FEMINISMO: LIBERALIDADE OU RESISTÊNCIA?
28/07/2009
FEMINISMO: LIBERALIDADE OU RESISTÊNCIA?
Hoje em dia, o feminismo é mais ou menos como aqueles jogos de RPG: há um sem-número de teses e dogmas e, para falar a respeito, é preciso invocar uma "linha", da qual sairão doutrinas variadas e assim por diante. Obviamente, não sigo linha alguma e vou adiante, dividindo-o em duas categorias: a liberalidade e a resistência.
Se quisesse propor um debate sacana, falaria em "liberdade" e "castração", usando a semântica em meu favor (sim, sou partidário da liberalidade). Mas não seria honesto. Parece-me adequado dividir dessa forma: de um lado, estão as feministas que apostam na liberalidade como forma de desafio à opressão e de outro, aquelas defensoras da resistência.
Vocês, leitoras, vão pra qual lado?
Sigo dando outro exemplo, o dos gays. É sabido que são agredidos, vez por outra, por grupos homofóbicos (que considero homoerotizados). E esses grupos os identificam não apenas porque circulam em áreas de bares temáticos, mas também pelas roupas, pelo modo de caminhar etc. O "correto", para a própria proteção ou para não satisfazer desejos homoeróticos do agressor, seria um gay caminhar feito machão, com roupas sóbrias?
Ou o fato de exibir seu corpo não configura, em si, uma espécie de desafio a essa barbárie? E não falo aqui de nudez ou algo do tipo, mas de uma indumentária totalmente adequada à urbanidade, mas ao mesmo tempo nitidamente identificada ao visual gay. Bem como dois homens se beijando. Por que não?
Voltemos às mulheres.
O argumento das defensoras da resistência à opressão masculina não é exatamente inválido. Não acho que estejam 100% equivocadas. Sim, é sabido que existe opressão e, sim, também sabemos que o corpo feminino é usado durante muito tempo para funções bem pouco louváveis, seja na publicidade ou na divulgação de qualquer outra coisa.
E mesmo o corpo masculino não é visto com tanto erotismo, daí o fato de que, na praia, o homem possa circular apenas de sunga quando a mulher, ao contrário, precise cobrir duas partes de seu corpo (e isso recentemente, pois antes o corpo se cobria praticamente inteiro). Há, sem dúvida, uma visão mais erótica do corpo feminino.
A grande questão, portanto, é a seguinte: as mulheres ganham mais MANTENDO esse quadro ou rompendo com ele? A liberação feminina seria um fator negativo ou uma ruptura que levaria à igualdade plena no melhor sentido do termo? – sobretudo quanto aos valores eróticos e afins.
Precisamos, ainda, mirar para outro foco. Os homens são mais visuais, e as mulheres têm excitação intelectual mais acentuada. Se, de um lado, o público masculino é majoritário na compra de revistas e filmes pornográficos, de outro, são as mulheres a maioria nos sites e publicações de contos eróticos. Porque a excitação feminina passa pelo raciocínio, enquanto a masculina é diretamente visual ou táctil.
Notem que não faço aqui exatamente um "elogio" aos homens, mas sim reconheço quão primários nós somos.
Quando me pus a estudar o tal conceito de "objetificação", sinceramente, reconheci ali toda sorte de estultices possíveis. É muito mais um dogmatismo que um conceito de possibilidades amplas de raciocínio. Como aquelas coisas de "isso é assim porque é assim e, se você discorda, é porque não percebe que é assim" – como nas religiões, portanto.
E tal bobagem só é possível pois o debate TEÓRICO se realiza numa arena imaginária na qual homens e mulheres são antagonistas, adversários. Não são meramente titulares de ações ou, vá lá, elementos conceituais. Já surgem como inimigos figadais, de modo que as premissas menores obedecem às maiores e todas as conclusões fazem por sofismar na mesma (falta de) lógica.
Sim, o corpo feminino é desejado. Sim, existe um problema grave de padronização de beleza. Sim, o mundo ainda é injusto e, sim, os homens, em sua maioria, ainda são uns broncos que não pensam nada com nada (bem como a maioria das mulheres estão alheias aos pleitos que possam revitalizar o feminismo).
Mas permanece a pergunta central deste texto. O que seria melhor para o avanço das conquistas femininas: a resistência ou a liberalidade? Façam sua escolha.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 28.07.09 | 30 comentários
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Atalho pra o formulário
Comentários:
Porém,para responder fica uma dúvida no ar:
Essa tal 'liberalidade'ou rompimento não seria também uma forma de FUGA feminina??
rsrsrsrs
Abraço!
Quero ter todos os meus direitos, eu disso TODOS, inclusive o direito de ficar em casa cozinhando pro meu maridinho sem receber críticas ou olhares enviezados.
Quero ter direito a ser sensual sem que me estereotipem, e, principalmente, quero poder sair na hora que me der na telha, poder estudar onde e o curso que quiser, trabalhar sem ganhar menos ou receber uma demanda diferente de trabalho.
Ah, também quero que me paguem a conta de vez em quando, que sejam educados, me façam gentilezas e galanteios, cozinhem pra mim e me presenteiem com flores
Quero só a liberdade de ser quem eu sou, sem bandeiras, sem rótulos ou tomadas heróicas de partidos inúteis.
Quem dera fosse sempre possível.
Gravz, seu texto é sempre instigante.
Bjo
Evora
PS: Depois se vc quiser eu me identifico só pra vc..rs..Ok?..
São assuntos diferente, casos diferentes, mas que aplica isto. O alcance da web dá a pessoas diferentes a liberdade de dizer o que pensa. Escolher um personagem ou um assunto para "fazer vitrine" sobre feminismo, racismo ou que o for, não vai mudar o mundo, não vai mudar ninguém.
O livre arbítrio existe para isso, para moldar pessoas pelas suas próprias convicções.
Não participei do lingerie day, simplesmente pq não me senti a vontade ou no clima. "Não gostei. E só".
Talvez se cada um se preocupasse com os próprios atos e levasse a vida mais leve, com mais graça, as coisas funcionassem melhor.
Afinal, na fábula, quando o beija flor quer acabar com o incêncio ele carrega a água no próprio bico. Não fica mandando outros bichos carregarem!
Tem feministas que ficam brigando na justiça por conta de musicas,de coreografias e etc, pq denigre a imagem da mulher...Na minha opinião é bobagem, acho que cada um faz da sua vida e do seu corpo o que bem quer...
Existem dois posts muito interessantes em blogs por aí falando da questão do feminismo. Assim como fiz com o seu, chupei para o meu blog. São estes:
http://aqueladeborah.wordpress.com/2009/07/16/quanto-vale-ou-e-por-quilo/
e
http://www.interney.net/blogs/lll/2009/07/02/as_feministas_e_as_domesticas//
Engraaçado que pela terceira semana consecutiva que tento lincar alguma coisa interessante acontecendo na blogosfera, o que li de perspicaz foi falado sobre "feminismo". E ainda mais, dos três, dois escritos por homens.
http://sinosdobram.wordpress.com/2009/07/29/feminismo-liberalidade-ou-resistencia/
Essa não é uma questão de escolha estritamente individual. Sua pergunta só faria sentido se vivessemos num mundo perfeito onde todas as pessoas tivessem consciência de todos esses conceitos "feministas ultrapassados". Você como advogado - bem formado, diga-se - sabe muito bem do que está falando, mas muitas vezes quem é explorada, quem é "objetificada", não avalia o alcance dessa "escolha".
(Gravz: Esse seu raciocínio é o tipo da coisa que legitima as ditaduras, Fabiana)
Abraços
Lílian Azevedo, feminista, doutora em História e professora universitária
Ah, e eu não fico vigiando comentários, é que o senhor governador me deu mais uns dias de férias, um tiquinho a mais de tempo pra vadiar na internet
(Gravz: Agradeça ao Ministro da Saúde, ou ao Governo Federal, pelas cagadas na prevenção e combate à gripe suína)
(Gravz: Quando houve aquilo da dengue, o PT falava que era problema do Ministério. Agora, não é mais? Hm. Conveniente, né?Curiosamente, e infelizmente pro Governo Federal, a questão da Gripe Suína é 100% Federal. Abs)
hoje, além do escravo sexual/doméstico que nunca deixou de ser (é quase como se o fato de ser mulher passe necessariamente por isso) também é da sua competência compor o orçamento da casa. a escravidão tem infinitos lados negativos e um deles é a alienação: exposto durante tanto tempo ao ofício
escravo, ele não poderá fazer outra coisa ainda que lhe seja dada a liberdade. é o ciclo vicioso da
escravidão muito difícil de quebrar. eis ai onde fica perigoso para a mulher que sendo desde sempre escrava sexual de um único homem, em nome da liberdade, passe a vida dando mostras de sua "independência sexual":
exibicionismo e atividade sexual com infinitos parceiros (posse do destino do próprio corpo) o que serve apenas
para reforçar a sua condição de escrava sexual de sempre. como disse, acho que também o feminismo deve passar pelo sexo mas não viver em função apenas dele, há outras frontes a serem abordadas e a mulher ainda nutre uma resistência para uma visão realista do sexo: para o homem, desde sempre, é muito natural a masturbação como forma de aliviar o desejo sexual que é uma necessidade fisiológica mas para a mulher a masturbação desde sempre é considerada como algo errado e antinatural, ela ainda desconhece seu corpo, ainda espera que o homem a inicie sexualmente como se o desejo estivesse necessariamente atrelado a esse antigo ritual castrador. a mulher é desde sempre considerada um touxa fácil de enganar: palhaço. é desde sempre vista como sinonimo sexo fácil: palhaço sexual.
Seja como for da antiguidade ate os tempos atuais e modernos...indiretamente ou nao a mulher sempre sera tema de influencia, seja ela lesbica, liberal, partidaria, gorda, negra, modelo, feminista......E isso ai!
(Gravz: Peça para ela escrever algo como "Se as mulheres fizessem o Alistamento Militar Obrigatório no Brasil". Grato)
(Gravz: Em vez de trazer uma opinião ou contraponto, você optou pela lágrima, choro e esperneio. Isso sobrecarrega a má-fama, e injusta, acerca da choradeira feminina. Faça mais pelo feminismo e traga um argumento, um que seja, a contradizer o post. Abs)
Pq essa idéia agora que a mulher devia tirar a roupa???
Isso mais parece uma outra imposição "indireta" machista.
Só quem EU quero me vê nua. Meu trabalho é suficiente para me dar pequenos prazeres na vida, então não preciso tanto de dinheiro para tirar a roupa e muito menos de fama... Pra decidir isso, poder eu tenho, nenhum homem pode mudar isso...
Beijão
(Gravz: Por isso que: a) a brincadeira propunha UM dia, e não TODOS os dias; e b) era VOLUNTÁRIA e não obrigatória. Releia o texto, para evitar vexames exegéticos como esse)
Bem, esta pergunta que vc (Gravatai) faz, no estilo "ou isto ou aquilo", bem poetizado por Cecília Meireles, diga-se de passagem... (uma mulher que abriu tantas portas na sociedade brasileira para as mulheres, com sua atuação)... traz para minha escuta, antes de mais nada, uma questão de lógica.
Qual é a lógica que nos permite adentrar a estas questões tão históricas e quanto cotidianas?
É uma lógica binária (ou somos a favor da liberalidade ou somos a favor da resistência) ou algo bem mais complexo, que envolve outras inúmeras variáveis?
Para mim, é claro que devemos pensar de forma mais complexa estas questões, tal qual elas aparecem na vida real, no dia a dia.
Será que em determinadas circunstâncias, espaços e tempos não devemos tender mais para a resistência? E em outros contextos, para uma afirmação desta liberação do ser e se expor da forma como nos convém? Será que não seria preciso, sim, tomarmos mais consciência de quando estamos nos expondo por vontade e desejo próprios ou quando somos quase vítimas de "forças" e "ideologias" que ainda permeiam (e muito!) nossa sociedade?
Acho que permitindo-nos escolher e/ou analisar melhor a nossa liberdade de ser e atuar, ora nos opondo e resistindo à situações; ora, nos libertando e quebrando tabus que nos recalcam e medindo a melhor dose para cada ingrediente desta alquimia, talvez conseguissemos a fórmula para nos tornar as mulheres do presente, sem tantas definições e prescrições.
E este parece ser o nosso grande desafio atual, do qual os homens são parte indispensável, aliás.
(Gravz: Peça para ela escrever algo como "Se as mulheres fizessem o Alistamento Militar Obrigatório no Brasil". Grato)
Desculpe,adoraria atender seu pedido, mas como ela não é brasileira, acho que ela não falaria sobre isso.
De qualquer forma, as leis que determinam o alistamento militar são feitas pelos nosso governantes, maioria de homens. Na verdade, a representatividade feminina no legislativo começou efetivamente em 1990. Antes disso pouco mais de 3 mulheres foram eleitas desde que o sufrágio feminino foi permitido e foram cassadas. Mas prometo que vou prestar atenção nas próximas eleições sobre quem teria um projeto politico de igualar tal condição no Brasil e apoiá-lo. No entanto a culpa desta lei é de seus companheiros de gênero. Concordo com você que é uma desigualdade. Minha decepção foi você discordar de mim com um argumento tão fraco. O ônus da guerra não é real tão somente para os homens que se alistam no exército.E o Brasil nunca enfrentou uma guerra real. Se o problema é lavar latrinas dos outros e receber ordens, acho que as mulheres fazem isso há alguns milênios? Sem receberem soldo. Acho que você não entendeu o ponto, feminismo não é sobre liberação ou exposição corporal tampouco sobre opressão masculina. Feminismo é sobre obter e praticar direitos e deveres de cidadãos garantidos na constituição que tão somente hoje, na teoria são extensivos a todos os seres humanos independente de credo, raça, cor ou genêro. Por isso que esse tipo de discussão sobre reduzir o feminismo a guerra de sexos não dá para levar a sério.
(Gravz: Ela não é brasileira, mas está apta a falar sobre a realidade da discrepância de gêneros no Brasil; porém, os textos não são válidos quando se trata de algo sobre nossa peculiaridade. Sim, te peguei. Isso porque a opressão feminina varia MUITO de lugar para lugar. Nos EUA ela é muito diferente do que acontece, por exemplo, no Irã. E boa parte das feministas brasileiras, inclusive, está inclinada a apoiar determinado partido que, hoje, se alia ao Presidente do Irã. Parece engraçado, ridículo, mas é a pura verdade. Assim como os movimentos que supostamente defendem o 'usuário da Internet' apóiam partidos políticos aliados ao regime castrista de Cuba, que veta toda e qualquer liberdade internética. Por isso, desculpe, mas não dou tanto valor assim à pseudo-erudição dos livros frios. Aprecio esse conhecimento, mas ele é letra morta no debate prático quando aplicamos os textos à realidade de cada lugar e ao contexto histórico. Abs)
Respeito
Sensacional!
Perfeito!
A forma pode variar mas a essência é a mesma...
Para vc. Gloria Steinem pode ser pseudo-erudita quando fala de direitos humanos. No meu dia- a- dia, na prática, suas conquistas, assim como as de Betty Friedan, com influência mundial, permitem que eu exerça alguns direitos de cidadã no meu país.
Você poderia argumentar que o feminismo atual se perdeu...que no Brasil sempre foi um movimento fraco porque aqui a mulher não era economicamente ativa...faria mais sentido.
Mas não vamos ignorar que ele foi tão distorcido até chegar aos nossos dias quanto conceitos socialistas, marxistas, etc....e hoje virou uma questão patética de guerra de sexos, de abolir o topless na França, de liberdade de exposição do nú corporal...quando como você disse, deveria ser mais focado em questões como os direitos humanos das mulheres no Irã, por exemplo. Todo mundo fala de feminismo sem saber o que é.
Como costumamos dizer aos meus amigos franceses que idolatram o Lula: É fácil ser socialista na Rive Gauche em Paris.
Aproveito o trocadilho e digo que é fácil ser "feminista" em St. Tropez,na zona sul do Rio ou nos Jardins em São Paulo.Abcs.
NÃO CREIO QUE TANTAS DIFERENÇAS POSSAM SER ADMINISTRADAS DESTA FORMA.
CADA UM NO SEU QUADRADO
