OS INVISÍVEIS: A VERDADE SOBRE MATRIX

22/07/2009

OS INVISÍVEIS: A VERDADE SOBRE MATRIX

Então imaginem que o mundo não seja exatamente como o conhecemos. A realidade é uma simulação, o que vemos não é real. Conhecem essa história? Digo mais: há um grupo rebelde empenhado em libertar a humanidade, agentes do poder os caçando/matando/erradicando, um "escolhido" recrutado pelos que combatem o sistema e, em meio a tudo isso, referências a conceitos da história, filosofia, cultura pop, literatura, música, mitologia etc.

Qual o nome do filme? Hm... Não é um filme. É uma HQ: "Os Invisíveis", de Grant Morrison. Pois é. E não foi lançada há pouco tempo, mas sim no início da década de noventa, quase dez anos ANTES de "Matrix", a trilogia cujo roteiro seria revolucionário (também embarquei nessa). Ledo engano, não é mesmo? O filme continua bom, sem dúvida alguma, mas agora sua primazia se restringe aos efeitos especiais.

Sigamos com "Os Invisíveis".

Ao contrário do proposto na película, Grant Morrison supõe o seguinte: a humanidade se entregou à perdição quando abriu mão de sua verdadeira natureza em detrimento da tecnologia. Em "Matrix", ocorre o inverso: a tecnologia (por meio da informática) é o que liberta. Eis a grande separação dos esquemas. Além, é claro, da dicotomia simplória do roteiro cinematográfico: homem x máquina (e a bobagem do mundo ser um sistema operacional sobre o qual nem mesmo os programadores – máquinas – têm controle).

Na HQ, já se faz as referências principais de Matrix, quanto ao que não se pode dizer que houve genialidade por parte dos roteiristas do filme, quais sejam: Platão e Baudrillard. Tanto a separação dos dois mundos (sensível e inteligível) quanto a ideia de simulacro/simulação aparecem de forma evidente e até literal no tal "gibi". Em dado momento, no arco denominado Arcádia, isso é praticamente escrito com todas as letras.

Morrison vai além, muito além, ao encaixar escritores, músicos e artistas em sua trama, seja pessoalmente ou incluindo personagens, letras de música ou referências diretas. A velha ideia de transformar marginalidade em heroísmo é genuinamente alçada à categoria de arte, em especial com a brincadeira do mendigo-tutor-aristotélico (quando Aristóteles foi ele próprio um preceptor) e a etapa-divinatória do pombo.

Além de a película chupinhar praticamente toda a essência da HQ, os roteiristas têm a cara de madeira de usar detalhes que vão da "pílula vermelha" aos nomes dos rebeldes, passando pelo visual do líder radical (King Mob/Morpheus), entre outras tantas coisas.

Sim, Matrix tem muitos méritos, mas (do ponto de vista da história) não pode ser chamado, com honestidade intelectual, de um filme revolucionário, ou mesmo muito criativo.

E é exatamente para esses fãs que recomendo, o quanto antes, a leitura de "Os Invisíveis", de Grant Morrison. Usando a inescapável analogia do filme: será a verdadeira 'pílula vermelha' nessa história toda; e há uma encadernação recém-lançada. Quanto aos demais números, aí complica um pouco.

(Acreditem: embora este texto aparentemente entregue o ouro de Matrix, não falei NADA que estrague minimamente a história da HQ... Sério!)

Revisão: Hellen Guareschi


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transubstanciado por gravata às 22.07.09 | 9 comentários



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Comentários:


Comentário de: zander catta preta · http://casdozander.com

Matrix chupinhou também do RPG mage.

PermalinkPermalink 22.07.09 @ 11:45



Comentário de: Kid · http://www.hbdia.com

Ronaldo.

Also, tou atrás dessa porra de HQ faz tempo mas não acho nem nas lojas especializadas. O jeito vai ser comprar no ebay.

PermalinkPermalink 22.07.09 @ 11:49



Comentário de: renan · http://lastbus2cool.blogspot.com

não para dizer que tudo foi chupinhado de teh invisibles. as influências do filme são bem mais diversas. the invisibles foi uma delas? claro. mas neuromancer é uma referência ainda mais forte. fora outras coisas menores, como ghost in a shell e a construção dialógica de toda cultura. essa redução de matrix parece uma superestimação do gibi do morrison.

PermalinkPermalink 22.07.09 @ 11:57



Comentário de: Mariana. · http://marianapgusmao.blogspot.com/

falou e disse, Renan.

PermalinkPermalink 22.07.09 @ 14:21



Comentário de: Olavo

desse gibi só há as versões importadas pela livraria cultura ou
algum editora nacional já traduziu e/ou publicou?

(Gravz: Tem em português, sim)

PermalinkPermalink 22.07.09 @ 14:22



Comentário de: Sandro · http://arkhanasilum.blogspot.com

Eu li a versao encadernada pela Pixel R.I.P.

Tive vontade de buscar os demais edicoes das outras editoras, mas faltou-me empolgacao. Por isso pergunto: noBrasil foi publicado ate o finalou sofre do mesmo mal de Preacher?

PermalinkPermalink 22.07.09 @ 16:45



Comentário de: Orlando Pitondo Junior · http://www.cinemaescrito.com.br

Que coincidência, hoje eu escrevi sobre Ghost in the Shell e sua importante influência em Matrix. Os irmãos Wash#%@#$ski disseram em uma entrevista. boa dica gravata!

http://www.cinemaescrito.com.br/?p=583

PermalinkPermalink 22.07.09 @ 17:34



Comentário de: jean · http://novasvisoes.com.br/wp/?cat=17

Verdade. E é muito mais legal que matrix.

Nota: Fiz um seminário sobre o gibi na pos da eca e o pessoal disquerda não gostou muito.

Em especial do travesti mago brasileiro.

Denunciaram, povo disquerda adora denunciar, denunciaram um monte de coisas que não estava lá. Que as capas eram muito publicitárias, que o travesti manchava a imagem do Brasil e que havia clichês para os quais nós, a geração coca-cola, nos entregavamos, traindo o pessoal que lutou contra os tanques.

hehe.

Sério.



PermalinkPermalink 22.07.09 @ 18:13



Comentário de: Gustavo B.

Como já dito, na verdade Matrix se baseia muito mais em Neuromancer, que é da década de 80. O próprio termo "matrix" vem do livro.
Um site interessante para os aficcionados em cultura pop tem outras diversas referências/arquétipos usados:
http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/TheMatrix

PermalinkPermalink 26.07.09 @ 13:09



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