, sim, muitas delas dando origens a namoros. E outras tantas gerando fornicações trepísticas. E mais comuns ainda são os casos em que APENAS UM DOS DOIS desenvolve sentimentos, sendo que o outro despreza isso (finge ignorar, dá migué, mas sabe muito bem que o que rola).
Mas não entendi o "boa sorte" para mim, já que é você quem tá fodida na história.
* * * * * * * * * *
"Gravata, sou casada a tres anos e ontem em um rala e rola com meu marido, eu perguntei se ele se masturbava, esperando em ouvir um não, mais ele disse que sim, fiquei sem saber o pq ele continua fazendo isso se tem uma mulher fogosa ao lado dele que quer todo dia, ele diz que não pois esta cansado por causa do serv.Agora eu pergunto como nao esta cansado para se masturbar?"
Jogo é jogo, treino é treino. E, no treino, ele NÃO PENSA EM VOCÊ. Acostume-se com essa idéia o quanto antes. Mas vamos falar direito sobre o tema, para além da grande e infalível máxima.
Como é a trepada de vocês? Caso você seja mesmo muito meia-boca e de pouca inspiração, ok, deve ser aquela coisa da bombadinha mixuruca, tal e coisa, mas na hipótese de ser dada a enfurnações de robalo em escalas astronômicas, é fato que o rapazola provavelmente faça um bom esforço.
A punheta, por sua vez, envolve uma gama menor de musculaturas, exigindo única e tão-somente a força do pensamento e a boa e velha criatividade, além das fantasias com amigas, irmã mais nova ou primas, além de uma alguma atenção no filme pornô. Entende a diferença de "esforços"?
* * * * * * * * * *
"Admito que por ser solteira, 30 anos e independente, muitas vezes não vejo problema em "sexo sem compromisso" Porém se o homem mexe comigo de alguma forma, se me envolvo, passo a querer dar uma de "donzelinha" ....... Como vc disse : Vai reclamar de quê? Até mês passado, era você que fazia isso." ( Corretíssimo ) A questão é..... Se esse homem que eu me envolvi, pensa ,COM RAZÃO, que eu só quero sexo sem envolvimento, assim como ele há algum jeito de mudar esse pensamento?!?! Há alguma postura a ser tomada que possa mudar esse pensamento????"
Ahá! Você é adepta da mudança de objeto no curso do contrato! Faz o caboclo assinar uma "locação" e troca por "compra e venda" no meio da relação. Aí enrosca, né? E me pergunta se "há alguma postura que possa mudar esse pensamento"...? Porra, sei lá!
Há casos e casos, só há uma solução: quando ambos estão a fim. Se um apaixona e o outro quer continuar no fordunço (QUE FOI PRÉ-COMBINADO), a única saída é tentar seduzir de uma forma discreta, sem pressionar ou se fazer de vítima, pois tudo foi devidamente combinado.
E nem entrar naquela bobagem de "vamos parar com tudo, pois isso não está me fazendo bem". Entendo, não está mesmo fazendo bem, ok, mas o cara vai se sentir culpado. Basta parar, dar uma desculpa qualquer, mas é sacanagem fazer a outra parte se sentir culpada por algo de que não tenha culpa.
Quer ser moderninha? Então segura a onda.
* * * * * * * * * *
"Um homem pode querer comer a garota e estar ao mesmo tempo interessado nela, em seu jeito, seus pensamentos? Como perceber que ele, alem de querer te comer claro, gosta de conversar com voce? Obrigada."
Simples. Depois de comer ele te dá o dinheiro do táxi ou te abraça, beija, dorme juntinho e leva para almoçar no outro dia?
* * * * * * * * * *
"Nao posso contar NENHUM problema ao meu namorado... ele fica quieto, de saco cheio, dá uma respirada fundaa... ou se esforça pra ajudar, mas parece q doiii de ouvir,... twp como se ele nao suportasse.... mas nao assume, diz q posso contar com ele sempre..... .. como mudar isso no cara??? ou sera q qm tem q mudar sou eu?"
Peraí, peraí, peraí! Mudar o quê? Ele fica quieto (ou seja, não reclama), e SE ESFORÇA PARA AJUDAR. Em alguns casos, dá uma "respirada funda" (de novo, não reclama). O que você queria? Sério, o que você queria? Ele deveria fazer um número de sapateado irlandês? Cantar uma música popular napolitana? Dançar o frevo, com guardachuvinha e tudo?
Eu mesmo, lendo essa pergunta, já respirei fundo aqui e fiquei com um pouco de raiva. Sério.
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"Namorava há 11 meses com um rapaz de 20 anos e eu tenho 27. ele é um amor, carinhoso, fiel, me tratava muito bem. porém, ele não trabalha, pretende só estudar, não tem planos concretos para a vida, bebe muito, adora a boemia.Nunca saimos p nenhum lugar porque ele tá sempre duro. terminamos devido uma briga, onde eu fui errada, e agora ele quer voltar. Devo voltar? Será que ele pode mudar?"
Ele tem 20 anos. Veja bem: 20 anos. É um visível pirralho. Se tivesse 40 e não trabalhasse, ok, diria que inequivocamente você estaria embarcada numa canoa furada. Mas um pivete de vintinho? Façavor. E ainda é carinhoso e fiel? Claro que tá sempre duro, claro que ainda não deve ter planos, faz parte da idade. Ninguém manda namorar pós-adolescente.
Com essa idade, acho que ele pode mudar, sim. E, quando ele tiver 30, você será uma quarentona. Afinal, você não apenas pode, como DEVE mudar. Aproveite agora. Pois o futuro é incerto, amiga.
* * * * * * * * * *
"to saindo com um cara mais velho, q tem fama d galinha e talz. mas qdo ele ta cmg é tdo carinhoso e ja me chamo ate pra morarmos juntos. A duvida q tenho é se tda essa conversinha 'd gosto muito d vcê' é apenas papo d pegador ou se o galinha natuo ker msmo tomar geito.Ele diz q é galinha pq ngm leva ele a sério."
Duvide de homens que não tenham fama de galinha. Sério. Ou são os mais perigosos, ou então simplesmente não montam na lambreta. Isso porque TODO HOMEM HETEROSSEXUAL TEM FAMA DE GALINHA. A explicação é muito simples.
As mulheres praticam um esporte ainda não reconhecido pelo COI chamado "difamação da raça masculina" e você provavelmente também deve ser adepta do desporto. Ele consiste em xingar até a morte o camarada com quem já teve algum cais-cais-cais, espalhando para toda a rodinha o simples fato de já ter ficado com o cara. Quando mais alguém já ficou, ela também fala e isso configura "galinhagem".
Esse sacripanta, na falta de uma boa retórica, soltou a bobagem de que ficou com algumas meninas porque ninguém o levou a sério. Mentira. Ficou porque quis ficar, porque era solteiro e ele tá certíssimo. Qual o problema, caraio?
Faça um teste. Sério, faça esse teste: fique com algum Mané SEM FAMA DE GALINHA. Desses com quem ninguém nunca ficou, ninguém tem nada a dizer, super boa-praça, bom-moço etc. Depois me conta. Ou vai pedir dedada, ou você descobrirá cobras e lagartos da pior forma possível.
* * * * * * * * * *
"Poramordedeus! O que faz um cara com quem já tive um caso de meses, que terminei pq acabei me apaixonando(... siiim...), voltar a assediar? Ele sabe o que sinto, não existe mais curiosidade, nos conhecemos de cabo a rabo, ele é livre, pode fazer o que bem entender, e, certamente, há opções mais jovens, mais bonitas, mais gostosas... Somos amigos, solteiros, mesma turma, mesma idade (43). Era ótimo. A transa, a conversa, as risadas, tanto que me apaixonei. Ele não. Me adorava, mas não queria compromisso... disse pra ele ir à luta, e variar muito, já que não queria criar vínculo... Essa reinvestida me cheira a uma queda de braço... Confesso que se não fosse a Razão, já tinha cedido... merda! Continuo gostando de um idiota! Que tu acha?"
Esse "nos conhecemos de cabo a rabo" é um prato cheio para piadas #standupbr, mas ficarei na minha. Quanto às opções, acredito que ele as tenha, mas o que ele busca é introduzir a vigota, gratinar a pupunha, escalar o Careca, enfim...
- ELE QUER APENAS TE COMER, MINHA FILHA!
Como sói. Evamoquevamo!
* * * * * * * * * *
Resolvi publicar algumas perguntas hoje e, sei lá, talvez volte a fazer isso periodicamente. Tenho mais algumas tantas na caixa postal. Se quiser enviar a sua, mande para gravataresponde@gmail.com - obviamente, sua identidade será preservada, nenhum nome será mencionado e você jamais será cantada, convidada para sair ou algo do tipo. E nem adianta insistir. Humpf! :)
(sem revisão)
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transubstanciado por gravata às 28.04.10 | 17 comentários
26/04/2010
UNFOLLOW ANUNCIADO E POLÍTICA
Anunciar unfollow e block - ou comemorá-lo depois de feito - é provavelmente a coisa mais ridícula e infantil do Tuíter (e, convenhamos, a lista de possibilidades infantis por ali é quase infinita). Quando tais atos estão atrelados ao tema "política", porém, a coisa ganha ares ainda mais bizarros e convém analisar o fenômeno de forma pormenorizada.
Gosto muito de política, sempre gostei, mas, ao contrário da maioria apreciadora do tema, não entro nessa bobagem de condenar os que não gostam. Em primeiro lugar, ninguém pode ser tolhido quanto a seu direito de gostar do que bem entender e, por mais que "a política seja algo importantíssimo para nosso futuro", não dá para negar seu grau máximo de chatice. Se alguém dá unfollow em pessoas que falam de política e fazem isso por desgostar do tema, na boa, acho normal.
O ponto central, aqui, não são os que detestam o tópico e deixam de seguir quem enche o saco só falando disso, mas sim quem GOSTA (ou diz gostar), mas, ao mesmo tempo, ODEIA DEBATER com quem pensa de forma contrária. Em suma: eles fingem apreciar o bom debate, mas querem mesmo a velha ditadura do pensamento único. Não por acaso, são quase sempre os mesmos que defendem grandes mestres da democracia, como Fidel Castro, Hugo Chávez e até mesmo o bonitinho que manda e desmanda no Irã.
Em geral, usam como recurso primeiro a velha tática de imputar ao interlocutor a pecha de "troll", quando na verdade não suportam ouvir opiniões contrárias. Prova disso são os debates promovidos por essa turma, e qualquer frequentador de universidade já deve ter visto cartazes do gênero: "SIMPÓSIO SOBRE BLABLABLA COM AS PRESENÇAS DE FULANO, SICRANO E BELTRANO". Quem são eles? Todos do mesmo partido, defendendo as mesmas ideias.
Debate? Nada. São três, quatro ou cinco pessoas concordando entre si, para deleite da plateia que também concorda. Isso não é debate, mas sim igrejinha partidária. E repetem no Tuíter o mesmo vício ideológico, travestido de engajamento político. Estão equivocados e são obviamente bocós. Partidarismo é uma coisa, política é outra. Sectarismo é uma coisa, debate é outra. Discursar a convertidos é uma coisa, debater sob o risco de ouvir opiniões contrárias é outra - e costuma ser dolorosa.
Houve um tempo em que, para ser "reacionário", seria preciso no mínimo defender algumas bandeiras clássicas, a ver: ser contra o aborto, contra a legalização das drogas, contra direitos para os gays e lésbicas e transgêneros, contra restrição a armamentos etc. Hoje, para a pletora de militantes brasileiros - também os do Tuíter - basta ser contra o PT. E isso vale até mesmo quando o partido defende José Sarney. Sim, não é gozação. Quando surgiu o #forasarney, vários vociferavam dizendo que era coisa de "reacionários" - muitos deles com vínculos ministeriais ou ligados a emissoras públicas.
Não falei de Hugo Chávez e Fidel Castro de bobeira, não (embora, às vezes, seja preciso pedir licença para falar de uns e outros, pois alguns temas são monopolizados por estudiosos, assim como, para se declarar "de esquerda", é preciso pedir licença ao PT). Recentemente, Chávez disse que o Tuíter era coisa do diabo e defendeu a restrição da rede social em seu país e o governo cubano costuma prender adversários que cometem "crime de opinião".
Quem é contra isso, portanto, é obviamente FAVORÁVEL À DEMOCRACIA e, portanto, um libertário, um democrata, um progressista, não é mesmo? Menos no Brasil. A militância petista, usando esses casos concretos, chama de "reacionário" quem se opõe a esses governos, inclusive ao falar mal especificamente desses atos - e usam toda sorte de malabarismos retóricos.
Claro que isso não é a maioria esmagadora, mas também não formam minoria tão inexpressiva. Quando se fala mal de um ato arbitrário castrista, petistas retrucam com a invasão do Iraque, como se a endossássemos (?). E eles que contrataram o marketeiro do Obama para sua campanha, o mesmo Obama que legitimou o Governo de Honduras e ocupou o Haiti (dois atos que eles tanto repudiaram). Vai entender...
Mas a parte mais engraçada é a intolerância com opiniões contrárias, a profunda raiva dos que pensam de forma diferente. Para eles, vale xingar, puxar cabelo, dar canelada, soco abaixo da linha da cintura, enfim, vale tudo. Só não vale pensar de forma diferente. Dizem gostar de debate, mas é mentira. O "debate" que apreciam é aquele em que todos concordam entre si.
A liberdade de opinião que defendem é aquela dos países por eles admirados, nos quais os opositores vão pra cadeia, 'paredón', ou apanham nas ruas. Como não podem fazer isso, dão unfollow e bloqueiam. Depois anunciam, para regozijo de seu espírito democrático, comemorando entre os fiéis da mesma igrejinha partidária.
É ao mesmo tempo triste e engraçado. É patético.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 26.04.10 | 11 comentários
25/04/2010
"UM NOVO CONCEITO": BOBAGEM DO MUNDO PUBLICITÁRIO
Odeio receber panfletos enquanto estou no carro, nunca aceito, acho uma porcaria e isso só serve para sujar as ruas (eu não jogo na via pública, mas muita gente faz isso). Mas quando há mais gente no carro, alguns passageiros pegam e, justamente por não jogar fora imediatamente, acabo lendo no elevador. Foi o que houve recentemente e me deparei com a máxima: UM NOVO CONCEITO EM MORADIA.
O que seria isso? Cozinha-dormitório? Banheiro com sala de jantar? Piscina no corredor? Obviamente, um apê como outro qualquer: sala, quarto, cozinha, banheiro, tudo devidamente apertado, com aquelas instruções ridículas do tipo "a tantos metros de tal lugar" e "próximo daquela região ", arapucas imobiliárias clássicas para dizer que não é perto de nada. Novo conceito? Porra nenhuma.
Isso acontece com todo tipo de produto, seja medicamento, creme dental, tênis, aparelho de barbear... Sim, até mesmo APARELHO DE BARBEAR! Haja metalingüística para "conceituar um novo conceito", mas é esse o centro deste desabafo. Talvez o apelo ajude a vender ou prenda a atenção do consumidor, mas quem é o idiota que cai nesse tipo de truque?
E os carros? A cada MÊS surge um "novo conceito em automóvel", todos eles com as tradicionais quatro rodas, o invariável volante e todas as demais peças indispensáveis ao funcionamento de um veículo automotor absolutamente normal. Quando muito, surge um sensor de distância para estacionar ou aparelho de som adaptado para tocadores de mp3 - nada ALTERARE O CONCEITO do produto. O carro continua sendo um carro.
É importante frisar essa sintaxe: "novo conceito EM...", jamais "de". Se é para esculhambar, eles vão às últimas conseqüências.
Alguns anúncios exageram tanto na dose que falam coisas como "você vai mudar sua forma de olhar um conjunto residencial" ou "você jamais verá uma motocicleta da mesma maneira" ou ainda "nunca um pacote de salgadinho significará a mesma coisa". Tudo cascata, por óbvio. Nada mudará. Condomínios, motocas, salgadinhos, carros, vidros de palmito, fornos de microondas, enfim, tudo continua a mesmíssima merda.
No campo da tecnologia, é verdade, há algumas revoluções, e justamente essas empresas não fazem lambanças congêneres. Sim, sem dúvida, há exposições para deslumbrar usuários, mas não anúncios para tapear donas de casa ou crianças em idade pré-escolar. Os 'geeks' vêem um iPod, iPhone ou iPad e sabem que aquilo é casca-grossa o bastante, ponto final. Não precisam de uma frase de panfleto imobiliário dizendo que se trata de UM NOVO CONCEITO 'EM' TECNOLOGIA DE TOCADOR, TELEFONE MÓVEL OU TABLET.
Aliás, há aí uma questãozinha engraçada. Seria apenas obra do acaso o fato de que esses produtos sejam direcionados aos publicitários, enquanto todos os outros sejam lançados pelos profissionais da propaganda, tentando 'encantar' pessoas normais, abusando de uma expressão que já se tornou piada velha? Talvez valha uma análise desse conceito.
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transubstanciado por gravata às 25.04.10 | 8 comentários
23/04/2010
MEIGUICE SERRA: TIRO PELA CULATRA
Há poucos dias, criaram um tumblr denominado "Meiguice Serra", juntando fotos de pessoas imitando a capa da Veja com o presidenciável tucano. A idéia era sacanear - a revista ou o candidato, quem sabe? - mas o tiro saiu pela culatra. Deu errado, ué, fazer o quê?
Simpatizantes de Serra passaram a enviar fotos, alguns talvez por inocência, outros para "sacanear a sacanagem", e a autora as publicou sem exceção. Resultado: à medida que se noticiava o "meiguice serra", militantes online mais escolados reconheciam alguns rostos e entendiam como HOMENAGEM o que nasceu por pura SACANAGEM.
E a Veja, que não é exatamente idiota, pôs a cereja no bolo, divulgando a idéia como um viral positivo, para profunda irritação dos que começaram a coisa para alfinetar a revista. Foi um tiro de canhão no pé, sem dúvida alguma. Invertendo o ditado clássico, foram criar um morcego e saiu um beija-flor.
Tudo foi apagado, com direito a uma mistura de "nota oficial" e "carta aberta":
"Olá, se você chegou até aqui é porque se contaminou com o viral do meiguice serra. Sinceramente, nós nem esperávamos que isso tomasse tamanha proporção. Tudo começou com uma grande piada, que a gente acredita que é o jornalismo brasileiro. Campanha pró-Dilma, pró- Serra, nos acusaram de tudo. E por acaso política se discute assim, sem seriedade? Enfim: por motivos de força bem maior e por não achar que mereçamos tanta atenção, achamos melhor encerrar o blog. Agradecemos a todos que participaram, e aproveitamos também para explicar a verdadeira intenção deste blog: ISTO É ARTE. Foi apenas para mostrar o quanto somos manipulados pela imagem. ABRAM OS OLHOS."
No Twitter, a autora fez questão de linkar TODOS os blogs e websites que citaram o tumblr. Mas, contraditoriamente, resolveu apagá-lo dizendo que não merecia "tanta atenção". Estranho. Além disso, rolou uma justificativa Jânio Quadros: "motivos de força bem maior". Paciência. E uma pena, pois estava divertido.
No mais, Giuliana tem razão numa coisa. Às vezes somos manipulados por imagens e, quanto a isso, vale reiterar sua última frase. ABRAM OS OLHOS!

O pessoal fica indignadíssimo com um sorriso e mão no queixo, mas o que exatamente é manipular os eleitores por meio da imagem? O que seria MUDAR a feição, as expressões e o aspecto físico de um candidato para torná-lo "menos feio"? Por que tanta raiva de uma capa de revista e nem um "a" sobre tanta cirurgia plástica?
Feministas mais radicais, antes e acima de tudo, deveriam ser as PRIMEIRAS a vociferar contra essa OBJETIFICAÇÃO da candidata petista. Ela vale por seu conteúdo ou precisa ser modelada para agradar ao PATRIARCADO? Mas, como sabemos, para alguns militantes o partido vem antes da causa. Seja inclusão digital, liberdade de expressão, feminismo etc.
Ah, sim! Ia esquecendo! A capa é cópia da TIME do Obama, né? Mas não foi a Dilma que contratou o marketeiro do presidente dos EUA? De novo: o quê, de fato, mereceria uma reflexão mais profunda? Acho que na sanha de fazer ARTE, às vezes dando tiros pela culatra, boas discussões ficam pra trás.
Abraços meigos.
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transubstanciado por gravata às 23.04.10 | 42 comentários
20/04/2010
HQ É PRA CRIANÇAS... E QUAL O PROBLEMA NISSO?

Tenho mais de 5 mil gibis aqui em casa. Pus "HQ" no título, mas não gosto dessa denominação: sempre digo gibi, mesmo. Eu os leio e compro desde, sei lá, dez anos de idade e, de lá pra cá, não mudaram em nada. Foram e são feitos para seres humanos dessa faixa etária. Claro, há alguns criados para pessoas mais velhas. São aqueles feitos para gente de 14 a 16 anos. Não passa disso.
Devo salientar que não se trata de ofensa. Jamais. E é um absurdo que alguém tome isso como um insulto. E chega a ser patético quando homens e mulheres com seus 20, 30 ou até 40 anos na cara aparecem chacoalhando revistinhas de homens de capa ou cueca por cima da calça dizendo "isso aqui é literatura". Pode ser, e provavelmente seja, mas é para a criançada. Também não há dúvida de que seja uma manifestação artística, assim como o desenho do Bob Esponja. Cada qual, porém, em seu compartimento. A arte aceita tudo.
Também não adianta dizer que "não entendo do assunto", pois, como disse, leio esse negócio desde os 10 anos de idade e tenho 33. Claro que, agora, não compro feito um alucinado, mas tenho todos os tais "grandes clássicos" e as "Graphic Novels" celebradíssimas, bem como as obras de Alan Moore transformadas em filme para a indignação dos fãs. E isso merece uma análise separada.
Por que diabos tanta raiva? Os já crescidos e barbudos se levantam e gritam: "DETURPARAM A OBRA"! Que obra? É um gibi! Parece que adaptaram Dostoiéviski ou Cervantes para um musical da Broadway. Mas não. O que fizeram foi rearranjar personagens ou modificar alguns trechos de... UM GIBI! Menos, né? Mas o pessoal não enxerga o próprio ridículo e tratam a adaptação como se alguém tivesse pichado a Monalisa ou atacado a marretadas o David, de Michelangelo.
Watchmen é uma história boa? Sim, mas não exatamente formidável e, sejamos honestos, coberta de clichês. Quem chama aquilo de "revolução" está de brincadeira ou então nunca leu mais nada na vida, ou só pode estar usando como parâmetro o sentido revolucionário para a circunscrição de literatura cabível a um garoto de 13 anos (nesse último caso, as opções seriam gibis de Walt Disney, Turma da Mônica, ou mesmo Marvel e DC tradicionais da época - e aí, realmente, Watchmen dá de mil a zero).
Já citei aqui um exemplo besta de Watchmen. Alguns fãs ridicularizavam os neófitos porque não sabiam a "referência", no filme, para a cena dos helicópteros sobrevoando o Vietnã ao som de "A Cavalgada das Valquírias", de Wagner. Na idéia deles, seria menção ao filme "Apocalypse Now". Pois bem: não é só isso. Trata-se, sobretudo, de referência à divisão de infantaria e blindados do exército alemão da segunda guerra, que efetivamente marchava ao som dessa música - e ESSA foi a referência utilizada por Coppola no filme original. Sobra cultura pop e falta banco escolar para fã de gibi.
De todo modo, é mais do que óbvio que os quadrinhos possam servir de "meio" para mensagens adultas, subversivas, políticas etc. Há vários exemplos nesse sentido, como "Maus", "Persepolis", "Palestina", além das obras de mestres como Robert Crumb, Gilbert Shelton e tantos outros - no Brasil, p.ex., temos Luiz Gê, Angeli, Laerte, Glauco, Fernando Gonzáles etc. Mas o centro do texto são os gibis mais famosos, em especial aqueles adaptados para o cinema ou motivo de CULTO por fanáticos, que não permitem ver tais "obras" violadas pela grande indústria - quando, na verdade, elas próprias são lançadas e distribuídas por multinacionais.
Pura bobagem. Quarteto Fantástico foi feito para o público infantil. Homem-Aranha é para crianças. Superman, idem. E assim vão Batman, Wolverine, Vingadores, Homem-de-Ferro e, claro, também Watchmen e quase tudo de Alan Moore, talvez salvando "V de Vingança", obra em que ele traduz para a molecada alguns clássicos - mas, sem conhecê-los, entende-se pouco das entrelinhas - os desconhecedores de 1812, de Tchaikovsky, até hoje não sabem o porquê da música estar no filme.
Mas é isso. Há espaço para todos no mundo, só não vale dizer que gibis são uma arte intocável, porque não são. E nem ficar ofendido pelo fato de que se trata de uma coisa para criança. Qual o problema? É divertido, mesmo assim. Dr. Manhatan é muito bem feito, assim como Charlie e Lola. Os X-MEN foram um marco na criação de um grupo, assim como os Backyardigans.
Não briguem comigo por isso, ok?
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transubstanciado por gravata às 20.04.10 | 18 comentários
17/04/2010
EXPRESSÕES TRICHÍSTICAS

Reza a lenda: "você é o que você come". Mas você também é o que você NÃO come ou, mais ainda, quem você gostaria que o comesse. Pois é, prezado leitor, talvez você não saiba, mas pode ser que esteja jogando no outro time há alguns anos. É hora de colocar as coisas no lugar (com trocadilho).
Meu grande amigo morróida, recentemente, publicou em seu blog um TRATADO sobre hashtags e a evidente relação de quem os usa com o fato de que gostam de uma endoscopia invertida. Dias antes, conversávamos sobre o tema e isso provavelmente gerou o texto. Pois bem: o tema de uma nova conversa são expressões do dia a dia que também revelam o lado "abraçador do trapizomba" por parte de quem as adota.
Vamos a elas.
Anglicismos
Pra começo de conversa, essa coisa de misturar idiomas numa única frase é a coisa mais cafona do mundo. É a verdadeira "pochete de diálogo". Quando uma garota faz isso, ok, ela é apenas uma garota meio barraqueira ou tosca que precisa de afirmação. Mas homem? Cada "by the way" ou "whatever" revela um centímetro a mais da manjuba desejada. Se a expressão for em francês, viximaria, aí o camarada quer mesmo gangbang.
Anglicismo II - Seriados ou Trechos de Músicas
Indesculpável, inescapável e insofismável: o desejo do caboclo é ser JÓQUEI DE JIBÓIA. No meio do papo, para dar charme a uma colocação, ele solta algo do tipo - "é como diz o verso do Radiohead..." - MEU DEUS! Custa dizer logo que quer uma pirambóia? Ou então repetir bordões de House, LOST, Friends, TBBT etc. O armário já ficou lá atrás, amigo.
Novelices
Não, nada a ver com "gostar" de telenovelas. O problema começa quando aquelas expressões vêm para as conversas diárias. O sujeito manda um "né brinquedo não" e os mais espertos já olham com rabo de olho. Ou então, quem não se lembra?, o infame "bom te ver". Toda produção tem suas frases clássicas, e os assadores de bracciolla as adotam sem pensar duas vezes.
Novelices II - Italianismos
De novo, não tem para onde correr. Algumas frases o cara deixa escapar e consegue dizer que foi de tanto ouvir, mas como defender a macheza de quem usa o afrescalhado "é vero"? Ou então "amore", entre tantos outros que começaram com aquela pletora de novelinhas italianas? Ok, mulheres usam isso, mas elas são... MULHERES! Homem falando "é vero"? Se não for italiano, efetivamente deseja brincar de "ripa na chulipa" e, nesse caso, ele próprio é a "chulipa".
Hashtags NA VIDA REAL!
Sim, isso acontece e não é piada. Há "homens" usando esse tipo de coisa, ainda fingindo ao mundo que não querem morder a lingüiça sem usar a boca. Naquela roda, a conversa fluindo, nego lança um "PRONTOFALEI" ou "FICAADICA". Cara, pra que fingir? Se quer mesmo uma "dica", simplesmente assuma o prazer pelo tacape.
Tricholagens Diversas
Além dos tópicos acima, há milhares de outros exemplos, e nos comentários vocês podem me ajudar. Lembro de alguns como "brilha muito" (sem ser a frase completa do Zina, mas algo em outro contexto), "arrasa", "bafão", "força na peruca" etc. Nada contra - claro - dialetos e expressões de cada tribo, mas é claro que o malandro dá pinta quando começa a usar essas falas o tempo todo.
Mas a prova cabal de que o cara gosta mesmo de agasalhar a batata doce é quando, irritado com esse tipo de texto, diz algo como "pior é quando ficam reparando" ou "tricha é quem faz listinha" etc. Esses aí, acreditem, são pontuação máxima na escala Ricky.
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transubstanciado por gravata às 17.04.10 | 18 comentários
16/04/2010
FLAMENGO, CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1987

Sou são-paulino e obviamente torço contra o Flamengo. Sim, não serei falso: quero que o time da gávea perca, tiro sarro quando isso acontece e, na base da piada, digo sempre que são "penta" e não "hexacampeões nacionais". Acho que tudo é saudável na relação entre torcedores e brincadeiras dela oriundas.
Mas a coisa ficou feia, e nem falo aqui de violência física ou barbaridades correlatas, mas sim de uma judicialização idiota, por meio da qual o Sport Club Recife foi considerado Campeão Brasileiro de 1987 - e não é de hoje, já que a decisão judicial (sim, sim, PODER JUDICIÁRIO!) é antiga, mas na semana passada o presidente da CBF entregou a tal "taça das bolinhas" justamente ao SPFC.
O que é essa taça? Um troféu simbólico, criado para quem ganhasse três Campeonatos Brasileiros seguidos ou cinco alternados. Um "parecer do jurídico", lá da confederação, atestou de forma definitiva que o título de 1987 pertence mesmo ao clube pernambucano e, desta feita, a taça especial foi para o São Paulo, primeiro pentacampeão "reconhecido pela CBF".
No boteco, fazendo troça, o argumento do "reconhecido por..." até pode valer, mas no fim das contas é uma imbecilidade. Quanto mais a CBF "reconhece" uma coisa, mais sou levado a não reconhecê-la, mesmo por birra ou velhacaria. E o caso em tela é um dos momentos mais históricos do futebol brasileiro.
Os maiores clubes se reuniram meio na rebeldia, mas de forma interessante e impressionante, criando um campeonato chamado COPA UNIÃO, que além de tudo resgatou a paixão da molecada pelos álbuns de figurinha (um dos poucos que completei). O Flamengo tinha uma minisseleção, com direito a Zico, Renato Gaúcho, Bebeto, Leonardo, Zinho (sim, aquele), Andrade, Leandro, Jorginho etc. Era um time bonito de se ver jogar.
Não foi uma taça roubada. Não foi um título mutretado. Não teve trambique. Quem acompanhou, sabe muito bem quem mereceu ganhar. O Inter de Porto Alegre deu o sangue nas duas finais, mas não conseguiu parar o rubro-negro e o resultado foi o inevitável título. Para "salvar as aparências" (vê se pode...), a CBF queria que o Flamengo jogasse com o campeão da segunda divisão para, assim, descobrir quem levaria o título nacional.
Ou seja... Um time passa meses jogando com os melhores, se mata contra tudo e contra todos os grandes craques, joga duas finais com um Internacional repleto de feras, como Taffarel, Paulo Roberto, Luiz Carlos Winck, Aluísio, entre outros (claro que o Google me ajudou, só lembrava dos três primeiros). Quem o Sport enfrentou? CSA, Treze, América/RJ, Atlético Goianiense, Portuguesa, Joinville e, na final, o Guarani.
A CBF o reconhece como Campeão Brasileiro de 1987, assim como a FIFA diz que o Corinthians foi Campeão Mundial em 2000. Aliás, a FIFA não reconhece o Santos como Bicampeão Mundial. Para se ter uma ideia do valor desses "reconhecimentos", vale lembrar que meu São Paulo, até cerca de dois anos atrás, não era considerado Tricampeão Mundial. Mas tudo mudou quando houve um acordo de patrocinadores e, tcharam!, RETROATIVAMENTE a mesma FIFA passou a reconhecer os títulos da Toyota (e, sim, o ano 2000 tem dois campeões mundiais: o Boca Juniors também tem a honraria).
E ainda houve a COPA UNIÃO 2, e depois Campeonato Brasileiro, e TAÇA JOÃO HAVELANGE, depois de novo Campeonato Brasileiro... É por demais trabalhoso descobrir quais são os nomes e os títulos efetivamente reconhecidos pela CBF, pela FIFA e assim por diante. E às vezes, como em 2005, um campeonato pode simplesmente parar no meio e ter jogos remarcados sem nem aquela. Tudo devidamente "reconhecido".
Por fim, na minha opinião, o título do Flamengo de 1987 é o mais importante de todos. Eu queria ter o orgulho de ostentá-lo. Foi um desafio à CBF, um momento infelizmente rápido de rebeldia dos clubes. Deveriam ter mantido aquilo, deveriam fazer mais, deveriam romper de vez com essa confederação.
Meu time é hexa Brasileiro, tem três Libertadores e três Mundiais. Mas eu queria, sim, ter ganhado a Copa União e, para mim, o Campeão Brasileiro de 1987 é o Flamengo. Aliás, sejamos todos honestos, nem faz sentido esse tipo de coisa ser motivo de grandes debates. Todos sabemos quem foi o verdadeiro campeão. Mas, no boteco, eu continuo tirando sarro, tá? :D
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 16.04.10 | 25 comentários
15/04/2010
EM DEFESA DAS GORDELÍCIAS

Sou um defensor eterno da beleza natural e, exatamente por isso, este texto não representa nenhum veto às garotas que são naturalmente magras. O problema está naquelas que se matam para ficar esqueléticas, contrariando o próprio corpo. Obviamente, sei muito bem dos casos em que a obesidade é um problema de saúde e não trato aqui dessas circunstâncias. Feitas as ressalvas, pois, vamos ao caso.
Proporcionalmente, há poucas garotas naturalmente magras, embora quase todas as propagandas, filmes, telenovelas e afins tragam "musas" com esse tipo físico. Daí nasce a ideia da "ditadura da magreza", um conceito não exatamente equivocado, já que se soma a cobranças múltiplas: revistas ensinando dietas malucas, mulheres examinando amigas cirurgicamente e até homens às vezes com VERGONHA de sair com uma garota "acima do peso" (mesmo quando o idiota é barrigudo!).
Este blog já está parecendo a discografia noventista do Roberto Carlos, mas sinto-me obrigado a "defender" mais um grupo oprimido (há pouco, fiz isso com as branquinhas). Acreditem, mocinhas, muitos caras GOSTAM de mulheres assim. Sim, MUITOS. Isso não é resultado de pesquisa-gozação do famigerado DataEu, mas constatação óbvia do dia a dia. Recentemente, inclusive, algumas marcas e revistas famosas já vêm investindo nesse público (com aqueles nomes eufemísticos, tipo "plus size", ou o título adotado para este texto).
É triste quando alguma garota linda, maravilhosa mesmo, diz que está "gorda", e essa constatação se dá acompanhada de um estado depressivo. Não há meio de convencê-la do contrário, por mais que sua beleza seja óbvia. Em alguns casos, recorre-se a procedimentos pouco louváveis, como aqueles remédios sem noção, de efeitos colaterais desagradabilíssimos, ou maratonas de exercícios sem fim, para obter resultados quase sempre insatisfatórios.
Há um pouco de satisfação pessoal e vaidade nessa história toda, e isso não é equivocado nem pecaminoso, pois todos queremos ser desejados. O grande problema é quando sofremos por algo que não deveria ser motivo de sofrimento. Há algum tempo, falei sobre corpos espartanos e a dissociação que faço em relação à sexualidade, demonstrando o inverso disso em relação às garotas gordinhas, naturalmente dispostas ao pecado, ao sexo, ao prazer.
Mas, além disso, há realmente beleza nas gordelícias, não apenas a ideia do pecado. É evidentemente idiota a ideia de que apenas um tipo de corpo feminino seria bonito, considerando-se feios todos os demais. Tal regra, essencialmente, já nasceria equivocada. O pior de tudo é que as mulheres não apenas acreditaram na bobagem, mas adotaram a estultice como axioma. E o que temos? Gordinhas maravilhosas querem ficar magrelas e as já magras tentam ficar esqueléticas.
Sei que é péssimo sair por aí generalizando, mas homem que repara muito em barriguinha de mulher, na boa, no fundo não deve gostar de mulher. Até "aceita", mas não GOSTA de mulher. Porque a efetiva beleza feminina possui vários aspectos, delícias, detalhes, minúcias, e definitivamente as tantas curvinhas não são defeitos, mas virtudes.
Tento imaginar a tristeza da rotina de um casal marombado. Será que eles comem pizza na cama, vendo um filme? Será que pedem fondue num chalé naquele friozinho delícia? Ou ficam comparando músculos para provocar a excitação recíproca? Mas também não caio na besteira de dizer que estão errados. Cada um tem sua vida e seus prazeres. Apenas tenho plena convicção de que essa coisa espartana não é para mim.
Enfim, reitero a admiração pelas garotas naturalmente magras. Mas adoro, sim, as gordelícias. E mulher bonita é aquela que está segura de ser o que é, de ser como é. A mulher de verdade sabe ser bonita e excitante com o que tem, e homem que gosta de mulher não a examina minuciosamente.
Você é uma gordelícia? Pois saiba: você tem muitos fãs.
Revisão: Hellen Guareschi
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13/04/2010
"THE HANGOVER" (SE BEBER, NÃO CASE): UMA NOVA VISÃO DE FILME MASCULINO

Sim, eu sei, o filme é velho. Tenho um problema mais ou menos grave em relação a isso, pois às vezes vejo alguma coisa antes mesmo do lançamento ou, como no caso desta película, simplesmente sou o último a assistir. Mas a análise, aqui, é sobre um gênero até então pouco ou nada explorado.
O conceito de "filme de homem" é genericamente atribuído a filmes de ação, repleto de explosões, pancadaria, troca de sopapos e que tais. Ou então, vá lá, tramas policiais com perseguições automobilísticas ou ainda filmes de guerra repletos de estratagemas militares. Há variações recentes, como aqueles filmes do Kevin Smith e sua pletora de referências pop, que atendem a um público tão legitimamente afeito ao universo masculino quanto uma anêmona. No máximo, são os "filmes de menino" - categoria em que se encaixam os de super-heróis (não vale espernear, é verdade, ué).
Não estou dizendo que são bons ou ruins, melhores ou piores, mas simplesmente não representam o universo dos homens, mais ou menos como uma comédia romântica faz com que as mulheres a ela se identifiquem. O julgamento, portanto, não é qualitativo. Faço aqui uma análise de IDENTIFICAÇÃO, aquilo de "já ter passado por situação similar" ou, se não for o caso, no mais das vezes - ao menos - "ter muita vontade" (e um mínimo acesso).
"The Hangover" não tem super-heróis nem um grupo de nerds que fazem uma aventura totalmente fora da realidade, tampouco traz moleques de 17 anos fora da realidade de qualquer adolescente "aprontando altas aventuras e se metendo em muita confusão". São quatro caras com faixa etária e poder aquisitivo adequados para se hospedar em Las Vegas e zoar o barraco na cidade. Ponto.
E é exatamente nisso que, para nós, homens, está a parte divertida. Assim como, para as mulheres, é legal ver uma historinha em que casais se encontram, depois brigam por uma hora e meia, mas depois dão certo no final (claro, óbvio, evidente: mulheres e homens podem muito bem gostar dos dois tipos de filme, fiz apenas uma generalização acerca do conceito de identidade, já explicado neste texto).
Ah, claro. É fútil? Sim, futilíssimo, absurdamente bobo e idiota. Como deve ser um fim de semana entre amigos que saem para beber, especialmente numa despedida de solteiro. Como se trata de um filme, há exageros e situações realmente potencializadas, a fim de justificar o entretenimento, mas a ideia central permanece a mesma: em maior ou menor medida, todo camarada (de vida relativamente normal e socialmente saudável) já passou por aquele tipo de presepada algumas tantas vezes.
É um filão que merece ser mais explorado. Algumas comédias de "homens em apuros", mesmo as mais recentes, fogem demais do universo masculino - e, mais uma vez, não falo aqui da qualidade dos filmes, mas da identificação do público. Três exemplos de coisas talvez boas, mas fora dessa regra: "Quem Vai Ficar com Mary?", "O Paizão" ou "Três Solteirões e Um Bebê". E há milhares como esses.
"The Hangover", ao contrário, mostra uma turma de amigos que vai para Vegas, enche a cara, joga, apronta com strippers e assim por diante. Toda a maluquice está adstrita a esse universo relativamente "normal", bem próximo de muitos camaradas de 30 e poucos anos. Talvez agora nós, homens, entendamos o porquê das garotas gostarem tanto das comédias românticas - e, nesse mesmo sentido, muitas delas podem não ter achado muita graça ao ver esse filme.
Mas eu recomendo a todos.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 13.04.10 | 5 comentários
12/04/2010
VOCÊ TEM MESMO CERTEZA DE QUE USA CAMISINHA?
Nos dias de hoje, só mesmo um suicida, genocida ou maluco diria que jamais usa camisinha, não é? Todos usamos, é claro que usamos! Como assim "nunca usar"! Pois é... Mas o "nunca" e o "sempre" têm suas funções na reflexão que segue.
Vocês todos dirão que usam preservativos - eu também. Mas também abrimos exceções, e elas são muitas. Aí que estão os problemas, que também são muitos, e alguns muito mais indesejáveis do que deveriam. Vale citar alguns casos bem clássicos:
1 - Transa Eventual
Todos - salvo exceções efetivamente malucas - usamos, de fato. Hm... Mas em todas as etapas? E no sexo oral? Tanto do homem na mulher quanto da mulher no homem, todo mundo usa? Porque há chance de contágio, ainda que pequena. Daí alguém diz "ah, mas o risco é mínimo". Sim, o risco é de fato menor, mas EXISTE.
Não usar camisinha no sexo oral, mas colocá-la apenas na penetração, a rigor, é fazer dela um método meramente contraceptivo, pois praticamente TODAS as DSTs podem ser transmitidas (inclusive, obviamente, a AIDS). E não digam que estraguei a farra, pois é a pura verdade.
E se ainda por cima houver ejaculação na boca, aí as chances que eram apenas mínimas passam a ser exponencialmente altas. Perguntem a qualquer médico infectologista.
2 - Transa Fixa
A adoção de parceiro fixo confere certo grau de confiança e isso, sobretudo atualmente, não faz com que ninguém largue o uso do preservativo, mas dá ao casal mais liberdade e lascívia para avançar nas taras. Nesses casos, NÃO ADIANTA TAPAR O SOL COM A PENEIRA, rola a abolição do encapamento da manjuba para toda e qualquer modalidade chupística.
Se havia algum cuidado no telecoteco inusitado da baladinha, no caso do "fuckfriend" ele definitivamente não existe, sejamos aqui todos bem honestos - e isso da parte de ambos, vale salientar. E nem menciono as vezes em que os pombinhos "esquecem" do detalhe de látex para bagunçar o coreto num corpo-a-corpo sem obstáculos (sem dar migué, rapaziada).
Calculem o resultado dessa soma: "esqueci uma vez, mas a ejaculação foi fora" + "fizemos sem no comecinho, depois colocamos" + "a parte oral foi sem, mas a penetração foi com, depois gozou sem e foi na boca". Animador?
3 - Namoro
Há casais que fazem exames, pegam o resultado e comemoram. Por mais que isso pareça interessante, há que se observar a parte técnica: o exame não mostra o resultado DO DIA. Nem do dia anterior. Nem da semana anterior. É preciso conferir o HIATO adequado, bem como fazer um patrulhamento constante da fidelidade de ambos. Enfim, é quase uma tortura paranóica. Ainda assim, por óbvio, não deixa de ser uma opção saudável dos dois.
Mas o comum - e de novo peço a gentileza de ninguém dar migué -, a grande maioria não faz exame porríssima nenhuma. Assim que se declaram "namorado e namorada" MILAGROSAMENTE já se consideram imunes a qualquer doença e começam a aplicar o fornicare-ô-ô/trepare-ô-ô-ô-ô sem revestimento de qualquer película.
Uma paixão avassaladora que milagrosamente inibe a ação de agentes microbiológicos. A grande preocupação (nem sempre, aliás) é com pílula, mesmo.
Enfim...
Não sei a quantas anda o ritmo de transmissão das coisas com a rapaziada. Já fiz exames e comigo tá tudo firmeza, mas claro que em todas as vezes fiquei com um medo do cão, esperando pelo pior, justamente por incorrer nos tropeços mencionados.
Por isso mesmo, reitero a pergunta e, talvez ingenuamente, aguardo resposta sincera:
- VOCÊ TEM MESMO CERTEZA DE QUE USA CAMISINHA?
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transubstanciado por gravata às 12.04.10 | 18 comentários
11/04/2010
EXIBICIONISMO: VANTAGEM/DESVANTAGEM FEMININA

Já entraram numa loja de lingerie? Espero que sim, pois homem que não compra lingerie para sua garota é um corno em potencial - ou corno efetivo. Acontece o seguinte: um trilhão de peças femininas, e uma masculina, a cueca. Só. E não adianta inventar moda, porque é isso. Quando muito, aquelas coisas meio engraçadinhas, mas altamente brochantes, como a "cuequinha de onça" ou a "tromba do elefantinho". Ninguém usa isso.
Tal fato é resultado de uma circunstância mais complexa, qual seja, as mulheres se exibem aos homens enquanto os homens... bom, sei lá. Nós não temos muito isso. Até existe a apreciação, mas ela não funciona de forma equânime. Aliás, é preciso diferenciar esses dois conceitos, "apreciação" e "atração". O primeiro consiste em admirar continuamente, o outro é aquela primeira instigada, que com o tempo pode ou não perdurar (geralmente não perdura).
Mulheres se atraem fisicamente pelos homens, claro, mas isso não sustenta a relação por muito tempo. Os homens - não vamos negar, ok? - são diferentes, de modo a ter duas etapas: atração (primeiro impacto) e apreciação (contínua devoção da beleza). Vem daí a tradição do embelezamento feminino e até mesmo a competição constante entre mulheres para agradar aos homens, enquanto os pangarés deixam de lado a forma física mesmo muitas vezes sem que as companheiras deixem de amá-los (só não pode largar as obrigações sexuais - e, quando chama de "obrigação", é porque a casa caiu).
Os exemplos de "exibicionismo" masculino são quase nulos, enquanto a exibição corporal feminina é farta. Podem culpar o mundo machista e a sociedade patriarcal, mas isso muito provavelmente decorre de fatores mais complexos - embora não vale usar bobagens como "o corpo feminino é mais bonito". Seria a natureza de cada gênero? Pode ser. Revistas com homens nus, por exemplo, existem há anos e, nos dias de hoje, mulheres já podem comprar. Mesmo websites de homens pelados estão por aí à mancheia. Mas quem consome esse tipo de produto é o público gay. Ao que parece, salvo exceções, a APRECIAÇÃO (e não "atração primeira") estética é coisa para homens - héteros ou gays.
Seria interessante, em contrapartida, procurar quem são os maiores consumidores de contos eróticos, literatura sexual e congêneres. Arriscaria o palpite de que o público feminino prefere isso às imagens, mas é puro chute. Deveria haver uma pesquisa séria para corroborar essa impressão.
Vamos, pois, às vantagens e desvantagens do exibicionismo. Isso é vantajoso para as moças porque não deixa de ser uma arma simples e de fácil manejo, dependendo exclusivamente do corpo, uma conquista simplória, fazendo do homem um verdadeiro idiota (coisa que ele é, no jogo da conquista). Mas também se torna desvantagem quando se analisa o contexto competitivo: o tempo passa, o corpo envelhece, novas (mesmo) mulheres aparecem e, pior de tudo, o idiota continua idiota - ou não tanto assim.
Adoraria encerrar o texto apontando soluções, ou mesmo culpando o patriarcado, o machismo, deus, o mundo, as enchentes ou coisa que o valha. Mas não sei o que dizer. Até digo que mulheres, em sua maioria, gostam de se exibir e homens gostam dessa exibição. Não me sinto culpado por isso.
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08/04/2010
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(sei tocá-las e cantá-las, juro)
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06/04/2010
EM DEFESA DAS GAROTAS BRANQUINHAS

Sou um sujeito totalmente urbano, paulistano, caseiro, gosto do frio e nas poucas vezes em que saio, faço isso à noite - preferindo, por óbvio, noites frias. Mas já fui o avesso. Já fui de praia, de passar quatro meses do ano em Ubatuba e de ficar a maior parte do dia dentro do mar - não é hipérbole. Enfim, já fui assim (1995):

De todo modo, sempre tive um problema com o padrão de beleza feminino praiano, aquela coisa da pele altamente bronzeada, as marquinhas de biquíni e assim por diante. Não que desgostasse, mas jamais foi minha predileção. Minha primeira namorada, dessas de namoro sério, era branquíssima. Sempre preferi assim. E um dado curioso: quando me perguntavam aquilo de "loira ou morena", achava a pergunta boba, não apenas por excluir orientais e negras, entre outras, mas porque mais uma predileção se excluía: as ruivas.
Hoje, portanto, pra quem desconhece esse meu passado semi-caiçara, é relativamente fácil ouvir sobre minha preferência acerca das branquelas cheias de sardas e pintinhas. Mas já era assim quando eu passava boa parte do dia debaixo do sol, tocava violão em rodinhas nas fogueiras e até mesmo tocava percussão quando rolava um samba (pois é, até esse dado curioso faz parte do meu passado).
Sempre gostei das branquinhas, as branquelíssimas.
E desde então, para até os dias de hoje, tais moças estão fora dos "padrões", o que só me faz ficar puto com toda forma de padronização - como a onda de enaltecer o magricelismo, deixando de fora as maravilhosas gordelicious (que ainda por cima sentem CULPA de ser o que são).
Escrevi aqui, há algum tempo, sobre bronzeadas e clarinhas, dizendo que o ideal é manter a naturalidade - e isso vale para magrelinhas e cheinhas. O importante é ser NATURAL, sempre prevalecendo a saúde (anorexia não faz bem, da mesma forma que entupir artérias não chega a ser exatamente uma boa). Perseguir um padrão pelo fato dele ser "um padrão" é ridículo. Mas isso, embora importante, é ainda outro papo.
Quero falar bem das branquinhas, mesmo. Tenho certeza absoluta de que não sou o único a preferi-las. Talvez sejamos uma minoria silenciosa, mas não me impressionaria caso surgissem mais e mais entusiastas desse estilo. Não é como ter uma tara maluca, por exemplo, nem um desejo inconfessável. Há musas cinematográficas como Nicole Kidman, Juliane Moore, Monica Bellucci, Charlize Theron, entre outras, que não me deixam mentir.
Para alguns filmes, elas precisam fazer bronzeamentos assim como algumas outras atrizes - ou elas próprias - partir para dietas malucas, entre outras epopéias estéticas. Dizem que é para adequação ao papel, mas geralmente é bobagem. Isso diz mais respeito a agradar ao público. A grande maioria (declarada), prefere as bronzeadinhas com marca de biquíni ou, como dizem os antigos, "é sinal de saúde".
Parte disso é meio ruim, como no caso da modinha vampiresca, dessa coisa meio emo, de um resgate às vezes enviesado do bonito visual pinup, que trazem à baila uma estética da tez branquinha às vezes meio bagunçada. Mas, mesmo pagando esse preço, mantenho minha predileção.
Até porque, convenhamos, os constantes "resgates do bronzeamento" não são também dos mais louváveis: mulheres-fruta, garotas da laje, musas do axé e outras 'beldades' não necessariamente representativas da elegância feminina.
Sou da minoria que prefere as branquinhas.
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transubstanciado por gravata às 06.04.10 | 51 comentários
02/04/2010
ABERTURAS DE FRINGE: ATUAL E OITENTISTA
A abertura normal:
E a especial, pro episódio "Anos 80s" (2.16), cujas ações se passam sem sua maior parte em flashback:
Excelente, né?
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transubstanciado por gravata às 02.04.10 | 3 comentários
02/04/2010
NÃO COMER CARNE APENAS NA SEXTA SANTA É COISA DE IDIOTA
E ignorante, claro, além de hipócrita. Mas fico com a idiotice, minha opção favorita, pois de certa forma soma ignorância e hipocrisia, além de garantir uma burrice extrema inalienável. Mas, claro, não é um desabafo dotado da mais pura falta de respeito. Ao contrário! Falo aqui, antes e acima de tudo, em favor da tradição cristã. Duvidam? Vamoquevamo!
A tradição católica não diz respeito à Semana Santa ou, mais ainda, apenas à quinta ou sexta-feira, mas sim a TODA A QUARESMA, ou seja, aos QUARENTA DIAS QUE ANTECEDEM A PÁSCOA. Não adianta, portanto, trocar seu bifinho por peixe em um ou dois dias, mas manter toda a esbórnia nos outros 38 dias. Você, amigo ou amiga, é um idiota. É como que, para não pegar DSTs, deixasse para colocar camisinha apenas nos três segundos finais de uma transa (desculpem a analogia, foi a que veio mais rápido).
Isso de não comer carne é apenas UMA das renúncias e, diga-se de passo, a mais simples. O catolicismo impõe jejuns, abstemia alcoólica total, extrema sobriedade e um sem-número de penitências. Religião é isso, amiguinhos: um pacote completo fechado. Por essas e outras, não sou de qualquer crença. Mas, quem é, que aceite por completo, ou então não adianta dar "migué" e ficar sem carninha só um dia para fazer de conta que é do clube. Isso, com todo respeito (ou quase isso), é idiotice.
"Ah, mas o mundo mudou". Sim, claro. Religiões, porém, não mudam. É a diferença entre secularidade e instituições milenares. Até hoje há gente que se diga católica apostando na "alegoria" de Adão e Eva, quando na verdade o Éden é o PILAR BÁSICO de todo o cristianismo (resumindo: o Pecado Original é aquele do qual Cristo libertou parcela da humanidade - sem ele, não haveria um Salvador). Outra curiosidade - não sei se apenas brasileira - é a existência do "não-praticante".
E ainda nisso de "o mundo mudou", vale lembrar que apenas a parte chata some com o tempo. As duas pontas da Quaresma continuam vivíssimas para o povo, inclusive os não-adeptos do cristianismo: Carnaval e Páscoa. A festa pagã romana (no cristianismo, usada justamente para resguardá-los quanto aos 40 dias de penitências) e a comemoração da ressurreição do Messias cristão (também uma libertação desses 40 dias de sufoco) prosseguem com a bola toda (nos dias de hoje, em forma de esbórnia sem fim e distribuição de chocolates, respectivamente).
Daí que algum incauto resolve, deliberada ou inadvertidamente, comer um pouco de carne vermelha (curiosidade: podem comer peixe, camarão etc.) justo no "dia proibido". Por incrível que pareça, há os que passam REPRIMENDAS dizendo que é "pecado". E praticamente todos os que passam sermões, a grande minoria se resguarda durante os 40 dias. Deixam para comer bacalhauzinho zoado só na sexta-feira e olhe lá, considerando desaforo a desobediência a seus ritos.
Que ritos? Fizeram a maior esculhambação com a Quaresma! Transformaram QUARENTA DIAS DE PENITÊNCIA em um almocinho de bacalhau ou camarão ou qualquer outra coisa. Sim, é bem chato passar esse tempo todo sem beber, e sofrendo, e vez por outra jejuando. Quem não gosta, que largue a religião (eu não tenho, entre outras coisas, por causa disso). Mas, se quer ter, siga à risca e não invente moda. Ou então, alguém pode muito bem comer uma chuleta sangrenta nesta sexta-feira e dizer que é igualmente cristão.
Afinal, qual a diferença pra quem ficou 39 dias na bagunça?
Revisão: Hellen Guareschi
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31/03/2010
HOMENS ODEIAM MULHERES QUE QUEREM APENAS TRANSAR: MAS NÃO POR SEREM CONSERVADORES
Não, não são. Os caras gostam dum sapeca iá-iá! Gostam duma bagunça, querem aprontar, querem sair por aí pintando o sete e bagunçando o coreto, mas por que cargas d'água odeiam a garota que também quer apenas um telecoteco? Explico: porque se apaixonam e, apaixonados, sofrem feito diotas. É isso. Esse ódio vem do medo.
Homens são cagões e praticamente todos levam na cabeça quando conhecem uma garota que apenas quer sexo (falo dos que têm vida sexual dentro dos limites razoáveis, é claro). Isso, claro, quando ela não cede antes. Isso porque as mulheres, quase sempre, acabam entregando a rapadura. Explico.
Esse jogo do "só sexo" não é SEMPRE que funciona como o combinado, não é mesmo? Começa de um jeito, mas no curso do contrato a cláusula do objeto muda significativamente e, pelas tantas, os dois já estão no maior chamego, querem mais, tal e coisa. Até que um faz alguma cobrança e a outra parte levanta o documento original, dizendo: "peraí, olha o que assinamos", prosseguindo - "é apenas sexo e nada de compromisso". Fuéim!
O papel sentimental, estatisticamente, cabe às mulheres e os homens socialmente pagam de fodões. Mas é claro que NEM SEMPRE tudo acontece dessa forma. Há garotas que seguem à risca o quanto combinado e, claro, o caboclo é quem "confunde as coisas", cabendo à moça colocar os pés do bonitinho no chão.
Assim nasce o "ódio" a que me refiro no título.
Essa coisa da 'aceitação social do homem garanhão' e, ao mesmo tempo, 'condenação da mulher emancipada sexualmente' trouxe um efeito colateral interessante: na hora do pé na bunda nesse tipo de relacionamento exclusivamente carnal, o homem não sabe onde enfiar a cara, enquanto a mulher é totalmente compreendida pelas amigas. O 'comedor' passa por otário, a 'abandonada' se torna mais uma vítima do salafrário.
Por óbvio, não é nada disso, pois ambos passam exatamente pela mesma experiência, mudando apenas a estatística: há mais mulheres que homens se apaixonando nessa modalidade de relacionamento. É como dizer - se fosse para trocar o título: "mulheres odeiam homens galinhas" (é como são denominados pelas moças os cumpridores do 'contrato original').
Não há aí, de maneira alguma, qualquer conservadorismo, ainda que haja carência afetiva ou uma busca pelo amor ideal de forma inconsciente, indireta etc. Mas nada disso indica perfil CONSERVADOR. Topar uma relação exclusiva ou predominantemente sexual é uma opção liberal, libertária, safada, sacana, e assim por diante. Cobrar o contrário, ao longo do tempo, e sobretudo culpar a outra parte (por medo ou fuga), é o grande problema.
Na real, homens adoram mulheres que gostam de dar, desde que elas se mantenham sob controle, passivas e obedientes. Quando elas permanecem naquela toada puramente sexual e eles se apaixonam, a admiração vai pro vinagre. E com as mulheres, em relação aos homens, acontece a mesma coisa.
É mentira?
Em tempo: essa não é exatamente a MINHA opinião. Muitas vezes falo "os homens", mas explico genericamente as cagadas da nossa não tão gloriosa classe masculina. Esse é mais um caso desses e espero que entendam. Sem dúvida, já tomei na orelha várias vezes, mas nem por isso pus a culpa na sexualidade da garota e, bem honestamente, adoraria que todos fizessem o mesmo.
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28/03/2010
UM VOTO DE CONFIANÇA ÀS LEITORAS BONITAS E GOSTOSAS
Sempre que me perguntavam sobre as leitoras do blog (as desconhecidas, evidentemente), tinha uma imagem mental generalizada, bem pouco agradável a respeito dessa figura mítica (quase diria "mitológica"). Hoje, porém, essa imagem mudou. Explico.
Fui com meu irmão ao restaurante Tiger, do meu grande amigo Edvan e, como sói, somos recebidos pela Hostess (hoje estava ali uma garota nova). Vale explicar: trata-se de um dos melhores japas de São Paulo, localizado na Vila Nova Conceição e, nesse sentido, vocês podem calcular o grau de belezura da moça a nos recepcionar. Sigamos.
Logo que sentamos, nosso amigo vem à mesa e conta a "fofoca": a Hostess perguntou se eu era o "Gravataí Merengue" e, mais ainda, se eu era o "Gravataí Merengue do site". Obviamente supus aí uma palhaçada e não caí na troça, mas ele insistiu, já falando seriamente, e era mesmo verdade. Ela é leitora deste blog. E nem seria uma tática de marketing do estabelecimento, pois já vou lá toda semana e o dono da bagaça é meu amigo desde 1999.
Enfim, não fui "reconhecido" por um nerd pentelho ou qualquer chatonildo desses de costume, mas sim por uma leitora evidentemente linda pra diabo. Desse modo, sou obrigado a dar um voto de confiaça a todas as demais. Peço desculpas públicas se já duvidei - e, sim, duvidei... - dos atributos físicos de todas vocês.
EXISTE A LEITORA DE BLOG BONITA E GOSTOSA! Não é mito, não é lorota, não é falácia, em suma, não é um "enterro de anão" em forma de existência humana. Pode ser que a estatística ainda não seja favorável a tal índice, mas hoje ao menos pude constatar esse fato.
Ah, sim! Seguramente a Hostess deve ter gargalhado de minha feiúra, é claro, pois "reconhecer o cara do site" é algo bem diferente de "cair de amores pelo galã da novela" - ainda assim, isso é melhor do que levar tapinha nas costas de moleque chato, né?
Mas é isso. Leitora bonita e gostosa, saiba que agora acredito em sua existência.
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28/03/2010
O MITO DO TROLL

O Troll não existe, trata-se de uma desculpa, uma fuga para quando não se quer ou não se pode discutir com alguém (essa é a opção mais usada pelos que imputam tal pecha). Claro, a denominação internética é consagrada e há figuras a fazer jus etc. Mas falo aqui de um mito como essas "leis" elaboradas para não haver discussão, poupando o interlocutor de um vexame - em geral, uma surra argumentativa.
Não poderia ser outro, o primeiro exemplo, senão Izzynobre, conhecido por "kid". Trata-se de membro fundador de nossa gloriosa TROLLAGEM LTDA., organização sem fins lucrativos, mas com total finalidade jocosa, e aclamado aqui e alhures como um inequívoco troll. Pois bem: por quê? Pelo fato de iniciar bagunças - ataques? - e dar risada depois da polêmicas disso resultante. Ponto.
Em síntese: é pura galhofa.
O chamado "troll" é aquele que faz, por farra, o que o idiota efetivamente faz a sério. Sabe quando alguém diz "a carne do McDonald's é feita com minhoca"? Trata-se de um imbecil, por óbvio. É o tipo da bobagem que o kid inventa para começar uma discussão sem fim, da qual ele se retira para trabalhar ou fazer algo melhor da vida, enquanto alguma rede social (Orkut ou Twitter) pega fogo. E isso vale até para questões já surradas, como a grafia de "muçarela" ou o gênero da palavra "dó".
Mas o importante, aí, é a qualificação da pessoa, e isso interessa às outras partes. Ao carimbar fulano ou sicrano como "troll", imediatamente o interlocutor se vê livre de qualquer discussão e, assim, evita a humilhação de levar sopapos verbais diante do grande público.
Quem passa por isso vez por outra é Flavio Morgenstern, dono de texto excepcional, conhecedor de filosofia e grande debatedor. Mas quando começa uma discussão, não são poucos os que o qualificam como "troll", para fugir com o rabo entre as pernas evitando assim um espancamento - fora aqueles que respondem até robozinho de tuíter, mas na vez de rebater críticas do Flavio dizem que "não podem dar ouvidos a qualquer um". Ok, então.
Uma outra falácia engraçadíssima é aquela coisa de que "os trolls não constroem nada". Sério, o que qualquer pessoa da Internet já construiu na vida? Quem são esses empreendedores? Montaram um blog? Criaram perfis em redes sociais? Quais são suas obras? O que deixaram para a posteridade? A quem se referem quando falam sobre "construção"?
Certa vez, o chapa-master Morróida e eu falávamos sobre a gritaria quanto às hashtags que "emplacam" ou mesmo vão parar nos tais TrendingTopics - hoje em dia, comemoram quando, em plena madrugada, vão parar nos TTs do Brasil. Nossa risada foi por conta do #lingerieday, que ficou cerca de três horas, em pleno "horário de pico", nos Trendings mundiais, e nunca demos bola para isso (fora o fato de termos criado o #standupbr, usado até por quem nos odeia - e talvez agora parem de usar, já que cultivam aquele rancor típico dos adolescentes).
Mas, enfim, são essas as "glórias" dos inimigos dos denominados "trolls". Algo como "emplacar hashtag". Convenhamos, comemorar esse tipo de coisa é algo vergonhoso, algo próximo de se dizer "vice-campeão de pebolim no sub-16 de Arapiraca" - e digo isso com o maior respeito do mundo em relação à gloriosa cidade de Arapiraca (no pessoal e no profissional).
O fato é que "trolls" não existem. Aqueles que tomavam cuecão no colégio talvez vejam nos mais brincalhões uma sombra daqueles agressores, mas isso é caso para análise, não adianta inventar um nome genérico para fugir das discussões como faziam nos tempos em que tomavam bicuda na lancheira. Os tempos são outros.
E isso de "se não concordo, não sigo; se não concorda, não me siga" é postura de menino mimado, reflexo patente de quem levou pescotapa durante a fase de crescimento. Claro que é possível discordar, seguir, conversar ou mesmo discutir. É absolutamente saudável e isso faz parte da vida. Quer dizer, da vida das pessoas normais.
Com exceção daqueles que, incapazes de dialogar, inventam denominações a todos os demais, mantendo-se sempre num mundinho inviolável, muito parecido com aquele cantinho do pátio, bem próximo da sala de aula, onde ficavam sozinhos, amuados, traçando planos para quando chegasse o grande dia.
E tal dia não chegou.
(sem revisão, na raça e vamoquevamo)
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26/03/2010
JULGAMENTO DOS NARDONI X BBB: QUEM É PIOR?
Todos devem ter visto aquele povo amontoado na porta do Fórum de Santana, clamando por justiça em razão do julgamento do "Caso Isabella". Pra quem ainda não viu, algumas imagens:





A opinião, em especial no tuíter, é a de sempre: gente desocupada, não tem o que fazer, fica enchendo o saco, deveriam arrumar algo pra vida etc. E, bom, eles têm toda razão (não os 'manifestantes', mas quem os xinga). Realmente, é ridículo. Esses 'populares', quando resolvem tumultuar, são o fim da picada.
Mas já sentiram o "clima BBB", lá no mesmo tuíter?
Não falo aqui sobre quem vê ou deixa de ver o programa - curtir bizarrice é um delicioso prazer garantido pelo Estado Democrático de Direito. E nem entro no mérito de quem comenta sobre a atração em uma rede social, pois isso também faz parte das regras do jogo. Trato, especificamente, do CLIMA DE GUERRA e de verdadeira INSANIDADE por conta de um reality show.
A coisa é pesada, amigos. Pesadíssima.
Se já parece estranho "torcer" para um participante, tudo ganha ares bisonhos quando uns e outros publicam DISSERTAÇÕES para defender seus favoritos, naquele esquema conhecido: enaltecendo supostas virtudes e escondendo derrapadas. Mais ainda: CRIAM BLOGS ESPECIALIZADOS EM BIG BROTHER, ou fazem aqueles negócios de transmitir ao vivo, não exatamente passando o programa, mas comentando durante a apresentação (a Globo transmite e o leitor acompanha os comentários "legais" de uns e outros).
Aquele povo das fotografias já vai ficando menos estranho, né? E tem mais, bem mais. Quando há os tais paredões, por exemplo, é um tal de "forafulano" ou "ficasicrano" que gera uma miríade de follows/unfollows, muitas vezes resvalando para as brigas ou mesmo agressões e insultos - no caso "Tessália/Edredon", como sabemos, a turma do moralismo chegou a xingá-la de forma pesadíssima, grosseira, nojenta, chamando-a até de "Semem engole" (dias depois, achavam um absurdo tirar sarro de quem teve a conta suspensa, pelo fato de que não se deve ter prazer com desgraça alheia - juro...).
Os fanáticos pelo BBB, que brigam e saem da realidade por conta da atração, podem usar em sua defesa o fato de que estão em casa, em vez de ir até o Fórum de Santana. É verdade. Mas há outros argumentos contrários contundentes: não há agressões no tuíter sobre teses jurídicas pró ou contra quaisquer dos lados.
Mas a mais importante é a seguinte: o "caso Isabella" é real. Por mais que quase todos ali queiram aparecer e sejam mesmo patéticos, no fim das contas protestam por algo verídico, uma tragédia que realmente aconteceu, um homicídio de verdade. Os "fãs de BBB", por sua vez, gritam, urram, brigam e saem da realidade em nome de... sei lá, em nome de nada.
Quem é pior? Sugiro empate técnico. Ou derrota dupla.
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24/03/2010
A VIOLÊNCIA EM PICAPAU
por Dionéscio Klux
Uso este espaço para manifestar minha indignação perante o desenho-animado que passa as piores noções para nossos infantes. Os petizes do mundo todo - Brasil incluído - são, há décadas, influenciados por um sem-número de péssimos exemplos. Provavelmente, é isso que tem criado gerações e gerações de delinqüentes.
Provarei.
Noções Gerais

Picapau, na natureza, é um pássaro como outro qualquer, mas na atração televisiva é um verdadeiro facínora alado - nos primeiros desenhos, aliás, era efetivamente um maluco, com sérios problemas de natureza psíquica. Todas as soluções da personagem apontam para a trapaça, violência, sabotagem e qualquer subterfúgio antiético.
Em vez de entoar seu canto entre as árvores, ele corre atrás de fortunas, mulheres, iates, mulheres, charutos, mulheres, entre outras buscas não exatamente edificantes para a criançada de seis ou sete anos de idade. E passa a perna em donos de açougues, pousadas, bares (sim, ele bebe, veremos a seguir) e outros estabelecimentos.
Além disso, humilha subalternos, como seu cavalo, dando-lhe nomes como "Pé de Pano" e, mais ainda, realiza "pegas" dirigindo automóveis em alta velocidade - não me deixam mentir os que já viram episódio conhecido por "Picapau Rachador" (sim, de "tirar racha").
* * *
Ecologia I

A mensagem nada subliminar é a de DERRUBAR ÁRVORES E DESTROÇAR O MEIO-AMBIENTE; e digo "nada subliminar" porque certa feita um senhor muito preocupado com a vegetação é ridicularizado pelos roteiristas enquanto o "herói" prossegue em sua devastação.
O aquecimento global de hoje, prezados leitores e defensores da tradicional família, deve-se ao descaso com as plantinhas e, de certa forma, esse pássaro maligno tem sua dose de culpa.
* * *
Ecologia II

Já viram quem são os inimigos do crudelíssimo Picapau? Ele surge como coadjuvante num desenho de um PANDA! Depois, uma morsa, um jacaré e até mesmo um abutre, passando por ursos da América do Norte e todo tipo de animais em extinção. Que mensagem é essa que pretendem passar aos nossos guris? Faltaram aí a Maricota Ararinha-Azul, o Chico Cachalote e o Sebastião Dragão de Komodo. Lamentável, lamentável.
* * *
Racismo

Quem é o maior inimigo de Picapau senão ZECA URUBU? Por que cabe ao NEGRO o papel de vilão? Todos sabemos que o urubu - ou abutre - tem sua função utilitária na cadeia ecológica, mas o desenho presta mais esse desserviço, agora de ordem discriminatória. Sempre que se mete em presepadas na esfera do crime, o "herói" está na companhia de quem faz alusão ao povo afrodescendente. E as crianças, claro, recebendo essa informação equivocada.
* * *
Tabagismo

Sem meias palavras: PICAPAU FUMA. Não só charuto, mas também CIGARRO. E, sim, Zeca Urubu - do tópico acima - está sempre com um charuto véio de padoca no bico (pra piorar o estereótipo). Hoje o cigarro já foi adequadamente abolido até das telenovelas noturnas, mas ainda pode ser visto na boca desse passarinho dos infernos. É intolerável.
* * *
Alcoolismo

Pois é, sentinelas da família, ele bebe. Ah, mas bebe. E como se não bastasse o vício no álcool, ainda fazem gracinhas com os nomes das bebidas - uma delas, para se ter idéia, mostra uma espécie de felino engarrafado. Para piorar, Picapau não o faz socialmente, mas apenas em botecos sujos e virando o copo de uma vez.
* * *
É chegada a hora, pois, de unirmo-nos contra esse tipo de lavagem cerebral perpetrada contra a inocência de nossos pequenos. Sorte dos homens-bomba de Osama Bin Laden, por exemplo, que cresceram livres dessa violência toda e chegaram à idade adulta pregando a paz.
Saudações morais e cívicas.
* * *
Se vc não entendeu, lá vai.
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23/03/2010
N97: QUEM GANHOU ADOROU, A NOKIA ACHOU UMA MERDA
Recentemente, houve um evento da Nokia, para lançar o modelo N97. Não lembro o nome, mas correu o tuíter com alguma hashtag bonitinha e uma porção de pessoas cobrindo o aparelho de elogios. Muitos elogios. Mas muitos, muitos, muitos, mesmo. Por coincidência, vários participantes ganharam seu N97.
Mas o fato de ganhar não significa que falariam bem, não é mesmo? Falam bem porque é bom. Hm... A opinião não é compartilhada pelo Sr. Anssi Vanjoki, Vice Presidente da empresa, segundo o qual o N97 "deixou muito a desejar". Ah, sim, ele não falou em vendagem, mas em "em termos de qualidade" e esse fracasso servirá como experiência para que melhorem seus próximos aparelhos.
Não sei se todos chegaram a ver a cara do povo sorrindo enquanto brincava com seus aparelhinhos novos, mas o semblante do VP da Nokia não lembra em nada com aquela alegria:

Enfim, é isso. Mas foi só um incidente isolado. Quando houver outro eventinho do gênero, torçamos para que, meses depois de um celular ser elogiado à exaustão pelos convidados presenteados, nenhum vice-presidente da empresa surja dizendo que tal aparelho seja uma merda.
Oremos.
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vai VOAAAAAR!!!
transubstanciado por gravata às 23.03.10 | 8 comentários
21/03/2010
HOUSE, O CLÍNICO GERAL
Séries de TV não são documentários, mas obras de ficção, fantasia etc. - e aí está a maior parte de sua graça. Imaginem a chatice de LOST sem a criatividade dos roteiristas (tá bom, eles extrapolam). Desta feita, é risível supor que House, seriado médico aparentemente verossímil, não seja totalmente fantasioso.
Ele é. E do começo ao fim.
Pra começo de papo, nada disso tira o mérito da coisa. Eu gosto, não ligo para a fórmula batida:
"Paciente aparece com alguns sintomas, enchem de remédios errados, fazem exames equivocados, tudo piora, já vai quase morrer, enquanto o bonitão vê uma partida de curling comendo tremoço. Então um assistente pede um dos salgadinhos e ele pensa: "tremoço..." - corre até o quarto do sujeito já moribundo e diz: "seu avô visitou Bangladesh quando era moço?" e, sem esperar resposta, inicia tratamento para algum parasita asiático. Acabou."
O erro não está na descoberta milagrosa, nem na sucessão de diagnósticos furados, nem num médico maluco com roupas descoladas vendo uma partida de curling e viciado em opiáceo. Tudo isso é bobagem. São os detalhes feitos para dar charme à série e personagens.
House exerce a clínica geral. Num hospital grande e dos bons, ele no máximo pegaria pacientes com piriri - se o caso for muito grave, nem isso, pois logo passam para o "gastro". Seu papel "real" seria dizer "é virose", seguido do "repouso de tantos dias" e "toma isso aqui". Fim de papo.
Não teria uma equipe, não teria acesso irrestrito à sala de ressonância magnética, muito menos à de cirurgias. Jamais trataria cirurgiões como "inferiores" e, bom, seu salário mereceria um capítulo à parte - para ilustrar, ele nunca daria ordens a um neuro (de formação excepcionalmente melhor) ou um cirurgião plástico consagrado (mil vezes mais rico). As viagens no tempo de LOST são menos inverossímeis.
Para não ficar tão ridículo pro lado do manquetola, dizem que é infectologista (ou epidemologista?) e ainda nefrologista. Mas, ao contrário dos que investigam a cura da AIDS ou realizam trabalhos excepcionais tratando de rins, Gregory faz plantão na Clínica do tal Princeton-Plainsboro, cutucando ranho e remela dos outros.
Provavelmente em busca de alguma dose de realidade, vez por outra tentam passar a idéia de que House seria "viciado em diagnosticar" - de modo que teria optado por tal posição hierarquicamente inferior. Besteira, né? Precisam, de algum modo, preservar a "genialidade" da figura central para agradar aos fãs - e estão certos em fazer isso.
Os caras de LOST talvez morressem na queda do avião ou, se dela escapassem com vida, talvez empacotassem naquela ilha deserta. Mas o legal de tudo é a fantasia, a genialidade dos roteiristas. Em House, não é diferente. Ele poderia apenas passar atestados aos que têm viroses, piriri ou dor de cabeça, mas em vez disso tem sacadas brilhantes, em meio a circunstâncias inusitadas, sempre depois de quase matar o paciente.
Muito melhor! É uma novela das oito, provavelmente da Gloria Perez, e sempre exibindo o mesmo capítulo. Mas num mundo em que a novelista dos rocamboles científicos acerta a mão e não existe Eri Johnson. Pra mim, está ótimo.
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transubstanciado por gravata às 21.03.10 | 10 comentários
20/03/2010
DE QUANDO A MULHER NÃO GOSTA, MAS ENCASQUETA
Em muitos (muuuitos) casos, as mulheres não gostam dos homens: elas "encasquetam", cismam, pegam uma espécie de "birra às avessas". É como se fosse uma paixão, em alguns momentos chega a ser muito parecido e as partes confundem, mas não é nada disso. Vocês vão entender e, tenho certeza, concordar.
Falei das mulheres porque eis aí uma das POUCAS vantagens dos homens. Nós não temos isso. Quando gostamos - e muitas vezes acontece, é claro -, caímos de quatro e somos os maiores idiotas do mundo. Nos casos negativos, somos os "espertuchos". As mulheres, por sua vez, têm três condições sentimentais: ou gostam (e são idiotas), ou não gostam (e pisam), ou... ENCASQUETAM - e passam a vida toda pensando nesse camarada.
Todos já passamos por isso, sejamos honestos. Você, mulher, tem aquele cara por quem cismou lá pelas tantas e no qual pensa de vez em sempre. Não adianta negar. Você não o ama, nem é tão apaixonada e, por incrível que pareça, tem certeza de que daria muito errado qualquer tipo de relacionamento. Mas o caboclo está nos seus pensamentos - e, às vezes, em algumas ações (como trocar emails, mensaginhas ambíguas de MSN, entre outras coisas, mesmo quando está namorando outrem).
Você, prezado amigo, já deve ter vivido isso (se nunca teve algo assim, sua vida é mesmo uma bosta). Aquela garota com quem não deu certo, a coisa não foi pra frente, enfim, mas sempre que se encontram o negócio esquenta, trocam olhares, ou rola um email diferente, mensagens "estranhas", a velha história. Não, ela não está apaixonada - e pode apostar que nem cogita ter algo sério contigo. Ela apenas encasquetou, cismou, pensa em você mais do que devia.
Não sei explicar o motivo disso, e se o fizer provavelmente será pura especulação. Mas o fato acontece e duvido alguém negar. Talvez esses casais que começaram namoro aos doze anos, vá lá (isso se não "deram um tempo" com idade suficiente para enfurnações de robalo). Mas um sujeito, por mais que seja babaca, terá alguém pensando nele em algum momento do dia.
E isso não é bom. Na verdade, é péssimo.
Sobretudo na hora de namorar, casar etc. Explico: sua esposa também terá um "encasquetado" e, claro, NÃO SERÁ VOCÊ. Sim, meu caro, é a vida. Sabe aquele monte de mancada que você deu ao longo da vida, impedindo relações que "poderiam dar certo"? Pois é, alguém fez o mesmo com ela e... ela ficou contigo.
Sim, ela provavelmente o ama. E ao longo da vida, é claro, atropelou uma porção de babacas de quem não gostou. Mas não duvide da existência de algum sujeito por quem ela seja "encasquetada", algum camarada que tenha dado algumas mancadas, mas a faça pensar quietinha num canto vez por outra - como você em relação a tantas outras.
Pronto, voltaí pro seu filminho a dois. :D
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 20.03.10 | 18 comentários
17/03/2010
ST. PATRICK, NACIONALISMO E BURRICE
Nacionalistas tendem a ser burros, especialmente quando adotam aquela posição de contestar toda e qualquer manifestação "estrangeira", seja festividades ou esportes, lutando para que algo nacional seja posto em maior destaque. E as aspas no estrangeirismo são necessárias, pois mal sabemos o que se poderia denominar "brasileiro".
Hoje, dia 17 de março, comemora-se o Dia de São Patrício - St. Patrick's Day. Trata-se de festividade irlandesa, em homenagem ao sujeito homônimo que teria pregado o cristianismo na Irlanda. Assim como no Natal, evidentemente, ninguém liga para o contexto religioso e o negócio é festejar: a festa de agora é uma ocasião puramente etílica, em especial para a cerveja.
E a cerveja é tão "brasileira" quanto o futebol - quando se trata de algo estrangeiro agregado e adaptado ao longo dos tempos -, daí o sucesso, a rápida adaptação e a facilidade com que tal "dia" se alastra entre a rapaziadinha descolada e tantos outros.
Assim como a gloriosa bebida não surgiu no Brasil (foi na Suméria, ao que parece), o futebol também não começou aqui, mas na Inglaterra - pertinho da Irlanda, terra da data execrada pelos nacionalistas. E não é só isso: uma porção de outras coisas exaltadas por eles, na verdade, são tão brasileiras quanto um esquimó.
Vejam o samba: é africano. Foi trazido da Bahia para o Rio, mas sua origem é inequivocamente africana, tendo sido adaptado ao longo do tempo pelos brasileiros e, até mesmo, mudado de forma brusca depois da intervenção dos nacionalistas que não aceitavam instrumentos de sopro, entre outras coisas (isso por volta de 1920 - sim, sim, eu li o Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, que remete à brilhante tese do antropólogo Hermano Vianna). E o músico vetado foi ninguém menos que Pixinguinha. Mas sigamos.
Outro símbolo da cultura brasileira é o Carnaval, festa originada na Roma Antiga e definitivamente estrangeira. Não se vê tais idiotas propondo "Semana do Saci", na época dos festejos de Momo, como fazem quando escolinhas infantis sugerem algo para o Halloween ou agora, no dia de São Patrício. Talvez pela antiguidade do Carnaval - mas suspeito que mais pela burrice, já que poucos conhecem a origem da festa.
A lista já está boa, não é mesmo? Cerveja (suméria), futebol (inglês), carnaval (romano-pagão)... O que é "brasileiro" nessa história? Os índios? Quem desses chatos sem vida sexual comemora alguma coisa para louvar Tupã? Nenhum. E muitos fumam Marlboro, esse verdadeiro ícone da brasilidade.
Por essas e outras, aconselho a todos (com idade bastante para isso, é claro) que aproveitem o dia de hoje, ligando ou não para o contexto da festa. E também aproveitem Carnaval, futebol, cerveja e todas essas coisas ótimas que não são brasileiras. Como o samba, aliás. Já ia me esquecendo do samba, quase tão bom quanto o rock, inventado por negros americanos e melhorado por brancos ingleses.
Um dia a gente acerta uma, tenho fé.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 17.03.10 | 21 comentários
15/03/2010
TOP 5 ROBERTO CARLOS
Recebi de meu amigo Ian Black um desses negócios de postagem coletiva, mas ao contrário do que sempre faço aceitei imediatamente. A razão é simples e está no título do post: músicas favoritas do Roberto Carlos. Poxavida, não dá para recusar, não é?
A brincadeira foi motivada por uma exposição na Oca do Ibirapuera, e a sugestão é a de que todos ponham as músicas com áudio. Daí surgiu a idéia (talvez execrada por muitos): resolvi CANTÁ-LAS. E, não contente com a peripécia, também gravar e mostrar a vocês.
(vale lembrar: ninguém é obrigado a ouvir :D)
Desse modo, a seguir estão minhas cinco favoritas, gravadas naquele esquema precário de microfone do PC, e devidamente comentadas. Divirtam-se (se for possível).
Como Dois e Dois
Começo com a menos robertocarlística de todas, pois a composição é de Caetano Veloso e, pra piorar, aprendi a gostar ouvindo com Gal Costa, quando comprei seu disco "Fa-Tal - Gal a Todo Vapor", registro de um show de 1972 somente liberado em CD por volta de 1995. Em 2001, por aí, fui ouvir com Roberto Carlos e a música deixou de ser apenas política para ganhar seu sentido romântico mais amplo.
Porque, de fato, não é apenas uma canção de contestação política. É mais que isso, é "também", mas transcende. E a interpretação de Roberto Carlos permite fazer essas leituras mais amplas - o óbvio da oposição ao regime e a leitura mais complexa de uma relação a dois. O ouvinte de hoje, se alheio ao contexto da época, talvez ache óbvia a leitura mais lírica.
* * *
Fera Ferida
Essa é uma daquelas que ganharam fama de música cafona, justamente por evocar a velha e tradicionalíssima temática da "música de corno", mas é importante notar não apenas a delicadeza da letra mas sobretudo a graça da melodia.
A obra de Roberto Carlos é repleta disso: sentir se sobrepõe a pensar. Viver e agir, portanto, estão num patamar muito menos dependente da perspicácia e absolutamente atrelado às necessidades do sentimento (ou da alma, quando se trata de canções religiosas etc.). Sempre há uma "entrega".
* * *
Ele Está Pra Chegar
Queria colocar uma religiosa, mas a verdade é que não gosto de "Jesus Cristo" - não que não seja boa, acho ótima, mas pelo contexto da época fica patente a imitação das demais canções religiosas feitas no embalo da "soul music" e, na minha opinião, Roberto Carlos já não precisava macaquear esse tipo de coisa.
Além disso, eu já tinha uns 5, 6 anos quando a música fazia sucesso, de modo que me lembro dela tocando em casa, nas rádios, na TV etc. Para mim, é claro que marcou mais e seria o melhor exemplo de "música religiosa" a ser usado aqui. Por fim, acho a melodia ótima - sem essa letra profética, seria uma canção irretocável sob qualquer ponto de vista.
* * *
Quero Que Vá Tudo Pro Inferno
Ao contrário do que falam sobre "Detalhes", esse é o maior sucesso de todos os tempos da carreira do Rei. A canção ficou nada menos que TRÊS ANOS nas paradas de sucesso - algo um tanto impossível para os dias de hoje. E é simples, até meio boba, mas direta e bonitinha como todas aquelas da Jovem Guarda.
Mais recentemente, ele refutou tudo isso de "inferno" etc., mas não é verdade que a música tenha sido banida de seu repertório tão imediatamente, pois em 1975 ele a regravou (ela foi originalmente lançada em 1965).
* * *
O Calhambeque
É uma canção de Gwen e John Loudermilk, vertida por Erasmo Carlos e, claro, famosa na voz de Roberto. Eu gosto muito e, para mim, é a melhor da Jovem Guarda - em que pese a fama avassaladora de "Quero Que Vá Tudo Pro Inferno". É animada, engraçada, extremamente bobinha, mas a melodia é bonita e, sei lá, eu gosto mesmo.
* * *
Enfim, é isso. A idéia desse negócio passar o post das "5 melhores" para mais tantas pessoas continuarem, como numa corrente. Serei gente boa e deixo a critério de quem quiser. Evamoquevamo!
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transubstanciado por gravata às 15.03.10 | 11 comentários
11/03/2010
HAMBURGRAVATA NO "HOMEM NA COZINHA"
A receita já foi publicada aqui, mas agora resolvi divulgá-la num espaço de maior respeito gastronômico: o blog Homem na Cozinha, do meu chapa Ricardo Cobra. Veja lá!
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transubstanciado por gravata às 11.03.10 | 2 comentários
10/03/2010
15 GAROTAS DO TWITTER QUE VOCÊ TALVEZ NÃO CONHEÇA, MAS DEVERIA...
Anualmente, eu e meu amigo Morróida organizamos uma lista com as "10 Mais Gatas da Blogosfera", cada vez utilizando uma metodologia de votação, e assim por diante. O único 'porém' é que sempre ganham as mesmas garotas - claro, por méritos próprios, sem dúvida alguma. Desta vez, portanto, resolvemos mudar.
Pensamos em escolher aquelas que não são muito conhecidas, não fazem parte das rodinhas mais badaladas, não aderem aos eventos (mesmo aqueles que NÓS realizamos, como "lingerieday"), mas que são definitivamente muito lindas. Ok, ok, parecia fácil.
Então, demos uma dificultadinha: moças lindas e TAMBÉM inteligentes, que mandam coisas legais no tuíter e DEVEM ser seguidas. E então começamos a procurar, também pedindo sugestão para os chegados. Eis a lista, em ordem alfabética (e sem exageros nos comentários, porque muitas namoram, são casadas etc.):
Pode fazer uma piada sobre sexo, falar sobre alguma festa, tratar de seriados, ou comentar sobre o jogo WoW - em suma, a musa de todo e qualquer geek tuiteiro. Ana é biomédica, mora no Rio e torce pro Botafogo.
* * *
A gauchinha Ana é estudante de filosofia e literatura brasileira, mas seu tuíter não tem qualquer pedantaria (coisa comum, infelizmente, quando se trata de povinho acadêmico). Ela fala mesmo de música, cinema, TV etc.
* * *
Jaqueline Arashida curte MPB, música alternativa e até poesia concreta (a tatuagem é um poema de Augusto de Campos, "Código"). Ela trabalha com publicidade em SP, mas veio de SJC.
* * *
Claudia Manoela é corintiana fanática e curte BBB. Mas também entende de artes plásticas, fotografia, poesia, música e até mesmo fala sobre os bons hotéis de Botswana (e isso não é mentira). Ah, sim: ela ensina idiomas e mora em Alphaville.
* * *
Ela junta coisas praticamente imiscíveis: psicanálise e docinhos, Lacan e cupcakes - seus brownies são famosos até entre atores da Globo. Carol, carioca, fala de música, poemas, livros, filmes, feijoada da Portela e, sim, também de doces.
* * *
Sarah, uma carioca que mora em Sampa, também mistura coisas não exatamente comuns numa mesma garota. Ela é assim, de aparência "alternativa", toda tatuada, mas trabalha como programadora (e em várias linguagens). E seu tuíter torna mais difícil rotulá-la: dicas de música, tiradas ácidas, piadinhas curtas e certeiras e assim por diante.
* * *
Andressa, que veio de Brasília para São Paulo, possui algo em torno de 20 mil dígitos de QI (ela consegue terminar uma partida de STOP em 2 segundos, e isso não é uma hipérbole). Em princípio, seu mau humor pode ser interpretado de forma ruim, mas é impossível não gargalhar diante de tanto sarcasmo. Ah, sim: é jornalista, fotógrafa e trabalha com publicidade. E tuíta sobre qualquer coisa da atualidade, especialmente música - obviamente, usando sua ironia.
* * *
Ela é atriz e foi bailarina, de modo que seus tweets são muitas vezes sobre arte (sem aquela coisa chata), e quase sempre tratando de teatro. Mas ela também fala de música, literatura e, por óbvio, faz piadas e solta tiradas engraçadíssimas. Julia é de São Paulo.
* * *
Liz é de BH e estuda Artes Visuais. E seu caso é mais ou menos comum no Twitter: há uma diferença entre a parte pública da timeline e aquilo que se conversa pelos 'replies'. Em suma: ela não está nem aí com nada e escreve o que dá na telha, o que é divertidíssimo, mas se você puxa QUALQUER assunto, ela se mostra inteligentíssima, atenciosa e ainda por cima engraçada. Façam o teste.
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Talvez, desta lista, Liliane Ferrari seja a mais famosa - embora esteja longe de ser "hype de listinhas". Ela já foi bailarina em Londres e pode explicar qualquer coisa sobre Schopenhauer. Também sabe tudo e mais um pouco a respeito da História da Arte e discorre com facilidade sobre as mais transgressoras formas, como os "stickers". Mas não se empolguem: é casada e tem uma filha.
* * *
Claudia, publicitária, fica entre Friburgo e Laranjeiras, o que definitivamente faz dela uma pessoa feliz em termos de moradia. No Twitter, usa toda sua inteligência em nome do sarcasmo e da mais fina ironia. Vez por outra fala sobre música, comenta algum evento da TV, mas sempre tirando sarro exatamente daqueles detalhes que nos escapam. Hm... Claudia tem um pequeno defeito: tuíta pouco (mas, no fim das contas, pode ser uma grande qualidade, não?)
* * *
Mariana é de São Paulo e reúne tweets das mais variadas temáticas, e todos com um traço comum: qualidade intelectual. Pode reclamar do trânsito, de alguma chatice monotemática da timeline ou fazer galhofa sexual. Tudo é sempre com com muita classe - sem prejuízo do valor do escárnio. E se alguém acha que é fácil tirar sarro do trânsito e ainda assim fazer bem feito, experimente ir a um show de standupbr.
* * *
Seria impossível colocar uma foto da Mariana, que é de BH, sem algum gato por perto. Ela ama gatos. Ela tem blog sobre gatos e fala muito sobre gatos. Mas também fala sobre política, temas da atualidade, música e até vegetarianismo (pois é, ela não come carne).
* * *
A Pri, carioca, é economista, corredora urbana e estudiosa da Cabala. Mais uma dessas misturas, né? E são três temas recorrentes em seu tuíter, além de música e dicas de bons lugares do Rio - sobretudo quando ela avisa que acabou de chegar de determinado bar ou restaurante.
* * *
Muitos amigos sugeriram vários nomes, chegou a ter discussão e foi complicado colocar as 15. Mas sou obrigado a dizer que a Thaís (setembro) foi exigência do Morróida, sob pena de nem participar da brincadeira. O mais engraçado é que ela estaria de todo jeito, mesmo assim ele avisou desde o início - e como viu que ela estaria, pediu para que eu colocasse essa observação. Aí está: o Morróida sairia da brincadeira se não houvesse a Thaís na lista. Ok? Como sobrou pouco espaço, vale dizer que ela é de BH, inteligentíssima e sem qualquer papa na língua para falar de tema algum. Mesmo.
* * *
Enfim, essa é a lista e, CLARO, não há condições de colocar todo mundo que poderia fazer parte. Provavelmente, haverá gente discordando, mas a idéia, antes e acima de tudo, foi propor algo diferente das tradicionais listagens do tipo "mais gatas" e que tais. Espero que entendam o propósito e vamoquevamo!
(sem revisão, não reparem a bagunça)
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transubstanciado por gravata às 10.03.10 | 31 comentários
09/03/2010
GENTILI X HIPÓCRITAS: AÍ EU FICO COM GENTILI
Danilo Gentili fez uma piada sobre a Hebe, chamando-a de Múmia, já que a apresentadora comemorou vinte e sete séculos nesta segunda-feira. Não é meu tipo favorito de piada, até porque só não é mais velha que a própria apresentadora. Mas, vamos e venhamos, é o tipo de chiste que grassa pelo tuíter. Provavelmente acuado diante dos protestos, apagou a anedota.
Não deveria.
Uns dizem que o contexto foi inadequado. Ora, por quê? Qual é uma boa hora para a piada? Quando ela está de costas? Ou por via indireta? Porque, bem sabemos, o Twitter é o IMPÉRIO DAS INDIRETAS e o Território Livre da Covardia, de modo que esse tipo de anedota, como sói, jamais seria bem-vinda pelo crivo da cordialidade babaquara tapuia.
Já divergi muito de Danilo Gentili, mas dessa vez não vi problema nem graça no tweet, apenas fiquei chateado porque foi apagado. Ele deveria, ao contrário, ter descido a marreta em todo o anedotário sobre terceira, quarta, quinta e sexta idades - até chegar à vigésima, provavelmente a da Hebe.
No tuíter, havia muita gente aplaudindo a "primeira dama da televisão", até mesmo profundos conhecedores do alto de seus 18 anos. A elas, que não chegaram a ver boas atuaçõe, e aos esquecidos que se emocionaram ontem, trago um pouco da história da INTOCÁVEL. Vejam que brilhante momento:
(atenção: se você condenou a piada sobre a Hebe, lembre-se de jamais fazer qualquer uma sobre o Maluf, porque além de também ter tido câncer, ele é um senhor de 79 anos de idade, ok?)
Hebe, além de ser uma apoiadora histórica de Paulo Maluf, ícone da honestidade política, também participou do maravilhoso movimento CANSEI. Sim, aquele mesmo. E essa memória seletiva se parece com a raiva do pessoal, quando muitos estavam enaltecendo o maestro João Carlos Martins e resolvi lembrar essa historinha. Acreditem: brigaram comigo no tuíter (como se eu fosse culpado pela lambança envolvendo... PAULO MALUF! - sempre ele).
Depois, reclamam que brasileiro tem memória curta.
Claro que Hebe Camargo tem méritos, assim como já pisou muito na bola. Mas a questão principal é uma e apenas uma: assim como qualquer outra pessoa, ela não é uma divindade e não está imune ao humor. E os brasileiros precisam parar com essa bobagem hipócrita de reclamar com quem faz piada com esses "ícones" - sobretudo quando desconhecem praticamente toda a história desses "heróis" (ou dão migué e fingem desconhecê-la, por amizade ou medinho).
Depois da Hebe, veio o programa na Globo homenagendo Chacrinha. De novo, aplausos, lágrimas e aquela gritaria em letra de fôrma. Perguntem a um músico, especialmente da turma do então novo rock nacional, o que era preciso pra tocar no programa do Velho Guerreiro. Alguns já cagüetaram por aí, e se bobear dá pra ler alguma coisa procurando no Google (ok, o @blogcitario mandou um link via tuíter).
Mas fazem vista grossa. Brasileiro é essa desgraça de sempre.
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transubstanciado por gravata às 09.03.10 | 15 comentários
08/03/2010
OSCAR: SÃO OS ADULTOS QUE VOTAM (SOBRE A DERROTA DE AVATAR)
Há uma grande choradeira entre as crianças: Avatar perdeu. Sim, perdeu. Levou uma surra, na verdade. O filme foi espancado sem dó nem piedade, levou uma piaba homérica no Oscar. A parte engraçada do chorinho são as justificativas. Vamos a elas:
O Filme é Campeão de Bilheteria! - é a popular "saída Zezé di Camargo", usada para confundir qualidade e audiência. Como sabemos, o referido cantor e compositor também é campeão de vendagem de CDs e nem por isso podemos dizer que seja o "melhor" do Brasil. Faustão, Gugu, BBB e afins, por vezes, são programas de maior audiência televisiva e vale o mesmo raciocínio. Mas depois de engolir uma mandioca pelo método invertido, resta essa explicação.
James Cameron Está Rico! - geralmente explanado por quem não possui remuneração das mais louváveis, esse argumento é engraçado e lembra quando torcedores não têm mais o que falar de seus times que só perdem e sacam coisas como "já vi o tamanho da torcida?" ou algo do tipo. Mas isso, convenhamos, é pior. Imagine você, dono de um contracheque desprezível, dizendo que um diretor ganha bem. E isso depois desse mesmo diretor voltar da cerimônia do Oscar levando um esculacho. Não basta ser patético o bastante para TORCER POR UM FILME, é preciso JUSTIFICAR falando da grana do cara. Se mata.
São Velhinhos Que Votam! - essa é grande, vai o resto do texto.
Não são velhos, mas adultos. Alguns poucos idosos, é verdade, dão lá seus votos, mas boa parte dos eleitores têm por volta de 40, 50 anos. James Cameron, por exemplo, é um senhor que neste ano completa 66. O filme, como se sabe, é feito para crianças e pré-adolescentes - e admirado por muitos outros, sem dúvida.
A trama tem a profundidade de um pires (dos tradicionais, bem rasinhos) e serve de desculpa para mostrar toda a tecnologia visual, a luta do bem contra o mal e aquela coisa toda. Também foi útil para inspirar fantasias carnavalescas e ajudar pessoas de pouca instrução a dar nomes aos filhos (sim, nos EUA há uma recente cultura onomástica graças ao filme e, se forem procurar, vão ver o istáile dos pais).
Essencialmente, Avatar é um filme feito para tocar o público infantil e aí estão todos seus méritos. Mas os fãs (e é mesmo estranho filmes terem "fãs") não aceitam esse fato, de modo que "torciam" pelo Oscar e, hoje, arrumam "desculpas" e "explicações" para o óbvio do óbvio: a derrota retumbante.
É simples: Avatar é ruim. Coração Valente já ganhou, às vezes acontece de uma zebra levar, bem sabemos. Mas havia "Bastardos Inglórios" e uma ótima surpresa de baixo orçamento: "Guerra ao Terror" - dois filmes inequivocamente melhores, muito acima da produção zilardária de James Cameron. Não se trata de birra ou picuinha, mas de obviedade. São filmes-filmes, não mero entretenimento visual para emocionar crianças.
E nem coube a "Guerra ao Terror" ser um filme tão genial, bastou ser melhor que "Avatar", ou seja, um filme muito bom, quase ótimo, que agradou aos votantes de idade adulta. Uma tarefa talvez não exatamente simples, mas que bastou para este ano.
Mas é isso. Cameron está rico, não é mesmo? E graças à grana de seus fãs e "torcedores" (é mole?). Toda essa multidão de milionários que hoje brigam violentamente por causa do Oscar (até ontem, davam como favas contadas). E todo mundo achando que "fã de BBB" fosse o mais baixo na escala do fanatismo.
Ah, sim: ENGOLE O CHORINHO!
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transubstanciado por gravata às 08.03.10 | 13 comentários
05/03/2010
MARAVILHAS DA VIDA MACHA: GAROTA QUE GOSTA DE FILME PORNÔ
A "garota que gosta de pornô" sempre foi vista como exceção da exceção da exceção, mais ou menos como o "cara que não topa ménage com duas garotas". Ou seja, algo em torno de 1% dentro dos respectivos gêneros. Mas isso é bobagem - ao menos quanto às moças apreciadoras da putanhági na telinha, haja vista o percentual muito maior e, portanto, longe de ser algo excepcional.
Desta feita, a figura da moçoila apreciadora de peripécias pornográficas filmadas deixa de ser algo mitológico, transformando-se numa MARAVILHA DA VIDA MACHA, isso porque adoramos esses filminhos - a essa altura do campeonato, não adianta negar.
É verdade, sem dúvida alguma, que as mulheres dependem de mais (e melhores) estímulos, especialmente os intelectuais, ou seja, todo um processo elaborado, geralmente por meio de palavras, percepções etc. Nós, homens, somos geralmente mais visuais e tácteis, ainda que também gostemos desses estímulos libidinosos do intelecto.
O grande erro, contudo, é fechar homens e mulheres cada qual em um grupo, como se não pudessem apreciar as delícias dos demais prazeres. É bobagem. Assim como homens também gostam das safadezas faladas e das provocações preliminares, muitas mulheres adoram, sim, putanhagens visuais - e nelas estão incluídos os filminhos (até mesmo os "da pesada").
Devemos, mais uma vez, agradecer à internet por facilitar o acesso a todo tipo de produção e, desse modo, fazer com que as garotas conseguissem encontrar seus estilos favoritos dentre as mais variadas modalidades filmográficas. Um agradecimento especial, sem dúvida alguma, vai para a contribuição da queda do Muro de Berlim na melhoria qualitativa das películas do sapeca iá-iá, em especial quanto às atrizes egressas dos países outrora integrantes da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.
Com a chegada dessas intérpretes, o mundo da pornografia passou a exigir mais das demais trabalhadoras do ramo e, assim, as norte-americanas até então mais afrescalhadas precisaram - por força da demanda - aperfeiçoar suas aptidões e peripécias. Desse modo, aumenta-se também a variedade de estilos, chegando-se hoje a uma miríade impensável há vinte anos.
Por fim, além da evolução tecnológica e a pletora de modalidades, oriunda de, entre outras coisas, fatores geopolíticos (orra, meu!), há também uma evolução social que, hoje, permite às garotas não apenas ver filmes pornôs, mas também declarar entre as amigas e amigos o prazer em vê-los, coisa até então também impensável.
E nem falo aqui daquele mito, o "pornô com história". Alguém já teve curiosidade de ver um filme com as chamadas "histórias"? São patéticos e involuntariamente feitos para a gargalhada, com diálogos do tipo: "olá, como está a fila do banco?" / "demorada, mas podemos trepar" / "ok, vamos agora" - entre outras situações extremamente comuns em nosso dia a dia.
Agora, as produções deixam de lado essas babaquices e fazem algo mais ou menos assim: apresentam as atrizes, dizendo que OBVIAMENTE são atrizes e aquilo é, sim, um filme, para em seguida anunciar brevemente o que farão. Em alguns casos, como nas direções da Belladonna, há uma mistura de filme e "por trás das cenas". De forma proposital, fazem o inverso daquilo que poderia ser uma "historinha".
Isso também serve para derrubar outros mitos, como aquelas coisas de "erotismo x pornografia" ou "erotismo x vulgaridade". Há espaço para tudo, sem que sejam mutuamente excludentes. É muito bonito dizer algo como "prefiro erotismo à pornografia", mas na prática qual efetivamente é o problema com as coisas pornográficas? E qual o erro com a vulgaridade, no contexto em que sejam cabíveis as coisas vulgares?
Chamar de puta, bater na bunda etc., p.ex., são coisas vulgares e pornográficas - e há contexto para isso, não? Pois são como os filmes. Não parece muito inteligente supor que TODAS as mulheres odeiem tudo isso, pelo fato de que são bonitinhas, meigas, fofas e delicadas. Na vida, há espaço para tudo - mesmo quando, socialmente, elas declaram não gostar dessas coisas.
Às vezes, são apenas mentirinhas necessárias.
Revisão: Hellen Guareschi
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03/03/2010
CARIOCA É BAIRRISTA ATÉ COM MIJO
Não gosto de bairrismo, exceto quando é para fazer algum tipo de gozação - nesses casos, aceito piada de humor negro e deixo de lado boa parte da correção política. Vejam, por exemplo, o bairrismo carioca. Ontem, fiz piada com a cerveja "Devassa", lembrando que é parte do grupo Schincariol e questionando sua qualidade.
Meu Deus!
Parece que mexi com a integridade do Cristo Redentor! Aparentemente, ameacei explodir o Pão de Açúcar! Se a contestação qualitativa da cerveja fosse feita em rede nacional, num programa de relativa audiência, seguramente receberia abaixo-assinado e texto feroz de algum "carioca por adoção" - ou mineiro ou nordestino -, os mais ferozes defensores do Rio (como Ruy Castro ou algum pau-de-arara do Pasquim).
Há algum tempo, expliquei essa raiva dos cariocas, e é claro que os entendo. Do início do século até 1950, por aí, o Rio era o centro de tudo. Mas, de repente, as coisas ficaram feias. Mudaram a capital, mudou o eixo econômico, o centro cultural se diluiu e com isso houve alguns efeitos colaterais - futebol, p.ex., pela atração natural da força da grana. Ainda há cocaína, é verdade.
E praias. Muitas. Tirando a poluição das águas, as praias são lindas. Mas até que ponto isso faz uma boa cidade? Imaginem o triste cidadão que acorda em uma magnífica casa em Paris, olha ao seu redor, e constata: "DROGA, NÃO TENHO UMA PRAIA!". O mesmo em Berlim, Londres, ou até NY (se quiser algo parecido, corra para Coney Island...). Mas o carioca de Bonsucesso não tem esse azar: ele tem praia (e esquistossomose, a depender da proximidade do córrego a céu aberto).
O carnaval... Getúlio Vargas foi do Rio Grande do Sul até o Rio, onde humilhou a cidade inteira instalando uma ditadura (nem vou dizer quem resistiu ao ditador...). Em sua sanha fascista, GV pôs ordem no samba e INSTITUIU o carnaval desfilado, sem instrumento de sopro e apenas os marciais, tudo cronometrado, em alas etc. Hoje, é um símbolo da cidade.
Alguns blocos resistem, e isso é saudável. Mas nem tudo é "salutar", pois há uma multidão mijando pelas calçadas. Quando soube disso, imaginei uma reação raivosa dos cariocas, pois foliões ousavam urinar em sua cidade das maravilhas. Qual nada! Defendiam, ali, o xixi derramado! As desculpas eram ótimas, e a principal era a seguinte: "os banheiros químicos não eram muito limpos". É mole? Porque as ruas, com seus ratos, baratas e cocôs, como sabemos, são limpíssimas.
Mas entrar no campo do bairrismo é fria. Ou melhor: não é. Porque os paulistanos não temos exatamente bairrismo, nem esquentamos a cabeça com isso. Para os cariocas - sério - é uma briga perdida. Nós, de São Paulo, somos filhos ou netos de italianos, espanhóis, portugueses - fora aqueles que vieram do interior, do Sul (Paraná, SC, RS), e ainda muitos do nordeste ou até mesmo do próprio Rio de Janeiro (não são poucos os que largam a maravilha de viver perto da praia pelo infortúnio de um emprego decente).
Muitos vêem nisso uma legítima virtude por parte do povo do Rio. Talvez seja, mas discordo. Defender um espetáculo nascido de aspirações fascistas? Brigar por causa de uma cerveja? DEFENDER O MIJO? Declino. Ter "amor" por uma circunscrição territorial não está dentro dos sentimentos que me parecem mais nobres - ou sábios.
E parece o último refúgio, aquela coisa desesperadora depois de que se perdeu tudo. Enquanto grandes potências se vangloriam de suas conquistas (sei lá, peguem os EUA para comparação), caboclo bate no peito defendendo o direito de urinar na calçada, ou o sabor de uma "ruiva gelada" ou as alegorias e adereços de alguma escola da Sapucaí. Ah, sim, e as praias.
As maravilhosas praias que faltam àquele desgraçado do exemplo, o pobre-coitado de Paris. Ou ao infeliz dono de um apartamento ao lado do Central Park. Londrinos, berlinenses, entre tantos outros. Sorte, mesmo, tem quem mora em Quintino Bocaiúva, Ramos, Abolição, Coelho Neto. Só precisa ficar de olho na hora de mijar na rua.
(sem revisão, só na raça e na malandrági)
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02/03/2010
O QUE É PIOR: EXPULSAR GORDO DE AVIÃO OU ABUSAR DE TRABALHO INFANTIL?
E um c.q.d. quanto ao fato de que, para o público-alvo consumidor, alguns escândalos não fazem o menor efeito - independentemente de tuíter.
Foi-se o tempo em que, para ser nerd, era preciso tirar boas notas e, em seguida, ter uma boa qualificação no mercado de trabalho, invariavelmente transformando-se num milionário (veja o caso de Bill Gates). Hoje, qualquer excluído da sociedade, sendo suficientemente feio e gostando de filmes de ficção científica, pode usar o termo "nerd" para definir a si próprio.
E essa turma também costuma ter uma lógica toda pessoal, não exatamente aquela do nosso querido Aristóteles, que durante milênios ajudou a sustentar o Ocidente. Vejam, por exemplo, o caso do simétrico cineasta Kevin Smith. Ele foi expulso de um avião porque mal cabia no assento - tanto que comprou duas passagens, mas preferiu dar uma de espertucho e pegar um voo adiantado.
Sim, claro, a empresa errou. Para a turma da lógica, o correto seria investir em pessoal mais qualificado, além de uma contraofensiva nos veículos de massa. Para os "nerds" (os dos novos tempos, não os das boas notas etc.), o ideal seria uma "boa equipe de social media" - para eles, qual a vida fora desse mundo? Mas sigamos.
Recentemente, foi noticiado que a Apple, queridinha de muitos dos "neonerds", emprega trabalho infantil - além de acusações quanto ao abuso dos demais trabalhadores (em países cuja mão de obra é um primor, tais como China, Malásia, Singapura, Tailândia, Filipinas etc.). A reação? Nada.
Tirar Kevin Smith de seu assento no voo adiantado (porque ele quis adiantar) foi um DESASTRE. Usar trabalho infantil? Nada, bobagem, nem merece comentários. Todos continuam usando seus iPods, iPhones, MacBooks etc.
Quando houve o incidente aeronáutico, alguns "gênios das mídias sociais" previram verdadeira catástrofe empresarial, e aqui mesmo assinalei que nada aconteceria. Porque - e isso é simples - o público da companhia a escolhe em função do preço, entre outros tantos fatores (um deles, importantíssimo: não são os interlocutores de Kevin Smith).
O que ocorre, agora com a Apple, é algo parecido: as pessoas preocupadas com empresas "do bem", salvo raras exceções, não são exatamente aquelas com poder aquisitivo para comprar os caríssimos produtos da Apple e, de mais a mais, usarão desculpas do tipo "ah, toda empresa faz isso".
E os que ganham como brinde, bem sabemos, não podem jogar fora porque não conseguirão comprar nem "HiFone" ou aquelas estrovengas para pagar em milhares de prestações, de modo que engolirão calados essa mancada da companhia do bom moço Steve Jobs.
Ah, sim: o erro da Apple não foi a carência de uma "boa equipe de Twitter", mas sim falta de adultos trabalhando nas fábricas - antes que alguém fale novamente esse tipo de bobagem.
Vida que segue.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 02.03.10 | 8 comentários
27/02/2010
E MAIS RELIGIÃO: RÉPLICA A TEXTO DE FILIPE GARCIA
Ia escrever sobre o politeísmo católico, mas fui avisado por Flavio Morgen sobre texto publicado por Filipe Garcia, no qual haveria contestação a outro, deste blog. O argumento é muito bom e, desta feita, vale réplica. Em outra ocasião tratarei dos vários deuses do panteão católico.
A seguir, trechos do post de Filipe:
"...Fernando não nega a existência de um certo desejo, comum a todos os homens, que nenhuma felicidade natural é capaz de satisfazer. Essa é uma constatação óbvia, pois todos já tivemos a sensação de carregarmos dentro de nós um vazio que não pode ser preenchido. Isso é demonstrado por sentimentos como nostalgia, romantismo, utopia, carência, angústia, insatisfação e outros sentimentos que, se não forem compartilhados por todos os seres humanos, o são, pelo menos, pelos mais sãos dentre nós (1) (...) Diante de afirmações como essas, podemos afirmar, com Chesterton, que, podendo ou não o homem ser lavado em águas milagrosas, não resta nenhuma dúvida de que ele deseja lavar-se. Ou seja, podemos até negar a água, mas não podemos negar a sujeira — assim como não se pode negar o desejo que todos temos de ter essa sujeira removida. Em outras palavras, podemos até negar a existência do paraíso dos religiosos ou do lugar de compensações de Dostoiévski, mas não podemos negar nosso intenso desejo de que lugares como esses existam. Estas são afirmações das quais, creio eu, ninguém discorda. É essa a base do ateísmo e é essa também a base do cristianismo. Afinal, se for verdade (como certamente é) que temos desejos que nenhuma felicidade terrena é capaz de satisfazer, só podemos fazer uma dentre duas deduções; ou devemos negar a existência de Deus, como fazem todos os ateus; ou devemos negar a presente união entre Deus e o homem, como fazem todos os cristãos. Negar o desejo não seria, em absoluto, uma alternativa honesta e sensata. Isto posto, podemos seguir adiante e questionar: há alguma razão para supormos que a realidade ofereça alguma satisfação para esse desejo? "Nem a fome pode provar a existência do pão" — disse Matthew Arnold. Mas eu acredito que não se trata exatamente disso. A fome física de um homem realmente não prova que ele encontrará pão; ele pode morrer de fome na travessia do Saara ou em uma jangada em pleno Atlântico. Mas, com toda certeza, a fome de um homem prova que ele pertence a uma espécie cujo corpo é restaurado por meio de comida e habita em um mundo onde existem substâncias comestíveis. Da mesma maneira, meu anseio pelo paraíso pode até não ser prova de que eu vá usufruir dele, mas é, acredito, um sinal bastante seguro de que existe algo parecido com o paraíso e de que alguns homens vão encontrá-lo (2). Um homem pode apaixonar-se por uma mulher sem conquistá-la; pode desejar levá-la pra cama sem conseguir; mas seria algo muito estranho se um homem sentisse isso em um mundo assexuado. De semelhante modo e como já dito, todos já nos sentimos deslocados, como se de alguma forma não pertencêssemos a esse mundo. Não há, até onde eu sei, uma única pessoa que não tenha chegado a conclusão de que esse é um mundo imperfeito ou que não tenha desejado viver em um lugar melhor. E eu fico me perguntando; como é possível chegarmos a esse tipo de conclusão? Afinal, se fôssemos realmente um mero produto do universo, como poderíamos não nos sentirmos em casa? Será que peixes reclamam do mar por este ser molhado; ou seja, por ser o que é? Ou, se eles reclamassem, não seria isso um forte indício de que eles nem sempre haviam sido, ou de que nem sempre seriam, apenas criaturas aquáticas? Um homem sente o corpo molhado quando entra na água porque não é um animal aquático; um peixe não se sente assim. Da mesma forma, se nós pertencêssemos a esse mundo não reclamaríamos por ele ser como é. E se o universo inteiro não tivesse sentido, nunca perceberíamos que ele não tem sentido — do mesmo modo que, se não existisse luz no universo e as criaturas não tivessem olhos, nunca nos saberíamos imersos na escuridão. A própria palavra escuridão não teria significado (3). Mas, afinal, a fome prova ou não prova a existência da comida? Ora, se não houvesse comida, não haveria fome. Assim como não haveria um desejo por compensação, se não pudéssemos ser compensados. Portanto, podemos até não ter escutado o chamado ou visto a luz de que falam os religiosos, mas assim como um homem sedento que não encontra água no deserto estaria errado em negar a existência de água, nós estaríamos errados se assumíssemos que o chamado ou a luz não existem apenas porque não escutamos ou vimos. Ou será que aqueles que dançam sempre deverão ser considerados loucos pelos que não podem ouvir a música? (4)" (os pontos em negrito indicam a ordem pela qual serão comentados os tópicos levantados pelo texto)
1) Na verdade, não é que não nego, mas afirmo categoricamente: as pessoas vão atrás de qualquer tipo de amparo, qualquer coisa que lhes diminua dores e angústia. Mas não faço aqui um elogio a elas, apenas registro um traço comum, notado nos homens das cavernas, ianomâmis, antigos egípcios, esquimós etc. Antes de haver uma explicação para as tempestades eletromagnéticas, o medo ou a necessidade de chuvas criavam a adoração por deuses como Thor - pelos ancestrais daqueles que hoje habitam a Escandinávia.
E nem toda "carência" existencial se resume à religião, à falta de um deus ou coisa do tipo. Pode ser saudade da pessoa amada, por exemplo - seja no sentido romântico, ou um ente querido morto recentemente, dentre várias hipóteses. Mesmo o mais ferrenho e devoto religioso, alguém detentor da sorte de já ter ouvido o chamado e visto a luz, fatalmente estará sujeito a esse tipo de angústia, carência, tristeza e infelicidade.
Nem toda "imaterialidade" é sacrossanta ou divina. Os sentimentos, e atitudes deles decorrentes, são atributos humanos e bem terrenos, ajudando a separar os seres humanos em pessoas boas e ruins, muitas vezes definindo o caráter de cada um.
2) As menções ao paraíso surgem primeiro nas obras produzidas pelo homem para, sem seguida, despertar desejo naqueles que as leram. O processo é natural e de explicação relativamente simples: vive-se uma vida ruim, triste e infeliz e há a promessa - escrita num livro religioso - de algo melhor após a morte. Desse modo, surge a vontade de ter aquela coisa prometida. A promessa escrita ANTECEDE a imaginação de um paraíso, seja ele qual for.
E há vários outros exemplos corroborando tal fato, como os muçulmanos e suas 70 virgens, em vez da imagem de um céu habitado por anjos e harpas. Ou as imagens criadas ao longo dos séculos e milênios para cada devoto das mais variadas crenças. Como sempre, a promessa de salvação (produção cultural; humana, por óbvio) precede a fantasia de algo que passa a ser desejado NOS EXATOS TERMOS EM QUE FOI PROMETIDO DE ACORDO COM A FÉ DE CADA INDIVÍDUO.
E por quê? Porque as pessoas, em sua imensa maioria, vivem em condições miseráveis - mormente do ponto de vista material. E, inequivocamente, há maior "evasão religiosa" por parte daqueles dotados de mais posses. Quanto maior a pobreza e a miséria, tanto maior a visitação a igrejas das mais variadas cores e bandeiras - em qualquer que seja o país. Alguns alegam que isso esteja atrelado à instrução ou intelectualidade.
Mas talvez a explicação seja muito mais simples: satisfação material e falta de problemas decorrentes da miséria e da pobreza. Em todos os casos, apenas na velhice ou iminência da morte é que muitos voltam a prestar atenção nas religiões ou mesmo freqüentar templos, capelas e congêneres.
E, claro, há várias "fomes" que não comprovam a existência dos respectivos "pães". Muitos pais estimulam o lado lúdico de seus filhos contando histórias de Papai Noel, a ponto deles escreverem cartas e desejarem com todas as forças seus presentes. Há visivelmente uma "fome" e um "pão", no sentido da analogia proposta. Mas, como sabemos, a chaminé permanece intacta. E nem falo daqueles que, levados a crer nos poderes do Superman, atiram-se de sofás ou mesmo das janelas, acreditando na veracidade do respectivo "pão" diante de sua "fome" de voar.
Em suma: nem tudo que imaginamos e desejamos pode necessariamente existir, apenas pelo fato de que desejamos, seja por anseio legítimo e originário ou por leitura de obra produzida pelo homem. Sim, muitas vezes levamos vidas miseráveis, mas SOMENTE isso não é justificativa bastante para que haja algo melhor em algum outro lugar - embora às vezes sirva de subsídio que religiões produzam textos prometendo exatamente isso.
3) Posso não ter entendido o centro da explanação, mas jamais me senti "fora" deste mundo. Eu não acredito em deus, nem em criação, nada disso, mas quem acredita, convenhamos, até que ponto pode dizer que este seria um mundo "imperfeito" e, mais ainda, a que ele não pertenceríamos? De minha parte, sinto-me pertencente a isso aqui e não acredito ser descendente de um único homem, criado a partir do barro, do qual tenha sobrado outro único homem sobrevivente de uma enchente e salvo por uma arca construída por suas próprias mãos, e assim por diante.
Mas, vendo toda a história humana em retrospecto, faz sentido a idéia de "imperfeição" quanto às tentativas de apostar nas pessoas e na civilização. Se houve mesmo um criador, por mais que nunca tenha feito sentido sua motivação (pois o objetivo é acabar com tudo no final), ele deve estar pra lá de desapontado com seus filhos-criaturas.
4) Ainda sobre a "fome" e a "comida", é preciso lembrar que não há somente uma comida, um único alimento, um único prato, uma única iguaria. A fome, de fato, é um único desejo, uma vontade única. Mas pode ser saciada de diversas formas. Ela não prova a existência de "comida", apenas prova a existência da... FOME! Nada além disso.
Para alguns, a fé sacia o apetite sugerido; para outros, a arte cumpre esse papel. Há quem se farte com sexo e os que se dão por satisfeitos com o trabalho. Muitos, como sabemos, preferem a vida em família, fazendo o bem, e assim aplacam tal apetite. Que "fome" é essa? Seguramente, a vontade de ser feliz - ou mesmo de fazer feliz a quem amamos.
É perigoso quando os religiosos se sentem superiores pela suposição de que foram "tocados" por algo transcendente, aludindo a uma divindade ou algo assim. Os ameríndios também foram tocados por Tupã. Egípcios antigos foram tocados por Amon-Rá. Gregos foram tocados por Chronos, Zeus e sabe-se lá mais quem. Nórdicos, entre outros, por Odin, Thor etc. Africanos, de algumas tribos, tiveram experiências tácteis com Ogum, Oxum, Xangô, Oxóssi e muitos outros.
O cristão, portanto, foi tocado APENAS por uma dessas divindades, deixando de experimentar a graça e o gozo de conhecer o que muitos outros vislumbraram - e assim saciar sua fome de outras maneiras, mesmo no campo da religiosidade.
E também não é justo que os cristão digam que nós, ateus, "negamos" a existência de deus. Porque eles também negam. Negam a de todos os deuses de outras crenças. Eles são, portanto, "ateus dos deuses alheios". São como nós, com exceção de seu próprio deus. Se há "fome", eles só aceitam comer um "único prato", refutando todas as demais iguarias da vida como forma de experiência positiva nesse mesmo sentido.
E nós, ateus, não somos pessoas más. Apenas não acreditamos naqueles deuses todos - ou mais um, dois, três, vá lá. Mas, agora falando por mim: gosto de minha família, trabalho, pago meus impostos, gosto de música, cinema, literatura, filosofia, sexo, romance, paixão...
Reconheço a existência de algumas "fomes", só refuto a idéia de matá-las por meio de um único "prato" do cardápio, que é tão variado. Ou, por outra, não acredito nesse "prato sugerido", pois não há mesmo prova alguma de sua existência, e escolho, de forma variada e ao longo dos dias, todos os demais que me apetecem. É isso.
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CABRAL: PROFESSOR DE INGLÊS DE JOEL SANTANA
E bem "alegrinho" no carnaval.
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23/02/2010
PARTICIPANTES DO BBB SÃO AS MAIORES CELEBRIDADES DO BRASIL
Quem entrasse num site ou blog de fofoca antes do começo de um BBB, leria qualquer nota sobre participantes de edições passadas como se fosse a escória da humanidade, a sub da sub da subcelebridade. O lixo, praticamente. Jornalistas encarregados de cobrir o que há de mais tacanho no mundo, e pessoas encarregadas de tarefas não exatamente louváveis (blogs) execrando outras tantas pelo fato de que já participaram de um reality show.
Ok, ok, ok. Vejam agora. São notas e "notícias" absurdas, tacanhas, simplesmente inimagináveis. Qualquer espirro na tal "casa" é passível de alguma observação. É o não-fato, a antinotícia, talvez apenas os Beatles ou Elvis Presley tenham tido tamanha cobertura midiática. Mas, tudo bem, os tempos são outros - e a miríade de publicações e canais dedicados ao "grande nada" agora se concentra num único programa, nessas únicas pessoas.
Mas, desculpem, não se pode culpar exclusivamente os Tempos Modernos. Lembro bem de edições passadas, e por mais que houvesse algumas predileções, ou até torcida para esta ou aquela pessoa, hoje se vê clima de FANATISMO, similar ao dos times de futebol.
Acho errado patrulhar quem tenha prazer em ver tais programas televisivos, como se fosse pecado o direito ao entretenimento - e como se os detratores fossem todos uns gênios. E até ter preferência ou torcer é compreensível, pois o programa consiste num jogo e presume-se que o telespectador passe a ter afeição por determinado participante. Mas fanatismo? Briga? Troca de ofensas entre as "organizadas"? Complica.
Tenho boa isenção para falar especificamente sobre essa torcida maluca, porque não vejo o programa. Desse modo, só "assisto" aos torcedores. E, acreditem, é assustador. Leio no jornal que o tal Dourado se levantou da mesa quando falaram em gays numa casa noturna - ou seja, óbvia homofobia. Imediatamente recebo uns 50 comentários dizendo que não, e outros 40 concordando com a constatação da atitude homofóbica.
Daí, no Tuíter, alegam que a suástica por ele empunhada é nazista, o que já passa dos limites, pois é um símbolo do budismo e de outras quinhentas religiões e crenças. Sim, no ocidente a "swastka" ficou famosa por conta dos nazistas, mas nem mesmo se trata da "cruz maltada", pois não está ao contrário nem virada em 45 graus. Mas, se é para xingar o cara, vale apostar na ignorância coletiva, concluindo algo como: "mas para o povo o que importa é o que ficou, e isso é um símbolo que remete a Hitler".
E é o dia todo a mesma coisa: Fulano, Sicrana, Beltrano etc. São as estrelas máximas, as maiores celebridades de que se tem notícia.
Daí, acaba o programa e todos esses que defendem com unhas e dentes, ou atacam a socos e pontapés, dizem que ex-BBB é subcelebridade e não presta pra nada. Eles não nos deixam rir pelo fato de ver programa e torcer por tal participante, mas logo que tudo acaba são os primeiros a ridicularizar quem dele participou.
Durante a vigência do BBB, fazem torcida organizada, escrevem manifestos em defesa de uns e outros, montam blogs especiais para fazer cobertura, rola live blogging (!!!), mas, em seguida, descem o sarrafo sem dó nem piedade, alegando falta de fama por parte daqueles que foram venerados como ídolos inapeláveis por meses a fio.
E de quem parte o sarro? CEOs de multinacionais? Integrantes da Forbes 100? Alguém verdadeiramente famoso (Paul McCartney, Madonna, Bono Vox)? Pois é... Blogs de fofoca, tuiteiros etc. Tem a história do roto falando do rasgado, mas esse é o caso do estropiado falando do levemente arranhadinho. O bom e velho humor do oprimido. Chefe não sabe fazer piada de empregado, mas os de baixo são criativíssimos no anedotário sobre quem está acima na hierarquia.
Adendinho
Bom, eu ia encerrar no parágrafo anterior. Mas acho que o Dourado merece um voto de confiança, e não falo aqui dos gays - apesar de haver muitos fazendo torcida. Mas não seria difícil dissertar sobre as razões desses que o defendem. O que me intriga, mesmo, são as gordas entusiasmadas. Sério, sério mesmo, eu acho o máximo (fora as feias, é claro).
Porque ele é todo marombado, fortão, deve dedicar uma boa parcela da vida cultuando o corpo. Mas há uma relação direta de proporcionalidade entre o acúmulo de tecido adiposo e o fanatismo pelo Dourado - mesmo sabendo que, classicamente, o malhadão de academia não costuma ser um apaixonado por pançudas (se alguém souber de um caso - não peço dois - de saradão namorando gordona, mande fotos).
Como ele cativou esse público? É um carisma a ser aplaudido.
Revisão: Hellen Guareschi
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22/02/2010
O VELHO MITO: MULHER PRA COMER, MULHER PRA NAMORAR
A leitora Tarsila, comentando o último post, suscitou uma questão importante que não poderia ser encerrada apenas ali, na caixinha de comentários. E vale um texto exclusivo para tratar da máxima, do mito, da velha conhecida historinha da divisão entre mulheres "para comer" e "para namorar".
Antes, o óbvio: não quero fingir aqui desconhecer a idéia central da pergunta, ou a tradição conservadora da coisa toda. Claro que há muita gente, homens e mulheres, ainda com a cabeça no século retrasado, fazendo essas distinções estapafúrdias com base em premissas morais pra lá de hipócritas. Este texto, porém, é baseado no mundo em que vivemos, na realidade atual e no cotidiano das criaturas desenvolvidas. Belezura? Então vamoquevamo.
Muitas vezes, as pessoas deixam bem claro aquilo que querem, não cabendo à outra parte a prerrogativa de separá-las em grupos, pois a decisão já está tomada. Uma garota pode chegar dizendo que não aceita nada, exceto relação estável e, desse modo, não faria sentido qualificá-la como "para comer". Ok, o camarada pode iludi-la e acabar apenas trepando, mas não houve qualquer tipo de divisão quanto a este ou aquele grupo - rolou o velho truque sujo de prometer relacionamento para conseguir enfurnar o robalo, coisa de moleque.
E há, é claro, o lado oposto: garotas decidem apenas transar, sem qualquer vínculo mais sério. Nesse caso, também não faz qualquer sentido as colocar no grupo "para namoro". A decisão de querer única e exclusivamente trepar é delas próprias - mesmo que, em algumas ocasiões, o sexo casual se transforme em relacionamento. Ah, sim: os exemplos valem para homens e mulheres.
Mas vamos ao caso do título do texto, a velha queixa das meninas. Homens que separam mulheres nos dois grupos clássicos "para comer" ou "para namorar". Isso acontece, mesmo? Em caso positivo, como surge essa qualificação? Como é feita a divisão? Há preconceito, maldade, sacanagem ou o quê? E quem toma a iniciativa? A ver...
Trarei três casos hipotéticos a vocês, mulheres, e espero que respondam com sinceridade. Primeiro, um rapaz trabalhador e com vida profissional estável e bem sucedida, velho conhecido, bonito, inteligente e de vida sentimental razoável, sem promiscuidade. Vocês têm atração por esse camarada, que ainda por cima é bem educado. Se, de repente, rola um clima, a primeira idéia - e reitero o pedido de sinceridade - é a de sexo frenético ou de investir numa relação?
Segundo caso: viagem apenas com amigas, surge um cara muito bonito, todo gostosão, não muito inteligente, você mal sabe o que faz da vida, ele visivelmente dá bola para você e já dispensou duas ou três garotas. Vem em sua direção e começa a jogar conversinha. Sua idéia, assim de início, caso tenha algo com ele, é no sentido de uma relação séria ou apenas passar a noite, sexo casual, algo do tipo?
E o terceiro, que desempata. Um velho conhecido da turma, também bem sucedido, também bonitinho, você paga pau tal e coisa. Mas ele é o maior putanheiro, sai com tudo que é garota etc. etc. etc. O duro é que você gosta do cara, tem tesão nele, mas não assume e nem se sente tão confortável com tal cafajeste despertando sua libido. Até que, num belo dia, numa dessas festas, acaba bebendo mais do que devia e se vê num papo "amigável" com o cara, ambos meio de fogo. Que tipo de desfecho imagina para isso, na hipótese de acabarem se pegando? Namoro? Casamento? Ou uma ficada, trepada casual ou coisa do tipo?
Pois é...
O que isso significa? Simples: não são preconceitos nem discriminações morais ou hipócritas, como já houve em tempos idos (questionando roupas, modo de falar etc.). Trata-se, aqui, de vários fatores contextuais - e boa parte deles dizem respeito às decisões DA OUTRA PESSOA. O sujeito da praia, é verdade, faz parecer que somos preconceituosos. Mas e o amigo que GOSTA DE PUTARIA? Não é você que não quer namorá-lo ou o joga na bacia dos "para comer", mas ele que escolheu e gosta desse estilo de vida.
Basta pegar os três casos hipotéticos, portanto, e os transferir ao mundo masculino, usando mulheres como exemplos. Nos dias de hoje, é exatamente assim que tudo acontece. Essa separação em "para namorar" ou "para comer", usando como premissa a escolha feita pelos homens como se todos fossem machistas truculentos, convenhamos, é muito mais um mito - sobretudo atualmente.
E, de mais a mais, sentimento não é algo que se possa escolher. Ninguém decide quem será o grande amor de nossa vida.
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21/02/2010
DAS QUE EXIGEM SER JULGADAS PELO CARÁTER, MAS BUSCAM BELEZA FÍSICA
Escrevi sobre isso há alguns anos, mas honestamente não lembro ao certo o conteúdo, creio que foi tudo mais ou menos rápido, provavelmente um tópico de outro texto. A ideia de retomar o tema veio de um tweet do Fábio Rex:

Não se trata apenas de gente feia correndo atrás de pessoas bonitas, uma situação conhecidíssima - de certa forma, verdadeiro clichê. A análise atinge aquelas pessoas que reclamam dos valores superficiais predominantes, exigindo maior atenção a seus atributos extrafísicos, mas que na primeira oportunidade real mostram ser idênticas àquelas pessoas "superficiais" por elas atacadas. Coincidentemente, é verdade, são pessoas feias e, agora, falarei das mulheres.
Muitas foram (e são) as vezes em que ouvi (e ouço) queixas das meninas não exatamente beneficiadas pela generosidade da natureza ou, por assim dizer, também não receberam colaboração positiva da genética. Elas narram toda uma trajetória de sofrimento em razão dos homens, essas criaturas más que escolhem moças bonitas por conta das aparências, deixando de lado as "não tão bonitas assim", mas detentoras de intelectos admiráveis e um sem-número de atributos morais e de caráter. Ah, confessem, quem nunca ouviu isso?
E o que fazem essas potenciais indicadas ao Nobel, seja da Paz ou da Física, quando têm sua chance de abiscoitar alguns moçoilos? Pois é: ESCOLHEM PELA BELEZA. Mas o patético - e não por isso menos trágico - é que nem mesmo chegam a escolher. Descobrimos a fraude do queixume simplesmente quando se referem aos homens, geralmente em bando de mulheres, invariavelmente enumerando atributos estéticos.
Sim, exatamente! São aquelas mesmas doces criaturas, as preteridas pelos homens maus por conta das outras que seriam mais bonitas, agora bancando as motoristas de caminhão, ou serventes de pedreiro etc. Não se trata exatamente de ir à forra, mas sim o verdadeiro e exato comportamento natural dessas moças, quase sempre aflorado por força do álcool (ou congênere) ou quando estão em turma - e os agrupamentos quase sempre dão esse tipo de proteção, ou ao menos a sensação de poder dizer algo em meio à turba sem receber condenações.
Por óbvio, já questionei algumas querelantes, dessas transfiguradas quando surge a chance de soltar o lado "quarto-zagueiro do Novorizontino". A explicação é a um só tempo risível e uma confissão. Vamos lá: dizem que é uma diversão, uma gozação, e que na verdade o objeto das cantadas não seria jamais um homem para se passar a vida toda, mas sim puramente objeto físico para no máximo algumas horas de prazer.
Entendem?
Nós, homens, quando fazemos exatamente isso, recebemos os mais pesados xingamentos - e dessas mesmas moças. São eles: "vocês se empolgam mais com a beleza em vez de aplaudir o caráter ou a inteligência"; "vocês preferem várias trepadas cada dia com uma em vez de uma relação estável"; e, a principal, "vocês separam mulheres para comer e mulheres para casar".
Fica definitivamente explicado que tanto homens quanto mulheres aplicam aquelas coisas deploráveis até então imputadas apenas a um grupo - o dos homens. Obviamente, nem todas as pessoas são assim, mas também não se pode dizer que tais atitudes sejam prerrogativa exclusiva de determinado sexo.
E há também outra questão interessante. Já prestaram atenção nas pessoas - e aí entram homens e mulheres - que defendem a "preponderância da inteligência"? Sério mesmo, já fizeram uma análise desse grupo? De início, digo o seguinte: feiura não é garantia de grande intelecto e, no mesmo passo, beleza e inteligência não são excludentes.
Mas os protestos das pessoas preteridas são mais ou menos nesse sentido, como se a desqualificação física garantisse altíssimos pontos intelectuais. Quando vamos ver, porém, não é raro encontrar dificuldades graves na parte reservada ao raciocínio. No mais das vezes, é aquele "kit cultura pop" e chavões bobocas ou modismos de contestação da suposta burrice alheia, como a "condenação do gerundismo" - geralmente estendida a todo o modo verbal (gerúndio), erro corriqueiro e bocó.
Mas isso é outra história, ou são outras histórias. O importante é que pessoas feias, na primeira oportunidade, mandam seu drama pessoal pro espaço e correm atrás de pessoas bonitas - usando exatamente os mesmos métodos sempre condenados. As pessoas, afinal, são muito parecidas nessas coisas. Algumas, é verdade, são um pouco menos favorecidas esteticamente. Ou intelectualmente.
Só não me culpem por isso. Até porque sou feio de dar dó.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 21.02.10 | 18 comentários
19/02/2010
NINGUÉM ESCOLHE SER ATEU
Antes de tudo, é importante acertar os conceitos por aqui. Ateísmo é a convicção inequívoca da inexistência de qualquer divindade e, a rigor, boa parte dos ateus declarados são, em verdade, "agnósticos" - embora a expressão seja vista, por parte dos que não acreditam em deus ou deuses, como uma espécie de "fuga do debate". Fico com "ateu", para não parecer fuga, mas conheço a correção conceitual, tudo bem? Sigamos.
Não há um único ateu que tenha optado pelo ateísmo e, caso haja caso positivo, trata-se de alarme falso. Porque se trata de constatação, não escolha ou decisão. Diversos religiosos, por exemplo, alegam que ouviram um chamado, viram uma luz ou algo do tipo. O ateu, de tantos silêncios e escuridões, seguidos de gritarias e luminosidades em sentido contrário (ok, parei com metáforas), percebe que as coisas não são como nos livros sagrados das mais variadas crenças.
É assim que acontece.
Perguntam se somos felizes com essa decisão. Há que se corrigir: não é uma decisão e, mais ainda, não há felicidade alguma. Seria muito melhor ter certeza de um mundo nos esperando depois da morte, ou ali guardando entes queridos. Seguramente, sem sombra de qualquer dúvida, um ateu chora muito mais o falecimento de uma pessoa amada, diante da idéia de JAMAIS revê-la. E não há boa-ação que o permita adentrar qualquer Paraíso, ser recebido por um número X de virgens ou coisa parecida.
Ah, sim. Quando falo em ateísmo não é uma picuinha contra esta ou aquela religião. Não é uma forma de contestação política, ou coisa que o valha, ao deus do cristianismo ou algo do tipo. Simplesmente não acreditamos em QUALQUER TIPO DE ENTIDADE OU FORÇA METAFÍSICA. Nem mesmo nos tais espíritos. De novo: não por deliberação, mas por constatação. Há ateus, inclusive, que relutam, tentam, fazem verdadeiro esforço para ter algum tipo de fé. Mas não conseguem.
Tenho amigos que, quase sussurando, como se confessassem um crime, tara sexual das mais escabrosas ou algo ainda mais escalafobético, soltam algo mais ou menos assim: "não consigo acreditar nessa história de que, depois da morte, iremos todos a outro lugar". E eles não estão sós. Há casos e casos de líderes religiosos, firmes em suas crenças, correndo aos hospitais e lutando com unhas e dentes para adiar ao máximo, mesmo que por dias, horas ou ainda minutos o pouco que resta de suas vidas.
Seguramente, os que crêem em alguma coisa são mais felizes, mas ao mesmo tempo não invejo de forma alguma essa "felicidade". Não que me sinta superior, mas simplesmente não consigo acreditar em criaturas gigantes, poderes sobrehumanos de toda ordem, messias que caminham sobre as águas e façanhas congêneres.
Muitas dessas peripécias, aliás, são absolutamente inócuas. Não sei se todos leram - vou citar apenas uma - a transformação da água em vinho. Pois bem: a festa já estava "nos finalmentes", todos poderiam ir para casa até que relativamente felizes. Mas Jesus achou razoável encher ainda mais o caneco da rapaziada. Podem ler, foi exatamente assim. Já havia vinho, e em quantidade boa. Mas acabou e então foi feito MAIS. E, como essa, há outras passagens, em todas os livros de todas as religiões.
Não se trata, portanto, de uma escolha. Acreditar nas religiões, ou mesmo nas tais forças superiores, jamais será uma questão de escolha, ao menos para nós, os ateus.
E isso não quer dizer que o ateísmo necessariamente precisa pregar o extermínio de toda a religiosidade, até porque isso é impossível. A humanidade, durante toda sua história, sempre precisou desse amparo, desse atributo existencial. Os ateus fomos sempre minoria - finalmente, podemos dizer que somos o que somos.
Há quem use como exemplo terrorista, os casos da União Soviética ou da China, ambos países comunistas, para mostrar que o ateísmo estatal seja sinônimo de genocídio. Isso é bobagem. O povo da URSS era praticamente todo ele ortodoxo (sim, cristão), os chineses seguiam o confucionismo, budismo ou taoísmo (manifestações religiosas, não necessariamente deístas).
E o que dizer, por exemplo, dos nazistas (cristãos), dos cruzados, dos adeptos da Jihad, das tribos africanas que se matam há milênios, das tribos ameríndias, das civilizações pré-colombianas que também se matavam, dos romanos, dos gregos, dos mongóis, da Inquisição etc. etc. etc. Quem eram os "ateus" aí? Ok, verdade, eram os primeiros a morrer.
Mas isso é tergiversar e daí entro em polêmica boba. Queria dizer aquilo ali mais acima: nós, ateus, não escolhemos isso, simplesmente constatamos, percebemos e, pelas tantas, não conseguimos mais acreditar em qualquer tipo de religiosidade, divindade ou algo do gênero.
E, se alguém passa por experiência transcendental, alegando que isso fez enxergar a beleza de uma crença ou religião, esperando que tenhamos tolerância - e temos! Por favor, entendam o processo pelo qual passamos para constatar nosso ateísmo.
Não há necessidade de haver briga.
(sem revisão, e ainda por cima tomei uma cerveja - 1795, da República Tcheca, país no qual nasceu Sylvia Saint, respeitem)
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transubstanciado por gravata às 19.02.10 | 65 comentários
18/02/2010
O FILHO ÚNICO É UM ÓRFÃO SEM QUALQUER SOLIDARIEDADE
Todos sofremos pelos órfãos, e com razão. É triste a situação daqueles que perderam pais, mães ou ambos e, como se sabe, são pessoas sobre as quais se falam em qualquer âmbito. Temos amigos nessa circunstância, há personagens assim caracterizadas etc. Não há quem não se compadeça pela figura do órfão, aquele que não tenha os pais para cuidar de si.
Mas, digo aqui - e esse é o centro do que pretendo passar - o filho único é uma espécie de órfão. Talvez com menos sofrimento, mas com um agravante: dele não se fala nada. Ninguém chora pelo sujeito que não tem irmão ou irmã, não há uma lágrima, não há pesar, e muitas vezes, muitas mesmo, ocorre o inverso. Aplaudem o "bom planejamento" dos que optaram pelo único rebento. O problema é que o dito-cujo não escolheu tal situação, embora durante quase toda a infância isso tudo se lhe pareça favorável.
Pergunte a quem tenha irmãos; e falo, é óbvio, dos casos saudáveis. Meu irmão e eu, por exemplo, sempre brigamos durante toda a infância. E sempre nos amamos. Tudo era disputado, dos presentes às batatas fritas dos almoços. Mas, vendo agora em retrospecto, é algo perfeitamente normal. E hoje, dois adultos com carreiras profissionais consolidadas, somos amigos num grau de transcendência inexplicável.
Isso é normal e natural a todos os irmãos. Ao mesmo tempo, é algo negado aos filhos únicos. É como quem não tem pai ou mãe. O filho único jamais saberá o que é isso. Sim, é claro, deve ter lá seu melhor amigo, sua amiga inseparável, alguma pessoa de extremíssima confiança ou coisa do gênero. Mas, desculpem, nada é miseravelmente próximo da relação de irmandade genuína. Não há como.
Lembro de quando fui para a Bahia, foi em 2004 e fiquei quase um ano por lá. Na volta, eu já estava quase casado e em pouco tempo fui para meu apartamento. Quando me separei, meu irmão é que estava em via de casar e, enfim, já são praticamente seis anos que não moramos juntos. Ainda assim, saímos esporadicamente - ainda que poucas vezes. A cada vez que nos vemos é como se eu encontrasse o melhor dos meus melhores amigos, alguém que me conhecesse mais e melhor que qualquer pessoa.
O filho único não tem isso. É "órfão" dessa coisa.
E olha que brigamos muito. Talvez todos os irmãos tenham isso de "brigar". Mas todos também se amam muito. E é aí que entra minha preocupação com a falta de solidariedade dos outros em relação aos filhos únicos. Ninguém os aponta na rua com dó ou pena (por mais que esses sejam os piores sentimentos que se possa ter em relação aos outros).
Mas deveriam, como se faz com os órfãos. Deveriam apontar a eles com lágrimas nos olhos, dizendo "olha, coitado, aquele é filho único", talvez oferecendo ajuda, mesmo inútil, ou mesmo um ombro amigo. Porque o filho único sofre. Na infância, é claro, não tem com quem brigar nem precisa disputar brinquedos, batatas fritas ou refrigerantes. Mas, depois, perde a noção dessa amizade que transcende a qualquer conceito ou lógica.
É uma orfandade dolorosamente sofrida, mas sem a lágrima alheia. Daí o fato de que todo filho único seja meio mocorongo - embora, claro, nem todo mocorongo seja filho único.
Ainda há tempo para que as pessoas prestem mais atenção àqueles que não tenham irmãos e, mais do que nunca, resolvam dar irmãos aos filhos que não os tenham. Quando me perguntam sobre filho, sempre digo que sim. E, quando é possível, assinalo que não quero apenas um. Jamais "um". Porque seria uma desgraça para ele ou ela.
Um ser humano precisa de um irmão tanto quanto precisa de pai ou mãe. E não adianta dizer que esse papo de família é coisa conservadora, TFP ou algo do tipo. Meu irmão, hoje, é responsável por boa parte da minha felicidade. E, se eu tiver filhos, quero que eles tenham essa mesma felicidade completa em razão da irmandade.
(sem revisão porque está tarde - e escrevi realmente tudo de uma vez)
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transubstanciado por gravata às 18.02.10 | 20 comentários
15/02/2010
SUA EMPRESA FEZ CAGADA? O TWITTER É INÚTIL
Prezado CEO de empresa aérea, leitor hipotético/imaginário que obviamente não está lendo coisa alguma, preste atenção no seguinte: não adianta nada recorrer ao Twitter em caso de cagada por parte de sua companhia, pois basicamente TODAS as enrascadas podem e devem ser evitadas pela raiz. Vamos aos fatos.
Você não deve saber quem é Kevin Smith, e provavelmente nem seus clientes, já que seus filmes são vistos por quem pega carona, racha gasolina ou anda de busão, mas vamos lá: é um diretor, ator-mudo, escritor de gibis e figura relativamente conhecida nos círculos mais alternativos dos EUA - e amigo de gente famosa de Hollywood.
Ah, sim... Ele tem muitos seguidores no Twitter, uma rede social usada por clientes - muito eventuais - de companhias aéreas ultrapopulares, cujos diretores talvez leiam este texto com mais atenção, pois envolve a correspondente norte-americana, Southwest Airlines (primeira a emplacar Maxi-Goiabinha como refeição de bordo).
Expulsaram o pobre-coitado do Kevin Smith de uma aeronave por ele ser gordo. Sim, ele é gordo, mas não o bastante para ser expulso. A empresa se desculpou, mas não havia o que ser feito. O que fez o diretor, ator e astro da HQ? Correu ao Twitter e esperneou. Alguns dizem que o melhor a ser feito seria ter uma boa equipe de RP. Eu digo o contrário: o melhor a ser feito é ter uma boa equipe de bordo.
Com uma equipe de bordo competente, é possível até mesmo nem ter Twitter para consertar cagadas. No máximo, vá lá, fazer essas promoções de distribuir passagens, como o Sílvio Santos jogando aviõezinhos de notas de dez para ver a mulambada se matando no auditório. O povo de lá adora isso.
Claro que o povão continuará voando pela Southwest, pois seu atrativo é o preço, não a qualidade - e a essa altura muitos perguntariam se Steven Spielberg faria um voo desse naipe, não é mesmo? Ou até mesmo algum diretor gordão como, sei lá, o Peter Jackson. O próprio Kevin Smith, podem apostar, provavelmente não terá bala na agulha para alguma companhia mais cara. O reembolso da passagem, notem que risível!, foi de pífios US$ 100.
Daí vem o seguinte: o Twitter é inútil.
Pra que serve uma agência "competente" acalmando os ânimos de uma personalidade que foi EXPULSA DE UM AVIÃO POR SER OBESA? Sinceramente, o que é possível dizer para esfriar seus ânimos? Meus amigos CEOs de companhias aéreas, coloquem-se no lugar de um diretor de Hollywood e imaginem-se sendo retirados de uma aeronave por OBESIDADE.
Um garotão que se julga "conhecedor do tuíter" sossegará sua paciência por meio de palavras bem postas? Ou talvez um bom caminho seria contratar gente competente para evitar esse fiasco? Pois é. Depois da merda feita, o melhor mesmo é contratar gente competente para EVITAR novos fiascos, e não investir numa "equipe de tuíter", justamente para apagar incêndios usando regador de jardim.
Se a notícia já chegou a canais abertos dos EUA, não faz sentido uma companhia aérea de alcance nacional responder ao caso por meio do Twitter. Só mesmo quem vive fechado nesse mundo é que dá tanto valor a essa rede social. A essa altura, é preciso usar os melhores serviços de RP e, repito, EVITAR NOVAS CAGADAS DESSE TIPO. E como? Investindo num serviço melhor.
Claro, eu sei, isso não acontece na sua, nem na sua, nem na sua empresa aérea. Mas aquele outro leitor, CEO da companhia habituada a contratar gente de qualificação duvidosa, talvez tenha ficado preocupado. O que fazer? Melhorar o pessoal de bordo ou contratar um "gênio do tuíter"? Espero que não tenha demorado dois minutos para obter a resposta.
Pode ser que as redes sociais sejam úteis para algumas coisas, como sortear brindes de pequeno porte ou fazer algumas crianças felizes. Mas, quando a coisa chega ao terreno dos adultos, a única solução é estruturar sua empresa.
Merdas acontecem? Claro. E não se resolvem via Twitter.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 15.02.10 | 5 comentários
14/02/2010
HOMOFOBIA, NO BBB, É CRIME MENOR PARA ALGUNS INTERNAUTAS
Não falo aqui da sanha politicamente correta que patrulha piadas e apelidos, nem procuro pêlo em ovos. O episódio havido no BBB mostra, de forma clara, uma situação de fobia à homossexualidade, e declarada em rede nacional. Senão vejamos o quanto publicado no BOL:
"Dourado diz que "perdeu a fome" após conversa sobre baladas gays - Durante o almoço da casa de luxo nesta quarta-feira, Sérgio e Lia conversam sobre baladas gays, quando o lutador se levantou da mesa e disse: "Perdi o apetite." - Mais tarde, Dourado foi até o quarto pedir desculpas para Sérgio, que conversava com Lia. O estudante e a dançarina retrucaram, dizendo que falavam apenas sobre lugares, mas o lutador não gostou dos comentários sobre paquera nessas ocasiões..." (grifos nossos)
Poderíamos imaginar uma grande revolta em defesa das liberdades individuais e direitos civis. Mas, não. Muita gente continua apoiando, gostando e TORCENDO pelo referido participante "da casa". Tudo isso "apesar" da flagrante homofobia. Para dizer o mínimo, é bizarro.
Tudo bem que não somos a Suécia, mas é triste que sejamos o Irã. Vale repetir: não é patrulha, não se trata de fazer picuinha com algum apelido ou piada ou brincadeirinha que escapou inadvertidamente. O sujeito declara que PERDEU O APETITE E SE LEVANTA DA MESA. Motivo? Falavam de balada gay. Ele faria isso se falassem de um casal, homem/mulher?
Daí dizem que há um "pacto" na casa: ele não fala de luta e os gays não falam sobre o mundo gay. Que RAIO DE PACTO DE MERDA É ESSE? Então é possível legislar lá dentro à revelia do sistema normativo do Brasil? Lesão corporal de natureza grave também podem permitir lá dentro, caso façam um "pacto"? É tudo de um absurdo sem tamanho.
Mas o triste disso tudo é o carisma. É como se aquele amigo meio bocó, que todos temos, saísse da condição de "engraçadinho que aceitamos porque conhecemos desde pequeno" e se tornasse o rei da admiração. Sim, não adianta fugir, todos temos algum amigo que alega odiar gays, tal e coisa - mas toleramos porque o cabra é da época do colégio etc.
Agora, porém, esse arquétipo se tornou quase um herói nacional e, a bem da verdade, não por culpa própria. O povo assim o quis. Moramos no Paquistão e não sabemos. Crime hediondo, por aqui, é usar "script".
Nojinho de muita gente. Sério.
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transubstanciado por gravata às 14.02.10 | 88 comentários
10/02/2010
40 MOTIVOS PARA NÃO SE CASAR COM UM JORNALISTA (E TALVEZ PROCURAR ALGUÉM COM UM EMPREGO DECENTE)
Hoje correu pelas interwebs o texto da prezada Ariane, autora do blog "Diário de Uma Repórter". Trata-se, desde já, de um clássico. O título vai acima e os tópicos vão a seguir (alguns, porque obviamente não terei saco de responder um a um), rebatidos por argumentos subsidiados pelos fatos da vida real. Vamoquevamo!
"2. São curiosos e antenados, você sempre ficará por dentro de tudo que acontece;"
Por "tudo que acontece", entenda-se: alguns shows e fofocas do Twitter. A curiosidade acaba aí. Se fossem MESMO antenados saberiam, por exemplo, das ações que sobem e descem na Bolsa de Valores e seriam ricos, mas preferem descobrir a hora em que o TicketMaster abre para vender o ingresso da Beyoncé.
* * *
"3. Eles não ganham bem, mas isso é bom porque vocês podem aprender a economizar dinheiro;"
Quem não ganha bem é gerente de banco, jornalista é um coitado, mesmo. E não se trata de "vocês podem aprender", mas de pura e simples necessidade, pois ou fazem isso ou morrem de fome. E guardem esse tópico, pois ele prejudica várias das outras "vantagens" apresentadas pela autora.
* * *
"4. No Natal, Ano Novo, Carnaval… eles provavelmente estarão na redação. Mas, pense pelo lado positivo: antes trabalhando do que vagabundando;"
Sim, essa comparação é justa. Mas que tal "antes trabalhando que em Nova Iorque" ou "antes trabalhando que em Paris" ou, que seja, "antes trabalhando que em casa comendo um maldito Peru"?
* * *
"5. E outra! Trabalhando muito, eles não têm tempo de se interessar por outra pessoa;"
Verdade, né? Afinal, ninguém comete adultério com colegas de trabalho. Todo mundo trepa com pessoas desconhecidas abordadas nas calçadas ou com as quais se esbarram em bares, supermercados, filas de banco ou escadas rolantes do metrô. Casos com colegas de trabalho são inexistentes. AINDA MAIS QUANDO FAZEM PLANTÕES QUE DURAM A NOITE TODA.
* * *
"9. Como vivem numa rotina corrida, não tem muito tempo para opinar nas coisas da casa. O que você fizer, ele vai achar lindo;"
E, por casa, lembremos: apezinho alugado no centrão, um quarto que é também cozinha e sala. O sofá também é cama e a única coisa sobre a qual poderá dar palpite é talvez uma gravura - invariavelmente um pôster que remeta a quadrinhos ou filmezinho pop.
* * *
"10. Tudo é um grande brainstorm (tempestade de ideias). Monotonia não vai entrar na sua casa!;"
Pode ser uma badtrip (viagem ruim). Porque essas tempestades de idéias às vezes geram brigas homéricas (referente a Homero).
* * *
"12. Em coberturas de grandes eventos, você poderá entrar de gaiato. Cada final de semana em um lugar diferente: jogos de futebol, avenida de escola de samba, lançamento de livros…;"
Lançamento de livro é mesmo um grande evento! Aquela meia dúzia de familiares do autor numa livraria de shopping, de fato, é de fazer inveja às amigas. No mais, tire o cavalo da chuva. Ele não vai para a Copa nem para Olimpíadas. No máximo, ganhará UM (sim, apenas um) ingresso para pré-estréias de filmes horríveis - e para vê-los numa quarta-feira na parte da manhã.
* * *
"13. Mantêm revistas e jornais no banheiro. Você nunca ficará olhando para o vácuo enquanto faz suas necessidades fisiológicas. Ganhará conhecimento!;"
Verdade, engenheiros, médicos e advogados mantêm respectivamente: trenas, estetoscópios e códigos de leis no banheiro. As esposas fazem xixi e cocô ora desenhando, auscultando batimentos cardíacos ou mesmo estudando o sistema jurídico.
* * *
"23. Mas também sabem se arrumar bonitinhos para os eventos. Você terá um parceiro que sabe ser simples, mas também sabe arrasar. Tudo vai depender a ocasião;"
Por "bonitinhos" entendam o seguinte: aqueles ternos mal caídos que TODOS SEM EXCEÇÃO REPARAM E DÃO RISADA. Exceto, claro, a própria mulher (nos casos em que também é jornalista e não escreve na seção de moda). O moço do bairro, da loja de roupas, não costuma ser uma pessoa sincera.
* * *
"26. Como são antenados, também sempre ficam sabendo das novidades tecnológicas primeiro. Às vezes, até ganham de presente para testar a ferramenta. Você terá tudo em primeira mão na sua casa;"
Sua amiga, casada com outro profissional, ganha um carro de presente. Seu marido, jornalista, ganha um celular para testar. Sua amiga ganha uma casa na praia. Seu marido recebe um notebook para testar. Mas é em primeira mão, né?
* * *
"27. Eles não se importam com calor, chuva, trovões… afinal, precisam estar onde a notícia está! Você poderá ir na praia com 50 graus tranqüila ou aquela viagem dos sonhos pode se tornar um pesadelo no caos de São Paulo que ele não vai blasfemar. Ainda vai dar risada da situação;"
Ir pra praia? Qual praia? Ele é jornalista e vocês moram de aluguel num cubículo que reúne trinta e dois ambientes em 10m quadrados. De onde saiu a grana pra casa da praia? Ah, vai pra casa da amiga, na qual estará não apenas ela, mas o marido que tem tempo para passear?
* * *
"34. Eles gostam de camisas com estampas de alguma brincadeira sobre algo atual. Suas amigas vão ficar com inveja do seu companheiro inteligente;"
Os maridos de suas amigas aparecem com camisetas discretas, sem estampas, mas todas visivelmente bem desenhadas e cortadas, sendo que alguém de bons olhos percebe a boa procedência. Seu marido, com 40 anos, surge com algo do SEU MADRUGA. Elas vão mesmo morrer de inveja.
* * *
"35. Eles sempre têm uma opinião sobre qualquer coisa na face da Terra. Durante uma conversa entre amigos, vocês nunca ficarão apagados;"
Sim, opiniões como "tudo é culpa do imperialismo ianque" ou "Hugo Chávez é um democrata, vocês que não vêem isso" e ainda "mais respeito com Fidel". O rei do humor involuntário.
* * *
"39. Gostam de mudar de cidade, estado e até de país. Você conhecerá muitos lugares!;"
Principalmente depois dos despejos.
* * *
E por aí vai. Boa sorte no matrimônio com o jornalista do seu coração, seu repórter cara-metade.
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transubstanciado por gravata às 10.02.10 | 34 comentários
09/02/2010
GENTE QUE DIZ "NÃO ME ARREPENDO DE NADA"
Há pessoas infalíveis e não são poucas, talvez sejam até maioria, a depender do universo pesquisado. E é justamente uma máxima popular que permite essa constatação (todos já a devem ter ouvido):
- Não me arrependo de nada que já fiz!
Costumo relevar esse tipo de arroubo, como quando dizem "deus ajuda quem cedo madruga" esquecendo dos bóias-frias, ou seja, pronunciam disparates pensando em minimizar alguma bobagem irreversível ou, vá lá, para externar arrogância (intimamente, porém, sentindo a dor do que fizeram).
Mas e se realmente falam a sério?
Alguém já analisou a trajetória de vida dos que "não se arrependem"? Escolham aí, a esmo, qualquer um. Tá, ok, não sejamos irresponsáveis: peguemos dez ou vinte e passemos a uma revisão dos fatos e acontecimentos marcantes das vidas desses sacripantas.
Não se trata de empáfia e arrogância, mas teimosia caricata e folclórica: verdadeiras coleções de fracassos e apanhados de tropeços. Já os verdadeiros vencedores, talvez por timidez ou certo pudor, tentam não mostrar muito entusiasmo publicamente (salvo exceções), e dizem que tudo poderia ser diferente, atribuindo alguns êxitos à sorte - no Brasil, há certa raiva coletiva dos que se dão bem em qualquer campo, exceto quando estes se comportam como se o sucesso fosse obra do acaso ou de deus.
Já os perdedores (não falo aqui apenas de vitórias materiais) são os que são vistos - e se colocam - como os heróis, e não apenas pela própria arrogância, mas muito por culpa de quem os consola, em geral com aquela conversa de que ele foi "legítimo merecedor" ou "roubado" ou até "campeão moral".
E a coisa piora. Em alguns casos, a pessoa é MESMO culpada pelo fracasso, não é vítima de coisa alguma a não ser de seus próprios atos. Nessa hora - e esse é o centro da tese do texto -, em vez de repensar tudo e reavaliar suas atitudes, o que faz é... NÃO SE ARREPENDER (isso serve para carreira acadêmica, profissão, vida amorosa etc.). É uma bizarrice inexplicável!
Tudo na vida é um "aprendizado"? Sim, é possível ver dessa forma, desde que a ÚNICA E PRINCIPAL LIÇÃO - porque óbvia - seja a seguinte: NÃO REPETIR O ERRO. E disso se tira uma constatação simples: houve arrependimento, pois, em caso contrário, bastaria repetir o mesmo lapso N vezes (o "não-arrependimento" seria exatamente isso, ora!).
Ah, sim. O que esperar de quem "não se arrepende de nada"? Estoicismo espartano, força de vontade imbatível, frieza existencial. Mas já conversaram com tais pessoas? São sempre as mais passionais e emotivas, chorando copiosamente a cada nova situação, dessas das quais... JAMAIS SE ARREPENDERÃO!
Para completar de vez a doideira desse samba do arrependimento louco, muitas se dizem católicas. E aposto que não me perdoarão por este texto, nem entenderão as duas contradições dogmáticas quanto à sua fé, expostas não tão implicitamente assim, aqui neste parágrafo. Quanto a isso, eu que não me arrependo.
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transubstanciado por gravata às 09.02.10 | 17 comentários
08/02/2010
UM RACIOCÍNIO MEIO BURRO DOS CIBERATIVISTAS
Conheço um "ativista da cibercultura" que viaja pelo Brasil lutando por nós, vocês e eu, em especial quanto aos direitos de quem navega na web. Quem custeia os passeios é o Ministério da Cultura, dando-lhe passagens de avião e ótimas hospedagens. Com isso, ele vai aos mais variados eventos difundir várias ideias e, entre outras, defende o seguinte: compositores devem abrir mão de seus rendimentos com direitos autorais.
Não são egoístas, pois, sem os rendimentos dos compositores, haveria menos contribuintes a pagar impostos e, com isso, talvez menos viagens e hospedagens – ou hotéis de categoria inferior. Eles realmente estão preocupados conosco e com a cibercultura. Tá, tudo bem, não acredito nisso. E nem vocês. E, sejamos bem honestos, nem eles. É pura abobrinha.
Sim, os "compositores". Quando falam em música e decretam a falência do atual modelo, não estão errados. De fato, a coisa está feia e os músicos ganham, mesmo, com os shows. Mas isso diz respeito ao comércio de música, não aos direitos autorais, em si. A facilidade com que canções circulam, agora por meios "imateriais", faz com que seja quase impossível controlar seu fluxo. Mas não... SUA EXECUÇÃO PÚBLICA, notadamente nos eventos de grande porte.
E aí estão os ganhos de artistas e compositores. Porque, sim, são figuras distintas num mesmo universo. Exceto, é claro, para o "ativista da cibercultura". Para ele, as analogias são sempre voltadas ao mundo do PC, e usando raciocínios os mais toscos, como quando querem convencer um programador a usar software livre, na base do "não é legal ganhar dois milhões vendendo uma licença, o bacana é compartilhar o código fonte e passar o resto da vida consertando computadores numa sobreloja na Ponte Rasa".
O que dizem aos compositores? Em primeiro lugar, ignoram a existência dessa categoria. Presumem que TODO CANTOR SEJA TAMBÉM COMPOSITOR, pois simplesmente dizem "o artista ganha com o show". Isso mesmo. Ponto final. E o compositor faz o quê? Pega um pandeirinho meia-lua e batuca pra tirar uns 10% da renda? Porque, se ele ganhar um percentual em cima da execução da obra, lamento dizer, mas estamos aí diante da cobrança de direitos e, desse modo, há o COPYRIGHT, nada menos que DIREITOS AUTORAIS SOBRE A OBRA. Ele continua dono (nunca deixaria de ser, o que é óbvio).
Desse modo, a falência – inequívoca – da indústria fonográfica está adstrita à VENDA e não à AUTORIA. Tanto menos teria cabimento exigir do compositor que compareça ao palco para ganhar como EXECUTOR e não pelo que de fato produziu. A ditadura coletivista precisa ver limites no ridículo de suas teses. Retirar do compositor seu direito de receber pelo próprio trabalho e talento é uma espécie de "stalinismo vocacional".
Então por que fazem isso? Porque precisam. Sim, precisam. Estão comprometidos com essa idiotice de que as obras "não têm dono" e, nesse caso, o pobre coitado do compositor não deveria receber qualquer grana pelo fato de ter criado uma obra – pois isso implicaria no fato de que, bom, ele é o "proprietário" de sua própria criação (meio ridiculamente óbvio, não é mesmo?).
E esse compromisso com tese tão risível se dá porque, em tese, ela chega ao mundo do software e, assim, também não querem que um programador seja "dono" do programa que criou. Enfim, é mais ou menos isso. Basta seguir o raciocínio com qualquer tipo de produção humana intelectual.
A ideia é fazer de conta que ninguém é "dono" do que cria – fingindo que não há evolução na produção científica quando há estímulo dentre aqueles com talento e capacidade para produzir. Você é dono de uma casa, que comprou com seu dinheiro obtido por meio do trabalho, mas – para eles – não deveria ser "dono" de uma música, livro ou software criado também por meio de trabalho. O motivo? Não são bens materiais. Podem rir, mas não de mim.
Ah, sim! Se você é de alguma forma contrário a esse raciocínio, imediatamente é tratado como inimigo mortal. Muitas vezes, por exemplo, pode até ser chamado de filho da puta. Mas seus impostos continuarão pagando passagens e hospedagens para que ativistas façam seus discursos nos mais variados eventos. Essa última parte, infelizmente, não é optativa.
Não há os revolucionários de sofá? Pois há os de poltrona de avião e caminha de hotel. Tá pensando o quê?
ps.: Claro que não são todos! Obviamente, trato aqui de casos específicos. Há muitos militantes que são, sim, pessoas de muito boa fé etc. etc. etc. Mas, na parte dos direitos autorais, desculpem, o raciocínio continua mocorongo. :)
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 08.02.10 | 12 comentários
05/02/2010
TEMOS MEDO E VERGONHA DO SEXO
Nas sessões de exibição vespertina de filmes televisivos, é totalmente admissível, para a 'sociedade', que passem cenas de tiroteio, morte, sequestro, lutas, espancamentos e toda sorte de crimes. É totalmente proibido, porém, a exibição de cenas de sexo. Se for explícito, de qualquer modalidade, daí não pode ser exibido em qualquer horário. Ponto final.
É difícil usar a lógica para explicar as razões pelas quais isso acontece. Sim, é hábito, "é assim que funciona" etc. Mas por quê? Por que motivo ninguém tira as crianças da sala quando alguém, num filme, massacra meio mundo com uma metralhadora, mas muitos trocam de canal quando um casal dá início a carícias mais ousadas? Não faz o menor sentido. Não deveria ser assim.
Vejam o caso das telenovelas: claro que há sexo, mas todo ele é implícito, em táticas de edição que são verdadeiros clássicos. O casal vai para o quarto, geralmente à noite, fecha a cena, e no instante seguinte já amanheceu e ambos tomam café. Todos sabemos o que houve. Mas, vá lá, para mostrar corrupção de agente público ou qualquer outra coisa que também faz parte da vida, não há choque algum que seja tudo explícito.
Nenhuma associação conservadora envia carta ou promove abaixo-assinado reclamando do corrupto mostrado ali, em horário nobre, como fazem nos casos raros em que alguma emissora audaciosamente mostra algo mais sexy. Talvez deem os parabéns, dizendo que há toda uma função pedagógica, denunciando as falcatruas do poder, tal e coisa. Mas o sexo, bom, aí é melhor esconder. E assim vamos.
Chega de TV. É um exemplo, um reflexo, claro que a coisa escapa daí. Uma amiga esclarecidíssima, progressista, politizada, certa vez foi surpreendida por uma pergunta inconveniente e de bate-pronto (minha, claro): "Você prefere encontrar um maço de cigarros ou uma carta do namorado gay no quarto do seu filho?" – ela demorou para responder, não pela dúvida quanto à resposta, mas sim diante da vergonha. Ela preferiu o cigarro.
Forçando a barra: Ela preferiu altas chances de câncer a ter um filho gay, a doença fatal à livre escolha quanto ao sexo. Mas, claro, foi uma resposta de supetão. Tenho certeza que, como mãe e com o amor falando mais alto, ela jamais daria essa resposta. Ainda assim, isso não deixa de ser intrigante.
Depois disso, repeti a "brincadeira" em várias outras ocasiões, como uma espécie de experimento macabro. Muita gente responde da mesma forma, em seguida refletindo sobre o que disse. Alguns (não são poucos), contudo, mantêm a opinião do maço de cigarros, de forma convicta, o que não deixa de ser significativo.
Talvez tenhamos medo ou vergonha do sexo. Ou ambos. O engraçado é que não se trata de algo errado, não é um crime, e ainda assim sua exibição é vedada por normas sociais e algumas efetivamente jurídicas. Mas ninguém se choca quando mostram cenas de crimes, ou quando começam a conversar numa roda sobre algum tipo de contravenção. Nada disso nos aterroriza ou nos envergonha a ponto de alguém pedir silêncio.
Dizem que vincular pudor e sexo é uma forma de tornar este último mais interessante, uma maneira de incutir mistério e, talvez por isso, ampliar alguns campos da fantasia e do desejo. Mas, seguramente, há uma distância imensa entre o jogo da conquista e a hipocrisia moralista que impera em todo o mundo.
E há aquela história do "eu prefiro fazer a falar". Bobagem. É fuga do próprio medo, da própria vergonha. Ninguém fala porque todos foram criados, e isso há gerações e gerações, para ter medo e vergonha do sexo. É evidente que todos (em tese) preferem fazer. Todos também preferem velejar, mas isso não impede que se converse sobre veleiros. Isso vale para a gastronomia e assim por diante.
Será que, quando perdermos medo e vergonha do sexo, ele perderá a graça? Ou talvez não falte isso para que fique ainda melhor? Talvez valha a pena correr o risco.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 05.02.10 | 33 comentários
04/02/2010
BRASILEIRAS DA ESCANDINÁVIA
As mulheres brasileiras moram na Escandinávia, região formada por Suécia, Noruega, Dinamarca, Finlândia e... Brasil. Isso, claro, quanto às mulheres. Se alguém duvida, por favor, pergunte a uma garota o que é comprar roupas, ou veja alguma propaganda televisiva - especialmente quando se trata de algo para elas próprias.
Ah, sim! Já vou avisando: não tenho a menor simpatia nem vocação para nacionalismo. Falo aqui de tipo físico. As escandinavas são geralmente altas, magras e, sim, também brancas e quase sempre de cabelos claros. Mas nem falarei da cor da pele para não cair muito na patriotada. Fico apenas com altura e magreza, ok? É o ponto; voltemos.
Uma mulher brasileira vai a uma loja, no Brasil, comprar uma calça jeans feita aqui mesmo. Ela é baixa e tem quadril grande (já falamos de sua nacionalidade), mas o que acontece? A referida indumentária respeita o rigor geográfico exposto no primeiro parágrafo: para o estilista, ela é sueca - e a oficina de costura prepara uma calça sob medidas escandinavas.
O publicitário não faz muito diferente, e as propagandas televisivas servem de prova, pois nelas desfilam norueguesas de todo gênero. E não apenas para vender cosméticos, perfumes e afins, mas até para contracenar em anúncios de postos de gasolina, lingotes de aço ou empresas estatais. Só pode ser para torturar as brasileiras baixinhas e bundudas.
Essa coisa de "ditadura da magreza" já se tornou um clichê, mas é a pura verdade. E o pior é que existe também "ditadura da altura". E as cenas da SPFW, por exemplo, seguramente assustaram qualquer pessoa minimamente comprometida com a saúde humana. Aquilo já não era a Escandinávia, mas qualquer região em época de guerra - e falo aqui do país derrotado, evidentemente.
Daí que as garotas ficam desesperadas e entram em dietas malucas, tomam remédios estrambóticos, entram nas mais variadas paranóias e a origem disso é uma imbecilidade estética imposta por quem não está no rol dos que apreciam a mulher da forma como nós as apreciamos. Se para quem faz roupa a mulher é um provador ambulante, para nós o deleite é outro - e depois, vejam só!, os machistas objetificadores somos nós...
Sério: vocês são burras. Porque bastaria simplesmente não comprar nada, mandar tudo à merda e fim de papo. Mas, não. Vocês caem nessa conversa-fiada. Pagam caro, vivem feito malucas, umas cobram das outras (e ainda tiram sarro!), para no fim das contas ficarem de um jeito que... NÓS NÃO GOSTAMOS! - sim, nós, homens héteros, não gostamos muito da "beleza padrão" inventada pela turma da alta costura.
E era de esperar, né?
Mas, ok. Se as mulheres continuarem com essa bobagem de obedecer ao "comando do patriarcado das confecções", e com o detalhe idiota de uma patrulhar a outra, eu me dou por vencido. As magrelas altíssimas definitivamente não fazem meu tipo e sei que jamais teremos o Welfare State dos avançadíssimos países escandinavos.
Mas, poxa, poderia fazer aquele friozinho, né?
(sem revisão e com emoção)
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transubstanciado por gravata às 04.02.10 | 22 comentários
31/01/2010
TESSÁLIA, A NOVELA - CAPÍTULO DE HOJE: "APELOU, PERDEU"
Por mais que se possa alegar "fatores de edição", diante de todos os comentários das fontes mais isentas e seguras, é inequívoco que Tessália, a Twittess, se porta como vilãzinha no BBB. Desse modo, é totalmente compreensível concordar com quem não vai com sua cara (e isso é diferente de ofendê-la gratuita e violentamente).
Para piorar, há um romance com rapaz outrora comprometido, o que leva às cabecinhas puritanas aquela bobagem das telenovelas. O raciocínio é "importado" das tramas feitas para, sejamos honestos, uma gama da população não exatamente acostumada a roteiros muito elaborados. É "bem x mal" e pronto.
E, por fim, uma cena que foi considerada sexo oral (é uma constatação suspeita, muitos que o disseram evidentemente não praticam esse tipo de coisa com a regularidade considerada saudável). Mas, taí o tal momento. Realizem a perícia visual e sonora, atestando assim a eventual feitura da polêmica felação:
Se você é "inimigo da Tessália" (sim, isso existe, não ria...), daria para aproveitar o momento de vilã, as bobagens ditas na casa e deitar e rolar. Mas, por N motivos, seria muita burrice cair na falácia moralista explorando a cena suposta ou efetivamente sexual. Pois adivinha o que fizeram os espertuchos? Claro, óbvio, evidente... Armam um tribunal da santa inquisição.
Senão pela inteligência estratégica, poderiam fazer parte de conhecida universidade paulista também pela sanha linchadora - e nem acho que pelo moralismo, mas simplesmente por ver gancho para xingar a desafeta. Enxergaram uma forma de explorar a situação e o fizeram.
É o tal negócio: "apelou, perdeu". E apelaram feio.
Apelidos grosseiros, xingamentos pesados com referências do tipo "engolir porra", "sêmen na goela", "boquete", "teste do sofá", "chupa, twittess", "fenômeno do boquete", "cuspir pentelho"...
Não, ela não é uma "coitadinha", não é uma garota indefesa vítima de pessoas inescrupulosas que pretendem destruí-la. Mas, sim, houve um surto ridículo de moralismo provavelmente motivado pela raivinha da moça (quero crer seja esse o motivo, pois seria decepcionante supor que tais pessoas sejam mesmo moralistinhas e hipócritas a esse ponto). Baixaria tosca.
Vamos supor a seguinte hipótese: ela não apenas fez sexo oral, mas efetivamente transou debaixo do edredon. E daí? Em que medida isso muda a nossa vida? Xingá-la dessa forma é uma maneira inteligente de, sei lá, provar aos outros que ela não é uma boa pessoa?
Ao que parece, isso revela raiva irracional. Daquelas que, na primeira brecha, na primeira gafe, no primeiro motivo, irrompe-se e traz à tona as maiores bobagens, trocadilhos, ofensas... Coisa comum em torcedores fanáticos de futebol (situação talvez mais ou menos justificada, até porque quase sempre é um "ódio de mentirinha", já que horas depois tudo volta ao normal).
Mas, nesse caso, qual a justificativa? Eu sei que não podemos falar em "inveja", ok. Então, qual o motivo?
Certo dia, perguntaram: "ah, mas por que você defende tanto". Não, não defendo - essa é uma leitura errada. O ataque agressivo vem primeiro, e isso aqui não é uma "defesa", mas antes e acima de tudo um questionamento em busca da razão de tanta fúria.
Por quê? Qual o motivo disso?
Updatezinho: Há um ingrediente machista nessa virulência toda. Todos - TODOS - os ataques são em face da Tessália, mas, como se sabe, o sexo (consentido) é sempre feito pela vontade das duas partes. Por que cargas d'água a 'errada' da história é a mulher e o homem é o 'esperto? Presumem, pelo vídeo, que somente ela fez qualquer coisa, mas isso seria ridículo (até porque os autores das presunções, vale repetir, entendem tanto de sexo quanto eu de mísseis balísticos). Então ela é a safada que merece apelidos e xingamentos e ele... Bom, no máximo leva chacota por trocar a ex por uma mais feia? Que beleza...
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transubstanciado por gravata às 31.01.10 | 54 comentários
31/01/2010
POBRISMO DE BUTIQUE
Lembro do primeiro ano na faculdade, era 1996, e havia um amigo com uma mania provavelmente trazida do colégio, de vestir-se como 'rapper'. Mas vamos ao tipo: rico, muito rico, e evidentemente branco. Era – e talvez ainda seja – relativamente comum esse negócio de garotos ricos e brancos usarem indumentárias como aquelas dos músicos de rap da periferia de São Paulo.
E então um outro amigo, esse sim batalhador e de família muito pobre, mas ganhando um salário razoável porque era funcionário público concursado, certa feita interpelou o 'rapper riquíssimo':
- Cara, você acha legal ser pobre? Você é rico, todo mundo sabe que você tem grana, não entendo por que você usa essas fantasias de pobre, de maloqueiro. Você não é! Eu pego metrô, ônibus, acordo cedo, ralo pra caramba, pago conta, sustento uma parte da minha casa, e quero sair dessa o quanto antes. Você, que tem tudo, parece que quer ser eu! Não dá pra entender... Por que você faz isso?
O carinha, que era mesmo gente boa, apesar dessa bobagem do visual, ficou desconcertado, tentou argumentar qualquer coisa, explicou que respeitava os amigos "da bocada" (sim, usou esse termo), disse também que entendia o drama do "bróder", mas por óbvio continuou como "mano" até a metade do curso. Depois, é claro, tomou jeito e apareceu de terninho, tal e coisa. Arrumou também uma namorada. Vida que segue.
Mas desde esse dia guardei comigo uma lição importantíssima. Tinha ali de dezenove para vinte anos e, embora não tivesse pendores de imitar Racionais MCs, também achava bonito o enaltecimento da pobreza. Ali, depois da bronca de alguém que vivia pra valer a desgraça das privações, passei a ver com outros olhos esse 'charme' imputado às coisas 'alegoricamente despojadas'.
É possível que muitos parem com esse tipo de babaquice também com essa idade, mais ou menos quando também deixamos de lado simpatias socialistas e ideias mirabolantes de todo gênero. Mas alguns insistem – em tudo isso, diga-se. O "pobrismo de butique", sem dúvida alguma, irrita sobremaneira.
Há uma zona cinza imensa entre esbanjar dinheiro (sobretudo não o tendo) e enaltecer a miséria (em especial a 'caricatura da pobreza’). A pessoa tem uma remuneração adequada, um carro bom, paga as contas e sobra uma grana, tem até aplicação financeira. Então, sério, POR QUE INSISTE NISSO DE "BOTECO COPO SUJO"?
Não, não é legal. Todo mundo sabe que não é legal. O sujeito que está num bar desses simplesmente não vê a hora de SAIR dessa situação. Basta surgir a primeira oportunidade e ele imediatamente vai para outro lugar, obviamente melhor, ambiente menos detonado etc. Nenhum pobre gosta de ser pobre. Aliás, nem o falso pobre gosta da pobreza. Explico.
Em São Paulo, quando se fala em "copo sujo", ninguém vai MESMO para um bar boca-de-porco. Vão para a Rua Augusta, que é tão 'do mal' quanto meu amigo 'rapper'. Lembro de frequentar alguns barzinhos por ali, já que era perto de minha faculdade, há coisa de quinze anos. E JÁ ERA normalzinho, não tinha nada de 'underground', nem nada de 'copo sujo'. É só barato, mesmo.
Querem sentir o prazer da noite? Sugiro bares do CAPÃO REDONDO, PONTE RASA, ITAPECERICA DA SERRA, DIADEMA, FERRAZ DE VASCONCELOS e afins. Ué? Não gostam de um copinho sujo? Não são "da quebrada"? Não são "dos manos"? Não são "do rap"? Ah, precisa ser no centrão? Ok... Rua Aurora, Cracolândia, Baixada do Glicério. Vai lá, valente!
"Baixo Augusta", né? Baladinha pra fazer de conta que é alternativo, entra, toma vodca e paga 150 mangos. Super pé-sujo.
Talvez isso tudo tenha nascido ou mesmo ganhe força como forma de responder aos riquinhos esbanjadores, e nisso haja mesmo alguma legitimidade. Mas, no fim das contas, em vez de afirmação, o tiro sai pela culatra. Os burgueses acham tudo ainda mais engraçado e os pobres, podem apostar, são os grandes ofendidos da história, pois sua desgraça real é tratada como uma espécie de experimentação exótica casual.
E, claro, com a devida assepsia. Porque os "pobristas de butique" apenas fingem essa simpatia com a pobreza, mas na verdade jamais querem por perto algum pobre de verdade (vejam como alguns deles, jornalistas, falam de pessoas como Geisy ou Steffhany, p.ex.).
São como os turistas estrangeiros que fazem aqueles passeios pelas favelas cariocas, mas num circuito protegido e maquiado – nunca passariam dois dias num barraco de verdade, enfurnados na miséria de quem vive ao lado de córregos abertos.
Gostam de boteco "pé-sujo", mas vão com os tênis da moda. Pedem a "breja de garrafa, num preço camarada", mas pagam com cartão internacional. Com o garçom, fingem camaradagem, e vão embora de carro novo. Ele não. Ele volta de busão, de manhãzinha.
É péssimo ostentar riqueza, verdade. Mas o que dizer de quem emula e enaltece a pobreza? Se bem que muitos, na verdade, até que ganham mal, mesmo. E aí temos uma categoria engraçada: estão sempre duros, fazem de conta que têm grana, mas estão ali apenas "fingindo dureza".
Freud se mataria.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 31.01.10 | 17 comentários
29/01/2010
LINGERIEDAY: SEM NINGUÉM PRA ATRAPALHAR, O SUCESSO É ABSOLUTO
Aqui me arrisco em exercício perigoso, o de contrariar teses consagradas por sábios da "social media". Uma delas prega aquela lenga-lenga de que polêmicas tendem a ajudar determinadas campanhas. E isso foi dito por 10 entre 10 especialistas quando do primeiro #lingerieday. Eu embarquei nessa, pois era a evidência que tínhamos.
Barca furada.
Claro que um pouco de polêmica chama atenção, mas será que ela é bem-vinda até mesmo quando um dos lados está coberto de razão? A única forma de saber seria comparar dois casos, um polemizado e outro esvaziado de críticas ferrenhas desse tipo. E foi exatamente o que houve da primeira para a segunda edição dos LDs.
Em julho do ano passado, fomos bombardeados ao extremo, na véspera e no próprio dia. Havia desde críticas fundamentadas, até opiniões radicais de pessoas simplesmente contrárias por divergir politicamente de alguns dos organizadores (isso não é piada). Um dos maiores críticos do LD, por exemplo, organizava ele próprio, no Orkut, um concurso denominado "Miss Direito Penal", cujo critério de desempate consistia no envio de "fotos sensuais".
Mesmo assim, o resultado foi um sucesso, a adesão foi maciça e conseguimos mobilizar um número espantoso de pessoas, mulheres e homens, todos ali de calcinhas e cuecas bagunçando o coreto do Tuíter. Mas os derrotados não se deram por vencidos. A explicação era a mesma: "nós lhes demos voz". E, como já disse aqui, todos acreditamos nisso. Porque, a bem da verdade, não havia outra explicação para aquilo tudo. Diante da expectativa mais otimista, estava tudo mesmo muito impressionante.
E veio a edição de hoje, sem qualquer ataque ou crítica, sem a mínima manifestação contrária. Em termos de marketing, portanto, estratégia acertadíssima dos opositores, não é mesmo? Se houve sucesso por causa deles, dessa vez não nos dariam o gostinho. Fracasso à vista, não é mesmo?
Não foi exatamente o que aconteceu. A adesão foi maior (cerca de cinco vezes mais pessoas, num cálculo aproximado), umas dez empresas resolveram patrocinar promovendo sorteios ou dando brindes (detalhe: não convidamos nenhuma, nem ganhamos um centavo) e, quando chegou a hora, eu não conseguia acompanhar a miríade de avatares, fotos, emails etc.
Hoje, entre onze da manhã e aproximadamente três da tarde, a hashtag #lingerieday estava nos Trending Topics mundiais do Twitter (e não dentre aqueles apenas do Brasil). Em dado momento, estávamos em terceiro lugar, e era engraçado ver pessoas do mundo todo perguntando o que exatamente era aquilo, e muitos outros descobrindo e... ADERINDO! Obviamente, jamais imaginávamos repercussão dessa monta.
Tudo sem polêmica. Seria maior caso houvesse discussão e bate-boca? Poderia dizer que duvido, mas arrisco ir além: NÃO. Não chegaríamos a tanto. Muita gente chata gera um único produto, que vem a ser a chatice, e esse produto afasta as pessoas, inibe a participação espontânea (espírito máximo de uma brincadeira como o #lingerieday, p.ex.).
Então, prezadas feminazis e seus amigos bocoiós, vocês deitaram na sopa! Foi bom pra cacete e o truque de não fazer nada deu erradíssimo. Obrigado, mais uma vez. Vocês perdem quando apanham, e perdem-e-meio quando fogem da briga.
E, se querem saber mesmo como estragar um #lingerieday, dou a receita: apareçam em trajes menores. Vai ter gente fechando conta no Twitter, abandonando a informática e se mudando para comunidades Amish, podem apostar! Nunca pensaram nisso, né?
Blasés Futebol Clube
Gosto também do pessoal que solta aquelas pérolas do tipo "gostava mais quando era um movimento sério, agora massificou". Daí, em uma semana você encontra o "outsider" num evento de blog desses que distribuem bebida cuja garrafa custa 20 reais, pacotinho de chiclete, ou pré-estréia às dez da manhã em dia de semana. Eles curtem um "movimento sério" e uma "exclusividade", sabe como é?
Patrocínios: Algo a Repensar
Todas as empresas foram de gentileza extrema e competência inatacável, mas, agora em julho, pretendo não manter mais essa política de patrocínios. Manteremos, é claro, a parceria-irmã com a gloriosa RevistaVIP. E só. Quem quiser aproveitar a data do #lingerieday para fazer promoções, é claro, fica à vontade. Mas não temos condições físicas para gerenciar tudo, organizar etc. Eu mesmo estou com 14 DVDs aqui e provavelmente marcarei uma botecagem para sorteá-los lá mesmo.
No mais, vamoquevamo!
(sem revisão, Hellen dormindo)
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transubstanciado por gravata às 29.01.10 | 19 comentários
28/01/2010
LINGERIEDAY: SORTEIO DOS FILMES (CONCURSO CULTURAL)
Acompanhem, por aqui, o sorteio dos filmes adultos, cortesia da Produtora Sexxxy. Para participar, obviamente, é preciso ser maior de idade e, no email para retirada do prêmio, é preciso enviar cópia do RG comprovando isso (desculpe, filho, mas é a Lei do Oeste).
1º Filme: Twittando & Transando (há dois para entregar)
Para ganhá-lo, responda nos comentários dizendo o nome de pelo menos quatro atrizes.Vencedores: Fernando Rossini e Totonho
* * *
2º Filme: A Volta de Bruna Surfistinha (há dois para entregar)
Para ganhá-lo, responda nos comentários dizendo quantas cenas há no filme.
(ponha seu email verdadeiro no comment, só eu vou ver, pois ele será verificado quando você enviar a mensagem para o MEU email reclamando o prêmio após ser aclamado vencedor - já que os comentários são moderados e eu sei quem comentou pela ordem)
Boa sorte!
(Depois sortearei o resto, nem sei como fazer isso, pra falar a verdade. São 14 filmes, obviamente darei um jeito...)
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transubstanciado por gravata às 28.01.10 | 12 comentários
26/01/2010
CAMPUS PARTY: TEATRINHO ATIVISTA, CORPORAÇÃO E KMAX
Eu não acredito nos líderes do "ativismo digital brasileiro" e sempre deixei isso muito claro, porque praticamente todos eles estão, antes de tudo, comprometidos com partidos políticos ou com pontos não exatamente nobres e, apenas depois disso, olham para a "causa".
A Campus Party é prova disso.
O evento, em si, é ótimo para seu segmento, é uma ideia interessantíssima, nota-se a legítima empolgação da molecada e é inegável que sirva para movimentar um mercado. O problema é quando entra o "ativismo" nessa história toda. É aí que o caldo entorna e entra um teatrinho bem pouco convincente.
Vejam o caso de Vinícius K-Max. Ele sofre PROCESSO PENAL por divulgar uma falha da empresa Telefonica, a grande patrocinadora da Campus Party. Em vez de defendê-lo ou sugerir "rede de apoio", os "organizadores ativistas" do evento simplesmente ficaram quietos, não promoveram coisa alguma e enfiaram a viola no saco. Mas, curiosamente, levam hacker norte-americano para discursar e, sempre que podem, mostram que são favoráveis aos hackers, são "do bem", são "da pesada", são a favor da "cibercultura".
São nada! Inventam aquelas bobagens de "rede de apoio" quando alguém recebe uma coisa mixuruca, como NOTIFICAÇÃO EXTRAJUDICIAL, mas mantêm um silêncio vergonhoso diante de uma ação que corre em vara criminal contra um cara inocente. Por coincidência (claro...), ele apontou uma falha na principal patrocinadora do evento do qual esses "ativistas" são diretores – falha essa que comprometia a segurança de milhares de assinantes em São Paulo.
Por aí, temos uma ideia do quanto são revolucionários. E não é só isso, obviamente. Claro que tem mais.
Gostam de xingar a Microsoft. A empresa de Bill Gates é o verdadeiro SATANÁS. Motivo? Seria um "monopólio" e, quando a ela se referem, escrevem até com caixa alta: MONOPÓLIO. Pois bem: a Telefonica exerce efetivo MONOPÓLIO de telefonia fixa em São Paulo, um serviço essencial (e, não, a Microsoft não é monopolista em segmento algum). Depois de muitos anos, é possível obter linha telefônica por meio de serviços alternativos, como VoIP e afins, mas LINHA, mesmo, só a empresa patrocinadora da Campus Party – cujos diretores se consideram "ativistas da cibercultura e inimigos da empresa do Sr. Gates".
Qualquer pessoa minimamente comprometida com a inclusão digital, especialmente as que fazem discursos inflamados e revolucionários, jamais aceitaria patrocínio de uma empresa que exerce monopólio na área da telefonia fixa, repercutindo no serviço de banda larga, em sua qualidade e, claro, seu preço.
Exceto, claro, os revolucionários brasileiros. Porque, como se percebe, a "causa" fica em terceiro plano. Primeiro pensam em si próprios e no partido, depois fazem discurso pra molecada, iludida, aplaudir, achando que estão falando sério. E a culpa é de quem aponta esse tipo de falha.
Como Vinícius K-Max, que nada fez além de apontar erros. E hoje é processado no Fórum Criminal. E ninguém dos revolucionários diz nada. Mas estão ali, com crachás da empresa patrocinadora, dirigindo o evento da Telefônica, fazendo de conta que não houve falha alguma e se omitindo diante do processo que o garoto sofre na Justiça, mesmo sendo inocente.
Enfim: tenho pavor dessa coisa de ativismo e revoluçãozinha, acho bobo e adolescente, mas, nesse caso, não tem como ficar em cima do muro ou bancar o esnobe. É uma daquelas situações em que podemos tentar, mas não escapamos de um certo "Bem x Mal".
E eu estou com Vinícius K-Max. Não sei vocês.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 26.01.10 | 11 comentários
21/01/2010
GRAVATA RESPONDE - 062: LOROTA CLÁSSICA: "OS HOMENS TÊM MEDO DE MULHERES RESOLVIDAS"

IMPORTANTE: Agora, o Gravata Responde é assim: uma única pergunta, mas respondida de forma, hm, "profunda" e com perguntas diárias e constantes, aqui neste endereço. Vocês podem, inclusive, utilizar o formulário da barra da direita - mas, para ler, é preciso visitar a página do formspring, mesmo. Evamoquevamo!
Mantenho os clássicos dois pedidos: a) ENVIEM PERGUNTAS RESUMIDAS! e b) NÃO FAÇAM PERGUNTAS NOS COMENTÁRIOS, MANDEM PARA O EMAIL gravataresponde@gmail.com - certo? Vamos lá:
"Olá Gravata, acompanho teu blog há um tempinho e é o seguinte: eu confesso que nunca gostei de ter compromissos fixos como "namorar", sempre tive medo pelos caras que eu arrajnava só de a gnt começar a ficar eles já grudavem. Ultimamente conheci alguns homens, mas todos eles meio Mr. M, sabe? somem com a mesma facilidade que aparecem (logo agora que comecei a 'perder' o medo de namorar). Não sei se é o fato de eu REALMENTE GOSTAR de sexo que os assusta ou o quê. Mas queria muito enteder por que os homens sempre fogem de mulheres independentes financeiramente, sexualemnte e psicologicamente? Obrigada."
Vamos lá, prezada amiga. Não é bem assim. Você, na pergunta, embute algumas conclusões pra lá de equivocadas. Uma delas é o "medo", outra é o fato de perguntar sobre um comportamento "masculino" que, até ontem, você praticava de forma idêntica. Por partes:
A Farsa do "Medo Masculino"
Vamos deixar algo claro, e de uma vez por todas: esse negócio de homem ter medo de "mulher resolvida" é a mais pura MENTIRA. Os caras falam isso simplesmente para não dizer coisas horríveis, ou para não sair de fininho sem falar nada. É isso, simplesmente isso, nada mais que isso.
Ou você realmente acha algum sacripanta prefira namorar uma garota burra, sem capacidade para qualquer trabalho e sexualmente deplorável?
As coisas mudaram um bocado de 1950 para cá, mocinha. Os casais, agora, são formados geralmente por pessoas compatíveis nas partes mais importantes da vida - guardando-se eventuais diferenças para, no máximo (e quando muito), o tipo de filme a alugar num sábado de chuva.
O que provavelmente acontecia contigo? Quando filnalmente resolveu amarrar o burro na sombra, deparava-se com rapazes que faziam o que você fez durante um bom tempo: desciam o sarrafo e sartavam de banda. Para não dizer algo como "queria dar umazinha e tchau e bênção", mandavam o famosíssimo "você é muito foda, não sei se conseguiria" - e você ACREDITOU!
E vamos torcer para que seja isso, pois há hipóteses ainda piores. Eles podem ter declinado usando essa mentirinha do bem, para evitar coisas do tipo "você é muito ruim na cama", "não dá com esse bafo", "jamais andaria de mãos dadas contigo num shopping, mesmo no de Osasco" etc.
(sim, não é seu caso, mas é o de muitas garotas!)
De "Ninfomaníaca" a "Moça Séria"
O título de seu email era esse, "ninfomaníaca". No fim da mensagem, você deixa clara a busca por algo concreto, de maior valor sentimental. Vai da queixa aos "grudes" à reclamação dos que só queriam besuntar a manjubinha. Temos aí, portanto, a caçadora tornando-se caça.
Muitas mulheres cometem um equívoco clássico, não sei se é esse seu caso. Mas, quando decidem namorar, não esperam primeiro surgir um sentimento para depois evoluir a relação. Simplesmente CAÇAM UM NAMORO, ou seja, buscam A RELAÇÃO e tentam encaixá-la em qualquer pessoa. Trocando em miúdos: não procuram pacientemente um candidato para a vaga, mas saem correndo com a vaga debaixo do braço, impondo-a aos candidatos.
Claro que dá zica.
Porque homem não é tão idiota (somos só um pouco). Assim que o caboclo percebe o DESESPERO e a CARÊNCIA EXTREMA, aplica o famoso GOLPE DA POSSIBILIDADE DA RELAÇÃO, mostrando-se altamente atencioso e aparentemente disposto a construir ele próprio uma casa no campo. Depois do orgasmo, o máximo de gentileza é ligar para o táxi.
E vai reclamar de quê? Até mês passado, era você que fazia isso. Fora que conheceu o picareta num bar, casa noturna, sala de chat, site de relacionamento, Twitter...
Enfim...
Não é fácil e nem existe o lugar certo para conhecer o homem da sua vida - aliás, é difícil concordar totalmente com essa idéia de "pessoa da vida". Mas, se busca opinião objetiva, atenha-se às estatísticas e às probabilidades. Por mais que seja chato e muitas vezes risível, é ainda mais fácil conhecer alguém bacana dentro dos círculos de amizade do que numa fila de banco; bem como numa "paquera de bar" é mais provável render apenas sexo (não que seja ruim) em vez de uma relação pra vida toda.
Nada disso é culpa das novas gerações, dos homens maus ou das mulheres que são todas umas safadas. Em linhas gerais, você hoje compete consigo própria. É isso mesmo. Essas garotas que saem querendo gracejos irresponsáveis são como se fossem você, mas anos atrás. E também não é culpa sua, pois a vida é assim.
E pode apostar: há muitos e muitos homens que querem, sim, coisas sérias. Falei disso na semana passada. Veja direitinho se você QUER MESMO algo assim, e tenha paciência. Só não caia nesse conto do "eles tem medo de mulher resolvida".
Lembre-se: nenhum homem sonha em casar-se com uma mulher mal resolvida, burra, sem perspectiva profissional e sexualmente esculhambada.
* * * * * * * * * *
Esta coluna é publicada todas as quintas-feiras e, para participar, basta mandar um email para gravataresponde@gmail.com - obviamente, sua identidade será preservada, nenhum nome será mencionado e você jamais será cantada, convidada para sair ou algo do tipo. E nem adianta insistir. Humpf! :)
(sem revisão)
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transubstanciado por gravata às 21.01.10 | 14 comentários
19/01/2010
LINGERIEDAY 28/01

(essa da foto é a AnneBecker)
Pois é, amigos, o #lingerieday está de volta, agora em sua edição de verão, já que o evento é semestral. A bagunça acontece no dia 28/01, quinta-feira.
O que é?
Um dia em que mulheres e homens (sim, ambos) trocam os avatares no Twitter por fotos de si próprios usando calcinhas, sutiãs, meias 7/8, corsets, cuecas etc. Ao contrário do que presumem os que antigamente "atacavam" a brincadeira, NÃO É OBRIGATÓRIA A PARTICIPAÇÃO, de modo que cada um faz o que quer, já que não vivemos no Irã - de novo, para tristeza dos que atacaram a brincadeira.
O negócio é organizado por mim, morroida e izzynobre, e, desde que começamos com isso (no ano passado), ganhamos alguns inimigos e inimigas sob acusações diversas - de machismo a coisas do tipo "objetificação da mulher". A parte boa é que fizemos muitas, muitas, muitas amizades. E adivinha qual das turmas faz as melhores festinhas?
Como Participar?
Moleza: troque a foto do seu avatar e avise usando a tag #lingerieday (use-a também em seus tweets). Pronto. Daí, postaremos a imagem em nosso tumblr - isso porque as melhores podem sair na RevistaVIP. Acha que é gozação? No ano passado aconteceu e, neste ano, eles já avisaram que vai rolar!
Independentemente disso, é legal organizar as fotos num tamanho maior - desde que, claro, participantes autorizem.
Deu Sujeira ou Não Tem Twitter?
Problemas no trabalho, família, algo do tipo? Não há motivo para ficar neurastênica! Você pode falar conosco e mandar sua foto, publicaremos direto no tumblr, sem identificá-la - desse modo, claro, talvez você não concorra a determinados brindes, mas ao menos participa do forrobodó.
Ah, sim, muitas simplesmente não têm Twitter, mas mesmo assim também querem brincar. Vale o mesmo: mandem as fotos que publicamos no tumblr, em seção separada. Daí ficam as "Secretinhas" e as "Sem Twitter". Todo mundo participa e maravilha.
Parceria e Patrocínios
Nossa grande parceira, sem dúvida alguma, é a RevistaVIP, que apostou no primeiro #lingerieday e, neste segunda edição, anunciou logo de cara a adesão. Valeu mesmo! E, sem dúvida, torcemos para que mais "talentos" sejam revelados no Twitter. Vamos ver quem serão as escolhidas de janeiro...
E outras empresas embarcaram no evento. A SexyDay fará uma promoção, bem como a SexyHelpDesk, tudo para as meninas. Mas os rapazes não estão totalmente abandonados, pois a produtora Sexxy/PlanetSex vai sortear nada menos que 18 DVDs e 3 camisetas (eram 12, mas já nos avisaram do aumento).
Ah, sim... Estamos abertos a demais apoios, como uma empresa que jajá será anunciada e, segundo negociações preliminares, sortearemos peças de lingerie Calvin Klein femininas. Conheçam todos os apoiadores.
Portanto, Não Esqueçam:

E, para informações atualizadas, visitem o tumblr.
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transubstanciado por gravata às 19.01.10 | 1 comentário
18/01/2010
CAGADAS EM ENTREVISTAS DE ESTÁGIO
Além da família, talvez a única parte da vida da qual possa ter orgulho é minha carreira. Sou um colecionador de fiascos nos mais variados segmentos: em especial no amor – todos em grande parte motivados por mim, sem dúvida. Mas, ao menos, minha vida profissional é relativamente louvável e conta com vitórias interessantes.
Mas... Bom, devo confessar que nem sempre foi assim.
Falo especialmente da época em que procurava estágio no segundo semestre da faculdade, quando decidi largar o curso de Letras (USP), dedicando-me exclusivamente ao Direito. Todos de minha sala estavam nesse mesmo esquema de fazer entrevistas e, bom, lá fui eu. Sintam meu drama, ou melhor, MEUS DRAMAS:
Carro Véio
Foi exatamente a primeira entrevista, seria num escritório grande, desses famosos, lá fui eu: acordo cedo, pego o carro e vou que vou. O trânsito, pra variar, não ajudou nada. Mas, obviamente, sou um cara prevenido e saí de casa bem mais cedo. Não me atrasei, portanto.
Ocorre que, ao chegar, simplesmente começa a sair UMA FUMACEIRA DOS DIABOS. Obviamente... FERVEU! A turma do estacionamento dando aquela força, colocando uma aguinha camarada no radiador, e o Voyajão veio de guerra segurando a onda. Subi, tal e coisa, mas no meio da entrevista os caras ficaram sabendo, porque comentaram comigo e ficou um clima bem ruim.
Descuido na Indumentária
Tudo normal, entrevista ótima, pessoal receptivo. Não seria, é verdade, a chance da minha vida, mas era um estágio como qualquer outro, seria uma graninha e eu aprenderia alguma coisa. Saí de lá relativamente feliz, achando que mandei muito bem. No elevador, indo pra garagem, percebo um detalhe desagradável: braguilha aberta. Não de levinho, mas TOTALMENTE ABERTA e, em calças sociais, isso é bem mais foda. Devem ter visto, não sei se foi por isso que não me chamaram, mas NEM SE CHAMASSEM EU VOLTARIA. Vergonha suprema.
Repeteco
Pois bem: resolveram me chamar justamente naquele escritório do Voyage que ferveu – isso três meses depois. Um tempo e tanto, mas escritório grande é foda com processo seletivo: lá fui eu. E de carro novo! Cheguei, nada de motor fervendo, BRAGUILHA FECHADÍSSIMA, tudo ok. Subo, espero na sala de reunião, chegam dois sócios que nunca vi, começam a fazer um monte de pergunta – todas que eu já tinha respondido – e então chega o outro sócio que eu já conhecia.
Estranha a pergunta que ele fez: "ué, eu te conheço de algum lugar...". Vamos encurtar a história, porque foi algo bem chato, meus caros... A SECRETÁRIA NÃO JOGOU FORA MEU CV E COLOCOU NA PILHA, ENTÃO ME CHAMARAM NOVAMENTE! Foi tão foda, mas tão foda, que acabamos até batendo papo e dando risada na hora. E tomamos um café.
O Fresco
Eu já tava de saco bem cheio dessas entrevistas, pra falar a verdade. Principalmente porque, em geral, nunca ofereciam uma vaga dentro de qualquer área relativamente interessante. Era sempre a mesma porcaria: "fazer fórum" (leia-se: percorrer ofícios e cartórios para checar processos). Mas, ok, lá fui eu para mais uma.
Quando o camarada começou a perguntar uma ou outra coisa, não gostei do tom, mas obviamente mantive a educação. Ele continuou perguntando bobagens genéricas, e eu as respondendo de forma igualmente ampla. E então quis saber se eu gostaria da vaga. Não quis. E fui embora. Também me despedindo educadamente, sem qualquer atrito, explicando que seria interessante aprender mais sobre as matérias já que estava em fase de estudos etc. O cara até concordou!
Enfim
Acabei arrumando um estágio bem depois, num puta esquema bacana, dentro do qual aprendia de verdade e, ok, trabalhava também pra diabo. Mas tinha chefes legais e um salário igualmente legal. Daí o que fiz? Fiquei apenas um ano e pedi desligamento para ganhar UM QUARTO DA REMUNERAÇÃO, tudo porque passei numa entrevista lá no Banco Central do Brasil e resolvi estagiar por lá, também durante um ano.
Então não digam que fui mentiroso quando falei pro cara do escritório que queria mesmo aprender. Ok, falei meio de gozação para ver como ele reagiria, já que não quis o estágio e não aceitaria de forma alguma. Mas, quando foi a vez de aprender, larguei a acomodação e preferi ganhar menos.
Piadas e histórias bizarras à parte, esse talvez seja o único conselho que eu possa dar a quem estuda e queira realmente aprender algo. Dê preferência a ganhar bem depois de formado: estágio é meramente para aprender (e pegar malícias da profissão).
Evamoquevamo!
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 18.01.10 | 13 comentários
17/01/2010
VAMO DE RELIGIÃO?
Vamos, claro, eu que mando no blog.
Um bom começo são os crucifixos em repartições públicas. Para quem não sabe, os cristãos o adotaram como símbolo sagrado muito recentemente, já que sempre se identificaram, ao longo dos séculos, por meio de um peixe. Seria meio estranho uma identificação pela cruz já que, em Roma, esse artefato era um instrumento de tortura e morte (preciso explicar?).
O Cristianismo deriva da Astrologia, como praticamente toda religião mediterrânea e, por situar-se na "Era de Peixes", usava o símbolo que muitos devem conhecer de tanto visualizá-lo nas traseiras de algumas charangas (alguns outros veículos optam por "Deus é Fiel", bem sabemos). Ah, sim: parece que já estamos na "Era de Aquário". Como não acredito em nada disso, estou livre da desgraceira que se avizinha em 2012, p.ex. Mas sigamos.
Há um debate sobre manter ou não crucifixos em prédios do Poder Público (Executivo, Legislativo e Judiciário). Manda a lógica que sejam todos retirados, já que inexistem desenhos de Tupã e orixás (para citar quem estava antes ou chegou quase ao mesmo tempo que portugueses cristãos), nem divindades judaicas, muçulmanas, celtas e assim por diante. Mas o Estado não é regido apenas pela lógica, mas antes de tudo pela Lei, sendo esta norteada pela CONSTITUIÇÃO FEDERAL, que estabelece o Brasil como um país laico.
Em suma: tirem logo os crucifixos e pronto. Mas, claro, a turma carola se desdobra numa retórica danada, e às vezes engraçada (e bonitinha, em razão do esforço). E se eles conseguem defender a existência de uma trindade, na qual o pai é filho de si próprio, com direito a um ectoplasma para completar o triângulo, convenhamos, é moleza dizer que podem pendurar cruzes nos cartórios.
De todo modo, devo confessar, não me sinto bem quando preciso renovar a CNH ou resolver pendências em geral e avisto instrumento romano de tortura afixado na parede. Sinto falta, sei lá, de uma guilhotina. Por mais que tenham exagerado, os revolucionários franceses foram mais importantes para o processo democrático, não é mesmo? Os romanos, tomando por base Calígula e Nero, não me parecem tão edificantes a ponto de ter seus símbolos de assassinato exibidos ao grande público. Mas é o que nossa Administração Pública adota.
Sigamos.
Os religiosos gostam de provar que todos temos fé. Sim, nós temos fé – eles dizem e "provam". Duvidam? Vejam, por exemplo, quando um avião passa por turbulência. Imediatamente muitos passageiros fazem orações. Ahá! SÃO TODOS RELIGIOSOS! FLAGRANTE! DENÚNCIA! Está "provado", portanto, que de nada adiantam os avanços da ciência: na hora do aperto, a rapaziada sai correndo atrás da religiosidade e do misticismo.
Até mesmo quando dizemos algo como "meu deus!", o efeito interjetivo é plenamente ignorado. Eles dizem – e não adianta argumentar em contrário – que se trata de uma prova de fé. A ciência e o ceticismo foram vencidos. Perdemos.
Mas... será mesmo?
Tenho dúvida, pois religiosos costumam tropeçar de forma um pouco mais feia e, estatisticamente, isso é irrecorrível. Serei BRÓDER e simplesmente deixarei de lado todas as derrotas sofridas ao longo da história, enfim, os sucessivos cortes epistemológicos – conhecidos como "sopapos da ciência e dos fatos sobre as mais diversas crendices".
Vamos deixar para lá toda uma EXISTÊNCIA HUMANA já incansavelmente espancada: Criação, Terra Plana, Monstros nos Oceanos... Santo Agostinho deu a dica, não é mesmo? O Livro Sagrado não é para ser lido em sua literalidade, pois é repleto de alegoria. Mas o que ali é alegórico? Ele não explicou. Melzinho na chupeta, portanto. Quando algo for desmentido, nada de passar carão. ERA ALEGORIA! E vamos adiante.
O óbvio, aquilo que jamais poderá ser evocado como alegórico, o poder infinito de deuses, santos e protetores em geral, e exponho aqui levantamento do instituto mais confiável do mundo, o DataEu: para cada cético traído por uma mandinga, há mil religiosos CONVICTOS que, numa infecção, recorrem à alopatia. Sim, seus deuses e santos podem salvar, mas não custa tomar um antibiótico, não é mesmo? A ciência é uma vilã e esses céticos são chatos, mas um desses idiotas criou a penicilina e, já que a febre está subindo, qual o problema numa medicaçãozinha de oito em oito horas, né?
O Desafio (ui!)
Já que é impossível dissuadir céticos e religiosos, é preciso que se faça um desafio, um verdadeiro PACTO. Tem que ser MACHO e levar adiante. Partamos do princípio de que os dois lados estão certos. Isso mesmo: ambos têm razão. Mas, claro, obviamente um está errado. Como saber? Simples...
NA HORA DO APERTO (doenças etc.): todos os céticos ficam comprometidos em NÃO FAZER ORAÇÕES, APARECER EM TEMPLOS e/ou fazer qualquer coisa do tipo; os religiosos, por sua vez, simplesmente não tomam medicação alguma. Até podem usar computador, automóvel, eletrodomésticos, iluminações em geral (e a própria eletricidade). Deixemos de lado apenas a alopatia.
Firmô?
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 17.01.10 | 39 comentários
17/01/2010
FEDERAÇÃO PODE TROCAR BOLA POLÊMICA
Denúncia efetuada por blog esportivo causou alvoroço nos meios futebolísticos. Tudo por conta do desenho da bola abaixo, como todos podem ver:

Ok, nem todos podem ver. Na verdade, NINGUÉM pode ver, mas há quem diga, talvez depois de tomar uma Pitu calibrada no Cynar e algum limão, que o desenho possa remeter à suástica.
Assim, o departamento de relações públicas sugeriu desenhos que não dêem margens a interpretações de duplo sentido, bem como evitem polêmicas de qualquer gênero. A seguir, alguns rascunhos:



Em tempo: isso é uma ÓBVIA palhaçada e, a essa altura, o autor do post original também já deve ter plena convicção de que a tal bola não tem nada de suástica ou coisa que o valha.
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transubstanciado por gravata às 17.01.10 | 5 comentários
13/01/2010
GRAVATA RESPONDE - 061: "HOMENS SAFADOS, MULHERES QUERENDO COMPROMISSO"... O "MITO DAS DONZELINHAS"

IMPORTANTE: Agora, o Gravata Responde é assim: uma única pergunta, mas respondida de forma, hm, "profunda" e com perguntas diárias e constantes, aqui neste endereço. Vocês podem, inclusive, utilizar o formulário da barra da direita - mas, para ler, é preciso visitar a página do formspring, mesmo. Evamoquevamo!
Mantenho os clássicos dois pedidos: a) ENVIEM PERGUNTAS RESUMIDAS! e b) NÃO FAÇAM PERGUNTAS NOS COMENTÁRIOS, MANDEM PARA O EMAIL gravataresponde@gmail.com - certo? Vamos lá:
"Td bem? adoro vc, gostaria de tirar uma dúvida, hoje em dia a maioria dos homens não querem nada serio, só curtir mesmo, algumas mulheres conseguem encontrar um cara serio e que queira casar, vc acredita que casamentos é destino, é sorte, então por que algumas mulheres conseguem casar e outras não?? vimos várias mulheres que são bonitas, inteligente, independentes querem muito se casar e não encontram alguem. beijos..."
A conversa aí é longa. Muito longa. Mas agora temos tempo, não é? Vamoquevamo!
1 - Teoria Econômica e Sexual
Durante muito tempo, foi extremamente complicado ser homem nesse mundo véio sem porteira. A "condição homem" exigia uma paciência de Jó quanto à parte sexual. Era dificílimo desmilingüir a manjubinha, a não ser por meio de Casas de Tolerância ou algo assim. Mas aí não conta, pois estamos falando de relações normais entre pessoas que se gostam.
Atualmente, tudo está mais fácil para os homens. E PARA AS MULHERES. Sexualmente, sempre foi moleza para a mulherada, mas havia o entrave social - nem mesmo poderiam casar se não fossem virgens. Agora, que nada, tá tudo certo. Os homens, por sua vez, casariam independentemente da vida sexual pregressa, sem cobrança social alguma, mas simplesmente não conseguiam transar.
Ficou bom para ambos, não é mesmo: A demanda (que sempre houve) e a novidade da oferta (que, pelos motivos expostos, não havia).
Desse modo, os homens saem por aí descendo o sarrafo não como se inexistisse o amanhã, mas sim exatamente sabendo que existem amanhãs, e tantos outros dias, apostando assim na variedade de companhias para a bisgüizada. E as mulheres partem pro sapeca-iá-iá também sem maiores pudores, para o ódio daquelas que teoricamente estão atrás de "algo sério".
Não é isso? Não, não é só isso.
2 - O Mito das Donzelinhas
SALVO EXCEÇÕES (sou obrigado a fazer a ressalva, se não começa o chororô nos comentários), a mulherada se comporta da seguinte forma: parte pro arrebento, curte a vida adoidado, mas guarda algumas horas do dia para fazer planos românticos - bem como, alguns dias da semana para traçar objetivos similares.
É exatamente isso. Ou com quem os homens sairiam para gratinar a bracciolla? Aquelas lá, as mesmas, sonham namorar outros camaradas. Enquanto as que gostam dos fanfarrões desejam por vezes namorá-los, mas saem com outros safardanas, objeto de desejo de moçoilas que abiscoitam outrem - e assim por diante. Entenderam?
Sejam francas, bem honestas, vocês mesmo, leitoras donzelas, que esperam aí o "amor da vida", o "príncipe encantado"... É CLARO QUE VOCÊS BAGUNÇAM O CORETO, PORRA! Pode até ser que por algum motivo mais "assim" às vezes evitam o sexo, mas só mesmo a minoria entra nessas de abstenção. O resto vai-que-vai! E em alguns casos - sem piada! - ainda faz a linha "ousada" na galera, sem prejuízo do discurso "quero casar e ter filho e morar na casa do cercado branco" (nunca entendi a necessidade dessa cerca ser branca, mas blz).
Mas a fama de "pilantras" permanece com os homens, pois "apenas eles gostam de sexo", já que "mulheres gostam de chocolate, comédia romântica e sorvete de flocos", não é mesmo? Puta machismo do cacete - mas deveras conveniente para algumas espertuchas (essas que dizem pensar em casamento, mas "nunca mais foram à escola").
Ridículo, por mais que tragam à baila teorias relativamente científicas tratando dos instintos de cada um: homens seriam semeadores e mulheres estariam preocupadas em criar a prole. Sexo passa ao largo disso.
3 - Conclusão
Você fala em "homens não querem nada sério, só curtir". Besteira. Muitos homens querem casar, sim, e encontrá-los não significa necessariamente sorte (no sentido de que sejam poucos e desesperados, de modo que topem casar com qualquer uma). Nada a ver. Para casar, é preciso haver amor, antes de tudo. Exceto nesses casos em que há divórcio em um, dois anos.
E outro erro comum é isso de "encontrar alguém" (no sentido de "procurar quem tope"), como você também colocou na pergunta e MUITA GENTE também segue à risca, levando o equívoco às últimas conseqüências. O que geralmente acontece? Dois carentes se encontram e não ficam juntos por gostar um do outro, mas sim para aplacar as carências. Resultado: em alguns meses são dois irmãozinhos morando juntos e dividindo a cama. Que lindo!
Então é isso: não tem essa conversa de "homem safado x donzelinha incólume" e não caia na besteira de que homens JAMAIS queiram algo sério enquanto TODAS AS MULHERES PROCURAM POR UMA RELAÇÃO, só porque passam alguns domingos comendo brigadeiro de colher.
Na primeira oportunidade, essa moça romântica parte pro reco-reco de uma noite com algum bonitão, e aquele suposto cafajeste se apaixona e perde a cabeça num namoro que depois o faz chorar. E não estou falando aqui de situações tão excepcionais (vocês sabem disso).
* * * * * * * * * *
Esta coluna é publicada todas as quintas-feiras e, para participar, basta mandar um email para gravataresponde@gmail.com - obviamente, sua identidade será preservada, nenhum nome será mencionado e você jamais será cantada, convidada para sair ou algo do tipo. E nem adianta insistir. Humpf! :)
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transubstanciado por gravata às 13.01.10 | 16 comentários
12/01/2010
NOKIA X BLOG NOKIABR: NÃO É PERMITIDO 'CRIAR' DOMÍNIO DE MARCAS REGISTRADAS

Mais uma. O caso agora é o da notificação feita pela Nokia em face de um blog (ou, mais provavelmente, ex-blog) intitulado NokiaBR, que havia registrado domínio com esse nome. O teor da notificação consistia em fazer cumprir o que a norma jurídica determina: não se pode manter um domínio usando o nome de uma marca registrada.
Não pegou bem.
Quer dizer... Não pegou bem para uma parcela da blogosfera, talvez porque não se faça uma análise mais ampla e não necessariamente passional de todo o caso. Em primeiro lugar: o blog estava errado. Desse modo, honestamente, por que cargas d'água caberia à empresa toda e qualquer "moderação"? Era isso que exigiam.
Mesmo assim – vejam vocês! – HOUVE o mais moderado e brando de todos os atos: uma notificação, que significa meramente um aviso, qual seja, "por favor, esse site é irregular e, desse modo, é passível de uma ação judicial, podemos evitar tudo isso de forma amigável sem recorrer ao poder judiciário". Queriam o quê? Uma feijoada?
E quem mais chiou foi EXATAMENTE a parcela da blogosfera que se pretende profissional – e isso é espantoso. Em vez de buscar assessoria jurídica para evitar esse tipo de problema, em vez de crescer sobre bases empresariais sólidas, praticamente todos fazem apaixonadas defesas da gambiarra como modelo de negócio. Não faz o menor sentido.
São problogers ou marreteiros de posts pagos?
"Ah, mas você está vendo como advogado..." – é o que dizem. Sim, claro. Porque, presumo, os blogueiros profissionais queiram ser vistos como empresários de uma nova categoria. Ou não? Se querem ser vistos apenas como café-com-leite, então tudo bem, vamos deixar de lado todo esse papo de adulto. Mas, se pretendem MESMO ir adiante com a tal profissionalização, é preciso investir no tal tópico denominado "estrutura do negócio".
Vejam, por exemplo, o Sr. Manuel, proprietário de uma panificadora. Antes mesmo de abrir as portas, ele já tem um Contrato Social registrado, e o nome de sua empresa não pode ser COCA-COLA, por razões um pouco óbvias, então ele faz uma "busca" para finalmente decidir por "Rainha da Vila Blogal". E há o CNPJ, inscrição estadual, municipal, licenças mil. Só então ele começa a vender pãezinhos.
É o mesmo procedimento, amigos, para a fornada de posts – na verdade, bem menos burocracia. Nesse caso, da NokiaBR, foi SOMENTE UM NOME, e não precisa ser exatamente o Albert Einstein para saber que aparentemente a denominação do domínio tem alguma coisa similar ao nome da marca finlandesa de celulares. Tentem criar o domínio "BlogCocaColaBR" e depois me contem como foi o papo com os advogados da marca de refrigerantes.
Erro Idiota: Jurídico x Marketing
Quando perguntam a um blogueiro se a empresa (leia-se: CEO, Conselho de Administração etc.) realmente tem ideia de que algumas campanhas fazem o que fazem pela chamada "social media", eles imediatamente dizem coisas do tipo "até parece que publicariam algo num blog sem consultar deus e o mundo". Ok.
Pois bem: não há ação judicial sem o conhecimento, e consentimento, dos representantes legais de uma empresa. E nem falo isso pelo aspecto legalista/cartorial da Procuração, mas também pelo fato de que, nesse caso específico, foi contratado até mesmo um escritório terceirizado. Diante da repercussão negativa online, o blog oficial da Nokia diz que deveriam procurar "pessoalmente" o notificado. Sério? Isso sim é um ato coercitivo inaceitável (por mais que pareça "bonitinho" nas visões mais provincianas, naquela coisa de "vamos tomar um cafezinho").
Talvez as partes entrem num acordo, sei lá. Mas é óbvio: NÃO SE PODE REGISTRAR UM DOMÍNIO COM MARCA PREEXISTENTE, sobretudo multinacional. Por mais que o cara seja gente boa (e parece que é, mesmo), e seu trabalho seja ótimo, há um vício logo na criação de tudo. Ele não é, em hipótese alguma, uma "vítima".
O que a empresa fez foi preservar sua marca, garantir para si a manutenção de um domínio – sem prejuízo do mesmo blogueiro escrever as mesmas coisas sob outra URL. Não parece algo tão absurdo (e ele próprio deixou claro que a notificação não falava NADA do conteúdo, mas apenas do domínio).
Vamos pro Pau?
Mas, supondo que este seja um texto repleto de falta de consideração para com o corporativismo blogosférico, sugiro então medidas mais drásticas. Os que dele (e de mim) venham a discordar, por favor, podem fazer o seguinte:
a) NÃO PARTICIPAR DE QUALQUER EVENTO PROMOVIDO PELA MARCA, ESSES COM VIAGENZINHA, BOCA LIVRE, TAL E COISA, SEMPRE RECUSANDO TODO TIPO DE CONVITE; e
b) NÃO ACEITAR CELULARES DA NOKIA DE PRESENTE, NO MÁXIMO DAR UMA OLHADINHA RÁPIDA, ASSIM PARA VER COMO É (E INFORMAR AO LEITOR SOBRE SUAS FUNCIONALIDADES), MAS DEVOLVENDO O PRODUTO EM SEGUIDA.
Quem topa? Alguém? Ouço grilos na noite.
Revisão: Hellen Guareschi
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XXX
Web 2.0 para poucos
transubstanciado por gravata às 12.01.10 | 12 comentários
12/01/2010
DESGRAÇAS DA VIDA MACHA: DR SEM "R"
Vão dizer: "DR é a pior coisa do mundo". Um erro bobo, cometido geralmente na pressa do dia-a-dia. Porque pior, mesmo, é a DR sem "R". As tais Discussões de Relacionamento quando nem mesmo há um Relacionamento. São horas e horas e horas e horas de árduo debate, mas você e a garota não têm nada de nada. Muitas vezes nem mesmo deram uminha.
Quem nunca passou por uma dessa?
A culpa é de ambos, mas é preciso deixar claro o seguinte: geralmente, o homem dá causa ao lero-lero, mas É A MULHER QUEM GOSTA MESMO DO COLÓQUIO INTERMINÁVEL. É isso, mesmo. Nós somos homens, somos máquinas de dar mancada, temos uma linha de produção de cagadas.
Mas e as garotas? Elas gostam mesmo é de azucrinar. E, como sempre pisamos no tomate, já assumimos uma linha defensiva natural. Pode ser - sempre pode ser... - que ela tenha razão. E, na dúvida, é melhor ficar na manha porque, mesmo sendo exagero ou estando a briga fora de algum tópico mais espinhoso, no dia seguinte ou dali a algum tempo ela descobre algo realmente sério (é foda ser homem).
E então começa o maior falatório da história da expressão verbal humana. Imaginem o narrador do turfe depois de bater a canela na quina de uma mesa de centro. Agora, imaginem tudo isso SEM QUE HAJA QUALQUER RELACIONAMENTO. E por horas a fio. Se Franz Kafka não fosse funcionário público, seguramente escreveria um romance sobre isso, e a trama faria "O Processo" parecer coisa de criança.
Mas por que simplesmente não mandamos tudo à merda? Porque somos homens e, por excelência, idiotas. Temos alguma esperancinha ali, gostamos da garota - ou então ela é ESPLENDOROSAMENTE GOSTOSA. Da mesma forma - por algum motivo maluco - ela também não nos manda catar coquinho e fica falando mais que a boca, reclamando de qualquer bobagem como se fosse um genocídio.
Seria inteligente, inclusive, dar um ponto final ali mesmo. Se NEM BEM COMEÇOU QUALQUER COISA JÁ SAI BRIGA HOMÉRICA, imagina quando (e se) houver algo? Mas, de novo, somos homens (e idiotas, portanto). E elas são mulheres (e, salvo exceções, têm aquele gene da necessidade de encher o saco alheio tão-logo vislumbram felicidade no rosto de outrem).
Gostaria muito de encerrar dando uma solução, uma fórmula, explicando um método infalível para acabar de vez com as DRs sem "R". Mas, amigos, isso não existe. Todos continuaremos passando por essa situação ridícula, muitas vezes sem nem mesmo dar ao robalo o louro da vitória, que seria obviamente enfurná-lo com a gloriosa categoria.
A DR sem "R" é uma desgraça da vida macha. E, de certa forma, talvez também seja da vida fêmea. Mas duvido. Porque mulher discute com prazer. Enquanto tentamos a todo custo parar uma briga verbal, elas recomeçam quase que dando risada, como num ritual sádico meio bizarro. É dureza, amigos. É dureza.
Ah! Tenho sim uma dica: jamais, nunca, EM TEMPO ALGUM dê uma resposta mais ríspida. E nem falo em xingamento, viu? Isso, óbvio, não entra em questão. Falo de argumentos mais incisivos e contundentes. Porque as garotas falam, falam, falam, mas quando ouvem UMA ÚNICA COISA que as contraria, simplesmente... CHORAM. Apelou, perdeu? Não para elas.
O homem sempre perde.
(sem revisão, porque a revisora é mulher e pode ficar brava)
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10/01/2010
ISAÍAS CAMANDUCAIA: MEU ESPORTE FAVORITO

Sempre perguntam se gosto de esportes, acompanho futebol, tal e coisa. Claro, gosto de ver alguma partida no boteco, tomando cerveja, programa normal de qualquer homem que se preze. Mas, amigos, esse não é meu esporte de coração. Hoje vim aqui indicar minha preferência, meu amor, minha paixão. Conheçam a...
LINGERIE FOOTBALL LEAGUE
Sim, isso existe, visitem o site e tirem a prova - há campeonato e tudo. São times de San Diego, Seattle, Chicago, Los Angeles, Miami, Nova Iorque etc. Qual o diferencial? Bom, o nome já dá uma pista... São apenas equipes femininas cujas jogadoras vão a campo apenas vestidas de LINGERIE (e aquelas proteções típicas da modalidade).
Confiram:









E fairplay acima de tudo:

Há quem goste desse negócio de luta e pegação masculina. Respeito, porque vivemos num mundo livre. Eu prefiro a LINGERIE FOOTBALL LEAGUE, e a recomendo aos meus discípulos, pois sei que entenderão a mensagem.
* * *
Isaías escreve neste blog toda segunda-feira, numa parceria com o Canal iG Sexo. Além disso, ele participa periodicamente de campeonatos de bocha, pebolim, arremesso de caroço de azeitona e alguns outros esportes que ainda não foram reconhecidos pelo COI.
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10/01/2010
O NÍVEL DO POVÃO MELHOROU AO LONGO DOS ANOS: SIM, ISSO É SÉRIO!
Um grande 'clássico' da fraseologia universal é esse negócio de dizer que o "nível está cada vez pior". Vale para tudo: programas de TV, músicas, educação, enfim, escolham aí qualquer indicador da sociedade associado às camadas socioeconômicas mais baixas.
Pois bem: tudo mentira.
O erro é bobo e infantil. Pecadilho decorrente de falta de inteligência associada à leitura apressada dos últimos anos, em detrimento de uma análise de séculos e séculos. Olham gerações menos remotas, em vez de estudar a humanidade mais a fundo.
Quando começa a transmissão do BigBrother, começa a ladainha: "chegamos ao fundo do poço". Por quê? Ora, porque "antes, as pessoas ficavam em volta da fogueira, contando histórias". Sim, parece que as coisas pioraram. Mas não. Antes, as pessoas aplaudiam execuções em praça pública por motivos religiosos, ou se divertiam enquanto leões devoravam escravos e/ou esses escravos se matavam em combate.
Enforcamentos, fogueiras de hereges, apedrejamentos e todo tipo de execução congênere eram ocasiões lotadas de populares. Com exceção talvez dos familiares das vítimas, ninguém ia por obrigação: o povo GOSTAVA. E isso era promovido pelo Estado, hoje substituído por emissoras, mas entra aí a questão de que tudo seria imposto goela abaixo, ou se é disso que o povo gosta.
Mas sejamos honestos: BBB é uma evolução.
Por mais que seja fútil prestar atenção em conversas idiotas num ofurô, é inequívoco o avanço diante dos aplausos ancestrais para quando leões devoravam cristãos no Coliseu, ou quando o Imperador decidia se determinado escravo sairia vivo ou morto da arena – eram outros tempos, mas o povo também votava!
Reclamam, por exemplo, do excesso de erotização e da vulgarização do sexo. Sim: "vulgarização do sexo". Isso porque seria preciso manter um certo mistério. Quando, na história da humanidade, houve esse "certo mistério"? E nem é apelar, recorrendo a Calígula ou Messalina, pois SEMPRE houve prostituição, casamentos por interesse, orientações sexuais de todo gênero etc. Os conservadores de hoje, voltando centenas de anos, ficariam chocadíssimos (ou aproveitariam ao máximo, já que muitos são hipócritas enrustidos).
O período vitoriano e a mania de tapar sol com peneira fazem parecer que a humanidade resolveu "tomar tenência", mas é bobagem. Nunca foi melhor ou pior, até porque no sexo não há nada disso. Nós sempre gostamos e gostaremos de uma bagunça da braba. A diferença é que agora menos gente morre ou vai presa por suas preferências (com exceção de países como Irã, p.ex.). Enfim, melhoramos um bocado – e, nesse caso, nem entra tanto a questão "gosto popular", é mais um dado para os conservadorezinhos que falam em "decadência da humanidade" escorados nesse tipo de indicador.
Por fim, as músicas do povão são prova de que nem mesmo se olham as gerações mais próximas com a atenção devida. Muita gente repete a mesma ideia idiota segundo a qual as marchinhas carnavalescas clássicas eram boas, enquanto as canções de agora têm letras péssimas e apelativas. Pois bem: "o seu cabelo não nega mulata", "alalaô, mas que calor", "olha a cabeleira do Zezé" etc.
Evoluímos?
Revisão: Hellen Guareschi
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05/01/2010
A TWITTESS CHEGOU LÁ: RELEVÂNCIA X RELEVÂNCIA
Tessália no BBB: por essa, ninguém esperava. Aliás, muita, mas muuuita gente torcia contra. Por isso essa choradeira dos diabos hoje no Tuíter. Visível e patente a INVEJA (sim, nesse caso é impossível usar outra palavra) em razão do êxito da mocinha. Ela chegou lá, amiguinhos. E, agora, a tendência é subir.
Tudo porque, ao abrir os grandes portais, todos os então adversários, que atestavam CIENTIFICAMENTE a irrelevância da menina, viam imagem como esta:

Deve ter sido doloridinho. Entrevista para a emissora X, jornal Y, tal e coisa, sempre havia uma desculpa. Agora, fazem piadas do tipo "ela tem o peito pequeno". Eu sou feio, gordo e jamais teria coragem de falar do corpo de alguém. Mas não são todos, com predicados físicos iguais ou até piores que os meus, com os mesmos pudores.
Mas, caceta, ela é linda! Vejam:

É como quem diz que a Angelina Jolie é "muito magrela pro meu gosto" ou solta um "eu não comia" ao ser questionado sobre a Megan Fox. Aliás, ela é macérrima (nos blogs, é comum escrever "magérrima", mesmo quando se é "escritor"). Confesso preferir mulheres menos magras, mesmo, mas jamais falaria da Tessália na base de sua beleza física (ou na falta dela, coisa que de fato não ocorre).
Fica risível quando uma baranga o faz. Ou quando esse tipo de troça parte de alguém que jamais chegou perto de beijar (comer, nem em sonho) coisa melhor. Por favor, né? Vamos ter uma mísera noção daquilo que no mundo ocidental convencionou-se denominar "ridículo". Faz bem a nós mesmos. Sério.
Mas voltemos ao centro do texto.
O maior problema, na minha opinião, é a idéia imbecil que a "turma das mídias sociais" (esse plural risível não é meu) faz de "relevância". Para eles, ser "relevante" é ser da patota e, no mais das vezes, juntar alguns números facilmente burláveis para corroborar essa falácia.
Tessália veio depois, nunca foi de turminha alguma e imediatamente incomodou alguns com o pecado de ter "usado script". O que é isso? Seguir pessoas para ser seguido de volta, de acordo com a idéia de que uma faixa X de gente faz isso por simpatia, camaradagem etc. Não é um "roubo automático", mas um mecanismo quase que "psicológico".
Eis o crime. É exatamente isso.
E alguns dos que a condenam, por vezes, fazem coisas como mandar bala em posts explorando acidentes aéreos ou "ingressos para show tal", às vezes sem nem mesmo ter uma coisa ou outra, só para atrair leitor do Google. No fim do mês, mostra o "relatório de visitas" para uma agência, alegando ter aquilo ali como "número de leitores".
Qual das duas técnicas parece menos louvável?
Mas quem entende de relevância são alguns "especialistas em social media", que em geral chamam seus amigos para as ações de que tomam conta, consistindo na distribuição de brindes em troca de posts ou coisa assim. Quem não entende nada de relevância? Ora, a Rede Globo, a TV Cultura, a Folha de São Paulo, o Estadão etc. Tudo gente besta.
Contra Tessália vale dedo no olho, chute na canela, falar mal do peito, da bunda, da magreza... Vale tudo. Experimente usar algum desses expedientes contra seus detratores. É "block", como dizem. Porque são "relevantes". Mas, como tais, são esses os "argumentos" usados.
Aliás, nunca vi uma pessoa irrelevante ser tão mencionada. Pegue, a esmo, qualquer detrator da Tessália/Twittes. Escolha qualquer um, não precisa ser O MESMO EXEMPLO DE SEMPRE. Escolha alguma barangota que a detona ou alguém que resolveu xingá-la só pra fingir que faz parte da turminha. Ok. Pergunta quem fala dessa figura. Pois é. Nada. Nunca. Ninguém. Que relevância!
BBB? Ah, isso não é nada. Relevância, mesmo, é falar num podcast ou ser convidado para alguma festinha dessas com boca livre, para ficar postando foto a cada segundo (em especial das comidas e bebidas distribuídas, no melhor estilo "mesa da festinha de aniversário de festa de pobre") - e tem empresa que PAGA para ver sua marca tendo o filme ESTRAÇALHADO dessa forma.
Mas ela está no Big Brother, será vista durante alguns dias na maior emissora do país, no horário nobre, será motivo de conversa em todos os lugares e, claro, terão de engoli-la. Espernerar, portanto, é um direito, e todos podem usá-lo à vontade. Talvez os inimiguinhos da Tessália consigam bolar boas piadas disso tudo.
Só é preciso tomar cuidado para, como infelizmente ainda acontece, não continuar nessa coisa de zoá-la fisicamente. Se é uma gostosona, ok. Mas baranga? Ou um toscão zoadaço? A piada permanece ótima, mas porque nesse caso o "contador" se transforma na própria anedota.
De mais a mais, amanhã ou depois tem alguma festinha com whisky oito anos e cajuzinho digrátis, dá até para postar no tuíter fotinho com o dedo mínimo para fora da taça. Legal, né?
Só não se esqueçam: ela venceu, vocês perderam.
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transubstanciado por gravata às 05.01.10 | 70 comentários
05/01/2010
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04/01/2010
A BELEZA DE CLEÓPATRA DA SÉRIE "ROMA"

Seguramente, a essa altura, tudo já foi escrito sobre "Roma", a deslumbrante superprodução da HBO. Estou no final da segunda temporada, mas a primeira vi logo que saiu. É, de fato, uma das coisas mais impressionantes já exibidas na televisão.
Não sou exatamente um estudioso, mas há certo rigor histórico quanto à parte geral, e uma investida interessante na porção humana, em especial quanto às relações familiares, sexuais etc. Os atores, praticamente todos ingleses, são maravilhosos, e o texto de Bruno Heller (hoje responsável pela série "The Mentalist) não faz por menos.
Mas, aqui, falarei de Cleópatra. Não a figura histórica, e sim aquela retratada pela série. Há alguns anos, descobriram uma moeda que 'provava' a feiúra da Rainha do Nilo. Na verdade, não havia comprovação alguma, mas sim o fato de que não seriam os traços anglo-saxões de Elizabeth Taylor.
Em "Roma", da HBO, isso foi resolvido com maestria. Escalaram a atriz inglesa Linsdey Marshal, cujos traços lindíssimos escapam da beleza óbvia dessas "Cleópatras" de Hollywood. Um acerto à altura do realismo de toda a série. A musa máxima da história dessa fase imperial romana continua maravilhosa, bonita, gostosa, instigante, e com os traços que obviamente deveria ter.
Vejam:




Encontrei, no Youtube, uma compilação das cenas do casal Cleópatra-Marco Antonio (com a devida "musiquinha ridícula das compilações de Youtube", peço que desconsiderem esse pormenor do áudio):
Mas a melhor de todas é quando o general, exilado por Otávio Augusto, vai para o Egito. Logo ao chegar, acontece isso. Poxa, que coxa - iastransparência! (o autor do vídeo desabilitou o embed, gente fina, né?)
Enfim, os produtores apostaram e venceram ao não fazer a "Cleópatra óbvia". A atriz é maravilhosa.
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transubstanciado por gravata às 04.01.10 | 4 comentários
03/01/2010
IR PRA PORTO DE GALINHAS É RUIM, GANHAR GELADEIRA É BOM: O ESTRANHO MUNDO DOS BRINDES BLOGOSFÉRICOS
Na verdade, funciona de outra forma. Se eu ganho é bom, se ele ganha é ruim (mas o "eu' não sou eu, o "ele" não é ele), presta mais para uma percepção generalizada do 'outro'. Como não sou publicitário, ou seja, a turma que sabe resolver os problemas de todas as corporações do planeta mesmo não tendo um puto no bolso, farei apenas análises mais humanas e bem irresponsáveis acerca dessas ações todas que envolvem a distribuição de brinde - focando na última campanha da Brastemp, da geladeira "Inverse".
Vem comigo, capeta!
10 blogueiros ganharam cada qual uma geladeira, da marca "Inverse" e dariam um jantar, almoço ou algo assim, divulgando o produto. Vocês obviamente devem ter sabido disso, pois foi um tremendo barulho. É eu sei, também tive que procurar no Google depois de ler pelo tuíter. O público-alvo (minha mãe), por exemplo, passou batido - embora eu viva falando que o tuíter é uma boa. Mas, fazer o quê? A culpa é das donas-de-casa que não estão nessa rede social, e não dos publicitários que apostam sempre na novidade. Sigamos.
Neste mesmo ano, um grupo ainda maior de blogueiros foi para Porto de Galinhas, estimular o turismo fora de época. Do ponto de vista do marketing, nem todo mundo concordou com a iniciativa. Vários disseram que não afetaria tanto assim o fluxo de viajantes. Pergunto a estes: a distribuição de geladeiras a dez blogueiros, numa versão "linha branca e 2.0" do Dia de Princesa do Netinho, e com IPI Reduzido, aumentará a venda desses eletrodomésticos?
Pela CVC, um pacote para Porto de Galinhas, no Serrambi Resort, 8 dias/7 noites, custa R$ 1800. Se quiser, por exemplo, o Enotel, os mesmos 8 dias e 7 noites saem por R$ 2900. A geladeira distribuída, por seu turno, custa R$ 2500 na loja da própria Brastemp (viva o IPI reduzido!) e, bom, dura para uma vida toda. Mas, nos dois casos, é de se perguntar: os leitores têm essa bala toda na agulha? - nem perguntarei dos blogueiros, porque obviamente todos têm.
Meu amigo Ricardo Cobra foi a Porto de Galinhas. Ele elogiou a ação turística e TAMBÉM participou dessa da Brastemp: sujeito coerente. Ele honesta e verdadeiramente acredita no potencial de influência dos blogs e, gostando ou não do que ele escreve, seu público é alvo das duas propostas. E também se enquadram nisso Inagaki, Marco Gomes e tantos outros. Há muitos casos assim.
Mas há outros "assado". Não consigo entender como é possível discordar de uma ação, mas participar ativamente da outra. Com algum esforço, confesso, até posso "compreender", mas prefiro não expor essa exegese. Qual exatamente é a diferença? Ok: viagem x geladeira = produtos altamente diferenciados. Mas, em termos de "poder de persuasão do consumidor e taxa de aumento de consumo após a campanha", digam com sinceridade, em que mudará?
O que exatamente faz alguém que "certamente recusaria" uma viagem a Porto de Galinhas, ou acha que se trata de uma campanha inócua, de repente abraçar com vontade uma geladeira, divulgando a campanha em seu blog, elogiando o produto, a ação, a iniciativa etc.? Esse é o ponto.
Alguns publicitários expuseram suas opiniões a esse respeito, destaco texto publicado no Clube de Criação de São Paulo. Não é exatamente um artigo ENALTECENDO a campanha, é verdade, mas o que seria do azul se todos gostassem apenas do amarelo (não sei se são essas as cores do adágio)? Há também fotos no Flickr, provando que só mesmo a Agência Espalhe não pode ter conta corporativa.
Quanto à geladeira, parece boazinha. Não é top de linha, mas quebra o galho pra número dois ou pra casa da praia, sítio, chácara. Mas o MELHOR dessa campanha, eu acho, foi PROVAR que até blogueiro que odeia brinde A-DO-ROU o mimo. Se não foi essa a idéia, vale como piada interna na agência. Pois, para o cliente, aqueles gráficos todos são o que mais importa.
Evamoquevamo. Até a bolha estourar.
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