GILBERTO GIL: VIAGEM MUSICAL

16/02/2009

GILBERTO GIL: VIAGEM MUSICAL

Pensei numa série (limitada, claro) de posts com alguns artistas de minha predileção, viajando no tempo com músicas de que gosto e, assim, falar um pouco sobre as grandes composições dos caras. Curiosamente, o primeiro não é Caetano Veloso, mas sim Gilberto Gil.

E a viagem começa com o disco Louvação, de 1967, com a música Procissão:

Agora já estamos em 1969, disco de nome Gilberto Gil (era meio moda colocar o próprio nome nos álbuns, todos faziam isso...), e a canção é talvez uma das mais famosas de Gil: Aquele Abraço:

Já de volta do exílio, ele mostra porque é um dos grandes mestres do violão. Eis "Expresso 2222", a música, do disco homônimo, que situa Gilberto Gil entre os grandes craques (depois desse álbum, ele deixa de ser um mero seguidor de João Gilberto e se consagra como mestre supremo):

A faixa a seguir é de 1973 (acho) e é um improviso. Mas ela é encontrada como "bônus track" do álbum de 1971, originalmente lançado em Londres. Eis nosso amigo mandando brasa em "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band". Repito: é um IMPROVISO.

Em 1975, Gilberto Gil e Jorge Bem (ainda não Benjor) saíram da Philips Phonogram e foram para a Warner. A mudança foi celebrada em disco: Gil & Jorge (Oxum/Xangô). Eis "Filhos de Gandhi" (o disco todo é o seguinte: uma caixa toca Gil, outra toca Jorge Bem e é sério!):

No ano seguinte, já na Warner, teve início a série "Re", a começar por Refazenda, com Dominguinhos chegando firme não apenas emprestando o talento na sanfona, mas também na composição (é dele e de Anastácia "Tenho Sede", gravada também no Unplugged de 1994). Mas vamos à faixa-título:

Refavela feio em 77 e a música de mesmo nome é minha favorita do álbum. Os demais "Re" não me agradaram (Refestança, Realce):

E, agora, duas preciosidades. Primeiro Cálice e, em seguida, um improviso com notas de Expresso 2222, ambas as gravações realizadas na Escola Politécnica da USP, em 1978.

Um grande salto temporal e chegamos ao disco Parabolicamará, do qual extraio a faixa-título, tudo porque gosto muito do verso "tempo que levava a Rosa, pra aprumar o balaio, quando sentia que o balaio ia escorregar". É o máximo!

E, agora, meu favorito: UNPLUGGED! Não o chamo de Acústico porque, naquela época, a própria MTV não denominava assim os discos e, além disso, pelo fato de que tal nome passou a ser a chancela da desgraceira. O de Gil, e que me desculpem os demais, é insuperável. Fiquem com Sítio do Picapau Amarelo:

Sei que do disco Kaya N'Gan Daya, com covers de Bob Marley, a favorite de quase todo mundo é Three Little Birds, com aquela sanfoninha e tudo mais. Mas a minha, desculpem, é "Lick Samba", com direito à participação mais do que especial da senhora Rita Marley:

Por fim, Gil Luminoso, o disco de 2007 de voz e violão. Algumas gravações são de 99, outras do ano de lançamento, mesmo. Esta, "O Seu Amor" (música lançada também com os Doces Bárbaros), receio que seja de 99. Ei-la:

É isso. Gilberto Gil. O mestre do violão, o gênio etc. Nem preciso falar tanto, né? Se vocês ouviram, isso basta. Evamoquevamo.


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transubstanciado por gravata às 16.02.09 | 11 comentários



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Comentários:


Comentário de: Diego Teixeira · http://www.diegoteixeira.com

pelo que vi...

tá tudo ótimo! só incluiria a ultima "no cordel da banda larga", que é outra musica de gênio!

[]'s

(Gravz: Essa ainda não ouvi! Mas valeu a dica :))

PermalinkPermalink 16.02.09 @ 04:15



Comentário de: Amanda Mosimann

ahh, coincidência. Ontem comprei o DVD Gilberto Gil - Unplugged. Uma delícia!

beijo Nando.

(Gravz: É ótimo! Foi minha trilha sonora em julho de 94, Ubatuba!)

PermalinkPermalink 16.02.09 @ 08:33



Comentário de: Carol Flogada · http://www.filigranademim.blogspot.com

Tem um ato falho FENOMENAL no meio do texto!

Perceba: "(é dele e de Anastácia "Tenho Sede", gravata também no Unplugged de 1994).

Gravata! \o/ heheheheh

Amo Refazenda e Filhos de Gandhi.

A letra de Refazenda é linda demais, demais, demais e fala tanto de mim (e eu aqui, com meus atos falhos, escrevi: a letra de rafazendo é lida demais! Amei, ainda mais neste meu momento "trabalho" da vida!). Acho que eu já até falei sobre ela aqui.

E, bom, pra vc ver como eu amo Filhos de Gandhi (e todo o disco Ogum Xangô;), um amigo trocou o repertório do seu show e colocou esta música só porque eu pedi! :D

Beijos!

(Gravz: Pois é, ato falho egocêntrico! :))

PermalinkPermalink 16.02.09 @ 09:56



Comentário de: Gabriela Galvão · http://mgabrielagalvao.blogspot.com

Q delícia! E depois daqui vou ouvir a gênia (Bethânia, calaro.).

Bisous

(Gravz: Bethânia é gênia, mesmo)

PermalinkPermalink 16.02.09 @ 12:37



Comentário de: Roberto Fonseca

Sinceramente, apesar do Gilberto ser da minha época, nunca gostei das suas músicas, nem do modo como ele as interpreta. Acho que sou um dos poucos brasileiros que tem a coragem de dizer a verdade, quando tem que ser dita. Desculpe, Gil!!!

RF

(Gravz: Muita gente não gosta do Gil, e isso não exige coragem nem nada, ué. Tudo é questão de gosto :))

PermalinkPermalink 16.02.09 @ 12:45



Comentário de: Carol Flogada · http://www.filigranademim.blogspot.com

Seu ato falho fez todo sentido agora, já que foi sua trilha sonora de 94.

Lacan fala que todo ato falho é um discurso bem sucedido. :D

Beijos

(Gravz: Não tinha esse apelido naquela época, mas enfim)

PermalinkPermalink 16.02.09 @ 13:57



Comentário de: Leandro

Porem como ministro da cultura ele foi péssimo!O cara só divulgou no exterior samba-carnaval-frevo-forro...E nós aqui do Rio Grande do Sul ficamos sem representação alguma, completamente excluidos culturalmete!Loirinha modelo não vale.

(Gravz: Qual Ministro da Cultura levou ao exterior as Tradições Gaúchas? Aliás, também quero saber quem levou as tradições paulistas, paranaenses, catarinenses, matogrossenses, goianas, acreanas etc..)

PermalinkPermalink 16.02.09 @ 15:27



Comentário de: Sherazade

Hummmmm...dá uma bela playlist né? E como esse é apenas o longa metragem que dá origem à série, prevejo muitas e muitas playlists.

A-do-rei.
Ah! Sim! A última eu não conhecia e é linda. Difícil, mas linda.

bisous

(Gravz: A versão dos Doces Bárbaros é bacana, com o revezamento das vozes)

PermalinkPermalink 16.02.09 @ 16:16



Comentário de: Flavia M

Gostaria também de fazer um comentário: além de músico, mais que compositor, o cara é um pt escritor. Correndo o risco de parecer saudosista, Gil e alguns de sua geração se prestam a altura de gente como Vinicius ou até Paulo Mendes Campos e Drummmond, guardadas as devidas proporções.Não sei se é a velhice chegando mas os prêmios Jabuti da vida hoje não me entusiasmam, talvez algum ou outro livro histórico. Ler uma composição do Gil também é apreciar um bom texto em Língua portuguesa. As brincadeiras métricas... os trocadilhos...Não se fazem mais músicas assim...(nada contra as músicas coloquiais).

(Gravz: Não conheço a obra literária de Gil, mas ele é sem dúvida um ótimo compositor e, dentro disso, um excelente letrista)

PermalinkPermalink 16.02.09 @ 17:14



Comentário de: luca

bem, eu tbm prefiro gil à caetano... considero o "unplugged" minha redenção à obra desse grande músico pois, a partir deste álbum, comecei a fuçar as canções de gil... pq não citou o quanta ? é bom pra caramba , principalmente por ser despretensioso... agora, sabe o nome de uma canção que ele canta em francês ? sempre quis baixá-la.valeu!

PermalinkPermalink 16.02.09 @ 20:38



Comentário de: Flavia M

Tem um livro dele chamado Gil em Verso, na verdade ele escrevia poemas, e muitos desses poemas viraram canções. Compilados por Arnaldo Antunes e Manuel Jorge Marmelo. Enjoy!

PermalinkPermalink 17.02.09 @ 10:43



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