O PRECONCEITO CONTRA QUEM FALA DE SEXO
15/05/2009
O PRECONCEITO CONTRA QUEM FALA DE SEXO
Ninguém duvida da capacidade culinária de quem escreve sobre gastronomia. Nesse mesmo sentido, todos que apreciam os cronistas de turismo enaltecem a vivência dos escritores viajantes – a ponto de criarem verdadeiras confrarias. E isso acontece com um sem-número de categorias: esporte, economia, cultura (com algumas ressalvas, é verdade).
Menos sexo.
Quando alguém se propõe a escrever sobre sexo, meus amigos, essas mesmas pessoas que aplaudem os demais escritores imediatamente aplicam a fórmula inversa: quanto maior a quantidade de textos, tanto menor a experiência de quem escreve. Quanto ao mais, usam a sabedoria dos provérbios – "cão que late não morde", "quem fala não faz" e assim por diante.
Um argumento ridículo e estapafúrdio, mas usado como se fosse o máximo da esperteza, é aquele negócio de "prefiro fazer a falar" – como se um escritor de gastronomia fosse apenas um cronista que passa a vida em jejum, o colunista de viagem fosse um turista que não saísse de casa etc. Bobagem, né?
Essa fuga do tema, travestida de "preferência pela prática", tem raiz numa vergonha moralista, num incômodo provinciano. Afinal, nem todo mundo se sente bem quando o sexo vem à tona como tema central. Muitos foram criados de maneira austera e não têm com quem conversar sobre esse tipo de coisa.
Não os culpo, entendo perfeitamente a situação. Mas ao mesmo tempo não posso concordar quando usam o ataque como estratégia de defesa ou tática para esconder esse embaraço.
E é estapafúrdia a imputação de imaturidade aos que falam de sexo, seja por cinco minutos ou o dia todo. Isso não tem a ver com criancice, adolescência ou velhice. Ninguém é criança, adolescente ou velho por falar de futebol, vestuário, maquiagem etc. É questão de interesses e pontos de vista.
Alguém que passe o dia falando apenas de filosofia pode ser uma pessoa profunda e culta – ou apenas uma pessoa chata. Alguém que fale apenas de roupas e sapatos pode ser uma pessoa rica e de bom gosto (depende das peças, é claro) – ou talvez seja apenas alguém fútil.
Mas o curioso – convém voltar a isso – é que há críticas restritas aos que falam de sexo. Ninguém interrompe um papo turístico sob o pretexto de que "prefere viajar a discutir a localização de um museu". Ninguém duvida de um colunista gastronômico pelo fato de "dizer que conhece muita comida" e "quem diz que conhece muito, pelo jeito, não come prato algum". Nada disso faz sentido lógico, mas as mentes moralistas acham que esse raciocínio se aplica no universo sexual.
Digo isso tudo porque, em razão da "Coluna do Isaías", do "GravataCast" e de vários amigos e amigas que escrevem sobre o tema, obviamente entro em contato com muita gente metendo o pau na, digamos, "crônica sexual". E são argumentos interessantes, mas num valor semântico não exatamente elogioso para esse adjetivo.
Claro que, no fim das contas, todos nos divertimos e damos risada, sobretudo ao analisar com maior profundidade a origem desse tipo de coisa. Mas não deixa de ser curiosa e instigante a repetição sistemática desse tipo de raciocínio.
Por falar em repetição, já viram alguma pessoa REALMENTE bonita, mas bonita de verdade, reclamar dos que falam de sexo? Sei que generalizações são um problema, mas é difícil fazer piadinhas sem isso. Por trás de todo ataque aos que falam de putaria, prestem atenção, há sempre alguém com uma feiura de dar dó, mal conseguindo esconder a frustração.
Evamoquevamo!
Revisão: Hellen Guareschi
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transubstanciado por gravata às 15.05.09 | 21 comentários
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Comentários:
Todo mundo tem várias facetas e habilidades. É ignorância te limitar a apenas uma delas só porque você a expõe mais do que ao restante.
Beijos estratégicos...
Por falar em repetição, já viram alguma pessoa REALMENTE bonita, mas bonita de verdade, reclamar dos que falam de sexo? Sei que generalizações são um problema, mas é difícil fazer piadinhas sem isso. Por trás de todo ataque aos que falam de putaria, prestem atenção, há sempre alguém com uma feiura de dar dó, mal conseguindo esconder a frustração.
Os famosos mal-comidos.
Tenho dó. Só isso.
O fechamento do artigo é essencial, só vejo os(as) recalcados falando mal de sexo. Toda aquela gente que NECESSITA urgentemente de... sexo!
E ainda há o oposto contra esse escritor... a de que este é "sujo" e daí pra baixo com o baixo calão.
Sujo é o cérebro emperrado de quem pensa assim.
HAHAHAHA
Sexo é um tema como qualquer outro,embora eu goste mais de falar sobre crise existencial ou coisas assim,mas não deixa de ser uma coisa normal,comum,minha irmã,por exemplo tem um blog no qual ela escreve poemas eróticos(lindos por sinal)...
rs
Acho que o melhor argumento, dessa vez verdadeiro, de quem não quer falar do assunto é vergonha. Ok, a pessoa tem vergonha de falar disso com qualquer um, respeito, mas os outros motivos realmente beiram o patético.
Concordo com você Gravatêro: realmente, deternminados assuntos se transformam em debates em determinadas bocas.
Curioso o fato de que ao mesmo tempo que as pessoas evitam certos assuntos, ou ainda refletir sobre certas idéias, elas abdicam do direito que têm de aprender, e isto tem um nome bem conhecido.
Ignorância.
Primeiro, sexo é cabeça. Não somos apenas bichos, tesão é parte da imaginação, da vontade, de querer.
Segundo, quando se discute sexo vc melhora sua posição( em todos sentidos hehe) em relação a ele. Em prazer, aceitação, em saúde.
O brasileiro vem com essas de prefiri a agir( que na verdade não age tanto assim) e pensa pouco como viver o sexo.
Resultado, verjo um monte gente, em especial jovens, com pose de descolada, de "safadinho", que fica na trepada básica e só se lascando, com filho inesperado, doenças, se magoando, confundindo sentimentos...
Sexo se vive. Agora se a pessoa resolve viver sem usar a cabeça...
Qual é o problema de falar sobre sexo de forma natural? Aprendi ao longo da convivência denominada social, a não falar sobre TUDO. Mas me irrita essa hipocrisia-recalque das pessoas.
Mas também tenho para mim que isso provêem da educação; eu tive uma educação que sexo não era um tabu, sim, um modo de se expressar, e tive relações com namorados, amigas(os) que comentavam a sua vida sexual e amorosa com minha família, mas não em sua própria casa, isso é grave, porque vejo uma geração depois da minha, fundada SÓ na internet, pena, muita pena.
Quando você fala sobre gastronomia, digamos, avaliando um determinado prato, você tem parâmetros objetivos para avaliar se é bom ou não. Apresentação, aroma, qualidade dos ingredientes, etc. etc.
Quando você fala sobre filosofia, também tem parâmetros objetivos para analisar uma determinada corrente filosófica ou filósofo em especial.
Sexo é, por outro lado, completamente subjetivo. Cada um gosta do seu. Alguns acham que dar o rabo é bom, outros não gostam. Alguns gostam de uma chupada, outros não. Então, se você se põe a "falar de sexo", na verdade está falando do SEU sexo. Das coisas que VOCÊ gosta. Não há base objetiva para comparar se a tara do fulano é melhor que a do beltrano. Então as pessoas dizem que você não entende merda nenhuma para ver se você cala a boca e vai falar de algo que possa ser discutido.
É como preferência clubística: você torce por um time de futebol e acha aquele time a melhor coisa que existe (ou não, em tempos de crise). Mas se você começar a elencar os porquês do Quinze de Itaboboca ser o melhor time do mundo, vão dizer que você não entende nada de futebol.
(Gravz: Sexo é mais objetivo - ou menos subjetivo - que filosofia)
Explica de forma primorosa como o preconceito é burro.
Só não concordo muito com o último parágrafo, justamente pela generalização. De resto é ótimo.
;-)
Abraço
Eu já vi pessoas bonitas - 2 mulheres MUITO lindas e um homem lindo (mesmo, juro que é verdade!) - ficarem chocados, fazerem um silêncio constrangedor e caras hiper-feias quando eu mencionei o assunto numa rodinha de conversa. E o que eu falei foi leve... Eu apenas disse que se as pessoas ligassem para estrias, celulite e barriga ninguém transaria com ninguém e o mundo viraria um convento de carmelitas. Será que foi a mençaõ à ordem religiosa?
abraço.
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