FEMINISMO: LIBERALIDADE OU RESISTÊNCIA?

28/07/2009

FEMINISMO: LIBERALIDADE OU RESISTÊNCIA?

Hoje em dia, o feminismo é mais ou menos como aqueles jogos de RPG: há um sem-número de teses e dogmas e, para falar a respeito, é preciso invocar uma "linha", da qual sairão doutrinas variadas e assim por diante. Obviamente, não sigo linha alguma e vou adiante, dividindo-o em duas categorias: a liberalidade e a resistência.

Se quisesse propor um debate sacana, falaria em "liberdade" e "castração", usando a semântica em meu favor (sim, sou partidário da liberalidade). Mas não seria honesto. Parece-me adequado dividir dessa forma: de um lado, estão as feministas que apostam na liberalidade como forma de desafio à opressão e de outro, aquelas defensoras da resistência.

Vocês, leitoras, vão pra qual lado?

Sigo dando outro exemplo, o dos gays. É sabido que são agredidos, vez por outra, por grupos homofóbicos (que considero homoerotizados). E esses grupos os identificam não apenas porque circulam em áreas de bares temáticos, mas também pelas roupas, pelo modo de caminhar etc. O "correto", para a própria proteção ou para não satisfazer desejos homoeróticos do agressor, seria um gay caminhar feito machão, com roupas sóbrias?

Ou o fato de exibir seu corpo não configura, em si, uma espécie de desafio a essa barbárie? E não falo aqui de nudez ou algo do tipo, mas de uma indumentária totalmente adequada à urbanidade, mas ao mesmo tempo nitidamente identificada ao visual gay. Bem como dois homens se beijando. Por que não?

Voltemos às mulheres.

O argumento das defensoras da resistência à opressão masculina não é exatamente inválido. Não acho que estejam 100% equivocadas. Sim, é sabido que existe opressão e, sim, também sabemos que o corpo feminino é usado durante muito tempo para funções bem pouco louváveis, seja na publicidade ou na divulgação de qualquer outra coisa.

E mesmo o corpo masculino não é visto com tanto erotismo, daí o fato de que, na praia, o homem possa circular apenas de sunga quando a mulher, ao contrário, precise cobrir duas partes de seu corpo (e isso recentemente, pois antes o corpo se cobria praticamente inteiro). Há, sem dúvida, uma visão mais erótica do corpo feminino.

A grande questão, portanto, é a seguinte: as mulheres ganham mais MANTENDO esse quadro ou rompendo com ele? A liberação feminina seria um fator negativo ou uma ruptura que levaria à igualdade plena no melhor sentido do termo? – sobretudo quanto aos valores eróticos e afins.

Precisamos, ainda, mirar para outro foco. Os homens são mais visuais, e as mulheres têm excitação intelectual mais acentuada. Se, de um lado, o público masculino é majoritário na compra de revistas e filmes pornográficos, de outro, são as mulheres a maioria nos sites e publicações de contos eróticos. Porque a excitação feminina passa pelo raciocínio, enquanto a masculina é diretamente visual ou táctil.

Notem que não faço aqui exatamente um "elogio" aos homens, mas sim reconheço quão primários nós somos.

Quando me pus a estudar o tal conceito de "objetificação", sinceramente, reconheci ali toda sorte de estultices possíveis. É muito mais um dogmatismo que um conceito de possibilidades amplas de raciocínio. Como aquelas coisas de "isso é assim porque é assim e, se você discorda, é porque não percebe que é assim" – como nas religiões, portanto.

E tal bobagem só é possível pois o debate TEÓRICO se realiza numa arena imaginária na qual homens e mulheres são antagonistas, adversários. Não são meramente titulares de ações ou, vá lá, elementos conceituais. Já surgem como inimigos figadais, de modo que as premissas menores obedecem às maiores e todas as conclusões fazem por sofismar na mesma (falta de) lógica.

Sim, o corpo feminino é desejado. Sim, existe um problema grave de padronização de beleza. Sim, o mundo ainda é injusto e, sim, os homens, em sua maioria, ainda são uns broncos que não pensam nada com nada (bem como a maioria das mulheres estão alheias aos pleitos que possam revitalizar o feminismo).

Mas permanece a pergunta central deste texto. O que seria melhor para o avanço das conquistas femininas: a resistência ou a liberalidade? Façam sua escolha.

Revisão: Hellen Guareschi


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transubstanciado por gravata às 28.07.09 | 30 comentários



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Comentários:


Comentário de: carol sakurá · http://lepoeteenfleur.blogspot.com/

Quanta delicadeza em tratar ese tema que não é nada fácil.
Porém,para responder fica uma dúvida no ar:
Essa tal 'liberalidade'ou rompimento não seria também uma forma de FUGA feminina??
rsrsrsrs
Abraço!

PermalinkPermalink 28.07.09 @ 16:58



Comentário de: Eliana

Vc escreve uns textos tão legais como esse, no entanto tem tb textos de péssimo gosto e cheio de estereótipos como o texto sobre como conquistar mulheres feministas, já há tanto preconceito, sei que é uma brincadeira, mas enquanto as mulheres continuarem rindo desse tipo de piada nunca serão levadas a sério, acho importante o respeito pelas ideologias das outras pessoas, da mesma forma que vc pediu para ter o direito de ser ateu, as feministas tem o direito de terem suas ideologias sem serem parecidas com zagueiros de qualquer time que seja.

PermalinkPermalink 28.07.09 @ 17:02



Comentário de: Evora · http://quebrandoespelhos.blogspot.com

Tudo que é radical demais, acaba tornando-se prejudicial.
Quero ter todos os meus direitos, eu disso TODOS, inclusive o direito de ficar em casa cozinhando pro meu maridinho sem receber críticas ou olhares enviezados.
Quero ter direito a ser sensual sem que me estereotipem, e, principalmente, quero poder sair na hora que me der na telha, poder estudar onde e o curso que quiser, trabalhar sem ganhar menos ou receber uma demanda diferente de trabalho.
Ah, também quero que me paguem a conta de vez em quando, que sejam educados, me façam gentilezas e galanteios, cozinhem pra mim e me presenteiem com flores ;)
Quero só a liberdade de ser quem eu sou, sem bandeiras, sem rótulos ou tomadas heróicas de partidos inúteis.

Quem dera fosse sempre possível.

Gravz, seu texto é sempre instigante.
Bjo
Evora

PermalinkPermalink 28.07.09 @ 19:37



Comentário de: Gisele

Já foi o tempo em que mostrar o corpo, ser escancaradamente ousada e sensual, era uma forma de transgressão e um meio de romper a opressão. A História é cheia de exemplos de mulheres que tiveram a coragem de escandalizar. Hoje em dia é só mais um teatro, um joguinho artificial: sexo embalado para consumo. Como você disse, joga quem quer. O meu corpo não é vitrine de shopping center.

PermalinkPermalink 28.07.09 @ 20:20



Comentário de: ♥ ♀♥ ♂

Sou mulher e amo homens, mas este lance de machista e feminista acho bobagem, antigamente até seria uma coisa a ser discutida, mas Hoje, ( ATUALMENTE)é bobagem para mim que vejo homens se depilando, fazendo plástica, pintando cabelos, tem até aqueles que fazem unhas etc..não acho feio a vaidade masculina, acho legal se cuidarem, isso não é uma critica, o que quero dizer que hoje em dia temos o 4 sexo, homem, mulher,homossexual e os que topam tudo mulher, homem, gays e lésbicas Acho que difere homens das mulheres independente da escolha sexual é a "força", massa muscular, porque no restante são farinhas do mesmo saco. Para concluir , acho que temos o livre arbítrio para agir como bem entendemos, desde não prejudique ninguém a não ser nós mesmos..resumindo, se fez, seja responsável pelo teu ato. Então se a mulher que ficar nua, semi nua publicamente..problema dela o mesmo o homem se ele quiser ficar nu ou semi nu publicamente , problema dele. Acho que o falso moralismo que devia ser questionado..isso sim daria pano pra manga.

PS: Depois se vc quiser eu me identifico só pra vc..rs..Ok?..;)

PermalinkPermalink 28.07.09 @ 21:31



Comentário de: gabi · http://www.twitter.com/gabidornelas

Engraçado como os ultimos sete dias foram polêmicos para assuntos twittados... Ao ler o seu texto e muitas outras coisas sobre tudo isso do lingerie day, me lembrei de imadiato do "caso king kong" do Danilo Gentilli. Não pq acredito que alguém vá processar você ou o Fabião depois disso. Mas pelo texto do Helio de LaPeña que termina com um simples "Eu não gostei. E só".
São assuntos diferente, casos diferentes, mas que aplica isto. O alcance da web dá a pessoas diferentes a liberdade de dizer o que pensa. Escolher um personagem ou um assunto para "fazer vitrine" sobre feminismo, racismo ou que o for, não vai mudar o mundo, não vai mudar ninguém.
O livre arbítrio existe para isso, para moldar pessoas pelas suas próprias convicções.
Não participei do lingerie day, simplesmente pq não me senti a vontade ou no clima. "Não gostei. E só".
Talvez se cada um se preocupasse com os próprios atos e levasse a vida mais leve, com mais graça, as coisas funcionassem melhor.
Afinal, na fábula, quando o beija flor quer acabar com o incêncio ele carrega a água no próprio bico. Não fica mandando outros bichos carregarem!

PermalinkPermalink 28.07.09 @ 22:20



Comentário de: jean · http://novasvisoes.com.br/wp/?cat=17

Muito bem! Quem é você? E o que você fez com o gravata?

PermalinkPermalink 29.07.09 @ 01:03



Comentário de: Lúcio Wiborg

Em resposta à Eliana, aprender a rir de si mesmo de vez em quando é muito saudável e demonstra maturidade.

PermalinkPermalink 29.07.09 @ 11:08



Comentário de: Luciana · http://jaiplus.blogspot.com

Eu sou a favor da liberdade!

Tem feministas que ficam brigando na justiça por conta de musicas,de coreografias e etc, pq denigre a imagem da mulher...Na minha opinião é bobagem, acho que cada um faz da sua vida e do seu corpo o que bem quer...

PermalinkPermalink 29.07.09 @ 17:24



Comentário de: Fabio M · http://www.sinosdobram.wordpress.com

Olá Gravata.

Existem dois posts muito interessantes em blogs por aí falando da questão do feminismo. Assim como fiz com o seu, chupei para o meu blog. São estes:
http://aqueladeborah.wordpress.com/2009/07/16/quanto-vale-ou-e-por-quilo/

e

http://www.interney.net/blogs/lll/2009/07/02/as_feministas_e_as_domesticas//

Engraaçado que pela terceira semana consecutiva que tento lincar alguma coisa interessante acontecendo na blogosfera, o que li de perspicaz foi falado sobre "feminismo". E ainda mais, dos três, dois escritos por homens.

http://sinosdobram.wordpress.com/2009/07/29/feminismo-liberalidade-ou-resistencia/

PermalinkPermalink 29.07.09 @ 18:50



Comentário de: Fabiana

Ufa, até que enfim um texto do verdadeiro Gravataí Merengue, aquele lá de antigamente...

Essa não é uma questão de escolha estritamente individual. Sua pergunta só faria sentido se vivessemos num mundo perfeito onde todas as pessoas tivessem consciência de todos esses conceitos "feministas ultrapassados". Você como advogado - bem formado, diga-se - sabe muito bem do que está falando, mas muitas vezes quem é explorada, quem é "objetificada", não avalia o alcance dessa "escolha".

(Gravz: Esse seu raciocínio é o tipo da coisa que legitima as ditaduras, Fabiana)


PermalinkPermalink 29.07.09 @ 19:26



Comentário de: Lílian Henrique de Azevedo

Para uma feminista como eu, pesquisadora e porque não, também teórica do assunto, vivo na prática algumas das reivindicações que minhas antecessoras desejaram. Trocando em miúdos, é bom que se dê atenção ao termo feminismo que não é uma palavra inocente, mas um conceito. E como conceito tem sido, dentre outros conceitos, utilizado, ou melhor dizendo em termos acadêmicos, apropriado de diferentes maneiras. O que não se pode deixar de lado em qualquer conversa sobre esse conceito é de que se trata de um movimento político e que não é o similar no feminino do machismo (esse seria o femismo). Por isso, acredito que o debate - já que você mesmo ressalta como sendo grande e com inúmeras teses, deve pelo menos iniciar com base nessa informação. E sendo um conceito que foi criado por grupos de mulheres - e não poucos homens, na virada do século XIX para o XX - que procuraram atuar socialmente e interferir culturalmente a partir do campo político, não basta - mesmo - a pergunta (sem ofender você, por favor!!)leviana "O que seria melhor para o avanço das conquistas femininas: a resistência ou a liberalidade? Façam sua escolha." Isso me parece mais atrapalhar a já confusa idéia criada pelo senso comum sobre o movimento que tem várias direções. Mas em todas elas, o viés político de atuação d@s envolvid@s fica patente.
Abraços
Lílian Azevedo, feminista, doutora em História e professora universitária

PermalinkPermalink 29.07.09 @ 19:49



Comentário de: Fabiana

Pode, é claro... Eu, com o meu comentário, não tô falando que ninguém precise da tutela de outra pessoa pra obter formação, nem tenha que seguir uma cartilha X ou Y pra ser feminista ou socialista ou petista ou progressista. Nem quero obrigar ninguém a pensar como eu (apesar de ter vontade, às vezes). Mesmo assim, continuo pensando que é injusto colocar a uma pessoa uma questão como essa, porque, no fim, todos nós - independente da posiçõ política - queremos liberdade, precisamos brigar para que ela aconteça, então temos que criar uma certa resistência a padrões estereotipados.

Ah, e eu não fico vigiando comentários, é que o senhor governador me deu mais uns dias de férias, um tiquinho a mais de tempo pra vadiar na internet :)

(Gravz: Agradeça ao Ministro da Saúde, ou ao Governo Federal, pelas cagadas na prevenção e combate à gripe suína :))

PermalinkPermalink 29.07.09 @ 20:22



Comentário de: Amanda

É bem complexo falar sobre esse tema, claro. Mas acho que já passou a época de que tirar as mulheres tirarem a roupa foi revolucionário. Hoje elas só fazem isso com o intuito de agradar os homens, como as nossas bisavós já faziam, só que sem se utilizarem da nudez. As revistas e livros de "Como conquistar um homem" ainda vendem , pra mulheres de todas as idades. O que isso tem de feminismo ? Mulher moderna e segura de si não é aquela que sai por ai fazendo tudo que os homens querem e sendo sexy só para atrai-los. Mulher moderna são as inteligentes, que pagam suas contas e nem por isso se transformam em alguém sem sentimentos os frígidas como os imbecis por ai costumam estereotipar. Ou alguém aqui vai concordar que mulheres como a Melancia ou a Samambaia são exemplos de feminismo ? Me desculpe mas na minha concepção isso tem outro nome.

PermalinkPermalink 29.07.09 @ 20:45



Comentário de: Gisele

Claro...saúde não é problema do governo estadual...

(Gravz: Quando houve aquilo da dengue, o PT falava que era problema do Ministério. Agora, não é mais? Hm. Conveniente, né? :) Curiosamente, e infelizmente pro Governo Federal, a questão da Gripe Suína é 100% Federal. Abs)

PermalinkPermalink 29.07.09 @ 21:06



Comentário de: amélia

concordo com o freud quando disse que tudo passa pelo sexo, o que para mim equivale a dizer que para ter uma vida saudável é preciso não negligenciar essa parte da vida que é essencial. a armadilha disso para a mulher é que, oprimida há tanto tempo privada de exercer sua sexualidade para obter um melhor preço por sua castidade e lealdade (essa a verdadeira castração da mulher) e vivendo nesse aparente novo panorama de liberdadedes, resvale cada vez mais na submissão de que nunca saiu. favores sexuais foi moeda de troca para mulheres desde sempre e nada mudou quanto a isso, com algumas raras excessões, claro, é o homem quem arca quando não com toda, com a maior parte das despesas da família. a mulher foi desde sempre o escravo sexual/doméstico. nos ultimos tempos, para o bem da economia, houve um afrouxamento e a mulher deixou de estar relegada apenas ao cenário doméstico:
hoje, além do escravo sexual/doméstico que nunca deixou de ser (é quase como se o fato de ser mulher passe necessariamente por isso) também é da sua competência compor o orçamento da casa. a escravidão tem infinitos lados negativos e um deles é a alienação: exposto durante tanto tempo ao ofício
escravo, ele não poderá fazer outra coisa ainda que lhe seja dada a liberdade. é o ciclo vicioso da
escravidão muito difícil de quebrar. eis ai onde fica perigoso para a mulher que sendo desde sempre escrava sexual de um único homem, em nome da liberdade, passe a vida dando mostras de sua "independência sexual":
exibicionismo e atividade sexual com infinitos parceiros (posse do destino do próprio corpo) o que serve apenas
para reforçar a sua condição de escrava sexual de sempre. como disse, acho que também o feminismo deve passar pelo sexo mas não viver em função apenas dele, há outras frontes a serem abordadas e a mulher ainda nutre uma resistência para uma visão realista do sexo: para o homem, desde sempre, é muito natural a masturbação como forma de aliviar o desejo sexual que é uma necessidade fisiológica mas para a mulher a masturbação desde sempre é considerada como algo errado e antinatural, ela ainda desconhece seu corpo, ainda espera que o homem a inicie sexualmente como se o desejo estivesse necessariamente atrelado a esse antigo ritual castrador. a mulher é desde sempre considerada um touxa fácil de enganar: palhaço. é desde sempre vista como sinonimo sexo fácil: palhaço sexual.

PermalinkPermalink 29.07.09 @ 22:11



Comentário de: Afronanda* · http://www.twitter.com/ladyafrolicious

Acho sempre os seus pontos de vista excepcionais...esta de parabens! Ah e por favor nao repare porque meu teclado nao acentua, mas enfim voltando ao fundamento deste texto na minha visao, desde que o mundo e mundo, desde a existencia da vida, ate mesmo qdo a biblia menciona sobre o "tal encantamento de Adao por Eva" o foco da visao, os conceitos e projecoes sao sempre em cima da Mulher.
Seja como for da antiguidade ate os tempos atuais e modernos...indiretamente ou nao a mulher sempre sera tema de influencia, seja ela lesbica, liberal, partidaria, gorda, negra, modelo, feminista......E isso ai!

PermalinkPermalink 29.07.09 @ 22:32



Comentário de: Leonardo C.

Gostei do texto... Dizem que os "homens gostam de ver e as mulheres gostam de mostrar", que os homens gostem de ver eu não discordo, mas fico pensando se isso de "as mulheres gostam de mostrar" não é uma coisa culturalmente aprendida... ou em muitos casos nem seja verdade, algumas mulheres passam suas vidas profundamente incomododas com a ousadia dos pedreiros que as comens com os olhos enquanto caminham pela rua.

PermalinkPermalink 30.07.09 @ 06:49



Comentário de: Sicvideo

Houve certo reducionismo da questão feminista nesse texto, pois não se trata de exposição do corpo apenas, mas de um lugar de subjugação da mulher na sociedade e o culto ao corpo é apenas um dos aspectos disso. A liberação feminina pela exposição do corpo contempla a todas as mulheres ou apenas aquelas que correspondem a um padrão "normal", isto é, gozarão da liberdade de exposição aquelas mulheres fora dos padrões estéticos valorizados pela cultura machista (esta cultivada por homens e mulheres, como bem apontou o autor)? Faltou um estudo mais profundo da relação de dominação de gênero. Utilizar apenas um "conceito" para dar conta de uma questão tão importante na nossa sociedade é, no mínimo, um "achismo", ou seja, expor uma mera opinião baseada no senso comum numa linguagem mais elaborada.

PermalinkPermalink 30.07.09 @ 06:59



Comentário de: Marcus

O difícil é superar o INSTINTO PRIMÁRIO, o homem continua sendo em sua essencia um animal(no bom sentido, em comportamentos semelhantes a um macho ou femea das espécies). Acredito que esta caracteristica, se for excluida, de sua constituição psíquica, a espécie irá perder sua identidade.

PermalinkPermalink 30.07.09 @ 10:52



Comentário de: Fe

Essas cabecas de ovo que so se preocupam em ter 15min de fama (ou 20, ou ate alguns dias, dependendo da polemica causada) confundem liberdade com libertinagem. Essa historia de que "as mulheres foram oprimidas por muitos seculos, agora busca sua revolucao" e desculpa. Sei que minha avo' sofreu opressao, que nao tinha voz ativa, que dependia da grana do marido ate p/ comprar calcinha, etc. Mas EU NAO! Nao sou orpimida, faco o que quero e so aceito trabalho se pagar o que acho que eu mereco. Femisnismo e coisa de mulher mal resolvida. Quero que homem troque o botijao de gas, conserte o chuveiro, abra a porta do carro, me de carinho e flores. Eu contribuo com um jantarzinho bacana, carinhos na madrugada, e todos somos felizes. O que me agride e faz com que me sinta envergonhada por ser mulher e esse monte de bundas na televisao que nao sabem nem escrever o proprio nome. No meu tempo samambaia era aquela pessoa que nao tinha opiniao p/ nada, ficava quieta no canto da sala e so falava merda. Qualquer semelhanca NAO e mera coincidencia. O que agride e esse monte de gente buscando sucesso e grana instantanea sem nenhuma preparacao intelectual. POr isso que se vc perguntar p/maioria da populacao em quem eles votaram na ultima eleicao, nao lembram...mas qual a ultima musica do sexy dolls (ughh, que horror!).

PermalinkPermalink 30.07.09 @ 11:23



Comentário de: Flavia M

É claro que não é para levar a sério este texto tampouco esperar conceitos reais, somente aproveitá-lo como estímulo para o senso crítico.No entanto aproveitando a oportunidade... Feminismo é uma palavra utilizada com bastante leviandade. A maioria das pessoas são bastante ignorantes sobre o assunto. Talvez um pouco mais de conhecimento não faça mal a ninguém, por isso ofereço um texto de Gloria Steinem que tem bastante humor e é bem básico, para quem se interessar em entender de onde surgiu. http://feminista.wordpress.com/2006/12/26/se-os-homens-menstruassem/

(Gravz: Peça para ela escrever algo como "Se as mulheres fizessem o Alistamento Militar Obrigatório no Brasil". Grato)

PermalinkPermalink 30.07.09 @ 12:49



Comentário de: Dai

Dá uma certa náusea ler textos como esses...ui. Para vocês verem como vão as informações nos veículos de comunicação neste país em sites "familiares" onde quem escreve é o tal conhecido de fulano(de um tudo os principais provedores seguem a onda de farinha do mesmo saco!). Hoje "estudiosos" no Brasil e "curiosos" que tentam passar a pinta de "especialista" em assuntos que não dominam vivem palpitando. As pessoas ficaram na seguinte situação: escolha os extremos e seja feliz!"Você está na parede: resistência ou liberalidade? Aff...isso, claro, é apenas o retrato do despreparo e de determinismos que nada acrescentam em temas polêmicos. Para quem pensa pequeno relamente é muito fácil colar rótulos e determinar um ser humano...se uma mulher acha que o homem é apenas "visual" e "carnal" ela se auto enganará. Homem também tem cérebro e sua mente é uma meio em grande potencial de exploração...afinal de contas eu só vejo falarem de homens psiquiatras famosos, psicólogos famosos...Onde estão as mulheres? Pq os holofotes da mídia não dão o deviso espaço às profissionais da mente para exporem seus estudos? E o machismo, muitas vezes fortalecidos por mulheres inseguras e homens institivos perdura nesse país...VOu embora para outro pais!!!

(Gravz: Em vez de trazer uma opinião ou contraponto, você optou pela lágrima, choro e esperneio. Isso sobrecarrega a má-fama, e injusta, acerca da choradeira feminina. Faça mais pelo feminismo e traga um argumento, um que seja, a contradizer o post. Abs)

PermalinkPermalink 30.07.09 @ 13:38



Comentário de: Adriana

Expor pra quê??? Normal é andar vestido, a não ser que tivessemos uma cultura de andar despidos, homens, mulheres, crianças, idosos, todo mundo...
Pq essa idéia agora que a mulher devia tirar a roupa???
Isso mais parece uma outra imposição "indireta" machista.
Só quem EU quero me vê nua. Meu trabalho é suficiente para me dar pequenos prazeres na vida, então não preciso tanto de dinheiro para tirar a roupa e muito menos de fama... Pra decidir isso, poder eu tenho, nenhum homem pode mudar isso...
Beijão

(Gravz: Por isso que: a) a brincadeira propunha UM dia, e não TODOS os dias; e b) era VOLUNTÁRIA e não obrigatória. Releia o texto, para evitar vexames exegéticos como esse)


PermalinkPermalink 30.07.09 @ 13:43



Comentário de: Maria Ana · http://meninasg.blogspot.com/

Gostei da oportunidade de debate sobre a questão e dos comentários; alguns bem interessantes e com posturas verdadeiramente dialógicas. Isto porque, se há algo que precisamos para mergulhar nessa questão de gênero (homem, mulher, homossexualismo, heterossexualismo feminismo, machismo, etc.) é de comunicação e quebra de esteriótipos e preconceitos.
Bem, esta pergunta que vc (Gravatai) faz, no estilo "ou isto ou aquilo", bem poetizado por Cecília Meireles, diga-se de passagem... (uma mulher que abriu tantas portas na sociedade brasileira para as mulheres, com sua atuação)... traz para minha escuta, antes de mais nada, uma questão de lógica.
Qual é a lógica que nos permite adentrar a estas questões tão históricas e quanto cotidianas?
É uma lógica binária (ou somos a favor da liberalidade ou somos a favor da resistência) ou algo bem mais complexo, que envolve outras inúmeras variáveis?
Para mim, é claro que devemos pensar de forma mais complexa estas questões, tal qual elas aparecem na vida real, no dia a dia.
Será que em determinadas circunstâncias, espaços e tempos não devemos tender mais para a resistência? E em outros contextos, para uma afirmação desta liberação do ser e se expor da forma como nos convém? Será que não seria preciso, sim, tomarmos mais consciência de quando estamos nos expondo por vontade e desejo próprios ou quando somos quase vítimas de "forças" e "ideologias" que ainda permeiam (e muito!) nossa sociedade?
Acho que permitindo-nos escolher e/ou analisar melhor a nossa liberdade de ser e atuar, ora nos opondo e resistindo à situações; ora, nos libertando e quebrando tabus que nos recalcam e medindo a melhor dose para cada ingrediente desta alquimia, talvez conseguissemos a fórmula para nos tornar as mulheres do presente, sem tantas definições e prescrições.
E este parece ser o nosso grande desafio atual, do qual os homens são parte indispensável, aliás.

PermalinkPermalink 30.07.09 @ 15:00



Comentário de: Flavia M

Sobre:

(Gravz: Peça para ela escrever algo como "Se as mulheres fizessem o Alistamento Militar Obrigatório no Brasil". Grato)

Desculpe,adoraria atender seu pedido, mas como ela não é brasileira, acho que ela não falaria sobre isso.
De qualquer forma, as leis que determinam o alistamento militar são feitas pelos nosso governantes, maioria de homens. Na verdade, a representatividade feminina no legislativo começou efetivamente em 1990. Antes disso pouco mais de 3 mulheres foram eleitas desde que o sufrágio feminino foi permitido e foram cassadas. Mas prometo que vou prestar atenção nas próximas eleições sobre quem teria um projeto politico de igualar tal condição no Brasil e apoiá-lo. No entanto a culpa desta lei é de seus companheiros de gênero. Concordo com você que é uma desigualdade. Minha decepção foi você discordar de mim com um argumento tão fraco. O ônus da guerra não é real tão somente para os homens que se alistam no exército.E o Brasil nunca enfrentou uma guerra real. Se o problema é lavar latrinas dos outros e receber ordens, acho que as mulheres fazem isso há alguns milênios? Sem receberem soldo. Acho que você não entendeu o ponto, feminismo não é sobre liberação ou exposição corporal tampouco sobre opressão masculina. Feminismo é sobre obter e praticar direitos e deveres de cidadãos garantidos na constituição que tão somente hoje, na teoria são extensivos a todos os seres humanos independente de credo, raça, cor ou genêro. Por isso que esse tipo de discussão sobre reduzir o feminismo a guerra de sexos não dá para levar a sério.

(Gravz: Ela não é brasileira, mas está apta a falar sobre a realidade da discrepância de gêneros no Brasil; porém, os textos não são válidos quando se trata de algo sobre nossa peculiaridade. Sim, te peguei. Isso porque a opressão feminina varia MUITO de lugar para lugar. Nos EUA ela é muito diferente do que acontece, por exemplo, no Irã. E boa parte das feministas brasileiras, inclusive, está inclinada a apoiar determinado partido que, hoje, se alia ao Presidente do Irã. Parece engraçado, ridículo, mas é a pura verdade. Assim como os movimentos que supostamente defendem o 'usuário da Internet' apóiam partidos políticos aliados ao regime castrista de Cuba, que veta toda e qualquer liberdade internética. Por isso, desculpe, mas não dou tanto valor assim à pseudo-erudição dos livros frios. Aprecio esse conhecimento, mas ele é letra morta no debate prático quando aplicamos os textos à realidade de cada lugar e ao contexto histórico. Abs)

PermalinkPermalink 30.07.09 @ 16:10



Comentário de: aninha

O que seria melhor para o avanço das conquistas femininas?

Respeito

PermalinkPermalink 30.07.09 @ 19:45



Comentário de: Ronaud Pereira · http://www.ronaud.com

"isso é assim porque é assim e, se você discorda, é porque não percebe que é assim"

Sensacional!
Perfeito!

PermalinkPermalink 30.07.09 @ 22:27



Comentário de: Flavia M

A questão não é quem pega quem: -Direitos humanos não tem nacionalidade, Gravz.
A forma pode variar mas a essência é a mesma...
Para vc. Gloria Steinem pode ser pseudo-erudita quando fala de direitos humanos. No meu dia- a- dia, na prática, suas conquistas, assim como as de Betty Friedan, com influência mundial, permitem que eu exerça alguns direitos de cidadã no meu país.
Você poderia argumentar que o feminismo atual se perdeu...que no Brasil sempre foi um movimento fraco porque aqui a mulher não era economicamente ativa...faria mais sentido.

Mas não vamos ignorar que ele foi tão distorcido até chegar aos nossos dias quanto conceitos socialistas, marxistas, etc....e hoje virou uma questão patética de guerra de sexos, de abolir o topless na França, de liberdade de exposição do nú corporal...quando como você disse, deveria ser mais focado em questões como os direitos humanos das mulheres no Irã, por exemplo. Todo mundo fala de feminismo sem saber o que é.
Como costumamos dizer aos meus amigos franceses que idolatram o Lula: É fácil ser socialista na Rive Gauche em Paris.
Aproveito o trocadilho e digo que é fácil ser "feminista" em St. Tropez,na zona sul do Rio ou nos Jardins em São Paulo.Abcs.

PermalinkPermalink 31.07.09 @ 11:23



Comentário de: flor

BOM GRAVZ INFELIZMENTE, FEMINISMO E MACHISMO SEMPRE HÃO DE EXISTIR.

NÃO CREIO QUE TANTAS DIFERENÇAS POSSAM SER ADMINISTRADAS DESTA FORMA.
CADA UM NO SEU QUADRADO

PermalinkPermalink 12.04.10 @ 01:24



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