INDIGNAÇÃO SELETIVA: FOTO NO AVATAR É MAIS GRAVE QUE DESFILE EM PÚBLICO
28/10/2009
INDIGNAÇÃO SELETIVA: FOTO NO AVATAR É MAIS GRAVE QUE DESFILE EM PÚBLICO
As pessoas são umas quando estão sozinhas e outras quando estão em turma, ou turba. Vejam esse triste caso havido na UNIBAN: uma estudante foi à faculdade com trajes mínimos e recebeu de presente uma gritaria ("Puta! Puta!"). Precisou ser escoltada. Será que um único garoto ou garota assim se comportaria? Provavelmente, não. Quando em turma, ou turba, é mais fácil ser "corajoso" - ou melhor, não há coragem alguma, pois o indivíduo se acovarda no anonimato da coletividade.
Sigamos.
Voltemos ao #lingerieday. A proposta era a seguinte: mulheres e homens, em determinado dia, trocariam seus avatares, no Twitter, por fotos usando trajes mínimos. E assim foi. Meninas com sutiãs, calcinhas e homens usando cuecas. Simples e inofensivo, não é? Depende. Claro que pessoas foram contra simplesmente porque acharam uma porcaria e fim de papo. Ok. Mas houve - sempre há... - o discurso político e a militância.
Disseram cobras e lagartos acerca da objetificação das mulheres quando se prestam à exibição de seu corpo. Mas, vejam, a base para tamanha revolta era única e tão-somente a troca do AVATAR DO TWITTER. Mesmo assim, foi o bastante para pelo menos cinqüenta textos condenando aquilo. Era o cúmulo do absurdo, não importa se todas decidiram por livre e espontânea vontade. A "culpa", por eventual reação machista e/ou agressiva, seria das que se exibiam, e não dos agressores.
Eis a lógica daqueles dias.
Poucos meses se passaram e agora houve essa barbárie inaceitável na UNIBAN. Nós, que defendemos o #lingerieday, obviamente mantemos o mesmo ponto-de-vista e, por óbvio, defendemos a garota. Desta feita, ela tem TODO O DIREITO DE APARECER COMO BEM ENTENDER ONDE QUER QUE SEJA e, na mesma toada, NINGUÉM PODE XINGÁ-LA OU VIOLENTÁ-LA EM FUNÇÃO DISSO.
Mas, de repente, noto que muitos detratores de nossa brincadeira com lingeries no Twitter amadureceram em questão de semanas. Sinal dos tempos! Para eles, não foi culpa da moça. Para eles, ela estava também certa em aparecer no local público com a roupa minúscula. Para eles, enfim, trata-se do uso das prerrogativas do indivíduo em uma sociedade livre.
Quase daria parabéns aos envolvidos.
Quase. O problema é que essas mesmas pessoas, vejam só!, continuam contra o #lingerieday. Não me perguntem como, mas por algum mecanismo que desafia todas as leis da lógica aristotélica, a exibição de avatares lascivos no Twitter continua sendo ruim, sem prejuízo da análise desse caso inadmissível na Universidade.
Como diria Millôr: "Pesos e Medidas? Dois de cada um, por gentileza". No mais, são os rebeldes de ocasião, que escolhem os lados e as trincheiras de acordo com as predileções do momento, circunstâncias da hora e outros detalhes totalmente desatrelados das causas efetivamente concretas.
Pensar, para eles, deve dar um trabalho danado.
No fim da contas, com esse tipo de defensor, a moça é mais vítima ainda, pois não tem tanta gente assim a seu lado. Oportunistas não defendem, apenas marcam posição em busca de melhor lugar sob os holofotes e de uma frase mais bem elaborada para a hora em que perguntam "o que achou disso tudo".
Ah, sim: aguardem discursos raivosos no próximo #lingerieday.
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transubstanciado por gravata às 28.10.09 | 18 comentários
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Comentários:

Vários bjos procê!
(Gravz: Uôu!)
Ser contra o lingerieday e contra a barbaria na UNIBAN são opiniões similares, não conflitantes.
Só ver as twittadas de alguns machos sobre fotos das garotas para ver que não são diferentes das atitudos dos universiotários.
Nenhuma mulher teria problema em se expor, se a maioria dos homens soubessem lidar com isso.
E...#lingerieday is sooo last semester
(Gravz: Vamos por partes, prezada Chris. Em primeiro lugar, não devolverei os insultos - nem corrigirei os erros de grafia. O texto não é longo, nem deu UMA lauda. Lamento pela geração Twitter. Também lamento pelo calendário, já que o lingerieday foi neste semestre. Mas, ok. Vamos supor que você escreveu tudo na pressa, atropelando não apenas a lógica, mas também os dias, semanas e meses. Vamos lá: Expliquei, no texto, as posições contraditórias. Na época da troca de avatares, muita gente disse que era errado pois as mulheres NÃO DEVERIAM SE EXIBIR. Ponto. Foi isso que disseram. O que fez a moça da UNIBAN? Ela se exibiu. Eis os fatos. Isso não quer dizer que as pessoas endossem o comportamento dos imbecis agressores. É claro que não. Mas qual exatamente é a diferença do comportamento da estudante e das que aderiram ao lingerieday? Ah, claro, na faculdade ela foi muito mais corajosa, já que agiu sozinha e no plano real. Mesmo assim, foi defendida por quem atacou aquelas que se "exibiram" em pequenas fotografias minúsculas, sob a alegação de que haveria objetificação. Se você não vê aí algo contraditório, aí não é mais comigo. Abs)
vc sabe que também achei uma bobagem o tal do #lingerieday. Ao orientar minha sobrilha, faço questão que ela busque "aparecer" pela sua inteligência e conhecimento, não pela sua beleza. Minha opinião não muda em relação a isso - acho que as mulheres devem sempre buscar uma valorização do seu conteúdo, não de sua forma. Vou sempre ser contra a imagem de "carne dependurada no açougue", até pq tenho minhas péssimas experiências em relação a isso...O culto ao corpo leva a idéias errôneas (no meu entender) de que as relações devam ser baseadas nisso. E isso não significa que eu não busque estar sempre bem vestida,em forma,que valorize minha beleza. É o extremo que me preocupa...
Agora, o caso em questão (Uniban) é uma tentativa de estupro coletiva. Uma babaquice sem precedentes daqueles que ali estavam. Eu posso achar tolice um avatar que leve a um pensamento mais machista, mas o máximo que farei é debater a respeito, como fiz inclusive com vc na época. E foi o que a maioria fez, pelo que acompanhei. Os que fizeram diferente (seja na defesa, seja no ataque) são iguais estes estudantes. E isso não tem como admitir mesmo. Concorda? A Ana Carolina – por ser contra o #lingerieday foi ameaçada! Isso é um absurdo!
Se a menina quer andar pelada na rua – problema dela, não tenho nada a ver com isso. Se fosse minha amiga ou minha filha, tentaria explicar pra ela meu ponto de vista a respeito. Mas xingar, parar uma faculdade por conta disso? E ainda por cima sofrer ameaça de estupro?
Acho que você está confundindo as coisas...
Abrs,
Dri
(Gravz: Deve ser dolorido cair numa contradição lógica, né? Por isso, sempre recomendo ao meu sobrinho que defenda IDÉIAS, e não contextos. Ok, ele só tem um ano e meio, mas um dia ele vai entender. É assim - prestenção: mulheres têm o direito de exibição em trajes mínimos no Twitter? Você, na época do lingerieday, disse que não. Ok, foi um ponto-de-vista. Agora, curiosamente, diz que sim, quando se trata de um campus universitário e a seminudez é presencial. Ok, é outro ponto-de-vista. Mas, convenhamos, são DUAS opiniões incompatíveis. Não quero dizer que você DEFENDA a agressão, mas, quanto à posição feminina, vocÊ sustenta opiniões distintas. Não é lícito que saia pelas milhares de tangentes depois que a porca torce o rabo. Abs)
O que houve no lingerie day foram demonstrações públicas (políticas?)do posicionamento dos usuários do twitter - não vi nenhum comentário ofendendo diretamente nenhum usuário, mas sim à atitude de trocar o avatar, que pode ser classificada de várias formas. Inclusive contra. Inclusive a favor.
O que aconteceu na Uniban foi um ataque direto aos direitos da garota execrada, um absurdo pelo qual a faculdade, com certeza, deve responder.
Não acho que as duas situações possam ser comparadas, Graviola, e comparações dessas esvaziam a necessária discussão sobre esse assunto.
(Gravz: Há uma diferença entre comparar situações e comparar argumentos. Na época do lingerieday, você vai lembrar, MUITOS foram contra sob a alegação de que as mulheres não deveriam ceder a isso. Ou seja, não deveriam mostrar o corpo, ou parte dele. O que fez a moça da UNIBAN? Exatamente o mesmo. Na ocasião da festinha do Twitter, os argumentos eram no sentido de que a exibição feminina decorre de pressão social machista e blablabla. Repito: sei que ninguém endossa a violência masculina, por isso não sou LOUCO de dizer que alguém apóia os imbecis da faculdade. Mas, em termos de argumento, e na circunscrição da exibição do corpo, desculpe, há contradição, sim)
eu NUNCA disse que as mulheres não tem direito de utilizar trajes mínimos no twitter. Não coloque palavras em minha boca. Pode pesquisar no Google, nos blogs - vc deve estar me confundindo com outra pessoa. Eu disse que era tolice. Isso é totalmente diferente! Assim como disse que era bobagem vc falar o quanto é bom ser "objetificado". Lembra? Aliás, foi meu único comentário no twitter sobre o #lingerieday. Fora dele, somente comentei em um blog concordando com a opinião de uma blogueira sobre o assunto...E vc achou que eu estava lhe "proibindo" de se manifestar. Eu não estava - eu estava falando o que eu pensava, assim como vc. E o motivo eu lhe expliquei via msn, achei (tola que sou) que vc tinha compreendido. Até pedi desculpas no twitter pra vc a respeito - mas claro, vc não lembra disso. Apenas recortou o que achou que era importante. A sua atenção a minha reação foi super seletiva...credo!
Eu não tenho duas opiniões. Continua a mesma. É tolice sair por aí com um pedaço de pano ou vestir trajes sumários no twitter pelos motivos que expus acima. E é um absurdo um homem tentar estuprar uma mulher...Dói ver a cena. Principalmente por quem já passou por isso e nunca vai esquecer.
Você qd cisma... vou lhe contar viu? Oh, dureza.
Abrs,
Dri
(Gravz: Não estou falando em "não ter direito", mas exatamente nisso - chamar de "tolice". Ora, então também é uma "tolice" a moça aparecer daquele jeito na faculdade, não? E não cismei com nada, fiz o texto para mostrar opiniões contraditórias. A garota da faculdade fez, em público e de forma escancarada, exatamente aquilo que foi proposto no #lingerieday. Mas, contra ela, houve apoio das que condenaram as meninas da festinha do Twitter. Desculpe, isso é sim contradição)
E qto ao que aconteceu na uniban, é um crime, q deveria ter sido notificado na delegacia, oficialmente, fosse uma mulher ou um homem passando por isso.
Beijooo Grav
(Gravz: Sim, sem dúvida, há machismo demais nessa história. Nâo acho que o caminho seja a falta de sexualidade das mulheres ou algo do gênero. Mas, sim, há machismo. E muito)
"Tenho 38 anos. E NÃO acredito que uma revolução feminina tenha de fato ocorrido, pelo menos não de forma plena. Às vezes fico assombrada com o que vejo e com o que escuto, em especial de mulheres ditas "contemporâneas" (minha avó era mais libertária e resolvida). Sexo/sexualidade continua sendo um tremendo tabu. Sem falar na quantidade de mulheres em busca de muletas afetivas. Em se tratando de sexo - com raras exceções (ex.: Camila do filme) -, ainda há um caminho muito longo a ser percorrido pra que a mulher deixe a pré-história, passando da condição de mocinha "casadoira" a espera de um pau que lhe preencha a vida, a senhora absoluta do seu prazer. Espero sinceramente que a arte, no seu papel imprescindível nesse processo de evolução, despeje um milhão de outras Camilas. Quem sabe há salvação para a próxima geração de fêmeas..."
Quanto ao machista, sem comentários...
Texto comentado (Quem tem medo de Camila Lopes?):
http://nomepropriofilme.blogspot.com/2008/08/quem-tem-medo-de-camila-lopes.html
EGibson
A forma como esses alunos saíram atrás dessa guria é uma coisa assustadora. Chama o Elias Canetti, pelamordedeus.
A menina é uma cabeça de vento. Não pelo vestido curto, mas por ter saído de jaleco.
A patrulha contra o #lingerieday segue se retorcendo.
Desconfio que todos deveriam transar mais.
Nojenta e hipócrita a atitude desses imbecis da Uniban. Isso tudo é medinho de mulher?
Nossa, pelo jeito tem muito paspalho por aí que não tem a menor idéia do que é ser um homem.
A fundo não se critica quem se exibe no lingerieday quando se fala em objetificação. Mulher de lingerie é o que não falta na Tv nas bancas etc. Lingerie, nu etc, nada mais simples e natural.
O que se questiona é o quanto a macharada não esta preparada quanto a isso(como vimos bem).
Aposto que muitos que viram as fotos pelos twitter teriam a mesma reação junto ao bando dos universiotários. Por vários comentários masculinos no lingerieday tenho certeza que seria a mesma coisa.
Um punhado de babões pedindo para mulheres se exporem isso sim é reação igual aos que perseguiram um mulher só por estar de mini saia.
As pessoas que foram conrtra o movimento no twitter, alegaram que, apesar da LIBERDADE, ja que ninguém fez nada obrigado, as mulheres PAGAM um preço muito maior pela exposição.
Claro que eu posso andar com trajes minimos por aí ou pelo twitter, mas eu não vou dar conta de evitar os comentários maldosos, a até os insultos a minha inteligencia (em mulher, muitos dizem, beleza e inteligencia são incompatíveis).
E essas mesmas pessoas defendem a moça porque ela foi ameaçada! Ridicularizada! Claro que ela pode fazer o que fez. Mas as mulheres, infelizmente, tem que estar cientes que o uso dessa suposta liberdade sexual acarreta em julgamentos horriveis e machistas sobre nós mesmas. O que não impede, claro, de condenarmos quando esses julgadores dão as caras la no campus da universidade.
http://www.youtube.com/watch?v=ymi12Lslyfc
o resultado foi aquela zona ali, o grito da tribo querendo a caça.
roupa (nem sempre) define o caráter de ninguém e sendo ou não puta, a constituição nos garante liberdade de ir e vir. e não fala porra nenhuma de "o macho tem direito de forçar o sexo não consentido se a fêmea tiver com trajes sumários".
pau no cu desses CANALHAS enrustidos e essas pseudo-mulheres-universitárias.
"o que mais me impressiona é que na minha época garotas de roupas curtas na faculdade eram motivo de festa. Festa velada, comemoraçoes em sussurros nos corredores - "Vai lá ver. Hoje tá demais". Definitivamente, no meu tempo ninguém cogitava linchar a gostosa. Eu nao sei o que esses estudantes tem na cabeça hoje em dia."
http://www.bluebus.com.br/show/1/93216/_universitarios_nao_gostaram_de_estudante_foi_selvageria_diz_leitor)
Não é não??
O que já deu pra notar é que a mulherada gosta de passar o seguinte recibo: "tenho uma mente aberta mas sou mulher honesta e quero que todos me vejam assim".
Só esquecem que esse Mulher Honesta é definido de acordo com os princípios distorcidos de uma turba ignorante...
(Não resisti!!! =D)
