STEFFHANY: A ABSOLUTA E SEUS RELATIVOS
19/06/2009
STEFFHANY: A ABSOLUTA E SEUS RELATIVOS
(inspirado no maravilhoso texto de Pedro Jansen, resolvi finalmente falar sobre Steffhany)
Vi uma vez o clipe da cantora cujo nome está no título. Não gostei. Não é o tipo de música de que gosto. Achei forçado e, como acontece quando não gosto de algo, não vi mais. Claro, notei que virou moda no Twitter. Mas, curiosamente, uma moda por parte de quem também não gostou. Vai entender...
Passou um tempo e veio uma festa com a moça. Dentre os entusiastas, justamente todos os que não gostaram e, até então, a detonaram. Era como se um "hate club" organizasse um show da banda odiada. Algo bizarro, mas não muito fora do que se vê nos dias de hoje (e ainda me soa algo estranho falar "dias de hoje" com trinta e dois anos de idade).
Não fui à festa porque não tive tempo. Talvez fosse para ver alguns amigos, mas jamais por conta da atração musical. Não gosto nem passei a gostar. Tanto menos consigo desenvolver essa "afeição às avessas", transformando em 'bacana' algo que nunca deixou de ser ruim para meus critérios estéticos. Foi o que houve com Steffhany.
Os novos fãs passaram a gostar, mas sem perder a agressividade travestida de ternura, sem perder o escárnio, sem perder o deboche. E aí é impossível não ficar um pouco puto e também dar boas risadas do humor involuntário propiciado pela molecadinha mezzo hipster/mezzo pau no cu. Humor em que eles próprios são a piada, vale dizer.
Entendo o lado da rapaziada. Quando meninos, apanhavam dos valentões. Agora, dão o troco em quem passa pela frente. Mas entender não significa concordar. É fácil para eles, que nunca foram lá uns gênios, de repente terem a chance de tirar um sarro da falta de instrução da cantora, rindo de seus "erros".
Mas não são assim, digamos, "Aristóteles", não é mesmo? Estamos naquela época (olha eu falando de 'época' novamente...) em que 'nerd' deixou de ser uma titulação intelectual para ser adjetivo de quem vê Big Bang Theory ou escreve no Twitter pelo celular enquanto está no ônibus voltando da faculdade meia-boca.
Não, os nerds de hoje não são nerds. O "fator QI" foi abolido da qualificação. Assim como a "modinha hipster" veio bem a calhar, pois para ser da tribo basta ser esquisito, ter cara de mané e ser meio idiota. Desnecessário dizer a quantidade de gente qualificada para isso.
Bah! Voltemos à absolutíssima cantora.
Sua apresentação na "metrópole das metrópoles" lembra aquelas cenas de filmes antigos em que se traziam índios – ou o próprio Tarzan – para que os nobres os observassem em trajes rústicos. Os diretores, com mais ou menos destreza, deixavam claro pouco a pouco quem ali eram os selvagens e quem eram os humanos.
O texto poderia ter um fecho como "a vida imita a arte". Mas a vida é ainda mais sacana. Porque Hollywood exige redenção, e na vida nem sempre as coisas acabam bem. Às vezes, os aparentes épicos são apenas comédias-pastelão de humor involuntário.
E vocês sabem bem quem são a piada.
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 19.06.09 | 9 comentários
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Enfim, concordo contigo. Parecia uma atmosfera vitoriana, onde o selvagem era o entretenimento da noite tediosa.
E vocês sabem bem quem são a piada."
exato.
Acho um absurdo como tratam essa garota!
Vemos este tipo de violência todos os dias, é só observamos um fator: a diferença.
Classes sociais, credos, cultura, nacionalidade, etnia, enfim... São vários fatores, que acabam terminando no mesmo ponto: alguém com uma pedra na mão, e alguém agachado. Tudo pela linda bandeira da diferença.
Melhor seria se fosse Indiferença.
E sem pedras.
Exatamente!Há alguns hoje em dia que estão sempre se achando muita coisa.Completamente deslumbrados consigo mesmo.Absolutos.

